2nd South
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Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

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Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 05, 2018 10:26 pm

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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:45 pm






ㅤ Las Vegas, Nevada, EUA.

ㅤ Na banca de jornal, a revista AVN trazia a foto de uma beldade loura seminua. Em letras garrafais, o nome Anita Mosh fazia o rodapé onde outras informações e imagens menores adornavam aquele exemplar. Poucos clientes daquela banca davam importância à revista, ainda que havia alguns interessados.
ㅤ Um homem louro, medindo pouco mais de 1,80m, portador de olhos azuis, parava ao lado de fora da banca. Sua atenção não foi para a citada revista, mas sim para um jornal diário local que trazia a foto de uma lutadora ostentando um cinturão e a seguinte descrição: “Kuan, discípula de Joe Higashi, vence campeonato mundial de Muay Thai”. O louro sorriu para si, lembrando dos velhos tempos com aquele cara falastrão, seu velho amigo que não arregava de uma pancadaria. A memória desse cara que vestia uma jaqueta de couro, provavelmente réplica das clássicas de aviador, foi longe. Lembrou do seu irmão naquele primeiro King Of Fighters que entraram para vingar a morte do pai e mestre, Jeff Bogard, se saindo campeão e derrotando o algoz no fim, Geese Howard, um homem que fazia Satanás parecer bebê de colo. “Boa batalha”, pensava o louro.
ㅤ Ele balançou a cabeça e sorriu. Contornou a banca de jornal e entrou para comprar um maço de cigarros. Entregou algumas notas de dólares que havia ganho no último biscate feito há alguns dias na cidade de Los Angeles, Califórnia, pegando o maço de cigarros e o troco. Dali ele já saiu fumando após acender com seu isqueiro Zippo, naquele habitual tilintar que o aço do objeto fazia.
ㅤ O americano itinerante continuou andando pelas ruas de Las Vegas, mantendo a alça da sua mochila sobre o ombro destro enquanto baforava a fumaça do seu cigarro, por vezes batendo a guimba à revelia. Já na Paradise Road, próxima à Las Vegas Strip, aquele errante encontrou o seu destino: o Hard Rock Hotel and Casino, um resort onde o hotel possuía 11 andares com 648 quartos, 64 suítes e penthouses, a área do cassino medindo 2.800m², incluindo jogos de mesa, blackjack, roleta e poker, blackjack swim-up e máquinas caça-níqueis de alto limite. Ainda possuía espaço para reuniões, medindo 5.600m² e um espaço adicional para eventos de 12.600m². Havia restaurantes de comidas típicas, lojas e boutiques. Na verdade, aquela região já não fazia parte de Las Vegas, mas sim à cidade Paradise, entretanto os próprios moradores locais davam como endereço o imponente nome comercial. O vagante procurou o acesso de funcionários, onde havia um segurança do tipo “3X4”, daqueles grandalhões. Um branco meio calvo com cara e queixo de Republicano, parecia falar com ovo na boca.
ㅤ — Bom dia, camarada! Eu vim para a montagem dos stands. — disse o cara de olhos azuis.
ㅤ — Espere um momento! — respondeu o segurança, pegando seu rádio para se comunicar com alguém lá dentro — Tem um cara aqui com jeitão de ator americano e o nariz um pouco torto de porrada. Tá dizendo que veio montar os stands… — alguém falou algo do outro lado e o segurança se dirigiu ao louro. — Qual é o seu nome, hum?
ㅤ — Terry Bogard! — disse o herói de South Town.
ㅤ — Tem documento aí?
ㅤ Terry mexeu no bolso da calça, retirando um papel envolvido num plástico que estava um pouco castigado e entregou para o segurança. Este perguntou:
ㅤ — Você é americano mesmo, né? Sabe como o bicho tá pegando por aí…
ㅤ — Uhum… Tá escrito aí, né?
ㅤ O segurança devolveu o documento e deu espaço para que ele passasse, mostrando como fazia pra chegar à área de eventos. E lá se foi Terry Bogard, caminhando com aquele seu passo de malandro, um pé a frente do outro, a mochila pendida sobre as costas com a alça sobre o ombro direito e as mechas do cabelo louro escondendo parcialmente sua face.

ㅤ A AVN Expo (Adult Entertainment Expo) é uma feira comercial realizada anualmente em Las Vegas, Nevada, organizado pela revista AVN (Adult Video News). É a maior feira da indústria pornográfica nos Estados Unidos, realizada no já mencionado Hard Rock Hotel and Casino. SexNK, Cumpcom e Namcock eram as três produtoras mais fortes daquele evento. A Namcock trazia uma descendente de oriental como a maior estrela da franquia. Kate Suzuki Miura era uma bela mulher de cabelos longos e negros, onde em muitos dos filmes fazia papel de ninja. Pela Cumpcom, a também morena Chloe Undlin, bem mais trabalhada fisicamente do que as demais. E pela SexNK, outra morena, Magie Ingram, a que ostentava o título de mais sensual dentre todas. Havia outras produtoras menores e dentre essas, a Fakxxx tinha mais destaque, que trazia a loura Anita Mosh, a lourinha que havia se tornado o furacão do momento.
ㅤ As produtoras menores sempre apareciam antes para ver se estava tudo certo. Não tinham o suporte das outras maiores e por isso precisavam verificar pessoalmente as condições necessárias para a realização do evento. Faltando menos de uma semana, os trabalhadores corriam para terminar tudo no prazo. Na pausa para o almoço, Terry andava pelos stands até ver um pôster que o fez se refrear, à frente de onde estaria os produtos da Faxxx. Ele conhecia aquela figura, conhecia aquele nome. Levou a palma da mão sobre a testa num estalo sutil pra falar para si:
ㅤ — Puta que pariu! Não acredito!
ㅤ Ele sabia que aquela garota havia ingressado na indústria do pornô, só não fazia ideia dessa repercussão. Anita Mosh, a mulher que aparecia no pôster, na verdade era Anita Mosh Bogard, filha de Terry Bogard com a bruxa, feiticeira ou sabe-se lá o quê, Julia Mosh, último casamento do Lobo antes do atual. O relacionamento do louro com a feiticeira teria tido fim por conta das puladas de cerca do lutador. Julia queria espairecer na Europa com dois de seus três filhos, deixando a pequena Anita com Terry. Um acidente de avião acabou encerrando com a vida dos três, Julia e as duas crianças. A lourinha, que era gêmea dos demais, acabou largando o pai por rebeldia e vivendo por conta própria, até que seu nome figurou no cenário pornô. Julia Mosh era prima de Lady Henrietta, uma família de feiticeiros com certo grau de carisma. A ex-esposa do vagabundo fez questão de acelerar o crescimento dos filhos com feitiçaria, fazendo com que todos não tivessem a oportunidade de ter uma infância regular.
ㅤ O estradeiro louro estava refletindo sobre aquele casamento instantes depois, enquanto comia um hambúrguer daqueles típicos ratões: pão, carne, queijo e mais um monte de porcaria para abrilhantar aquele “Fast fuckin’ Food”. Algumas pessoas com capacetes brancos de construção estavam transitando pelo local, pessoas que não estavam trajadas como o restante dos que trabalhavam ali, alguns com blazer, inclusive. Enquanto comia, o natural de South Town observou que eles apontavam para alguns refletores, fazendo comentários e gestos a respeito do foco. Nitidamente eram representantes de alguma produtora. Entre eles, o sem-vergonha pode ver a lourinha de olhos verdes e 1,70m de altura prestando atenção às coordenadas de alguns caras que estavam ali. Ao passarem perto de onde estava Bogard, este virou-se de costas para evitar alarde, encarando o atendente da lanchonete à qual estava comendo.
ㅤ Pouco tempo depois ele fumava um cigarro ao lado de fora da entrada de funcionários enquanto conversava com o segurança. O assunto era trivial, pincelado entre basquetebol, lutas e inclusive pescaria, gostos que os dois tinham em comum. Sorriam descontraidamente quando uma loura de cabelos longos, portando óculos de sol apareceu, saindo da porta dos funcionários. O segurança chegou a se espantar, olhando para Terry e fazendo careta insinuando o quanto a mulher era gostosa. O vagabundo traçou um sorriso, respondendo a comunicação não-verbal feita entre os dois. A loura era Anita, que se dirigiu diretamente ao vagabundo:
ㅤ — Tem um cigarro pra mim aí?
ㅤ — Claro! — disse Bogard, pegando o maço de cigarros no bolso e batendo para que o filtro de um deles se mostrasse.
ㅤ A mulher pegou o cigarro e se inclinou para acendê-lo assim que o sem-vergonha de South Town sacou seu Zippo, fazendo aquele “clack” habitual do metal para riscar a pedra com a roldana. A mulher deu duas baforadas até se endireitar e voltar novamente a se dirigir ao vagabundo.
ㅤ — Podemos dar uma volta?
ㅤ — Naturalmente… — o louro voltou a responder, fazendo uma careta para o segurança como que dizia “fazer o quê?”
ㅤ Mal começaram a caminhar e Terry já lançou uma:
ㅤ — Como você ficou tão peituda assim, hum? Tá medindo aí… Deixe-me ver… — e eles continuavam caminhando enquanto o segurança ouvia e balançava a cabeça em negativo enquanto sorria. Terry continuou… — 96 de busto, 58 de cintura e 91 de quadril.
ㅤ — Como você sabe? — a atriz se espantou.
ㅤ — Difícil eu errar.
ㅤ Já há alguns passos dali, Anita não enrolou pra ir direto ao assunto. Segurando o cigarro entre os dedos da mão destra, andando sobre saltos de 15cm de altura e encarando parcialmente o louro ao seu lado, ela perguntou:
ㅤ — Por que você se escondeu de mim, velho?
ㅤ — Não queria te dar problemas, Anita!
ㅤ — Ou estava com vergonha de que as pessoas soubessem que tem uma “filha puta”?
ㅤ — Get serious, babe! Não tem nada a ver com isso. É mais fácil as pessoas torcerem o beiço para você por ter um pai vagabundo do que pra mim por ter uma filha atriz de filme pornô.
ㅤ — Hmmmm…
ㅤ A mulher, que beirava seus 24 anos, ficou encarando o chão enquanto mantinha seus passos ao lado daquele homem que havia acabado de apontar como sendo seu pai. Terry dava um longo trago no cigarro Marlboro de filtro amarelo e dizia:
ㅤ — Preciso voltar… Tenho que trabalhar. Assim que essa montagem acabar, tenho que voltar para South Town
ㅤ Anita ergueu rapidamente a cabeça na direção de Terry, perguntando instantaneamente:
ㅤ — Vai fazer o que depois do expediente?
ㅤ — Eu…? Acho que nada! Vou procurar um lugar barato para ficar. Por quê?
ㅤ — Se der eu dou uma passada aqui pra gente trocar mais alguma ideia… Pode ser?
ㅤ — Claro, mocinha! Sem problemas… — o louro se inclinou e deixou um beijo na testa da garota.
ㅤ Terry deu meia volta em direção à entrada de funcionários, mas ele não percebeu que lágrimas passaram a escorrer pelo rosto da loura.


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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:49 pm



ㅤ No final do expediente, o vagabundo se despedia dos parceiros de trabalho, pegando as ruas de Las Vegas em direção a um muquifo barato para poder passar a noite. Geralmente ia a algum lugar bater um contra nos fliperamas pra abstrair, gostava disso. Naquele dia que encontrou a filha, Terry estava louco para fumar, mas não encontrava banca, tampouco tabacaria aberta e seu maço de cigarros já havia acabado. Errava nas ruas em busca de algo que só estaria sendo vendido inflacionado simplesmente por ter caído a noite.
ㅤ — Get serious!
ㅤ Um Mini Cooper rosa, conversível, parou ao lado da calçada, exatamente onde o louro estava. Anita, que estava no volante, chamou a atenção de Terry.
ㅤ — HEY, COROA GOSTOSO!
ㅤ O louro focou no carro e meneou negativamente a cabeça com uma careta de desaprovação assim que percebeu quem lhe chamava. Quando chegou até a porta do carona, a loura pediu que ele entrasse com aquele largo sorriso nos lábios.
ㅤ — Entre aí, velho! Vamos dar uma volta!
ㅤ — Preciso de um banho, mocinha!
ㅤ — Hmmm… Então é melhor irmos para o hotel.
ㅤ Enquanto o louro tomava banho, a garota enfileirava uma carreira de cocaína numa mesa e mandava pra venta com um canudo feito de uma nota de dólar. Anita ficava ligadaça, procurando servir dois copos de uísque, bebendo um numa talagada só. O vagabundo saía do banheiro com os cabelos úmidos, percebendo o estado alterado da filha, porém não chamando a atenção para isso.
ㅤ — Uísque? — perguntou a garota, erguendo o copo que havia já servido para o pai.
ㅤ — Por favor! — assentiu Terry, caminhando até Anita enquanto jogava a toalha sobre os ombros. — Gostei das cores da parede… — desviou a atenção.
ㅤ — Como?
ㅤ — São bem pintadas. De vez em quando dou umas mãos de tinta lá em casa.
ㅤ — Hmmm…
ㅤ A loura fungava o tempo inteiro enquanto a conversa rolava e isso deixou o velho Lobo antenado. Também se mostrava muito elétrica e frequentemente saía daquele cômodo com qualquer desculpa para retornar logo depois, sempre com aquela euforia doida.
ㅤ — Sabe quem eu encontrei há algum tempo? — ela perguntou.
ㅤ — Quem?
ㅤ — Anne! “Snif…”
ㅤ — Que Anne?
ㅤ — Minha irmãzinha… — Anita fazia uma careta ao falar.
ㅤ — Hmmm… E como ela tá?
ㅤ — Você deveria saber, não? “Snif…” Que porra de pai é esse?
ㅤ — Depois que Anne entrou na USAF, não fiquei sabendo mais de nada.
ㅤ — Pois é! “Snif…” Conversamos pouco e ela não quis saber sobre eu ser a irmã dela… Disse até que eu não deveria usar o nome Bogard. Acho que ela é lésbica.
ㅤ — Por que está dizendo isso?
ㅤ — “Snif…” Porque ela ficou encarando meus peitos demais! Parecia que estava com fome.
ㅤ — Get serious! — o louro balançou a cabeça em negativo.
ㅤ — E você? Casou de novo? “Snif…”
ㅤ — Casei! Tenho um filho pequeno também… Jack!
ㅤ — E já tá largando como fez com os outros filhos, né? “Snif…” Um filho que não consegue lidar com mulheres, uma puta e uma lésbica. Grande pai.
ㅤ — Garota! Você não sabe de nada!
ㅤ — Sei que você poderia ter evitado muitas coisas…
ㅤ — Tipo o quê? A morte da sua mãe? — Terry fazia um sinal negativo com a cabeça.
ㅤ — É! Minha mãe morreu por sua causa. Se você tivesse segurado esse piru dentro das calças, ela não teria sido morta com meus irmãos naquele avião.
ㅤ — Sua mãe e eu não dávamos mais certo.
ㅤ — Por quê? Porque ela não trepava como uma puta e não lutava como uma amazona? “Snif…” É isso?
ㅤ — Hmmm… — uma pausa curta se seguiu ao pensamento do vagabundo até ele concluir. — É!
ㅤ — Você é um filho da puta!
ㅤ — Escuto muito isso.
ㅤ Seguiu um silêncio. Terry percebia que as pupilas de Anita estavam dilatadas e uma vermelhidão se tornava cada vez mais constante nos olhos.
ㅤ — Tem cigarro aí? — perguntou Terry.
ㅤ — Uhum… “Snif…” Vou buscar pra você! — enquanto ia buscar, a loura perguntou em alto volume — SUA ESPOSA TREPA COMO UMA VADIA?
ㅤ — Uhum… Na verdade… Trepa melhor do que uma vadia! — disse Terry quando a garota voltou com o maço e um isqueiro. Terry recusou o isqueiro, fazendo sinal que ele portava um.
ㅤ — E ela luta? — Anita fazia mais perguntas, encarando o louro acendendo o cigarro.
ㅤ — Luta… A enfrentei num KOF que aconteceu na cidade de 2nd South. Bate bem demais.
ㅤ — Será que você sossega o piru agora? “Snif...”
ㅤ — Já estou há bastante tempo com ela… Tentei convidar você e os outros para o meu casamento, mas não obtive respostas…
ㅤ — Filhos do maior vagabundo de todos os tempos também não são fáceis de encontrar…
ㅤ — Podes crer…
ㅤ Anita se levantou para ligar o aparelho de som. Fez mais uma pergunta ao pai.
ㅤ — Você ainda escuta Rock?
ㅤ — Uhum… — Terry baforava a fumaça para falar. — Country também…
ㅤ — O que sugere? “Snif…”
ㅤ — Qualquer coisa da década de 80 de Rock N’ Roll.
ㅤ Ela voltou, encarando o pai para dizer:
ㅤ — Por que você não fez perguntas?
ㅤ — Quer que eu lhe faça perguntas?
ㅤ — Uhum…
ㅤ — Ok! Quem te levou a cheirar cocaína?
ㅤ — O quê?
ㅤ — Isso mesmo! Provavelmente vai apontar para mim ou para a sua vida que se tornou uma merda, né? Mas você não sabe o que é ter uma vida de merda, sem eira nem beira. Então eu vou ser direto contigo, Anita! Se você quiser continuar tendo a mim como pai… você vai ter que parar com essa porra. O pornô é sua profissão, é seu trabalho. Não tenho porquê lhe recriminar isso. Seria escroto. Agora viciada em cocaína? Você tem que ver como está a sua cara. Tá parecendo uma putinha de merda.
ㅤ — Quem é você pra falar isso?
ㅤ — Eu? Sou o cara que gozou na xota daquela maluca da sua mãe pra você vir ao mundo.
ㅤ — Mais respeito com a memória da minha mãe.
ㅤ — E você? Tem respeito? Imagine a reação da sua mãe ao ver sua vida como está hoje! Isso tudo é remorso barato. Você não fez em vida, não pode homenagear depois de morta. Eu vou embora… Quando você decidir largar essa merda, voltamos a nos encontrar. — Deu as costas e foi procurar sua bolsa para sair, quando foi violentamente golpeado por sabe-se lá o quê.
ㅤ — Você está achando que pode fazer isso comigo? — Anita estava nitidamente alterada.
ㅤ Terry balançou a cabeça, se erguendo do chão lentamente, tentando entender o que estava acontecendo.
ㅤ — Você tá maluca, garota?
ㅤ — Você acha que não sei de meus poderes? Sou da família das bruxas, papaizinho… você não pode me tratar assim…
ㅤ E ela partiu cheia das feitiçarias para cima de Terry, que foi facilmente imobilizado num canto do cômodo. O vagabundo meneou mais uma vez a cabeça e disse:
ㅤ — Se você não me soltar, eu vou ter que dar meu jeito… E isso vai dar merda, garota!
ㅤ — Foda-se! Você não é o pirocudo fodedor? Dê seu jeito! — E foi em direção ao banheiro.
ㅤ Bogard já sabia o que ela ia fazer e aquilo o esquentou. Puto pra caralho, o vagabundo começou a acumular energia, colocando em prática os ensinamentos de uma das artes marciais sob seu conhecimento, o Hakkyokuseiken. “BAAAAAM…” Aquele prédio começou a tremer e um estrondo foi sentido por toda parte. Anita meteu a cara para fora do banheiro e só viu uma poeirada desgraçada. Logo em seguida sentiu seu cabelo sendo agarrado e sua testa sendo lançada contra o mármore da pia. A garota apagou. Enquanto policiais e bombeiros circulavam o hotel, tentando arrumar uma explicação para o ocorrido, o vagabundo caminhava pelas ruas, fumando o cigarro retirado de Anita…

ㅤ De South Town para Las Vegas eram aproximadamente três dias de viagem. Terry tinha o hábito de pegar carona em vagões de carga, diminuindo o custo da viagem, porém fazendo o percurso em condições nada confortáveis. Além disso, ia baldeando pelos Estados, já que os trens não tinham destinos diretos para regiões tão distantes, aproveitava esses momentos para treinar seu repertório marcial em solitário. Com isso, mesmo que normalmente a viagem tivesse o tempo reduzido devido à velocidade dos trens de carga, essas paradas, aliado ao fato de ele ter que ficar “procurando” novas locomotivas que o aproximassem do seu destino, acabava por não compensar em tempo, apenas no custo. Fazia quase três semanas que Terry estava fora de casa e o serviço enfim estava tendo seu término. Logo estaria sobre as estradas de ferro mais uma vez para o retorno ao lar com grana o suficiente para auxiliar na criação do pequeno Jack. A vontade de trepar era um incômodo para o louro, pois sentia saudades do toque da sua vadia, do corpo daquela safada, das trepadas insanas enquanto o moleque se aquietava num sono tranquilo. O Running Wild terminava seu último expediente de trabalho, observando o quão bonito havia ficado o serviço. Eram peitos, xotas e pirocas espalhados por todo canto, fosse através de pôsteres ou brinquedos sexuais. O velho Lobo entrou na fila de recebimento de pagamento em mais um final de semana. Ao receber, tratou logo de pegar o caminho da rua, se despedindo do segurança ao qual compartilhou as pausas de almoço sempre quando ia fumar.
ㅤ Já nas ruas, aquele Mini Cooper rosa mais uma vez ladeou a calçada, próximo de onde ele estava. Anita meteu a cabeça para encará-lo e perguntou de supetão:
ㅤ — Por que minha mãe fez isso comigo?
ㅤ — Fez o quê, garota?
ㅤ — Essa coisa de eu não poder brincar como uma criança normal…
ㅤ — Tsk! Get serious! Você quer entrar nessa agora?
ㅤ — Eu só quero entender, velho! Só isso!
ㅤ — Tem cigarro aí?
ㅤ — Tenho!
ㅤ O vagabundo jogou a mochila no banco de trás daquele conversível e sentou-se no banco do carona. Anita começou a dirigir e o louro começou a falar.
ㅤ — Já parou com a cocaína?! Hum?
ㅤ — …
ㅤ — A próxima vez que eu te ver cheirando, vou arrancar o seu nariz da cara e enfiar no seu cu tão forte que rola nenhuma no mundo vai abrir esse rabo para que ele saia.
ㅤ A garota ficou quieta, evitando encarar Terry nos olhos. O Lobo balançou a cabeça em negativo e voltou a falar.
ㅤ — Vejo que continua usando da bruxaria… — disse enquanto levava a mão à testa da garota, observando que não havia marca alguma de ferimento. — Então vamos lá… Sua mãe não me permitia criar vocês… Ela e sua tia queriam filhos perfeitos, filhos poderosos, filhos imbatíveis. Mas esqueceram onde essas crianças iam caminhar… O mundo é sedutor, garota! Sabe o que vejo de você hoje?
ㅤ — Hum… O quê?
ㅤ — Você entrou pra essa vida do pornô por rebeldia, porque dinheiro você sempre teve. Não é uma forma de afrontar a sociedade… Mas uma forma de afrontar a sua criação. Você não teve nada que uma criança ou um adolescente teve… as descobertas. Você não teve o direito de errar e receber as palmadas na bunda, de chorar por ter levado tombos babacas, de ter que estudar pra passar de série… Coisas importantes. E agora, você, com a idade que tem, mantém um comportamento bizarro até demais. Tem muitos poderes e nenhuma responsabilidade. Sinceramente, isso não é novidade pra mim.
ㅤ — Hmmm… Você poderia ter evitado tudo isso… Por que não fez?
ㅤ — Hehe… Eu já disse… Sua mãe queria filhos perfeitos…
ㅤ Pararam num bar distante do Centro de Las Vegas e Anita pediu cerveja para os dois. Pai e filha continuaram conversando. Anita lançou mais uma pergunta:
ㅤ — Já viu algum de meus filmes?
ㅤ — Pra quê? Ver um monte de macho enfiando a piroca na minha filha? É demais, não?
ㅤ — Hehehe… Imaginei! Fico pensando qual seria sua reação…
ㅤ — Não me incomodo, como já disse! É seu trabalho. O que me incomoda é você se entregar para uma droga que te deixa com cara de cadáver sorridente… Você deveria se olhar quando usa essa porra…
ㅤ — Eu vou parar…
ㅤ — Você nunca teve um namorado? Alguém que te fizesse ter um objetivo?
ㅤ — Tive… Um garoto de San Diego… Foi logo assim que mamãe partiu. Mas eu fiz uma burrada com ele…
ㅤ — Deu pra outro?
ㅤ — Não… Ele tinha a pica muito pequena, então eu acabei fazendo um feitiço pra aumentar o caralho dele. Ele se assustou e nunca mais quis olhar na minha cara… Hoje ele é viado. Casado e tudo.
ㅤ — Holy fuckin’ shit! Que porra de homem ficaria espantado por ter sua pica aumentada?
ㅤ — Não sei…
ㅤ Trocaram mais ideias até que Terry buscou finalizar o assunto, dando a última talagada na cerveja e batendo a caneca contra o balcão:
ㅤ — Sabe… Quando estive lá naquele hotel contigo, percebi que estou há muito tempo longe da Sky — apelido carinhoso o qual Terry chamava Lilith, sua então adversária — e do moleque. Ainda tenho que pegar a estrada… Três dias de viagem… Provavelmente vou me atrasar… E isso vai me dar problemas!
ㅤ — Preciso ir ao banheiro…. — disse a garota com um olhar meio perturbado.
ㅤ Anita retirou uma cápsula de cocaína. Ficou encarando aquele objeto por alguns segundos, sorriu e jogou no vaso sanitário, puxando a descarga. Na volta, trazia um sorriso mais limpo, pegando a caneca de cerveja e dando uma longa talagada.
ㅤ — Posso te fazer um pedido?
ㅤ — Hmmmm… Qual?
ㅤ — Passe essa noite comigo? Não lembro a última vez que dormi com meu pai…
ㅤ — Preciso ligar pra Sky! Mas não me lembro o número do telefone dela.
ㅤ — Sabe onde ela trabalha?
ㅤ — Trabalha no museu de 2nd South.
ㅤ — Hmmm… — A garota puxou o Iphone e começou a vasculhar algo sem o consentimento do louro. — Achei! Se eu deixar um recado para o telefone de lá, talvez alguém consiga comunicar a ela amanhã e assim ela pode entrar em contato…
ㅤ — Pode ser! — disse Terry, dando a última talagada na cerveja.
ㅤ Horas depois, num hotel de poucas estrelas nas proximidades do centro de Las Vegas, Anita se aninhava no pai, enquanto este não conseguia pregar os olhos, pensando em como poderia estar a ruiva diabólica e seu filho. Depois de um tempo, quando ele já não tinha forças para combater o sono, a lourinha dizia quase que num torpor:
ㅤ — Só não pode ficar de pau duro, velho…
ㅤ — Vá se foder, Anita!
ㅤ No dia seguinte, o louro acordou e não viu a garota na cama. Anita saía do banheiro, havia acabado de tomar um banho e estava se enxugando. Uma mesa com um farto café da manhã tinha sido colocada naquele modesto quarto. Terry passou a mão sobre o rosto, procurando desanuviar o sono, erguendo o tronco da cama e encarando a garota:
ㅤ — Que horas são?
ㅤ — Sei lá… Umas nove e pouca, por quê?
ㅤ — Puta que pariu! Tenho que meter o pé!
ㅤ — Relaxa… Vai tomar um banho primeiro… A viagem é longa…
ㅤ O vagabundo levantou e catou algumas coisas que havia sobre a mesinha posta. Comeu e foi tomar um banho. Ao terminar, foi pegando suas coisas para meter o pé para Los Angeles. Anita estava sentada numa mesa, mandando pra dentro um café da manhã de respeito. A barriga do Lobo denunciou a fome, já que o cheiro daquela comida matinal era muito convincente. Depois de tudo pronto, passou a mão em algumas frutas e bebeu um café.
ㅤ — E aí? Quando eu te vejo de novo? — perguntou a garota.
ㅤ — Quando você quiser… Por enquanto, tô ancorado em South Town.
ㅤ Anita enlaçou o pai pelo pescoço, apertando-o contra o seu corpo. Terry retribuiu o abraço, deixando um beijo singelo sobre a testa da atriz pornô que dentro em pouco estaria no maior evento do seu segmento. Cada um foi para um canto.
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:53 pm

ㅤ A história de Lilith Skyamiko e Terry Bogard começou numa noite em que o lutador boêmio desviou seu destino do Oldline, em 2nd South, pegando a Sunset Boulevard St. Por algum motivo que o próprio desconhecia – e ainda desconhece – ele partiu pra orla da cidade, lá em Blue Wave Harbour. Foi lá que ele a viu. Debruçada sobre a amurada, Lilith ostentava aquele rabo num vestido semitransparente, onde as laterais estavam estilizadas com nós, deixando entrever os dois flancos do corpo. O vagabundo gamou naquele rabo bem definido nos contornos e não perdeu a oportunidade de jogar meio quilo de conversa fiada. A ruiva cedeu e assim começou o desenrolo do louro com aquela misteriosa mulher, culminando no final daquele dia lá no campanário da instituição filantrópica. No dia seguinte eles estavam trepando em Barbaroi Falls, após saírem do Oldline. Logo começou uma sequência de acontecimentos estranhos mais ministrados por ela do que controlados por ele. Por algum motivo, Lilith não queria envolvimento com Terry, por vezes utilizando de seus poderes sobrenaturais para que ele a tirasse da cabeça, entretanto, além de ele se meter em outros “buracos”, ela pareceu se arrepender dessas escolhas.
ㅤ Terry sempre se mostrou desorganizado para muitas coisas. Se o assunto não fossem lutas ou basquetebol, provavelmente se atolaria com compromissos e afins. Lilith, apesar de tamanho poder, demonstrou ser um tanto atrapalhada em suas decisões de “ajudar” a humanidade. Chegava a ser estranho saber que uma demônio queria o bem da humanidade.
ㅤ A própria história de ela ser uma entidade das trevas não caía muito no crivo do louro. Para Terry, tanto fazia se ela fosse de fato ou não. O Lobo tinha uma fixação por aquela mulher, era apaixonado às últimas e além disso, a russa trepava muito bem. O vagabundo sentia a energia que emanava da mulher, mas não entendia o porquê de tamanha energia sinistra pertencer a uma pessoa que ao invés do mal, persistia em ajudar ao próximo fosse como fosse.
ㅤ Em uma das trapalhadas da ruiva, Terry e algumas outras figuras conhecidas foram enviadas para o passado para resolver pendências que ela achava necessário. Sem tal consentimento disso, até hoje o louro acha que tudo não passou de um sonho real o suficiente para voltar completamente fodido. Na ocasião, Iori “Destroyer” Yagami deixou bem claro:
ㅤ — Eu deveria matar essa demônio. Já que você insiste em deixar essa peste sobre a Terra, a responsabilidade é sua. — tais palavras ficaram gravadas na mente do Running Wild para sempre.
ㅤ Logo veio o torneio King Of Fighters – Maximum Mayhem, o qual ele acabou enfrentando a russa. Uma luta que os colocou frente a frente no lugar do primeiro encontro, Philantropy Belfry. Terry saiu vencedor do combate e ao final do torneio, após a luta entre o vagabundo e o mercenário Clark Still (onde o Lobo se saiu vencedor, vencendo mais um King Of Fighters), a ruiva decidiu parar de evitar o vagabundo, começando de fato o romance entre o americano e a russa.
ㅤ Tempos depois de muitas trepadas, ambos decidiram se casar, mas como o gandaieiro não tinha um puto no bolso para tamanha empreitada, chamou aquele que o havia advertido e pediu este favor. Iori “Destroyer” Yagami, que evitava encontrar Terry Bogard por conta do hábito deste viver pedindo uma “grana”, acedeu, com uma condição:
ㅤ — Se você se separar, vai ter que me devolver cada centavo que eu gastei aqui…
ㅤ Esse farrista de South Town já tivera outros casamentos, os quais acabavam geralmente pelo mesmo motivo: Terry encontrava algum rabo interessante pela estrada e metia as cabeças. O resultado era o óbvio: De alguma forma, as mulheres acabavam ficando sabendo e o casamento ia para o espaço. Desta vez, garantiu ao ruivo japonês que seria diferente e os blá blá blá costumeiro de um cara que ganha a vida mais na manha do que na força de trabalho.
ㅤ Mas era evidente que o vagabundo não tinha olhos para outras mulheres. Não era o caso de apreciar peitos, bundas e etc. Por mais que Terry pudesse admirar belas tetas e bundas alheias, Lilith era o ídolo a ser seguido e, com o fim da cerimônia, recebeu a mesma advertência do ruivo quando haviam saído daquele pesadelo de voltar ao passado.
ㅤ — Já te avisei uma vez… A responsabilidade sobre ela é sua.
ㅤ Aquilo despertou um gatilho na mente do louro, que ainda na ocasião do casamento foi advertido por Sokaku Mochizuki, o monge que apareceu sem ser convidado, tramando inclusive a troca da aliança de Lilith, algo que até hoje é possível nem a ruiva e nem o louro tenham ciência. Tiveram uma lua de mel interrompida no oriente, onde um dos amigos misteriosos dela interrompeu com desculpa de ter um trabalho pra fazer. No final, estavam no Rio de Janeiro, curtindo os últimos momentos de paz de recém-casados quando um dos irmãos dela apareceu exigindo que Terry fosse consagrado rei dos parangolés do reino em que Lilith mandava. Para o louro aquilo não passava de uma brincadeira cinematográfica e, ao chegar do outro lado e ver que a vida era uma verdadeira bosta à sua maneira, decidiu dar o foda-se para toda aquela pompa e entregar tudo à esposa. Ela que se virasse com tudo aquilo.
ㅤ Passou-se o tempo e mais uma trapalhada de Lilith sobre a Terra aconteceu. Dessa vez, o torneio Legend Of Universe, reunindo lutadores para “trabalhar para a sociedade”. O curioso que já é difícil Terry arrumar emprego pra si, quanto mais trabalhar de graça. Alguns “irmãos” dela apareceram para tocar o foda-se em 2nd South, resultando em milhares de mortes e duas cidades completamente destruídas. Foi exatamente neste ponto que o casamento dos dois ficou abalado. Mexer com South Town era mexer com o Lobo e até hoje ele a aponta como culpada de todo o ocorrido. Uma ferida que dificilmente fechará na alma do Running Wild. Na mente de Terry reverberaram os avisos de Destroyer e as precauções de Sokaku de maneira insistente e, até então, o louro se pega acordando achando que a cidade está abaixo. Foi daí em diante que ele aceitou treiná-la nas artes marciais. Assim ela não teria mais a cabeça vazia pra fazer merdas que atingissem pessoas inocentes. Com o estudo das artes marciais, principalmente das artes internas, Lilith aprenderia de fato que enfrentar um adversário é completamente diferente de abater um inimigo, teria plenamente consciência de que o foco é o alvo e não a área. Paralelo ao treino da ruiva, Terry se entregou solitariamente ao treino das artes marciais, catalogando novamente os movimentos e técnicas mais oportunas que ele reunia em seu arsenal, repassando o refinamento espiritual para estar sempre preparado para o dia em que tudo pudesse ruir novamente. As palavras de Destroyer perpassavam em sua mente… sempre…
ㅤ Na cabeça de Terry, a saída de South Town era o único remédio para que o casamento com Lilith não sofresse a ponto de acabar de vez. As férias da russa gostosa no emprego que tinha no museu de 2nd South vieram bem a calhar, onde os dois mapearam os EUA de ponta a ponta. Ela ainda teve a ousadia de prolongar por mais um mês, comprometendo seriamente sua situação no emprego. O retorno à South Town foi mais ameno e com a cabeça mais fresca, Terry parecia ter esquecido os acontecimentos dos eventos do torneio ao qual a esposa fora anfitriã. Porém, aquele velho sentimento de viver por aí havia despertado por conta da viagem que fizera. Dentro do vagabundo, a residência fixa em South Town não era uma boa ideia.
ㅤ No entanto ele não teve muita escolha, pois a notícia que Lilith lhe entregou certo dia o pegou em cheio. Ela estava grávida.
ㅤ — GET SERIOUS!!!
ㅤ Ela estava falando muito sério. A ruiva havia conseguido engravidar sabe-se lá como, já que era muito difícil uma demônio engravidar de um humano. Terry, como não poderia ser diferente, ficou bastante feliz, desaparecendo qualquer inquietação que antes o assolava. A ideia de ter uma criança que definitivamente ligasse o casal era muito boa.
ㅤ Isso também mudaria a vida daquele louro de uma vez por todas. O velho Bogard não poderia mais viver por si já que haveria uma criança tão logo dependente do casal. Seguiram-se os meses com todo o repertório habitual que uma gravidez possui, até chegar o dia em que Jack Bogard decidiu vir ao mundo. Queria o destino que aquele moleque fosse natural de South Town, era o que Terry pensava quando deixou Lilith em casa por apenas 40 minutos para poder comprar algo para que o moleque pudesse deitar.
ㅤ O casal não tinha dinheiro para planos de saúde, logo a russa não pode ter um acompanhamento médico mais sério. Seria parto natural, em casa e na raça. Quando o boêmio chegou em casa com um colchão pequeno enrolado debaixo dos braços, Lilith gritava tanto que mais parecia estar sendo estripada por alguma foice do inferno. A mulher tinha uma expressão de surra levada no rosto, como se estivesse apanhando repetidamente numa briga de rua, mas ainda inteira em combate. O vagabundo entreabriu as pernas da mulher pela primeira vez com um objetivo diferente do habitual e acabou vendo a xota da ruiva sendo arregaçada pela cabeça do garoto. O moleque parecia viver um impasse de sair ou não sair, como se algo sedutor o estivesse chamando ao mundo, mas o conforto de dentro da mãe o impedisse de se libertar. O casal ficou exausto depois que a criança abandonou de vez a boceta da mãe, Terry havia metido o tesourão no cordão umbilical, fixando o umbigo do moleque com um pregador de roupa, enrolando-o na toalha em seguida.
ㅤ Os dias se passaram e a vida do casal entrou numa rotina descomunal. Enquanto Lilith trabalhava de dia e Terry vigiava o moleque, à noite ele saía pra fazer bicos e trazer algo pra casa. A ruiva não teve direito a dias em casa devido à gracinha feita de sumir por mais um mês depois das férias. E assim eles foram tocando a vida até surgir o convite ao louro de fazer esse serviço em Las Vegas. A grana era seis vezes mais o que ele ganharia em qualquer bico durante o mesmo tempo em South Town. Ele não hesitou, conversou com a ruiva e resolveu procurar alguém para cobri-lo pela manhã para vigiar o moleque.
ㅤ Quando ele falou o nome de Becky, a russa deu a entender que não gostou da ideia. Terry buscou dissuadir a mulher com sua larga experiência no migué, alegando vários motivos pelo qual a filha de Destroyer seria a pessoa certa. As opções eram poucas e ela sabia que o marido não perderia aquela oportunidade de trazer mais grana pra casa.
ㅤ Becky era Rebecca Yagami, filha de Iori, vocalista e guitarrista de uma banda punk de garotas. Era muito conhecida por dar “palhinha de calcinha” por todo canto e exibir os peitos sem sutiã debaixo daquela camiseta branca curta. A garota tinha uma boca suja, péssimos hábitos, mas gostava muito de criança. Foi exatamente esta virtude que fez com que Terry tivesse o nome dela de pronto.
ㅤ — Porra, tio! — ela tinha o hábito de tratar o vagabundo como tio — Como você me encontrou aqui?
ㅤ — As ruas falam comigo, Becky!
ㅤ — Hmmm… sei… O que você quer?
ㅤ — Preciso que você passe umas semanas lá em casa. Preciso que tome conta do Jack enquanto eu vou fazer um serviço em Las Vegas…
ㅤ — HAHAHAHAH… Tá achando que eu sou otária? Tia Lilith não quer me ver nem pintada de ouro por causa daquele lance na sua casa e você quer que eu tome conta do seu filho para você ficar de putaria do outro lado do país?
ㅤ Terry tinha um semblante sério, fazendo com que Becky mudasse o tom de brincadeira.
ㅤ — Então você já conversou com ela, né?
ㅤ — Uhum. — respondeu o americano. — Não tenho alternativa. Preciso que alguém me cubra e pensei logo em você. Você tem paciência com crianças.
ㅤ — Eu quebro essa pra tu, mas vai ter que perder uma grana…
ㅤ — No problem!
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:55 pm

ㅤ Los Angeles, California, EUA…

ㅤ Eram aproximadamente seis horas de viagem de Las Vegas a Los Angeles, cortando aquele pedaço do país. Porém, o louro errante tinha hábito de “pegar carona” em trens de carga e isso acabava diminuindo esse tempo quase pela metade, visto que não havia tantas paradas e a locomotiva percorria em maior velocidade esse percurso. Assim, com a velha malandragem de invadir quintais de manobra e estações, burlar a segurança, saltar para vagões em movimento e se esconder, Terry conseguiu chegar em Los Angeles quase com a metade do tempo, sem custos com passagens. O vagabundo trazia sempre sua mochila como um travesseiro, seu velho companheiro de viagens.
ㅤ Em Los Angeles, molhou a mão de um despachante de mercadoria para evitar maiores problemas, ajudando-o inclusive com a descarga de algumas encomendas, como se fosse um funcionário “free-lance”, um “conhecido”. Informado de que não sairia trens naquele dia com destino ao leste, restava ao louro esperar pelo seguinte.
ㅤ Andando pelas ruas da cidade dos anjos, procurou evitar problemas, apesar daquela cidade respirar o brilhantismo da putaria em 360º. Terry fez questão de procurar uma lanchonete para encarar mais uma daquelas porcarias que a América adotou por ser rápido e prático. Sentado num banco diante o balcão, uma mão feminina tocou seu ombro, apertou e disse:
ㅤ — Tá fazendo o que aqui na cidade dos anjos?
ㅤ — Hmmm? — fez Terry com a boca cheia, se virando para olhar de quem se tratava.
ㅤ Era Anne, sua filha que apareceu aos 16 anos, se envolveu com Rock e, depois de alguns desentendimentos, foi embora, indo se alistar na USAF e conseguindo ingressar, graças à mão do Major Guile. Na época em que viveu com o velho Lobo, Blue Mary, grande amiga de Terry, era a mulher que mediava aquela relação pai e filha. Bogard olhou para a Anne e a reconheceu logo. Acabou de mastigar e disse:
ㅤ — Quanto tempo, guria! Eu tô indo pra casa… Fiz uns bicos lá em Las Vegas…
ㅤ — Pois é… Soube que você casou e tem um filho…
ㅤ Terry meneou a cabeça e descobriu definitivamente que os filhos seguiram seus passos… Sabem de tudo aquilo que querem saber.
ㅤ — Encontrei sua irmã… — disse o louro.
ㅤ — Aquela puta não é minha irmã.
ㅤ — As duas saíram do meu saco, passaram pela minha pica e entraram na xota de uma mulher. Não tem pra onde correr, Anne.
ㅤ — Se você não sabe segurar o seu caralho dentro das calças, o problema não é meu.
ㅤ — Hmmm… — o louro desconversou, levantando a mão que segurava o sanduíche — Quer comer algo?
ㅤ — Eu vou sim… — E se sentou ao lado do pai, fazendo um pedido para uma atendente, logo voltando a falar com Terry — E Rock? Tem notícias dele?
ㅤ — Faz tempo que não vejo… Na verdade… Nenhum de vocês três parecem se importar como família.
ㅤ — Talvez seja porque você não conseguiu passar isso pra gente!
ㅤ — Olha a boca, garota! Tive que ralar muito pra vagabundo malandro não sacanear a vida de vocês… Bastava saber que eram filhos de Terry Bogard para estarem em perigo.
ㅤ — Hmmm… — Anne pegou o lanche, deu uma mordida, mastigou, engoliu e retrucou — Já pensou o que fazer agora com uma criança pequena? Me espanta você ainda estar parado no mesmo lugar…
ㅤ Terry ficou pensativo, Anne tinha razão. O problema era colocar isso na cabeça de Lilith.
ㅤ — O que me espanta mais é te ver preso numa casa… — a garota lançou.
ㅤ — Não estou preso, garota! E você está muito atrevida.
ㅤ — Pois é! Tive que passar alguns perrengues por sua causa…
ㅤ — Como assim…?
ㅤ — Já esqueceu da brincadeira que ocorreu nas duas cidades? — ela se referia ao caos ocorrido durante o Legend Of Universe.
ㅤ — Então você ficou sabendo disso…
ㅤ — Eu fui presa por criar um alvoroço no Comando Maior para que enviassem tropas à South Town. Quiseram me matar, mas alguém interessado em manter minha cabeça inteira me salvou. Agora não tenho mais nada… faço serviços por fora. Perdi a USAF… perdi a única coisa que eu dava valor…
ㅤ — Hmmm… — Terry ficou mastigando e rememorando todo aquele terror.
ㅤ — Você só se mete em encrenca, pai! Só se mete em confusão! E esse casamento? É como os outros em que você vivia nas casas das vizinhas?
ㅤ — Nem vizinha eu tenho, Anne! Moro dentro do National Park!
ㅤ — PFFFFFFFFFF… — Anne cuspiu o pedaço de sanduíche que estava mastigando.  — O quê?! Você?! Morando numa casa no meio do mato? Tá de brincadeira comigo, né? Essa mulher literalmente encoleirou o Lobo. HAHAHAHAHAH… Você tá velho!
ㅤ — Tsk! — o louro acabou com o sanduíche e deixou uma nota de dólar que era o suficiente para pagar o lanche dos dois mais a gorjeta. — Eu vou embora… Esse assunto já deu!
ㅤ — Te incomoda, né? Saber da verdade…
ㅤ — Verdade, Anne?! — o louro se virou… — A verdade é que você ficou putinha da vida depois que o Rock te deu uma pernada. Então você acabou cismando com essa porra de USAF. Você bancou a perfeitinha, assim como sua irmã, e acabou tendo um comportamento bizarro depois que tudo deu errado. É impressionante, sabe? Conheço muita gente assim… Gente que tinha tudo pra ficar ‘relax’, mas por um excesso de perfeição, acabou vivendo uma bizarrice sem fim.
ㅤ — Na moral, pai! Sempre quis falar isso… Vem pra mão! Tá se achando no direito de falar muita merda!
ㅤ — Huhuhu… Termine o seu sanduíche primeiro e escolha o lugar…
ㅤ Anne estava vestida com um casaco comprido, de gorro, que escondia todas as curvas do seu corpo e também o short curto que usava. Escolheu uma quadra de basquete perto dali, local que estava deserto naquele horário. Quando ela retirou o casaco, mostrou um corpo bem definido, onde o louro fez beiço e um aceno de cabeça positivo, fazendo questão de dizer:
ㅤ — Porra! Ganhou corpo, hein garota? 86 de busto, 54 de cintura e 85 de quadril? Antigas medidas da Mary… Lembro que você era toda minguadinha… — disse o louro, deixando sua mochila cair para fazer um aquecimento rápido.
ㅤ Anne se aquecia, o olhar chamuscando ódio. Partiu pra cima do pai assim que o mesmo disse.
ㅤ — C’mon! Get serious!
ㅤ E a porrada começou a rolar. Troca de socos e pontapés, onde Anne parecia ter tido um excelente mestre de artes marciais. Terry identificou os movimentos como sendo os correntes utilizados pelos militares. A garota mostrava boa técnica, o suficiente para derrubar o louro e por pouco não dar fim ao combate, graças a um rolamento lateral usado pelo mais velho, fazendo com que ela desse um pisão no solo de cimento.
ㅤ — Deixe de brincadeira e vem pra cima. — disse Anne.
ㅤ Terry deu de ombros. Não adiantaria falar nada mesmo pra ela. O louro começou a apelar mais um pouco, percebendo que a jovem detinha uma defesa apurada também. Porém o que mais surpreendeu o vagabundo foi o fato de ter recebido um Rising Tackle no momento em que empregaria um Superman Punch. Seu corpo voou e bateu contra o solo. Voltando a si, sacudiu a cabeça, ainda com os membros apoiados no chão e disse:
ㅤ — Virou moda essa porra? Bateu o olho, copiou? Tem uma diferença muito grande de se aplicar um Rising Tackle correto… sabia?
ㅤ — É… qual? — disse Anne partindo em direção ao pai para acabar com o combate.
ㅤ — É isso… BINGO!!!
ㅤ O movimento de Terry começava a imprimir dano desde o primeiro ao último impacto. Anne parecia estar sendo triturada, sendo lançada bruscamente contra o poste que sustentava a tabela de basquete. O boêmio bateu uma mão contra enquanto Anne batia no solo desacordada. O pai caminhou até a garota, pegou seu corpo e arremessou contra o ombro canhoto, buscando sua bolsa para jogar a alça sobre o ombro oposto.
ㅤ — Mais um pouco e seria da linha dos três pontos… Garota! Você vai precisar ralar muito essas suas tetas no asfalto pra poder me derrubar com facilidade… Agora tô precisando de um cigarro.
ㅤ Horas mais tarde, Anne acordava num quarto de Motel de beira estrada, terceiro andar. O fedor de cigarro empesteava o lugar. Na janela, a figura do homem com larga experiência nos ringues do mundo, com um pé apoiado sobre o batente, observando o movimento da rua lá embaixo, fumando despreocupadamente e batendo a guimba com petelecos do polegar no filtro do fumo.
ㅤ — Por que me trouxe pra cá? — disse a garota.
ㅤ — Hmmm?!… Então você finalmente acordou… Você acha que eu ia te deixar desacordada naquela quadra? Tá maluca?
ㅤ — Você não é o todo poderoso Badass? — a garota fez uma careta de desprezo.
ㅤ — Posso ser isso aí, mas sou seu pai também… — Terry tragou o cigarro, baforou para fora da janela e perguntou, mudando de assunto: — Anne! Você é lésbica?
ㅤ — …
ㅤ — Pode mandar o papo! Sem estresse!
ㅤ — E se eu for?
ㅤ — Não vai mudar absolutamente nada!
ㅤ — Os homens só passaram por minha vida para causar destruição…
ㅤ — Hmmm… sei…
ㅤ Anne tentou levantar, mas percebeu que suas costelas doíam. Fez uma careta de dor, se apoiou na beirada da cama pra tentar ir ao banheiro, mas logo fraquejou. Terry colocou o cigarro no canto dos lábios e foi em seu auxílio.
ㅤ — Você quer mijar? — disse o mais velho.
ㅤ — Acho que preciso fazer isso sozinha, não?
ㅤ — Não no seu estado atual.
ㅤ O pai vagabundo levou a garota ao banheiro, ajudou a mesma a arriar o short e ficou esperando ela terminar. Então ajudou a garota a retornar para cama.
ㅤ — Eu vou partir amanhã. — disse Terry, retirando o cigarro do canto dos lábios, continuando — Consegue segurar as pontas sozinha?
ㅤ — Venho fazendo isso há tempos… — e mudou de assunto — como consegue fumar essa merda de cigarro o tempo inteiro? Isso não fede só a você… fede o ambiente inteiro…
ㅤ Terry coçou a cabeça e voltou à janela, mantendo o cigarro do lado de fora.
ㅤ No dia seguinte, quando Anne acordou, não viu mais o pai. Havia um bilhete com algumas mensagens escritas por ele e a assinatura no final, com o famoso “See ya”. A garota sorriu, dobrou o papel e guardou no bolso do seu casaco.
ㅤ O destino dos filhos de Terry não era lá muito glorioso. Viviam no anonimato das ruas, conhecido por uns aqui e outros acolá, aprenderam a maneira de viver do pai, o que lhes ajudava a manterem-se vivos na selva do mundo.
ㅤ Naquele momento, o Lobo de Aço estava sobre um vagão aberto, cruzando Estados americanos com destino à cidade de 2nd South, praticando artes marciais sobre aquele piso instável, propício aos solavancos das estradas de ferro. O homem que derrotou Geese Howard não podia parar de treinar. Praticava movimentos, aperfeiçoava técnicas apreendidas de outras artes marciais, aprimorava os ensinamentos das artes internas, sobretudo as ministradas há tanto tempo por Tung Fu Rue, mestre supremo do Hakkyokuseiken. Além de já ter enfrentado poderosos adversários como Krauser, já teve pesadas pedras como a que aconteceu no Mar Morto. As palavras do seu compadre Destroyer não saíam de sua mente: “A responsabilidade é sua”. Sempre com uma calça Jeans e as inseparáveis luvas de motociclista meio dedo dadas por seu pai, o velho quarentão pegava rumo à 2nd South entre paradas e mudanças de trens, sem afrouxar o condicionamento marcial.

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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:59 pm

ㅤ 2nd South, Florida, EUA

ㅤ Terry achou que o trem que vinha de Tallahassee ia direto para o centro de 2nd South e por isso desceu antes da primeira Estação que vinha a nordeste da cidade, procurando um restaurante de beira de estrada pra comer alguma coisa. Estava morrendo de fome e precisava mandar alguma coisa para o estômago. Era um estabelecimento administrado por uma família, onde uma jovem morena de feições latinas fazia o atendimento auxiliado por sua mãe, uma senhora já castigada pelo tempo. A garota era gostosa e se insinuou bastante para o vagabundo assim que ele pousou sua mochila no piso do lugar. O local não era muito grande, o balcão ficava de lado para a entrada, onde algumas mesas com cadeiras e poucas com pequenos sofás de dois lugares mapeavam o salão. Terry chegou no balcão, fazendo seu pedido comedido.
ㅤ — ‘Me vê uma dose de uísque e prepare um clubhouse, por favor!
ㅤ A coroa olhava desconfiada para o louro e chegou a fazer um sinal para o seu marido, que havia entrado logo depois de Bogard ao suspeitar de sua figura. A garota não parava de fazer sinais para o vagabundo, com direito a sorrisinhos e passadas de língua sobre os lábios.
ㅤ — Alejandra! Vaya a buscar más servilleta! — a senhora ordenou que a filha fosse buscar mais guardanapo.
ㅤ A garota se fez de desentendida, enfurecendo a mãe que reiterou o pedido com mais ímpeto. Terry sorriu, fazendo um sinal negativo com a cabeça, enquanto a coroa entregava o seu pedido. O Lobo ainda perguntou:
ㅤ — Sabe quando o próximo trem de carga passa por aqui?
ㅤ — Não! — disse secamente a senhora.
ㅤ O louro deu de ombros, comeu, pagou e saiu do estabelecimento, sendo vigiado pelo chefe daquela família. Ainda procurou se informar num Motel que havia do outro lado da estrada, sendo avisado por um garoto também de feições latinas que o próximo seria só no dia seguinte, com destino ao centro da cidade.
ㅤ — Como você sabe disso, moleque?
ㅤ — Meu pai trabalha na manobra, antes da cidade.
ㅤ — E esse que passou a pouco ia pra onde?
ㅤ — Pra South Town.
ㅤ — Puta que pariu!
ㅤ A mãe do garoto apareceu e mandou o garoto parar de falar. Questionou o louro logo em seguida:
ㅤ — Vai querer um quarto ou não?
ㅤ — Por favor! Quanto tá o pernoite?
ㅤ A mulher apontou um valor absurdo, provavelmente querendo ganhar em cima do vagabundo. Terry recusou na hora, deu meia volta e ficou vagando pelos estabelecimentos que viviam naquele clima de calmaria. Não tinha nada pra fazer naquele pedaço de 2nd South. As pessoas pareciam deixar que os dias os consumissem, vivendo mais da presença daqueles que passavam pelo lugar do que qualquer outra coisa.
ㅤ Quando caiu a noite, o louro imaginou que algo diferente poderia ocorrer naquele pedaço de terra e foi até o restaurante novamente para forrar o estômago. Só a garota latina atendia dessa vez. De clientes, apenas um senhor de idade no canto, bebendo algo quente para a noite que caía fria naquele canto de 2nd South. A jovem latina trajava um shortinho bem curto jeans, além de uma camiseta branca cortada abaixo do busto, deixando entrever boa parte de seus seios.
ㅤ Terry sorriu mais uma vez quando entrou. Era fácil ver o contorno dos mamilos da garota desenhado na blusa, já que ela não estava utilizando sutiã.
ㅤ — Get serious! — murmurou o vagabundo, que observou rapidamente que a menina tinha uns 94 de busto, 57 de cintura e 90 de quadril.
ㅤ — Vai querer o quê, bonitão? — disse Alejandra chupando um pirulito.
ㅤ Terry olhou para o fundo do estabelecimento e viu o senhor tentando se aquecer com a bebida.
ㅤ — Eu vou querer uma dose de uísque. Depois eu peço o que comer.
ㅤ — Tem certeza que não vai querer comer… agora? — a garota apoiou as duas mãos juntas sobre a plataforma atrás do balcão, fazendo com que seus braços comprimissem os seios, dando-os mais volume.
ㅤ — Não… não… menina! Vá com calma, garota! — ele olhou para o fundo do bar, vendo alguns maços de cigarro num mostruário que estava no alto. — Me vê um maço de cigarros Marlboro de filtro amarelo, por favor.
ㅤ — Ok! — disse a jovem dando uma piscadela ao louro.
ㅤ A garota se arriou atrás do balcão para pegar uma escadinha, já que não alcançaria o mostruário devido à sua baixa estatura – 1, 65m. Ao subir na escada, fez questão de empinar a bunda na direção do velho Lobo, e ficar apontando e perguntando se era aquele que ele queria.
ㅤ — É esse aqui?
ㅤ — Não… É o Marlboro vermelho. Tá escrito aí “Marlboro” em vermelho.
ㅤ — É esse?
ㅤ E ela continuava, enquanto Terry já ia perdendo a paciência. Sabia que a garota procurava uma sacanagem. Provavelmente ela devia passar seus dias naquele lugar, cheio de caras cansados, lançando piadinhas de merda e ela doida pra trepar com alguém que sabia fazer o negócio direito. Bastou um forasteiro aparecer no lugar pra ela querer se engraçar. E lá estava ela, abanando aquele rabo perfeito diante do louro, apontando para um monte de maços de cigarros que nada tinha a ver com a porra do Marlboro vermelho.
ㅤ — Oh, garota! Manda a real? Tá com a xota coçando?
ㅤ — Tô pegando fogo, gostoso!
ㅤ — Pois é! Pegue esse maldito Marlboro vermelho e vamos conversar um pouco. Sou um cara casado, porra! Tô velho já pra ficar fazendo esse tipo de arruaça.
ㅤ — Mas eu não vi aliança nenhuma.
ㅤ O louro fez questão de retirar a luva da mão esquerda e mostrar a palma da mão.
ㅤ — Tá satisfeita?
ㅤ — Hmmmm… isso só serve para deixar as coisas mais excitantes.
ㅤ O errante balançou a cabeça em negativo e pegou o maço de cigarros que a garota acertadamente lhe entregou. Deu meia volta e caminhou devagar até a saída, batendo o maço fechado para “compactar o fumo”. Enquanto saía, disse para a garota:
ㅤ — Faça um sanduíche com tudo o que tiver aí pra mim… Vou fumar um cigarro lá fora e na volta eu como.
ㅤ Do lado de fora, o vadio se encostava com um pé numa coluna, mantendo a perna dobrada ao passo que baforava a fumaça encarando o céu. Sua mente estava em casa, na mulher e no filho pequeno. Mas o som de uma motocicleta vindo ao longe despertou o velho Lobo de seus devaneios. Havia um posto de gasolina há poucos metros daquele restaurante, um vizinho que passava os dias mais pegando poeira da estrada do que atendendo clientela. A motocicleta parou lá, com seu condutor desmontando e abastecendo. Terry ignorou e voltou a fumar o seu cigarro tranquilamente, não demorando muito pra voltar sua atenção àquela moto que roncava o motor novamente, vindo em sua direção com um farol alto.
ㅤ — Hmmm…
ㅤ Do jeito que ele estava, ficou. Um sorriso cortou seu rosto quando a moto parou de lado à sua frente. O condutor olhou para vagabundo e sorriu. Este fez um aceno com a cabeça e perguntou:
ㅤ — Estava na cidade? — pergunta feita pelo fato da moto vir no sentido de como se estivesse realmente vindo da cidade de 2nd South.
ㅤ — Uhum… — respondeu o condutor de cabelos louros curtos e olhos rubros, aparentemente bem mais novo do que o Running Wild.
ㅤ — Tá indo pra onde?
ㅤ — Acho que vou pegar a estrada novamente… Nunca ficamos num lugar só por muito tempo, não é mesmo?
ㅤ — É verdade… — disse Terry, dando mais um trago no cigarro e baforando a fumaça.
ㅤ — Você ainda não parou com essa porcaria?
ㅤ — Sabe que não… isso aqui me faz relaxar…
ㅤ — Que situação, hein? — e o condutor inclinou a cabeça, desviando de Terry para tentar olhar para dentro do restaurante. — Tá hospedado aí?
ㅤ — Não! Só vim comer… Eu estou vagando por aí, esperando o próximo trem para voltar para casa. — deu uma pausa para perguntar — Não vai comer nada? Pegar a estrada de barriga vazia é foda, hein?
ㅤ — É verdade… Deixe eu estacionar essa criança aqui.
ㅤ O jovem era Rock Howard, filho adotivo do Running Wild e biológico de Geese Howard, maior algoz de Terry e assassino de Jeff Bogard. O louro mais novo encostou a moto num acesso ao lado, desmontou e seguiu o pai boa-vida, que jogava a guimba do cigarro no chão de terra batida e pisava em cima. Os dois entraram no restaurante, fazendo com que Alejandra aumentasse gradativamente o fogo no rabo.
ㅤ — Quem é esse? — Alejandra dirigiu a pergunta para Terry.
ㅤ — É meu filho! — respondeu o gandaieiro.
ㅤ — Tão lindo quanto o pai… — disse a jovem latina para o rubor de Rock, que desviava o olhar, inclinando a cabeça.
ㅤ — Garota! — Terry chamou atenção. — Meu pedido tá pronto?!
ㅤ — Uhum… quer que eu vá buscar? — ela retrucou.
ㅤ — Por favor! — disse o louro, franzindo as sobrancelhas.
ㅤ Rock fez um sinal para Terry querendo saber quem era aquela garota e este apenas abanou a mão, um sinal que dizia para não dar atenção à latina.
ㅤ — ‘Tava lembrando aqui… — começou Rock já em voz alta. — E Ukee? Nunca mais o viu?
ㅤ — Garoto… Nunca mais, sabe! Oh macaquinho filho da puta! Meteu o pé mesmo. Depois de tudo o que fizemos por ele…
ㅤ — Pois é… Ainda acho que um dia você reencontra…
ㅤ — Muito difícil, garoto! — Terry desviou a atenção para o balcão, tentando embicar a cabeça para ver o que acontecia na cozinha, falando mais alto para que a garota escutasse — Tá matando o boi e o porco, garota? Que demora é essa, hein?
ㅤ — ‘PERAAAEE’… — gritava lá de dentro da cozinha.
ㅤ Rock balançou a cabeça em sinal negativo, franzindo a sobrancelha para Terry.
ㅤ — Não tá vendo que a moça tá trabalhando sozinha, Terry?
ㅤ — E daí? A cada segundo que passa, mais fome eu tenho.
ㅤ — Se acalme…
ㅤ — Se o meu tá demorando assim, imagine o seu…
ㅤ — Eu tô tranquilo…
ㅤ Terry levou a mão destra aos cabelos, jogando-os para trás enquanto que, quase instantaneamente, alguns fios voltavam-lhe à face. Partiu dele a pergunta seguinte:
ㅤ — E tua vida? Como vai?
ㅤ — Eu vou levando do jeito que dá, Terry. Ando fazendo umas gigs (se apresentando em público com uma banda)… dá pra tirar uma graninha…
ㅤ — E as lutas? Anda saindo na porrada com alguém?
ㅤ — Ultimamente até que não… É difícil hoje em dia você sair no braço sem ter a intervenção rápida de uma autoridade. A não ser por aqui por 2nd South que tudo acontece e poucas pessoas se metem…
ㅤ — Pois é… Gostaria que você tivesse participado dos últimos torneios… Não te vi neles…
ㅤ — Quando eu fiquei sabendo, era tarde demais… Já havia passado as inscrições.
ㅤ — Imagino…
ㅤ A garota trouxe os sanduíches, os dois. Terry se enfezou quando viu o de Rock pronto junto com o dele. Bateu com o punho na mesa, fazendo a garota recuar de espanto.
ㅤ — Foi por isso que você demorou pra trazer o meu?! Estava esperando terminar o dele, né?!
ㅤ — Calma, Terry! Pra que isso? — Rock tentou acalmá-lo.
ㅤ — Porra, garota! — disse Terry mais calmo — Você merecia uma coça! HAHAHAHAHAHAHAHA…
ㅤ Ela deu um sorriso sem graça. Pai e filho pegavam seus sanduíches e o mais velho começava a comer com uma avidez espantosa. O louro de olhos rubros meneou a cabeça em negativo enquanto mastigava calmamente o seu.
ㅤ — Por que você continua comendo… Na verdade… a pergunta deveria ser: Como você consegue comer assim? — disse Rock logo depois de engolir o que mastigava.
ㅤ Alejandra arregalou os olhos ao ver Terry destroçar o sanduíche com carne bovina, bacon em tiras, presunto, ovo, queijo, alface, tomate e cebola, além do pão e molho. Rock por fim deu de ombros, enquanto o velho americano disse:
ㅤ — ‘Trâs oma Pâpsi!”
ㅤ — Hmm? — fez a garota, avançando a cabeça numa expressão interrogativa.
ㅤ — Ele tá pedindo uma Pepsi! — Rock acabou traduzindo.
ㅤ Depois que acabaram de comer, Rock fez questão de pagar a conta dos dois e deixar a gorjeta. Antes de passar pela porta do estabelecimento, Terry se virou e disse para Alejandra:
ㅤ — ‘Vê se toma jeito, garota!
ㅤ Ela sorriu, dando um “tchauzinho” sedutor.
ㅤ Do lado de fora, pai e filho apertavam as mãos numa despedida que soava mais como um tão logo do que um adeus. Terry piscou para o garoto e perguntou:
ㅤ — Quando é que você vai aparecer para ver o Jack?
ㅤ — É verdade… Qualquer dia desses eu apareço lá… Me preocupo pelo fato de você estar parado num lugar, Terry… Nós dois sabemos o quanto isso é perigoso…
ㅤ — Vai colocar isso na cabeça da Sky… Eu não consigo dormir sossegado… Parece que vejo vagabundo aparecendo de todo canto…
ㅤ — Imagino, Terry…
ㅤ — Ah! — fez o mais velho — Encontrei suas duas irmãs…
ㅤ — Duas?
ㅤ — Sim… Esqueceu da Anita?
ㅤ — É verdade… Ela se tornou atriz de filmes adultos, né?
ㅤ — Isso… — o estradeiro mais velho se tornou reticente por pegar um cigarro no maço e acendê-lo. Depois de dar a primeira tragada, baforou a fumaça para continuar. — … Encontrei em Las Vegas… Eu estava fazendo um serviço lá, montando uns stands.
ㅤ — Maneiro… E como ela está?
ㅤ — Me parece bem… — disse Terry escondendo o real problema que a filha vem enfrentando com as drogas.
ㅤ — Hmm… E a Anne?
ㅤ — Saiu da USAF… — deu outra tragada no cigarro.
ㅤ — Como assim?
ㅤ — Pois é… — baforou a tragada anterior — Aconteceu algumas coisas entre ela e os canas enquanto a gente tentava “salvar o mundo” por aqui naquele torneio que a Sky realizou…
ㅤ Rock inclinou a cabeça, passou a mão sobre os cabelos e suspirou. Terry tentou desanuviar o filho.
ㅤ — Hey, garoto! Você não tem nada a ver com isso, ok?
ㅤ — Uhum… — disse um Rock que desviava o olhar, mudando de assunto — E sua vida, Terry? Como anda levando?
ㅤ — Olha, garoto! Parece que tudo diminuiu na minha vida desde que Jack nasceu… — dava outra tragada, seguido de uma curta pausa para baforar mais uma vez a fumaça — Às vezes desconfio que minha caceta também deva ter diminuído, sei lá…
ㅤ — HAHAHAHAHAHAHAHA… Por que diz isso, Terry?
ㅤ — Como menos, fodo pouco, luto quase nunca. A única coisa que aumentou foi as horas acordado.
ㅤ — É… dá pra perceber que você perdeu peso. Mas nem basquete tem jogado?
ㅤ — Garoto… Só pratico arremessos em casa. Não tenho como ir a lugar algum jogar, tá ligado?
ㅤ — Puta merda, hein?
ㅤ — Uhum… Fazer o que, né? Pobre quando põe filho no mundo, já sabe que vai se foder!
ㅤ — Pois é… — O garoto lembrava da mãe quando ficou doente e ele foi até o pai biológico, não obtendo auxílio. — Preciso ir, Terry! Nos vemos por aí… Vamos marcar para bater um street… — basquete de rua — … Mas sem aquelas suas malditas cestas de 3.
ㅤ — Aaah… Olha quem fala… o maceteiro das fintas… Valeu, garoto! Foi bom te ver novamente.
ㅤ Um aperto de mão, seguido de um demorado abraço se seguiu. O garoto partia, ligando a moto com aquele motor fazendo um escândalo na noite. O velho Lobo terminou aquele cigarro, jogando a guimba contra o solo e pisando. Atravessou a estrada e foi em direção à linha férrea, deitando-se próximo dos trilhos. Se um trem estivesse vindo na madrugada, ele acordaria com a trepidação de antemão, tendo que se virar para pegar a locomotiva em movimento.
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Sex Jul 13, 2018 12:01 am

ㅤ Mas não foi o que aconteceu. O trem de carga com destino à 2nd South só veio realmente pela manhã. Terry já esperava, escondido para que o maquinista não fixasse atenção a um homem na beira da estrada de ferro. Passou a locomotiva e o louro já estava correndo. Havia uma estação próxima fazendo com que o trem entrasse no ponto de desaceleração, facilitando e muito a vida do Running Wild. Ele procurou o vagão plataforma, lançando sua mochila sobre o mesmo e saltando por sobre a parte complementar lateral. O impacto foi grande no piso, onde ele saiu rolando e praguejando. Verificou se havia sérias avarias e se estirou no assoalho do vagão, suspirando.
ㅤ — UFA!…
ㅤ Havia um saco vazio perto da cabeceira norte, com alça que parecia ser de correspondência. Também tinha um caixote e cordas. Terry estava no primeiro vagão de carga que a locomotiva puxava, o próximo vagão estava repleto de troncos de árvores empilhados. O louro se deitou, colocando sua mochila abaixo da cabeça e deixou aquela manhã lhe tirar o frio que passou na madrugada.
ㅤ O louro sabia que deveria se esconder quando a locomotiva fizesse a parada na Estação antes de cruzar a ponte em direção à ilha. Tudo planejado, quando o trem desacelerou na Estação, o velho Lobo deitou de lado, colado àquela parede lateral. Porém aquele vagão que ainda trazia partes úmidas deixou uma surpresa desagradável quando o vagabundo foi omitir a sua figura – assim não podendo ser visto por aqueles que estavam na plataforma esperando o Super Liner, já que havia uma boa distância entre a plataforma e os trilhos onde aquela locomotiva repousava – deitado de lado. Por puro instinto ou fosse lá o que fosse, Terry virou a cabeça pra cima, olhando para o norte do vagão. Bastou essa visão para que ele começasse a pedir por todas as deusas da sorte de todas as culturas do universo. Uma maldita lesma se aproximava lentamente em direção à sua cabeça. A locomotiva não partia, a plataforma agregava mais pessoas – inclusive funcionários da Estação – e suas orações só aumentavam, em quantidade e velocidade. Cada vez mais perto, mais perto, deixando aquele rastro que cintilava ao brilho da luz. O molusco parecia determinado a atazanar o dia de Terry. O vagabundo foi deslizando seu corpo mais ao sul do vagão, em linha reta, bem devagar, porém a porcaria do caixote estava em seu caminho. Se ele tentasse empurrá-lo, poderia chamar a atenção dos funcionários – e até de alguns passageiros na plataforma de embarque – para o vagão.
ㅤ A maior cagada foi quando o Super Liner encostou ao lado, chamando atenção de todos os passageiros e dos funcionários que deveriam se atentar para que não houvesse nenhum acidente. Os passageiros entraram no trem e este começou a partir. Terry se levantou rapidamente para lançar uma bicuda na lesma, sendo visto por alguns passageiros no Super Liner ao lado. Mas não havia como ninguém avisar ou alertar nada, o trem já partia. A lesma voou por cima da parede lateral do vagão, desaparecendo, enquanto o errante voltava a se ocultar naquele mesmo local. Ficou assim até que o trem de carga 388 saiu daquela Estação e pegou seu rumo à ponte de treliças que ligava o continente à ilha. À sua esquerda, naquela ponte, ele tinha a visão da ilha se aproximando. Acendeu um cigarro e ficou imaginando se Lilith estava trabalhando naquele momento. Lá estava o Running Wild, trajado com sua jaqueta marrom de couro com gola de pelúcia, provavelmente uma réplica das clássicas jaquetas de aviador, trazendo padrões no dorso parecidos com os do grupo Umbriago – uma estrela branca sobre uma esfera azul – com a diferença de que abaixo do símbolo havia a inscrição “Running Wild”. No braço esquerdo da jaqueta, logo abaixo do ombro, uma estrela dourada era circulada em azul sobre a inscrição “Airborne”. Havia ainda uma etiqueta no peito destro, com a mesma inscrição abaixo do símbolo do braço. O vagabundo usava uma camisa branca sem estampas por baixo, encerrada na sua inseparável calça jeans e o cinto com fivela de aço. Desert boots nos pés e seu tesouro pessoal nas mãos: as luvas meio-dedos dadas por seu pai, Jeff Bogard.






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