2nd South
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Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qua Ago 01, 2018 9:35 pm



Round 2 Move 1
ㅤㅤㅤVéspera da viagem à Las Vegas

ㅤㅤㅤTerry pegou o envelope que Mary havia jogado sobre a mesa e, com disfarçada curiosidade, abriu, demonstrando certa surpresa. Havia um monte de papéis ali com símbolos, padrões do governo que daria para fazer uma camisa de futebol cheia de patrocinadores, ou um daqueles painéis que ficam ao fundo com símbolos de empresas quando um esportista dá entrevista. O caso é que o louro começou a folhear e ver algumas fotografias de Lilith Skyamiko retiradas de algum canto onde ela não pudesse identificar. O vagabundo balançava a cabeça, lia alguma coisa e fingia entender. Muitos termos técnicos e codificados que não significavam nada para ele.
ㅤㅤㅤ— Tá! — disse Terry — E aí?
ㅤㅤㅤ— Então você não entendeu nada, né? — retrucou a loura.
ㅤㅤㅤ— Só não entendo o porquê de tanta preocupação.
ㅤㅤㅤMary deu de ombros e esticou a mão para recuperar a papelada, quando Terry parou numa foto onde havia outra mulher. A loura que dividia a mesa contigo franziu a sobrancelha ante o interesse do amigo, que perguntou:
ㅤㅤㅤ— Quem é essa gostosa da foto aqui?
ㅤㅤㅤA agente Ryan balançou a cabeça em negativo, mesmo assim pedindo para ver quem era. Explicou que deveria ser uma das mulheres que trabalhava para a organização em que Lilith fazia parte em sua vida na Rússia, mas que não tinha relevância quanto ao assunto que ambos estavam tratando naquele momento em si.
ㅤㅤㅤ— Você não está entendendo onde quero chegar…
ㅤㅤㅤ— É claro que estou, Mary! Você está preocupada comigo. Como sempre esteve… E eu admiro isso. Mas você está pouco se fodendo para Lilith e sinceramente… Eu tenho um filho pra criar.
ㅤㅤㅤMary balançou mais uma vez a cabeça em sinal negativo, percebendo que o louro não estava conseguindo captar a mensagem. Ela deu um longo gole na cerveja até voltar a falar.
ㅤㅤㅤ— Você mudou completamente por causa desse casamento. Admiro isso. Sério! Mas sua prudência foi para o ralo com os dias de calmaria no meio do mato. O mundo não parou simplesmente porque você decidiu aquietar o rabo dentro do National Park, Terry.
ㅤㅤㅤ— E daí?
ㅤㅤㅤ— E daí que você sequer imagina que foi por intervenção do seu amigo Keith Wayne que isso foi possível. Através de uma belíssima entrevista cara a cara com um juiz ao maior estilo daquele arruaceiro de quinta categoria.
ㅤㅤㅤ— Hmmm… De onde você tirou isso?
ㅤㅤㅤ— Ué? Não é você quem sabe de tudo o que se passa nas ruas? É disso que estou falando. Perdeu a sua essência e ainda acha que vai se omitir do governo americano com um nome atrelado numa residência fixa. O maior defeito da sua mulher é a prepotência. Algo que a convivência parece que está passando para ti também.
ㅤㅤㅤTerry ficou pensativo por um momento, pegou a caneca de cerveja e deu uma bebericada, fazendo um bochecho antes de engolir. Mary continuou.
ㅤㅤㅤ— Seu filho não solta poderes, não sabe se defender sozinho, não vai atacar invasores. Seus hábitos só se sustentam enquanto você está fora de alcance, fora da vista. E antes que essa sua cabecinha de camarão continue manobrando ideias de que eu esteja com raiva do seu relacionamento com a russa lá, lembre-se de que eu não vim propor o fim do seu casamento, vim dizer pra você pegar sua família e voltar pra estrada. Esqueceu que eu sou a madrinha dessa loucura toda? A sua mulher parece ter esquecido e a insegurança dela quanto a mim é tão grande, que tapa os ouvidos para tudo o que eu digo. Abre o olho, Bogard! Ela não é a Mulher Maravilha, tampouco você é o Super Homem!
ㅤㅤㅤA loura levou novamente a caneca aos lábios, dando uma talagada na cerveja que fez com que acabasse o conteúdo. Ela bateu o fundo da caneca contra a mesa enquanto Terry, do outro lado da mesa, sorvia calmamente a cerveja até acabar. O velho Lobo retrucava.
ㅤㅤㅤ— Pois é, Mary! Eu até gostaria de voltar a essa vida de estrada, mas com um moleque pequeno fica meio louco fazer isso tudo. Além do mais, tudo isso aí pode ser pura neurose, pode estar vendo coisas onde não tem. Então eu não acho tanta necessidade assim essa preocupação…
ㅤㅤㅤPassos atrás de Terry começaram a soar até se tornarem audíveis o suficiente para ele se virar para trás. Kevin Rian, da Polícia de Second Southtown, aparecia equilibrando três canecas nas mãos. O louro parrudão, com um sorriso estranho nos lábios de um lado a outro, repousava as canecas na mesa para poder puxar uma cadeira pra si. O policial disse assim que se sentou:
ㅤㅤㅤ— Pois pode acreditar que não tem neurose nenhuma nisso, Bogard!
ㅤㅤㅤ— Agora virou filme de Hollywood… — retrucou Terry.

ㅤㅤㅤDe volta à ponte de treliças…

ㅤㅤㅤEra como os irmãos Bogard sempre diziam: tinha que dar tudo de si num combate, sem piedade do oponente. Quando uma terceira pessoa testemunhava uma luta entre aqueles irmãos ficava espantada, pois Terry e Andy lutavam como se tivessem enfrentando o diabo. Essa decisão insana servia justamente para prepará-los para o pior, não tendo piedade do adversário. Provocações e maneiras escusas eram utilizadas justamente para desestabilizar o oponente. Terry nunca foi muito firme nisso, a ponto de tentar salvar o maior algoz de sua vida e dar criação ao filho deste. Andy já levava as coisas um pouco mais ao radical.
ㅤㅤㅤMas Lilith havia caído na provocação, havia entrado na onda do velho Bogard e foi assim que o combate se iniciou. Ela tentou tirar a atenção de Terry que executava uma finta naquele momento. Os golpes “assinaturas” do vagabundo eram bastante conhecidos e por isso seria burrice não usar isso a seu favor. Era o que sempre fazia. Àqueles que conheciam seu repertório clássico poderia vibrar ou lamentar por determinado golpe que seria anunciado, entretanto, naquele momento, o sem-vergonha havia apenas simulado o intento do golpe.
ㅤㅤㅤO movimento rápido subsequente fora uma cotovelada com o sucesso esperado após um giro rápido com um trabalho de pernas invejável. A finta demonstrou ter valia ante o bloqueio efetuado por Lilith, ainda que a cotovelada não tenha sido dirigida em direção à sua cabeça, mas sim ao baço, no flanco esquerdo da lutadora. A intenção de não ser retaliado em linha reta e conseguir um retardo na resposta da sua oponente foi atingida, o que foi mostrado no segundo golpe aplicado pelo vagabundo da estrada: o Shovel Hook vazou a guarda da ruiva gostosa que, ainda buscando se equilibrar naquele vagão plataforma, recebeu a explosão do impacto.
ㅤㅤㅤNo entanto, o que se seguiu foi uma recuperação de Lilith. O segundo soco – mencionado por ela – não existiu por parte do louro, que havia aplicado um Uppercut – mencionado como um terceiro soco por ela – contra o rosto. De mais a mais, tampouco o Low Kick, o chute baixo, serviu para evitar o rolamento da devassa infernal, que se recuperava então no combate.
ㅤㅤㅤSó que o fator surpresa que ela tanto buscava acabou indo por água abaixo. Primeiro porque o tombo, seguido de um rolamento como aquele – primeiro caindo de lado e depois passando pra trás do adversário – seria muito estranho não ter sido acompanhado visualmente por Terry e segundo porque, ao se equilibrar em sua postura sobre o vagão em movimento, Lilith fez questão de disparar as seguintes palavras:
ㅤㅤㅤ— Quando você decidir conversar comigo e nós tivermos uma conclusão de como temos que viver nossa vida, aí eu irei fazer o que você fala. — mesmo se você falar tudo isso com a velocidade de um locutor de corrida de cavalos, ainda dará tempo de seu adversário se precaver no combate.
ㅤㅤㅤTerry sorriu, ainda que de costas. Lilith não havia sacado que o louro tinha largos anos no ringue e não viraria para um oponente dando a cara a tapa. Seria amadorismo demais de um lutador com anos de experiência em porradas mundo afora. Apenas virava o seu torso mudando a base através do giro da bola do pé destro dentro da Postura Angular, uma postura que trabalha bem chutes angulares como chutes circulares, chutes giratórios e chutes machado. Também ajuda a acessar as principais técnicas de punhos e mãos. Limita a área-alvo que está disponível para o seu oponente, tornando-a ideal para lutas de médio e longo alcance. Os pés estão quase na mesma linha norte e a perna de trás está posicionada diretamente abaixo do tronco. A distribuição de peso é de 30% na perna da frente e 70% na perna de trás. O corpo está ligeiramente virado para um lado, expondo mais do ombro frontal do que o ombro traseiro. A mão frontal se mostra abaixada e oferece um tipo diferente de proteção para o corpo. O queixo fica escondido atrás do ombro frontal. Esta postura ajuda em combates de longo alcance e tem a vantagem adicional de disponibilidade dos punhos para combates de curta distância. Essa postura também pode oferecer melhor proteção contra bons chutadores, desde que o queixo seja mantido protegido com o ombro da frente. Permite também ataques explosivos com os chutes devido à maior distribuição de peso. A única diferença é que Terry tinha os punhos e pés trocados, com os destros à frente e os canhotos sendo traseiros por conta da rotação sobre o pé destro, jogando o peso do corpo sobre a perna esquerda dessa vez para retornar ao combate sem maiores problemas.
ㅤㅤㅤEmbora Lilith fosse uma adversária bastante rápida, seu jab acabou sendo facilmente inutilizado pelo marido, que entrou na Postura Frontal para revidar o golpe com o dorso da mão destra, já fazendo um pêndulo com o tronco para sair do chute alto e entregar mais um Upper contra o tronco da devassa ruiva. Essa postura é popular quando se quer usar principalmente as mãos ou chutes frontais. Os pés se posicionam na largura dos ombros, onde geralmente o canhoto fica um pouco mais à frente que o destro, com o peso uniformemente distribuído entre as duas pernas. A perna da frente e a de trás estão uniformemente espaçadas e o pé traseiro estará apoiado na bola do pé. O punho dianteiro permeia à frente do rosto e o ombro respectivo se levanta para proteger o queixo. A mão traseira repousa ao lado do queixo e seus cotovelos ficam dobrados firmemente ao corpo. Além disso, os ombros se encolhem para adicionar mais proteção ao pescoço e evitar “chicotadas” na cabeça. Essa postura é perfeita para combates de curta distância quando você precisa golpear com socos.
ㅤㅤㅤComo já dito, Lilith era rápida e foi o suficiente para golpear o flanco do vagabundo com uma joelhada. Flanco, porque ele havia acabado de pendular, usar o Bob and Wave para evitar o chute alto de modo que se mostrasse pelo lado de fora da guarda da russa.
ㅤㅤㅤ— Ugh!
ㅤㅤㅤO corpo do louro se curvou à frente, com ele tratando logo de fixar seu queixo contra o peito, buscando trazer seus antebraços para a proteção do rosto. Contudo o tempo não foi suficiente e como o seu corpo estava muito debruçado sobre a adversária devido a joelhada, o upper varou do abdômen para o peito. Terry acabou cuspindo sobre a regata que Lilith, enquanto seu tronco era arqueado para trás.
ㅤㅤㅤ— Aaarrgh…
ㅤㅤㅤFoi nesse meio tempo que ele buscou recuperação, estendendo sua mão canhota naquela fração de segundos que compreendia a extensão do punho destro de Lilith na aplicação do upper e a inclinação do seu tronco para trás. Terry “perseguiu os peitos” da russa, sendo mais realista, procurou agarrar a regata da demônio, tentando trazê-la até si, ao passo que lançava uma cotovelada horizontal, buscando atingi-la no rosto, pretendendo causar-lhe atordoamento… SOK!…
ㅤㅤㅤ— Tô dentro!
ㅤㅤㅤEra o que ele dizia caso o agarramento desse certo, pois seria o passo para o equilíbrio dentro do combate, com sua bola do pé direito fazendo o apoio mais atrás sobre aquele piso inconstante do vagão plataforma enquanto a cotovelada seria desferida. Da rotação do tronco que se fazia para a aplicação deste golpe, outra no instante seria feita, trazendo de volta o tronco e o mesmo braço já estendido para desferir um Backfist, buscando o outro lado do queixo da ruiva com as costas de seu punho fechado, enquanto sua mão esquerda largaria a regata dela por conta da porrada dada, afastando a ruiva obliquamente à direita do louro. POW!…
ㅤㅤㅤ— HEAH!…
ㅤㅤㅤO Lobo Faminto seguia nas tentativas. Lembra do apoio que o pé direito fez mais atrás, mantendo o equilíbrio do corpo? Pois é! Se o Backfist desse certo, seria esse pé que forneceria a base para que o pé oposto – o canhoto – mostrasse a sola do Desert Boots enquanto o corpo de sua adversária tetuda poderia estar se afastando desorientadamente devido ao golpe anterior que havia buscado o queixo. A bola do pé seria o ponto de impacto deste Front Kick que buscaria como alvo a região baixo abdominal, pretendendo envergá-la pra frente. WHAM!…
ㅤㅤㅤ— HUGH!…
ㅤㅤㅤO vagão continuava se mantendo instável, era óbvio, o trem estava em movimento. Todavia, aquele vagabundo de mais de quarenta verões passou sua vida assim, saindo na porrada em todo tipo de terreno, como já mencionado para não ser chato o suficiente nessa narrativa. Então continuando… Tão logo o corpo da sua querida esposa devassa pudesse estar inclinado, ele levaria agora a perna traseira – a destra – em direção à cabeça da promíscua adversária – contando, é claro, que o corpo dela estivesse arqueado devido ao golpe anterior – com um Mid Roundhouse Kick, ou chute giratório médio, um chute rápido que geralmente é aplicado na linha da cintura. O ponto de impacto seria a parte baixa da canela do vagabundo, estalando como uma tacada de beisebol. KRAKK!…
ㅤㅤㅤ— HAH!…
ㅤㅤㅤO corpo da sua oponente poderia ser guinado ligeiramente para o lado esquerdo do campo de visão do Running Wild, isso, é claro, se ela tivesse firme no ringue, porque se não tivesse, já teria ido parar em algum canto do vagão ou até mesmo fora deste. A porrada comia solta e se não tivesse firmeza pra se manter de pé, o Lobo Selvagem não deixaria por menos, mesmo sendo sua esposa gostosa. Continuando… é… Então… Novamente, se tudo desse certo, o corpo de Lilith seria arrastado levemente à esquerda do campo de visão do vagabundo. Durante aquele tempo de que compreendia o pós impacto do golpe e o deslocamento do corpo dela, o mesmo pé destro voltaria para se mostrar com a bola da sola num High Front Kick, um chute dado de frente, com a potência originada na rotação ligeira da linha da cintura, entregando um poder devastador. O alvo seria o rosto da russa que, se recebesse o impacto, voaria longe naquele vagão, para além do padrão pintado no assoalho. BOOM!…
ㅤㅤㅤ— HEEAAAHH…
ㅤㅤㅤÉ claro que, por mais tediosa e abrangente que toda esta descrição de ataques possa ser, os golpes tiveram uma conexão direta, imediata, instantânea o suficiente para evitar uma retaliação súbita por parte de sua adversária.
ㅤㅤㅤO louro se encerraria em uma postura que oscilava em movimentos dentro da postura angular, em caso de sucesso de sua combinação de ataques, movendo ligeiramente os punhos, com o dianteiro oscilando entre a linha do fêmur e o peito e o traseiro entre o queixo e o peito, coincidindo ambos lado a lado quando o tronco debruçava ligeiramente à frente. As pernas semiflexionadas mantinham o peso do corpo na bola dos pés, que mantinham uma rotação suave constante por causa do balanço que o tronco proporcionava. Alguns fios louros do cabelo pendiam sobre o rosto – que tinha o queixo encerrado contra o peito – do vagabundo dificultando para a oponente a mira da visão que o Lobo tinha.
ㅤㅤㅤ— É assim que você vai defender Jack? Ou vai mostrar para o moleque que de fato você é uma demônio, liberando energia maldita por aí? — ele diria caso Lilith tivesse sido assolada pela investida e arremessada a certa distância — Get serious!
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Round 2 Move 2

Mensagem  Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko em Seg Ago 06, 2018 8:51 pm


Round 2 Move 2




ㅤㅤㅤㅤ- Hahaha... – eu estou rindo.
ㅤㅤㅤㅤEstou com os cabelos sobre o rosto, tombada sobre a plataforma do trem, minhas costas está virada para a lateral e estou ao lado de um caixote. Ele ainda era rápido, sua experiência é muita. Meu marido descobriu um jeito de me contra atacar. O máximo que consegui fazer durante cada sequência dele, foi tentar amenizar os impactos diretos usando os braços, protegendo principalmente a cabeça.
ㅤㅤㅤㅤ- Hahahahaha...- não conseguia evitar as risadas, mesmo que fosse dolorido rir naquele momento. – Seu filho da puta! – as palavras saíram da minha boca num rompante.
ㅤㅤㅤㅤE eu comecei a falar, era necessário naquele momento um ganho de tempo. O trem em movimento, vários perigos além de só apanhar e ainda tinha que pensar como agir. Terry estava com vantagem e eu não tinha visto ainda um modo de contornar isso. O chute na minha cara foi o que fez ficar mais complicada a situação, abriu um corte sobre meu nariz no espaço entre meus olhos e aquilo estava doendo para caralho e o sangue atrapalhando eu ver claramente.
ㅤㅤㅤㅤ- Você sabe que eu tenho uma filha morta, não?  - continuo sentada sobre a plataforma e tiro a regata que estava usando. – Pois é! Eu tive que fazer uma escolha. – continuava sem aguardar uma resposta, era retórica mesmo a pergunta. Apertando a regata contra a ferida e fixando os olhos no dele, continuei. – Eu escolhi a existência da humanidade à minha filha. – fiz uma careta de dor e passei rapidamente o olho no arredor. – Eu a matei, eu corrigi o erro de tê-la. – falei colocando a mão livre (direita) sobre o caixote como se tivesse me apoiando para me levantar. – Ele não é um erro, ninguém tocará nele. – falo me referindo ao Jack e voltando a fixar os olhos nos de Terry.
ㅤㅤㅤㅤRetiro a peça de roupa do meu rosto e jogo no chão na direção dele, sem força, só para ela ficar ali no chão. Levo as duas mãos e pego o caixote arremessando em direção ao loiro, dessa fez com bastante força empregada.
ㅤㅤㅤㅤ- Não seja um filho da puta para usar nosso filho nessa luta. – falo iniciando minha sequência mais uma vez.

ㅤㅤㅤㅤ2nd South, anos atrás.

ㅤㅤㅤㅤE os planos arranjados foram saindo da minha mente e ganhando forma nas minhas ações. Hades me chamou para o Inferno antes do prazo estabelecido, foi nesse momento em que brigamos e eu consegui enfraquece-lo e aprisionar a alma dele dentro da minha foice. A arma era uma passagem para uma dimensão perdida da Umbra, um dos lugares já destruídos por Wyrn. Quando a mesma corta qualquer ser já enfraquecido que não tem mais controle de sua alma, essa é sugada para a outra dimensão.
ㅤㅤㅤㅤEle ficou fraco e preso. Eu fiquei completamente esgotada ao usar o que restava da minha energia infernal para voltar para a Terra, já que estava com tudo ajeitado para me integrar na sociedade daquela cidade.
ㅤㅤㅤㅤO torneio ocorreu como esperado, alguns fatos que ocorreram em paralelo me surpreenderam. O principal foi eu ter ficado em terceiro lugar. Mas serviu para eu pegar gosto com aquele tipo de combate. E pegar posto pelo campeão do torneio e deixei de lado minha promessa feita. E uma nova relação começou, sabia que não teria perfeição, nada no mundo era perfeito, mas esperava estar me envolvendo com um homem com bem mais maturidade que os anteriores que cruzaram pelo meu caminho.
ㅤㅤㅤㅤE foi aí que tudo ficou ainda mais complicado para mim e também para Terry Bogard.

ㅤㅤㅤㅤO trem expresso, dia da luta.

ㅤㅤㅤㅤAo mesmo tempo em que eu arremesso a caixa, eu faço um estepe com os pés (movimento para trocar de base, jogando a perna direita para ficar atrás e deixando a esquerda na frente.). Minha estratégia fora desenhada na minha cabeça no tempo gasto para tentar estancar o sangue que escorria no meu rosto até quando eu jogo minha camiseta para o chão.
ㅤㅤㅤㅤA caixa era uma distração, uma tentativa de provocar um desequilíbrio e/ou fazer o loiro não estar cem por cento focado em mim. E com o movimento das pernas eu começo a bater. Um chute alto de peito de pé, a intensão era acertar a cabeça de Terry, com a perna traseira (direita). A perna direita cairia à frente, o que faria a minha perna esquerda ficar a trás. Nesse momento eu jogaria um soco direto com minha mão esquerda (que estaria atrás nesse momento com a mudança de base) em direção também do rosto de Terry.  Emendando um “up” (um soco de baixo para cima) com minha mão direita. Em seguida emendando um chute baixo com minha perna traseira (esquerda), tentando que ele desequilibrasse.
ㅤㅤㅤㅤ- Pensei que você vencia lutas com técnicas de luta e não com joguinho sujo de palavras ofensivas. – falo com a voz ríspida dando dois passos para trás me afastando dele.


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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Sex Ago 10, 2018 9:18 am



Round 3 Move 1
ㅤㅤㅤVéspera da Viagem à Las Vegas

ㅤㅤㅤAli, naquela mesa numa área privativa do Pao Pao Cafe, estavam os três. Terry, Mary e Kevin. Este último vestia uma camisa polo bem larga, o suficiente para esconder sua pistola na cintura da calça. De cabelo curto e olhar grandão, bem vidrado, injetado, Kevin mostrava aquele sorrisão característico ao falar direto para Terry.
ㅤㅤㅤ— Oh, rapá! O bagulho é realmente mais doido do que você imagina.
ㅤㅤㅤO vagabundo americano, que estava já com o cotovelo sobre a mesa, deu de ombros e respondeu:
ㅤㅤㅤ— É? Como?
ㅤㅤㅤEnquanto Mary apenas ficava observando as expressões do seu velho amigo Bogard, o policial continuou:
ㅤㅤㅤ— A Polícia de Second South levantou dados de Lilith Skyamiko, procurando informações do que ela fazia antes, durante e agora enquanto finge parecer uma mera funcionária do museu da cidade. Depois dos acontecimentos nas duas cidades em que ela foi publicamente responsabilizada, não tem ninguém dando mole pra ela.
ㅤㅤㅤ— Hmmm… — fez Terry numa disfarçada preocupação.
ㅤㅤㅤ— Seu deboche ainda vai custar caro, Bogard! — retrucou Mary.
ㅤㅤㅤ— Não estou debochando, Mary! Hehe… Não viaja! — respondeu o Lobo.
ㅤㅤㅤ— Deixe eu continuar, por favor! — Kevin interrompeu e estendeu as canecas para os dois. — Eu conheço a Polícia, sei que eles vão começar a sufocar o quanto antes, vão pressionar e pressionar até vocês perderem o ar. Não há como você sair por aí espancando policiais e ficar impune… Sabe disso!
ㅤㅤㅤTerry deu uma bicada na cerveja enquanto Mary dava uma talagada. Kevin continuava.
ㅤㅤㅤ— O único jeito de mostrar que não há interesse algum em ferir 2nd South novamente é se mandando das imediações. Vocês moram aqui em South Town, mas Lilith trabalha lá. E isso, para eles, é sinal de que ela continua querendo arrumar ideia, sacou?
ㅤㅤㅤ— Hmmm… Saquei… — Terry dizia com um aceno positivo e lento de cabeça — Então a única maneira é sumindo do mapa, né? Desaparecendo para ninguém nos encontrar mais…
ㅤㅤㅤ— É o que eu estou falando, Bogard. — disse Mary — Mas não vai adiantar a bonitona pegar a estrada contigo com Smartphones, Notebooks e etc. Isso é como deixar um gato solto com um sininho pendurado no pescoço. Uma hora eles acham vocês.
ㅤㅤㅤ— Hmmm… — o velho Lobo encarava o colarinho da cerveja na caneca enquanto refletia sobre o assunto.
ㅤㅤㅤNão demorou e Bob Wilson reapareceu para pegar as canecas que estavam vazias. Os três que estavam sentados se emudeceram por completo e o gerente do Pao Pao acabou entendendo que aquele assunto não era para ele. Kevin voltou a falar tão logo Bob desaparecia.
ㅤㅤㅤ— Eu sei que você tem um filho pequeno, Terry! Eu sei que pode ser muito complicado criar uma criança vagando por aí sem rumo. Mas é muito mais seguro para vocês sairem da Florida. Os alertas sempre estarão ligados.
ㅤㅤㅤ— Sabemos que você é um porrador nato. Sabemos da capacidade destrutiva da sua mulher. Mas a vida de vocês não mais pertencem a vocês individualmente. Não vai ser capetice da Lilith ou seus Power Geysers que farão com que instituições transformem as vidas de vocês num inferno. Não seja infantil a esse ponto, Terry! — concluiu Mary.
ㅤㅤㅤO Lobo Solitário permanecia reflexivo. Naquele momento desejou inclusive fumar um cigarro. Entretanto a área era privativa, fechada e não era permitido fumar naquele local. Ele coçou a barba que estava por fazer, inclinando a cabeça enquanto avançava o queixo no ato, fazendo um bico com os lábios que mais parecia uma careta. Deu uma talagada na cerveja, passando a mira do olhar de Kevin para Mary.
ㅤㅤㅤ— Preciso dar uma mijada! Já venho! — o Lobo se levantou, virando mais uma vez a caneca para beber todo o conteúdo, batendo o fundo do objeto contra a mesa.
ㅤㅤㅤTerry deu as costas e foi ao banheiro do Pao Pao. Ao passar pelo balcão onde estava Bob, recebeu um olhar preocupado do gerente da casa, seguido de uma pergunta:
ㅤㅤㅤ— Tá tudo bem lá, cara?
ㅤㅤㅤ— That’s right, Bob! That’s right!
ㅤㅤㅤNo banheiro, ele procurou um mictório, abriu o zíper da calça, chamou o malandro pra fora e tratou de começar a mijar, encarando a louça do sanitário enquanto ria.

ㅤㅤㅤDe volta à ponte de treliças…

ㅤㅤㅤA sequência de porrada desferida pelo louro havia dado certo. Lilith foi pega pelo instinto marcial do marido e recebido aquele combo porrada por porrada. Não fosse ela preparada e dotada de uma resistência mais elevada do que o normal, fatalmente estaria desacordada.
ㅤㅤㅤMas não. Lá estava a ruiva no chão que, graças ao seu instinto básico de defesa na arte marcial, pôde evitar o pior.
ㅤㅤㅤEla começou a rir, chamou o marido de filho da puta e danou a falar um monte de coisas que o louro fazia questão de absorver, mas não revidar verbalmente. O vagabundo permaneceu quieto. Aquilo era uma luta e não uma discussão em família. Sabia que tudo poderia ser usado como uma ferramenta de auxílio no combate. Afinal, ele está nessa há muito tempo.
ㅤㅤㅤOs fios louros do cabelo do americano escondiam parcialmente seus olhos para a oponente, apenas uma fina linha abaixo do nariz denunciava um meio sorriso que só com muito esforço poderia ser notado. O Lobo viu a demônio se despir da regata que havia utilizado para amenizar o sangramento da testa por conta do High Front Kick recebido, mas não fixou os olhos na peça que havia sido atirada ao chão, Lilith precisaria de muito mais pra distrair aquele velho combatente dos ringues. Tampouco seus peitos de fora – se for considerar que não fora mencionado qualquer bandagem sobre os seios ou sutiã – distrairiam o vagabundo.
ㅤㅤㅤEla o xingou mais vezes, disse que não deveria meter o filho naquela luta e lançou a porra de um caixote que havia no vagão contra o marido. Um caixote de madeira que se espatifou ante a defesa que Terry fazia. O Running Wild mantinha a postura angular para manter seu tronco a uma distância confortável de seus oponentes, mas ao ter espatifado o caixote em sua defesa, isso deu tempo para que sua adversária, possivelmente em linha reta, se aproximasse – se for considerar o tempo em que o caixote foi lançado e a aproximação para um chute alto daquele – rápido o suficiente para lhe acertar um chute. As ripinhas do caixote voaram para todo canto, inclusive para fora do vagão, porém uma delas feriu o louro na quina da cabeça, que cerrou os dentes ao sentir o talho sob a cabeleira. Seus braços estavam protegidos pela jaqueta e seu rosto pelos punhos que faziam o bloqueio. Mas ali não era hora para lamentar, ainda que tenha dado alguns passos para trás por conta do ferimento.
ㅤㅤㅤ— Shit!
ㅤㅤㅤE então veio aquele chute, na altura da cabeça que acabou arremessando o americano para o lado. Seu pé frontal perdeu o piso e o tronco pesou sobre o dorso da perna traseira, levando a mesma junto com o peso do restante do corpo exatamente quando o vagão dava o “galope alto” sobre os trilhos. O vagabundo vou ao solo, sobre o assoalho de madeira.
ㅤㅤㅤ— Puta merda!
ㅤㅤㅤAntes de tocar o piso ilustrado pelo símbolo da estrela com a citação Running Wild, o dito cujo que levava a mesma alcunha escrita ali deixava seu ombro colidir com a madeira, apoiando seus antebraços logo em seguida para que pudesse fazer um rolamento de recuperação para trás. Era rápido, VAPT-VUPT para estar já de pé, firmando-se na postura angular já explicada anteriormente. A força de impacto do chute da demônio devassa deve ter sido incrementada devido ao avanço que fez logo após arremessar aquele bendito caixote de madeira. O restante da sequência de Skyamiko não pôde ser conectada, já que o vagabundo havia sido lançado com a força do primeiro golpe aplicado por ela.
ㅤㅤㅤTão logo de pé, o arruaceiro sem-vergonha não ia demorar um segundo, não falaria nada, apenas ergueria seus braços rapidamente, assumia uma postura ereta – apesar de suas pernas estarem ligeiramente semiflexionadas – e gritava a plenos pulmões:
ㅤㅤㅤ— BURN!
ㅤㅤㅤSe Lilith conhecesse as “assinaturas” do marido, saberia o que viria por aí. Após o grito, o avanço seria repentino, brusco, num rompante brutal onde um punho repleto de energia buscaria seu rosto ou peito como alvo. Pois é! Essa era a real intenção. A intenção de ela se precaver ou antever um golpe avassalador como o Burn Knuckle, porque na distância em que ambos estavam, o que Terry realmente fez foi avançar num Step Jab, fazendo com que a iniciativa do Burn Knuckle fosse apenas mais uma finta, uma dissimulação. Com aquele “dash” – um avanço repentino, o famoso “dois pra frente – dando carga ao Jab, o louro buscaria a região superior de sua oponente na intenção de ter o bloqueio dela exatamente ali. A finta com o Burn Knuckle não era para que Lilith se espantasse e se entregasse ao Step Jab, mas sim que ela se preparasse para se safar de um golpe que não aconteceria. O Step Jab seria entregue com o punho frontal, no momento, o punho canhoto. VUSH!…
ㅤㅤㅤ— Hugh!…
ㅤㅤㅤE era exatamente no freio que o Step Jab faria daquele avanço que o vagabundo veterano dos ringues entregaria um Upper do punho destro. Isso era possibilitado em sua movimentação porque a bola do pé canhoto travava o avanço de seu corpo durante o impacto do Step Jab, fazendo com que seu flanco destro trouxesse toda a força imprimida no movimento. Assim seu punho destro se apresentaria para aquele Upper, buscando não o queixo, mas a região do estômago da oponente, meio que flanqueando a guarda, contando com o bloqueio frontal feito no Step Jab. BAAAM!…
ㅤㅤㅤ— HEAAH!…
ㅤㅤㅤSe tudo desse certo, sua adversária seria assolada por aquele Upper violento e, antes que tentasse entender a situação, o punho canhoto do andarilho sem-vergonha já estaria em seu flanco destro, buscando a região situada entre os rins e o fígado, subindo em direção ao rosto obliquamente, planejando minar sua resistência. Com a devida rotação da cintura e o trabalho de pernas, um Upper do punho canhoto pretenderia ser o protagonista da já mencionada intenção. KAPOW!…
ㅤㅤㅤ— HAAH!…
ㅤㅤㅤViria então outro Upper do punho destro do vagabundo após uma ligeira rotação de quadris, um perfeito trabalho de pernas, tentando novamente o estômago, buscando aquelas mesmas costelas que protegiam a região, rodando a sequência de porradas para dificultar o bloqueio de sua oponente, tentando mantê-la atrapalhada na busca por evitar os golpes. BOOOM!…
ㅤㅤㅤ— HEAAH!…
ㅤㅤㅤE assim apareceria o “gran finale” daquela combinação de ataques proveniente das artes de brigas mortais. Ao entregar o último Upper, um movimento ousado para muitos era habitual para aquele coroa dos ringues. Um giro rápido com o corpo, apresentando um ponto de impacto improvável para o adversário, num momento em que uma postura, uma maneira, um artifício para um bloqueio poderia se  tornar mais desorganizado ainda. O giro citado era uma espécie de salto mortal curto, dando poder a uma machadada que viria de cima, como uma lâmina que cortasse em sentido horário – para quem estivesse vendo a luta lateralmente. A perna canhota desceria com ferocidade, procurando o topo da cabeça da ruiva promíscua. Uma manobra vinda do Karate onde em algumas escolas tinha o nome de “Do Mawashi Kaiten Geri”, noutras simplesmente “Kaiten Geri”. ZAAAP!…
ㅤㅤㅤ— HEEAAAH!…
ㅤㅤㅤ“Ah! Então ele finalizou com o Crack Shoot, uma de suas assinaturas de longa data?” Não! O movimento era o mesmo, o golpe era o mesmo. No entanto, o Crack Shoot tinha um poder de destruição e uma velocidade muito superior à manobra avançada apreendida nas escolas de Karate. Por que Terry então não utilizou o Crack Shoot em vez de uma “versão mais fraca do golpe” durante a execução do combo? Era simples! Para ele não era oportuno.
ㅤㅤㅤToda aquela combinação era intrincada em movimentos rápidos e que alternavam a guarda do oponente para que sua defesa e seu revide se tornasse problemático.
ㅤㅤㅤSe a conclusão do combo fosse obtida, Lilith estaria no chão à frente do marido que lhe encarava de cima para baixo, com o cenho cerrado, atento, onde na sua mente o seguinte pensamento lhe passava: “Entre na luta, diabinha!”. Contudo o arruaceiro não externava o sentimento, mantinha agora uma figura mais sisuda do que a anterior, fazendo um recuo rápido para se manter seguro – um backdash, aquele “dois pra trás” – enquanto não perdia a esposa da sua mira. Já naquela distância, foi então que percebeu algo pingando sobre a gola da sua jaqueta. Sem tirar o foco do combate, levou a mão frontal rapidamente ao local do ferimento e, quando recuperou a postura, percebeu a mancha vermelha no punho através da visão periférica. “Vai dar ruim!” Foi o que ele pensou antes de lançar à esposa:
ㅤㅤㅤ— Get serious or get lost, little devil!
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Round 3 Move 2

Mensagem  Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko em Dom Ago 12, 2018 9:48 am


Round 3 Move 2




ㅤㅤㅤㅤ2nd South, período de dois anos atrás até dias atuais.

ㅤㅤㅤㅤTerry e eu nos casamos. Tudo que eu acreditava era que poderia ter uma vida normal. Ingenuidade minha, você diz. Talvez, mas não é o que a maioria deseja? Uma vida sem muitos problemas e que possam fazer o que gostam e assim dizer que está definitivamente feliz? Pena que nem tudo é o que desejamos e a vida não é um sonho com tudo caminhando como planejamos ou queremos. Há fatores e alguns deles mudam bruscamente você.
ㅤㅤㅤㅤNossa lua de mel foi interrompida por meu “irmão” um dos grandes lordes mais promissores em arrumar picuinha com Hades. E parece que viu oportunidade, onde não tinha, em tomar o Reino para ele. Isso culminou num pandemônio no meu lugar de paz, na Terra, em especifico em Second e Southtown. Vide Legend Of Universe para os detalhes do corrido. O fim disso mudou o meu marido, não para os outros, mas para mim. Ele parecia não querer viver comigo na casa que eu consegui comprar, afinal a dele foi destruída junto com outros imóveis da cidade. Com a volta do Grande Lorde para o seu buraco, Terry ficou fora por um tempo, não sabia onde ele estava e nem o que fazia, menos ainda se ele estava ferido após tudo que aconteceu. E aquilo deve ter sido seu castigo para mim, por ter inventado um torneio no meio daquele caos todo.
ㅤㅤㅤㅤÉ impossível ser perfeita, não importa que ser você se denomina ser, não tem perfeição em nada. E a pior coisa que tem é você vê que não importa o que você faça para se redimir por um erro com alguém, ele nunca vai esquecer e sempre que surgir mais um problema ele vai te lembrar do seu erro feito e sempre no momento que você pensa ter conseguido superar tudo aquilo. E é aí que tudo desmorona mais uma vez. E o que eu mais penso e tenho medo de saber é se havia verdade no que ele me falara lá atrás. Não importa se ele lembra, mas sim se naquele momento ele estava sendo verdadeiro ou só inventando mais um papo para usar e falando da boca para fora.
ㅤㅤㅤㅤE isso foi vindo à tona no decorrer do tempo. Chamei-o para uma viagem enquanto estava de férias do meu trabalho. E lá estava meu erro de novo sendo citado e apontado. E como eu deveria ser na estrada, a desconfiança de como eu poderia agir estava ali, sabia que estava. Afinal qual foi meu erro naquilo tudo? Pelo quê ele está me culpando?
ㅤㅤㅤㅤFicar gravida me deu medo e eu também fiquei feliz por estar. A reação dele a novidade era o que me dava medo. Mas ele pareceu também estar feliz com a notícia e isso trouxe um pouco de calmaria, não sem problemas. Sempre tínhamos problemas, manter uma casa não era fácil, ter uma rotina de trabalho não era um mar de rosas e o ambiente de serviço não é o que se pensa, torna-se exaustivo tudo isso. Fazer coisas que não gostamos na vida é normal, ninguém vive uma longa vida em plenitude total e num mar de rosas. É uma utopia que nem a fantasia sobrevive disso.
ㅤㅤㅤㅤOs erros que cometi no passado, lá no período da invasão do meu irmão. Essa sombra continuou a me perseguir após o nascimento do meu filho. Blue Mary, amiga de Terry. Cismou que eu deveria fazer as coisas como ela achasse melhor, que eu não era capaz de resolver problemas que poderia aparecer na minha porta, que eu iria virar um monstro demoníaco e destruir as cidades de novo. As visitas dela na minha casa era para me lembrar disso e ainda falar que tudo isso era ameaça para meu filho e que eu não seria capaz de fazer nada por ele se os problemas começassem acontecer. Instituições estavam atrás de mim e só ela poderia dar um jeito nisso, mas só se eu fizesse coisas para ela e fosse embora da minha casa. E eu não posso ficar irritada com a atitude dela. Isso me tornava teimosa e sem humildade, segundo palavras da loira. Na última visitada dela eu fui dormir, estava exausta e a discussão não estava indo a canto nenhum.
ㅤㅤㅤㅤEu estava terminando de me vestir e tinha acabado de por o Jack na cama quando ele acordou e veio falar comigo.
ㅤㅤㅤㅤ- Sky, Mary deixou dinheiro para levar o Jack no médico, disse que estava com febre ontem. – ele foi para o banheiro mijar. – E ela falou para você passar lá na casa dela, quer ver algo contigo.
ㅤㅤㅤㅤTorci o nariz para ele e fui para o andar de baixo terminar de ajeitar minhas coisas para sair. Ele veio atrás após sair do banheiro para tomar café e fumar.
ㅤㅤㅤㅤ- Você pode usar o dinheiro que ela deixou para beber ou comprar seus cigarros, não vou usar para nada. – comecei a falar e me virei para encara-lo. – Sim, o Jack estava com febre ontem e eu dei remédio para ele e a febre sumiu. Agora não sei cuidar do meu filho também? – ele pareceu atordoado com o que falei, não sei dizer o que aquela expressão significava. - Não sou tão incompetente como sua amiga pensa, eu sei me virar quando problemas estão na minha porta. – olho para ele por alguns segundos pegando folego. – Ela veio aqui ontem ameaçar nosso filho e a nós dois, essa parte ela deixou de te contar? Falado que se eu não aceitar um acordo com ela, não sei qual organização vai ficar me caçando e que nenhum canto do mundo vai ser suficiente para me esconder. Que eu vou perder meu filho e você por isso. – exasperada acabei gesticulando enquanto falava. – Até quando vocês vão ficar me culpando pela merda dos outros? Não foi minha culpa o que aconteceram anos atrás. A não ser que você me culpa por querer viver aqui na Terra com você! Que me culpa por tentar ajudar as pessoas a ficarem vivas no meio daquela merda! Por tentar com um torneio fracassado desviar as pessoas das armadilhas criadas por eles! – sinto meu rosto quente e respiro fundo. Coloco na geladeira as mamadeiras com meu leite para o menino. – Eu não vou mais falar com ela, Terri. Ela pode me xingar do que quiser, mas não vou. Não creio que você pediu alguma ajuda dela, não me lembro de eu ter pedido. Então, tudo isso que ela está fazendo é perseguição e mais nada. – coloco a bolsa no ombro e caminho para a saída. – Meu objetivo na Terra não tem a ver com mortes de milhares de pessoas, você viu isso no dia que nos conhecemos. Então se você confiar em mim e quiser ficar ao meu lado. Acho que somos adultos e podemos resolver nossos problemas.
ㅤㅤㅤㅤAquilo tudo só mostrava que meu dia iria ser horrível. Sair de casa para trabalhar discutindo e não transando era sempre sinal de mau agouro para mim. Com mais uma forte e longa respiração comecei a caminhar para o trabalho como todos os dias fazia.

ㅤㅤㅤㅤDe volta ao trem expresso.

ㅤㅤㅤㅤEu sentia o suor escorrer pelo meu corpo e o sangue ressecar no meu rosto por causa do vento que batia ali naquela plataforma de trem. Os cabelos soltos não ajudavam muito, mais por estar suado ficava mais pesado e subia menos com o vento. Sentia os fios grudados em meus ombros e pescoço. Eu estava menos preparada para aquela luta do que imaginei, mas ainda estava com raiva e a adrenalina ajudava um pouco, não o suficiente. Sentia as dores dos golpes, não estava tão rápida como deveria estar e aquele corte se juntou com uma dor de cabeça significante.
ㅤㅤㅤㅤPensei que quando ele caiu não iria mais se levantar ou pelo menos iria desistir de lutar, mas ele já levantou revidando. Como assim ele estava usando aquele movimento? Faço a defesa, virando um pouco o quadril esperando o soco no ombro, por estar na defensiva protegendo meu rosto e cabeça com os braços, era essa a parte do corpo que ficaria exposta para receber o golpe. Eu tentava olhar o rosto dele, mas estava coberto pelo cabelo e eu senti o impacto do soco, mais forte que eu esperava, cambaleei.
ㅤㅤㅤㅤ- Chert! – xinguei conseguindo me firmar com as bolas dos pés e dobrando um pouco os joelhos.
ㅤㅤㅤㅤNão fui rápida suficiente para reagir só pude me defender dos outros três socos que vieram depois, não que fosse uma defesa absoluta, ainda sentia a dor do impacto de cada um. Meu corpo balançava junto com o vagão e eu tentei usar minha falta de equilíbrio para me afastar dele. Ajudou um pouco, mas o soco do fígado pegou em cheio e eu me curvei.
ㅤㅤㅤㅤ- Cof!
ㅤㅤㅤㅤA tosse, desequilíbrio e balanço do trem. Isso quase me fez cair mais uma vez. Dei dois passos para o lado ficando perto de algo verde. Não sabia o que era só vi a cor pela visão periférica. Meu corpo estava dolorido e a dor de cabeça incomodava. Quando ergui meus olhos para localizar meu marido, eu só vi um borrão vindo de cima para baixo. Cruzei os braços sobre a cabeça e o impacto me levou com tudo para o chão, me virei um pouco, safando meu rosto de bater contra a plataforma e aquilo doeu.
ㅤㅤㅤㅤ- Aaah!
ㅤㅤㅤㅤO gemido dessa vez não estava ligado a prazer nenhum, só a dor que eu sentia. Eu sabia que poderia não dar certo ataques diretos contra ele. Mas os que não eram diretos não estavam funcionando também. E pelos vários treinos que fizemos juntos, dele me explicando a arte e toda a movimentação. Tem coisas que não podemos evitar e aquela situação não poderia ser evitada. Mesmo estafada eu puxei o ar para meus pulmões, ignoro a dor, mesmo que fazendo uma careta com o processo e por estar abaixada após o chute que havia recebido. Pego impulso para encurtar nossa distância e tento mais uma vez acerta-lo, dessa vez com um dos meus ataques especial.
A base se forma após meu impulso, minhas pernas me lançam para frente e para cima ao mesmo tempo, e nisso vejo a oportunidade de aplicar uma joelhada que carregaria ele comigo para cima. Com o impacto do joelho contra o rosto dele poderia vir a ficar atordoado. Caso fosse bem sucedido ele estaria erguido do chão junto comigo, num intervalo bem pequeno de tempo eu já estaria desferindo uma cotovelada potente contra a nuca dele para arremessa-lo de volta para o chão. Essa movimentação era conhecida como ‘when i rise’. Vinha muito a calhar para o momento, parecia até irônico.
ㅤㅤㅤㅤMas não pararia aí, caso bem sucedido, no mesmo instante que ele caísse contra o solo e seu corpo provavelmente estaria quicando sobre a plataforma, eu iria emendar uma forte canelada (enquanto o pé esquerdo me dava apoio eu chutaria com a direita) em chamas contra ele o fazendo ser arremessado para o lado do vagão de toras de madeira se fosse atingido.
ㅤㅤㅤㅤ- Esse é o “The Secret” – eu falo enquanto executo o movimento.
ㅤㅤㅤㅤO meu corpo estava cansado, não ia dá para ficar ali por muito mais tempo, percebendo pela visão periférica não faltava muito para chegarmos à cidade. E eu ainda por cima estava só de sutiã, toda suada e suja de poeira e sangue. Meus peitos doíam, por todo aquele balanço e estar cheio de leite. Dei dois passos para trás me afastando dele, passos incertos.
ㅤㅤㅤㅤ- A zombaria vai ser ainda mais irritante hoje no serviço. – murmuro para mim mesma, lembrando-me do meu chefe detestável.


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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qua Ago 15, 2018 11:24 am



Round 4 Move 1
ㅤㅤㅤVéspera da Viagem à Las Vegas

ㅤㅤㅤO vagabundo voltava do banheiro batendo as mãos contra as coxas e se sentou jogadão na cadeira, recebendo os olhares inquisidores dos dois amigos “canas”. Dando de ombros, Terry levou a mão destra logo em seguida aos cabelos, jogando-os para trás, de modo que alguns fios rebeldes voltaram-lhe sobre o rosto.
ㅤㅤㅤ— E aí? Tem mais o quê?
ㅤㅤㅤKevin fez um mareio com a cabeça e disse:
ㅤㅤㅤ— Olha, cara! Eu não quero ficar no seu encalço. É chato pra caralho!
ㅤㅤㅤ— Basta não ficar, ué! — disse o louro vagabundo, movendo os ombros numa expressão despreocupada.
ㅤㅤㅤ— Sabe que não é assim que as coisas funcionam, né?! — retrucou o policial. — A papelada estará sempre lá, as cobranças se intensificam e logo será um caso Extraoficial. Aí você já sabe na mão de quem vai parar, né?
ㅤㅤㅤ— Na mão do caolho? — perguntou Terry sorrindo. — Aí o punho resolve! — e cerrou o punho esquerdo, deixando aquele sorriso safado.
ㅤㅤㅤ— Antes fosse assim, Lobo! — a loura voltou a interromper.
ㅤㅤㅤKevin balançou a cabeça, se expressando negativamente e traçando um sorriso cansativo nos lábios.
ㅤㅤㅤ— Parece que você não quer ter paz, cara! Não é o cara que conheci. — concluiu o policial.
ㅤㅤㅤ— Sabe! Essa coisa toda é um porre! — começou Terry. — A gente podia tá aqui falando de coisa nenhuma, bebendo sem compromisso, relembrando coisas boas. Mas olha o que ‘tamo’ fazendo?
ㅤㅤㅤBob Wilson voltou com mais canecas cheias de cerveja, mostrando a habilidade de anos em equilibrá-las. Levou as canecas vazias e fez um aceno aos três. Mary voltou a falar após dar uma primeira “bicada” em sua nova caneca.
ㅤㅤㅤ— Pois é, Terry! Não estamos reunidos aqui falando disso à toa. Estamos preocupados contigo.
ㅤㅤㅤ— Eu entendo a preocupação de vocês! Mas acho que já estou velho o suficiente pra isso, não? — retrucou Bogard.
ㅤㅤㅤ— Velho e sem noção… — voltou a loura.
ㅤㅤㅤ— Pois é, Bogard! — continuou Kevin. — Assim que esse caso se tornar Extraoficial, eles vão começar a cercar vocês… E eu não digo de montar um monte de soldadinhos em volta do seu quintal… Eles vão começar pelas ligações de Lilith no exterior. E por mais “overpower” que qualquer um possa parecer, Heidern não é burro. Ele sabe que nem tudo é na base do braço, não é à toa que ele tem Jones e Still como subordinados.
ㅤㅤㅤ— Hehehe… — Terry sorriu.
ㅤㅤㅤ— Ele quebra na ideia! — concluiu o policial Rian.
ㅤㅤㅤMary aproveitou o gancho.
ㅤㅤㅤ— E logo começa a pipocar jornais falando de pessoas presas no exterior por algum motivo besta, que não tem ligação com ninguém dessa cidade. Dentro em pouco, o caso se torna interessante para South Town, 2nd South, Flórida. As associações são feitas até chegar onde? No bendito National Park.
ㅤㅤㅤ— Hmmm… — e Terry dava um gole na cerveja.
ㅤㅤㅤ— Já sabendo da pressão feita sobre o juiz para vocês continuarem morando lá, a coisa toda pode ser facilmente arquitetada para que as “mãos da Justiça” estejam sobre vocês! Tão fácil como uma isca de minhoca. — disse Kevin com uma inclinação de cabeça.
ㅤㅤㅤ— Imprensa, Justiça e logo a aprovação da população. O Legend Of Universe só seria a cereja do bolo. Apontar entidades que não se pode ver ou tocar como responsável por tragédia é mais difícil do que pegar um bode expiatório qualquer e acusá-lo como “causador das perdas”. — Foi a vez de Mary fazer o contracanto.
ㅤㅤㅤTerry balançou lentamente a cabeça em um aceno positivo.
ㅤㅤㅤ— Então você já sabe o que fazer, Bogard! — terminou Kevin.

ㅤㅤㅤDe volta à ponte de treliças.

ㅤㅤㅤO trem de carga 388 com destino ao Centro de 2nd South mostrava que a ponte de treliças estava chegando ao seu final. Logo os trilhos beijariam a terra firme e mais além, a última Estação daquele Ramal esperava as cargas daqueles vagões. No entanto, não era hora nem lugar para o louro pensar em como se safar daquele vagão sem que as autoridades o vissem, pois o combate continuava rolando e uma luta, sempre é o melhor lugar para que seus sentimentos sejam mostrados.
ㅤㅤㅤÉ difícil explicar nessas linhas a estranha habilidade de Terry em ler os sentimentos de seus adversários através da trocação, da retribuição de socos e pontapés, técnicas especiais e afins. Sem se alongar muito, fora algo que ele acabou adquirindo devido aos combates que tivera contra seu maior algoz, Geese Howard, o homem que assassinou seu pai adotivo Jeff Bogard.
ㅤㅤㅤNessa luta sobre o vagão plataforma do trem 388, Terry percebia uma certa confusão sentimental por parte de sua oponente. Lilith parecia não conseguir entrar na luta da forma como o marido achava necessário. Embora o vagabundo estivesse se divertindo na peleja, via como fundamental aquele combate entre ambos, afinal, nunca se sabe quem você poderá se bater por aí.
ㅤㅤㅤEnfim, a última trocação por parte do Lobo não foi efetiva como imaginava. Os golpes que pareciam ter-se encaixado não surtiam o efeito desejado, tampouco as consequências advindas dos mesmos. Terry se surpreendia pela resistência da mulher, mesmo sabendo que não era uma qualquer… Essa porra tá rimando demais.
ㅤㅤㅤA devassa russa então voltou ao combate. Sem fintas ou qualquer artimanha, buscou o contato direto, com uma de suas técnicas especiais. Mas a base do vagabundo estava muito bem postada e um ataque daqueles não teria porque ter êxito assim sem mais nem menos. O Running Wild sentiu o coice do golpe ao receber a joelhada contra seu bloqueio, manobrando ligeiramente o pé traseiro para se desviar da queda que aquela técnica da ruiva finalizava.
ㅤㅤㅤNo entanto, preparado para retaliar a mulher demônio, Terry foi surpreendido por outra técnica utilizada por ela. Um Super Ataque – afirmando por ter visto na move list da adversária – apareceu logo após a russa tocar o solo e, de um giro, veio uma canelada flamejante. VLAAAPT!…
ㅤㅤㅤ— HWAAH…
ㅤㅤㅤDefender uma canelada é sustentável, é possível. Defender uma canelada proveniente de um Super Ataque é algo já improvável. Defender uma canelada flamejante advinda de um Super Ataque, numa distância curta e sem tempo de apreciação seria mentira demais. Terry teve seu corpo arremessado, girando em direção à borda do vagão plataforma. Quicando contra o assoalho.. PLOFT… PLOFT… PLOFT… Teve o azar de sobressaltar a borda, tendo agarrado a mesma no susto, ficando com seu corpo pendurado para o lado de fora, sentindo o vento açoitar o ferimento que tinha na cabeça.
ㅤㅤㅤ— Holy fuckin’ shit.
ㅤㅤㅤNo quique que o corpo dava contra o lado externo do vagão… PLOFT… ele se impulsionou com as pernas doloridas sobre a plataforma de ferro que sustentava o gradeado do lado externo… PFISH, o mesmo que corria à visão daqueles que combatiam no ringue improvisado. O Lobo caiu de qualquer jeito para o lado de dentro do vagão, suspirando pela deusa da sorte mais uma vez olhar por seu fiel.
ㅤㅤㅤTerry não sabia se aquele fogo utilizado por Lilith no Super Ataque era proveniente do atrito devido à velocidade do golpe ou se vinha da magia que a mulher detinha, não deu tempo de leitura. No piso de madeira, o louro espalmou as mãos e a fechou num movimento quase que automático, quando sentiu que, na sua mão canhota, se fechava algo cilíndrico.
ㅤㅤㅤ— Hmmm…
ㅤㅤㅤEra uma corda, não uma piroca, felizmente. E instantaneamente logo lhe veio a ideia macabra. Seu cabelo acabou secando com o sangue de uma forma bizarra na quina da cabeça, parecendo uma crista de galo torta ou um chumaço de cabelo colado, devido ao vento constante naquele trem e os fios que açoitavam a região. Suas pernas, principalmente a canhota, latejava e ele já sabia o porquê, mas a luta tava valendo e não era hora de saltar daquele vagão em movimento.
ㅤㅤㅤNesse momento é bom rever algumas coisas sobre a luta, sobretudo sobre a posição em que Terry se encontrava. Devido ao fato de ele ter se reposicionado antes de receber o Super Ataque, Bogard estava de costas para o plano de fundo, exatamente no “lado sul” do vagão, lado mais esquerdo, entre o segundo vagão e o padrão desenhado no assoalho daquele em que o combate acontecia. Ao ser vitimado pelo Super Ataque de sua oponente, o vagabundo foi arremessado ao fundo e não a um dos lados – contra o segundo vagão ou contra a locomotiva no lado oposto, por exemplo – daquele campo de batalha. Com isso, o seu retorno se deu exatamente no lado interno, sobre a corda enrolada e próximo à borda oeste do vagão – levando sempre em consideração o movimento da locomotiva para as terminologias “lados sul, norte, borda oeste e etc”. Desta feita, continuemos a contar o que provavelmente o Steel Wölf arquitetou.
ㅤㅤㅤComo já dito, ele sabia como ninguém lutar sobre um terreno instável. Terry era um cara acostumado a tampar na porrada sobre balsas, vagões, plataformas de construção civil, em movimento ou não. Sua experiência de anos lhe dava uma leitura do ambiente de combate que lutador nenhum no mundo possuía e aquele TA-LANK TA-LANK… TA-LANK TA-LANK… TA-LANK TA-LANK… do vagão em movimento sobre os trilhos martelava a cabeça do vagabundo porrador, como um nadador que escuta mentalmente os ponteiros de um cronômetro analógico em busca do melhor tempo. E esse TA-LANK TA-LANK era nada menos do que o balanço lateral que o vagão fazia. Era exatamente isso que se tornava insuportável para um lutador desacostumado se manter num combate contra um homem habituado àquela situação. O que o sem-vergonha fez?
ㅤㅤㅤ— OLHA A COBRA!…
ㅤㅤㅤSe levantou arremessando a corda, que mais parecia uma daquelas cobras – procure no Youtube, porra! – que saltam de árvores, porém a vantagem de ser mais comprida do que as víboras. Totalmente desalinhada, a corda se governava em direção à oponente como uma arapuca, ao passo que o Running Wild já avançava contra sua oponente. E então vem o lance do TA-LANK TA-LANK.
ㅤㅤㅤA corda não foi atirada a esmo, mas respeitando o tempo em que ele, Bogard, estivesse aplicado sua carreira para se lançar num Step – passo de combate, dash –, buscando fustigar a ruiva libertina. No momento em que a corda pudesse atrapalhá-la, o galope daquela área do vagão onde ela estaria – contando com o recuo em passos incertos narrado pela oponente após o Super Ataque – estaria descendente. Assim Terry poderia se lançar num Stomp Kick com a perna canhota – aquele chute, solada, na região da cintura – sem se preocupar por um miraculoso rolamento ofensivo, caso Lilith fizesse a proeza de se desvencilhar da corda “envenenada” desta maneira. Veja bem! Não foi o lance de ele esperar o resultado do lançamento da corda pra se lançar contra sua oponente. A parada foi ele percorrer o trajeto logo após o lançamento da corda, buscando atingir a ruiva tão logo a corda já estivesse fazendo seu trabalho em todo aquele intento. KA-POW!…
ㅤㅤㅤ— É mentira… — ele sussurrava durante o possível impacto.
ㅤㅤㅤDaí, no caso de sucesso, viria um chute da perna traseira, a destra, girando o flanco para buscar a cabeça da oponente com a parte baixa da sua canela. O chute era médio e só buscaria a cabeça da oponente, se o intento anterior tivesse êxito, já que faria com que Lilith tivesse seu corpo arqueado pra frente. O Mid Roundhouse Kick poderia fazer com que o tronco da ruiva se torcesse ligeiramente para seu lado direito – o esquerdo na visão do vagabundo – devido ao peso que a cabeça faria. CHUNNNK!…
ㅤㅤㅤ— HEAAH!
ㅤㅤㅤE o Running Wild terminaria seu intento com um poderoso movimento oriundo das observações em que fizera ao longo das porradarias mundo afora, aliado ao seu amplo conhecimento de Wushu (vulgarmente difundido como Kung Fu). Um ataque que, naquelas circunstâncias, poderia ser inclusive perigoso à adversária. Terry se lançaria num golpe de ombro, disparando numa carga precisa contra a oponente. Um golpe que até ante um bloqueio é complicado retaliar. Muitas vezes encarado apenas como um “movimento de comando”, o Power Charge buscava flagelar seu adversário no centro de equilíbrio, impossibilitando o mesmo de ter um revide adequado. A grave de ombro deveria pegar Lilith desguarnecida e, caso tivesse sucesso, lançaria a ruiva contra a borda do vagão que se encontrava às suas costas – a mesma que se vê em primeiro plano na imagem do cenário – dado o ângulo em que a luta se encontrava então. KA-BOOOM!…
ㅤㅤㅤ— CHARGING!…
ㅤㅤㅤÉ chato, mas é importante ressaltar mais uma vez sobre a conexão de ataques feita durante a execução, onde os golpes não foram aplicados esperando uma resposta positiva ou negativa. Terry partia contra seus adversários como se suas combinações fossem Katas – conjuntos de movimentos de ataques e defesas, presente nas mais diversas artes marciais japonesas – previamente estudados e praticados. De fato, era o que aquele louro treinava de sempre em sempre, variações e combinações de vários ataques para se aclimatar a qualquer adversário que lhe viesse a frente.
ㅤㅤㅤTerry passou rapidamente o antebraço canhoto sobre a testa antes de voltar à sua postura de combate, disparando verbalmente à sua oponente:
ㅤㅤㅤ— Good going!
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