2nd South
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ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

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ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO em Seg Maio 21, 2018 2:23 pm


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Cenário:

★ Slam "Free Field" ★
Juiz: Ralf "IKARI" Jones
Regra do Combate: Classic Rules, Turbo.
5 Rounds e 1 defensivo com 7 dias de prazo para postagem.
SHIN HISAKO inicia o combate!
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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO em Qui Maio 24, 2018 10:55 pm




Prólogo: Aqueles que não pertencem a este mundo!


ㅤㅤㅤLocal e horário desconhecido. Ano 2017.

ㅤㅤㅤVários corpos mutilados e sem vida estão espalhados pelo chão. O piso estava todo manchado de vermelho por conta das várias poças de sangue que se formaram sobre os restos das várias criaturas sombrias comandadas pelo Shadow Lord Gargos. No centro daquele lugar, entre os vários corpos aniquilados, uma única criatura sombria permanecia ajoelhado e encarando tudo o que ela havia acabado de fazer. Sua expressão era de espanto, talvez confusão. Atordoada por ser capaz de fazer tudo isso, mas sem uma explicação lógica. O que ela era? De onde ela veio?

ㅤㅤㅤUm estouro de luz dourada se fez logo atrás dessa criatura, acabando por fazê-la voltar a realidade e levantar-se com pressa, virando-se e empunhando sua arma de longo alcance entre as duas mãos. Apavorada, com o coração quase saindo pela boca, ela encarava o que via com medo. Suas mãos tremiam e quase não conseguiam manter a Naginata erguida em posição ofensiva. Ela caminhava para trás sem tomar cuidado onde pisava, acabando por tropeçar em um braço decepado e perder o equilíbrio, vindo a cair sentada ao chão.

ㅤㅤㅤUma lâmina astral foi apontada contra o rosto dessa criatura sombria. Ela não resistiu.

ㅤㅤㅤ── Uma sombra. Quem diria que pudesse ter tanto poder assim para acabar com todos esses Mimics.

ㅤㅤㅤA dona da espada caminhou de um lado para o outro, conferindo seus arredores para garantir que não haviam mais surpresas.

ㅤㅤㅤ── Por favor... ── A criatura sombria suplicou para a dona da espada astral.

ㅤㅤㅤ── Hm? ── Ela voltou sua atenção para a criatura desesperada, que ficou de joelhos e implorou para que fosse poupada.

ㅤㅤㅤ── Eu ... Não sei o que sou e quem sou. Não queria fazer tudo isso! Me perdoe! Eu prometo que vou ficar longe de encrencas, eu...

ㅤㅤㅤA dona da espada astral ficou surpresa com o comportamento da criatura sombria. O que diabos havia acontecido no algoritmo daquela coisa para fazê-la ficar desse jeito? Sem prestar atenção em tantas lamentações e pedidos de desculpas, a jovem mulher astral aproximou-se da criatura sombria e usou a ponta sem fio da arma para apoiar o queixo da criatura e fazê-la erguer a cabeça para uma conversa olho no olho.

ㅤㅤㅤ── Você é Hisako! ── Respondeu a dona da espada astral.

ㅤㅤㅤA criatura sombria arregalou seus olhos púrpuros.

ㅤㅤㅤ── Você é a cópia sombria de Hisako, criada pelos laboratórios da Ultratech para servir como uma segunda opção de ARIA contra as forças opressoras do demônio Gargos. ── A dona da espada continuou mantendo a atenção da criatura sobre si.

ㅤㅤㅤ── Se eu sou uma cópia... a verdadeira não quer me ver viva... ── A criatura voltou a se lamentar.

ㅤㅤㅤ── Você sabe quem sou eu?

ㅤㅤㅤ── Não. ── A sombra evitou encarar a dona da espada nos olhos.

ㅤㅤㅤ── Eu sou Shin Hisako. ── A dona da espada finalmente revelou sua identidade.

ㅤㅤㅤ── Você... então eu sou...

ㅤㅤㅤ── Uma cópia. Uma cópia de um fantasma.

ㅤㅤㅤEu, Shin Hisako, fiquei espantada de saber que ARIA havia conseguido criar uma réplica de minha forma de espirito de vingança. Ela havia conseguido clonar e reproduzir os poderes de uma Onryö usando sua estranha tecnologia adquirida da nave do extraterrestre Glacius e provavelmente os cadáveres dos Mimics que ousaram copiar a minha face e poderes durante a guerra contra o Shadow Lord.

ㅤㅤㅤA aliança esteve durante dias enfrentando o problema contra as sombras que se rebelaram contra ARIA numa tentativa de viverem suas vidas por si mesmos e não sob às ordens de ninguém..., mas essa é a primeira vez que encontro algo que foi criado por ela e que se assemelhasse tanto a mim.

ㅤㅤㅤ── Não vou matar você. Mas peço para que tenha uma postura mais honrada! ── Resolvi elevar a moral e a confiança daquele clone de Hisako.

ㅤㅤㅤ── C-como? ── E ela pareceu não acreditar no que acabou de ouvir.

ㅤㅤㅤ── Você, criatura sombria, Hisako sombria... uniria suas forças comigo?

ㅤㅤㅤ── ... então acredita em mim? No meu potencial?

ㅤㅤㅤAbri um sorriso maldoso.

ㅤㅤㅤ── Claro. Você eliminou muitos Mimics sozinha... provou ter algum valor para os combates.

ㅤㅤㅤA criatura sombria abriu um sorriso alegre. E mais uma vez, me agradeceu.

ㅤㅤㅤ── Muito bem, Shin Hisako! Eu deixarei que use meus parcos poderes para ajudá-las nas suas batalhas.

ㅤㅤㅤTomei a mão dela, fiz que ela recolhesse a cópia da Naginata de minha avó e tomasse postura.

ㅤㅤㅤ── Você é um fantasma. Comporte-se como um! E você servirá de guardiã para a Vila dos Sussurros quando eu estiver no Plano Astral.

ㅤㅤㅤEu sumi dali antes que alguém mais nos visse. Há tempos que vim buscando uma forma de poder utilizar o meu corpo e estado antigo para situações que não precisassem envolver todo o meu corpo astral em combate. Como se eu tivesse outros olhos, outras manifestações minhas circulando por este plano e garantindo a proteção do meu antigo lar de invasores e qualquer outro que quisesse descobrir os segredos por trás dos mundos e suas outras dimensões.

ㅤㅤㅤO tempo que passei com essa criatura sombria, eu consegui dominá-la completamente. Agora ela respondia somente a mim, com toda a habilidade e maestria que possuí antes de me transformar na Shin Hisako. Essa Sombra de Hisako podia não só utilizar parte dos meus poderes como também se comportava e agia de mesma forma como costumei ser. Sempre que eu precisasse dela atuando, seria como controlar uma marionete em minhas mãos. O que ela vê, eu também posso ver. A dor que ela sentir, eu também posso sentir. O mesmo vale para a comunicação e passagem de informação. Essa Hisako circula pela vila dos Sussurros em sua forma espectral, assombrando aqueles que fossem tolos o bastante para visitarem o túmulo sagrado de vários guerreiros e inocentes que morreram protegendo a vila de um ataque covarde no passado. Ela matava para mim, agradando Izanami. Protegia o lar e me deixava segura de que as coisas ali estavam calmas... enquanto eu estou fora tratando de outras atividades.

ㅤㅤㅤAno 2018. Plano Astral.

ㅤㅤㅤHá tempos que não vou para o plano Terreno. Fico protegendo o portal dos mundos enquanto me comunicava com o guardião fundido na Katana de meu pai. Volta e meia, eu conversava também com o espirito do dragão de Kim Wu, o Yeouiju sobre as coisas de estranhas que vieram acontecendo ao mundo desde o fim da guerra de Gargos e da invasão de demônios na cidades de South Town e 2nd South Town. Visitei a Chinatown de São Francisco algumas vezes para treinar com Kim Wu e aprender um pouco mais dos costumes humanos, agora que recuperei boa parte de minha humanidade nessa forma astral. Kim sempre foi bem amigável comigo. Eu me sentia a patinho feio perto dela, principalmente quando a herdeira dos poderes do Dragão resolvia me testar com as roupas que ela desenhava para o seu curso de designer de moda. Embora sejam momentos embaraçosos, eles são divertidos. Quando era viva, eu não era acostumada a fazer amizades e ficava o tempo todo pensado em aprimorar minhas habilidades de Onna-bugeisha, querendo me tornar um motivo de orgulho para meu querido pai.

ㅤㅤㅤAgora... eu me sinto nessa necessidade estranha de querer conhecer as pessoas, essa sensação desconfortável de se sentir um pouco mais humano depois de ter renascido. Seria uma nova fraqueza? Ainda estou repletas de dúvidas sobre como funcionam as coisas... tenho até mesmo procurado outros monstros que residem esse plano para tentar perguntar as coisas que mortais comuns jamais saberiam responder.

ㅤㅤㅤE foi numa dessas andanças pelo mundo que eu pude detectar a presença de algo surreal. Algo que não pertencia aos planos conhecidos pelos Ichoriens e nem mesmo pelos anciãos do Yömi. Uma coisa que alertou até mesmo o espirito guardião amalgama fundido na minha Katana.

ㅤㅤㅤ── O que é isso?

ㅤㅤㅤA espada comunicou-se comigo. “Assumia a forma de humano, mas não era humano. Parecia energia pura, uma espécie de vida desconhecida perambulando entre os vivos”. Foi o que a espada me passou por telepatia.

ㅤㅤㅤ── Onde posso encontrar essa criatura?

ㅤㅤㅤA espada me respondeu que ela encontrava-se no mesmo lugar que passei a frequentar depois de tudo. 2nd South Town.

ㅤㅤㅤMas ela esteve sempre ali? Se sim, porque nunca a senti antes? Se não, porque somente agora eu fui alertada sobre essa coisa? Meu dever é proteger para que seres de outros mundos não viessem para a Terra de jeito nenhum! Como pode ser que eu tenha deixado essa daí passar despercebida? Ou... será que ela já esteve aqui durante todo esse tempo? Era impossível... Mas não deixava de ser uma possibilidade.

ㅤㅤㅤAntes de ir para as cidades dos pecados, eu teletransportei para o Caminho das Sombras, um santuário antigo usado como uma rota segura dentro do mundo dos mortos para os Homens das Sombras. Costumava reunir ali com outras duas entidades, Squigly – uma morta viva com os poderes de uma serva do Skull Heart e Hsien-ko, uma Jiangshi. Usavamos as luzes da fogueira desse santuário para podermos conversar e termos um pouco de sossego longe dos outros mortos, principalmente os que lamentam suas vidas miseráveis.

ㅤㅤㅤNaquele lugar era possível ter uma conversa espiritual com meu pai no paraíso e com minha mestra Izanami em outros quadrantes do lado dos mortos. Eu queria a opinião de ambos. Izanami sempre levava as coisas para o lado mais letal de todos: A morte. Não é atoa que ela é considerada a matrona do reino dos mortos. Enquanto o meu pai ele tenta passar toda a sua sabedoria, às vezes de formas enigmáticas, como se me desafiasse intelectualmente para encontrar a melhor resposta por meio das minhas ações. Contei aos dois sobre essa misteriosa energia que senti e sobre o perigo que ela poderia ser para os humanos se não fosse contida de alguma forma. Junto do Guardião Ichorien que compõe a lâmina astral de minha Katana, foi descoberto que essa criatura perambula pela Terra há muitos e muitos anos, chegando a ser uma informação espantosa. Ela já existia antes mesmo de meu nascimento...

ㅤㅤㅤIzanami, conhecendo o meu dever agora como protetora dos portais dos deuses, missão essa passada pelo último Ichorien sobrevivente que encontrei há quinhentos anos atrás, data de minha morte, pediu para que eu tentasse carregar essa criatura para fora daquele mundo e tentasse devolvê-lo ao mundo que este pertencia. Se houvesse reação por parte dela, eu deveria eliminá-la e trazê-la para ela devorar a alma da criatura tão antiga quanto a existência da Terra.

ㅤㅤㅤJá meu pai, sabendo dos meus deveres, ele pediu para que eu tentasse uma abordagem mais amigável. Procurasse entender quais são os motivos que trouxera tal criatura para este plano e o que ela pretende conseguir viver entre aqueles que não compõe sua espécie. Se em todos esses bilhões de anos, nada aconteceu por parte dela e sim por atos de outras entidades maiores e menores, alguma razão deveria haver para que essa criatura continuasse vivendo como um ser humano.

ㅤㅤㅤAs duas opções me são boas e válidas. Com o treinamento que tive com Kim Wu para me socializar, eu posso tentar essa abordagem amigável como a primeira opção. A segunda, de usar a força também é válida, mas se as informações do Guardião da minha espada baterem, seria desastroso provocar algo tão poderoso numa cidade tão populosa como Second. A terceira e última opção será a execução, caso ela mostrar-se realmente um perigo para o mundo e para os universos.

ㅤㅤㅤ── Então eu tenho um ‘monstro’ nas minhas mãos?

ㅤㅤㅤ── Sim. ── Disse meu pai.

ㅤㅤㅤ── Uma deliciosa monstrinha. ── Disse Izanami.

ㅤㅤㅤ── Oh, então é uma mulher? ── Era fácil perceber isso pelo comentário da matrona dos mortos.

ㅤㅤㅤQuando terminei essa reunião com os dois, eu retomei ao meu objetivo principal que era a proteção dos portais. Eu guardava o lado de dentro enquanto Tusk, o Observador dos Deuses, o lado de fora. Se passasse alguma coisa do meu lado, imediatamente essa coisa teria de enfrentar os 10 mil anos de treinamento do Espadachim Imortal. Era fácil me comunicar com Tusk. A Espada Claymore dele, a Warg-Gram, o espírito do Lobo, permitia que seu usuário tivesse visões e conversas telepáticas com outros guardiões. Bastava eu mostrar interesse em me comunicar com ele que a espada automaticamente faria todo o resto. Pedi para que ele deixasse seus afazeres naquele instante, e focar suas atenções no santuário de gelo que descansava a tripulação do navio Viking que ele comandou em uma grande e última aventura. Ali era onde ele deveria proteger o outro lado do portal.

ㅤㅤㅤExpliquei a ele que havia uma criatura ancestral viva entre nós e habitando o planeta como se fosse um mortal qualquer. Pedi para que ele reforçasse a segurança dos portais e garantisse que nada atravessasse enquanto eu estivesse nessa minha caçada-investigativa. Logo mais, pedi para que ele não comentasse nada com Kim Wu, ou aquela ruiva maluca inventaria de querer me procurar para assistir isso. Depois que ela tomou essa mania de querer chutar a bunda de demônios, qualquer coisa que fosse desconhecida para ela era motivação para ela querer ‘chutar bundas’.

ㅤㅤㅤ── Essa cidade é cheia de locais povoados... A região mais segura para isso é essa Slam ‘Free Field’. Por alguma razão... não são muitos que perambulam por essas redondezas quando é noite. ── Comentei com a espada, ao alto de um dos edifícios que sitiava a localização destinada.

ㅤㅤㅤHavia pedido mais cedo para que minha espada cedesse parte do seu conhecimento sobre essa criatura. O Guardião Ichorien revelou a mim que existem duas partes dessa entidade que se dividiram em novos seres. Em outras palavras, são filhos dela. Automaticamente, me recordo do que foi dito uma vez pelo conselho dos deuses sobre seres de outros mundos que foram concebidos entre os mortais: Eles possuem partes humanas, logo, devem serem tratados como habitantes de tal mundo! Ou seja... os filhos dela não me interessavam. Só me restava conhecer os planos de tal para saber se isso garantiria a permanência dela ou não na Terra. Mas aí complicam ainda mais as coisas... ela ser mãe, logo, ela tem o direito de permanecer com os filhos. Esse pretendia ser o trabalho mais complicado para uma guardiã astral e caçadora de monstros.

ㅤㅤㅤ── Então... uma das crianças dela é uma menina dos Yagami? Aquela Carol, estou certa? ── A espada me revelou mais uma importante informação. E é com essa daí que executarei a minha aproximação amigável.

ㅤㅤㅤAvistei a menina das marcas no rosto andando ao lado de um outro rapaz que era muito mais alto do que ela. Posso sentir que a energia daquela quem caço flui dentro deste rapaz, mas numa vibração bem diferente de sua mãe. Me aproximei sem causar alardes dos dois, pedindo somente a atenção da menina por enquanto e licença para o jovem rapaz. Ele pareceu não dar a mínima no começo, mas ficou me olhando com uma expressão curiosa. Deixei-o de lado. Foquei-me na garota.

ㅤㅤㅤ── Ah, você é a menina fantasma, Hisako? ── Carol parecia surpresa com a minha presença naquele dia.

ㅤㅤㅤ── Exatamente. Fiquei sabendo, muito recentemente, que você tem uma mãe adotiva. Será que você poderia pedir para ela vir ao meu encontro? ── Nesse instante, eu olhei por cima dos meus ombros. O menino ainda me encarava.

ㅤㅤㅤ── A mamãe? É algo sério, senhorita Hisako? ── Essa menina era muito educada. Hum...

ㅤㅤㅤ── Só preciso conversar com ela. Se possível, peça para ela vir sozinha.

ㅤㅤㅤ── Ok. Onde?

ㅤㅤㅤ── Slam “Free” Field. A noite.

ㅤㅤㅤCarol arregalou os olhos.

ㅤㅤㅤ── Mas ali é perigoso!

ㅤㅤㅤFechei os olhos.

ㅤㅤㅤ── Eu sei. Mas será o melhor lugar para conversar com ela. Lhe garanto que nada de mal acontecerá com sua mãe. Apenas preciso esclarecer algumas dúvidas.

ㅤㅤㅤFiz o máximo possível para transparecer seriedade para a menina. Nada que fizesse ela pensar que estou caçando a mãe dela... embora é exatamente isso que eu esteja fazendo nesse momento. Não quero que esse encontro envolva terceiros, principalmente os filhos dela que por serem partes humanos, pertenciam agora a este mundo e eram reconhecidos como tais.

ㅤㅤㅤEu me despedi de Carol com uma reverência. Ela retribuiu o gesto. O outro, continuou me olhando com uma expressão neutra, vazia, como se não estivesse nesse mundo. Estranho.

ㅤㅤㅤSlam “Free” Field. – Mesmo dia, noite.

ㅤㅤㅤAquela região ficou deserta a partir do momento que o sol começou a se por. Ao que tudo indica, a criminalidade naquela região era muito forte e todos que viviam nas redondezas preferiam a segurança de suas casas. A espada informou-me mais uma vez que este lugar foi palco de muitos assassinatos nas mãos de um assassino em série chamado Freeman. E que eu deveria ficar preparada para uma possível intervenção do mesmo, pois ele ainda vivia e estava durante muitos anos desaparecido. Como sou uma entidade astral e praticamente imortal, não há nada com o que eu devesse me preocupar. O mesmo posso dizer da pessoa que estou aguardando. Abaixo do viaduto que contém uma linha férrea, estou aguardando pela minha convidada estando sentada sobre o ferro velho de um carro vermelho abandonado ali.

ㅤㅤㅤPasso a lâmina da espada em minha mão, vendo-a brilhar. A espada tinham entalhado sobre o seu corpo os dizeres em japonês “Espada para um Guardião”. A espada que foi designada a mim depois que fui escolhida pelos Ichoriens para o renascer na luz da justiça. Embora eu esteja concentrada naquilo que agora me pertence, qualquer ruído, por mínimo que ele seja, era o suficiente para me fazer focar na direção que vinha como um predador atento. Então, eu pude finalmente ver aquela quem estou procurando.

ㅤㅤㅤ── Hora de resolver essa questão de uma vez por todas! ── Eu me levantei e saltei do carro, andando na direção da minha convidada.

ㅤㅤㅤ── Criatura Etérea... Eu sou a Guardiã do Portal dos Deuses, Shin Hisako! É meu dever caçar e levar aqueles que não pertencem a este mundo para os seus locais de origem! Mas somente se você não me apresentar motivos convenientes para que sua convivência neste plano seja mantida! ── Eu empunhei a espada. E o tom de minha voz transmitia toda a minha seriedade, como se eu passasse a ela uma voz de lei divina.

ㅤㅤㅤ── Peço que me explique o porque está aqui e o que pretende vivendo entre os humanos?

ㅤㅤㅤSegurei firmemente a base de apoio da minha Katana. Algo me diz que essa conversa não será algo muito amigável. No entanto... a energia que flui dela é tão avassaladora que faz o meu espírito de guerreira queimar de emoção pelo meu corpo morto e frio.






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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Qui Maio 31, 2018 12:17 am


☙ ~ Para não dizer que eu não avisei.


☙ ~ 003. The Silent Girl.


☙ ~ Move List.






PRÓLOGO


THE SOUND OF SILENCE



Madrugada, Barbaroi Falls.


Não demoraria nem mesmo um segundo para que pusesse os seus pés na água fria. Havia se esgueirado por entre as rochas que compunha a queda d’agua mais simplória de todo o local, seus dedos se seguravam firme nos pequenos compostos a levando se sentar onde queria: por de baixo de toda aquela torrente de água. Coroline passou as duas mãos sobre a cabeça, empurrando os longos cabelos ondulados para trás, enquanto recolhia as pernas estendidas. A Éther aproveitava a sensação gostosa que batia contra o seu corpo. Ela não conseguia dormir. Desde que se deitou na cama, seus olhos não se fecharam para nada. Fazia companhia para Setsuna até que este tivesse dormindo bem o suficiente para ela se levantar e sair andando pela cobertura em busca do que fazer sem este sentir sua falta, mas no final Dean acabava por inspirar fundo, pois já havia feito tudo o que tinha de ser feito. Ela ficou sem ter nada para se distrair, por conta disso vestiu uma roupa no lugar de sua camisola de seda e foi esfriar a cabeça.


A Éther fechou os olhos, a memória do que ofuscava suas noites de sonos conquistadas era tão real. Parecia que ela havia retrocedido no tempo, enquanto era só uma criança, em um universo distinto, uma realidade além da visão do que este tinha a oferecer e ainda tinha de ser descoberto. Seu lar era em um lugar onde o tempo não os incomodava, e era perfeito para outros seres que compunha o patamar de Raças Proibidas, ou assim, os mais chamavam o aglomerado de mundos e criaturas que compunham aquela parte do espaço. Ele era a última Hellysiän, um Éther de grande presença entre os seus e os Primes, seus “irmãos” de criação. Um ciclo que começou em Adel, o primeiro deles, e terminaria com ela, a fim de evitar que problemas de grande estima continuasse entre eles. Coroline balançou a cabeça, mesmo a eles, uma raça de entidades cósmicas, não era incomum chegar em um tempo, onde conflitos eram inevitáveis.


Mas o que fazia os Éthers serem tão distintos? Eu posso te dizer, o que eu sei até este momento.  A liberdade que eles carregam, sua vontade própria. A falta de correntes para os prender em uma programação fixa era o que fazia essa espécie ser tão diferente. Eles foram tirados do seu próprio tempo onde o chamado para existir veio antes do que o esperado. A primeira realidade estava sendo quebrada. Os responsáveis em manter ordem, perdiam seu controle para seus próprios descendentes, deidades nascidas por necessidades e suas vastas criações. Os efeitos inevitáveis do Aether e do Nether resultando em consequência sem precedentes, que levaria ao final onde o chamado da criação traria Haotican de seu silêncio para se encerrar tudo de uma vez, engolfando todos os Véus que compunham aquele universo. Esses seres, uma criação diferenciada, foram acordados por uma deidade temerosa por tudo o que iria se perder.


Um ato errôneo como o destino havia dito. Ela não tinha ideia do que estava fazendo, e mesmo assim se arriscou. Eles eram uma verdade diferente, carregavam consigo uma distinta evolução, e vendo nenhum encanto em “seus irmãos”, colocaram seu lado com os mortais, e foram contra qualquer um que estivesse no caminho. Éthers eram de fato, uma visão inusitada, os primeiros de muitos outros que iriam surgir com o passar da expansão de um vasto Multiverso, e mesmo assim, eram ainda um dos mais curiosos. Uma evolução? Uma outra visão? Quem sabe! Mas havia um fato que todos naquele tempo já sabiam melhor do que ninguém mais: Éthers tinham em sua natureza, uma animosidade contra outras entidades, eles respeitavam os Primordiais, as entidades Cósmicas que moldavam todo uma estrutura universal. A Grande Guerra só trouxe uma visão exasperada daquela raça para com os outros, e isso os levou a um profundo desgosto e um apego a uma vida mais calma.


Eles se retiraram, voltaram ao seu descanso e no tempo certo ao qual pertenciam, as novas gerações que viriam, alcançariam apenas o estado de seus ancestrais se a vida que escolheram as julgarem merecidas. E infelizmente para a Éther que se encontrava abaixo da cascata, em algum momento de sua longa vida, ela atingiu aquele estado de plenitude. Algo que deixava muito felizes aqueles que seguiam esse caminho, os que seguiam, não ela. E por que eu lhes conto isso? Para que saibam o que é um Éther, em outras palavras, o que a mulher que estava tomando um banho frio de roupa íntima preta era.


Dean abraçou os joelhos. Ela pensava um pouco sobre os seus, assim como assimilava o que lhe acontecia a mais de um ano. Por todo o tempo que passou adormecida no núcleo desse planeta, uma boa parte do que era sua memória havia ido literalmente para o espaço. Se recordava vagamente do por que ter caído ali. Não foi por que quis, mas sim uma consequência exasperada do que talvez tivesse sido a sua maior segunda luta na vida, onde havia mais uma vez, algo muito maior em jogo. Os resultados finais foi um rombo onde ela despencou. O choque fez uma jovem Gaia em pedaços, mas o que remanescia de si mesma acordada, foi o suficiente para reformar a entidade, o que se passou da li, foi a extensa história de evolução daquele mundo, enquanto a deidade a mantinha quieta em seu núcleo. Dean não se lembrava do que foi dito a ela antes que entrasse em um longo sono, mas passou um bom tempo em contato com ela, até finalmente sucumbir a uma hibernação forçada pelos dois Patronos que habitavam suas asas. Dois seres que eram incapazes de abandonar seus postos, as últimas chaves, de uma forma mais clara, se os Primes que eram ligados a ela tivessem falhado em sua tutoragem, os Patronos eram á última comporta para uma junta de equilíbrio.


Mas isso ocorria por que Éthers não eram seres feito de metades. Os mesmos não buscavam por uma metade de sua existência, uma alma para se completar. Como aqueles que inspiraram seus seres, as criaturas eram completas. Eles não conseguiam dar metade de algo para alguém, ou entregavam tudo, ou simplesmente chegavam a lhes dar o nada. O mesmo valia para os seus próprios dons.


Há mais de um ano, ela sofrera a mesma dor e desapontamento que marcou a sua hibernação. Dean sempre insistiu para os Primes, dois jovens homens que pertenciam a uma raça “irmã” deles, e que lhe encontraram em parte da sua vida ali, do por que jamais conseguirem trazer algo seu de volta. A reposta era sempre a mesma: o tempo faria este serviço. E de fato o fez, ao trazer novamente um mesmo baque que ela sofreu, muito tempo atrás. Por mais que os motivos não fossem iguais, o efeito que tivera em si foi similar. Coroline de pouco em pouco, tinha memórias vivas a rondando, sua identidade, sua história, bilhões de anos de memória, e quase cinquenta anos a mais da vida que tinha até então.


Ela partilhou disso apenas a seu cônjuge, a qual Dean agradeceria pelo resto da vida, pela paciência que tinha consigo. Se colocar em pratos limpos, a Hellysiän era de longe a criatura mais fácil de se conviver quando se tratava de seu próprio temperamento. Existiam poucas coisas que a tiravam do sério, e mesmo assim teve o azar de só cruzar com quem conseguia fazer isso. Se bem que, nunca era uma experiência agradável para nenhum dos lados quando isso acontecia.


— Se ficar muito mais tempo assim, é capaz de você adoecer.


A morena abriu seu olho direito e deu de cara com quem não esperava. Estava tão aprofundada em suas lembranças, as histórias de seus antepassados que se permitiu por uma vez, em um grande período de tempo, se desligar de tudo a sua volta. Se quer se atentou ao cheiro que já conhecia muito bem, ele impregnava a sua narina, e mesmo com uma distância razoável e com toda aquela barulheira, ela ainda ouvia com clareza as batidas do coração do ruivo que a encarava.  


— O que você faz aqui?


— Eu não te vi em casa, pensei que ia te achar por aqui.


— E chegou a essa conclusão como?


— É o seu lugar preferido de toda a cidade.


E foi ali mesmo que ela o conheceu.


— Vamos para casa, você vai se resfriar.


Dean desceu um pouco, saindo debaixo da torrente, só que em meio a um pouco de sua descida, ela riu da frase pronunciada por ele. Ela não se recordava da última vez em que ficou doente, seu corpo podia ser muito parecido com as figuras humanoides presentes no planeta, entretanto, cada fibra dele, desde os ossos até o fio de cabelo, era muito diferente do que aqueles compostos orgânicos. Até o tempo de se desenvolver era muito maior do que o esperado. Humanos cresciam mais rápido do que eles, em um curto período de tempo já eram adultos, enquanto um centenário não era nem mesmo a infância de um dos seus. A Éther acabou rindo mais alto ao se lembrar do espanto de Henry com o curto período de tempo em que ela já parecia uma adolescente, mas isso era causa de sua hibernação, ela nunca poderia ser uma criança novamente, só atingiria o ponto de transição.


Setsuna suspirou, talvez tivesse comentado algo que não deveria, sentia-se feito de bobo, mas ao menos ela ria.


— Não faça essa cara, eu juro que não é nada demais.


O Yagami se aproximou dela, então tocou em seus ombros, estavam frios, gelados a ponto de incomodar seus dedos. Setsuna olhou bem aqueles olhos dourados, então a acompanhou se desvencilhar de si e colocar as roupas por cima do corpo molhado. O rapaz tirou a blusa que tinha consigo e colocou por cima dela, fechando o zíper.


— Vamos para casa.



Duas horas da tarde. Cobertura – Penthouse.


— Hmmm...


A vida que estava tendo ali não era ruim. Ela adorava ter seus filhos consigo, estava tendo uma relação mais do que firme com Setsuna, mas naquele momento a mulher estava em um pequeno dilema enquanto acordava de um descanso no sofá da sala em sua Cobertura no prédio luxuoso. A sua frente, bem próximos do sofá estava tendo uma pequena briga entre os pequenos pets da casa, contra o grandalhão do Boo, o cachorro que os meninos a presentearam no dia das mães há um bom tempo. Do lado direito os dois gatos estavam discutindo com o cachorro. Dean inspirou fundo, Snow era o pet mais velho, um gatinho branco com anéis amarelinhos em sua calda e olhos bem azuis, ofendia Boo por ter sua ração roubada, e junto dele, Haru, um gatinho preto de olhos bem verdinhos ajudava o mais velho a falar contra o cão da casa. E Boo, estava nem aí para nenhum dos dois, ele murchava as orelhas empinadas e ameaçava ir para cima deles, pensando que a cada reclamação se tratava de uma brincadeira.


A Éther revirou os olhos, cada “MEOW!” soava claramente como “CACHORRO SAFADO!”, mas ela não ligava. Aquilo já havia virado rotina. Ela havia avisado para os meninos não deixarem nada dos bichanos perto do cachorro de pelagem amendoada, agora tinha que aguentar aquela gritaria. Dean às vezes odiava a sua natureza, seus olhos enxergavam o que o resto do mundo parecia ineficaz de ver, todas as maravilhas encobertas por uma força que desejava preservá-las, mas isso não fazia só parte do pacote da vida de um Éther, entendê-las era de fato a pior parte, e se fazer de idiota e fingir que não escutava era divertido, no entanto, situações como aquela só a aborreciam.


Coroline pegou a almofada e bateu no chão, colocando os três para correr. Era como se eles soubessem disso, tivesse uma pequena luz de que alguma forma ela conseguiria entender bem suas palavras, pareciam assombrações que quando vinham corriam até ela, achando que iam ganhar uma passagem para outro lado. Até parecia um conto imbecilizado, ela não era regente de nenhuma parte daquele mundo, de nenhum panteão de divindades, esses trabalhos eram de outros, de povo, ela só cuidou dos dela até o dia que tinha que parar e deixar que novas gerações o fizessem.


A morena estava novamente relaxando, estava prestes a fechar os olhos e então a porta se abriu.


— GODDAMNED! — Ela se levantou do sofá. — Tá, tá, já chega! Hoje não é o meu dia de ficar quietinha!


Em frente a porta, Carol ficou parada e Yue que estava do lado dela ficou apenas encarando a mãe sem entender muito o que acontecia. O rapaz estava voltando do trabalho e encontrou a irmã mais nova (na verdade mais velha que ele) pelos corredores do prédio. Lilith havia ficado de mostrar alguns cantos da cidade para a menina, mas a Siren acabou ficando um pouco mais em seus afazeres.


— Tá tudo bem mamãe?


A Éther torceu o nariz e suspirou, ficando de joelhos encima do sofá enquanto fazia um bico, estava pensando em como responder a sua menina sem ser grosseira, já que não estava no seu melhor humor. Dean levou a mão direita ao rosto, passando-a com calma e apertando os olhos no processo. Coroline então encarou os dois. O menino apenas acenou para ela e foi para a cozinha procurar o que comer.


— Não é nada, só os pequenos dessa casa me deixando um pouco fora do sério.


Carol sorriu, a menina se aproximou um pouco dela e teve em sua visão Haru que encarava com certa curiosidade as duas, tendo esse voltado na miúda. O gato preto apenas virou o rosto depois de encarar a Yagami, e saiu andando para o seu cantinho no quarto da Siren.


— Acho que ele não gosta muito de mim.


— Ele não é muito chegado em pessoas. Nem dê muita atenção a isso.


— Entendi. Mamãe a senhora pensou no que eu disse hoje quando voltamos da aula?


— Hum... — E o que foi mesmo que a menina havia lhe dito?


— Sobre a menina Hisako mamãe! — Falou a menor ao notar a cara de paisagem da mais velha, parecia que enxergava a interrogação acima da cabeça da mãe.


— Ah tá.


“Ah tá” significava claramente um “juro que ainda não sei do que você está falando”. Coroline havia se esquecido completamente do que ela falou, e estava naquele momento se esforçando bastante para se lembrar das palavras de sua menina. Dean não acabou tendo muito interesse no diálogo antes que eles fossem para a aula, isso por que o rapaz havia lhe dito que essa tal Hisako era uma assombração. Só de ouvir a última palavra um desanimo se abateu na Éther. Ela não sabia se Yue estava certo, mas se tratando de coisas esquisitas ela não duvidava muito do que os três sempre lhe diziam. Só que Coroline se sentia desconfortável com aquilo, nunca se deu bem com pessoas que foram e ainda estavam presas a algo. Alguns tinham ainda aquela velha mania famosa da luz no fim do túnel, e ela não estava ali para isso.


Mas agora que isso vinha a sua cabeça, foi o que a levou a refletir durante a madrugada e consequentemente a fez se lembrar de muitas coisas, algumas importantes, outras irrelevantes, mas no final ela se viu muito longe naquele tempo, lembrando-se de histórias passadas sobre os seus e sobre a sua própria natureza. Era estranho para ela se recordar dessa forma de algo, geralmente era uma pequena reflexão e nada mais do que isso.


— Toma cuidado tá?


A mulher de madeixas longas e onduladas concordou, então Dean ergueu o polegar esquerdo a ela, afirmando que se cuidaria. E mesmo a pedido da menina, Dean não sentia vontade de ir se encontrar com alguém, ainda mais naquela área.


Ela precisava ir? Ela realmente tinha que ir?



Noite. Slam Free Field.


— Hmmm...


Dean tamborilava os dedos dentro da blusa enquanto esperava a caixa passar a sua compra. Nem havia nada de especial ali, apenas um saco pequeno de batatas chips e uma água. A mulher ainda não acreditava que estava indo ver a tal pessoa naquele lugar esquisito. Ficou pensando durante um tempinho em relação a isso. Não tinha motivo algum para se encontrar com estranhos, não estava tratando de negócios, mas Carol ao falar consigo parecia séria e parecia ficar ainda mais quando a lembrava sobre isso. Talvez seja algo importante mamãe!


Um nervo saltou do lado direito de sua testa, quem é que iria naquele fim de mundo se encontrar com alguém?! Ninguém, são é que não iam, mas se o que o menino comentou foi certo, só havia uma coisa a se pensar: nada que viria da li iria prestar. Dean não tinha essa sorte, essas coisas nunca levavam a nada de bom. A Éther pagou sua compra depois da mulher decidir largar o telefone e foi andando com a sacola em mãos, estava há uns três quarteirões da localidade, era tempo suficiente para ela comer e beber aquela garrafa de água pequenina.


Esperava que fosse algo de extrema importância. Nessas horas podia estar na companhia de todos em sua casa e, no entanto, estava andando naquela noite estranha. A primeira coisa que Coroline notou enquanto se aproximava era a queda de temperatura, um arrepio deu em sua espinha. Ela odiava aquela sensação, até mesmo parou estando alguns metros próxima do local combinado. Dean coçou a nuca irritada, havia se livrado  da sacola com o lixo em uma lixei a um quarteirão atrás, e a mão livre que a segurava tremia levemente, indicando o que estava receosa de ser: outra coisa de um outro mundo. Eu vou pra casa! Pensou a mulher, já virando o corpo e querendo dar no pé.


Dean se incomodava com esses tipos de seres, o incomodo era tanto que ela não ligava muito de pular um muro e sair andando, se ninguém a seguisse ela ficaria bem, se tivesse alguém em seu encalço ela utilizaria as pernas que tinha para deixar poeira para trás, mas o incomodo que tinha, não a apavorava tanto quanto ver uma barata voando e Slam Free Field, parecia ser um lugar perfeito para se ter várias delas. Estava bem perto de começar a andar para longe, mas algo a puxou para trás. Não era exatamente algo e sim um de seus Patronos que vivia em sua asa esquerda. Esse tinha força para mesmo que não se manifestasse, conseguisse parar a Éther, e Rakras era mais do que forte para isso, tanto que estava fazendo o corpo dela dar passos largos de costas. Coroline se forçou muito para voltar, esticando os braços e tentando se agarrar em uma das estruturas de ferro, mas logo seu corpo era arrastado para trás sem o menor comando dela. A mulher olhou desacreditava até que seu corpo foi virado bruscamente para encarar o seu oponente, parecia que Rakras estava lhe dizendo algo do tipo: Toma vergonha na cara rapariga! Mas quando Dean viu o que estava a sua frente, seu estômago ficou todo embrulhado.


— Eown...


Mortinha, Mortinha da Silva, era o que estava a sua frente. Não sabia de que século aquilo saiu, mas tinha certeza que havia algo muito estranho dela, a criatura a sua frente parecia aqueles momentos falhos de gravação em vídeo cassete. O fantasma saiu de onde estava, olhou bem para ela, e apontou o que segurava bem para Coroline. Sua Baby-Girl havia dito que aquilo queria conversar, falar consigo, mas tudo o que Dean ouviu foi uma ordem, e quem dava ordens, não conversava.


O olhar da Éther deixou a coisa que se apresentou como Shin Hisako para cair sobre a espada que ela empunhava. Aquilo ali... Parecia estar mais vivo do que ela. O ser queria uma resposta, mas a Éther não se lembrava de ter que dar satisfações a ninguém a não ser aquela que sempre a manteve bem próxima de si, mas já era de praxe esperar que aparecesse mais uma divindade com alguma coisa para falar, e se metendo onde não era chamada. Não foi assim com Ares? Que a confundiu com o panteão de sua origem, proclamando que eles eram destinados a serem maiores do que estes? Mesmo que a história de seu próprio grupo de divindades, deixasse claro que Zeus jamais ousou enfrentar a deidade Nyx, temendo a fúria da Primordial. Histórias assim eram esquecidas para se causar algum temor contra aquele que se lutava contra, entretanto, ali estava uma coisa nova: não foi o ocidente que veio tentar exigir alguma coisa, e sim o oriente. E Hisako como o outro, não andava sozinha.


A morta segurava com firmeza a base da espada, Dean olhou-a cortada, aquilo já fazia parte de um indicador muito comum entre os seus: problemas. Só que o que realmente deixou a morena irritada, foi que mandaram uma criança para fazer perguntas cuja as respostas ela não tinha obrigação alguma a dar, mas Shin estava disposta a conseguir não é mesmo? Ela podia ver isso através da firmeza em sua empunhadura, isso era mais do que necessário para indicar que ali não sairia nenhuma conversa. Coroline levou as duas mãos ao pescoço inspirando fundo. Desde o princípio não queria estar ali, desde o início não tinha o menor pingo de vontade de estar presente naquele lugar. E agora que sabia o motivo, ficou a encarar a criança.


Dean soltou o ar que havia puxado anteriormente, e moveu o pescoço causando estalos altos. Hisako que lhe parecia já preparada, não era uma pessoa viva, logo não era mais humana como a sua aparência lhe indicava ter sido. A Éther tirou a blusa verde que usava e a enrolou a sua cintura, ficando apenas com uma regata branca e a calça preta. A mulher de madeixas longas estendeu mais uma vez os braços, mas dessa vez a altura dos seios e entrelaçou os dedos, seja o que lá fosse acontecer da li em diante, não acabaria sendo justo com o seu limitador. Ao estalar os dedos de uma vez, a fina camada transparente que cobria seu corpo se estourou, se desfazendo em milhares de pedaços até se desintegrarem durante a sua queda para o chão. Limitador era nada mais que um componente que reduzia drasticamente o físico. Ele não deixava que ela aproveitasse tudo o que seu natural tinha a oferecer, era por conta dele que Dean parecia mais humana do que deveria ser.


Apesar da situação ser incomoda, ela tinha que admitir uma coisa: não era todo dia que ela podia não ligar para quem estava do outro lado do cenário, e isso a deixava excitada.




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Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ
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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO em Seg Jun 04, 2018 4:59 pm



ROUND 1 - MOVIMENTO 1
Obs: Palavras em vermelho estão linkadas!

ㅤㅤㅤNenhuma resposta. Por um momento notei que eu estava fazendo o papel de boba segurando a espada em direção a ela enquanto aguardava por alguma indicação de fala da criatura a minha frente. Minha katana acabou brilhando, falando comigo.

ㅤㅤㅤ── O que quer dizer com isso? ── Eu olhei para a espada, esperando uma confirmação do que ela havia acabado de me passar.

ㅤㅤㅤEu já havia percebido que não teria escolha e que precisaria usar a força para conseguir aquilo que vim buscar. A energia que flui dessa criatura que se passa por humano é ainda mais avassaladora de perto do que de longe. Estou empolgada para saber do que ela é capaz e principalmente a origem de um ser tão poderoso assim. A luz que emana dentro do corpo dela era tão forte e quente quanto a luz de um Light Lord, tão quente quanto a luz dourada que emana da minha espada e que espalha por todo o meu corpo. Observo atentamente o que ela está fazendo e percebo que ela estava se preparando para o combate.

ㅤㅤㅤMais uma vez a espada brilhou. Eu sorri com o que ela havia me dito. E então, comecei a segurar a “tsuka” (empunhadeira) da Katana com ambas as minhas mãos. Não era uma Katana qualquer. Essa arma é uma réplica astral da espada que pertenceu ao meu pai, forjada através do tamahagane (o aço da jóia) do Japão e alimentada com os poderes de um guardião de luz dos Ichoriens para aquele que se mostrasse digno de ser o guardião do portal dos deuses. Era uma espada bonita, praticamente uma arma lendária criada pelos deuses para punir qualquer criatura, seja ela benigna ou maligna. O “Kashira” – o acabamento de metal encontrado na base do “tsuka” – é a réplica dourada de uma cabeça de dragão forjado através do ouro puro e com um detalhamento impecável. A alma da lâmina, que chamamos de “Nakago” é protegida por um anel de acabamento, o ‘fuchi” e seguido por dois espaçadores que chamamos de “Seppa”, ambos posicionados entre o “tsuba”, uma estrutura de metal circular bastante resistente que serve de guarda-mãos para aqueles quem empunham a Katana. E por último, uma peça dourada que serve de colar para a lâmina, o “Habaki”, deixando a arma com um toque mais divino e especial.

ㅤㅤㅤO comprimento da lâmina era absurdamente grande, pois se tratava de uma Ödachi, com um fio tão poderoso que podia atravessar das mais resistentes armaduras quanto amputar a cabeça de um cavalo como se fosse um grande pedaço de papelão. Seu tamanho atrapalhava aqueles que não soubessem manuseá-la, e sendo a melhor maneira de carrega-la já empunhada em mãos do que embainhadas na cintura ou nas costas, que sempre atrasaria o samurai na hora de puxá-la para o combate. No “Mune” – o dorso da lâmina –, mais precisamente no “Hi” – o sulco da lâmina – é possível encontrar uma descrição brilhante em cores esverdeadas, caracteres em japonês que significavam: “Lâmina para um Guardião”. A aura dourada que percorre toda a extensão dela significava que a arma estava energizada com os poderes da luz dos Ichoriens e pronta para cortar qualquer coisa que ficar no caminho da justiça deles.

ㅤㅤㅤE neste caso, eu estou aqui para trazer à tona a verdade por trás da existência deste ser e principalmente suas motivações no mundo terreno.

ㅤㅤㅤAs perguntas se repetiam incessantemente dentro da minha cabeça. Quem era ela? O que a fez se reproduzir com os humanos e como isso foi possível? O que motiva ela a continuar aqui? Haviam intenções boas ou ruins nas suas ações? E para cada uma dessas respostas, somente os golpes da minha Katana poderão revelar a verdade por trás de cada uma delas!

ㅤㅤㅤEsperei pela minha adversária terminar de se preparar. Faz parte da minha honra, do meu treinamento, deixar que o oponente esteja disposto e pronto para iniciar o embate. Ela fez alguma coisa que não pude distinguir muito bem. Era como se ela liberasse todo o seu poder num estalar de dedos, mostrando uma confiança ainda maior em suas habilidades. Isso era bom. O meu coração apodrecido palpitou por um leve segundo. O calor da luz dos Ichoriens percorreu meu corpo gelado e morto, como se pela primeira vez, um resquício de vida emanasse dentro dessa carcaça oca e ambulante que serve a mim. E por fim, por um impulso, eu início a minha investida no exato minuto que um trem passou por cima da linha férrea que há por cima de nossas cabeças, com suas luzes piscando insistentemente por cerca dos três primeiros segundos.


ㅤㅤㅤ── Omae Okuu! ── Eu disse que vou devorá-la. Esta é a minha frase inicial para todos os combates. Eu fechei os meus olhos enquanto dizia isso, como se passasse um sentimento de tristeza. Porém, eu sorri. De ponta a ponta, arregalando os olhos para ela como uma psicopata faria, mostrando meus dentes pontudos e cinzentos ao mesmo tempo que minha aura dourada refletia várias imagens distorcidas de mim mesma, todas com aquela face bizarra.

ㅤㅤㅤAcho muito bom saber que ela estava pronta para me enfrentar e com tudo o que tinha. Em uma luta não existe pena ou remorsos do oponente, ou você perecerá. Um samurai tem de estar ciente de iniciar o combate já pensando na sua execução final, o quanto mais rápido e decisivo for, melhor para ele. E como sei que isso poderá me levar algum tempo, eu não medirei esforços para conter esse monstro que tenho em minhas mãos. Seja por bem ou por mal, ela irá me revelar os segredos de sua existência neste plano!

ㅤㅤㅤ“Ela pode sentir a sua dor.”

ㅤㅤㅤSenti um peso nas costas. Minha coluna inclinou-se para frente, meus quadris empinaram-se para trás. Eu estalei meu pescoço para um lado e depois para o outro. E então, vários estalos altos de ossos puderam ser ouvidos num estouro de luz que contornou todo o meu corpo. Eu gemi de dor, em sofrimento, quase que um choro em silêncio, como se sentisse todos os meus órgãos internos e apodrecidos sendo perfurados pelos ossos dessa carcaça oca e ambulante.

ㅤㅤㅤ── Oohk... Ohohohk... ── Fiz esses sons estranhos com a boca. Toda Onryö o faz quando está aproximando-se de suas vítimas.

ㅤㅤㅤ“Ela pode sentir o sofrimento que passou.”

ㅤㅤㅤMinha espada lembrava-se disso o tempo todo.


ㅤㅤㅤEu movi a Katana, balancei-a de um lado para o outro, segurando a tsuka com as duas mãos, a destra segurando firmemente a região logo abaixo do tsuba enquanto a canhota posicionava-se logo acima do Kashira de dragão dourado, mantendo a espada empunhada com a lâmina na direção contrária a minha oponente. Eu flexiono meus joelhos e inclino a coluna um pouco para frente, afastando as minhas pernas uma da outra. Sempre sorrindo, sempre a encarando, olho no olho.

ㅤㅤㅤ“A morte presente no seu corpo causa arrepios na sua oponente. O frio do seu corpo morto compara-se com a luz fraca de uma estrela morta!”

ㅤㅤㅤ── HOOOOOOOOOOAAAAH! ── Eu lancei-me na direção dela, não correndo e não com um impulso. Eu voei. Meus pés desapareceram por um momento e minha saia pareceu ter se transformado em um longo vestido por um breve segundo enquanto meu corpo assumia uma parte de si fantasmagórica enquanto outra parte continuava palpável. Tão rápido quanto um lance de vista, passando por ela com uma imensidão de mim mesma.

ㅤㅤㅤNaquele mesmo instante, um feixe de luz dourada deveria estraçalhar o corpo da minha adversária, indicando que apenas nesse movimento, eu movi minha espada de forma tão rápida ao ponto de preparar um corte limpo e instantâneo no corpo dela, algo muito semelhante a uma técnica que alguns chamam de Hiten Mitsurugi. O movimento da espada que é tão rápido que os olhos humanos não podem acompanhar, mas e os olhos de um monstro? Será que ela pode ver a forma com qual manejo a minha espada apenas nesse movimento usando meu corpo espectral? E se não, será que ela sentirá a dor do corte feita pela lâmina de luz dos Ichoriens? Essa foi a minha investida inicial, o Fatiador Espiritual!


ㅤㅤㅤContra oponentes comuns, era esperado que esse golpe fosse suficiente para partir ela ao meio. Na minha posição, eu quero ver até onde vai as capacidades dela. E não terminaria apenas por aí. O dano cortante seria o suficiente para catapulta-la para o alto ou derrubá-la ao chão e assumindo que seja a primeira condição, eu me viraria tão rápido para poder executar outro golpe de espada que manteria minha adversária no ar.

ㅤㅤㅤAscensão! O que muitos consideram como um Teleporte. Eu me desloco de um lugar para o outro, num piscar de olhos, sumindo e materializando meu corpo no alto. Se minha oponente estiver no chão, eu surgirei acima da cabeça dela, pronta para golpeá-la com o que estiver em minha mente. Mas naquele caso, eu estaria contado que o estouro de luz dourada não só cortasse ela como a jogasse para o alto. E se isso acontecer, eu a pegarei pelo pescoço com minha mão destra e ficaremos flutuando por um breve instante. Eu apertarei o pescoço dela com força, tentando asfixiá-la enquanto olho diretamente nos olhos dela, tentando lhe induzir uma sensação aterrorizante de medo.


ㅤㅤㅤ── Seria este o momento ideal para você me contar tudo sobre sua existência! ── Falarei. Mas não esperarei que ela tivesse reação alguma. Se eu tivesse sucesso nas duas ações anteriores, o meu corpo estará livre para se apossar do de Dean. Ele entrará dentro do dela e a possuirá. Cada movimento meu dentro do corpo dela fará com que a criatura se contorça violentamente, causando torções extremamente dolorosas que poderiam quebrar todos os ossos dela. Seriam cinco dessas torções, com força suficiente para causar muito sofrimento. E além disso, eu estaria plantando uma ‘maldição’ nela também. Quando as cinco torções terminassem, eu liberaria o corpo dela saindo do mesmo como se fosse expulsa dali de dentro e nós duas viramos a cair no chão. Ela, acredito eu, estaria caída de costas para o piso, enquanto eu aterrissaria e voltaria a segurar a Tsuka da espada com as duas mãos.


ㅤㅤㅤA maldição que ficaria implantada em Dean seria uma esfera espiritual branca, muito semelhante com uma pequena labareda de fogo. Essa esfera ficará posicionada acima da cabeça da mesma e todo movimento que ela fizer, seja pular, correr, esquivar, a esfera seguirá ela por todos os lados. Isso faz parte do meu golpe de Possessão. (Obs: Na movelist o nome do golpe está como agarrão para frente. Na outra versão da Hisako esse golpe se chama Possessão e eu acabei me esquecendo de corrigir isso antes da luta.)

ㅤㅤㅤMas quais são as reais finalidades dessa maldição que possui a forma de uma esfera espiritual? Muito semelhante aos Willow’s-the-wisps, essas criaturinhas são parte dos meus poderes depois que atingi minha forma mais poderosa. Eu descobri que sou capaz de projetar vários espíritos no campo de batalha para surpreender, confundir e devastar meus inimigos! E qualquer movimento que eu fizer com a minha Katana, eu terei sempre alguma posição vantajosa sobre a oponente no tempo que ela permanecer com a esfera presa em si. Ou seja... Os espíritos estão à deriva!

ㅤㅤㅤ── Minha Katana... Ela me diz o que você sente. ── Voltei para ela. Desfaço o sorriso. Mantenho um olhar sério e de indiferença para o meu alvo. Posso ouvir os sussurros do espirito na minha arma. Ele me deixa à par de tudo o que acontece ao meu redor. Cada mudança de comportamento, do ambiente, tudo está sendo passado para mim em meio de comunicação mental. O dever dele como uma arma coalescida é manter seu mentor e guardião sempre atento de tudo o que está à sua volta. E mesmo que minhas investidas não surtem o efeito desejado, eu ainda estarei ciente de cada ocorrência aqui em Slam “Free” Field. Ainda era cedo para determinar qual será o destino dessa localidade tão abandonada e tão pouco visada pelos outros seres vivos. Meu pescoço vai para um lado e depois para o outro, meus cabelos curtos seguem o movimento de minha cabeça, até mesmo a flor dourada dos jardins do paraíso que meu pai colocou como enfeite na minha orelha. Eu aguardo pela minha oponente. É com a reação dela que essa luta começará de verdade!






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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Qua Jun 06, 2018 7:39 pm


☙ ~ Palavras em outro idioma possuem legenda!






ROUND 1 - MOVE 2


No momento que aquela camada fina desapareceu, a primeira característica não humana surgiu. Entre o mar dourado de seus olhos, um feixe branco dividia aquelas pupilas e as íris de coloração intensa, mas quando se expandiu, trouxe consigo um aglomerado de sistemas e estrelas, refletindo o que havia por de trás daquele corpo, um ser que podia atingir proporções astronômicas, ter em suas mãos um galáxia como esta que eles agora habitavam, ou que simplesmente podia se manifestar na mesma altura que o corpo bípede que estava se aprontando tinha (Meramente ilustração).


Tudo o que Dean enxergava, havia mudado. O plano físico não era a única coisa que seus olhos viam com clareza. Essa mudança permitia-a ver o que ela já havia adquirido desconfiança sobre a espada, dentro dela tinha uma alma, e não era de qualquer ser. Pelo que via daquela intensa luz e de sua presença, era uma deidade, e isso apenas atiçou a natureza da Éther.


A fibra daquele corpo humanoide recobrava seu estado natural, eram energizadas sem contenção alguma, quebrando ainda mais a falsa similaridade que havia entre eles. Essa mudança fazia com que a pele de Dean seja bem mais clara do que já era, seus traços delicados em uma aparência jovial davam a tenra impressão de que a criatura a frente da fantasma podia ser facilmente quebrada, que a cada passo que ela desse, a bela que parecia uma boneca de porcelana, ao tropeçar se despedaçaria no chão, mas se a morta chegasse a essa conclusão em algum momento, seria uma falsa afirmação.


A segunda mudança era seu antebraço direito que decaiu, revelando por um breve momento uma estrutura óssea escurecida, que tinha um efeito muito similar a objetos cromados, no entanto, ele não se tratava de um exoesqueleto, ou seja, não havia nenhum componente metálico no corpo da Éther, apenas a estranha composição de que eram feitos os seus ossos.


O antebraço foi restituído por uma camada densa e negra, após ser encoberta por uma energia infinda de aspecto esverdeado, com mesclas azuladas lhe dando um tom chamativo e hipnotizante. Esta era nada mais que a energia que compunha todas as formas de vida: o Aether. O elemento que divindades respiravam, que compunham cada parte do Cosmos, sejam eles físicos ou espirituais. Essa era a sua manifestação pura e a partir de sua formação pela Éther, o antebraço se formava através de fios negros, que se estendiam ligando-se a pele, e formando assim o resto de seu braço direito, tornando-se dura. Ela moveu os dedos que agora se assimilavam a garras, e por baixo dele, podia-se ver o Aether em constante movimento, este contido por trás de uma camada grossa de pele azulada, o oposto da macia e delicada que era o resto de seu corpo.


A Éther ergueu a mão destra e a mexeu, ouvindo alguns estalos. Uma leve palpitação ocorreu nas suas costas. Cepehart e Rakras, os Patronos que habitavam em seu ser e ressurgiam sempre em suas asas, estavam ansiosos para o que podia ocorrer da li em diante.


O canto superior esquerdo dos lábios grossos da mulher se curvou em um sorriso fechado. Ela viu a “ressonância” vinda da espada, palavras pareciam soar dela, não lhe era interessante ouvir, mas sabendo que aquilo não era um ser mortal, fez com que Coroline achasse aquilo divertido. Hisako parecia ter começado a sua investida, mas foi algo detestável para a Éther, ela se “contorcia”, se movia de tal forma que Dean sentiu o que vinha dela, uma dor incessante, como se tudo o que havia naquele corpo estivesse sendo rasgado e perfurado. Ela não gostava daquele tipo de espírito, e como não podia conter a empatia que possuía neste estado, a criatura era obrigada a conviver com aquilo, e os tipos como Hisako eram muito mais reais a ela do que outras formas que partilhavam daquela existência.


O cheiro familiar da morte, o medo do que aquilo podia fazer. Ah sim, o medo. O fato dela não gostar deles perto era estranho dado o ser que era, sempre havia um motivo para o porquê do medo. Como já dito anteriormente, Éthers não eram seres feito de metades, esses seres eram completos, e isso valia para os seus próprios dons. E até onde a história dela neste mundo, nos seus quase cinquenta anos podia contar, é que até mesmo ela, tinha um lado obscuro. Podia ser essa a fonte do medo? Quem saberia? O fato era que, ela não gostava de tê-los por perto, sempre os evitava.


No entanto, em meio a isso tudo, algo chamou a atenção de Dean. Após aquela espada ressonar com a morta, Hisako fez aquela ação. A sobrancelha esquerda de Dean se ergueu, teria alguma chance de aquilo saber algo sobre si? Sua memória voltou ao ponto principal de quando encerrou seu limitador, ele disse algo a ela, e pareceu lhe passar confiança. A morena não sabia se existia alguma informação do seu tempo entre eles, mas lhe soou estranho.


Os gemidos de Hisako eram até comuns, entretanto, se seu palpite estivesse certo, faria a fantasma sofrer dores piores do que aquelas que parecia querer lhe passar, mas primeiro, induziria dor naquele objeto que ela carregava, mesmo que isso a obrigasse a retornar aos cantos mais terríveis de sua história, e fizesse que ela, uma criatura de aspecto humanoide esquecesse seu convívio entre os humanos.


A Éther podia facilmente abandonar as culturas que conhecia deste mundo, e recobrar todos os componentes da sua, aplicando-as em combate sem nenhum remorso. Isso fez seu sangue queimar, e a deixar mais propensa a atacar a qualquer instante.


A morta-viva moveu sua Katana, a garota “brincava” com ela ao balançar de um lado ao outro. Dean se inclinou para frente, sua mão esquerda envolta de sua própria energia, Shin viria a qualquer momento e ela arriscaria. Da mão a qual havia focado aquela pequenina quantidade, passou a emitir feixes de eletricidade, e no momento que Shin avançou, deixando o seu “grito de guerra” como um sinalizador, a Éther disparou a sua própria energia, um simples projétil que poderia causar paralisia momentânea pela sua amperagem se acertasse a sua oponente ( AE.007 - Stay Tuned). Daria certo? Ela não sabia, alguma coisa aconteceria, e medo das consequências de seus atos a Éther não tinha. Mas por que se arriscar? Bom, três coisinhas passaram na mente desse Ser Antigo.


A primeira coisa que a fez se arriscar, foi o seu palpite, muitos anos como um arqueóloga freelance, vivendo com o sobrenatural daquele mundo, tendo caminhos cruzados com várias entidades e deidades, fizeram com que Dean fosse mais que astuta com esse tipo de coisa, o ramo a ensinou muito bem: nada era impossível, e se isso era o que você achava, algo aconteceria para provar que essa palavra em si não existia quando se tratava dessa realidade em um todo.


A segunda, era que Coroline sempre foi bastante observadora, até demais para o gosto alheio, o corpo sempre indicava uma suposta ação, Hisako podia estar apenas fazendo muito bem o seu papel de Onryö, como também preparando algo e juntando com a forma que ela se apresentou a princípio, esperar algo dócil estava fora de cogitação, e o último elemento dos motivos de seu risco era: o bendito grito.


Um dia ela iria entender, por que alguém saia aos berros em um ataque, avisando aos quatro cantos do planeta que estava pronto para “dar na fuça de alguém” como Lilith, sua filha mais nova costuma dizer. Não era comum entre os seus fazer isso, Dean sentia este ato como inútil, era como ter um coringa na mão e gritar para todo mundo que iria usá-lo, e o pior era que tinha gente que ainda achava que o oponente deveria ficar parado depois de um ataque autoproclamado. Dava impressão que havia uma plaquinha dizendo no local “fique aqui” e outra neles com um “fique parado aí”.


Mas apesar desses três motivos, havia um fator muito importante: a Onryö não estava fora do seu campo de visão. Hisako era rápida, isso era incontestável, assim como também é a sua oponente, porém, não havia mais nada que prendesse a Éther em uma estatística quase humana. Uma vez sem nada a segurando, as duas não estavam em patamares tão diferenciados e Dean tinha a certeza absoluta, que o que seria rápido a outros, pareceria normal para a Onryö.


Se a sua movimentação desse certo, ela pararia a criatura ali, mas Dean não avançaria contra ela, ao menos não por aquele momento. Ela estendeu o seu braço esquerdo, ao lado do corpo e sua “Aura Negra” se manifestou. Essa poderosa habilidade, é tanto ofensiva, quando defensiva. Coroline por ser uma criatura que manipula o Aether e o Nether (O último elemento, aquele que flui entre os reinos dos vivos e dos mortos, o oposto do Aether), usa seu controle em um estado físico, criando o que aparenta ser de uma grossa camada de fumaça negra, um “organismo vivo”. A Aura Negra é de fato uma habilidade misteriosa, tendo como base o controle da biomassa (manipulação corporal), com ela, Dean ao manipular sua estrutura, consegue fazer coisas inimagináveis com esse organismo e para uma breve utilização, ela fez a Great Knife, a arma primária de seu gosto voltar ao campo de batalha.


A Great Knife podia ser forjada em ambos os braços, sempre com a “lâmina” se iniciando nas laterais dos braços, servindo como espadas. Ela pode variar o tamanho, chegando a se arrastar no chão ou o comprimento do braço de Dean, sendo algumas vezes até mesmo menor, ela nunca ultrapassou mais do que dois metros e já foi utilizada pela Éther para cortar até mesmo estruturas espessas. Sua lâmina é fina e branca, sua criação se baseia em cortar materiais orgânicos ou inorgânicos. A Great Knife era fácil de se utilizar e caso quebrar, a Éther podia a reconstituir, sendo do seu arsenal a mais fácil de se reparar e mais leve de se mover, já que Coroline variava o seu comprimento e largura a sua vontade.


Neste ponto ao formá-la, a Éther apenas a mantinha em seu braço esquerdo, fazendo a sua ponta chegar até os seus pés, esta que era levemente curvada, lembrando um pouco uma cimitarra. A Éther virou o corpo em direção a Hisako (mais precisamente o seu lado direito, usando a mão livre para chamá-la.


— Odorimashou ka?


No momento que a última palavra foi proferida, foi a vez de Dean avançar, e independente de Hisako acabar sendo paralisada ou não, a Great Knife já estaria formada. Ela não precisava de um momento para ressurgir. O componente da Aura Negra, se construía da mesma forma que a regeneração de Dean restituía a sua estrutura humanoide, mesmo que está não lhe livrasse da dor que sentiu antes da reestruturação celular, sendo um mecanismo realista sobre a realidade de seu físico (ela jamais esquecia os danos que sofria, estes duravam por um longo tempo, como um memento sobre si mesma).


Dean ao avançar contra Hisako, faria sua primeira ação. Como as Artes Marciais que usava, a Great Knife era usada em sua maioria dentro dos movimentos básicos, que podiam ser combinados para ações mais longas. Coroline pisaria com certa força no chão com o pé esquerdo, trazendo a ponta da lâmina em direção a Hisako, começando da altura da cabeça dela até o chão, o que poderia ser catastrófico a ela se fosse bem-sucedida nesse primeiro ato, mas ao invés deste bater contra o solo, seria redirecionado momentaneamente para Dean, que levaria o antebraço que estaria dobrado em direção a morta-viva, tendo uma parte da lâmina ali,  que se com sorte, poderia se aprofundar no centro do rosto da Onryö.




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Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ
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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO em Sab Jun 09, 2018 7:22 pm



ROUND 2 - MOVIMENTO 1

ㅤㅤㅤA espada me trouxe mais informações sobre a oponente. Por trás da carcaça humana que ela usava para esconder-se entre os demais seres vivos deste mundo, a mesma era uma caçadora de mitos e violadora de tumbas. Ela era mais uma arqueóloga na Terra, daqueles que estudam o passado das civilizações e os segredos que os que já se foram deixaram para trás para que o mundo descobrisse. Para nós, os fantasmas, são o tipo de curiosos que mais detestamos. Nós não desejamos que nossos túmulos sejam violados, não queremos que nossa angústia seja passada para os outros. As Onryös mais poderosas do mundo costumam matar todos os que desrespeitam o seu descanso final. Oiwa, uma das mais perigosas e perversas Onryös do mundo é temida até hoje pelos japoneses.

ㅤㅤㅤOiwa-sama...

ㅤㅤㅤFaz anos desde que você colocou sua maldição, e ela ainda persiste. Seu ódio corre toda essa distância? O Kabuki (teatro japonês), Tokaido Yotsuya Kaidan (teatro sobre a Oiwa-sama), que retratou ela como personagem principal, foi muito bem recebido. De qualquer forma, nos dias de hoje, mesmo que tenha um monte de estórias de terror, ainda tem que ser um show tão assustador, que faça os expectadores se arrependerem de ver. Dizem que Oiwa do Tokaido Yotsuya Kaidan amaldiçoou as casas Itou e Tamiya, chegando ao ponto de que eles terminaram sem nenhum descendente. De qualquer forma, a lenda associada com Oiwa Inari é completamente diferente dessa peça. A filha da família Tamiya, Oiwa, bem conhecida pelo seu trabalho duro, frequentemente orava para o Inari (uma divindade das colheitas em forma de raposa) da terra. As pessoas ao seu redor seguiram o seu exemplo e começaram a orar para o Inari. E esse costume continua até hoje. A verdadeira Oiwa que existiu era o modelo de uma virtuosa mulher, ou era uma mulher traída pelo marido, que consequentemente terminou como um fantasma vingativo que amaldiçoa os outros? Qual é a verdade?

ㅤㅤㅤPor causa da maldição de Oiwa, a Casa de Itou terminou em ruínas.

ㅤㅤㅤSua maldição é tão poderosa que afeta até mesmo aqueles que tentaram reproduzir sua trágica história em apresentações de teatro e produções cinematográficas. Muitos se suicidaram durante e após as gravações, o que levou os cidadãos sempre peregrinarem até o túmulo da mesma para rezar, pedir a benção da fantasma e permissão para contarem sua história.

ㅤㅤㅤMas será que isso foi o bastante? Será mesmo que ela queria que seu trágico fim fosse usado para entreter os curiosos? Não. E isso se tornou quase que uma regra para toda mulher injustiçada que se tornava um espírito de vingança. O mesmo valeu para mim, quando a angustia de todo o meu coração pela minha morte através de um ataque covarde de um homem frouxo e incapaz de aceitar com a rejeição me transformou no que sou hoje: Um fantasma de vingança... agora, um fantasma de vingança que responde pela justiça de deuses extintos!

ㅤㅤㅤA espada me informou novamente! “O seu grito de guerra a fez desdenhar de você!”

ㅤㅤㅤO que ele quis dizer com isso? Que o meu grito antecipou o meu ataque? Sim. Tem uma pontinha de verdade nisso aí. Mas se ela era mesmo uma arqueóloga que busca entender e desvendar o mistério do desconhecido, não seria ela ao mesmo tempo conhecedora de todas as culturas existente por detrás da história dos povos antigos?

ㅤㅤㅤKiai (気合) faz parte das artes marciais japonesas e tem como princípio de mostrar que todos possuem um grito de força, principalmente os grandes felinos que paralisavam suas presas antes de as atacar, sempre partindo de três específicos pontos: O início da atividade, durante a atividade ou no fim da atividade. E o meu foi justamente para causar o medo, o pavor, já que foi um grito de guerra hediondo acompanhado por uma devastação sonora horripilante, como se minha voz fosse acompanhada por vários outros berros demoníacos ao mesmo tempo.

ㅤㅤㅤSom é atrito. E tudo o que se faz no certame gera atrito. Não há meios de lutar na Terra sem produzir o som e o grito é a expulsão do ar. E o meu foi justamente para demonstrar o impacto e a força que eu golpe teria se ele fosse bem-sucedido. E não foi. Mas me deu um entendimento melhor de como ela costumava agir.

ㅤㅤㅤProjéteis! Ah, eu adoro isso. Um método que os mortais desenvolveram para poder manter afastados os oponentes que precisam de aproximação para atacar. Ela foi inteligente em posicionar aquela esfera de energia ali. Mas será que não seria a mesma coisa se eu não tivesse anunciado meu ataque? Claro que seria. É como se ela estivesse preparada para isso desde o começo. Foi um teste, assim como o meu golpe. E a energia que percorre essa esfera, ao colidir com o meu corpo, imobilizou meus músculos e me fez perder a reação de todo o meu corpo. Eu fiquei paralisada no ar. Eu baixei a minha cabeça, eu senti as dores da eletrocussão percorrendo todo o meu ser, deixando queimaduras por todo meu cadáver. Eu segurei o cabo da espada com força para que ela não escapasse de minhas mãos. Eu resisti o máximo que pude ao dano...

ㅤㅤㅤEla aproximou-se. Fez alguma coisa com o corpo dela que eu só pude perceber depois de esforçar-me para abrir um dos olhos. Não era mais uma humana diante de mim e sim outra coisa... era como se eu estivesse olhando para as estrelas, os cosmos, o espaço sideral dentro de uma linha com o contorno de um corpo feminino. Eu vi olhos tão brancos como o leite, o braço dela se moldando com manipulação de energia sombria para uma lâmina.

ㅤㅤㅤ“Então isso é um Ether?”

ㅤㅤㅤ“Sim. Ela está te testando.”

ㅤㅤㅤ“Eu sei. Eu também estou.”

ㅤㅤㅤ“Fez de propósito?”

ㅤㅤㅤ“Fiz.”

ㅤㅤㅤ“O que será agora?”

ㅤㅤㅤ“Ela deveria saber que um ser com os poderes da natureza podem dar um fim ao seu destino. E que deveria saber pelo meu andar e o meu olhar que ela está prestes a ser forçada a desistir!”

ㅤㅤㅤ“Se não vai fazer pelo bem, será por mal?”

ㅤㅤㅤ“Exato.”


ㅤㅤㅤEu abri a minha boca em resposta a dor da eletricidade. Minha boca abriu-se muito amplamente e dela saiu um grito horrível, furioso e penetrante que ecoou por toda a rua deserta de Slam “Free” Field, revelando o meu arranjo de dentes finos e pontudos que pareciam mais apropriados para um tubarão do que para um humano. Eu me contorcia de todas as formas para me livrar dali, observando a aproximação da mulher universo. Eu percebo o tamanho da espada que ela criou em mãos e tenho certeza que ela pode determinar o tamanho que bem desejava para a lâmina. Se eu não fosse experiente em situações como ela, só pela maneira que ela levantou a espada e preparou para me atacar, eu diria que estaria perdida. E foi no exato momento que ela me atacou que minha reação veio à tona.

ㅤㅤㅤVUUUUUSH!

ㅤㅤㅤMeu corpo sumiu. Como se ele nunca existisse. E a espada foi lançada sem intenção para frente enquanto girava como uma hélice no ar, cortando o ar. Não foi um ataque intencional, mas ela acabou reagindo dessa maneira quando a deixei para trás. Mas não por muito tempo. A espada ficou suspensa e rodando no ar no momento que a oponente tentou me atravessar da cabeça para baixo com sua mão-espada. E logo após isso, eu reapareci no mesmo lugar, como se saltasse de outro mundo, de outro plano, agarrando a Katana e preparando um golpe-contra-ataque com rapidez o suficiente para desenhar um raio amarelo no ar com o fio da espada, este que atravessaria todo o braço da minha oponente e causaria um estouro de luz poderosíssimo. Minha intenção é separar o braço dela do corpo, fazendo agora mais jus ao pedido de Izanami do que o de meu pai. O golpe de espada desferido aqui é o “Ryu Tsui Sen”, ou “Martelo reluzente do Dragão”, onde o praticante pula no ar e desce provocando um corte na vertical.

ㅤㅤㅤSucesso ou não, aproximação entre nós duas não mudaria e não haveria espaço para ela se afastar sem que sinta a fúria de minha Katana Astral!

ㅤㅤㅤAqui eu utilizarei uma sequência de golpes dentro da prática do Iaijutsu, dividido em quatro fases de execução. Quando fui paralisada, eu percebi quais eram as intenções da minha oponente e esperei pelo momento certo para tirar meu corpo do alcance do golpe dela, dando-lhe a esperança de que fosse mesmo me acertar enquanto paralisada pela técnica dela. Quando minha espada falou que eu fiz de propósito é porque ela sabia que eu não ficaria tanto tempo presa em uma técnica comum como aquelas, principalmente com um corpo que não reage mais a esses tipos de impulsos elétricos, só esfumaça por estar podre, porém, eu não deixaria de perder a oportunidade de simular estar presa na investida da outra. Com o golpe de espada dela perdido, ela não teria balanço algum para escapar de minha reaparição, o que torna minha investida de contra-ataque uma possibilidade ainda maior de acerto, mas se não fosse esse o caso, ela já teria perdido o golpe e o tempo de sua recuperação não seria tão veloz assim – a não ser que essas criaturas sejam milagrosas.

ㅤㅤㅤEssa primeira fase se chama Nukitsuke! Agora eu partirei para o que realmente interessa!

ㅤㅤㅤDuas estocadas! Sim. Segurando o “tsuka” da Katana com ambas as mãos, eu aprovetei o comprimento da lâmina somada a proximidade de nós duas para dar duas apunhaladas com a Katana no peito da minha adversária. Só a ação da lâmina que atravessaria o peito dela e depois fosse puxada para trás para então ser inserida novamente para uma segunda remoção me daria uma possibilidade de quatro acertos violentíssimos e atordoaria minha adversária com a dor profunda de ter o corpo atravessado por uma lâmina banhada de energia astral, que queimaria todo o interior dela, mas sem matá-la. Após isso, eu início de vez a segunda fase: O Kiritsuke, o desenrolar dos cortes finais ao oponente.

ㅤㅤㅤOs golpes devem serem desferidos com firmeza e precisão, logo eu seguro bem a “tsuka” da katana no momento de balançar a lâmina em movimentos circulares de baixo para cima, mas sem abusar da força. A técnica requer uma sutileza especial para que seja 100% funcional, caso contrário eu estaria possibilitando meu oponente de reagir contra os golpes de espada. E para essa técnica, eu desferi a minha principal habilidade, um rekka – uma sequência de ataques seguidos e que podem serem desferidos com diferentes níveis de força ou velocidade, além de também simular uma finta -, sendo essa a Shin On Ryo Zan (“O novo Corte da Onryö!”) A cada golpe que eu desfiro com o Shin On Ryo Zan é um passo que eu dou para frente, movendo ambos os braços agarrados na “tsuka” da espada, arrastando meus pés, flexionando minhas pernas, trazendo um balanço dos braços artravés do meu centro de gravidade, movendo os braços com rapidez, deixando feixes de luz dourada atravessando os ares a cada corte dado da arma.

ㅤㅤㅤ── ON! ── Eu berrei durante o primeiro golpe, que representa a Angústia!

ㅤㅤㅤ── RYO! ── Berrei durante o segundo golpe, que representa a Dor!

ㅤㅤㅤ── ZAN! ── Berrei no terceiro e último golpe, a Tristeza!

ㅤㅤㅤCada acerto desse movimento teria como atenção os ombros, peito e rosto da oponente, arrastando várias vezes a lâmina da katana que brilha intensamente a cada golpe desferido. Mas não parou por aí.

ㅤㅤㅤ── HO! ── Eu berrei durante este movimento básico, tento conectar mais uma sequencia nesse ataque, tentando apunhalar ela novamente com outra espetada de Katana, seria rápida, quase que imperceptível.

ㅤㅤㅤ── HEYA! ── Eu berro durante outro movimento básico, seguindo, puxando a Katana para trás para trazer de volta em um golpe horizontal dessa vez, na altura da barriga dela.

ㅤㅤㅤE a finalização! O Shin On Ryo Zan (finalizador) será para encerrar a minha sequência de golpes e por fim na segunda fase do meu Iaijutsu. Os movimentos do finalizador são os mesmos, mas com um uso de força um pouco maior para empurrar o inimigo para uma distância considerável e causar um ‘wall-splat’. Em outros termos, a força que usaria no quarto e último golpe do finalizador de combo marcial seria para atirar a criatura contra a parede que há atrás dela, e esperando que dessa colisão, ela perdesse ainda o tempo de recuperação, pois além de quicar na parede, ela seria empurrada alguns centímetros para frente. O terceiro e quarto ato do Iaijutsu não seriam realizados agora, pois não vejo a necessidade de finalizá-la. Eu precisava de respostas e só conseguiria se ela estivesse acordada e viva.


(Toda a sequência do combo está nessa gif!)

ㅤㅤㅤNo entanto, durante todo esse ataque, desde o primeiro momento até o seu final, os objetos encontrados atrás de mim começariam a levitar como uma contramedida ofensiva se no caso de minha sequencia fracassar. Se ela for um sucesso e minha oponente ser atirada para a parede, eu não hesitarei de arremessar o carro, os pneus e as lixeiras atrás e abaixo da linha férrea para esmagar a inimiga. Mas se no caso dela me quebrar antes do sucesso de todas as minhas investidas, essas coisas também serão lançadas contra ela, numa prevenção de qualquer outra investida por parte dela, o que daria um tempo para recompor e voltar novamente.

ㅤㅤㅤO engraçado é que no meio de toda essa bagunça abandonada pelo tempo, sem nenhuma intenção de limpeza dos humanos que vivem naquela rua abandonada, foi que uma criatura de pelugem negra estava por ali, fuçando nas caçambas de lixo como se procurasse por alguma comida nos sacos de lixo que enchiam até a boca. Com toda a escuridão que cerca abaixo da linha férrea, a única forma de perceber o movimento da criatura era pelos seus olhos brilhantes e vermelhos ao fundo. O que seria? Um gato preto? Um cão preto? Sua forma era desconhecida na distância que estávamos, mas ele foi tomado pela minha manifestação também, no entanto, ficará de fora. A espada me disse que ela é afetiva por essas criaturas, logo, servirá futuramente como uma distração ao meu favor.

ㅤㅤㅤÉ comum para os fantasmas conseguirem manipular os objetos à sua volta com indução mental. No instante que eu pisei neste lugar, já o cobri com uma parte de minha maldição que pode pouco a pouco trazer má sorte para quem estiver por perto, como aquele animal lá atrás, assim como poderá afetar a minha oponente lentamente no decorrer deste combate. Seja pela indução maldição, indução de medo, indução mental e manipulação de ilusões. Todas essas características compõe o tipo de criatura que sou e que estarão sendo implementadas a partir de agora apenas para ver como minha oponente reagirá a tanta negatividade imposta por um simples ser de outro plano?

ㅤㅤㅤA única coisa que ouvi da boca da minha adversária foi a frase “vamos dançar” em japonês. Pois bem... espero que ela goste do meu jeito de dançar.

ㅤㅤㅤ── “Ora wa kuchi no katai hou da. Anata wa sorera o kaimei dekimasu ka?” ── “Eu posso guardar segredos. Poderia você desvendá-los?”






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ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO
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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Ter Jun 19, 2018 12:11 am




ROUND 2 - MOVE 2



Se o ataque daria certo ou não, só prestaria para Dean analisar os movimentos da sua oponente, como ela reagia contra as suas ações e principalmente o seu modo imprevisível. Daquele singelo momento até ir para cima de Hisako, Coroline ao olhar naqueles olhos mórbidos percebeu que da mesma forma que ela estava tentando ver em qual terreno estava batendo, a criatura também a testava, e não precisou imaginar que a Onryö estivesse presumindo que aquela forma era a sua de agir. Tantos anos entre os Terranos já a fez se acostumar a aguardar uma linha de pensamento padrão, e era sempre a primeira opção, nunca a segunda ou a terceira.


Hisako paralisou no ar, mas Dean não pode deixar de ouvir a troca de palavras da espada para ela antes que esta travasse e ela começasse a formar a Aura Negra, como se nada estivesse acontecendo naquele momento. A Éther não escutou a primeira troca de palavras dele, mas no avanço de Hisako ela pode ouvir bem. Coroline pendeu a sobrancelha, o Ichorien falava de sua irritação em relação ao ataque proclamado, e pela expressão de Hisako, ele deveria ter dado algum feedback sobre algo mais seu. Dean pensou por um instante que a espada talvez fosse uma mini Wikipédia, onde a informação mesmo que limitada, ainda assim era repassada, no entanto, ela não duvidava que talvez, mesmo que por uma fração de segundo, a Onryö, talvez pensasse que sua cultura era alvo de estudos acirrados da morena, só que não eram.


Quando se tratava em desmantelar os mitos ou descobrir o que estava por trás deles, o Ocidente sempre ofereceu mais perigo e expansão que o Oriente. Por algum motivo, esse lado do planeta era mais tranquilo que o outro, que tinha a mania deturbada de entrar em contato com tudo quanto era coisa, mesmo não sabendo do que se tratava. Entretanto, isso não fazia Dean inóspita a cultura japonesa, apenas era menos receptiva as artes marciais que para ela eram barulhentas demais para o seu próprio gosto, e isso lhe deu um ponto chave: o que habitava a espada não parecia ter nenhum conhecimento de seu passado, logo ele não sabe de sua cultura, e pelo visto, não sabia nada sobre si além das questões básicas de vivência nesse Astro. Se existe alguma noção, a primeira coisa que ele faria para ajudar Hisako em sua questão, era não dar diretrizes a ela.


No momento que avançou contra Hisako, pode perceber que esta estava a encarando no fundo dos olhos e estava refletido nas orbes dela, o seu ser, sem osso ou carnes, mas até onde ela conseguia ver? Será que seria iludida de estar lutando contra ela assim? Se fosse, a Onryö não teria que estranhar o fato dela não decidir destruir tudo de uma vez? Qual a necessidade de atingir um nível superior de existência e lutar, quando tudo poderia ser resolvido num simples estalar de dedos ou no bater de palmas?


A tentativa de infligir um ataque letal contra Hisako foi falha, Dean não podia esperar outra coisa, estava lutando contra uma morta-viva, a criatura não esperaria receber uma ofensiva que podia danificar seu corpo. A fantasma sumiu de sua vista, e a sua espada veio em sua direção. Dean moveu-se para trás, trazendo o tronco e o resto do corpo afim de evitar aquele choque. Ela ainda não queria ter um contato com o que habitava na lâmina, mas isso não impediu que ela passasse na ponta de seu nariz, cortando a pele branquinha. A Éther trouxe novamente a sua lâmina, mas a morta apareceu na sua frente e juntamente no momento que iria se mover de novo. Coroline não precisou de muita imaginação para o que veio a seguir, só teve que aguentar o que lhe seria causado.


O Ryu Tsui Sen cortou-lhe o braço quase na altura do ombro, fazendo as orbes douradas se arregalarem pela nítida dor. O braço que caia, se decompunha junto a Aura Negra em um processo tão rápido que chegava a ser assustador como nem o pó havia sido deixado para trás. Isso ocorria por que assim que as células se separassem do resto do corpo, não havia mais nenhum resquício de energia que as fizesse manter-se ativas. Sem um reator principal (A Éther) elas se decompunham em um processo rápido e indolor. Só que enquanto Hisako lhe arrancava o braço que estava usando, o seu livre formava uma nova Great Knife, esta arma sempre podia ser formada em qualquer braço ou em ambos ( confirmação na Move List ). Como a outra que se perdeu com o seu braço, ela começava pela Aura Negra que se instaurava pelo antebraço de Dean, transformando-se em uma “capa” sobre o resto do membro enquanto formava a lâmina na mesma velocidade que outra.


Dean não esperou toda a formação desta, ao contrário, logo em meio a sua criação, ela a levou para frente, mas dessa vez a lâmina era mais larga e propensa a um ataque mais intenso, só que ao invés de atacar Hisako, a Hawkins posicionou aquela arma a sua frente, protegendo uma parte do peito com esta e fazendo com que a lâmina de morta batesse em seu antebraço diferenciado. A lâmina passaria a Aura Negra, podendo associar ela a carne, mas se chocaria no fim contra essa parte do corpo da Éther fazendo o choque produzir um som ensurdecedor. A espada não transpassaria, ao invés disso pareceria bater em algo tão duro, cuja a sensação causaria mais que um desconforto na Onryö.


Enquanto a Aura Negra se formava em seu braço direito, exatamente no mesmo momento, onde estava o seu membro superior esquerdo, o braço que havia se perdido, estava se restaurando. Não só os ossos retornavam célula por célula fundada no Aether e ganhando formação corpórea como os nervos o acompanhavam, trazendo a pele logo depois. Entretanto, o processo não era indolor. A estrutura anterior se perdeu de um jeito tão rápido que o cérebro não recebeu á tempo a informação da perda, apenas quando Hisako terminou o ataque, que Dean conscientemente sentiu a dor que vinha do que sobrou deste braço. Era exatamente neste ponto, que mesmo restaurado doía e a fazia grunhir em incomodo.


A restauração da Éther podia ser bela, mas possuía a sua falha. As novas células retornavam e traziam consigo as sensações finais das suas antecessoras, a parte que foi perdida lhe deixou nada mais que a sensação de quem amputava um membro: ele o sentia ali, mas este não existia mais, e isso não incomodava, só que o ponto que ficou exposto em ferida, se tornou desconfortável. Parecia que isso a fazia se lembrar do que era parte de se viver, isso poderia ser uma negatividade dentro da própria habilidade, ou um memento de que mesmo imortal, ela não era passiva de dor.


Onde a carne ficou exposta, pulsava, ardia, trazia uma sensação de dor que ela conhecia muito bem e até já se acostumou. Hisako não sabia como era ser aberta em vida, rasgada para apenas ser vista. A Onryö, não tinha ideia do que era ser esquartejada enquanto ainda consciente, de ser torturada apenas para ser estudada. Dos meses que foi tirada de Melissa Hawkins, a mulher que a adotou, fora aplicado vários métodos incansavelmente, diversas formas tortuosas foram testadas, desde a água ao metal, do ácido ao fogo, até sobrar nada de si e retornar em meio aquele feixe azulado, cada molécula restaurada para o seu pavor de começar tudo de novo, ao invés de alguém lhe dar a paz que esteja gritando para ter, até que Mori um amigo tão próximo e tutor dela a achasse depois de procura-la tanto sem desistir.


E Coroline nunca esqueceu a dor, a crueldade, as delicias cravadas em suas expressões. Eles faziam por sua ciência, faziam por suas crenças, cada um tão agarrado em sua fé, e faziam mal a alguém que não fazia isso a ninguém. Dean não tinha memória, era ignorante a sua origem, a sua própria história, ela só era alguém diferente em um mundo que ela pensava em não ser hostil. As marcas que tinham iam além do corpo, e foi por essas dores injustamente infligidas, que a Hawkins, era ineficiente em derramar uma lágrima perante elas, podia grunhir, gemer, mas chorar, berrar? Nunca mais. O que fizeram não tinha um nome, mas a fez ser forte de outra maneira.


Ao defender seu peito, Dean trouxe a mão esquerda, mesmo que ainda fosse apenas ossos e nervos em direção a face de Hisako, onde tentaria lhe dar um soco no meio da face, o que seria suficiente para quebrar o mesmo e causar alguma dor, entretanto, o foco de Dean naquele momento foi tão grande, que ela não notou que os objetos a sua volta não só foram erguidos por conta da assombração, mas como também foram lançados a sua direção, o que dava a possibilidade de que seu soco não seja efetivo.


O primeiro objeto a bater contra o seu corpo violentamente foi o carro, o corpo de Dean foi arrastado para trás até que essa afirmou os seus pés no chão o afundando no solo, duas batidas fortes a mais ocorreram, mas a Éther não estava com disposição nenhuma em cair nesse “truque barato”, levitar e lançar objetos? Isso apenas a irritou parcialmente, não tinha um lugar muito especial dentro de si para truques. Dean usou de sua força para afundar-se ainda mais no chão, o solo abaixo de seus pés rachou e à medida que isso ocorria, ele ia se arruinando. A morena não avançou mais do que quarenta centímetros a mais depois dessas batidas.


Coroline não estava brincando e começou uma ação rápida para não dar trégua a oponente. A Great Knife cortou o automóvel no meio, a primeira parte do carro, teve seu teto perfurado pelos dedos da mão comum de Dean, que abriu caminho com a unha, esta então o lançou contra a aparição, jogando-o ao alto e em direção aonde sentia o cheiro pútrido dela. A segunda parte do carro foi chutada por Dean, fazendo aquela metade e uma das lixeiras irem em direção a fantasma com tamanha força que a intenção de Hisako seria voltada contra ela.


A Hawkins balançou a cabeça, Rakras exigia sair enquanto Cepehart se mantinha quieto, apenas observando através da memória dela o que ocorria, mas Dean não estava com muita disposição para tirar sua atenção de Hisako. A pele em suas costas se rasgou por ossos que abriram passagem por suas pontas diferenciadas, estas como se desabrochassem desenhavam no ar a ramificação de uma árvore, até que longas penas se desabrochassem de um “mar esbranquiçado” emitido por aquela nova “aparição”. O lado esquerdo tinha penas longas e de um tom vermelho-alaranjado cuja as penas tinham pontas negras (Rakras), já o direito tinha uma variação clara do azul-esverdeado, e as pontas destes eram brancas (Cepehart). Cada asa podia facilmente cobrir a mulher, mas o que as tornava intrigantes não era a forma que vinham ou seus traços inebriantes, a não, era o fato de ter sempre algo ou alguém olhando, como se fossem vivas e de fato, elas eram.


Em cada asa havia uma entidade, e eram as últimas chaves de controle de Dean, eles conseguiam assumir as estruturas e se manifestarem para auxiliar ou até mesmo proteger a mulher, no entanto, são incapazes de abandonar seus postos. Esses seres já foram criaturas vivas que por seu apego a ela, e seus próprios desejos, ambos após suas mortes originais, foram postos como os Patronos da jovem Éther após um evento de grande importância em seu universo de origem. Além dessas asas, a Éther tinha uma calda e marca que sempre ficavam visíveis a quebra de seu limitador, mas esses dois elementos, Dean podia muito bem não demonstra-los, assim como surgiam as suas asas, a calda não era necessariamente um elemento de combate, podia até ser usado, mas era inapropriado pois poderia ser um alvo, além de que era algo que Coroline não sentia muita falta, prefiria usa-la em situações mais quentes, que tinham outra excitação de sua parte, algo mais picante e intrigante, assim como sua insígnia, que era chamativa demais até para os seus.


Com os anos ela aprendeu que certas características podiam ser reprimidas através de seu controle corporal, a mesma habilidade que ambos os patronos tinham, pois eles podiam alterar a parte que habitavam para combate ou defesa de seu protegido, mas todos os Éthers eram assim? Não. Apenas Hellysiäns tinham olhos dourados, essa mesma linha valia para as outras peculiaridades que Dean apresentava, eram apenas delas. Cada Éther era único, todos eles apresentavam algo diferente.


Tendo as duas asas a amostra, Dean inspirou fundo, apenas um pouco, nem sempre podia conter o gênio de Rakras, das traição que sofrera, das coisas que lhe arrebataram em um curto período de tempo (dois anos é um tempo mísero pra vida deles), tudo isso mais as mudanças que vinha passando, só serviam para tornar a entidade mais agressiva e propensa a fazer as coisas que antes não fazia por respeito.


Apelidado por uma Dean ignorante de seu passado do Gomorrah (ela acreditou que ele era uma mulher pelo apego excessivo dele para com ela durante alguns episódios de sua vida), Rakras era mais letal que sua protegida e sozinho, era uma ameaça maior ainda, mas tudo isso seria o suficiente para dar continuidade e tornar aquele lugar um palco que Hisako jamais esqueceria? Não era o bastante, para tornar essa luta emocionante, ela teria que calar a micro Wikia, e isso iria fazer com que sua identidade fosse revelada, pois ela sabia que assim que trazer a Ekard, aquilo que habitava a espada de Hisako iria a alertar e então Coroline Dean Hawkins seria apenas uma identidade humana.


Dean em um gesto brusco com o seu braço esquerdo, fez com que a Great Knife se despedaçasse, esta se esvaiu como as areias de um deserto empurrada pelo vento e foi então que o local sucumbiu ao silêncio. Um forte tremor tomou o lugar, os alicerces de metal começaram a balançar, os objetos lançados pareciam andar pelo lugar devido a tremulação constante, e então o ar de Slam Free Field não estava mais ali. Coroline que não tirava os olhos da fantasma apenas acompanhava Hisako, focada não só na guardiã, mas como ao seu arredor. O ar que parecia ter abandonado o cenário se juntou em um só ponto e pareceu se expandir de uma vez só, entretanto, isso era nada comparado com o que acontecia agora, próximo a Éther. A realidade parecia se distorcer, cair em pedaços dando uma visão inebriante de um aglomerado de intercalações de elementos opostos, em um rombo dentro daquele espaço, trazendo uma força incompreensível aquele cenário, e como em um assovio em um momento silencioso, ele veio.


Ele parou em frente dela quando a mão destra segurou a bainha grande, seu tamanho era o suficientemente grande para ser segurada por duas mãos, e pelo espaço e o porte ela deveria ter sido feita para um homem grande. Sobre a bainha existia um entorno metálico, cujo os detalhes se assemelhavam a uma escama. Sete lâminas finas de um metro e cinquenta compõem o resto da espada, ambas são conectadas por um núcleo, que é formado pelas inscrições na espada, o dialeto já considerado morto, é da espécie, sendo que cada lâmina tem seu significado próprio, representando diferentes eras da história deles. Estas lâminas forjadas por um metal negro, oriundo de seu planeta e que agora juntas formavam uma só, podiam ser separadas e usadas em combate.


Esta era a Ekard, um dos Dömânj (Tesouro/Relíquia) mais antigo dos Éthers, e Ekard, como toda arma forjada por eles, era um ser vivo. Apesar de ser uma espada, dentro dela habita uma alma que reconhece o seu senhor, por conta disso, ela não é utilizada por outras pessoas, e acaba se tornando um peso morto para aqueles que não foram escolhidos a empunhá-la, entrando em animação suspensa, acabando a não fornecer de seu poder a quem o empunhava.


Mas qual era o intuito de trazer tal arma para suas mãos novamente? Relembrar os velhos tempos? Soltar a sua identidade? Nenhuma dessas coisas. A Ekard cuidaria do Ichorien, fazendo com que a cada colisão, as duas se chocassem internamente, tirando Hisako de seu informador, os dois disputariam entre si, da mesma forma que a Onryö e a Hellysiän tinha que lutar. E o que a Ekard podia dizer sobre aquela que o empunhava? Muito, pois só havia um ser entre eles que podia segurar aquela espada, a escolha não era relacionada ao quanto poderoso você era, a sua posição entre os seus e o seu povo, nada disso era relevante a ela que escolheria alguém para usa-la até que este sucumbisse. A Ekard, escolhia um Éther que fazia algo que abrangia mais do que si mesmo e Ária, a Éther que estava em frente de Hisako, já fizera muito em sua longa vida, tanto que para eles, a morena era muito mais do que só mais um ser.


O nome perdido de Dean soava pela espada como se ela tivesse lábios para pronuncia-lo tão claramente. Ária Elóriën ele sussurrava para ela na língua dos Hellysiän, era um clamor de espontânea alegria misturada a uma pitada de seriedade, a Ekard esperou fielmente o retorno dela, e em nenhum dia, momento, ele aceitou que outro Éther o empunhasse, apenas nesse segundo, Ekard saiu de seu aposento e retornou a seu devido dono. Ária, a última Hellysiän, a criança deles que viu seu mundo se devastar nas mãos da Corrupção (entidade), e que vira dezenas de outros Astros perderem seu coração. Sua jornada por mundos novos, que ainda se matinham intactos e outros estavam perecendo lentmente, a levaram a diversos planos, o que a fez conhecer Haotican o Caos, Zarn’u o Cosmos, Mëkór a Escuridão e Jubileus a Luz. Todas as histórias sobre essas entidades Cósmicas Universais (Primordias), se tornaram tão reais em uma busca que englobava mais do que simplesmente seu planeta perdido e sim milhares de outros. O retorno, a restauração dele e dos que podia, todas as pessoas e criaturas que conheceu, todo o perigo e aventuras que passou, e toda uma vida que fora muito além disso.  


De uma criança vivendo em conflitos internos a uma mulher cuja a história não a permitiu descansar. Guerras, resoluções, uniões restauradas, um trono que nunca quis, mas a qual ela foi escolhida por seus atos altruístas, jamais feitos para ter algo em troca. Ária estava cansada, alguma coisa tinha que ser feita, e por mais medo que tivesse por todo o caminho que teve que percorrer, por todas as vezes que pensou em desistir e arranjava força de âmago de seu ser, a Elóriën se erguia de novo e começava o que tinha que fazer.


Seu povo estava bem, eles não precisavam dela, ela sabia pelos Primes. Relíquias vivas como ela, tinham que dar espaço para novas gerações, não podiam viver de erros e glórias passadas, mas tudo o que ela sempre quis, que foi só uma vida em paz, estava ali, no fim de seus quarenta anos terrenos, e não ia ser uma dita cuja saindo do quinto dos infernos que ia a impedir de viver a única coisa que sempre quis: sua família. Dean queria uma vida em paz, e por mais que isso jamais chegasse em suas mãos, ela encontrou algo muito maior do que esse desejo singelo, tão importante que estava ali, a fazendo desenterrar sua história.


O sumiço de Ekard avisaria outros que viveram em seu tempo que ela ainda estava ali, ativa, isso traria de volta a ideia de que ela, um pedaço da história deles não havia se perdido entre o tempo e espaço, e seria um chamado para aquele mais próximo de si, sangue de seu sangue procura-la ao invés de viver a sua liberdade que já deveria ter sido adquirida. Só que nada disso era importante, a Onryö queria leva-la embora, como se soubesse de que universo ou mundo viera. Se Gaia, a própria Terra não negava a sua estadia, quem era Hisako para impedir a sua vida ali? O sangue de Dean ferveu, o ecstasy estava aumentando rapidamente, o calor era grande e com a mão livre ela rasgava a regata, ficando apenas com um top branco, típica junção de vestimenta para quem fazia ginástica, algo que Ária pessoalmente adorava fazer.


Os trapos foram jogados no chão, ela segurou a Ekard e colocou a ponta na altura de sua oponente. Sem testes, sem brincadeiras, e que a Onryö se agarrasse bem ao que a mantinha ali em pé naquele momento, pois Dean não pensaria duas vezes em destruir seu oponente, se ele se atrevesse a tirar o que havia conquistado. Ninguém iria rouba-la de sua vida, nem que pra isso, ela tivesse que voltar a ser o pior ser que alguém quisesse cruzar o caminho.


Ela avançaria contra a mulher, o olhar acirrado e feroz de um predador encima de um potencial inimigo. Desafios eram sempre abraçados com gosto por ela, Coroline recusava aquilo que não parecia ser tão interessante de se experimentar, o que era raro de acontecer, tudo o que era novo estimulava ela a experimentar, e esse ultimo ponto a surgir, só vinha quando algo lhe interessava. A Éther nunca lutou contra uma criatura dessas, e apesar de Hisako estar se esforçando para lhe impor medo, no fundo a Éther sabia que isso só daria em problemas. O medo que sentia deles, era o medo do que isso lhe instigava, e o que poderia ocorrer. Ninguém era perfeito, isso era um fato, nem mesmo ela. Usar desse ponto era inteligente, mas até quando?


Dean girou o corpo, fazendo a Ekard ter esse balanço consigo, a passagem da lâmina pelo ar, o som cortante que ela produzia, era perigosamente estimulante. A Ekard vinda do lado direito e ia até o esquerdo de sua empunhadora com rapidez. Apesar de seu tamanho, ela não era pesada para Dean, ao contrário, era uma das poucas armas que a Éther podia usar a sua força bruta sem se preocupar de que iria desmantelar em sua mão, a lâmina cortaria  o corpo da morta como se ele fosse papel, e isso Dean faria apenas segurando-a com a mão destra, com a canhota livre, ela usaria de uma ação um pouco mais forte, trazendo seu punho livre em direção a fantasma, está dominada pela Oyakän, iria direto para o peito de Hisako, onde Dean liberaria a sua “chama” hostil pelo corpo da fantasma, causando mais do que que agonia ( AE.004 Riot ). Se desse certo e a Onryö fosse afetada por isso, sem perder tempo, Dean usaria a bainha para acertar a boca do estômago de Hisako, isso a obrigaria a se curvar para frente, devido a força de impacto contra o estranho metal, se houvesse sucesso nessa ação consecutiva, a mulher fecharia sua sequência da seguinte maneira: com a mão envolvida ainda com a Oyakän (Dean ainda a mantém depois do Riot), ela faz com que esta cubra seu braço enquanto mais uma vez tenta desferir outro soco em Hisako, mas dessa vez com intenção que levariam a proporções desastrosas.


Durante todo o percurso que o braço fará até estar à frente do oponente, a  Oyakän já teria tomado conta de seu braço destro, e quanto isso ocorresse, as chamas se dispersaram formando uma parede em aspecto circular, trazendo consigo uma enorme pressão contra o corpo do oponente, a parede consumiria para si o ar em sua volta dificultando a respiração do adversário, mas antes que ela chegasse a atingir quem quer que esteja à sua frente, Dean trocará os braços para desferir outro soco (após deixar a Ekard ao seu lado, segurada por Cepehart, representada por uma mão formada por uma parte de sua asa direita). Isso geraria um evento nefasto. A parede a frente do oponente se dispersaria em largura e altura, tendo está última ultrapassado a altura de ambos os adversários juntos ( SA. N1 – Топ ).


A Oyakän era a misteriosa habilidade dos Éthers, ela aparentava ser uma chama, porém era apenas aparência. Formada por vários grãos dourados forjados por eles, cada um tem 50° e altamente corrosivo, sempre com fome e em busca do que devorar. Essa habilidade única pertencente somente a esta espécie, se portava de acordo com a personalidade de seu forjador, e se tornava mais forte e intensa de acordo com á vontade deste. Ela, a Oyakän, pode parecer mágica por poder fazer quem a olhasse enxergar todo o seu trajeto durante a vida por ela o refletir, mas tal efeito luxuoso era perigoso, pois ela não diferenciava ações e ia procurar incansavelmente consumir tudo a sua volta, se seu forjador não for forte o suficiente para suprimir seus desejos e controla-la eficazmente.


O Топ, uma das técnicas mais simples com base dela, caracterizava bem essa habilidade. A Oyakän estava consumindo tuda a sua volta, deixando até mesmo o oponente sem ar, além dessa ação conjunta do Топ, a de se lembrar que cada grão que compunha ela, tem uma propriedade corrosiva, o que acarretará no fato de que além de queimar Hisako, ele iria consumir o que tocasse, partícula por partícula, da mesma forma que estava fazendo com as de ar á sua frente. Os efeitos só não se expandem a ponto de causar uma explosão de grande proporção no cenário, por que Dean tinha bastante controle dela, e até estava bem conciliada com os seus demônios interiores, fazendo com que sua Oyakän seguisse fielmente seu propósito sem fazer desvios próprios para o seu consumo.




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Torcida - Para Dean

Mensagem  【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr em Ter Jun 19, 2018 11:50 am



Eu não estou sozinho...




Slam “Free Field”,
em algum apartamento abandonado...¹

9 meses, 16 dias, 21 horas, 44 minutos e 06 segundos… E contando.
A cada dia, tentava pelo menos 5 vezes abrir um portal de volta para Terra. Ou seja, foram 1.430 tentativas falhas, e ele não parava. Não iria parar.

Em 2nd Southtown, Ufologistas e caçadores do sobrenatural borbulhavam em discussões em fóruns pela internet sobre focos de luz misteriosos nos arredores da cidade. O fenômeno repentino e constante tem deixado a comunidade certa de que uma invasão alienígena ou o fim dos tempos estava acontecendo. De fato, aquela busca desesperada de Keepler poderia ter um efeito muito negativo a longo prazo, mas o único mundo que estava ruindo era o dele.

Luzes coloridas eram projetadas em forma de feixes para fora de uma janela quebrada no último andar (3º andar) de um prédio velho. Os restos de cortina balançavam para fora do cômodo junto com uma névoa cinza que parecia estar presa dentro do lugar, porque não era afetada pelas correntes de ar, semelhante a vapor preso numa caixa de vidro. Sem emitir som ou ruído algum, apenas existia.

[Keepler]: ...Eu vou passar!

Fora a 6º tentativa na noite. A saudade e a angústia, no dia em questão, estavam mais fortes que o normal. Endeavour estava pouco se lixando para o desgaste fisico, desde que mantivesse o Vortéx Dimensional aberto para continuar o procedimento. O suor escorria pelo rosto e grudava os cabelos castanhos no rosto, e o mago ofegava tal como um finalista de uma maratona. O problema de falhar não estava apenas no manter-se longe do seu mundo, mas ele era literalmente cuspido para fora da passagem por  uma expansão violenta de energia, o que sempre resultou em machucados sérios e fraturas para Keepler. Fosse batendo em árvores, em paredes. Chegavam a pensar, no trabalho, a possibilidade dele participar de alguma atividade ilícita por fora, entretanto sua conduta profissional rebatia tais pensamentos.
Os eventos em torno da cidade? Ele precisava mudar sempre de local devido a perseguição dos fanáticos pelo desconhecido, os quais faziam um cerco cada vez mais próximo e perigoso dele.

Keep conseguiu saltar para dentro do portal, mas dessa vez a instabilidade fora mais forte e, como se não bastasse a explosão, o mesmo fora arremessado pela janela, desenhando uma parábola rumo ao chão do outro lado da rua, batendo no solo ao som oco de ossos, pelo mal jeito que caiu, e o gemido quase abafado pela dor. Apenas se ouviu o ruído de algo semelhante à um avião quebrando a barreira do som no local, porque a maioria dos prédios ja não tinham mais vidraças para se estraçalhar.

Subir de novo e tentar mais vezes? Difícil. A exaustão tornou-se um argumento incontestável e o forçava a aceitar a falha do pior jeito possível. Debruçado no chão, a ponta dos dedos do rapaz rasparam no chão enquanto a dor pulsava por todo o corpo dele. Sentia-se uma máquina sem óleo tentando se mexer após séculos parada, o mínimo movimento era custoso, dolorido e quase robótico. Demorou pelo menos um minuto para ficar de pé e, com a mão esquerda sobre as costelas de maneira protectiva, Endeavour caminhava em passos lentos pela calçada deserta. Muito mais magoado por dentro.

Viajava pelos mundos como uma criança que passeava pelo bairro, sempre fora algo comum e simples para ele. Tão fácil quanto entrar num quarto e sair. Não entendia porque não conseguia voltar, mesmo estudando todos esses meses, revisando os acontecimentos noite após noite, ainda era uma incógnita. Era pra ser uma viagem de 1 mês ou dois, no máximo, Belle ja tinha passado algum tempo sem ele, mas sempre era algo acordado entre eles, isso quando não debandavam pelo universo juntos. Dessa vez, a aflição circulava em torno da impossibilidade certa, a restrição concreta de saltar de um mundo para outro.

O que a amada iria pensar? Ele foi embora? Me abandonou? Encontrou outra pessoa? Morreu?

[Keepler]: O que eu fiz, meu Diamante Negro?... Me perdoe...!

A raiva e a frustração veio no ranger dos dentes e no escorrer das lágrimas em meio ao caminhar solitário pelas ruas. Nem sabia direito por onde andava, nem que os minutos passavam e chegavam perto de se tornarem horas e ele permanecia perambulando sem rumo, com passos de um idoso.



Passava por um beco, perto da linha de trem quando percebeu sons e movimentos peculiares na rua à sua frente. Como estava em seu trajeto, não teve receio de pôr a cara para fora, algo que se arrependeu: Uma mulher arrancava o braço de outra com um golpe limpo e preciso de uma espada gigante. End ficou petrificado, de olhos arregalados pela cena. Um arrepio dolorido sacudiu o corpo e sua fala foi tirada por alguns instantes. O membro amputado tornou-se nada, ao passo que o ferimento exposto começava a se regenerar etapa por etapa, como se uma ossada estivesse regredindo no tempo e recuperando tudo que lhe era perdido até chegar a etapa de ainda viva e em perfeito estado.

A luta prosseguia com uma brutalidade acentuada, fazendo o mago apenas assistir atônito, pelo menos nos primeiros segundos, até que as feições dele tornaram-se sérias. Não pensava em fugir, estava mais interessado em saber: ... O que vão fazer agora?. Seria uma forma de descansar e repor as energias, ao passo que assistia algo completamente novo. Os olhos lilases perceberam o carro e os demais objetos flutuando, só descobrindo quem o controlava quando a moça do braço regenerado fora o alvo de tudo e, que à sua maneira, ela reagiu com fúria indomável para proteger-se.

Keepler desviou o olhar para a espadachim com mais atenção, e sentiu o próprio corpo perder o calor. Não era viva. Uma aura sinistra a envolvia e surtira o efeito proposto sobre ele: Horror. A maneira de mover-se, os aspectos cadavéricos, a maneira como as palavras escaparam de sua garganta, causavam uma rejeição instantânea por parte do cavaleiro dos Diamond, um incômodo tão forte quanto presenciar o próprio pesadelo. O rapaz deu um passo para trás e se recostou na parede, tentando manter-se escondido da ”aparição”. Voltando o foco para a primeira pessoa que visualizou, agora vendo o processo de “crescimento” de suas asas, deixaram-no encantado, apesar de não ser bonito ver ossos rasgando a carne e se constituindo expostos, a coloração das pernas e a sua forma era estonteante.

Repentinamente o som e o ar em volta foram comprimidos e todo o lugar passou a tremer e uma onda poderosa foi liberada, forçando End a proteger os olhos da poeira trazida na ventania. Estava perplexo, não imaginava que em um lugar tão pequeno haviam lutadores tão perigosos e destrutivos em 2nd como ele e Alice. Havia passado alguns dias desde seu embate e eles não haviam se reencontrado ainda. Por motivos óbvios, manteve-se atento mais à Dean (Devido ao problema emocional dele com mortos, fantasmas e etc). Nunca se tratou de pena ou compaixão por tê-la visto ela perder o braço, e sim porque sentiu uma empatia pela sua figura, por sua postura em combate, algo similar a ele próprio: Lutar com toda sua garra e vontade.

Em devaneio, teve a impressão de que a mulher emanava uma chama dourada dentro de si mesma, que se expandia para fora, pulsava e tentava mostrar todo seu poder. Até que se deu conta dos olhos dourados dela, brilhantes ao mínimo sinal de luz como as íris de um felino. Uma sensação de calor pareceu tomar o Mago, e ele se deu conta de que prendia o ar dentro do peito, porque? Não sabia. Assim, estreitou o olhar ainda mais sério, para não perder nenhum lance do movimento do embate, com interesse e ansioso para saber a resolução daquilo, pensando consigo próprio:  Mostre do que é capaz “Aurum Phoenix” (Fênix de Ouro)²





CONSIDERAÇÕES

OBS¹: Um prédio distante do local do embate, de forma que o que era feito por ele não afeta a luta, tampouco deverá repercutir ou desviar o foco das protagonistas da cena.
OBS²: Keepler tem mania de criar apelidos e termos próprios para as coisas e pessoas que vê em uma associação espontânea com outras referências em sua mente. É uma mania, visto que sua criatividade está sempre ativa. E é da Dean que ele fala devido a impressão de ter visto uma aura dourada, pela cor dos olhos dela e o par de asas.

P.S: Torcendo para Coroline Dean
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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO em Seg Jun 25, 2018 5:42 pm



ROUND 3 - MOVIMENTO 1

ㅤㅤㅤAno 2016.

ㅤㅤㅤO Lar do Tigre.

ㅤㅤㅤDurante a guerra contra Gargos, houve um período que estive ajudando Kim Wu, a herdeira do Espirito do Dragão, a encontrar o Observador dos Deuses para uni-lo à nossa causa. Durante nossa busca por este guerreiro imortal, a maldita líder da aliança nos informou que havia perdido o contato com dois membros de suma importância para esta batalha infernal: Jago, o monge tibetano com os poderes do guardião do Tigre e Black Orchid, a rebelde herdeira dos poderes da Pantera de Fogo. O lar do Tigre, um templo tibetano localizado no alto de uma montanha foi o último lugar onde ambos foram vistos e pelas histórias que ouvimos sobre tal lugar, foi onde Jago aperfeiçoou seu treinamento desde criança em total devoção ao espírito do Tigre, sem saber que ele secretamente esteve durante toda sua criação fazendo parte do culto de Gargos. A descoberta desse caminho perturbador fez com que o Monge perdesse sua crença em seus poderes e se exilado ali novamente para meditar e encontrar uma forma de purificar-se dos atos que fora cometido em nome do Shadow Lord, que almejava a destruição de todas as formas de vida. Kim mostrava-se preocupada com Jago. Foi ele quem a recrutou para a aliança quando a invasão de Gargos teve início e o considera um grande amigo. Como estou acompanhando-a desde nossa luta na Vila dos Sussurros, onde fui derrotada pela determinação desta jovem, assegurei-me de que ficasse nas sombras para não alertar nossos possíveis inimigos.

ㅤㅤㅤNossa chegada ao Lar do Tigre nos revelou duas estatuetas em tamanho real. Eram ambos Jagos e Orchid, petrificados por uma espécie de magia desconhecida. Kim os analisou, enquanto eu fiquei de tocaia, apenas esperando por um momento em que o inimigo fosse se revelar. Segundos passaram e duas Sadiras cercaram a lutadora de Kung Fu, ambas as tomadas por uma aura esverdeada e emanando o odor insuportável das criaturas que só Gargos podia controlar: Os Mímicos. Aquela não era a verdadeira Sadira e nem havia como existir duas da mesma pessoa. Eram apenas demônios que copiavam as formas e habilidades dos lutadores mais fortes do mundo e usavam de suas técnicas surrupiadas para lutar em nome ao seu lorde destruidor. O tom de pele de Sadira é cinzento, quase morta e isso acontecia com a verdadeira por conta do artefato de aranha dourada que ela permitiu se fundir no seu peito e coração, tornando-a a líder atual do grupo de assassinos chamado “Os Olhos Vermelhos de Rylai”. Aquelas duas cópias tinham tons esverdeados e emitiam uma aura demoníaca, o que não era padrão da verdadeira assassina que violou meu descanso eterno, exatamente um ano atrás.

ㅤㅤㅤSem que os Mímicos percebessem, do chão eu surgi atrás de um deles e tomei o corpo deste em uma possessão fantasmagórica, surpreendendo a outra que baixou sua guarda e tomou contra a fuça um violento Dragon Kick da lutadora de Kung Fu. O que foi possesso por mim teve cada osso de seu corpo destruído pelas torções violentíssimas que executei, dobrando seus braços, pernas, coluna, pescoço em posições que normalmente seriam impossíveis até mesmo para um contorcionista e soltei o corpo já desfalecido ao chão, que logo desmaterializou-se por estar morto, deixando somente a sua energia astral para trás, o qual fora coletado por mim. Enquanto isso, Kim libertava mais do seu poder e mostrava-se uma guerreira perigosíssima usando três espíritos de Dragão dourado para terminar de arrebentar o último Mímico de Sadira e leva-lo a destruição. Com ambas as cópias fajutas derrotadas, a maldição que fora jogada nos dois lutadores petrificados fora desfeita e seus corpos penderam ao chão.

ㅤㅤㅤKim verificou Jago primeiro, deixando a meia-irmã mais velha dele comigo. Enquanto eu analisava os sinais vitais da mulher, observo a forma como Kim direcionava sua atenção para o monge tibetano. Foi o que levou-me a fazer uma pergunta inconveniente para minha companheira de viagem:

ㅤㅤㅤ── Você está apaixonada por ele?

ㅤㅤㅤ── Ficou maluca? ── Ela demonstrou um incomodo com a minha pergunta, mas este comportamento humano não me enganava.

ㅤㅤㅤ── Desde que começamos a subir a montanha, você não parou de falar dele. ── Pendi a cabeça para um lado e depois para o outro

ㅤㅤㅤ── Ele é só um amigo. Não tire conclusões precipitadas. ── Rebateu a ruiva.

ㅤㅤㅤNão havia nada de errado com ambos, mas ainda estavam desacordados. Kim solicitou que outros membros da Aliança viessem resgatar os dois para podermos voltar à nossa busca principal e enquanto aguardávamos o resgate dos dois lutadores, fiquei observando o templo arruinado pelo tempo e a belíssima vista que tinha à minha frente das demais montanhas daquele lugar. Foi quando senti uma cotovelada de leve de Kim, que parou ao meu lado, bem próxima de mim.

ㅤㅤㅤ── Tem uma coisa que vem me incomodando esse tempo todo.

ㅤㅤㅤ── Pergunte.

ㅤㅤㅤ── Como é ser um fantasma?

ㅤㅤㅤOlhei para a humana naquele instante.

ㅤㅤㅤ── É sério? Isso tem incomodado você?

ㅤㅤㅤ── Ainda não estou acreditando que minha parceira é um fantasma japonês. Só isso!

ㅤㅤㅤFechei os olhos.

ㅤㅤㅤ── Não tenho tempo para explicar o que sou... e nem o que poderei me tornar. ── Isso foi tudo o que eu disse para ela.

ㅤㅤㅤ── Qualé! Não vai compartilhar nada mesmo? ── Ela insistiu. E foram precisos vários ‘nãos’ para que ela entendesse que este assunto não deveria ser do interesse dos humanos.

ㅤㅤㅤMas quando disse sobre a parte de ‘não saber o que poderei me tornar’ soou como uma previsão de que algo aconteceria comigo. Algo que estava além de minha compreensão naquele tempo. E tudo isso resumia-se ao que aconteceu quando meu espírito foi arrastado por uma imensa escuridão, exatos 500 anos atrás.

ㅤㅤㅤChiharu morreu. O corpo da jovem mulher de dezenove anos foi encontrado pelos sobreviventes da vila atacada anteriormente por guerreiros renegados. Um ataque covarde, tudo por conta da recusa de Chiharu ao pedido de casamento de um filho patético de algum shogun importante daquele tempo. O momento que a alma de Chiharu abandonou seu corpo terrestre e várias mãos negras arrastaram-na para o limbo da escuridão, moldando seu sofrimento e tristeza em ódio puro e vingativo, houve a transformação da jovem em Hisako, moldada principalmente aos interesses da matrona dos mortos, uma das primeiras Onryös da mitologia japonesa. E assim que este corpo sombrio nasceu de um profundo rancor, foi jogado nos salões do plano astral para caminhar entre o mar de mortos naquele tempo. Por coincidência, a Hisako encontrou-se com um último integrante dos Ichoriens ainda vivo, arrastando-se pelos pisos quadriculados e transparentes daquele plano que ligava vários outros mundos e dimensões.

ㅤㅤㅤ── Você... ── O ser envolto por uma luz poderosa me chamou. Dentre uma fileira imensa de vários outros espíritos.

ㅤㅤㅤ── Nani? ── Eu me aproximei. Arrastando-me, carregando a Naginata de minha avó em uma das mãos.

ㅤㅤㅤ── Vejo... um grande... potencial em você... ── Sangue vertia de sua boca. A respiração dele era dificultosa por conta disso e seu corpo encontrava-se todo arrebentado.

ㅤㅤㅤ── Anata wa daredesuka? ── Perguntei.

ㅤㅤㅤ── Eu... sou um Light Lord... O último que sobreviveu... ── Ele estendeu sua mão em minha direção. Seu olhar suplicante indicava de que ele queria que eu a segurasse com a minha.

ㅤㅤㅤFoi o que fiz.

ㅤㅤㅤAo tocar a mão do tal Light Lord, eu senti uma imensa quantidade de energia passando por todo o meu corpo espectral. Foi como, de alguma forma inexplicável, este ser quebrasse todas as correntes que me prendiam à matrona dos mortos, devolvendo-me o meu livre arbítrio e a capacidade e pensar e se comportar como uma humana novamente. Senti aquela energia quente e poderosa atravessando todo meu corpo, sua luz poderosíssima me envolvendo e expandindo minha mente e poderes para um horizonte que jamais pensei ser possível alcançar.

ㅤㅤㅤQuando a energia se dissipou, o corpo deste Light Lord desabou ao chão e sua cor se perdeu. Foi como ver a luz de uma estrela morrendo, se apagando e deixando de existir.

ㅤㅤㅤNesse tempo que tivemos um contato, ele me contou toda a sua trajetória e o meu objetivo no mundo. Ele me transformou em guardiã, mas não em sua totalidade. E anunciou que um dia eu receberia o chamado para um dever ainda maior, mas que até lá eu deveria provar ser merecedora. Uma avalanche de informações surgiu dentro de minha mente, incluindo imagens de um massacre ocorrido em um desses planos habitados por várias bondosas criaturas nas mãos nefastas de um ser alado e maligno, muito poderoso e extremamente perigoso. Naquele instante eu não só adquiri a habilidade de poder falar e decifrar vários idiomas como também passei a conhecer cada coisa que existia entre os dois planos. Mas haviam limitações que me impediam de ir adiante. Embora evoluída, ainda era uma Onryö com os laços fortemente ligados ao meu local de descanso final e o plano espiritual, o Yömi. E entre essas duas localizações, eu tinha um dever: Proteger o solo fúnebre de minha família matando aqueles que forem estúpidos o bastante para profana-lo e desvendar os mistérios por trás dos caminhos das sombras no mundo daqueles que se foram. Eu levei 500 anos para alcançar a meta final de minha missão, lutando contra as mais terríveis criaturas de um mundo repleto por fileiras incessantes de mortos. Transportei almas de várias pessoas através dos planos, como um anjo da morte, muitas vezes tendo que explicar para eles os motivos de estarem mortos e para onde estarei os levando. Decifrei os enigmas escritos pelos deuses do Yomi, encontrei diários e artefatos que ajudaram expandir meu conhecimento sobre magias negras, que elevassem meus poderes de assombração para outro nível e que me permitisse treinar e aperfeiçoar o meu estilo de combate com a Naginata ao ponto de me tornar eficiente e muito poderosa.

ㅤㅤㅤE foi em 2017 que atingi o meu potencial máximo prometido pelo Ichorien moribundo de 500 anos atrás, quando encontrei o espirito de meu pai empunhando uma versão astral de sua imensa Katana, imbuída de um poder que me pareceu familiar ao toque e que me transformou naquilo que sou hoje... A Shin Hisako.

ㅤㅤㅤ2018 – Atualmente

ㅤㅤㅤFuncionou. O braço-espada da criatura etérea foi amputado com o corte do Ryu Tsui Sen, um dos vários movimentos básicos passados dentro do treinamento da arte da guerra. Mas no instante que o braço dela se separou através do corte, o que caiu ao chão começou a borbulhar e se desfazer, deixando de existir. O que me surpreende no momento é ela não ter reagido de forma nenhuma ao desmembramento, agindo como se fosse tão natural assim ter uma parte de si arrancada fora. Não havia tempo para analisar o estranho comportamento da criatura. Havia uma missão a ser cumprida e um oponente a derrotar, o que me levou a sequência seguinte onde tento apunhalar o peito da adversária com a Katana empunhada por ambas as minhas mãos, mas houve um choque tão poderoso entre minha lâmina e a outra lâmina que ela fez com a mão livre, criando um som ensurdecedor há nossa volta.

ㅤㅤㅤ“Tão rápido assim?”

ㅤㅤㅤNão percebi o momento que outra lamina surgiu na mão dela. Falha minha. A espada também não me informou de nada e agradeço ela por isso, pois não posso me tornar dependente de seus alertas nos combates. Era meu dever estar preparada para as minhas próprias batalhas e meu descuido era apenas uma forma de alertar-me de que preciso prestar mais atenção aos meus arredores e isto resultou num dano que não pude evitar a tempo: Um potente murro na cara! O impacto da mão dela contra minha face tinha poder suficiente para me quebrar o nariz. Uma pena para ela que isso não faria diferença nenhuma para um fantasma, mas não pude conter a dor de ter meu corpo materializado sendo socado com tamanha força, empurrando-me alguns centímetros para trás. Foi quando minha contramedida fora usada para evitar de que mais danos fossem causados.

ㅤㅤㅤLancei os objetos e recuperei minha postura, recuando para trás me colocando de quatro ao chão e correndo como uma aranha humana, batendo o fio da espada ao piso ao ponto de emitir o som do metal sendo arrastado. Assisti a forma como ela cortou o ferro velho ao meio e atirou uma de suas partes para cima de mim, visivelmente irritada. O truque da levitação de objetos foi demais para ela? Era comum para os espíritos fazerem isso. Não foi difícil esquivar do primeiro lançamento da Ether. Corri para frente e deslizei pelo chão, passando por baixo do carro arremessado que colidiu com as paredes que haviam abaixo da via férrea. A caçamba de lixo também foi fácil de evitar, sendo no tempo de me levantar do deslize e dar um salto acrobático, uma cambalhota no ar, passando por cima e aterrissando ao chão, com a espada empunhada em mãos. Foi quando a oponente ficou aberta para mais ataques.

ㅤㅤㅤ“Mais transformações?”

ㅤㅤㅤ“Sim. Ela sabe que estamos conversando.”

ㅤㅤㅤ“Eu pensei que o elo mental fosse exclusivo entre guardião e espada!”

ㅤㅤㅤ“E deveria ser, mas de alguma forma... ela consegue nos ouvir.”

ㅤㅤㅤ“Para quem não fala nada, ela está se preocupando demais comigo.”

ㅤㅤㅤ“Ela trama algo contra a espada. É melhor você tomar cuidado!”

ㅤㅤㅤ“Ora ora... então você é uma ameaça para ela?”

ㅤㅤㅤ“Certamente.”


ㅤㅤㅤAsas emergiram das costas da criatura etérea, cada uma de uma forma e cores diferentes. Por um momento tive o vislumbre do Shadow Lord Gargos nela, aquele demônio de quase três metros de altura com suas gigantescas asas de gárgula. O que ela pretendia com isso agora? Voar? Atacar com elas? Eu percebi o surgimento de uma cauda também. Isso me fez lembrar do velociraptor modificado geneticamente pela Ultratech, a unidade caçadora chamada Riptor. Impossível se esquecer do embate de uma Onna-Bugeisha fantasma contra um dinossauro com inteligência humana e resistência aprimorada. Já me conformo de que não será eficaz amputar essas coisas dela se ela poderá reconstruir outro no lugar. Me pergunto se isso seria também uma espécie de transformo? Uma coisa que pode se regenerar e moldar seu corpo para a forma que quiser? Eis então que a espada me notifica de algumas coisas interessantes.

ㅤㅤㅤ“Essa criatura tem mais tempo de vida que a própria Terra. Ela pode transcender para um tamanho maior do que a galáxia que existimos.”

ㅤㅤㅤ“Isso seria problemático. Maior que o universo devastaria este mundo inteiro.”

ㅤㅤㅤ“É a característica de um Hellysiãn.”

ㅤㅤㅤ“O que diabos é isso?”

ㅤㅤㅤ“Uma espécie proibida catalogada de outro universo, tão distante ao nosso.”

ㅤㅤㅤ“Como descobriu isso em tão pouco tempo?”

ㅤㅤㅤ“Não sei explicar com exatidão, mas quanto mais enfrenta ela, mais descubro sobre suas origens. Talvez eu possa detectar uma fraqueza, mas precisarei de mais tempo.”

ㅤㅤㅤ“E ela está ouvindo tudo isso? Logo, vai tentar te destruir.”

ㅤㅤㅤ“Se ela o fizer, ela se arrependerá.”

ㅤㅤㅤ“Ótimo. Chega de brincar com essa daí, hora de mostrar o que um astral pode fazer!”

ㅤㅤㅤ“Atente-se para isto, Shin Hisako: Hellysiãns são perigosos demais! Uma vez transformados, é totalmente insensível aos ataques, indestrutível! E seu poder aumenta incessantemente! Sem lógica alguma!”

ㅤㅤㅤ“Então é por isso que ela fica de nariz empinado o tempo todo? Ótimo! Que seja!”


ㅤㅤㅤ── PODE VIR, ABERRAÇÃO! ── Gritei!

ㅤㅤㅤEm uma situação como essa eu vou precisar abusar ainda mais dos meus poderes de Onryö e da espada Astral! Não poderei usar somente a indução de medo se essa coisa fica cada vez mais poderosa com o passar do tempo. Infelizmente eu terei que causar uma morte nessa região para espalhar uma maldição como uma praga para todo o cenário, algo que possa debilitar um pouco as possibilidades defensivas dessa criatura, mesmo que ela se mostre completamente insensível aos danos que sofrerá muito em breve. Toda essa demonstração de força só podia significar uma coisa a mim: “Ela fará de tudo para proteger sua posição aqui, nem que seja necessária dar cabo da minha existência ou de todo este plano!” E não será isso que me fará recuar! Não! Sou a Onna-Bigueisha Astral, a Shin Hisako!

ㅤㅤㅤAlguma coisa aconteceu nesse momento, quando segurei a tsuka da minha Katana com mais força e empunhei-a em posição ofensiva. Por um momento todo o ar de Slam “Free” Field desapareceu. Isto não me afetava. Não havia necessidade alguma para um fantasma respirar, mas isso com certeza afetaria as pessoas que viviam nas redondezas. Por elas eu nada posso fazer, não serei eu a causadora de suas mortes mesmo. Mas isso me faria ter de leva-los para o mundo dos mortos depois, em uma longa caminhada pelos planos astrais. Ocorreu no momento que a espada imensa dela da outra mão se desfez em pó, o ar sumiu e causou tremores moderados, fazendo dos outros objetos atrás de mim começarem a andar pelo cenário. Esperei. Tinha que ter uma noção de qual seria o próximo movimento dela. Poderia ter atacado ela muito antes de pensar em fazer tudo isso, mas quero ver até onde essa coisa estava determinada a ir e eu não recuaria sem dar uma resposta à altura.

ㅤㅤㅤ── O que diabos é isso? ── Me surpreendi com a espada que ela materializou.

ㅤㅤㅤ“Essa é a Ekard. Assim como eu, essa espada também é viva e está disposta a lutar comigo.”

ㅤㅤㅤ── Ora ora... que coincidência...

ㅤㅤㅤ“A espada está me desafiando. Me provocando. Não parece nada sutil para um elemento sagrado dos Ethers.”

ㅤㅤㅤ── Muito bem, Hellysiãn ── Resolvi revelar que sei a origem dela. Parte dela. ── Mostre-me que é capaz de conter um Onryö e Ichorien ao mesmo tempo!

ㅤㅤㅤEsperei pelo ataque dela assim que a mesma terminasse de revelar sua espada de sete ou mais lâminas, com várias inscrições compondo sua estrutura.

ㅤㅤㅤ“Está pronto, Ichorien?”

ㅤㅤㅤ“Às ordens, madame!”


ㅤㅤㅤ── Ikuzee...

ㅤㅤㅤEla veio. Acompanho o movimento da arma, o som cortante que ela causava ao ser balançada ao ar e então usada para tentar me partir ao meio. Eu movi a espada para que colidisse com essa coisa em uma disputa de lâminas e forças. Isso fez a minha Katana brilhar ainda mais forte, sua lâmina ficou totalmente dourada e revestida pela energia de luz proporcionada pelos Light Lords. Ela usava a espada com uma mão só e eu tive de fazer o mesmo. Uma mão precisava ficar livre para o que eu tinha em mente, mesmo que isso me deixasse em uma pequena desvantagem. A força dela era tamanha que segurar com uma mão só acabou me obrigando a ajoelhar com uma das pernas ao chão e apoiar a outra mão ao chão. Fiz um esforço brutal para que ela não vencesse essa disputa tão facilmente e olhei diretamente nos olhos dela, percebendo a chama dourada dela a tempo.

ㅤㅤㅤ── “É agora!” ── Pensei.

ㅤㅤㅤGRRRRRRRRRRRRRRRRRRRRR AU AU AU AU AU!

ㅤㅤㅤO cão que estava mexendo no lixo começou a correr em nossa direção. Ele era abandonado, de rua, uma criatura que sofreu maus tratos e estava cheio de doenças, com sua vida prestes a se findar por conta disso. O que eu fiz pode ser cruel e fazer algumas pessoas me odiarem por isso, mas para mim serviu como um ato de piedade para o bichinho. Ele era uma das criaturas que eu comecei a controlar e deixei como uma distração a mais para mais tarde. Fiz que meu controle sobre ele amenizasse qualquer sentimento de dor e medo para que disto ele não tivesse nada a temer e nem o que sofrer. E esse momento chegou! E também, uma forma de afetar a minha oponente e me garantir a morte e devastação que precisava.

ㅤㅤㅤO animal pulou contra a mão da Ether, tendo seu corpo colidido com a chama e queimando, entrando em brasa, brilhando como uma bola de fogo enquanto sua existência era deformada sem escrúpulos. Enquanto isto ocorria, eu estalei os dedos polegar e meio, criando uma esfera espiritual nas costas de Dean sem que ela percebesse, ainda enquanto o animal desaparecia nas chamas dela mesma. E quando ela tentasse me golpear com fúria por conta disso, meu corpo desaparecerá instantaneamente junto com minha espada, como se eu nunca existisse, voltando a aparecer de supetão nas costas dela, trocando de lugar com a esfera espiritual através do Teleporte e permitir um golpe sorrateiro pelas costas, tentando atravessar o peito da Ether com a lâmina dourada energizando os poderes do Ichorien intensamente.

ㅤㅤㅤO que aconteceu? O estalar de dedos no momento que a chama dourada da adversária queimou o animal fez que uma Esfera Espiritual surgisse atrás do corpo de Dean. Essa esfera era como uma chama branca, uma forma minha de conjurar meus espíritos do Yomi através do campo de batalha para surpreender, impressionar e criar armadilhas para meus oponentes, permitindo que eu me mova e crie situações que fariam os adversários me perderem de vista e me acharem implacável. Essa chama é muito comum ser confundida com um Will-o-the-Wisp, a diferença por ser uma chama branca e pura, sem definição ainda, uma alma moldada por mim mesma. E através dessa conjuração sou capaz de fazer qualquer coisa, desde combinar a esfera espiritual com minha técnica evasiva, o Teleporte chamado Ascensão, como qualquer outro ataque meu, abrindo nossas possibilidades em combate! E neste caso eu usei justamente o Ascensão para desaparecer diante os olhos de Dean e trocar minha posição atrás dela, tão rápido quanto um lance de vista, já trazendo minha espada para perfura-la com toda a minha fúria, aproveitando que o Ichorien energizou a espada com seu poder de luz para causar um dano ainda maior.

ㅤㅤㅤ“Minha alma é como uma lâmina martelada em milhões de camadas por um espadachim mestre! Forjada a partir do Tamahagane (A jóia de aço) do Japão e não há NADA neste universo que possa quebra-la!”

ㅤㅤㅤEssas foram exatamente as palavras do meu pai. Foi o que ele me disse quando me passou a sua Katana Astral e quando eu me tornei a Shin Hisako aos olhos dos deuses do Yomi, de Izanami, e principalmente a minha família. Eles viram a minha transformação, a minha ascensão para uma guerreira astral!


ㅤㅤㅤSem tempo a perder, um super ataque de nível 1 seria minha opção de emendar o combo contra essa coisa. O Fatiador Espiritual Sombrio seria eficiente para atravessar não só a oponente em alta velocidade como todo o cenário, tão rápido que seria impossível ver meu corpo espectral movendo-se pelo cenário, abrindo um corte de luz dourada em linha reta por toda a rua de Slam “Free” Field que causará um estouro violento de luz e se atingir minha oponente, ela sofrerá cinco cortes violentos e profundos por várias partes do corpo, fazendo o sangue dela jorrar para todos os lados! No instante que preparo este golpe, uma aura diferente da do Ichorien emana por todo o meu corpo. Essa é a energia sombria! Uma aura de poder púrpura que emana todo o ódio do meu corpo, talvez, o mesmo ódio que minha manifestação antiga usava para mostrar suas verdadeiras façanhas. Essa é a mesma energia sombria que explodiu em milhões de pequenas centelhas de luz quando Gargos foi derrotado, procurando novos corpos para se unirem. E é envolta desta energia ruim que sou capaz de executar os meus golpes mais devastadores! Se tudo acontecer como o previsto, estarei observando o sangue da criatura banhando o fio da espada. Será que estar em contato com ele faria o Ichorien decifrar mais sobre a criatura e me dar uma posição do que poderia causar-lhe mais danos? Espero que sim!

ㅤㅤㅤ── Você está bem? ── Perguntei a espada.

ㅤㅤㅤ“Sim. Enquanto lutávamos, detectei uma estranha presença tentando abrir portais para outra dimensão, não muito longe daqui!”

ㅤㅤㅤ“Outro? Espero que Tusk esteja fazendo o trabalho dele de proteger os planos! Aliás... sinto a presença de um humano por essas redondezas.”

ㅤㅤㅤ“É melhor não perder o foco na batalha. Aí vem a sua oponente!”

ㅤㅤㅤ“Hai!”


ㅤㅤㅤMe virei. Mantenho a expressão de poucos amigos enquanto aguardo pela minha adversária. Então ela é maior que qualquer coisa que já enfrentei em minha vida? Pensei durante toda a minha vida ter alcançando o ápice da existência me tornando um espirito com poderes dos deuses extintos, mas contra essa daí... é como se o universo ainda fosse completamente desconhecido para mim. Espero que o Ichorien descubra uma forma de contê-la. Por enquanto ela não é uma ameaça para a humanidade... mas e se um dia for? Existe alguém capaz de parar isso? Acho que levarei muito tempo para encontrar a resposta para esta pergunta...






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ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO
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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Qui Jul 05, 2018 10:27 pm




ROUND 3 - MOVE 2


Uma disputa acirrada de força ocorreu entre as duas criaturas, Dean mantinha-se com uma expressão séria, seu olhar era cortante e atravessaria a qualquer momento aquela criatura com mais facilidade do que as lâminas das duas conseguiria fazer uma com a outra com efeito permanente. A quem estavam enganando? Aquilo era um efeito eterno. Eram duas criaturas imortais, iriam ficar naquele passo até que uma delas se aborrecesse de vez e desistissem daquele troca-troca de força e acabassem por ficar exaustas. Coroline simplesmente cerrou os olhos, as pálpebras se fechando lentamente até sobrar um simples feixe estarrecedor.


Quando foi que mudou tanto assim? Quando foi que a ternura e a doçura que sempre a acompanharam a abandonaram tão prontamente? Ela que sempre foi tão fácil de conversar, de se aproximar e fazer amizade, agora parecia uma muralha de puro silêncio e derradeira misantropia. Coroline perdeu o brilho que lhe concedeu o apelido carinhoso de Semente da Vida, de alguns humanos próximos. A morena não só se mantinha na força bruta, mas sua presença era invasiva a sua adversária e piorava à medida que o duelo continuava.


Ela tentou executar o Riot após uma ação com a Ekard, mas foi uma tentativa falha, ao invés de ser a Hisako a atingida, foi uma pobre criatura manipulada pelo cenário, ela deu o azar de abocanhar a mão de Dean. O que aconteceu? A Oyakän acabou o devorando. Entretanto. A habilidade da Éther como dito anteriormente se portava como uma chama, mas não era propriamente uma chama. Eram grãos individuais que em conjunto, "dançavam", o que lhe davam semelhança a uma chama. As verdadeiras chamas de Coroline continuavam guardadas debaixo de sete chaves e até hoje, as labaredas de tonalidade branca nunca foram vistas queimando em público. Ela consumiu o cão, matéria por matéria, até não restar nada o desfazendo pela corrosão, e Dean até se incomodaria muito com isso, se Hisako não tivesse se apiedado da criatura, amenizando sua dor e medo, não o fazendo ter medo da morte e nem do sofrimento.


Como a Oyakän refletia a vontade de seu dono, Dean não desviou a atenção para ver o que acontecia com o cachorro, então se manteve com o olhar na adversária. Um sorriso de canto surgiu em sua face. A menina tramava algo? O que aprontava? Estava tentando ser esperta? Coroline tombava a cabeça de lado. Logo Hisako descobriria que ela não era a única que não lutava sozinha. Inicialmente não tinha plano algum de trazer companhia, mas quando seu limitador era removido, suas asas surgiam, e geralmente sua calda também tinha presença assim como uma insígnia em sua testa, mas estas suas características continuavam reprimidas, as únicas que Dean não conseguia reprimir eram os Patronos, e Rakras não era fácil de conter. Os trazer em campo deixava sua mente livre para pensar, em outras palavras, ela não precisava dividir uma linha de pensamento com eles. Cepehart se mantinha animado com o que acontecia, e o outro? Estava irritado.


O estalar de dedo foi ouvido por Dean, suas sobrancelhas penderam em uníssimo, mas quem viu o que surgiu ali em suas costas foram eles, sim, eles. Os Patronos viam, ouviam, e agiam por si sós quando necessário. Podiam ter uma ideia do que estava ocorrendo ali na frente, mas seus olhos estavam ali atrás, o que tornava as coisas um pouco interessantes naquele campo de batalha. Enquanto Cepehart sempre acompanhava fielmente Dean, Rakras mantinha atento as costas de sua protegida. Essas entidades não eram enfeites de cenários, muito menos acessórios. Eles eram tão consciente do seu arredor, que dentre dos presentes, o vermelho-alaranjado foi o único até o momento a ter notado o humano destrambelhado a ter se enfiado no meio deles, ele estava ali bisbilhotando a luta, até mesmo estava admirando a sua Ária, sim, SUA ÁRIA, sua pequena Éther a quem estava sendo obrigado a ver lutar com aquela humana putrefa e que fora esquecida de ser avisada que morreu e que tinha que voltar pro túmulo. Como as coisas foram parar desse nível? Uma governante, uma Adorada se rebaixando! Só faltava ele queimar de raiva daquela situação! E Cepehart mesmo que não fosse ouvido, só ria com toda a situação.


Talvez o espírito ainda não tivesse os sentido ali, mas os dois a todo tempo, foram os maiores telespectadores que as duas lutadoras tiveram até então. Ambos tinham que admitir que Hisako era esperta, mas ver aquela orbe surgir nas costas de Dean não foi uma tática sensata. Raskras só faltou ter emergido quase que de imediato com o punho já pronto pra dar na morta se Cepehart, não tivesse se manifestado primeiro. Ao invés de um ofensivo direto, eles tiveram uma contramedida diferente. Eles a envolveram!  A asa vermelho-alaranjada estendeu o braço esquerdo em frente a Éther, trazendo o resto de sua estrutura junto consigo, cobrindo-a e uma aura intensa e escura de um tom quase azulado emanou de si, assim que  cobriu a frente de seu corpo, enquanto em suas costas, Cepehart fez o mesmo, encostando as pontas de sua estrutura junto ao dele, envolvendo a Éther por inteiro. Ambos os patronos emanaram a mesma essência negativa que a protege, e quando as duas se separaram, elas liberam essa aura, que avançou pelo cenário por todas as direções (N3 – Endless). O Super não era só um defensivo, mas como também funcionava de certa forma como um ofensivo. Ele serviria para proteger Coroline do Super Ataque da Onryö, mas como a deixaria sem uma suposta escapatória do cenário, já que ambas as asas liberariam essa energia.


O efeito da aura contra o cenário não foi bonito. Aquela coloração de um azul escurecido ao entrar em contato com as pilastras e os objetos os destruiu, rompeu com o que estava na altura de dois metros. Era como assistir o veneno de uma cobra acabar com as células vermelhas do sangue e depois destruir as veias do corpo de uma forma rápida e indolor, deixando um frescor para trás, em uma névoa extranatural. Na opinião de Dean o que ocorreu, foi desnecessário. Enquanto trazer a Ekard se limitou apenas abaixo da linha do trem, que foi onde ela realizou o ponto morto da quebra do espaço tempo e rompeu o ar, sem afetar nada além onde as duas estavam, os dois fizeram o favor em sua defesa de liberar aquela energia ofensiva, e derrubar as pilastras de metal, e afetar as áreas próximas.

A Éther teve que usar a Aura Negra para forjar duas pilastras “meia-boca” e sustentar o apoio a cima. A biomassa podia se moldar a tornar-se forte o suficiente para aguentar algumas passagens e impedir alguns desastres encima da cabeça das duas enquanto aquela luta continuasse, mas depois ela teria que dar um jeito naquilo, antes que olhares realmente importantes se voltassem as duas, ou seja, teria que arrumar a bagunça, como sempre fazia. Ela não podia concertar os problemas nos prédios ao seu arredor, ali não, não naquele momento, e acreditava que não haveria muitas pessoas sãs naquela área naquele momento. Pelo cheiro e o ambiente, e pela própria localidade onde se encontravam, não estavam só na área mais pobre, mas sim em uma localidade onde as coisas “boas” da vida deviam ser negociadas entre os “afortunados” que ali viviam.


— Vocês vão arrumar esse estrago depois. — Ela escoltou as duas entidades, que se encararam, o vermelho-alaranjado virou a cara e Cepehart apenas concordou enquanto olhava a mulher que havia fincado a Ekard no chão quando a envolveram durando o Endless.




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Re: ℰŧℯяทลℓ ℭℎįℓԃ ~ HISAKO vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

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