2nd South
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Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

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Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 05, 2018 10:26 pm

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Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:45 pm






ㅤ Las Vegas, Nevada, EUA.

ㅤ Na banca de jornal, a revista AVN trazia a foto de uma beldade loura seminua. Em letras garrafais, o nome Anita Mosh fazia o rodapé onde outras informações e imagens menores adornavam aquele exemplar. Poucos clientes daquela banca davam importância à revista, ainda que havia alguns interessados.
ㅤ Um homem louro, medindo pouco mais de 1,80m, portador de olhos azuis, parava ao lado de fora da banca. Sua atenção não foi para a citada revista, mas sim para um jornal diário local que trazia a foto de uma lutadora ostentando um cinturão e a seguinte descrição: “Kuan, discípula de Joe Higashi, vence campeonato mundial de Muay Thai”. O louro sorriu para si, lembrando dos velhos tempos com aquele cara falastrão, seu velho amigo que não arregava de uma pancadaria. A memória desse cara que vestia uma jaqueta de couro, provavelmente réplica das clássicas de aviador, foi longe. Lembrou do seu irmão naquele primeiro King Of Fighters que entraram para vingar a morte do pai e mestre, Jeff Bogard, se saindo campeão e derrotando o algoz no fim, Geese Howard, um homem que fazia Satanás parecer bebê de colo. “Boa batalha”, pensava o louro.
ㅤ Ele balançou a cabeça e sorriu. Contornou a banca de jornal e entrou para comprar um maço de cigarros. Entregou algumas notas de dólares que havia ganho no último biscate feito há alguns dias na cidade de Los Angeles, Califórnia, pegando o maço de cigarros e o troco. Dali ele já saiu fumando após acender com seu isqueiro Zippo, naquele habitual tilintar que o aço do objeto fazia.
ㅤ O americano itinerante continuou andando pelas ruas de Las Vegas, mantendo a alça da sua mochila sobre o ombro destro enquanto baforava a fumaça do seu cigarro, por vezes batendo a guimba à revelia. Já na Paradise Road, próxima à Las Vegas Strip, aquele errante encontrou o seu destino: o Hard Rock Hotel and Casino, um resort onde o hotel possuía 11 andares com 648 quartos, 64 suítes e penthouses, a área do cassino medindo 2.800m², incluindo jogos de mesa, blackjack, roleta e poker, blackjack swim-up e máquinas caça-níqueis de alto limite. Ainda possuía espaço para reuniões, medindo 5.600m² e um espaço adicional para eventos de 12.600m². Havia restaurantes de comidas típicas, lojas e boutiques. Na verdade, aquela região já não fazia parte de Las Vegas, mas sim à cidade Paradise, entretanto os próprios moradores locais davam como endereço o imponente nome comercial. O vagante procurou o acesso de funcionários, onde havia um segurança do tipo “3X4”, daqueles grandalhões. Um branco meio calvo com cara e queixo de Republicano, parecia falar com ovo na boca.
ㅤ — Bom dia, camarada! Eu vim para a montagem dos stands. — disse o cara de olhos azuis.
ㅤ — Espere um momento! — respondeu o segurança, pegando seu rádio para se comunicar com alguém lá dentro — Tem um cara aqui com jeitão de ator americano e o nariz um pouco torto de porrada. Tá dizendo que veio montar os stands… — alguém falou algo do outro lado e o segurança se dirigiu ao louro. — Qual é o seu nome, hum?
ㅤ — Terry Bogard! — disse o herói de South Town.
ㅤ — Tem documento aí?
ㅤ Terry mexeu no bolso da calça, retirando um papel envolvido num plástico que estava um pouco castigado e entregou para o segurança. Este perguntou:
ㅤ — Você é americano mesmo, né? Sabe como o bicho tá pegando por aí…
ㅤ — Uhum… Tá escrito aí, né?
ㅤ O segurança devolveu o documento e deu espaço para que ele passasse, mostrando como fazia pra chegar à área de eventos. E lá se foi Terry Bogard, caminhando com aquele seu passo de malandro, um pé a frente do outro, a mochila pendida sobre as costas com a alça sobre o ombro direito e as mechas do cabelo louro escondendo parcialmente sua face.

ㅤ A AVN Expo (Adult Entertainment Expo) é uma feira comercial realizada anualmente em Las Vegas, Nevada, organizado pela revista AVN (Adult Video News). É a maior feira da indústria pornográfica nos Estados Unidos, realizada no já mencionado Hard Rock Hotel and Casino. SexNK, Cumpcom e Namcock eram as três produtoras mais fortes daquele evento. A Namcock trazia uma descendente de oriental como a maior estrela da franquia. Kate Suzuki Miura era uma bela mulher de cabelos longos e negros, onde em muitos dos filmes fazia papel de ninja. Pela Cumpcom, a também morena Chloe Undlin, bem mais trabalhada fisicamente do que as demais. E pela SexNK, outra morena, Magie Ingram, a que ostentava o título de mais sensual dentre todas. Havia outras produtoras menores e dentre essas, a Fakxxx tinha mais destaque, que trazia a loura Anita Mosh, a lourinha que havia se tornado o furacão do momento.
ㅤ As produtoras menores sempre apareciam antes para ver se estava tudo certo. Não tinham o suporte das outras maiores e por isso precisavam verificar pessoalmente as condições necessárias para a realização do evento. Faltando menos de uma semana, os trabalhadores corriam para terminar tudo no prazo. Na pausa para o almoço, Terry andava pelos stands até ver um pôster que o fez se refrear, à frente de onde estaria os produtos da Faxxx. Ele conhecia aquela figura, conhecia aquele nome. Levou a palma da mão sobre a testa num estalo sutil pra falar para si:
ㅤ — Puta que pariu! Não acredito!
ㅤ Ele sabia que aquela garota havia ingressado na indústria do pornô, só não fazia ideia dessa repercussão. Anita Mosh, a mulher que aparecia no pôster, na verdade era Anita Mosh Bogard, filha de Terry Bogard com a bruxa, feiticeira ou sabe-se lá o quê, Julia Mosh, último casamento do Lobo antes do atual. O relacionamento do louro com a feiticeira teria tido fim por conta das puladas de cerca do lutador. Julia queria espairecer na Europa com dois de seus três filhos, deixando a pequena Anita com Terry. Um acidente de avião acabou encerrando com a vida dos três, Julia e as duas crianças. A lourinha, que era gêmea dos demais, acabou largando o pai por rebeldia e vivendo por conta própria, até que seu nome figurou no cenário pornô. Julia Mosh era prima de Lady Henrietta, uma família de feiticeiros com certo grau de carisma. A ex-esposa do vagabundo fez questão de acelerar o crescimento dos filhos com feitiçaria, fazendo com que todos não tivessem a oportunidade de ter uma infância regular.
ㅤ O estradeiro louro estava refletindo sobre aquele casamento instantes depois, enquanto comia um hambúrguer daqueles típicos ratões: pão, carne, queijo e mais um monte de porcaria para abrilhantar aquele “Fast fuckin’ Food”. Algumas pessoas com capacetes brancos de construção estavam transitando pelo local, pessoas que não estavam trajadas como o restante dos que trabalhavam ali, alguns com blazer, inclusive. Enquanto comia, o natural de South Town observou que eles apontavam para alguns refletores, fazendo comentários e gestos a respeito do foco. Nitidamente eram representantes de alguma produtora. Entre eles, o sem-vergonha pode ver a lourinha de olhos verdes e 1,70m de altura prestando atenção às coordenadas de alguns caras que estavam ali. Ao passarem perto de onde estava Bogard, este virou-se de costas para evitar alarde, encarando o atendente da lanchonete à qual estava comendo.
ㅤ Pouco tempo depois ele fumava um cigarro ao lado de fora da entrada de funcionários enquanto conversava com o segurança. O assunto era trivial, pincelado entre basquetebol, lutas e inclusive pescaria, gostos que os dois tinham em comum. Sorriam descontraidamente quando uma loura de cabelos longos, portando óculos de sol apareceu, saindo da porta dos funcionários. O segurança chegou a se espantar, olhando para Terry e fazendo careta insinuando o quanto a mulher era gostosa. O vagabundo traçou um sorriso, respondendo a comunicação não-verbal feita entre os dois. A loura era Anita, que se dirigiu diretamente ao vagabundo:
ㅤ — Tem um cigarro pra mim aí?
ㅤ — Claro! — disse Bogard, pegando o maço de cigarros no bolso e batendo para que o filtro de um deles se mostrasse.
ㅤ A mulher pegou o cigarro e se inclinou para acendê-lo assim que o sem-vergonha de South Town sacou seu Zippo, fazendo aquele “clack” habitual do metal para riscar a pedra com a roldana. A mulher deu duas baforadas até se endireitar e voltar novamente a se dirigir ao vagabundo.
ㅤ — Podemos dar uma volta?
ㅤ — Naturalmente… — o louro voltou a responder, fazendo uma careta para o segurança como que dizia “fazer o quê?”
ㅤ Mal começaram a caminhar e Terry já lançou uma:
ㅤ — Como você ficou tão peituda assim, hum? Tá medindo aí… Deixe-me ver… — e eles continuavam caminhando enquanto o segurança ouvia e balançava a cabeça em negativo enquanto sorria. Terry continuou… — 96 de busto, 58 de cintura e 91 de quadril.
ㅤ — Como você sabe? — a atriz se espantou.
ㅤ — Difícil eu errar.
ㅤ Já há alguns passos dali, Anita não enrolou pra ir direto ao assunto. Segurando o cigarro entre os dedos da mão destra, andando sobre saltos de 15cm de altura e encarando parcialmente o louro ao seu lado, ela perguntou:
ㅤ — Por que você se escondeu de mim, velho?
ㅤ — Não queria te dar problemas, Anita!
ㅤ — Ou estava com vergonha de que as pessoas soubessem que tem uma “filha puta”?
ㅤ — Get serious, babe! Não tem nada a ver com isso. É mais fácil as pessoas torcerem o beiço para você por ter um pai vagabundo do que pra mim por ter uma filha atriz de filme pornô.
ㅤ — Hmmmm…
ㅤ A mulher, que beirava seus 24 anos, ficou encarando o chão enquanto mantinha seus passos ao lado daquele homem que havia acabado de apontar como sendo seu pai. Terry dava um longo trago no cigarro Marlboro de filtro amarelo e dizia:
ㅤ — Preciso voltar… Tenho que trabalhar. Assim que essa montagem acabar, tenho que voltar para South Town
ㅤ Anita ergueu rapidamente a cabeça na direção de Terry, perguntando instantaneamente:
ㅤ — Vai fazer o que depois do expediente?
ㅤ — Eu…? Acho que nada! Vou procurar um lugar barato para ficar. Por quê?
ㅤ — Se der eu dou uma passada aqui pra gente trocar mais alguma ideia… Pode ser?
ㅤ — Claro, mocinha! Sem problemas… — o louro se inclinou e deixou um beijo na testa da garota.
ㅤ Terry deu meia volta em direção à entrada de funcionários, mas ele não percebeu que lágrimas passaram a escorrer pelo rosto da loura.


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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:49 pm



ㅤ No final do expediente, o vagabundo se despedia dos parceiros de trabalho, pegando as ruas de Las Vegas em direção a um muquifo barato para poder passar a noite. Geralmente ia a algum lugar bater um contra nos fliperamas pra abstrair, gostava disso. Naquele dia que encontrou a filha, Terry estava louco para fumar, mas não encontrava banca, tampouco tabacaria aberta e seu maço de cigarros já havia acabado. Errava nas ruas em busca de algo que só estaria sendo vendido inflacionado simplesmente por ter caído a noite.
ㅤ — Get serious!
ㅤ Um Mini Cooper rosa, conversível, parou ao lado da calçada, exatamente onde o louro estava. Anita, que estava no volante, chamou a atenção de Terry.
ㅤ — HEY, COROA GOSTOSO!
ㅤ O louro focou no carro e meneou negativamente a cabeça com uma careta de desaprovação assim que percebeu quem lhe chamava. Quando chegou até a porta do carona, a loura pediu que ele entrasse com aquele largo sorriso nos lábios.
ㅤ — Entre aí, velho! Vamos dar uma volta!
ㅤ — Preciso de um banho, mocinha!
ㅤ — Hmmm… Então é melhor irmos para o hotel.
ㅤ Enquanto o louro tomava banho, a garota enfileirava uma carreira de cocaína numa mesa e mandava pra venta com um canudo feito de uma nota de dólar. Anita ficava ligadaça, procurando servir dois copos de uísque, bebendo um numa talagada só. O vagabundo saía do banheiro com os cabelos úmidos, percebendo o estado alterado da filha, porém não chamando a atenção para isso.
ㅤ — Uísque? — perguntou a garota, erguendo o copo que havia já servido para o pai.
ㅤ — Por favor! — assentiu Terry, caminhando até Anita enquanto jogava a toalha sobre os ombros. — Gostei das cores da parede… — desviou a atenção.
ㅤ — Como?
ㅤ — São bem pintadas. De vez em quando dou umas mãos de tinta lá em casa.
ㅤ — Hmmm…
ㅤ A loura fungava o tempo inteiro enquanto a conversa rolava e isso deixou o velho Lobo antenado. Também se mostrava muito elétrica e frequentemente saía daquele cômodo com qualquer desculpa para retornar logo depois, sempre com aquela euforia doida.
ㅤ — Sabe quem eu encontrei há algum tempo? — ela perguntou.
ㅤ — Quem?
ㅤ — Anne! “Snif…”
ㅤ — Que Anne?
ㅤ — Minha irmãzinha… — Anita fazia uma careta ao falar.
ㅤ — Hmmm… E como ela tá?
ㅤ — Você deveria saber, não? “Snif…” Que porra de pai é esse?
ㅤ — Depois que Anne entrou na USAF, não fiquei sabendo mais de nada.
ㅤ — Pois é! “Snif…” Conversamos pouco e ela não quis saber sobre eu ser a irmã dela… Disse até que eu não deveria usar o nome Bogard. Acho que ela é lésbica.
ㅤ — Por que está dizendo isso?
ㅤ — “Snif…” Porque ela ficou encarando meus peitos demais! Parecia que estava com fome.
ㅤ — Get serious! — o louro balançou a cabeça em negativo.
ㅤ — E você? Casou de novo? “Snif…”
ㅤ — Casei! Tenho um filho pequeno também… Jack!
ㅤ — E já tá largando como fez com os outros filhos, né? “Snif…” Um filho que não consegue lidar com mulheres, uma puta e uma lésbica. Grande pai.
ㅤ — Garota! Você não sabe de nada!
ㅤ — Sei que você poderia ter evitado muitas coisas…
ㅤ — Tipo o quê? A morte da sua mãe? — Terry fazia um sinal negativo com a cabeça.
ㅤ — É! Minha mãe morreu por sua causa. Se você tivesse segurado esse piru dentro das calças, ela não teria sido morta com meus irmãos naquele avião.
ㅤ — Sua mãe e eu não dávamos mais certo.
ㅤ — Por quê? Porque ela não trepava como uma puta e não lutava como uma amazona? “Snif…” É isso?
ㅤ — Hmmm… — uma pausa curta se seguiu ao pensamento do vagabundo até ele concluir. — É!
ㅤ — Você é um filho da puta!
ㅤ — Escuto muito isso.
ㅤ Seguiu um silêncio. Terry percebia que as pupilas de Anita estavam dilatadas e uma vermelhidão se tornava cada vez mais constante nos olhos.
ㅤ — Tem cigarro aí? — perguntou Terry.
ㅤ — Uhum… “Snif…” Vou buscar pra você! — enquanto ia buscar, a loura perguntou em alto volume — SUA ESPOSA TREPA COMO UMA VADIA?
ㅤ — Uhum… Na verdade… Trepa melhor do que uma vadia! — disse Terry quando a garota voltou com o maço e um isqueiro. Terry recusou o isqueiro, fazendo sinal que ele portava um.
ㅤ — E ela luta? — Anita fazia mais perguntas, encarando o louro acendendo o cigarro.
ㅤ — Luta… A enfrentei num KOF que aconteceu na cidade de 2nd South. Bate bem demais.
ㅤ — Será que você sossega o piru agora? “Snif...”
ㅤ — Já estou há bastante tempo com ela… Tentei convidar você e os outros para o meu casamento, mas não obtive respostas…
ㅤ — Filhos do maior vagabundo de todos os tempos também não são fáceis de encontrar…
ㅤ — Podes crer…
ㅤ Anita se levantou para ligar o aparelho de som. Fez mais uma pergunta ao pai.
ㅤ — Você ainda escuta Rock?
ㅤ — Uhum… — Terry baforava a fumaça para falar. — Country também…
ㅤ — O que sugere? “Snif…”
ㅤ — Qualquer coisa da década de 80 de Rock N’ Roll.
ㅤ Ela voltou, encarando o pai para dizer:
ㅤ — Por que você não fez perguntas?
ㅤ — Quer que eu lhe faça perguntas?
ㅤ — Uhum…
ㅤ — Ok! Quem te levou a cheirar cocaína?
ㅤ — O quê?
ㅤ — Isso mesmo! Provavelmente vai apontar para mim ou para a sua vida que se tornou uma merda, né? Mas você não sabe o que é ter uma vida de merda, sem eira nem beira. Então eu vou ser direto contigo, Anita! Se você quiser continuar tendo a mim como pai… você vai ter que parar com essa porra. O pornô é sua profissão, é seu trabalho. Não tenho porquê lhe recriminar isso. Seria escroto. Agora viciada em cocaína? Você tem que ver como está a sua cara. Tá parecendo uma putinha de merda.
ㅤ — Quem é você pra falar isso?
ㅤ — Eu? Sou o cara que gozou na xota daquela maluca da sua mãe pra você vir ao mundo.
ㅤ — Mais respeito com a memória da minha mãe.
ㅤ — E você? Tem respeito? Imagine a reação da sua mãe ao ver sua vida como está hoje! Isso tudo é remorso barato. Você não fez em vida, não pode homenagear depois de morta. Eu vou embora… Quando você decidir largar essa merda, voltamos a nos encontrar. — Deu as costas e foi procurar sua bolsa para sair, quando foi violentamente golpeado por sabe-se lá o quê.
ㅤ — Você está achando que pode fazer isso comigo? — Anita estava nitidamente alterada.
ㅤ Terry balançou a cabeça, se erguendo do chão lentamente, tentando entender o que estava acontecendo.
ㅤ — Você tá maluca, garota?
ㅤ — Você acha que não sei de meus poderes? Sou da família das bruxas, papaizinho… você não pode me tratar assim…
ㅤ E ela partiu cheia das feitiçarias para cima de Terry, que foi facilmente imobilizado num canto do cômodo. O vagabundo meneou mais uma vez a cabeça e disse:
ㅤ — Se você não me soltar, eu vou ter que dar meu jeito… E isso vai dar merda, garota!
ㅤ — Foda-se! Você não é o pirocudo fodedor? Dê seu jeito! — E foi em direção ao banheiro.
ㅤ Bogard já sabia o que ela ia fazer e aquilo o esquentou. Puto pra caralho, o vagabundo começou a acumular energia, colocando em prática os ensinamentos de uma das artes marciais sob seu conhecimento, o Hakkyokuseiken. “BAAAAAM…” Aquele prédio começou a tremer e um estrondo foi sentido por toda parte. Anita meteu a cara para fora do banheiro e só viu uma poeirada desgraçada. Logo em seguida sentiu seu cabelo sendo agarrado e sua testa sendo lançada contra o mármore da pia. A garota apagou. Enquanto policiais e bombeiros circulavam o hotel, tentando arrumar uma explicação para o ocorrido, o vagabundo caminhava pelas ruas, fumando o cigarro retirado de Anita…

ㅤ De South Town para Las Vegas eram aproximadamente três dias de viagem. Terry tinha o hábito de pegar carona em vagões de carga, diminuindo o custo da viagem, porém fazendo o percurso em condições nada confortáveis. Além disso, ia baldeando pelos Estados, já que os trens não tinham destinos diretos para regiões tão distantes, aproveitava esses momentos para treinar seu repertório marcial em solitário. Com isso, mesmo que normalmente a viagem tivesse o tempo reduzido devido à velocidade dos trens de carga, essas paradas, aliado ao fato de ele ter que ficar “procurando” novas locomotivas que o aproximassem do seu destino, acabava por não compensar em tempo, apenas no custo. Fazia quase três semanas que Terry estava fora de casa e o serviço enfim estava tendo seu término. Logo estaria sobre as estradas de ferro mais uma vez para o retorno ao lar com grana o suficiente para auxiliar na criação do pequeno Jack. A vontade de trepar era um incômodo para o louro, pois sentia saudades do toque da sua vadia, do corpo daquela safada, das trepadas insanas enquanto o moleque se aquietava num sono tranquilo. O Running Wild terminava seu último expediente de trabalho, observando o quão bonito havia ficado o serviço. Eram peitos, xotas e pirocas espalhados por todo canto, fosse através de pôsteres ou brinquedos sexuais. O velho Lobo entrou na fila de recebimento de pagamento em mais um final de semana. Ao receber, tratou logo de pegar o caminho da rua, se despedindo do segurança ao qual compartilhou as pausas de almoço sempre quando ia fumar.
ㅤ Já nas ruas, aquele Mini Cooper rosa mais uma vez ladeou a calçada, próximo de onde ele estava. Anita meteu a cabeça para encará-lo e perguntou de supetão:
ㅤ — Por que minha mãe fez isso comigo?
ㅤ — Fez o quê, garota?
ㅤ — Essa coisa de eu não poder brincar como uma criança normal…
ㅤ — Tsk! Get serious! Você quer entrar nessa agora?
ㅤ — Eu só quero entender, velho! Só isso!
ㅤ — Tem cigarro aí?
ㅤ — Tenho!
ㅤ O vagabundo jogou a mochila no banco de trás daquele conversível e sentou-se no banco do carona. Anita começou a dirigir e o louro começou a falar.
ㅤ — Já parou com a cocaína?! Hum?
ㅤ — …
ㅤ — A próxima vez que eu te ver cheirando, vou arrancar o seu nariz da cara e enfiar no seu cu tão forte que rola nenhuma no mundo vai abrir esse rabo para que ele saia.
ㅤ A garota ficou quieta, evitando encarar Terry nos olhos. O Lobo balançou a cabeça em negativo e voltou a falar.
ㅤ — Vejo que continua usando da bruxaria… — disse enquanto levava a mão à testa da garota, observando que não havia marca alguma de ferimento. — Então vamos lá… Sua mãe não me permitia criar vocês… Ela e sua tia queriam filhos perfeitos, filhos poderosos, filhos imbatíveis. Mas esqueceram onde essas crianças iam caminhar… O mundo é sedutor, garota! Sabe o que vejo de você hoje?
ㅤ — Hum… O quê?
ㅤ — Você entrou pra essa vida do pornô por rebeldia, porque dinheiro você sempre teve. Não é uma forma de afrontar a sociedade… Mas uma forma de afrontar a sua criação. Você não teve nada que uma criança ou um adolescente teve… as descobertas. Você não teve o direito de errar e receber as palmadas na bunda, de chorar por ter levado tombos babacas, de ter que estudar pra passar de série… Coisas importantes. E agora, você, com a idade que tem, mantém um comportamento bizarro até demais. Tem muitos poderes e nenhuma responsabilidade. Sinceramente, isso não é novidade pra mim.
ㅤ — Hmmm… Você poderia ter evitado tudo isso… Por que não fez?
ㅤ — Hehe… Eu já disse… Sua mãe queria filhos perfeitos…
ㅤ Pararam num bar distante do Centro de Las Vegas e Anita pediu cerveja para os dois. Pai e filha continuaram conversando. Anita lançou mais uma pergunta:
ㅤ — Já viu algum de meus filmes?
ㅤ — Pra quê? Ver um monte de macho enfiando a piroca na minha filha? É demais, não?
ㅤ — Hehehe… Imaginei! Fico pensando qual seria sua reação…
ㅤ — Não me incomodo, como já disse! É seu trabalho. O que me incomoda é você se entregar para uma droga que te deixa com cara de cadáver sorridente… Você deveria se olhar quando usa essa porra…
ㅤ — Eu vou parar…
ㅤ — Você nunca teve um namorado? Alguém que te fizesse ter um objetivo?
ㅤ — Tive… Um garoto de San Diego… Foi logo assim que mamãe partiu. Mas eu fiz uma burrada com ele…
ㅤ — Deu pra outro?
ㅤ — Não… Ele tinha a pica muito pequena, então eu acabei fazendo um feitiço pra aumentar o caralho dele. Ele se assustou e nunca mais quis olhar na minha cara… Hoje ele é viado. Casado e tudo.
ㅤ — Holy fuckin’ shit! Que porra de homem ficaria espantado por ter sua pica aumentada?
ㅤ — Não sei…
ㅤ Trocaram mais ideias até que Terry buscou finalizar o assunto, dando a última talagada na cerveja e batendo a caneca contra o balcão:
ㅤ — Sabe… Quando estive lá naquele hotel contigo, percebi que estou há muito tempo longe da Sky — apelido carinhoso o qual Terry chamava Lilith, sua então adversária — e do moleque. Ainda tenho que pegar a estrada… Três dias de viagem… Provavelmente vou me atrasar… E isso vai me dar problemas!
ㅤ — Preciso ir ao banheiro…. — disse a garota com um olhar meio perturbado.
ㅤ Anita retirou uma cápsula de cocaína. Ficou encarando aquele objeto por alguns segundos, sorriu e jogou no vaso sanitário, puxando a descarga. Na volta, trazia um sorriso mais limpo, pegando a caneca de cerveja e dando uma longa talagada.
ㅤ — Posso te fazer um pedido?
ㅤ — Hmmmm… Qual?
ㅤ — Passe essa noite comigo? Não lembro a última vez que dormi com meu pai…
ㅤ — Preciso ligar pra Sky! Mas não me lembro o número do telefone dela.
ㅤ — Sabe onde ela trabalha?
ㅤ — Trabalha no museu de 2nd South.
ㅤ — Hmmm… — A garota puxou o Iphone e começou a vasculhar algo sem o consentimento do louro. — Achei! Se eu deixar um recado para o telefone de lá, talvez alguém consiga comunicar a ela amanhã e assim ela pode entrar em contato…
ㅤ — Pode ser! — disse Terry, dando a última talagada na cerveja.
ㅤ Horas depois, num hotel de poucas estrelas nas proximidades do centro de Las Vegas, Anita se aninhava no pai, enquanto este não conseguia pregar os olhos, pensando em como poderia estar a ruiva diabólica e seu filho. Depois de um tempo, quando ele já não tinha forças para combater o sono, a lourinha dizia quase que num torpor:
ㅤ — Só não pode ficar de pau duro, velho…
ㅤ — Vá se foder, Anita!
ㅤ No dia seguinte, o louro acordou e não viu a garota na cama. Anita saía do banheiro, havia acabado de tomar um banho e estava se enxugando. Uma mesa com um farto café da manhã tinha sido colocada naquele modesto quarto. Terry passou a mão sobre o rosto, procurando desanuviar o sono, erguendo o tronco da cama e encarando a garota:
ㅤ — Que horas são?
ㅤ — Sei lá… Umas nove e pouca, por quê?
ㅤ — Puta que pariu! Tenho que meter o pé!
ㅤ — Relaxa… Vai tomar um banho primeiro… A viagem é longa…
ㅤ O vagabundo levantou e catou algumas coisas que havia sobre a mesinha posta. Comeu e foi tomar um banho. Ao terminar, foi pegando suas coisas para meter o pé para Los Angeles. Anita estava sentada numa mesa, mandando pra dentro um café da manhã de respeito. A barriga do Lobo denunciou a fome, já que o cheiro daquela comida matinal era muito convincente. Depois de tudo pronto, passou a mão em algumas frutas e bebeu um café.
ㅤ — E aí? Quando eu te vejo de novo? — perguntou a garota.
ㅤ — Quando você quiser… Por enquanto, tô ancorado em South Town.
ㅤ Anita enlaçou o pai pelo pescoço, apertando-o contra o seu corpo. Terry retribuiu o abraço, deixando um beijo singelo sobre a testa da atriz pornô que dentro em pouco estaria no maior evento do seu segmento. Cada um foi para um canto.
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:53 pm

ㅤ A história de Lilith Skyamiko e Terry Bogard começou numa noite em que o lutador boêmio desviou seu destino do Oldline, em 2nd South, pegando a Sunset Boulevard St. Por algum motivo que o próprio desconhecia – e ainda desconhece – ele partiu pra orla da cidade, lá em Blue Wave Harbour. Foi lá que ele a viu. Debruçada sobre a amurada, Lilith ostentava aquele rabo num vestido semitransparente, onde as laterais estavam estilizadas com nós, deixando entrever os dois flancos do corpo. O vagabundo gamou naquele rabo bem definido nos contornos e não perdeu a oportunidade de jogar meio quilo de conversa fiada. A ruiva cedeu e assim começou o desenrolo do louro com aquela misteriosa mulher, culminando no final daquele dia lá no campanário da instituição filantrópica. No dia seguinte eles estavam trepando em Barbaroi Falls, após saírem do Oldline. Logo começou uma sequência de acontecimentos estranhos mais ministrados por ela do que controlados por ele. Por algum motivo, Lilith não queria envolvimento com Terry, por vezes utilizando de seus poderes sobrenaturais para que ele a tirasse da cabeça, entretanto, além de ele se meter em outros “buracos”, ela pareceu se arrepender dessas escolhas.
ㅤ Terry sempre se mostrou desorganizado para muitas coisas. Se o assunto não fossem lutas ou basquetebol, provavelmente se atolaria com compromissos e afins. Lilith, apesar de tamanho poder, demonstrou ser um tanto atrapalhada em suas decisões de “ajudar” a humanidade. Chegava a ser estranho saber que uma demônio queria o bem da humanidade.
ㅤ A própria história de ela ser uma entidade das trevas não caía muito no crivo do louro. Para Terry, tanto fazia se ela fosse de fato ou não. O Lobo tinha uma fixação por aquela mulher, era apaixonado às últimas e além disso, a russa trepava muito bem. O vagabundo sentia a energia que emanava da mulher, mas não entendia o porquê de tamanha energia sinistra pertencer a uma pessoa que ao invés do mal, persistia em ajudar ao próximo fosse como fosse.
ㅤ Em uma das trapalhadas da ruiva, Terry e algumas outras figuras conhecidas foram enviadas para o passado para resolver pendências que ela achava necessário. Sem tal consentimento disso, até hoje o louro acha que tudo não passou de um sonho real o suficiente para voltar completamente fodido. Na ocasião, Iori “Destroyer” Yagami deixou bem claro:
ㅤ — Eu deveria matar essa demônio. Já que você insiste em deixar essa peste sobre a Terra, a responsabilidade é sua. — tais palavras ficaram gravadas na mente do Running Wild para sempre.
ㅤ Logo veio o torneio King Of Fighters – Maximum Mayhem, o qual ele acabou enfrentando a russa. Uma luta que os colocou frente a frente no lugar do primeiro encontro, Philantropy Belfry. Terry saiu vencedor do combate e ao final do torneio, após a luta entre o vagabundo e o mercenário Clark Still (onde o Lobo se saiu vencedor, vencendo mais um King Of Fighters), a ruiva decidiu parar de evitar o vagabundo, começando de fato o romance entre o americano e a russa.
ㅤ Tempos depois de muitas trepadas, ambos decidiram se casar, mas como o gandaieiro não tinha um puto no bolso para tamanha empreitada, chamou aquele que o havia advertido e pediu este favor. Iori “Destroyer” Yagami, que evitava encontrar Terry Bogard por conta do hábito deste viver pedindo uma “grana”, acedeu, com uma condição:
ㅤ — Se você se separar, vai ter que me devolver cada centavo que eu gastei aqui…
ㅤ Esse farrista de South Town já tivera outros casamentos, os quais acabavam geralmente pelo mesmo motivo: Terry encontrava algum rabo interessante pela estrada e metia as cabeças. O resultado era o óbvio: De alguma forma, as mulheres acabavam ficando sabendo e o casamento ia para o espaço. Desta vez, garantiu ao ruivo japonês que seria diferente e os blá blá blá costumeiro de um cara que ganha a vida mais na manha do que na força de trabalho.
ㅤ Mas era evidente que o vagabundo não tinha olhos para outras mulheres. Não era o caso de apreciar peitos, bundas e etc. Por mais que Terry pudesse admirar belas tetas e bundas alheias, Lilith era o ídolo a ser seguido e, com o fim da cerimônia, recebeu a mesma advertência do ruivo quando haviam saído daquele pesadelo de voltar ao passado.
ㅤ — Já te avisei uma vez… A responsabilidade sobre ela é sua.
ㅤ Aquilo despertou um gatilho na mente do louro, que ainda na ocasião do casamento foi advertido por Sokaku Mochizuki, o monge que apareceu sem ser convidado, tramando inclusive a troca da aliança de Lilith, algo que até hoje é possível nem a ruiva e nem o louro tenham ciência. Tiveram uma lua de mel interrompida no oriente, onde um dos amigos misteriosos dela interrompeu com desculpa de ter um trabalho pra fazer. No final, estavam no Rio de Janeiro, curtindo os últimos momentos de paz de recém-casados quando um dos irmãos dela apareceu exigindo que Terry fosse consagrado rei dos parangolés do reino em que Lilith mandava. Para o louro aquilo não passava de uma brincadeira cinematográfica e, ao chegar do outro lado e ver que a vida era uma verdadeira bosta à sua maneira, decidiu dar o foda-se para toda aquela pompa e entregar tudo à esposa. Ela que se virasse com tudo aquilo.
ㅤ Passou-se o tempo e mais uma trapalhada de Lilith sobre a Terra aconteceu. Dessa vez, o torneio Legend Of Universe, reunindo lutadores para “trabalhar para a sociedade”. O curioso que já é difícil Terry arrumar emprego pra si, quanto mais trabalhar de graça. Alguns “irmãos” dela apareceram para tocar o foda-se em 2nd South, resultando em milhares de mortes e duas cidades completamente destruídas. Foi exatamente neste ponto que o casamento dos dois ficou abalado. Mexer com South Town era mexer com o Lobo e até hoje ele a aponta como culpada de todo o ocorrido. Uma ferida que dificilmente fechará na alma do Running Wild. Na mente de Terry reverberaram os avisos de Destroyer e as precauções de Sokaku de maneira insistente e, até então, o louro se pega acordando achando que a cidade está abaixo. Foi daí em diante que ele aceitou treiná-la nas artes marciais. Assim ela não teria mais a cabeça vazia pra fazer merdas que atingissem pessoas inocentes. Com o estudo das artes marciais, principalmente das artes internas, Lilith aprenderia de fato que enfrentar um adversário é completamente diferente de abater um inimigo, teria plenamente consciência de que o foco é o alvo e não a área. Paralelo ao treino da ruiva, Terry se entregou solitariamente ao treino das artes marciais, catalogando novamente os movimentos e técnicas mais oportunas que ele reunia em seu arsenal, repassando o refinamento espiritual para estar sempre preparado para o dia em que tudo pudesse ruir novamente. As palavras de Destroyer perpassavam em sua mente… sempre…
ㅤ Na cabeça de Terry, a saída de South Town era o único remédio para que o casamento com Lilith não sofresse a ponto de acabar de vez. As férias da russa gostosa no emprego que tinha no museu de 2nd South vieram bem a calhar, onde os dois mapearam os EUA de ponta a ponta. Ela ainda teve a ousadia de prolongar por mais um mês, comprometendo seriamente sua situação no emprego. O retorno à South Town foi mais ameno e com a cabeça mais fresca, Terry parecia ter esquecido os acontecimentos dos eventos do torneio ao qual a esposa fora anfitriã. Porém, aquele velho sentimento de viver por aí havia despertado por conta da viagem que fizera. Dentro do vagabundo, a residência fixa em South Town não era uma boa ideia.
ㅤ No entanto ele não teve muita escolha, pois a notícia que Lilith lhe entregou certo dia o pegou em cheio. Ela estava grávida.
ㅤ — GET SERIOUS!!!
ㅤ Ela estava falando muito sério. A ruiva havia conseguido engravidar sabe-se lá como, já que era muito difícil uma demônio engravidar de um humano. Terry, como não poderia ser diferente, ficou bastante feliz, desaparecendo qualquer inquietação que antes o assolava. A ideia de ter uma criança que definitivamente ligasse o casal era muito boa.
ㅤ Isso também mudaria a vida daquele louro de uma vez por todas. O velho Bogard não poderia mais viver por si já que haveria uma criança tão logo dependente do casal. Seguiram-se os meses com todo o repertório habitual que uma gravidez possui, até chegar o dia em que Jack Bogard decidiu vir ao mundo. Queria o destino que aquele moleque fosse natural de South Town, era o que Terry pensava quando deixou Lilith em casa por apenas 40 minutos para poder comprar algo para que o moleque pudesse deitar.
ㅤ O casal não tinha dinheiro para planos de saúde, logo a russa não pode ter um acompanhamento médico mais sério. Seria parto natural, em casa e na raça. Quando o boêmio chegou em casa com um colchão pequeno enrolado debaixo dos braços, Lilith gritava tanto que mais parecia estar sendo estripada por alguma foice do inferno. A mulher tinha uma expressão de surra levada no rosto, como se estivesse apanhando repetidamente numa briga de rua, mas ainda inteira em combate. O vagabundo entreabriu as pernas da mulher pela primeira vez com um objetivo diferente do habitual e acabou vendo a xota da ruiva sendo arregaçada pela cabeça do garoto. O moleque parecia viver um impasse de sair ou não sair, como se algo sedutor o estivesse chamando ao mundo, mas o conforto de dentro da mãe o impedisse de se libertar. O casal ficou exausto depois que a criança abandonou de vez a boceta da mãe, Terry havia metido o tesourão no cordão umbilical, fixando o umbigo do moleque com um pregador de roupa, enrolando-o na toalha em seguida.
ㅤ Os dias se passaram e a vida do casal entrou numa rotina descomunal. Enquanto Lilith trabalhava de dia e Terry vigiava o moleque, à noite ele saía pra fazer bicos e trazer algo pra casa. A ruiva não teve direito a dias em casa devido à gracinha feita de sumir por mais um mês depois das férias. E assim eles foram tocando a vida até surgir o convite ao louro de fazer esse serviço em Las Vegas. A grana era seis vezes mais o que ele ganharia em qualquer bico durante o mesmo tempo em South Town. Ele não hesitou, conversou com a ruiva e resolveu procurar alguém para cobri-lo pela manhã para vigiar o moleque.
ㅤ Quando ele falou o nome de Becky, a russa deu a entender que não gostou da ideia. Terry buscou dissuadir a mulher com sua larga experiência no migué, alegando vários motivos pelo qual a filha de Destroyer seria a pessoa certa. As opções eram poucas e ela sabia que o marido não perderia aquela oportunidade de trazer mais grana pra casa.
ㅤ Becky era Rebecca Yagami, filha de Iori, vocalista e guitarrista de uma banda punk de garotas. Era muito conhecida por dar “palhinha de calcinha” por todo canto e exibir os peitos sem sutiã debaixo daquela camiseta branca curta. A garota tinha uma boca suja, péssimos hábitos, mas gostava muito de criança. Foi exatamente esta virtude que fez com que Terry tivesse o nome dela de pronto.
ㅤ — Porra, tio! — ela tinha o hábito de tratar o vagabundo como tio — Como você me encontrou aqui?
ㅤ — As ruas falam comigo, Becky!
ㅤ — Hmmm… sei… O que você quer?
ㅤ — Preciso que você passe umas semanas lá em casa. Preciso que tome conta do Jack enquanto eu vou fazer um serviço em Las Vegas…
ㅤ — HAHAHAHAH… Tá achando que eu sou otária? Tia Lilith não quer me ver nem pintada de ouro por causa daquele lance na sua casa e você quer que eu tome conta do seu filho para você ficar de putaria do outro lado do país?
ㅤ Terry tinha um semblante sério, fazendo com que Becky mudasse o tom de brincadeira.
ㅤ — Então você já conversou com ela, né?
ㅤ — Uhum. — respondeu o americano. — Não tenho alternativa. Preciso que alguém me cubra e pensei logo em você. Você tem paciência com crianças.
ㅤ — Eu quebro essa pra tu, mas vai ter que perder uma grana…
ㅤ — No problem!
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:55 pm

ㅤ Los Angeles, California, EUA…

ㅤ Eram aproximadamente seis horas de viagem de Las Vegas a Los Angeles, cortando aquele pedaço do país. Porém, o louro errante tinha hábito de “pegar carona” em trens de carga e isso acabava diminuindo esse tempo quase pela metade, visto que não havia tantas paradas e a locomotiva percorria em maior velocidade esse percurso. Assim, com a velha malandragem de invadir quintais de manobra e estações, burlar a segurança, saltar para vagões em movimento e se esconder, Terry conseguiu chegar em Los Angeles quase com a metade do tempo, sem custos com passagens. O vagabundo trazia sempre sua mochila como um travesseiro, seu velho companheiro de viagens.
ㅤ Em Los Angeles, molhou a mão de um despachante de mercadoria para evitar maiores problemas, ajudando-o inclusive com a descarga de algumas encomendas, como se fosse um funcionário “free-lance”, um “conhecido”. Informado de que não sairia trens naquele dia com destino ao leste, restava ao louro esperar pelo seguinte.
ㅤ Andando pelas ruas da cidade dos anjos, procurou evitar problemas, apesar daquela cidade respirar o brilhantismo da putaria em 360º. Terry fez questão de procurar uma lanchonete para encarar mais uma daquelas porcarias que a América adotou por ser rápido e prático. Sentado num banco diante o balcão, uma mão feminina tocou seu ombro, apertou e disse:
ㅤ — Tá fazendo o que aqui na cidade dos anjos?
ㅤ — Hmmm? — fez Terry com a boca cheia, se virando para olhar de quem se tratava.
ㅤ Era Anne, sua filha que apareceu aos 16 anos, se envolveu com Rock e, depois de alguns desentendimentos, foi embora, indo se alistar na USAF e conseguindo ingressar, graças à mão do Major Guile. Na época em que viveu com o velho Lobo, Blue Mary, grande amiga de Terry, era a mulher que mediava aquela relação pai e filha. Bogard olhou para a Anne e a reconheceu logo. Acabou de mastigar e disse:
ㅤ — Quanto tempo, guria! Eu tô indo pra casa… Fiz uns bicos lá em Las Vegas…
ㅤ — Pois é… Soube que você casou e tem um filho…
ㅤ Terry meneou a cabeça e descobriu definitivamente que os filhos seguiram seus passos… Sabem de tudo aquilo que querem saber.
ㅤ — Encontrei sua irmã… — disse o louro.
ㅤ — Aquela puta não é minha irmã.
ㅤ — As duas saíram do meu saco, passaram pela minha pica e entraram na xota de uma mulher. Não tem pra onde correr, Anne.
ㅤ — Se você não sabe segurar o seu caralho dentro das calças, o problema não é meu.
ㅤ — Hmmm… — o louro desconversou, levantando a mão que segurava o sanduíche — Quer comer algo?
ㅤ — Eu vou sim… — E se sentou ao lado do pai, fazendo um pedido para uma atendente, logo voltando a falar com Terry — E Rock? Tem notícias dele?
ㅤ — Faz tempo que não vejo… Na verdade… Nenhum de vocês três parecem se importar como família.
ㅤ — Talvez seja porque você não conseguiu passar isso pra gente!
ㅤ — Olha a boca, garota! Tive que ralar muito pra vagabundo malandro não sacanear a vida de vocês… Bastava saber que eram filhos de Terry Bogard para estarem em perigo.
ㅤ — Hmmm… — Anne pegou o lanche, deu uma mordida, mastigou, engoliu e retrucou — Já pensou o que fazer agora com uma criança pequena? Me espanta você ainda estar parado no mesmo lugar…
ㅤ Terry ficou pensativo, Anne tinha razão. O problema era colocar isso na cabeça de Lilith.
ㅤ — O que me espanta mais é te ver preso numa casa… — a garota lançou.
ㅤ — Não estou preso, garota! E você está muito atrevida.
ㅤ — Pois é! Tive que passar alguns perrengues por sua causa…
ㅤ — Como assim…?
ㅤ — Já esqueceu da brincadeira que ocorreu nas duas cidades? — ela se referia ao caos ocorrido durante o Legend Of Universe.
ㅤ — Então você ficou sabendo disso…
ㅤ — Eu fui presa por criar um alvoroço no Comando Maior para que enviassem tropas à South Town. Quiseram me matar, mas alguém interessado em manter minha cabeça inteira me salvou. Agora não tenho mais nada… faço serviços por fora. Perdi a USAF… perdi a única coisa que eu dava valor…
ㅤ — Hmmm… — Terry ficou mastigando e rememorando todo aquele terror.
ㅤ — Você só se mete em encrenca, pai! Só se mete em confusão! E esse casamento? É como os outros em que você vivia nas casas das vizinhas?
ㅤ — Nem vizinha eu tenho, Anne! Moro dentro do National Park!
ㅤ — PFFFFFFFFFF… — Anne cuspiu o pedaço de sanduíche que estava mastigando.  — O quê?! Você?! Morando numa casa no meio do mato? Tá de brincadeira comigo, né? Essa mulher literalmente encoleirou o Lobo. HAHAHAHAHAH… Você tá velho!
ㅤ — Tsk! — o louro acabou com o sanduíche e deixou uma nota de dólar que era o suficiente para pagar o lanche dos dois mais a gorjeta. — Eu vou embora… Esse assunto já deu!
ㅤ — Te incomoda, né? Saber da verdade…
ㅤ — Verdade, Anne?! — o louro se virou… — A verdade é que você ficou putinha da vida depois que o Rock te deu uma pernada. Então você acabou cismando com essa porra de USAF. Você bancou a perfeitinha, assim como sua irmã, e acabou tendo um comportamento bizarro depois que tudo deu errado. É impressionante, sabe? Conheço muita gente assim… Gente que tinha tudo pra ficar ‘relax’, mas por um excesso de perfeição, acabou vivendo uma bizarrice sem fim.
ㅤ — Na moral, pai! Sempre quis falar isso… Vem pra mão! Tá se achando no direito de falar muita merda!
ㅤ — Huhuhu… Termine o seu sanduíche primeiro e escolha o lugar…
ㅤ Anne estava vestida com um casaco comprido, de gorro, que escondia todas as curvas do seu corpo e também o short curto que usava. Escolheu uma quadra de basquete perto dali, local que estava deserto naquele horário. Quando ela retirou o casaco, mostrou um corpo bem definido, onde o louro fez beiço e um aceno de cabeça positivo, fazendo questão de dizer:
ㅤ — Porra! Ganhou corpo, hein garota? 86 de busto, 54 de cintura e 85 de quadril? Antigas medidas da Mary… Lembro que você era toda minguadinha… — disse o louro, deixando sua mochila cair para fazer um aquecimento rápido.
ㅤ Anne se aquecia, o olhar chamuscando ódio. Partiu pra cima do pai assim que o mesmo disse.
ㅤ — C’mon! Get serious!
ㅤ E a porrada começou a rolar. Troca de socos e pontapés, onde Anne parecia ter tido um excelente mestre de artes marciais. Terry identificou os movimentos como sendo os correntes utilizados pelos militares. A garota mostrava boa técnica, o suficiente para derrubar o louro e por pouco não dar fim ao combate, graças a um rolamento lateral usado pelo mais velho, fazendo com que ela desse um pisão no solo de cimento.
ㅤ — Deixe de brincadeira e vem pra cima. — disse Anne.
ㅤ Terry deu de ombros. Não adiantaria falar nada mesmo pra ela. O louro começou a apelar mais um pouco, percebendo que a jovem detinha uma defesa apurada também. Porém o que mais surpreendeu o vagabundo foi o fato de ter recebido um Rising Tackle no momento em que empregaria um Superman Punch. Seu corpo voou e bateu contra o solo. Voltando a si, sacudiu a cabeça, ainda com os membros apoiados no chão e disse:
ㅤ — Virou moda essa porra? Bateu o olho, copiou? Tem uma diferença muito grande de se aplicar um Rising Tackle correto… sabia?
ㅤ — É… qual? — disse Anne partindo em direção ao pai para acabar com o combate.
ㅤ — É isso… BINGO!!!
ㅤ O movimento de Terry começava a imprimir dano desde o primeiro ao último impacto. Anne parecia estar sendo triturada, sendo lançada bruscamente contra o poste que sustentava a tabela de basquete. O boêmio bateu uma mão contra enquanto Anne batia no solo desacordada. O pai caminhou até a garota, pegou seu corpo e arremessou contra o ombro canhoto, buscando sua bolsa para jogar a alça sobre o ombro oposto.
ㅤ — Mais um pouco e seria da linha dos três pontos… Garota! Você vai precisar ralar muito essas suas tetas no asfalto pra poder me derrubar com facilidade… Agora tô precisando de um cigarro.
ㅤ Horas mais tarde, Anne acordava num quarto de Motel de beira estrada, terceiro andar. O fedor de cigarro empesteava o lugar. Na janela, a figura do homem com larga experiência nos ringues do mundo, com um pé apoiado sobre o batente, observando o movimento da rua lá embaixo, fumando despreocupadamente e batendo a guimba com petelecos do polegar no filtro do fumo.
ㅤ — Por que me trouxe pra cá? — disse a garota.
ㅤ — Hmmm?!… Então você finalmente acordou… Você acha que eu ia te deixar desacordada naquela quadra? Tá maluca?
ㅤ — Você não é o todo poderoso Badass? — a garota fez uma careta de desprezo.
ㅤ — Posso ser isso aí, mas sou seu pai também… — Terry tragou o cigarro, baforou para fora da janela e perguntou, mudando de assunto: — Anne! Você é lésbica?
ㅤ — …
ㅤ — Pode mandar o papo! Sem estresse!
ㅤ — E se eu for?
ㅤ — Não vai mudar absolutamente nada!
ㅤ — Os homens só passaram por minha vida para causar destruição…
ㅤ — Hmmm… sei…
ㅤ Anne tentou levantar, mas percebeu que suas costelas doíam. Fez uma careta de dor, se apoiou na beirada da cama pra tentar ir ao banheiro, mas logo fraquejou. Terry colocou o cigarro no canto dos lábios e foi em seu auxílio.
ㅤ — Você quer mijar? — disse o mais velho.
ㅤ — Acho que preciso fazer isso sozinha, não?
ㅤ — Não no seu estado atual.
ㅤ O pai vagabundo levou a garota ao banheiro, ajudou a mesma a arriar o short e ficou esperando ela terminar. Então ajudou a garota a retornar para cama.
ㅤ — Eu vou partir amanhã. — disse Terry, retirando o cigarro do canto dos lábios, continuando — Consegue segurar as pontas sozinha?
ㅤ — Venho fazendo isso há tempos… — e mudou de assunto — como consegue fumar essa merda de cigarro o tempo inteiro? Isso não fede só a você… fede o ambiente inteiro…
ㅤ Terry coçou a cabeça e voltou à janela, mantendo o cigarro do lado de fora.
ㅤ No dia seguinte, quando Anne acordou, não viu mais o pai. Havia um bilhete com algumas mensagens escritas por ele e a assinatura no final, com o famoso “See ya”. A garota sorriu, dobrou o papel e guardou no bolso do seu casaco.
ㅤ O destino dos filhos de Terry não era lá muito glorioso. Viviam no anonimato das ruas, conhecido por uns aqui e outros acolá, aprenderam a maneira de viver do pai, o que lhes ajudava a manterem-se vivos na selva do mundo.
ㅤ Naquele momento, o Lobo de Aço estava sobre um vagão aberto, cruzando Estados americanos com destino à cidade de 2nd South, praticando artes marciais sobre aquele piso instável, propício aos solavancos das estradas de ferro. O homem que derrotou Geese Howard não podia parar de treinar. Praticava movimentos, aperfeiçoava técnicas apreendidas de outras artes marciais, aprimorava os ensinamentos das artes internas, sobretudo as ministradas há tanto tempo por Tung Fu Rue, mestre supremo do Hakkyokuseiken. Além de já ter enfrentado poderosos adversários como Krauser, já teve pesadas pedras como a que aconteceu no Mar Morto. As palavras do seu compadre Destroyer não saíam de sua mente: “A responsabilidade é sua”. Sempre com uma calça Jeans e as inseparáveis luvas de motociclista meio dedo dadas por seu pai, o velho quarentão pegava rumo à 2nd South entre paradas e mudanças de trens, sem afrouxar o condicionamento marcial.

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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qui Jul 12, 2018 11:59 pm

ㅤ 2nd South, Florida, EUA

ㅤ Terry achou que o trem que vinha de Tallahassee ia direto para o centro de 2nd South e por isso desceu antes da primeira Estação que vinha a nordeste da cidade, procurando um restaurante de beira de estrada pra comer alguma coisa. Estava morrendo de fome e precisava mandar alguma coisa para o estômago. Era um estabelecimento administrado por uma família, onde uma jovem morena de feições latinas fazia o atendimento auxiliado por sua mãe, uma senhora já castigada pelo tempo. A garota era gostosa e se insinuou bastante para o vagabundo assim que ele pousou sua mochila no piso do lugar. O local não era muito grande, o balcão ficava de lado para a entrada, onde algumas mesas com cadeiras e poucas com pequenos sofás de dois lugares mapeavam o salão. Terry chegou no balcão, fazendo seu pedido comedido.
ㅤ — ‘Me vê uma dose de uísque e prepare um clubhouse, por favor!
ㅤ A coroa olhava desconfiada para o louro e chegou a fazer um sinal para o seu marido, que havia entrado logo depois de Bogard ao suspeitar de sua figura. A garota não parava de fazer sinais para o vagabundo, com direito a sorrisinhos e passadas de língua sobre os lábios.
ㅤ — Alejandra! Vaya a buscar más servilleta! — a senhora ordenou que a filha fosse buscar mais guardanapo.
ㅤ A garota se fez de desentendida, enfurecendo a mãe que reiterou o pedido com mais ímpeto. Terry sorriu, fazendo um sinal negativo com a cabeça, enquanto a coroa entregava o seu pedido. O Lobo ainda perguntou:
ㅤ — Sabe quando o próximo trem de carga passa por aqui?
ㅤ — Não! — disse secamente a senhora.
ㅤ O louro deu de ombros, comeu, pagou e saiu do estabelecimento, sendo vigiado pelo chefe daquela família. Ainda procurou se informar num Motel que havia do outro lado da estrada, sendo avisado por um garoto também de feições latinas que o próximo seria só no dia seguinte, com destino ao centro da cidade.
ㅤ — Como você sabe disso, moleque?
ㅤ — Meu pai trabalha na manobra, antes da cidade.
ㅤ — E esse que passou a pouco ia pra onde?
ㅤ — Pra South Town.
ㅤ — Puta que pariu!
ㅤ A mãe do garoto apareceu e mandou o garoto parar de falar. Questionou o louro logo em seguida:
ㅤ — Vai querer um quarto ou não?
ㅤ — Por favor! Quanto tá o pernoite?
ㅤ A mulher apontou um valor absurdo, provavelmente querendo ganhar em cima do vagabundo. Terry recusou na hora, deu meia volta e ficou vagando pelos estabelecimentos que viviam naquele clima de calmaria. Não tinha nada pra fazer naquele pedaço de 2nd South. As pessoas pareciam deixar que os dias os consumissem, vivendo mais da presença daqueles que passavam pelo lugar do que qualquer outra coisa.
ㅤ Quando caiu a noite, o louro imaginou que algo diferente poderia ocorrer naquele pedaço de terra e foi até o restaurante novamente para forrar o estômago. Só a garota latina atendia dessa vez. De clientes, apenas um senhor de idade no canto, bebendo algo quente para a noite que caía fria naquele canto de 2nd South. A jovem latina trajava um shortinho bem curto jeans, além de uma camiseta branca cortada abaixo do busto, deixando entrever boa parte de seus seios.
ㅤ Terry sorriu mais uma vez quando entrou. Era fácil ver o contorno dos mamilos da garota desenhado na blusa, já que ela não estava utilizando sutiã.
ㅤ — Get serious! — murmurou o vagabundo, que observou rapidamente que a menina tinha uns 94 de busto, 57 de cintura e 90 de quadril.
ㅤ — Vai querer o quê, bonitão? — disse Alejandra chupando um pirulito.
ㅤ Terry olhou para o fundo do estabelecimento e viu o senhor tentando se aquecer com a bebida.
ㅤ — Eu vou querer uma dose de uísque. Depois eu peço o que comer.
ㅤ — Tem certeza que não vai querer comer… agora? — a garota apoiou as duas mãos juntas sobre a plataforma atrás do balcão, fazendo com que seus braços comprimissem os seios, dando-os mais volume.
ㅤ — Não… não… menina! Vá com calma, garota! — ele olhou para o fundo do bar, vendo alguns maços de cigarro num mostruário que estava no alto. — Me vê um maço de cigarros Marlboro de filtro amarelo, por favor.
ㅤ — Ok! — disse a jovem dando uma piscadela ao louro.
ㅤ A garota se arriou atrás do balcão para pegar uma escadinha, já que não alcançaria o mostruário devido à sua baixa estatura – 1, 65m. Ao subir na escada, fez questão de empinar a bunda na direção do velho Lobo, e ficar apontando e perguntando se era aquele que ele queria.
ㅤ — É esse aqui?
ㅤ — Não… É o Marlboro vermelho. Tá escrito aí “Marlboro” em vermelho.
ㅤ — É esse?
ㅤ E ela continuava, enquanto Terry já ia perdendo a paciência. Sabia que a garota procurava uma sacanagem. Provavelmente ela devia passar seus dias naquele lugar, cheio de caras cansados, lançando piadinhas de merda e ela doida pra trepar com alguém que sabia fazer o negócio direito. Bastou um forasteiro aparecer no lugar pra ela querer se engraçar. E lá estava ela, abanando aquele rabo perfeito diante do louro, apontando para um monte de maços de cigarros que nada tinha a ver com a porra do Marlboro vermelho.
ㅤ — Oh, garota! Manda a real? Tá com a xota coçando?
ㅤ — Tô pegando fogo, gostoso!
ㅤ — Pois é! Pegue esse maldito Marlboro vermelho e vamos conversar um pouco. Sou um cara casado, porra! Tô velho já pra ficar fazendo esse tipo de arruaça.
ㅤ — Mas eu não vi aliança nenhuma.
ㅤ O louro fez questão de retirar a luva da mão esquerda e mostrar a palma da mão.
ㅤ — Tá satisfeita?
ㅤ — Hmmmm… isso só serve para deixar as coisas mais excitantes.
ㅤ O errante balançou a cabeça em negativo e pegou o maço de cigarros que a garota acertadamente lhe entregou. Deu meia volta e caminhou devagar até a saída, batendo o maço fechado para “compactar o fumo”. Enquanto saía, disse para a garota:
ㅤ — Faça um sanduíche com tudo o que tiver aí pra mim… Vou fumar um cigarro lá fora e na volta eu como.
ㅤ Do lado de fora, o vadio se encostava com um pé numa coluna, mantendo a perna dobrada ao passo que baforava a fumaça encarando o céu. Sua mente estava em casa, na mulher e no filho pequeno. Mas o som de uma motocicleta vindo ao longe despertou o velho Lobo de seus devaneios. Havia um posto de gasolina há poucos metros daquele restaurante, um vizinho que passava os dias mais pegando poeira da estrada do que atendendo clientela. A motocicleta parou lá, com seu condutor desmontando e abastecendo. Terry ignorou e voltou a fumar o seu cigarro tranquilamente, não demorando muito pra voltar sua atenção àquela moto que roncava o motor novamente, vindo em sua direção com um farol alto.
ㅤ — Hmmm…
ㅤ Do jeito que ele estava, ficou. Um sorriso cortou seu rosto quando a moto parou de lado à sua frente. O condutor olhou para vagabundo e sorriu. Este fez um aceno com a cabeça e perguntou:
ㅤ — Estava na cidade? — pergunta feita pelo fato da moto vir no sentido de como se estivesse realmente vindo da cidade de 2nd South.
ㅤ — Uhum… — respondeu o condutor de cabelos louros curtos e olhos rubros, aparentemente bem mais novo do que o Running Wild.
ㅤ — Tá indo pra onde?
ㅤ — Acho que vou pegar a estrada novamente… Nunca ficamos num lugar só por muito tempo, não é mesmo?
ㅤ — É verdade… — disse Terry, dando mais um trago no cigarro e baforando a fumaça.
ㅤ — Você ainda não parou com essa porcaria?
ㅤ — Sabe que não… isso aqui me faz relaxar…
ㅤ — Que situação, hein? — e o condutor inclinou a cabeça, desviando de Terry para tentar olhar para dentro do restaurante. — Tá hospedado aí?
ㅤ — Não! Só vim comer… Eu estou vagando por aí, esperando o próximo trem para voltar para casa. — deu uma pausa para perguntar — Não vai comer nada? Pegar a estrada de barriga vazia é foda, hein?
ㅤ — É verdade… Deixe eu estacionar essa criança aqui.
ㅤ O jovem era Rock Howard, filho adotivo do Running Wild e biológico de Geese Howard, maior algoz de Terry e assassino de Jeff Bogard. O louro mais novo encostou a moto num acesso ao lado, desmontou e seguiu o pai boa-vida, que jogava a guimba do cigarro no chão de terra batida e pisava em cima. Os dois entraram no restaurante, fazendo com que Alejandra aumentasse gradativamente o fogo no rabo.
ㅤ — Quem é esse? — Alejandra dirigiu a pergunta para Terry.
ㅤ — É meu filho! — respondeu o gandaieiro.
ㅤ — Tão lindo quanto o pai… — disse a jovem latina para o rubor de Rock, que desviava o olhar, inclinando a cabeça.
ㅤ — Garota! — Terry chamou atenção. — Meu pedido tá pronto?!
ㅤ — Uhum… quer que eu vá buscar? — ela retrucou.
ㅤ — Por favor! — disse o louro, franzindo as sobrancelhas.
ㅤ Rock fez um sinal para Terry querendo saber quem era aquela garota e este apenas abanou a mão, um sinal que dizia para não dar atenção à latina.
ㅤ — ‘Tava lembrando aqui… — começou Rock já em voz alta. — E Ukee? Nunca mais o viu?
ㅤ — Garoto… Nunca mais, sabe! Oh macaquinho filho da puta! Meteu o pé mesmo. Depois de tudo o que fizemos por ele…
ㅤ — Pois é… Ainda acho que um dia você reencontra…
ㅤ — Muito difícil, garoto! — Terry desviou a atenção para o balcão, tentando embicar a cabeça para ver o que acontecia na cozinha, falando mais alto para que a garota escutasse — Tá matando o boi e o porco, garota? Que demora é essa, hein?
ㅤ — ‘PERAAAEE’… — gritava lá de dentro da cozinha.
ㅤ Rock balançou a cabeça em sinal negativo, franzindo a sobrancelha para Terry.
ㅤ — Não tá vendo que a moça tá trabalhando sozinha, Terry?
ㅤ — E daí? A cada segundo que passa, mais fome eu tenho.
ㅤ — Se acalme…
ㅤ — Se o meu tá demorando assim, imagine o seu…
ㅤ — Eu tô tranquilo…
ㅤ Terry levou a mão destra aos cabelos, jogando-os para trás enquanto que, quase instantaneamente, alguns fios voltavam-lhe à face. Partiu dele a pergunta seguinte:
ㅤ — E tua vida? Como vai?
ㅤ — Eu vou levando do jeito que dá, Terry. Ando fazendo umas gigs (se apresentando em público com uma banda)… dá pra tirar uma graninha…
ㅤ — E as lutas? Anda saindo na porrada com alguém?
ㅤ — Ultimamente até que não… É difícil hoje em dia você sair no braço sem ter a intervenção rápida de uma autoridade. A não ser por aqui por 2nd South que tudo acontece e poucas pessoas se metem…
ㅤ — Pois é… Gostaria que você tivesse participado dos últimos torneios… Não te vi neles…
ㅤ — Quando eu fiquei sabendo, era tarde demais… Já havia passado as inscrições.
ㅤ — Imagino…
ㅤ A garota trouxe os sanduíches, os dois. Terry se enfezou quando viu o de Rock pronto junto com o dele. Bateu com o punho na mesa, fazendo a garota recuar de espanto.
ㅤ — Foi por isso que você demorou pra trazer o meu?! Estava esperando terminar o dele, né?!
ㅤ — Calma, Terry! Pra que isso? — Rock tentou acalmá-lo.
ㅤ — Porra, garota! — disse Terry mais calmo — Você merecia uma coça! HAHAHAHAHAHAHAHA…
ㅤ Ela deu um sorriso sem graça. Pai e filho pegavam seus sanduíches e o mais velho começava a comer com uma avidez espantosa. O louro de olhos rubros meneou a cabeça em negativo enquanto mastigava calmamente o seu.
ㅤ — Por que você continua comendo… Na verdade… a pergunta deveria ser: Como você consegue comer assim? — disse Rock logo depois de engolir o que mastigava.
ㅤ Alejandra arregalou os olhos ao ver Terry destroçar o sanduíche com carne bovina, bacon em tiras, presunto, ovo, queijo, alface, tomate e cebola, além do pão e molho. Rock por fim deu de ombros, enquanto o velho americano disse:
ㅤ — ‘Trâs oma Pâpsi!”
ㅤ — Hmm? — fez a garota, avançando a cabeça numa expressão interrogativa.
ㅤ — Ele tá pedindo uma Pepsi! — Rock acabou traduzindo.
ㅤ Depois que acabaram de comer, Rock fez questão de pagar a conta dos dois e deixar a gorjeta. Antes de passar pela porta do estabelecimento, Terry se virou e disse para Alejandra:
ㅤ — ‘Vê se toma jeito, garota!
ㅤ Ela sorriu, dando um “tchauzinho” sedutor.
ㅤ Do lado de fora, pai e filho apertavam as mãos numa despedida que soava mais como um tão logo do que um adeus. Terry piscou para o garoto e perguntou:
ㅤ — Quando é que você vai aparecer para ver o Jack?
ㅤ — É verdade… Qualquer dia desses eu apareço lá… Me preocupo pelo fato de você estar parado num lugar, Terry… Nós dois sabemos o quanto isso é perigoso…
ㅤ — Vai colocar isso na cabeça da Sky… Eu não consigo dormir sossegado… Parece que vejo vagabundo aparecendo de todo canto…
ㅤ — Imagino, Terry…
ㅤ — Ah! — fez o mais velho — Encontrei suas duas irmãs…
ㅤ — Duas?
ㅤ — Sim… Esqueceu da Anita?
ㅤ — É verdade… Ela se tornou atriz de filmes adultos, né?
ㅤ — Isso… — o estradeiro mais velho se tornou reticente por pegar um cigarro no maço e acendê-lo. Depois de dar a primeira tragada, baforou a fumaça para continuar. — … Encontrei em Las Vegas… Eu estava fazendo um serviço lá, montando uns stands.
ㅤ — Maneiro… E como ela está?
ㅤ — Me parece bem… — disse Terry escondendo o real problema que a filha vem enfrentando com as drogas.
ㅤ — Hmm… E a Anne?
ㅤ — Saiu da USAF… — deu outra tragada no cigarro.
ㅤ — Como assim?
ㅤ — Pois é… — baforou a tragada anterior — Aconteceu algumas coisas entre ela e os canas enquanto a gente tentava “salvar o mundo” por aqui naquele torneio que a Sky realizou…
ㅤ Rock inclinou a cabeça, passou a mão sobre os cabelos e suspirou. Terry tentou desanuviar o filho.
ㅤ — Hey, garoto! Você não tem nada a ver com isso, ok?
ㅤ — Uhum… — disse um Rock que desviava o olhar, mudando de assunto — E sua vida, Terry? Como anda levando?
ㅤ — Olha, garoto! Parece que tudo diminuiu na minha vida desde que Jack nasceu… — dava outra tragada, seguido de uma curta pausa para baforar mais uma vez a fumaça — Às vezes desconfio que minha caceta também deva ter diminuído, sei lá…
ㅤ — HAHAHAHAHAHAHAHA… Por que diz isso, Terry?
ㅤ — Como menos, fodo pouco, luto quase nunca. A única coisa que aumentou foi as horas acordado.
ㅤ — É… dá pra perceber que você perdeu peso. Mas nem basquete tem jogado?
ㅤ — Garoto… Só pratico arremessos em casa. Não tenho como ir a lugar algum jogar, tá ligado?
ㅤ — Puta merda, hein?
ㅤ — Uhum… Fazer o que, né? Pobre quando põe filho no mundo, já sabe que vai se foder!
ㅤ — Pois é… — O garoto lembrava da mãe quando ficou doente e ele foi até o pai biológico, não obtendo auxílio. — Preciso ir, Terry! Nos vemos por aí… Vamos marcar para bater um street… — basquete de rua — … Mas sem aquelas suas malditas cestas de 3.
ㅤ — Aaah… Olha quem fala… o maceteiro das fintas… Valeu, garoto! Foi bom te ver novamente.
ㅤ Um aperto de mão, seguido de um demorado abraço se seguiu. O garoto partia, ligando a moto com aquele motor fazendo um escândalo na noite. O velho Lobo terminou aquele cigarro, jogando a guimba contra o solo e pisando. Atravessou a estrada e foi em direção à linha férrea, deitando-se próximo dos trilhos. Se um trem estivesse vindo na madrugada, ele acordaria com a trepidação de antemão, tendo que se virar para pegar a locomotiva em movimento.
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Sex Jul 13, 2018 12:01 am

ㅤ Mas não foi o que aconteceu. O trem de carga com destino à 2nd South só veio realmente pela manhã. Terry já esperava, escondido para que o maquinista não fixasse atenção a um homem na beira da estrada de ferro. Passou a locomotiva e o louro já estava correndo. Havia uma estação próxima fazendo com que o trem entrasse no ponto de desaceleração, facilitando e muito a vida do Running Wild. Ele procurou o vagão plataforma, lançando sua mochila sobre o mesmo e saltando por sobre a parte complementar lateral. O impacto foi grande no piso, onde ele saiu rolando e praguejando. Verificou se havia sérias avarias e se estirou no assoalho do vagão, suspirando.
ㅤ — UFA!…
ㅤ Havia um saco vazio perto da cabeceira norte, com alça que parecia ser de correspondência. Também tinha um caixote e cordas. Terry estava no primeiro vagão de carga que a locomotiva puxava, o próximo vagão estava repleto de troncos de árvores empilhados. O louro se deitou, colocando sua mochila abaixo da cabeça e deixou aquela manhã lhe tirar o frio que passou na madrugada.
ㅤ O louro sabia que deveria se esconder quando a locomotiva fizesse a parada na Estação antes de cruzar a ponte em direção à ilha. Tudo planejado, quando o trem desacelerou na Estação, o velho Lobo deitou de lado, colado àquela parede lateral. Porém aquele vagão que ainda trazia partes úmidas deixou uma surpresa desagradável quando o vagabundo foi omitir a sua figura – assim não podendo ser visto por aqueles que estavam na plataforma esperando o Super Liner, já que havia uma boa distância entre a plataforma e os trilhos onde aquela locomotiva repousava – deitado de lado. Por puro instinto ou fosse lá o que fosse, Terry virou a cabeça pra cima, olhando para o norte do vagão. Bastou essa visão para que ele começasse a pedir por todas as deusas da sorte de todas as culturas do universo. Uma maldita lesma se aproximava lentamente em direção à sua cabeça. A locomotiva não partia, a plataforma agregava mais pessoas – inclusive funcionários da Estação – e suas orações só aumentavam, em quantidade e velocidade. Cada vez mais perto, mais perto, deixando aquele rastro que cintilava ao brilho da luz. O molusco parecia determinado a atazanar o dia de Terry. O vagabundo foi deslizando seu corpo mais ao sul do vagão, em linha reta, bem devagar, porém a porcaria do caixote estava em seu caminho. Se ele tentasse empurrá-lo, poderia chamar a atenção dos funcionários – e até de alguns passageiros na plataforma de embarque – para o vagão.
ㅤ A maior cagada foi quando o Super Liner encostou ao lado, chamando atenção de todos os passageiros e dos funcionários que deveriam se atentar para que não houvesse nenhum acidente. Os passageiros entraram no trem e este começou a partir. Terry se levantou rapidamente para lançar uma bicuda na lesma, sendo visto por alguns passageiros no Super Liner ao lado. Mas não havia como ninguém avisar ou alertar nada, o trem já partia. A lesma voou por cima da parede lateral do vagão, desaparecendo, enquanto o errante voltava a se ocultar naquele mesmo local. Ficou assim até que o trem de carga 388 saiu daquela Estação e pegou seu rumo à ponte de treliças que ligava o continente à ilha. À sua esquerda, naquela ponte, ele tinha a visão da ilha se aproximando. Acendeu um cigarro e ficou imaginando se Lilith estava trabalhando naquele momento. Lá estava o Running Wild, trajado com sua jaqueta marrom de couro com gola de pelúcia, provavelmente uma réplica das clássicas jaquetas de aviador, trazendo padrões no dorso parecidos com os do grupo Umbriago – uma estrela branca sobre uma esfera azul – com a diferença de que abaixo do símbolo havia a inscrição “Running Wild”. No braço esquerdo da jaqueta, logo abaixo do ombro, uma estrela dourada era circulada em azul sobre a inscrição “Airborne”. Havia ainda uma etiqueta no peito destro, com a mesma inscrição abaixo do símbolo do braço. O vagabundo usava uma camisa branca sem estampas por baixo, encerrada na sua inseparável calça jeans e o cinto com fivela de aço. Desert boots nos pés e seu tesouro pessoal nas mãos: as luvas meio-dedos dadas por seu pai, Jeff Bogard.






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Prólogo

Mensagem  Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko em Qui Jul 19, 2018 10:01 pm





Prólogo




ㅤㅤㅤㅤTerritório que atualmente é a Rússia, 400 d.C.

ㅤㅤㅤㅤ- Vamos me solta, sabe que tenho que voltar para casa, meu marido chega hoje. – falo me desvencilhando das mãos de meu amante.
ㅤㅤㅤㅤSai de sua tenda e voltava correndo pelas ruas em direção a minha casa. Essa ficava um pouco afastada do vilarejo, meu marido trabalha nas florestas como lenhador, ali era mais perto do seu trabalho que uma casa no meio do furdunço e nojeira da vila.
ㅤㅤㅤㅤMas algo aconteceu, eu estava correndo, agora não estou mais. Meu corpo está caído contra o chão frio da floresta, um líquido quente escorre pelo meu corpo. Sinto uma pisada pesada sobre minha cabeça e tudo está escuro.

ㅤㅤㅤㅤInferno, tempo indefinido.

ㅤㅤㅤㅤ- Deve ser por isso que os humanos acham que você foi a responsável por gerar os primeiros demônios. – sinto a presença dele um pouco antes de ouvi-lo.
ㅤㅤㅤㅤSorri e me virei para olhar para meu irmão. Ele já está próximo passando a mão no meu rosto e me abraçando.
ㅤㅤㅤㅤ- Você sabe que gosto de ver os demônios nascendo, Hades. – respondo ainda envolvida no abraço e deixando um beijo no seu rosto. – Precisa de mim?
ㅤㅤㅤㅤEle não respondeu sua atenção foi desviada, junto da minha, para mais uma eclosão. Mais uma alma transformando-se em demônio após passar um tempo em seu casulo. Nosso reino era o único que eles nasciam com sexo distinto. Não que isso importasse, tinha muitos que mudavam ao longo de sua evolução dentro da sociedade e alguns até preferiam ser os dois.
ㅤㅤㅤㅤ- Isso me faz lembrar quando você nasceu. – era a voz de Hades voltando novamente sua atenção para mim.
ㅤㅤㅤㅤ- Mas eu não nasci junto com você? – questionei o fato de ser irmã gêmea dele.
ㅤㅤㅤㅤ- Hum... Verdade. – ele responde com os pensamentos distantes. – Mas não vim aqui para isso, preciso que vá fazer uma de suas visitas a Terra.
ㅤㅤㅤㅤDetestava aquela sensação. Eu sempre estava certa ao desconfiar de alguma coisa, odiava saber que meu irmão mentia para mim, aquilo era pior que qualquer outra coisa que poderia me assolar. Mas talvez não seja por acaso que minha mente é invadida com imagens de outro tempo, talvez não sejam memorias dos renascidos. Era raro, mas alguma memoria da alma humana pode aflorar no demônio e quando isso acontece é sempre ruim, muito ruim. O fim era a obliteração, você deixava de existir para sempre. Enquanto volto para o castelo ao lado de meu irmão, meus pensamentos são silenciados e jogados ao fundo de minha memoria, lacrados e bloqueados.
ㅤㅤㅤㅤ- O que devo fazer dessa vez por lá? – perguntei tentando mudar o rumo da minha mente para algo mais consistente.
ㅤㅤㅤㅤ- O de sempre, colocar algumas almas nos trilhos diretos para nossa casa, você é a melhor nisso maninha. – ele sorri para mim, mais uma vez a sensação incomoda.
ㅤㅤㅤㅤ- Minhas regras por lá? – perguntei erguendo uma sobrancelha o encarando.
ㅤㅤㅤㅤ- Com certeza, suas regras, Lilith. – ele pisca e me empurra com um tapa na minha bunda.
ㅤㅤㅤㅤEle tramava alguma coisa e isso me fez pela primeira vez fazer as coisas nas costas de meu irmão. Conhecimento no inferno é poder. Fui obter o meu.

ㅤㅤㅤㅤTerra, 2008 a 2015.

ㅤㅤㅤㅤ- Vamos Yukito!
ㅤㅤㅤㅤEra mais um dia da minha vida tentando convencer meu irmão sobre minha ideia de empresa, ele não precisaria fazer nada, nem dar um tostão sequer. Só teria que me deixar usar o nome dos Skyamiko para promoção do meu negocio. E ele mais uma vez enrolava falando sobre conversar com os outros.
ㅤㅤㅤㅤ- Calma maninha. – ele falava enfiando um doce na boca. – Tem jantar com todos hoje na casa do Gaara. Deveria aparecer lá.
ㅤㅤㅤㅤ- Eu não, Yukito. – falo revirando os olhos para ele. - Aquelas garotas ficam me olhando torto, perco até o apetite. – jogo de lado uma mecha do meu cabelo e saio rebolando pela porta. - E outra, vou ficar com vontade de transar com o Shaka de novo, aí sim as mulheres vão me odiar. - ergo a mão acenando sem me virar e puxo a porta do escritório dele atrás de mim. – eu vou ir trabalhar me liga para falar o resultado do jantar.
ㅤㅤㅤㅤEu já tinha passado por dois casamentos fracassados quando encontrei com meu irmão. Na verdade ele me adotou na família dele, depois de escutar uma madrugada inteira das minhas lamurias. Ele me deu uns sermões bem merecidos, mas ainda sim não me repudiou e me convidou para fazer parte da família.
ㅤㅤㅤㅤ- Como assim me adotar? Eu já sou bem grandinha para isso, não?
ㅤㅤㅤㅤ- Para de besteira, você pode ser uma de nós. E será. – a voz dele passava determinação.
ㅤㅤㅤㅤE depois foi eu quem ouviu várias histórias de cada membro que existia na família Skyamiko e que iria conhecer todos eles, menos os primeiros. Os pais de Yukito eram a muito falecidos, eles sempre passaram um jeito diferente de família para seus filhos, os de sangue e os adotados.
ㅤㅤㅤㅤDepois de uma semana daquele papo eu era uma Skyamiko e com isso veios os problemas. Ao mesmo passo que eu posso encantar boa parte do público a outra parte me detesta com todas as forças, também. Alguns integrantes da família, por incrível que pareça, todos femininos, não suportavam minha presença e sempre promovendo confusões quando eu estava em algum mesmo lugar que elas. Era exaustivo, deixei para lá e meu contato ficou sempre mais focado no Yukito.
ㅤㅤㅤㅤFoi nessa aproximação de amizade que adquirir confiança e contei para ele sobre quem eu era e o que pretendia fazer aqui na Terra.
ㅤㅤㅤㅤ- Eles não compreendem o que é uma alma humana. – eu falava inclinada sobre a mesa o encarando. – Nem eu entendia para mim aquilo era daquela forma e pronto, não tinha por quês e nem nada. – eu começava a baixar o tom de voz e percebia-o também aproximando o rosto do meu para poder me ouvir. – Mas num dos livros que estava lendo, estava bem claro que sem alma humana não existe nem céu e nem inferno, não existe nada, eu não existo e nem eles.
ㅤㅤㅤㅤ- E o que você vai fazer com isso? – ele pergunta sussurrando como eu estava.
ㅤㅤㅤㅤ- Bom! Primeiro eu tenho que arrumar um jeito de tirar Hades do poder do Reino. Assim vão ficar instáveis as coisas lá embaixo. Mas também preciso de algo que possa ser impactante para não danificar as coisas na Terra. – ajeito o cabelo atrás da orelha e olho no nosso arredor e continuo. – Etzel pode me ajudar nisso, mas isso vai demorar anos e eu não posso deixar aberturas para os outros. Se não eles vão usar de tudo para darem fim em mim. – olho mais uma vez ao redor e volto a falar ainda mais baixo. – E segundo o livro que li, se a Terra for abalada com tais coisas, tudo pode implodir de vez e assim desaparece o Inferno e o Céu. E Wyrm – entidade cósmica da destruição. - devoraria a Terra.
ㅤㅤㅤㅤ- Então você deve pensar se faz tudo isso. – ele fala pela primeira vez com uma expressão preocupada e acaba retirando da boca o pirulito que apreciava. – Implica muitos e vai além do que você pode fazer, Lilith.
ㅤㅤㅤㅤ- Eu sei, mas isso não vai ser agora e talvez que nem nos próximos cem anos, eu estou aqui estudando a humanidade. – eu volto a me recostar na cadeira e pego a taça de água a minha frente bebendo todo o conteúdo. – E pode ser que eu encontre outro meio de ajudar os humanos.
ㅤㅤㅤㅤ- E você quer fazer isso, por quê? – ele pergunta com o ar curioso.
ㅤㅤㅤㅤ- Por que eles são responsáveis pela minha existência e não sei, pode ser que eu tenha sido uma deles antes. – eu respondo olhando pela janela do estabelecimento para o movimento da rua.
ㅤㅤㅤㅤ- Hum... Você não é gêmea de Hades? – ele questiona.
ㅤㅤㅤㅤ- É. Foi o que ele disse. – desvio o olhar para encara-lo e deixo um sorriso triste surgir em meu rosto.
ㅤㅤㅤㅤA Europa era um bom lugar para se viver, mas não ficaria ali em Londres por muito tempo. Queria ir para a Rússia dar continuidade aos meus negócios, lá podia se encontrar pessoas leais ao serviço desde que fosse cumprida a parte do acordo com eles.
ㅤㅤㅤㅤMinha demora em partir foi por que estava acomodada naquela família, vivia bem em um apartamento no centro da cidade e podia trabalhar de qualquer lugar do mundo sem ter muitos problemas. Quando encrencava alguma burocracia eu aparecia para resolver, nada que conchavos políticos não resolvessem.
ㅤㅤㅤㅤO que eu fazia era administrar uma instituição sem fins lucrativos para financiar escavações arqueológicas. Depois de analisado o que era descoberto, eu vendia para museus, colecionadores ou mantinha comigo. Porém, o mercado negro possuía muitos ladrões nesse ramo da arte e eu tinha que lidar com alguns para manter meu negócio sem maiores rombos. E tudo estava muito bem encaminhado e funcionando.
ㅤㅤㅤㅤE foi em Londres que achei minha nova decepção. Que mania a minha de me encantar por paus, isso sempre foi minha derrota na minha vida aqui na Terra. E dessa vez eu nem sei falar o que foi que me atraiu nesse cara. Os cabelos brancos? Não sei, por que a foda era muito ruim. E o papo era bem irritante. E no fim, eu acabei descobrindo uma traição, paguei na mesma moeda. Contudo eu fui a que mais perdi. Casar com Nero trouxe a vida Alexandra, minha filha. E eu tive que mata-la quando essa completou seus seis anos de idade.
ㅤㅤㅤㅤE dessa vez eu me isolei de vez na Rússia, virei uma noturna, mal vista por todos. E quando estava presente em algum lugar era por pura teatralidade, para fechar algum negocio ou agilizar alguma burocracia. Algo dentro de mim morreu junto com minha filha. Aquele calor que me fazia fazer as coisas para os outros, a sede em conhecer, vontade de burlar o sistema do inferno para as almas terem um destino melhor após a morte, tudo isso estava fraco. Meu propósito em meio aos humanos estava sumindo.
ㅤㅤㅤㅤMeu único consolo foi poder fazer um pacto com o arcanjo Miguel.
ㅤㅤㅤㅤ- Por favor! – eu estava implorando.
ㅤㅤㅤㅤDe joelhos dobrados, as mãos sujas de sangue ainda mantendo o corpo da minha criança vivo para que ele pudesse leva-la para o Céu. Lá ela não poderia ser usada por ninguém do inferno e nem da Terra.
ㅤㅤㅤㅤ- Por que eu deveria fazer isso por você, Lilith? – aquelas palavras estavam me machucando mais que a própria dor que eu sentia.
ㅤㅤㅤㅤ- M-miguel. – minha voz falhou, não pude mais falar, mas ergui meus olhos para encara-lo.
ㅤㅤㅤㅤ- O acordo está selado, ela estará sempre comigo, um dia lhe cobrarei sua parte. – as palavras dele foram como um bálsamo e eu pude soltar o corpo da menina.
ㅤㅤㅤㅤEu a senti morrer em minhas mãos e recuei sem olhar para sua alma sendo levada por Miguel. Não sei o que fez o arcanjo aceitar o acordo, talvez já visse o quanto aquilo já estava me torturando. O motivo de eu ter matado minha própria filha, foi a falta de cuidado. Eu a tive em meu corpo demoníaco. Ela se tornou um perigo para toda a humanidade, tanto viva quanto morta. Demorei seis anos para achar um modo de resolver o grande problema que eu havia criado. A alma dela teria que ser entregue nas mãos dos celestiais, somente eles poderiam protegê-la e evitar que qualquer coisa acontecesse ao mundo humano.
ㅤㅤㅤㅤEsse foi um dos momentos que tentei esquecer na minha solidão na Rússia e foi o único momento que perpetuou e ainda perpetua em minha mente. Minha organização continuou, virei uma engrenagem importante para mantê-la erguida. Consegui obter riquezas e também um bom nome no meio. Alguns dos meus funcionários foram evoluindo, alguns deles fazem parte desde o início de tudo, tornando-se de confiança. Foi quando comecei a delegar, e eles faziam várias tarefas que eu antes eram minhas.
ㅤㅤㅤㅤEm um dia de estudo e de tomada de decisões, eu pretendia voltar ao inferno. Já havia cumprido o trato com Hades, uma quantidade grande de almas estavam encaminhadas para seu reino. Mas minha atenção fora chamada novamente para a América, uma cidade que eu ainda não havia ouvido falar sobre, uma curiosa quantidade de energia sobrenatural existia na região e não só cobria a área da cidade. Mostrava-se maior, podia supor que eram duas cidades que compreendia aquela região.
ㅤㅤㅤㅤ- É um bom lugar. – a voz me surpreendeu.
ㅤㅤㅤㅤ- Irina? – eu perguntei me virando para encarar a mulher.
ㅤㅤㅤㅤ- Não sabia que me conhecia. Mas esse lugar, Second, já estive por lá. É bom. – ela continuou como se fosse uma estranha para mim.
ㅤㅤㅤㅤ- Você é bem familiar para mim, mas isso não é a questão. Por que está aqui? – perguntei deixando de lado por aquele momento a certeza de que ela era uma das minhas irmãs Skyamiko.
ㅤㅤㅤㅤ- Ouvi sobre seu trabalho, a recepcionista falou que eu podia entrar. Desejo uma relíquia, talvez você conheça. – enquanto ela falava e mexia na bolsa eu deixei meus olhos fixos nela.
ㅤㅤㅤㅤ- Você é uma das Skyamiko, não é? – perguntei ao receber os papeis que ela me entregava.
ㅤㅤㅤㅤ- Não sei do que você está falando. – foi a resposta que ouvi, mas minha atenção agora estava na fotografia que eu tinha em mãos.
ㅤㅤㅤㅤ- Hum. – foi o que murmurei, ela estava mentindo e eu não sabia o porquê e não estava interessada em saber o motivo. – Artefato interessante, mas parece que ele já é seu, não? – questionei erguendo os olhos novamente para o rosto da ruiva a minha frente.
ㅤㅤㅤㅤ- Foi roubado ontem à noite. – ela esclareceu.
ㅤㅤㅤㅤ- Entendo. E eu posso ajudar como mesmo? – continuo sem entender o motivo da visita, eu não era policial e menos ainda investigadora.
ㅤㅤㅤㅤ- Sei que você conhece muitas pessoas, talvez possa me dizer quem poderia estar em posse da peça. – ela me respondeu e começou a caminhar pela minha sala.
ㅤㅤㅤㅤ- Não sei. Várias pessoas, na verdade. Não pegaria bem ficar apontando dedos. Acho que você entende o que quero dizer. – respondi deixando de lado a fotografia e acompanhando a mulher com o olhar.
ㅤㅤㅤㅤ- Tudo bem. Irei contratar alguém para investigar. Vá para a cidade, você vai gostar de lá. – ela conclui saindo da sala e deixando comigo os papeis que havia me mostrado anteriormente.
ㅤㅤㅤㅤApós anos, naquele dia eu entrei em contato com Yukito. Queria saber se ele ainda tinha contato com Irina e se sabia o porquê dela está se identificando com outro sobrenome e ocultando que é uma Skyamiko.
ㅤㅤㅤㅤA conversa foi breve e rápida, descobri a morte do meu irmão Gaara nela e nenhuma resposta sobre o paradeiro de Irina.
ㅤㅤㅤㅤ- Ela é a única que ainda tem birra com você, Lilith. Talvez ela queira reconciliação. – foi o que ele me respondeu pelo telefone.
ㅤㅤㅤㅤ- Está bem, ‘doce’. – foi o que respondi, fazendo alusão ao vicio dele por guloseimas.

ㅤㅤㅤㅤSecond, tempo atual.

ㅤㅤㅤㅤNão posso dizer que deveria ter ido para o inferno ao invés de ter viajado para Second. Por que seria arrependimento, apesar de existir alguns em detrimento a atos ruins que eu fiz, mas ter ido para cidade não foi de todo mal. Não posso me arrepender das pessoas que conheci e menos ainda inferiorizar a pessoa com quem estou vivendo hoje.
ㅤㅤㅤㅤFoi um período de árduo crescimento, ainda está sendo na verdade. E foi também nessa cidade que pude novamente sentir o calor dentro de mim, a vontade de conhecer, a vontade de ajudar. Tudo aquilo que estava apagado desde a morte da minha filha, estava novamente aceso.
ㅤㅤㅤㅤHá uma grande história para eu contar sobre minha morada nessa cidade, ficaria muito difícil faze-la de forma resumida. Com certeza eu esqueceria coisas importantes e até mesmo necessárias para o entendimento do todo. Vamos para o dia da chegada do meu marido, e também adversário, a cidade de Second após uma viagem de três semanas. Outras coisas estarão detalhadas mais a frente.
ㅤㅤㅤㅤUm dia após ele sair de casa ela chegou.
ㅤㅤㅤㅤ- Tia Lilith! Tio Terry pediu para eu ajudar a tomar conta do Jack. – a garota ruiva mastigava algo doce, descobri pelo hálito dela ali parada na porta da frente de minha casa.
ㅤㅤㅤㅤEu acabara de abrir para poder ir ao trabalho, já havia preparado meu filho para ir comigo quando ela apareceu ali do nada.
ㅤㅤㅤㅤ- Candy. – murmurei dando passagem para ela.
ㅤㅤㅤㅤ- Deixa esse fofo comigo e pode ir trabalhar sem preocupações! – ela falou tirando o Jack do meu colo e levando-o de volta para dentro de casa.
ㅤㅤㅤㅤFiquei um pouco parada para processar aquilo e deixei um suspiro escapar pelos meus lábios e tirei a bolsa do ombro levando de volta para dentro da casa.
ㅤㅤㅤㅤ- Aqui estão as coisas dele que havia separado para o dia. Volte essa comida para a geladeira e o leite também. Se demorar a alimentar ele, vai receber um alarme nada amável de choro. Então não esqueça os horários, está na porta da geladeira, deixo para lá o Terri usa-lo.
ㅤㅤㅤㅤE a garota ficou na casa pelos dias seguintes, quando eu chegava do trabalho ela dormia igual uma pedra no sofá da sala depois de comer.
ㅤㅤㅤㅤJá havia passado do dia marcado pelo loiro para seu regresso e aquilo me inquietou.  Que foi se seguiu com um recado que recebi no museu, o que me deixou ainda mais chateada. Apesar de minha fisionomia passar irritação, estava irritada mesmo, mas a ira era o escudo para não notarem o quão chateada eu estava.
ㅤㅤㅤㅤ- Uma mulher deixou avisado. Seu marido está bem e chegará daqui uns dias. – Dona Mônica me informou e fez questão de acrescentar. – Não sou garotas de recados sua, Lilith. Avisa seu marido para parar de passar o telefone do museu para qualquer uma que ele encontra. – ignoro as palavras dela e resolvo perguntar outra coisa.
ㅤㅤㅤㅤ- A pessoa deixou identificação? – falo olhando para a cara dela sem expectativa de ter resposta.
ㅤㅤㅤㅤ- Hunf! Anita. – ela responde após alguns minutos quando me vê indo para longe da mesa dela.
ㅤㅤㅤㅤNão sabia quem era e isso só aumentou a chateação. Depois da viagem que fizemos, não tenho lembrança dele mencionando nenhum nome parecido com esse e nem foi ninguém que encontramos pela estrada. Estava parecendo que ele deixava de lado algumas coisas da vida, talvez pensasse que não tivesse importância eu saber.
ㅤㅤㅤㅤFoi nesse mesmo dia, após o expediente de trabalho a caminho de casa. Que recebi uma ligação de um conhecido no meu celular.
ㅤㅤㅤㅤ- Noah? – perguntei surpresa.
ㅤㅤㅤㅤ- Fala aê! Estou aqui na cidade no continente a leste da ilha de 2nd. Queria da uma palavrinha contigo, ruiva. Mas não posso deixar o lugar. Sabe como é meu trabalho, né?
ㅤㅤㅤㅤ- Sei. Verei o que posso fazer, Terri viajou e não posso deixar meu filho sozinho. – falei como se ele já tivesse a par de tudo isso.
ㅤㅤㅤㅤMas ele não estava e ficou um tanto espantado com a informação. Contudo logo se recuperou do espanto e avisou que estaria me aguardando e me passou o endereço que deveria ir. Como eu estava com meu treino sempre em dia, desde o momento que passei a morar com Terry. Todo dia eu ia e voltada para o serviço fazendo corrida. E em períodos de sono do Jack à noite, após o jantar, eu treinava no quintal nos diversos equipamentos que ele havia preparado para mim, como também próximo ao rio, onde eu trabalhava mais com o espirito. Usando as coisas ao meu favor e não deixando todo o poder infernal me dominar.
ㅤㅤㅤㅤE por estar em forma, fui para casa correndo em um tempo menor que já havia afeito até aquele dia. Treinar o kickboxing me ajudava muito a retirar o estresse do dia que acumulava em meu corpo. E foi que fiz antes mesmo de irromper dentro de casa.
ㅤㅤㅤㅤDepois de comer, expliquei como seria o dia seguinte para Rebecca, falando que só chegaria no outro dia, pois tinha que ir até o leste da ilha no continente para uma reunião. Caso o meu marido chegasse ela avisasse que eu voltaria na manhã seguinte. E que também deixaria a moto caso ela precisasse numa emergência.
ㅤㅤㅤㅤNoah era um mestiço, seu pai era Lúcifer e o garoto cismava que era meu primo. Nada tirava essa ideia da cabeça dele, então parei de tentar argumentar. Simplesmente aceitei o primo de bom grado e até então não havia me dado problemas nossa relação. Na verdade eu havia causado mais problemas para ele que ao contrário. Vide o torneio que fiz, Legend Of Universe, que o arrestei para o meio daquilo tudo para ele poder julgar as lutas para mim.
ㅤㅤㅤㅤ- Eu não pensei que viria. – ele falou ao atender a porta. – Você tem mesmo agora um moleque para tomar conta? – a pergunta dele tinha um tom de preocupação.
ㅤㅤㅤㅤ- Sim, tenho! O nome dele é Jack. E ele não é nenhuma aberração, então para de me olhar com essa cara. – falei enquanto o empurrava para dentro e entrava no apartamento que ele estava.
ㅤㅤㅤㅤ- Okay, okay. Isso não é da minha conta, não foi por isso que te chamei. – ele apontou para uma sala com uma grande janela de vidro que permitia eu ver do lado de dentro. – Foi por causa daquilo ali.
ㅤㅤㅤㅤ- O que é isso? – eu perguntei me aproximando e fiquei paralisada quando reconheci para o que estava olhando.
ㅤㅤㅤㅤ- Ele fugiu. – ele chegou falando ao meu lado.
ㅤㅤㅤㅤ- Hades. – eu murmurei olhando fixamente para o homem machucado e raquítico que estava deitado no chão da sala envidraçada.
ㅤㅤㅤㅤJá estava quase amanhecendo quando eu estava no pátio de trens da cidade. Eu tinha que voltar, havia aprendido também com o meu marido, como pegar caronas sem precisar gastar dinheiro. E foi que eu fiz, não tinha mais dinheiro, só receberia daqui dois dias, tinha que guardar para comprar as coisas dentro de casa.
ㅤㅤㅤㅤDeixei instruções para Noah e falei que precisava voltar para casa. Teria de pensar o que fazer, mesmo sabendo que não poderia demorar muito para ter uma solução, pelo menos não para aquilo. Descobri qual trem de carga iria para Second e pulei nele, no primeiro vagão de carga, logo atrás da locomotiva. A minha frente tinha toras enormes, mas ficar naquela plataforma aberta me traria mais problemas que solução.
ㅤㅤㅤㅤEu tinha contornado as toras quando o trem começou a se movimentar. Fiquei escondida num vão entre o terceiro vagão e os das toras. Eu acabei pegando no sono, por que passei a noite em claro. Um barulho característico, tempo depois que havia adormecido, me fez abrir os olhos tendo um sobressalto.
ㅤㅤㅤㅤSenti que trem estava em velocidade baixa, mas que já começava a aumentar. Ele provavelmente tinha parado e começara a rodar novamente. Segui para o lugar que ouvira o barulho, contornado com cuidado as toras que trepidavam como loucas naquele vagão. Quando cheguei do outro lado parecia que era mentira quem eu estava vendo ali. Saltei para dentro da plataforma falando.
ㅤㅤㅤㅤ- Espero que sua parada seja em casa, dessa vez. – eu estava aborrecida, com tesão,  chateada, magoada, irritada e morrendo de saudades dele. Mas minha voz saiu mais seca que qualquer outra coisa naquele momento, não teve como evitar.



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Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko
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Re: Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf vs Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko

Mensagem  Ɽµηηιηɡ☆Ⱳιɭδ☆Steel☆Wölf em Qua Jul 25, 2018 11:53 am



Round 1 Move 1
ㅤㅤㅤVéspera da viagem à Las Vegas.

ㅤㅤㅤTerry entrou no Pao Pao Cafe já tarde da noite, segurando sua mochila pela alça que pendia sobre o ombro destro. Ao passar no balcão da casa noturna, fez um sinal para o gerente Bob Wilson, o brasileiro que havia ido para a Florida ganhar a vida quando encontrou o apoio de Richard Meyer, outro brasileiro que há muito vivia por ali, dono da marca Pao Pao. Bob, vestido com o uniforme que lhe identificava com o cargo, mas não deixando de lado seus “pererês” da cabeça, disse pra o louro.
ㅤㅤㅤ— Ela tá lá no reservado.
ㅤㅤㅤ— Ok! — respondeu o louro, que já ia caminhando, mas foi interrompido pelo gerente.
ㅤㅤㅤ— Hey! Espere aí… Leve uma caneca.
ㅤㅤㅤ— Ah… sim! Thanx, Bob!
ㅤㅤㅤQuando ele chegou à área reservada, havia uma mesa fora do foco de luz. O vagabundo pôde notar uma caneca de cerveja com o conteúdo quase no fim e uma silhueta além. Ele já sabia quem era aquela pessoa que foi se desenhando mais claramente à medida que se aproximava. Ao repousar a mochila no chão e puxar a cadeira para sentar, cumprimentou.
ㅤㅤㅤ— Fala aí, Mary! O que que manda?
ㅤㅤㅤBlue Mary, com seu cabelo louro curtinho ao bob cut, seus olhos azuis, repousando seus 1,68 m na cadeira confortável do Pao Pao, piscava para Terry devolvendo o cumprimento, vendo o amigo colocar a caneca sobre a mesa. A loura que vestia um suéter por baixo de uma jaqueta de couro, disse:
ㅤㅤㅤ— Achei que você não viria…
ㅤㅤㅤ— E por que não? — respondeu ele, já dando um longo gole na cerveja.
ㅤㅤㅤ— Por que já tá atrasado pra sair.
ㅤㅤㅤ— Achei que você já tivesse se acostumado com isso.
ㅤㅤㅤ— Hmph! — fez Mary, virando o rosto de lado.
ㅤㅤㅤ— Mas então… — ele levou a mão aos cabelos, jogando-os para trás — Qual é a boa?
ㅤㅤㅤ— Você vai ter que convencer Lilith a meter o pé de South Town. Você e ela.
ㅤㅤㅤ— Aaaaaaaaaaaah… Problemas! — o louro levantou as duas mãos em exasperação. — Me conte uma novidade.
ㅤㅤㅤ— Eu tô falando sério! A coisa toda está ficando muito perigosa. — ela terminava de falar para dar o último gole na cerveja que estava em sua caneca.
ㅤㅤㅤ— Porra, Mary! Vou fazer o quê?
ㅤㅤㅤ— Não sei! — ela deu de ombros. — Sua mulher é mais teimosa do que o Hon Fu. — policial que participou da caçada à Ryuji Yamazaki em South Town, em 1995.
ㅤㅤㅤTerry bebeu todo o conteúdo da caneca. Já ia levantando para pegar mais, quando percebeu que Bob Wilson pessoalmente vinha trazer mais duas canecas cheias, levando as vazias consigo.
ㅤㅤㅤ— Ih… rapá! O negócio aqui tá no naipe super secreto, hum? — Terry fez piada.
ㅤㅤㅤ— Você ainda não viu absolutamente nada, Bogard!
ㅤㅤㅤ— Hmmm…
ㅤㅤㅤ— Você sabe que desde a primeira vez que bateu de frente com Geese, não poderia ter uma vida normal, não sabe?
ㅤㅤㅤ— Uhum… — fez e deu um gole.
ㅤㅤㅤ— Você sabe que, mesmo que Geese esteja morto… e assim eu espero… há outras pessoas interessadas no que ele deixou pra trás, não sabe?
ㅤㅤㅤ— Uhum…
ㅤㅤㅤ— Então você deve saber também que seu nome está naturalmente atrelado a todo esse fedor de merda que se chama Geese Howard, certo?
ㅤㅤㅤ— Uhum…
ㅤㅤㅤ— Então só me explique como você fez a idiotice de fixar moradia dentro do mato? Você é retardado, por um acaso? Qualquer um poderia dar um fim nos dois e ninguém saber de nada…
ㅤㅤㅤ— Ela é imortal.
ㅤㅤㅤ— E você é? O garoto também é? Sabe qual é o problema dessas duas cidades? Nunca mais voltaram ao normal depois que Andy apareceu com aqueles trabalhos…
ㅤㅤㅤ— Meu irmão?
ㅤㅤㅤ— Não… Seto.
ㅤㅤㅤ— Quem?
ㅤㅤㅤ— Esquece, Bogard! — ela deu uma pausa, mandando uma talagada de cerveja garganta adentro. — Todo mundo pirou. De repente tínhamos duas cidades repletas de Supermen, Batmen e os caralho’. O bagulho não roda assim, cara. Essa galera tem que entender que se eles estão fazendo essas duas cidades de playground, é porque os grandões estão se divertindo. Ou você acha que 2nd South e South Town reuniu a Liga da Justiça Sem Limites?
ㅤㅤㅤ— Tsk! Get serious, Mary! Pare de neurose…
ㅤㅤㅤ— Então segure aí, bonitão! — e ela retirou um envelope de dentro da jaqueta, jogando sobre a mesa.
ㅤㅤㅤ— Que porra é essa? — disse Terry, reconhecendo alguns padrões que estavam no envelope.
ㅤㅤㅤ— Abra e veja!

ㅤㅤㅤDe volta à ponte de treliças…

ㅤㅤㅤNaquele vagão plataforma do trem 388, o americano teve sua atenção chamada por um timbre feminino que bem conhecia. Com o cigarro entre os lábios, ele virou a cabeça em direção de onde vinha a voz, que disse:
ㅤㅤㅤ— Espero que sua parada seja em casa dessa vez.
ㅤㅤㅤO Lobo se ergueu, batendo as palmas das mãos sobre a calça, deu uma última tragada no cigarro e jogou contra o assoalho do vagão, pisando sobre a guimba. Levou a mão destra aos cabelos, jogando-os para trás quase que inutilmente, já que alguns fios teimaram em lhe voltar ao rosto. Ele se aproximou até que ficasse à distância de dois passos – a distância habitual de início de combate – da ruiva e com um sorriso, ele disse:
ㅤㅤㅤ— Hmmm… Parece que você não sabe o destino deste trem, Sky! Mas isso não importa agora… É bom saber que você anda vagando por aí às escondidas… Deve tá fazendo mais alguma merda por aí, que vai acabar colocando em risco a vida de muita gente… hehe… O negócio é o seguinte… Não dá mais pra ficar preso em South Town… É gente vindo atrás de mim… e muito provavelmente vindo atrás de você… Você querendo ou não, vamos para a estrada! E agora… preciso saber se você é capaz de se safar sem fazer aquele alarde todo como da época em que seus irmãozinhos devastaram as duas cidades.
ㅤㅤㅤEle se postou um tanto de lado, dando três curtos pulos de aquecimento sobre a perna destra, onde a canhota – aquela mais próxima da adversária – ficava mais relaxada em detrimento da outra. Os braços pendiam frouxos, semi flexionados ao lado do corpo durante aqueles pulos e, ao terminar, já tinha suas pernas afastadas uma da outra, semi flexionadas, enquanto a mão canhota passava sobre o rosto, buscando retirar os fios louros teimosos que logo voltavam-lhe à face. Logo em seguida seu torso virava, estendendo a mão destra para fazer um abano provocativo, atiçando sua adversária a entrar no combate enquanto falava:
ㅤㅤㅤ— C’mon! Get serious!
ㅤㅤㅤLutar sobre um vagão em movimento requeria certa experiência que poucos, talvez apenas ele mesmo possuía. Alguns lutadores já enfrentaram adversários sobre canoas, outros sobre barcaças, outros ainda sobre plataformas suspensas e ainda havia aqueles que encaravam lutas em vagões em movimento. Terry Bogard era o cara que vivia trocando porrada em todos esses lugares. Passou a sua vida perambulando de canto em canto, onde sempre havia a oportunidade de absorver o que seus adversários tinham de bom. Era um cara que não pensava duas vezes antes de aceitar um desafio. Gostava daquilo mais do que qualquer outro mundo e daí vinha sua experiência em terrenos impróprios para lutas. Aquele balanço, pequenos saltos e trepidações do vagão plataforma não fariam diferença para o velho Lobo.
ㅤㅤㅤE assim ele não esperou. Naquela distância, ele rodou ligeiramente seu tronco para trás, onde sua mão dianteira se elevava aberta sobre a linha da cabeça, ao passo que o punho destro, cerrado, parecia anunciar que algo bruto estava por vir. O tronco girou rapidamente de volta, enquanto as pernas se flexionavam, denunciando que ele atiraria aquele punho cerrado contra o solo. Tudo muito rápido apesar da descrição. A voz do louro cortou o ar em direção à sua adversária.
ㅤㅤㅤ— POWEEER…
ㅤㅤㅤNo entanto, tudo não passava de uma distração, pois assim que o corpo dele se curvou, seu pé destro, o traseiro, foi à frente para tocar o assoalho do vagão e permitir que ele rodopiasse ainda curvado, buscando o lado externo da guarda – do lado esquerdo – da oponente, entregando uma cotovelada com o braço canhoto, bem apoiado pela mão destra que firmava a oposta, enquanto seu pé canhoto enfatizava o fim da rotação de seu corpo, buscando a região do baço… POOOW!…
ㅤㅤㅤ— Shooo!…
ㅤㅤㅤAquele giro como uma finta de basquete servia justamente para evitar uma reação em linha reta do adversário, dificultar sua contraofensiva e, mesmo que bloqueado, proporcionar um retardo na recuperação.
ㅤㅤㅤTão logo ele tivesse entregado a cotovelada, aproveitaria a carga do tronco, trabalhando o movimento das pernas, possibilitando o giro dos quadris para buscar um Shovel Hook, o soco de curto alcance, que está entre um gancho e um uppercut. É usado para atacar o adversário num ângulo de 45º. Terry utilizaria este Shovel Hook, procurando “explodir” as costelas flutuantes da sua mulher, pretendendo inclusive o estômago e desestabilizar a postura da ruiva, onde ela poderia ou arriar a parte superior do corpo, ou balançar para o lado esquerdo do vagabundo… SMAAASH!…
ㅤㅤㅤ— Heaah!…
ㅤㅤㅤDaí que viria um Uppercut com o punho canhoto. O trabalho de pernas era inevitável, onde as bolas dos pés trocavam de posição como se estivessem sido acionadas por uma alavanca de manobra de uma linha férrea. O punho canhoto vinha trincado de baixo pra cima, um tanto inclinado para buscar a parte superior da sua adversária, procurando rasgar a guarda da sua oponente e chacoalhar o cérebro daquela gostosa… BOOOM!…
ㅤㅤㅤ— Fuuu!…
ㅤㅤㅤA cabeça da adversária poderia tombar para trás, ficando totalmente desequilibrada em sua postura por conta do trabalho de pernas prejudicado devido aos golpes recebidos, se obtivessem sucesso, é claro. Assim a combinação de ataques do Lobo continuaria com um chute na lateral da canela da sua oponente. Terry viria com a perna traseira, a destra, respeitando o equilíbrio na movimentação do corpo para que não fossem criadas possíveis brechas em toda aquela combinação que fora iniciada com a cotovelada. O Low Kick poderia fazer com que Lilith perdesse completamente o equilíbrio sobre o assoalho da plataforma, que já apresentava dificuldades devido ao balanço constante. PLAFT!…
ㅤㅤㅤ— Huuu!…
ㅤㅤㅤEm caso de sucesso daquela combinação inicial, o sem-vergonha agarraria sua esposa pelo braço, semi flexionando as pernas e curvando seu tronco para arremessá-la contra a face das toras de madeira que estavam arrumadas no vagão adjacente. Conhecido como Buster Throw, o adversário deveria pensar muito rápido para se desvencilhar do mesmo, entretanto, o louro só faria este intento em caso de sua oponente ter sido alvejada pelos golpes anteriores, fazendo com que a mesma pudesse estar num estado de torpor.
ㅤㅤㅤ— HEAAAH!…
ㅤㅤㅤAquela era uma maneira de Terry começar testando a capacidade de sua adversária. Era assim que aquele vagabundo começava suas lutas, fazendo a pesquisa sobre o seu oponente diretamente no campo, procurando os pontos fortes e fracos daquele que enfrentava. Muitos diziam que isso era um desrespeito ao adversário por não pegar pesado logo de cara, porém esse estudo constante que Terry vem fazendo ao longo dos anos foi responsável pelo mesmo ampliar o seu conhecimento marcial. E é exatamente por isso que nenhum outro figurão no mundo possui o conhecimento de artes marciais que esse simples vagabundo americano detém.
ㅤㅤㅤ— Hey! C’mon! C’mon! — ele diria após o último movimento enquanto estenderia a mão destra à frente para provocar a sua adversária, chamando-a pra porrada.
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Round 1 Move 2

Mensagem  Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko em Qua Ago 01, 2018 10:34 am


Round 1 Move 2




ㅤㅤㅤㅤ2nd South, meados de 2015 a inicio de 2016.

ㅤㅤㅤㅤVocê ainda deve estar se perguntando. Por que eu saí de Moscou para Second South? Eu posso esclarecer essa dúvida fazendo dois apontamentos.
ㅤㅤㅤㅤMinha organização estava tendo muito destaque dentro da sociedade russa, para alguns isso era uma ótima forma de conseguir mais fundos. Porém eu vi que era hora de eu colocar em prática meus objetivos reais de permanência na Terra. E o segundo ponto foi ver o quanto de energia espiritual possuía numa área concentrada nos Estados Unidos. Algo que chamaria atenção de qualquer ser que parasse para prestar atenção.
ㅤㅤㅤㅤEmbrenhar-se na sociedade local era um modo simples de conseguir ter uma influência futura. Primeiro a pesquisa, conhecer o local físico e também sua história era importante. Minha atenção foi para a cidade vizinha, Southtown, quando percebi o fluxo das pessoas de uma para a outra, e também para um evento que estava sendo divulgado na época: Torneio de Luta – KOF Maximum Mayhem.
ㅤㅤㅤㅤFoi me inscrever para participar desse evento que mudou todo meu foco de quando cheguei à cidade. Uma cadeia de eventos foi levando a outros e de uma forma completamente inexplicável, ou talvez, não parei para fazer analises dos fatos, eu estava dando o passo maior que minha perna.
ㅤㅤㅤㅤE nesse ínterim de tempo eu conheci Terry Bogard, que bunda gostosa, nossa! Mas uma coisa eu estava certa quando vim para a América, eu não iria me envolver com homem nenhum, pelo menos não ter uma relação mais séria. Mas eu conheci o lendário lobo, isso responde qualquer dúvida do por que eu quis me relacionar com ele. Caso você ainda não descobriu, revise a biografia do loiro. E homens com cabelos amarelados nem fazem meu tipo! Pelas hordas infernais!
ㅤㅤㅤㅤMas não foi aparência, não foi histórico de feitos, nada disso foi o principal motivo de eu ficar com esse homem. “Seu problema...? São apenas problemas. E problemas foram criados para serem resolvidos.”; “Você pode, no futuro, fazer algo de ruim em que eu tenha de me envolver, mas eu saberei que é algo necessário para você... não por pura maldade, mas por que você estará precisando que aquilo ocorra...”; “Cago e ando para as reações das pessoas a respeito dos outros e a mim...”; Foram essas palavras, ditas em uma única noite. Para ele são apenas palavras, para mim não foi conversa fiada. Teve significado.
ㅤㅤㅤㅤQuando você conhece o passado de alguém e relaciona com o momento que ela estava vivendo, consegue entender pelo menos um pouco das atitudes que ela tem na vida. E nessa noite no Belfry, o orfanato em que ficamos nossa primeira noite, após uma aventura no trem da cidade. As palavras dele tiveram grande significado em detrimento do que já havia acontecido comigo e isso me levou há não seguir minha promessa de não relações.

ㅤㅤㅤㅤNo trem expresso, dia da luta.

ㅤㅤㅤㅤEu fiquei sem reação ao ouvir aquelas palavras, teria sido melhor estar sendo pulverizada pelo Power Geyser. Foram segundos de inércia, entre a incredibilidade e a raiva. Meus olhos estavam fixos nos deles, um olhar duro, tentando não transparecer as emoções.
ㅤㅤㅤㅤ- Você não mora em Second Southtown, Terri. E se estivesse comigo, saberia o que estou fazendo nesse trem. – foi o que eu consegui responder sem que minha voz falhasse.
ㅤㅤㅤㅤE ainda não estava acreditando que ele estava falando aquilo. E menos ainda que estivesse me fazendo exigência de como eu deveria viver minha vida. Meu corpo estava quente e eu estava tremendo, apertei os dedos contra a palma de minhas mãos, ficando assim com os punhos cerrados.
ㅤㅤㅤㅤ- Ela foi falar com você, não é? – eu murmurei entre os dentes o vendo fazer seus movimentos e provocações costumeiras antes de começar a bater.
ㅤㅤㅤㅤBlue Mary, a garota resolveu se enfiar no meio do meu casamento, parecia que ela estava um tanto ressentida por alguma coisa. Já que queria fazer parte das coisas até demais, queria apontar exigências de como deveríamos viver. Se eu quisesse viver sob comando de outros, não teria saído do inferno. Mas fui ingênua em pensar que Terry, o mesmo cara que caga e anda para os outros, não deixaria alguém dizer como ele deveria agir e viver. Que iriamos resolver os problemas juntos. E menos ainda pensava que ele iria ficar jogando na minha cara o passado, sempre que tivesse uma oportunidade.
ㅤㅤㅤㅤ- É quando pulamos que você solta o Power Geyser? – perguntei com a voz mais debochada que pude, já que eu iria tentar saltar para cima dele.
ㅤㅤㅤㅤMas bem na minha frente ele estava se movimentando de uma forma bem peculiar, não era possível que ele já estava fazendo aquele movimento. Eu estranhei, não fiz meu movimento para me impulsionar para cima e girar sobre ele. Terry já ia lançar o seu golpe mais poderoso no início da luta? Foi a falta de reação que me fez perder o tempo precioso que eu tinha.
ㅤㅤㅤㅤEu ergui meus braços para a lateral do meu rosto, mas foi só a tempo de barrar à cotovelada para não bater contra minha cabeça, mas não evitou o impacto e nem a consequência deste. E menos ainda a sequência de golpes dele.
ㅤㅤㅤㅤ- Chert! – xinguei sentindo a dor do soco que estava recebendo no abdômen.
ㅤㅤㅤㅤMinhas mãos foram para baixo, tentando pelo menos evitar que o soco batesse direto novamente contra meu corpo. Deslizando meus pés na tentativa de firmar a base para não ser derrubada. Mas o movimento do trem deixava ainda mais difícil manter-se estável e em pleno equilíbrio recebendo aqueles golpes. O tempo que levei minhas mãos para baixo, tentando fechar a guarda, foi o tempo dele já dar o segundo soco. Aquilo me deixou instável. E eu deixei o solavanco do trem e a gravidade fazer o trabalho deles. Eu caí. E enquanto eu caía pude sentir a movimentação do outro soco que ele estava desferindo em direção a minha cabeça. Salva pelo desequilíbrio provocado pelos golpes e pelo trem em movimento. Cai de lado no assoalho do vagão e rolei para me levantar atrás dele.
ㅤㅤㅤㅤ- Quando você decidir conversar comigo e nós tivermos uma conclusão de como temos que viver nossa vida. Aí! Eu irei fazer o que você fala.  – falei enquanto me equilibrava em pé na base.
ㅤㅤㅤㅤEu estava vestida de calça jeans e uma regata branca, que naquele momento estava manchada de poeira já havia tempos, pela aventura em saltar para um trem e agora começar uma luta contra meu marido. Meus cabelos estavam soltos e havia calçado um tênis all star velho que eu tinha.
ㅤㅤㅤㅤMinha perna esquerda estava na frente, eu estava com o corpo um pouco de lado, não totalmente e a perna direita para trás. As mãos em frente ao rosto, na altura do queixo. Eu flexionei os joelhos, ou era isso ou era outro tombo. Você entender a mecânica de uma coisa, não quer dizer que você vai executar ela com precisão. Liguei o balançar do trem com o surf, você tem que flexionar os joelhos e manter um balanço próprio para ficar em pé na prancha no mar. Não que eu tenha surfado na vida, mas era algo que eu já havia visto, fiz uma relação leiga com aquele momento.
ㅤㅤㅤㅤE não podemos esquecer que meu treinador também era aquele ali em minha frente, imagina o quanto eu escutei? “Ficar sempre atenta, dobrar os joelhos, colocar o peso do corpo na bola do pé, não confiar no calcanhar e etc.” Ainda escuto tudo isso na verdade e não discuto, ele está certo. Mas um terreno parado era diferente daquele lugar que estávamos. Pelo menos para mim era a primeira vez lutando daquele jeito.
ㅤㅤㅤㅤO que eu tentei fazer foi pegar ele desprevenido, já que rolei para ficar em pé nas costas do loiro. Eu pretendia desferir um jab – soco com a mão dianteira, nesse caso a esquerda. - em direção ao rosto dele enquanto ele girava para se voltar de frente para mim. Conseguindo executar com sucesso essa investida eu iria continuar minha movimentação com um chute, a perna traseira – à direita no caso -, um chute de peito de pé em direção à cabeça dele. Uma tentativa de deixar ele desnorteado e/ou desequilibrado. Emendando uma joelhada, agora com a perna traseira – que seria a esquerda que passaria a ficar atrás com a movimentação do primeiro chute -, em direção ao diafragma do loiro. A intensão era manter ele sem foco, agora prejudicando um pouco sua respiração. E finalizaria a sequência com um ‘up’ – soco de baixo para cima com a mão traseira, que nesse momento seria novamente à direita, já que com a joelhada a base estaria igual a minha inicial. –
ㅤㅤㅤㅤEu estava com raiva e frustrada. Meus cabelos ficaram em frente ao meu rosto com toda essa movimentação, mas eu podia vê-lo através dos fios.
ㅤㅤㅤㅤ- Eu pensando que meu marido ia chegar querendo foder, mas não. Vem com papo na cabeça dos outros para comandar nossa vida! – falo exasperada, passando rapidamente a mão jogando uma mecha de cabelo atrás da orelha esquerda.


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