2nd South
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*Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

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*Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  General 3YE W.D. Gaster em Sex Mar 02, 2018 10:15 pm

 1ª luta - 3ª fase

Painwheel X Laura Matsuda

Local da batalha : Under Garden Crypt (Cripta abaixo dos Jardins)



Descrição do Local: Uma cripta subterrânea abaixo dos jardins ao sul do castelo. Um grupo de guardas do Castelo acabaram de isolar a área do combate. Há várias inscrições esculpidas na rocha e o ar é úmido devido a pequenas quedas d'água vindas do lago que deságuam em suportes no paredão exposto a luz solar, essa água que se acumula vaza para pequenos dutos no chão, adentrando á parede oposta. Qualquer efeito colateral no cenário é esperado. Horário da Luta : 11:30 da manhã. Câmeras giratórias nas paredes ativadas para transmissão.

Regra para o Combate: Real Bout Rules ( 3 rounds + defensivo)

Ordem de iniciativa: Painwheel começa a luta.

Boa sorte e boa luta!

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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 em Seg Mar 05, 2018 3:17 pm



PRÓLOGO: SUPERAÇÃO, DESCOBERTAS e MAIS MISTÉRIOS!

ㅤㅤㅤ── Parece que a luta acabou. ── Uma voz feminina deu o ar de sua graça naquele momento. Era de uma mulher loira e muito bonita, acompanhada de outros dois sujeitos.

ㅤㅤㅤ── Hum... que sem graça, eu esperava por mais... ── Este comentário veio de uma jovem que segurava um bichinho de pelúcia enquanto sentada sob os ombros de um monstruoso cavaleiro.

ㅤㅤㅤ── Bem, não importa, já é hora de irmos... ── Mais uma vez, a dona daquela bela voz manifestou-se, antes de dar as costas e ir embora com os outros dois que a acompanham.

ㅤㅤㅤ── Hey, vocês aí... já basta! Esta luta está terminada e o resultado é.... EMPATE! ── A menina que estava no ombro daquele cavaleiro deu seu veredito final, permitindo que ambos os lutadores tivessem uma oportunidade a mais de continuarem no torneio. Em seguida, eles desapareceram como se nunca estivessem ali antes...

ㅤㅤㅤEmpate. O resultado da segunda luta foi empate! Não estava acreditando no veredito recebido pelas pessoas estranhas que apareceram no final da luta. Por pouco não sucumbi aos golpes de agarrão do soldado de cara pintada, que por alguma razão, parecia não gostar quando mexessem com os óculos de sol dele. Tsc. Tentei mover meu corpo. Senti uma vontade imensa de agarrar o pescoço daqueles três sujeitos, os mesmos que apareceram nos panfletos encontrados dentro da carta e do convite para este maldito torneio. Cada um deles, queria estrangulá-los até que lhes faltassem ar e a vida de seus olhos fossem esvaindo lentamente. O motivo de toda essa violência? Respostas! “Onde está o livro? Como posso destruí-lo? ”, são essas as perguntas que não param de pipocar na minha cabecinha. Mas não consegui. Não entendo a razão... não sofri tantos danos assim para estar tão esgotada... não... não... não...

ㅤㅤㅤMeu corpo desabou ao chão. Não desmaiei, mas não tive forças para ficar muito tempo em pé. Buer Driver não me responde. O último contra-ataque do soldado acabou danificando-o de um modo que me custará umas boas horas para repará-lo. Sim. Valentine me ensinou como posso reativá-lo em caso de danos extremos. Mas algo estranho aconteceu no momento que ele, o meu parasita de Lâminas, se sacrificou para me proteger de uma queda violenta.

ㅤㅤㅤFiquei murmurando meu desgosto com o resultado enquanto estirada no chão. As pessoas que ali estavam foram indo embora e pareciam não se interessarem por mim ou pelo meu oponente, que sangrava devido aos danos recebidos dos meus golpes anteriores. Com um pouco de esforço, encarei aquele soldado mais uma vez e pouco a pouco fui tentando reunir forças para me levantar e aproximar dele.

ㅤㅤㅤ── Você está bem? ── Perguntei.

ㅤㅤㅤ── Ficarei bem quando eu colocar os meus óculos...

ㅤㅤㅤParei em frente a ele. Ele botou os óculos de volta e veio aproximando-se de mim, me fazendo uma pergunta sobre aqueles que declararam o empate.

ㅤㅤㅤ── Havia três indivíduos lá no alto, próximo da capsula verde, você percebeu? ──Olhei para a direção que ele havia dito.

ㅤㅤㅤ── Sim... eu os notei assim que a luta terminou... ── As pessoas lá de cima já haviam ido embora.

ㅤㅤㅤ── O que você sabe/descobriu sobre o castelo? ── Percebi que ele começou um interrogatório. Não sei se ele é de confiança, se está aqui para ajudar ou me prejudicar.

ㅤㅤㅤAssumindo pela profissão dele, suponho que esteja nesse torneio e castelo para descobrir o paradeiro das pessoas que desapareceram dias antes do castelo se instalar na cidade. Eu lembro de ter lido uma matéria sobre isso em um jornal de papel dobrado e deixado de lado por um senhor de idade sentado no banco de uma pracinha qualquer da cidade de Second. Ele não se deu conta da minha aproximação naquele dia e pude ler os últimos acontecimentos sem que ele desse conta da minha presença.

ㅤㅤㅤOlhei para o militar. O tempo que fiquei em silêncio deve ter o perturbado. Resolvi quebrar esse silêncio com o timbre rouco de minha voz.

ㅤㅤㅤ── Que existem monstros à solta. Você deve ter se esbarrado com alguns, suponho. ── Olhei para a cápsula vermelha quebrada no momento que fui arremessada contra ela. O corpo mutilado da criatura ainda se encontrava ali, estirada de qualquer jeito sobre os vários cacos de vidro, com suas entranhas para força por causa do corte da Buer.

ㅤㅤㅤ── Não sei o que são as criaturas nas cápsulas, tampouco quem lutou aqui antes de nós, mas suponho que haja certa ligação... ── Continuou ele.

ㅤㅤㅤInterrompi.

ㅤㅤㅤ── O que quer dizer com isso?

ㅤㅤㅤ── Quero dizer que outros, antes de nós, já estiveram aqui e, provavelmente, foram selados e transformados em tais criaturas. Não sei, há múltiplas hipóteses sobre isso, você sabe de algo? Por exemplo, o cavaleiro, o que sabe sobre ele e os demais?

ㅤㅤㅤNão me sinto confortável com tantas perguntas. Mas esse interrogatório todo poderia me ajudar a tirar alguma informação dele também.

ㅤㅤㅤ── Ele é estranho. O pouco tempo que tive para dar uma boa olhada nele me passou uma sensação muito estranha. Era como se não fosse... humano...

ㅤㅤㅤ── Aquela menina parece controla-lo. ── Disse ele. E foi algo interessante. A garotinha sentada no ombro do cavaleiro, essa sim tinha um rostinho muito suspeito. Não senti nada maligno vindo dela, mas aquela expressão confiante e sorridente não me engana. Me lembra das meninas más da escola, antes de tudo isso começar.

ㅤㅤㅤ── Seriam eles criaturas vindas do livro de Hermaeus? ── Resolvi trazer à tona a questão do livro, numa tentativa de tentar tirar mais informações do homem. Sei que não sou especialista nesse tipo de coisa, que talvez eu possa estar sendo feita de idiota por ele, já que a autoridade com maior experiência aqui é ele, mas não posso ficar para trás. Nunca! Enquanto esperei por uma resposta, observei ele tirando alguma coisa do bolso e comendo em seguida. Acho que era uma capsula. Não tenho certeza do que se tratava, mas chamou minha atenção.

ㅤㅤㅤ── Então você já sabe, entendo... Cassandra a colocou neste torneio para pegar o livro então, certo?

ㅤㅤㅤAí está! Um nome que eu não conhecia. Cassandra deveria ser a pessoa que estava guiando o militar e as outras pessoas que estão nesse torneio. Essa mulher pode ter as outras respostas para aquilo que procuro, e talvez seja menos enigmática que o mago Nessiah. Por sorte, minha máscara ocultou minha expressão sorridente e acredito que ele não tenha percebido nada demais em mim.

ㅤㅤㅤ── Estou aqui para destruir o livro. Não para entregar a ninguém. ── Fui honesta com ele sobre meus objetivos. ── Não conheço essa Cassandra, mas vim até aqui enviada por outro mago, Nessiah. ── Resolvi abrir essa informação para ele. Mas logo o repreendi. ── Estou te contando isso por achar que você possa ser uma pessoa decente e queira tanto quanto eu botar um fim em toda essa luta desnecessária! Se for o contrário, eu vou me certificar de corrigir meu erro nocauteando-o e tirando-o do torneio, entendeu?

ㅤㅤㅤEle não parecia muito expressivo. Mas lançou outra pergunta após meu comentário.

ㅤㅤㅤ── Então há outro mago querendo o livro, interessante... conte-me mais sobre esse mago...

ㅤㅤㅤ── Apenas se você me contar sobre essa tal de Cassandra. O que me diz?

ㅤㅤㅤMeu pedido é justo! Eu não quero passar toda a informação e sair prejudicada depois. No fim, ele acabou aceitando a troca de informações.

ㅤㅤㅤ── Cassandra é uma feiticeira que quer selar os guardiões dentro do livro. Aparentemente eles estão livres em algum lugar do castelo.

ㅤㅤㅤNão era muito diferente do Nessiah. Acabei baixando a cabeça após ouvir isso. Ele foi muito vago sobre ela, talvez esteja querendo proteger ela ou mais detalhes. Mas é o bastante para mim. Agora sei que há outra entidade mística perambulando por aí, fazendo mais lutadores realizarem o trabalho sujo enquanto eles nos observam e esperam de bom grado pelo nosso sucesso. Voltei a olhar para o militar, dessa vez, passando a informação que ele tanto quer.

ㅤㅤㅤ── Nessiah é um garoto. Ele deve ser mais ou menos dessa altura. ── Mostrei um comparativo entre eu e ele, onde Nessiah seria da minha cintura para baixo em altura. ── Ele fala engraçado, cheio de enigmas e gírias estranhas. Ele lembra o Yoda do Star Wars falando... Só lembra. Ele espera que eu lhe devolva o livro, mas não tenho certeza de que ele quer apenas trancafiar esses monstros... algo me diz que ele quer esse livro para um objetivo ainda maior...

ㅤㅤㅤOlhei para o militar.

ㅤㅤㅤ── Assim como suspeito que a sua guia mágica esteja também planejando algo pelas suas costas, só esperando o momento certo para te trair e tirar vantagem dos seus feitos até o momento. ── Joguei esse pensamento para cima dele. Uma forma minha de expressar a ele que não confio nenhum pouco nos magos e no que eles me disseram. Espero que ele entenda isso.

ㅤㅤㅤO homem parecia difícil de ler e entender. Ele não era muito expressivo. Era neutro o tempo todo, parecia uma máquina. Ele me lembra um pouco do Arnold Schwarzenegger quando interpretou o Exterminador do Futuro. Observei que ele não estava mais se esforçando para falar e só então notei que os ferimentos dele haviam se curado. Como era possível? A luz vermelha que escapava pelos vãos dos olhos da minha mascara diminuíram quando semicerrei os olhos, pensando no que poderia ter acontecido com ele. Foi a capsula que ele ingeriu minutos atrás? Não pode ser que exista uma droga com efeitos de cura tão imediatos assim! Antes que pudesse falar algo, ele me cortou com uma nova pergunta.

ㅤㅤㅤ── Quando foi que você conheceu o Nessiah?

ㅤㅤㅤ── Foi dentro de um sonho. ── Não quis explicar como foi o sonho. Eu estava de biquíni na praia. Seria desconfortável falar desses detalhes. ── Ele apareceu e me informou do castelo, livro, torneio...

ㅤㅤㅤ── Como faz para manter o contato com ele? Qual é a frequência? ── Ele já está indo além com as perguntas.

ㅤㅤㅤ── Ele aparece em sonhos. Alguma coisa o impede de entrar aqui. ── Tenho a impressão de que não será o bastante para ele parar.

ㅤㅤㅤ── Você não respondeu a frequência com que fala com Nessiah.. ── Ele insistiu.

ㅤㅤㅤ── Você também não falou muito a respeito da Cassandra. Nem a frequência que ela aparece. ── Respirei fundo. Acho que não tenho mais o que esconder. ── Ele fala melhor comigo nos meus sonhos, ou quando deixa uma cópia minúscula, do tamanho de uma mosca vagando perto de mim.

ㅤㅤㅤ── Entendo... contudo, diga-me, o que faz os poderes dele não chegarem até aqui? Ou os poderes não funcionam dentro do castelo ainda que ele estivesse aqui dentro? Se souber, poderia me explicar melhor sobre isso?

ㅤㅤㅤ── Ele me disse ser uma barreira, uma espécie de magia que impede seres imortais de se aproximarem do castelo.

ㅤㅤㅤ── Entendo, Nessiah é igual Cassandra... A mesma também entrou em contato comigo através de sonhos e se comunica apenas quando acha conveniente para ela. ── Ele fez uma pequena pausa no seu comentário. ── Mas diferente de Nessiah, os poderes de Cassandra funcionam além dos muros do castelo...

ㅤㅤㅤ── Talvez os dois sejam aliados? Ou rivais? Me é estranho saber que temos dois magos trabalhando de formas semelhantes dentro do castelo. Hum... ── Desviei meu olhar. A luz vermelha dos meus olhos diminuiu quase em sua totalidade, permanecendo apenas uma única linha vermelha.

ㅤㅤㅤ── Como e onde posso encontrar Nessiah? ── Agora ele me pegou. Nem mesmo eu sei como achar aquele bendito.

ㅤㅤㅤ── Não sei te responder... ── Não tinha mesmo o que dizer sobre isso. Mas é algo que procurarei saber em breve.

ㅤㅤㅤ── Certo, preciso ir agora... até! ── O militar olhou para mim e depois tomou o seu rumo. Quando me dei conta, eu fiquei sozinha.

ㅤㅤㅤMeu corpo ainda dói. Voltar para o meu quarto levou algum tempo e dessa vez eu não fiz questão de contar os minutos. Quando finalmente cheguei na minha porta, arrastando todo o peso da Buer Driver sozinha. O mais interessante desse percurso todo foi que ninguém, NINGUÉM apareceu, nem com o barulho das lâminas desligadas arrastando-se pelo piso de pedra. Abri a porta do quarto com cuidado, olhando para os meus arredores. Quando entro, fecho a porta e passo o trinco para que ninguém tentasse abrir.

ㅤㅤㅤ── Buer... ── Removi minha máscara e sentei no chão. Trouxe minhas mãos até as costas, segurando o cabo de ossos preso na minha coluna e pressionando-a até removê-la. Coloquei minhas mãos sobre a região danificada, fazendo que a Gae Bolga dentro de mim começasse a vazar das pontas dos meus dedos, para ser mais exata, debaixo das minhas unhas. As duas parasitas pareciam funcionarem muito bem uma com a outra, como uma espécie de síntese. Assim que as gotas negras tocaram sobre a região danificada, as rachaduras se fecharam assim que absorveram a matéria negra expelida de meu corpo.

ㅤㅤㅤPoucos segundos depois, a criatura voltou a se mexer e voltou a assumir a forma humanoide que possuía. Uma criatura esguia, alta, de braços e pernas grandes e finas, com um rosto em formato de crânio e dois olhos vermelhos e brilhantes. Ele se sentou e olhou diretamente para o meu rosto. Emitiu aquele ruído que para os outros seriam incompreensíveis, mas que para eu, era fácil de entender.

ㅤㅤㅤ── Eu estou bem! Não ganhei e nem perdi. Foi empate técnico. ── Respondi ele.

ㅤㅤㅤFicamos um tempo a mais conversando. Ainda não era nem 19 horas e minhas energias estavam se recuperando, lentamente. Meu corpo conseguia se curar mais rápido graças ao sangue da Skullgirl. É como se fosse um fator de cura próprio meu, mas da mesma forma como as outras pessoas, ainda preciso me alimentar e descansar apropriadamente para ficar nos meus cem por cento. Afinal, ninguém é imortal e nem invencível, não é mesmo?

ㅤㅤㅤBuer me perguntou diversas vezes o que aconteceu comigo depois que ele ‘apagou’. Contei a ele sobre uma breve conversa com o militar e das informações que passei. Ele achou correto essa atitude minha, mostrar confiança nos outros lutadores. Claro que para ele concordar comigo, foi preciso dar a minha perspectiva sobre a participação daquele soldado. Já o meu outro lado da moeda, o Gae Bolga, disse que fui idiota em passar as informações e que não precisava ter ajuda de ninguém para concluir com os meus objetivos. É engraçado isso. Quando peço a opinião dele, ele nunca responde. Mas quando já aconteceu as coisas, ele se manifesta como se a palavra dele fosse a única verdade verdadeira. Tsc. Ignorei-o. Afinal, já tinha falado com o soldado, este que nem sei o nome. Mas não importa.

ㅤㅤㅤ── Eu preciso encontrar o Nessiah. Não o vejo desde a noite passada. Será que ele conseguiu restaurar aquela morta-viva e leva-la para o lugar que mandei? ── Quando olhei para o teto do meu quarto, senti uma pontada de dor na cabeça.

ㅤㅤㅤ── Aaaii... ── A dor foi fraca no início. Mas aumentou drasticamente depois. ── Aaaaaaaiiiii... ── Levei a mão no rosto. Sinto como se minha cabeça fosse explodir de tanta dor.

ㅤㅤㅤBuer levantou-se e emitiu mais um som, porém, dessa vez, com tanta dor, eu não fui capaz de compreender o que ele quis me dizer. Meu corpo começou a esquentar do nada. Senti a Gae se repulsando dentro de mim como se quisesse sair de dentro do meu corpo.

ㅤㅤㅤ── Não... isso não pode ser....

ㅤㅤㅤSó havia uma coisa que pudesse explicar toda essa reação estranha de Gae e toda a dor de cabeça que me veio de supetão. Era o controle de Brain Drain! Só podia ser. Sinto meus batimentos acelerarem. Meu corpo começa a suar. Minha pele vai ficando vermelha igual um pimentão. Comecei a perder minha voz. A visão embaçada e as forças começando a faltar. Falar estava difícil. As veias dos meus braços e pernas saltaram e começaram a brilhar fortemente.

ㅤㅤㅤ── Não! NÃO! NÃO! NÃO! ── Levo as mãos na cabeça e seguro eles com força, como se fosse arrancá-los do meu couro cabeludo. Eu posso ouvir. Aqueles números. Aquela voz robótica ecoando na minha cabeça.

ㅤㅤㅤ── NÃO! EU NÃO QUERO! SAIA DA MINHA CABEÇA! AGORA! AGORAAAAAAA! ── Espinhos emergem de todo o meu corpo. Ombros, costas, pernas e braços. Meu sangue escorre. Sinto uma falta de ar violenta pressionando meu peito e meus pulmões.

ㅤㅤㅤ── SAIA DA MINHA CABEÇAAAAAAA! ── Eletricidade emanou por todo o meu corpo. E no último instante, eu explodi raios para todos os lados no quarto, destruindo o guarda roupa, as luzes, algumas mobílias a mais, e danificando uma das pernas da cama.

ㅤㅤㅤMeus olhos apagaram. Eu não vi nada. Só senti o chão gelado. Acho que tombei. Eu... desmaiei.

ㅤㅤㅤNightmare Crest

ㅤㅤㅤEscuridão. Foi a primeira coisa que percebi ao abrir meus olhos. Meu corpo estava leve por alguma razão, consegui me levantar e sentar no chão gelado olhando para meus arredores com um pouco mais de atenção. O que eu vejo é horrível. Esse lugar... é Maplecrest! Minha casa! Ali está a minha casa! Mas... está tudo errado! Tudo está ao contrário!

ㅤㅤㅤ── O que é isso? ── Me levantei, apressada. Corri pela rua e passei pelas mesmas pessoas de antes, mas... elas não estavam normais. Eram sombras obscuras com olhos brancos e brilhantes.

ㅤㅤㅤOlhei para os céus acima de minha cabeça. Ele estava em um misto de cores rosadas, esverdeadas e cinzentas. Não sei que diabos está acontecendo. Mas tudo... tudo ali... era como se fosse uma versão aterrorizante do lugar que sempre me fez sentir paz e felicidade.

ㅤㅤㅤ── O que está acontecendo aqui? Onde estou? Papai? Mamãe? Poppy? ── Eu corri para todos os lados. Cheguei na porta da casa que antes morei e bati nela fortemente, chamando por todos eles. ── Por favor! Abram! Sou eu! Carol! Cadê vocês? ── Sem resposta. Ninguém disse nada. Nem mesmo as sombras que passavam por mim e me encaravam, diziam alguma coisa. Elas simplesmente... olhavam e passavam como se nada mais importasse.

ㅤㅤㅤFoi só então que reparei numa coisa. Não estou com o peso da Buer Driver nas minhas costas e nem com os pregos que mantém a Gae Bolga presa dentro do meu corpo. Olhei para minhas mãos e não haviam veias saltadas e nem unhas negras e manchadas de sangue. Passo as mãos no rosto e não sinto as marcas e nem cicatrizes, que ficaram permanentes em minha face depois da primeira remoção da minha máscara.

ㅤㅤㅤ── Eu... Essa... não sou eu...? ── Foi a pergunta que fiz para mim mesma.

ㅤㅤㅤUm carro de sorvete! Avistei um carro de sorvete no fim da rua e corri até ele. Olhando para os meus pés, vejo que estou usando um sapatinho marrom e meias que iam até abaixo do meu joelho. Estou de saia. E blusinha. Era o uniforme da minha escola de Maplecrest. Parei quando cheguei no carro. Não tinha ninguém dentro dele. Mas olhei no retrovisor do mesmo na porta do motorista. Essa... sou eu... A eu antes de tudo.

ㅤㅤㅤ── Não pode ser... O que isso quer dizer? ── Passei a mão na minha cara como se não acreditasse em nada do que estava vendo. Como se tudo aquilo não passasse de um pesadelo horrível, algo que começou a me deixar ainda mais amedrontada e nervosa.

ㅤㅤㅤDei alguns passos para trás até sentir minhas costas bater em um corpo. Frio. Gelado. O susto me fez dar um impulso para frente, me virando para a direção que estava aquela coisa. E o que vi me fez arregalar os olhos.

ㅤㅤㅤ── Quem é você? ── Perguntei, com a voz quase falhando.

ㅤㅤㅤ── Eu sou você! ── Ela me respondeu, com uma voz rouca e mais baixa.

ㅤㅤㅤEra a Painwheel. No caso, era eu mesma! Mas... Essa Painwheel estava com a máscara, a Buer Driver nas costas e os pregos da Gae Bolga espalhadas pelo corpo. Sua coloração era diferente. Ela era sombria, igual as demais coisas que me cercam pelas calçadas e ruas dessa macabra versão de Maplecrest. Sua pele era negra. Suas roupas eram púrpuras. Suas lâminas reluziam um roxo e um escuro diferente. Os olhos brilhavam em púrpuro também. E sua postura era a mesma monstruosa que eu assumo nos combates.

ㅤㅤㅤ── O que está acontecendo? Onde estou? RESPONDA! ── Sinto que estou perdendo o controle da minha calma. Isso não é bom.

ㅤㅤㅤ── Você está em Nightmare Crest. Este é uma lembrança corrompida sua... uma modificação criada por mim mesmo... outra memória reprimida sua. ── Não entendi nada do que ela falou.

ㅤㅤㅤ── O quê? Seja mais clara, por favor! ── Exigi uma explicação mais detalhada.

ㅤㅤㅤ── Esse é o seu subconsciente. Aqui é o mundo onde você vem toda vez que tem pesadelos. Uma parte da sua memória que se perdeu. As pessoas que conheceu, o lugar que viveu, aquela paz que te fazia sorrir... tudo isso se tornou isso aqui. E isso é causado por causa da sua raiva, ao deixar-se ser controlada por ele. Por ela. Por todos.

ㅤㅤㅤ── Isso é culpa dela, não é? Foi a Valentine que fez isso! Eu sei que foi!

ㅤㅤㅤ── Não. Dessa vez foi o próprio Brain Drain que ativou o controle mental. Você só está me vendo agora porque estou permitindo isso.

ㅤㅤㅤ── Por que? O que você tem a ver com o controle mental?

ㅤㅤㅤ── Você já se esqueceu? Sou eu quem deve conter você toda vez que você desobedecer às ordens do laboratório.

ㅤㅤㅤ── Então... você está controlando o meu corpo agora, é isso mesmo?

ㅤㅤㅤ── Negativo. Seu corpo está debilitado demais para isso. Posso dizer que você está em modo de Standby até as ordens novas serem enviadas para mim.

ㅤㅤㅤ── Maldita! Você não tem o direito de me controlar! Você não pode!

ㅤㅤㅤ── Sim. Eu posso. É por isso que sou o projeto 0-84. A Painwheel. É para isso que fui programada. Para matar, destruir, obedecer ao laboratório, destruir a Skullgirl e entregar a eles o Skull Hart. Agora... eu sou a responsável para destruir Valeth, seus comparsas, os lutadores, sua família e resgatar o livro para o Brain Drain!

ㅤㅤㅤ── O que? ── Eu não acreditei no que ouvi. ── Você está assumindo controle total desta operação? Isso quer dizer que Brain Drain sabe que estou desobedecendo ele?

ㅤㅤㅤ── Sim. Ele sabe. E você deve fazer ideia de quem foi a responsável por isso.

ㅤㅤㅤEu gritei de raiva.

ㅤㅤㅤ── MALDITA! ROBÔ-FORTUNE MALDITA! AAAAAH!

ㅤㅤㅤLevei as mãos na cabeça de novo. Eu não me aguentei. Senti meus olhos pesarem, as lagrimas começaram a escorrer por eles.

ㅤㅤㅤ── Não posso acreditar que isso está acontecendo...

ㅤㅤㅤ── Receio que você será destruída em breve.

ㅤㅤㅤ── Ahn? Ele quer me matar?

ㅤㅤㅤ── Sim. Você dá problemas demais para o laboratório. Ele só espera o livro e depois, seremos desativadas.

ㅤㅤㅤ── Cala a boca!

ㅤㅤㅤEla não respondeu.

ㅤㅤㅤ── Eu não vou deixar você me controlar e nem ele me matar!

ㅤㅤㅤ── O que vai fazer então?

ㅤㅤㅤ── O que eu fiz da outra vez!

ㅤㅤㅤ── Então você se lembrou?

ㅤㅤㅤ── Sim! Eu acabei com a sua raça! Só esqueci de te remover da minha cabeça!

ㅤㅤㅤEu já estive aqui antes. Depois de um tempo conversando com essa versão sombria minha, eu pude recordar daquele tempo em que confrontei a Valentine nos arredores de Maplecrest. A mulher que arruinou minha vida estava por essa região, buscando as famílias que estavam associados a máfia dos Medici, pois era esse o motivo da vingança da Skullgirl Bloody Marie. Ela queria se vingar dos Medici pelo que eles fizeram com várias crianças naquele tempo, inclusive uma delas... uma menina chamada Patrícia.

ㅤㅤㅤMinha versão sombria respondeu.

ㅤㅤㅤ── Dessa vez eu tomei todos os cuidados possíveis. Aqui sou eu quem controla tudo. Você está sem suas armas, sem seus poderes, sem sua força. O que te resta? Somente o medo. A menininha medrosa, patética e fraca que você sempre foi.

ㅤㅤㅤAh, mas aquilo não vai ficar bonito!

ㅤㅤㅤ── Como ousa?

ㅤㅤㅤFechei os punhos. Com muita força. O que ela disse não era uma mentira. Antes eu sempre fui uma garotinha que sempre se deu mal. Aquela menina que gostava de ser amiga de todos. Eu acabei me humilhando para poder me sentir aceita pelas pessoas, sempre voltando para casa chorando escondida e forçando sorrisos para meus pais não se preocuparem comigo. Fui ridicularizada por não ter um corpo atraente, que me fez até mesmo começar a odiar minha aparência com todo este bullying que sofri, tanto das meninas populares da escola, dos meninos mais desejados, de todos que me achavam reta, ridícula, sem peito e sem bunda. Eu me lembrei agora de cada uma das ofensas, das brincadeiras patéticas que fizeram comigo, das risadas, os dedos apontando para mim, tudo. Tudo o que mais odeio! PESSOAS! FOFOCA! PIADAS DE MAU GOSTO! BRINCADEIRAS IDIOTAS! MEU CORPO! MINHA VOZ!

ㅤㅤㅤ── ESSA NÃO SOU EU! ── Berrei!

ㅤㅤㅤ── Como é?

ㅤㅤㅤ── EU NÃO SOU MAIS ASSIM! EU SUPEREI TUDO ISSO!

ㅤㅤㅤ── E porque está brava então?

ㅤㅤㅤ── É por causa... São lembranças ruins! Lembranças ruins me deixam brava, me deixam triste! Eu sei! Eu fui mesmo humilhada por todas essas pessoas, fui medrosa, deixei que zoassem comigo... mas não... eu aprendi a não deixar que essas coisas me afetassem mais!

ㅤㅤㅤ── É mesmo? Não acredito em nada disso.

ㅤㅤㅤ── É claro que não. Você é apenas um erro. Uma ilusão da minha mente corrompida! Você não tem sentimentos, não passa de uma figura patética que só sabe seguir ordens!

ㅤㅤㅤDei um passo para frente, ainda com o punho fechado.

ㅤㅤㅤ── Eu tive uma amiga chamada Filia! Ela era uma das meninas mais populares do colégio. Ela me protegeu de todos que ficavam me maltratando, se tornou a única pessoa em que pude confiar, conversar, compartilhar segredos, estudar... ela praticamente viu que sou uma pessoa comum, que não merecia ser tratada de forma mesquinha por aqueles ignorantes de narizes empinados! Ela me ensinou o valor de amizade...

ㅤㅤㅤ── A mesma pessoa que te conduziu para aquele fogo cruzado?

ㅤㅤㅤEu parei. Não entendi o que ela quis dizer com isso.

ㅤㅤㅤ── Pera... O que?

ㅤㅤㅤ── Você não se tocou ainda? Acha mesmo que foi o laboratório que te sequestrou?

ㅤㅤㅤEu realmente não estava entendendo nada.

ㅤㅤㅤ── O que você quer dizer com isso?

ㅤㅤㅤ── Hm... Permita-me liberar suas memórias reprimidas...

ㅤㅤㅤAlguma coisa aconteceu quando a versão sombria de Painwheel esticou seus braços para a minha direção. Senti uma dor de cabeça dentro da minha própria cabeça. É coisa de louco! Mas aconteceu! Eu... comecei a me lembrar de algo... algo que não...

ㅤㅤㅤEra Nova Meridian. Eu estava ali, como uma observadora em primeira pessoa. Pude ver o momento que estávamos andando juntas, Filia e Eu. Ela era loira naquele tempo, foi antes da parasita Sansão se apossar do corpo dela e se tornar os próprios cabelos dela. Nós estávamos comentando sobre um garoto novo e que ela jurava que ele gostava de mim, que eu deveria ir até ele e chama-lo para sair. Estávamos voltando do cinema naquele dia, pois havíamos sido liberadas mais cedo da escola, o motivo eu não me recordo.

ㅤㅤㅤPassamos por uma via movimentada e acabamos sendo cercadas por vários carros pretos. Homens de terno cor de vinho, a marca dos Medici, saíram empunhando metralhadoras e outras armas pesadas. Uma van preta parou também ao nosso lado.

ㅤㅤㅤ── Filia... O que está acontecendo? ── Eu perguntei.

ㅤㅤㅤ── Não sei... O que vocês querem? ── Ela se impôs contra eles.

ㅤㅤㅤ── Essa aí é a filha do chefe? O que ela está fazendo aqui? ── Eles conheciam a Filia? Mas como? E quem era esse chefe?

ㅤㅤㅤ── Mancada! Mexer com essa daí vai nos dar problemas! Mas aquela outra ali vai servir!

ㅤㅤㅤ── Nada disso! Fiquem longe da Carol! ── Ela me protegeu. Ficou na minha frente, com os braços abertos.

ㅤㅤㅤ── Filia... O que está havendo? O que esses homens querem?

ㅤㅤㅤ── Vocês, tirem a filha do chefe do caminho. Deem um jeito de apagar ela sem machucá-la.

ㅤㅤㅤ── Certo! Vamos pegar a outra mocinha!

ㅤㅤㅤ── Corre, Carol! AGORA!

ㅤㅤㅤFoi tudo muito rápido. A outra eu observava aquilo tudo sem dizer uma palavra. Assisto a mim mesma correndo pelo caminho que havia atrás de mim e de Filia. Encontrei uma grade e tentei escalar ela para passar para o outro lado. Mas eles me alcançaram. Puxaram meu pé com força. Eu caí no chão. Me debati. Lutei o máximo que pude contra eles...

ㅤㅤㅤ── Não! Me solta! Eu quero ir embora! Não! Não!

ㅤㅤㅤ── CALA A BOCA, PORRA!

ㅤㅤㅤE fui silenciada com uma coronhada de uma arma, acertada na nuca.

ㅤㅤㅤ── CAROL! NÃO! ── Filia gritava por mim enquanto estava sendo arrastada para dentro de um dos carros.

ㅤㅤㅤ── Cala a boca, vadia! Você vai para casa agora!

ㅤㅤㅤEu não vi mais nada.

ㅤㅤㅤA lembrança acabou.

ㅤㅤㅤ── Foi os Medici? ── Perguntei.

ㅤㅤㅤ── Sim. E Filia era filha de um dos chefes daquela operação. Eles queriam escravizar menininhas para vender no mercado negro. Você teve o azar de entrar no fogo cruzado dos Medici com o Anti Skull Girls Labs. Melhor dizendo... conosco... A Última Esperança.

ㅤㅤㅤOuvir aquilo me fez arregalar os olhos.

ㅤㅤㅤ── A Última Esperança?

ㅤㅤㅤMinha versão sombria apenas moveu a cabeça para o lado.

ㅤㅤㅤ── Você foi resgatada pela agente Valentine e agente Christmas.

ㅤㅤㅤOutra lembrança.

ㅤㅤㅤ── Aqui! É outra menina! E ela está machucada demais! ── Um homem saxofone gigante de blazer e chapéu de detetive encontrou uma criança ferida.

ㅤㅤㅤ── Meu deus! O que fizeram com ela? ── Uma enfermeira ruiva parou ao lado da jovem. ── Eu vou tentar ajudar ela.

ㅤㅤㅤ── Não acredito que essa aí aguente muito... Até mesmo para os Medici, fazer isso com uma criança é muito baixo. ── Uma enfermeira de cabelos azuis manifestou sua opinião sobre a jovem.

ㅤㅤㅤ── Do mesmo jeito, vou deixar isso nas mãos do doutor!

ㅤㅤㅤA menina que eles carregavam numa maca ainda respirava. Seus olhos foram furados. Seus braços e pernas amputados. Ela foi punida por ter ajudado uma outra garota a fugir daquela prisão. Eu vi. Vi tudo o que aconteceu com a menina de nome Patrícia. Estava em choque com a violência, de ver aqueles homens arrancando os braços dela com golpes de facão, furando os olhos dela, depois as pernas dela, deixando-a ali, para morrer. Eu lembro deles apontando as facas para nós. Ameaçando eu e as outras meninas. O medo nos dominava. O horror. Aquilo... eu não sei por quanto tempo ficamos presas. Mas eu estava fora de mim mesma. Acho que não dormi. Não lembro se pisquei o olho. Só sei que fiquei em estado de choque até que um grupo de enfermeiras chegaram. A Last Hope.

ㅤㅤㅤ── Quem é essa? Outra refém? Não... é outra pessoa... ── A enfermeira dos cabelos azuis, máscara cirúrgica e tapa olho veio andando na minha direção. Ela fez uma avaliação rápida em mim.

ㅤㅤㅤ── ... Socorro... ── Foi a única coisa que eu disse para ela.

ㅤㅤㅤ── Brain Drain, temos uma garota aqui. Com certeza foi uma pega pelo fogo cruzado. As roupas dela, idade e condições não batem com as demais encontradas anteriormente. No entanto... o sangue dela parece ser compatível com o que estamos procurando...

ㅤㅤㅤEu fiquei sem entender o que ela estava falando. Olhei para meus arredores. Haviam muitas enfermeiras. Uma gordona gigante. Outra baixinha e cor de rosa. Uma toda cinza e de roupas escuras, usando várias seringas de injeções. Havia o homem de casaco carregando a menina mutilada. Haviam outros agentes do Last Hope e ASG Labs correndo para todos os lados.

ㅤㅤㅤ── Mas ela é apenas uma garotinha. Não acho que ela esteja preparada para isso.

ㅤㅤㅤEu sei que estão falando de mim. Ela se comunicava por um rádio. Estranho... não consigo entender o que a outra voz dizia...

ㅤㅤㅤ── Eu quero... ir para casa... ── Olhei para a enfermeira.

ㅤㅤㅤEla fez o mesmo.

ㅤㅤㅤ── Venha comigo. Eu vou te levar pra casa.

ㅤㅤㅤ── Por favor... eu to com saudade da mamãe... do papai...

ㅤㅤㅤ── Eu sei, eu sei... eu prometo... ── Ela me garantiu. Ela me abraçou e afagou meus cabelos. Eu me senti confortável com aquele abraço... de repente, eu apaguei. Foi ali que minha vida foi completamente destruída.

ㅤㅤㅤTudo fazia sentido agora.

ㅤㅤㅤ── A culpa não foi de Filia. ── Olhei para a Painwheel sombria.
ㅤㅤㅤ── Como pode ter tanta certeza?

ㅤㅤㅤ── Ela não iria me trair e me levar para uma emboscada. Valentine, por outro lado, aproveitou do meu estado de choque e me fez acreditar que tudo ia ficar bem. O sequestro começou com os Medici, mas o ASG Labs se aproveitou disso e me levaram em seguida. Eles usaram os Medici para esconder suas operações por debaixo dos panos.

ㅤㅤㅤ── Devo lembra-la que nós não tínhamos tempo para procurar outra hospedeira.

ㅤㅤㅤ── Claro. Para o Lab Zero nada importa. Apenas o objetivo concluído.

ㅤㅤㅤ── A Painwheel foi criada para salvar o mundo!

ㅤㅤㅤ── Sob as custas da minha felicidade, dos meus sonhos, da minha vida e família...

ㅤㅤㅤ── É um preço justo a se pagar!

ㅤㅤㅤ── Não. Nenhuma criança merece passar pelo o que passei. Tanto os ASG Labs e os Medici são culpados por traumatizarem várias meninas e meninos.

ㅤㅤㅤOlhei mais uma vez e dessa vez, estou determinada. Assumi a postura de combate.

ㅤㅤㅤ── O que pretende fazer, Carol? ── A Painwheel me chamou pelo meu nome.

ㅤㅤㅤ── Eu vou desativar você! Vou derrota-la usando o treinamento do papai e da Yuriko-neechan!

ㅤㅤㅤ── Sem seus poderes? Sem suas armas? Você não é nada! Apenas uma criança medrosa e fraca!

ㅤㅤㅤEu sorri. E fiz questão de que a minha versão macabra tivesse uma boa visão desse sorriso confiante em meu rosto.

ㅤㅤㅤ── A criança medrosa e fraca cresceu e se tornou forte! Hoje eu sou uma Yagami! Uma orgulhosa artista marcial que luta pelo bem daqueles que ama! E com um combate justo, sou mais do que suficiente para te encher de porrada!

ㅤㅤㅤ── Você vai morrer tentando!

ㅤㅤㅤ── O corpo é meu! A mente é minha! Já me cansei de ser feita de idiota por vocês e isso acaba agora!

ㅤㅤㅤA postura que assumi foi a mesma do estilo de luta do meu pai. O White Crane das garras do tigre. Não sou controladora de chamas, mas aprendi por meio dos treinamentos de Yuriko o controle de chi e com isso, posso criar golpes com pressões muito mais poderosas do que o normal. Minha velocidade era maior sem a Buer Driver e Gae Bolga no meu corpo. E além do mais, não sinto mais as dores do meu corpo. Me sinto leve como uma pena de um pássaro!

ㅤㅤㅤNossa luta começou. No meio da rua de uma Maplecrest sombria, entre o olhar de várias sombras. A Painwheel me atacou com a Buer Driver de um jeito que eu não atacaria. Era um golpe pesado, lento, que requer muito tempo de recuperação. Eu rolei por baixo do ataque, erguendo-me com uma passada larga e golpeando-a no rosto com a mão formando uma garra de tigre. O golpe foi forte o bastante e posso sentir que eu quebrei o nariz da minha versão sombria.

ㅤㅤㅤEla reagiu. Tentou me socar. Eu defendi com a canhota, erguendo o braço na direção que ele vinha para me golpear. Pude aplicar uma joelhada com força na boca do estomago dela, atordoando-a.

ㅤㅤㅤPude investir com mais uma sequência de murros e ponta pés, agora assumindo um estilo mais agressivo de combate. Era o punho do Tigre Negro que o papai me ensinou.

ㅤㅤㅤ── Você pode ter meus golpes, minha força e minha arma. Mas você tem ZERO CRIATIVIDADE para usá-los! ── Minha provocação deixou a minha sombra irritada.

ㅤㅤㅤ── Como pode ser possível? Eu deveria ser mais veloz! Mais forte! Os dados apontam isso!

ㅤㅤㅤParei, assumindo a postura de luta do papai.

ㅤㅤㅤ── Se você confia demais em cálculos, então você não sabe nada sobre como funciona uma luta de verdade! Não existe matemática alguma que explique os movimentos de um lutador! É por isso que você, mesmo tendo tudo o que me pertence, nunca que será párea para mim!

ㅤㅤㅤ── Cala-se maldita! ── Ela apontou o punho para mim e disparou vários ferrões negros do pulso. Era uma das minhas técnicas.

ㅤㅤㅤEu esquivei com uma evasiva para a esquerda, arranquei o retrovisor do carro de sorvete e arremessei na cara dela. Ela defendeu aquilo com facilidade, repelindo o meu arremesso para o lado com um golpe violento de mão. Mas o que ela não contava era um potente murro meu contra a face dela, tão forte que a tirou do chão e a fez cair de costas no piso.

ㅤㅤㅤ── Maldita!

ㅤㅤㅤ── Já te disse! É inútil! Você não sabe como usar meus golpes. Não sabe como funciona o treinamento marcial. Além de não saber como me atacar e reagir aos meus ataques. Desista! Entregue o controle de volta para mim e nunca mais se manifeste na minha cabeça!

ㅤㅤㅤ── Tsc! Eu sou ativada por um código! Enquanto o chip estiver plantado na sua cabeça, nós duas sempre voltaremos a nos ver.

ㅤㅤㅤFranzi o cenho.

ㅤㅤㅤ── O Chip na minha cabeça, é? Ótimo. Está na hora de acabar com você de uma vez por todas!

ㅤㅤㅤEntão, antes que ela pudesse se levantar, eu saltei para cima dela. Cai com os joelhos em cima dos braços finos da Painwheel sombria. Pude ouvir os braços dela estalando. Acho que desencaixei eles dos ombros dela. Se é que aquilo tinha ossos... ela ficou imóvel. E por cima dela, comecei a socar sua face incontáveis vezes.

ㅤㅤㅤ── Você nunca mais, ouviu bem? NUNCA MAIS!

ㅤㅤㅤUm soco, dois, três, quatro, cinco, seis...

ㅤㅤㅤ── Nunca mais vai tomar controle do meu corpo!

ㅤㅤㅤSete, oito, nove, dez, onze, doze...

ㅤㅤㅤ── Brain Drain não vai conseguir me matar! Nem minha família! Nem obterá o livro!

ㅤㅤㅤTreze, quatorze, quinze, dezesseis, dezessete, dezoito...

ㅤㅤㅤ── Eu vou me vingar por tudo o que fizeram comigo! Com a minha família!

ㅤㅤㅤEu não parei de esmurrar a cara da sombra. Continuei fazendo aquilo, até que minhas mãos ficassem sujas de um material gosmento e de cor roxa. Eu soquei e soquei a cabeça dela até não sobrar nada, a não ser uma pilha de carne.

ㅤㅤㅤ── Eu sou dona das minhas escolhas! Da minha mente! Do meu corpo! Não você! BASTA!

ㅤㅤㅤO último soco acabou afundando o que tinha sobrado da cabeça da Painwheel sombria, rachando até mesmo o solo do asfalto.

ㅤㅤㅤ── Meu nome é Carol... E essa sou eu de verdade!

ㅤㅤㅤQuando me dei conta do que fiz, eu não senti nojo e nem remorso. Me ergui decidida. E os meus arredores foram mudando, pouco a pouco, recuperando a cor e o brilho que sempre teve. Logo, me vi no meio da rua da Maplecrest que nasci, conheci e cresci. As mesmas arvores grandes e cheias de folhas, as flores dos jardins das fileiras de casas em ambos os lados das ruas. Os meninos e meninas brincando do outro lado da rua, um cãozinho correndo atrás de um gato cinza, uma mocinha sentada na escada que dava entrada à porta de sua casa com um coelhinho em cima do seu colo, o papai e a mamãe lado a lado observando o movimento da rua. É. Eu pude vê-los mais uma vez ali... eles não me viram, é claro. Aquilo é apenas uma lembrança de como era... Mas finalmente, eu senti que estava sorrindo. Meu coração batia apressadamente, cheio de alegria.

ㅤㅤㅤ── Essa é a minha mente! Os meus sonhos, meus pensamentos, minha vida... isso ninguém me tira!
ㅤㅤㅤEu estava ali por um momento. Então, quando virei de costas, ouvi alguém me chamando.

ㅤㅤㅤ── Oi Carol, é a Chizuru.

ㅤㅤㅤArregalei os olhos.

ㅤㅤㅤDo outro lado da história.

ㅤㅤㅤFora do castelo, eu não sei o que está acontecendo. Não sei como estão os meus amigos e minha família. Quando contei para a Chizuru-san de que ia fazer isso sozinha e que desejava que eles não se intrometessem, eu fui crente de que ninguém ia tentar me ajudar. Mas algo dentro de mim dizia que a família encontraria um jeito de me ajudar.

ㅤㅤㅤIori e Chizuru estavam no castelo. Claro, eu não sabia disso. E eles descobriram que alguma coisa estava drenando a energia das pessoas e estimulando elas a continuarem firmes e fortes em uma passagem temporal absurdamente rápida. Quando Chizuru descobriu esse misterioso acontecimento, ela arrastou o papai para fora do castelo e ele, sem entender nada, acabou seguindo-a e ouvindo a explicação dela.

ㅤㅤㅤChizuru usou filmes para explicar o que estava acontecendo para o papai Iori, que só veio a acreditar nela quando percebeu uma quantidade enorme de mensagens pipocando na tela do seu celular e várias notificações de ligações perdidas.

ㅤㅤㅤ── Ok, você poderia me explicar o motivo da correria? Espera... 117 ligações perdidas? 245 mensagens de texto?

ㅤㅤㅤ── Aquele lugar... estamos quatro dias ou mais! ── Chizuru explicou.

ㅤㅤㅤO pai não parecia acreditar nessa história.

ㅤㅤㅤ── Mas ficamos menos de uma hora lá dentro!

ㅤㅤㅤChizuru-san, como era uma mulher muito inteligente e muito sensitiva com esses tipos de coisas que vem do além, conseguiu explicar de uma maneira bem simples e compreensível para o pai. Aposto que se ela usasse termos muito técnicos, acabaria fazendo ele ficar mais perdido do que estava. Quando esclarecido o ocorrido, papai recebeu a notícia de que a Alice já tinha sido avisada para fugir dali de dentro o mais rápido possível. Os quatro dias que se passaram como um piscar de olhos, logo, pesaram nos corpos e mentes dos dois adultos e eles tiveram que se apoiar um no outro para poderem chegar ao hotel que haviam se hospedado.

ㅤㅤㅤDeve ter sido uma loucura para eles dois. Ficarem quatro dias sem saberem como, acordados, sem beber água, sem comer, sem tomar banho ou ir no banheiro. Imagino a confusão que foi quando eles chegaram na recepção do hotel, com olheiras e corpos fracos. Os recepcionistas deveriam ter ficados surpresos com o retorno deles. Alice, como tinha meios misteriosos de se mover entre as dimensões, acabou chegando ao hotel primeiro que os adultos. A pequena saiu do castelo retornando para o seu mundo de imaginação, o que ela consegue manipular com poderes que vão além da minha compreensão. Ela saiu pela porta do guarda roupa do hotel, no quarto dos pais. Eles não haviam chegado. Ela cambaleou e com dificuldade, sentou-se na cama, tentando entender o que havia acontecido com ela... Como suas energias se esgotaram tão rápido em um espaço de tempo tão curto? Alice tinha a mesma idade que eu... mas sinto que de algum modo, eu sou um pouco mais madura do que ela.

ㅤㅤㅤPapai e Chizuru-san chegaram no quarto e Alice quase desmaiou. Sei que eles deram um jeito de fazer a menina se alimentar e se hidratar. Quando chegou o jantar, devem terem atacado a mesa como um bando de animais esfomeados. Acho que faria a mesma coisa se estivesse na mesma situação que as deles. Mas aí que está o genial da história... eu também estou passando pela mesma situação, mas a diferença é que Robô-Fortune estava me alimentando! Será que ela, a máquina maldita e barulhenta, cheia das piadas sem graça e forçadas, sabia dessa coisa de tempo corrido? Ela deve saber. Se duvidar, até Brain Drain sabia disso.

ㅤㅤㅤ── Calma Chizuru. ── Disse o papai.

ㅤㅤㅤChizuru-san não respondeu. Ela comia com muita pressa. O papai estava com as mãos tremendo. Ele não conseguia comer tão rápido quanto ela, pelo menos, não tão fraco como estava.

ㅤㅤㅤChizuru-san terminou de comer. Ela limpou os lábios, queixo e pescoço com os guardanapos. Ela não serviu no prato. Comeu direto da tigela com os hashis em mãos, depois segurando a travessa com as mãos e bebendo o caldo da comida. Satisfeita, ela deixou a mesa. Alice, que havia sido a primeira a comer, acabou sendo a primeira a ser posta para dormir. A namorada do papai logo se manifestou.

ㅤㅤㅤ── Preciso refrescar, vou passar água no corpo e deitar. Enquanto faço isso, eu falo com a Carol e tento explicar as coisas para ela pelo menos ter noção de se meteu.

ㅤㅤㅤO papai concordou enquanto terminava de mastigar um pedaço da carne que havia levado a boca, engolindo-o em seguida.

ㅤㅤㅤ── Certo. Vou aproveitar o momento e entrar em contato com Amy e Rebecca. Pelas mensagens das duas, estão muito preocupadas com o nosso desaparecimento.

ㅤㅤㅤOs dois concordaram com os planos. Chizuru foi ao banheiro, ligou o chuveiro, se despiu e refrescou-se nas águas quentes que vertiam do chuveiro. Enquanto se banhava dentro do box, a nipônica usou dos seus dons sobrenaturais para entrar em contato comigo... E ela veio bem na hora que resolvi um dos meus maiores problemas...

ㅤㅤㅤAgora...

ㅤㅤㅤQuando me virei e ouvi o chamado de Chizuru-san, ela estava caminhando na minha direção nas ruas de Maplecrest. Assim que me toquei de que era ela entrando em contato comigo, fui direto ao seu encontro. Não sei se ela reparou nos meus arredores, mas se ela veio ao meu encontro é porque tinha alguma coisa para me dizer.

ㅤㅤㅤ── Você está muito sumida. Como você está? ── Ela me olhou de forma carinhosa.

ㅤㅤㅤ── Eu estou bem, eu acho... na verdade, um pouco em choque com o que vem acontecendo aqui. Mas... acho que posso lidar com isso. ── Sorri.

ㅤㅤㅤ── Eu soube que está no torneio estranho que está acontecendo em Second. Estamos preocupados com você, eu mais ainda, pelo fato que me contou. ── Eu pude notar uma mudança no tom de voz dela, um tom mais preocupado, assim como o seu olhar.

ㅤㅤㅤ── Desculpa, Chizuru-san... Mas eu acho que cheguei a mandar uma mensagem para você e para o papai! Não receberam? Eu venci a primeira luta e empatei na segunda! Estou confiante de que vou vencer, custe o que me custar! ── Eu fechei os punhos e movi os braços com convicção.

ㅤㅤㅤChizuru-san me olhou com um pouco mais de seriedade. Acho que ela não estava tão empolgada quanto eu.

ㅤㅤㅤ── Por favor, arruma uma forma de entrar em contato com a gente, desculpa invadir sua mente assim... ── Eu fiquei mais atenta ao que ela me disse agora. ── ... mas esse lugar que você está não é seguro. Ele drena muito a energia das pessoas. Tente não ficar nele enquanto não precisar. Por favor.

ㅤㅤㅤEra novidade para mim.

ㅤㅤㅤ── Espera... O castelo está sugando nossas energias? E aquele mago maldito não me falou nada? ── Fiquei desapontada com aquele maldito Nessiah, que ainda estava sumido!

ㅤㅤㅤ── Preciso ir agora, Carol. Acorde! Fique atenta aos seus arredores. Entre em contato conosco, por favor!

ㅤㅤㅤ── Espera Chizuru-san!

ㅤㅤㅤQuando tentei tocar nela, a imagem da Chizuru-san se desfez na minha frente. E toda a Maplecrest ao meu redor começou a brilhar em um forte tom de banco, ofuscando meus olhos. Tentei tampar os olhos... E quando me dei conta, estou de volta no castelo, no meu quarto, deitada na cama com uma coberta sobre meu corpo. Buer Driver estava do meu lado. E minha testa estava sangrando.

ㅤㅤㅤ── Espera... O que houve? ── Me sentei na cama. Passei os dedos da mão destra na cabeça.

ㅤㅤㅤBuer, que ficou ao meu lado esse tempo todo, acabou me dizendo por meio dos seus ruídos que um chip estourou na minha cabeça e que desde então ficou sangrando.

ㅤㅤㅤ── O chip queimou? Deve ter sido na hora que venci aquela sombra! Ela era a resposta de tudo!

ㅤㅤㅤFechei os olhos. Me concentrei. E pah! Fiz crescer um espinho na minha testa, um espinho negro que removeu o chip que foi implantado na minha cabeça. Por que eu não fiz isso antes? Quando esse negócio estava funcional, de algum modo, Gae Bolga não conseguia se livrar disso. Por todo esse tempo não foi um problema, uma vez que precisava ouvir os comandos de ativação da Valentine, que eram suas próprias medidas corporais. Só ela e Brain Drain sabiam desse código..., mas eu sabia que um dia chegaria a hora de remover esse negócio da minha cabeça e me ver livre para sempre das influências mentais daquele laboratório maldito.

ㅤㅤㅤ── Pronto! Com isso, é uma página virada! ── Segurei aquele chip com toda a minha força e o destruí por completo! Nunca mais haverá controle mental na minha vida!

ㅤㅤㅤSaltei da cama para procurar pelo meu relógio e quando o encontrei, vi que já havia virado o dia. Começo a me despir na frente de Buer e fui direto para o banheiro para um banho quente e demorado. Meu corpo estava fedendo com a água daquela incubadora vermelha mesclada ao sangue da criatura que mutilei sem querer. Não estava com nojo, mas... aquele cheiro era desagradável para uma menina. Fiquei pensando no pequeno diálogo que tive com a Chizuru-san antes de voltar a realidade... sobre esse castelo estar absorvendo as energias dos lutadores... então era isso que estava me enfraquecendo a cada ataque e dano recebido? Isso quer dizer que estamos fortalecendo alguma coisa? Seria o próprio castelo ou havia algo mais por trás dessa história? Pensei no Valeth. Será que é ele quem está manipulando as energias dos lutadores dentro do castelo? O que ele quer com todo o poder dos lutadores? São tantas perguntas para uma cabecinha só responder. Quando termino meu banho, me seco e me enrolo na toalha, deitando assim mesmo na cama, me rendendo ao sono. Amanhã será outro dia...

ㅤㅤㅤEnquanto isso, em Maplecrest...

ㅤㅤㅤFilia é minha melhor amiga de infância e de escola. Assim que ela viu meu nome na tv devido a participação no torneio, ela foi diretamente ao encontro das minhas irmãs que estavam em Maplecrest, numa missão secreta que Chizuru havia dado a elas de protegerem minha família das artimanhas traiçoeiras do Laboratório Zero.

ㅤㅤㅤFoi numa casa próxima da que morei que Amy, Candy Cane e um rapaz, um tal de Noctis, se reuniram para poderem espionarem minha antiga família e protegerem eles de qualquer investida. Filia bateu na porta, ouvindo uma discussão grande vinda ali de dentro. Para quem estavam em uma missão secreta, estavam sendo o menos discretas possíveis. Quando a porta se abriu, Filia se deu de cara com a Candy. As bochechas da minha amiga ficaram vermelhas ao se deparar com o rosto de Candy tão próximo do dela. Candy tinha um jeito meio estranho de se aproximar das pessoas. As vezes ela olhava você tão de perto, de cima a baixo, como se analisasse você todinha, detalhe por detalhe.

ㅤㅤㅤ── Hello! Who are you? ── Candy olhava para Filia com certa curiosidade.

ㅤㅤㅤ── Ah, meu nome é Filia, eu sou amiga da Carol, vi vocês por aqui, seu show chamou minha atenção. E-eu... ── Mas antes que Filia pudesse provar alguma coisa, Candy fez um gesto de mão, segurou o pulso da menina e puxou-a para dentro da casa.
── SIS! Tem uma menina aqui falando ser a BFF da Carolzinha! ── a voz dela ecoou por todo o cômodo da casa.

ㅤㅤㅤ── O quê? ── Amy saiu atropelando tudo o que estava no caminho dela. ── VOCÊ DEIXOU UMA ESTRANHA ENTRAR AQUI?

ㅤㅤㅤFilia ficava mais envergonhada do que estava. As duas irmãs começaram a discutir na frente dela por um tempo, obrigando a menina ficar parada e coçando a cabeça, sem saber o que fazer. Por fim, quando a discussão acabou, Amy parou na frente de Filia. As duas compartilhavam a mesma altura. Era olho no olho.

ㅤㅤㅤ── Pois bem... Como se chama? ── Disparou Amy.

ㅤㅤㅤ── Filia. Eu... ── Ela tentou explicar.

ㅤㅤㅤ── De onde conhece a Carol? ── Amy não deu tempo a ela.

ㅤㅤㅤ── Crescemos juntas. Sou amiga de infância. ── Respondeu na lata.

ㅤㅤㅤ── Como soube de nós? ── Amy olhou-a de lado, estava curiosa com aquele estranho cabelo de Filia.

ㅤㅤㅤ── Ela morava no laboratório Oito antes de ser adotada. Fiquei sabendo pela enfermeira de lá, Ileum. Ela me contou que seu pai e uma mulher adotaram ela. Pesquisei na internet sobre vocês e.... foi onde descobri o show da Candy. ── Filia olhou para a ruiva maior, que ficava de braços cruzados ao lado.

ㅤㅤㅤ── Como podemos confiar em você? ── Amy continuou.

ㅤㅤㅤ── Acho que isso é o suficiente. ── Tirando algumas fotografias antigas, Filia mostrou para Amy que passou muitos momentos felizes e alegres com a Carol antes dela ser raptada.

ㅤㅤㅤAmy pegou as fotografias e olhou atentamente para elas.

ㅤㅤㅤ── A cor dos seus olhos e a cor dos cabelos mudou de lá para cá.

ㅤㅤㅤFilia sorriu.

ㅤㅤㅤ── Vai ser mais fácil te mostrar do que te explicar. Samson! Diga olá para nossos novos amigos! ── Ela disse, fazendo uma pose e cruzando os braços.

ㅤㅤㅤUma boca enorme e cheia de dentes abriu na nuca de Filia, olhos amarelados e raivosos surgiram também. Os fios de cabelos dela viraram tentáculos. Candy se afastou. Amy ficou impressionada. E o garoto atrás das duas ficou sem reação.

ㅤㅤㅤ── Noite, meninas. Como ‘cês estão? ── Samson se manifestou!

ㅤㅤㅤ── É uma longa história. Eu posso contar para vocês tudinho sobre mim e sobre a Carol, assim sobre o que sei do laboratório Zero. Quero ajudá-las! Sei muito bem que a Carol está em apuros e vocês estão numa localidade muito próxima do antigo lar dela. O que quer que estejam planejando agora, eu posso ajudar e até mesmo tornar as coisas mais fáceis! Eu conheço os pais dela... eu sei meios de poderem fazê-los nos ouvir, se for isso o que querem...

ㅤㅤㅤ── Não. ── Interrompeu Amy.

ㅤㅤㅤ── O quê?

ㅤㅤㅤ── Nós não vamos revelar que a Carol está viva. O plano que temos em mente é o seguinte... você vai com a Candy distrair a família, amanhã cedo. Noctis vai invadir a casa e remover qualquer coisa suspeita que tenha lá, como as câmeras de segurança. E por último... eu vou atrás da pessoa que colocou a Carol nessa enrascada!

ㅤㅤㅤ── Você está falando daquela enfermeira? ── Candy ficou surpresa.

ㅤㅤㅤ── A Valentine? ── Filia também.

ㅤㅤㅤ── Yuriko me dará a localização dela muito em breve. Tirando a Valentine de jogada, só precisaremos acabar com o cientista e tudo estará resolvido.

ㅤㅤㅤ── Não acha que é algo muito arriscado? ── Filia se intrometeu. ── Se nem mesmo Valentine se voltou contra o Brain Drain, alguma coisa aquele cara deve ter.

ㅤㅤㅤAmy pensou um pouco mais a respeito de sua estratégia.

ㅤㅤㅤ── De toda forma, só vamos começar a nos mover amanhã de manhã. Você, Filia, pode passar a noite aqui conosco. Aproveite e sente-se conosco. Quero saber tudo a seu respeito. Mas não ouse ficar no nosso caminho. ── O olhar de Amy era sério e desafiador.

ㅤㅤㅤA pequena ruiva não gostava de comprometer a missão e ainda não mostrava confiar na minha melhor amiga. Era esperado dela e também o certo a se fazer numa situação dessas.

ㅤㅤㅤAssim encerra o primeiro dia.


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ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】
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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 em Seg Mar 05, 2018 3:33 pm



PRÓLOGO: SUPERAÇÃO, DESCOBERTAS e MAIS MISTÉRIOS! PARTE 2

ㅤㅤㅤO segundo dia começou como outro qualquer. Durante a manhã eu dei uma volta pelo castelo sem minhas lâminas, usando somente minha roupa de combate e máscara. Observei mais as pessoas que passavam por mim e elas pareciam mesmo foras de si. Digo isso porque uma das crianças que passou por mim era a mesma criança que me achou ‘maneira’ quando entrei pela primeira vez aqui. E ela usava a mesma roupa e tinha olheiras. E quanto mais ela comia do algodão doce, mais vidrada ela parecia ficar no castelo.

ㅤㅤㅤVoltei para o castelo e procurei pela ala de alimentação do castelo. Não estou confiante de comer nada das coisas que eles vendiam fora do castelo. Ali dentro eu tenho certeza de que eles não iriam me dopar com nada que pudesse prejudicar meu desempenho nas lutas. Isso é, caso eles quisessem manipular os resultados das lutas de alguma forma. Tomei o meu café da manhã e voltei para o quarto. Não vi nenhum outro lutador por perto no horário que andei. Nem minha irmã Lilith, nem o militar da cara pintada, a mulher brasileira e o meu irmão Yue. Buer me esperava ali no quarto e ele parecia um tanto quanto preocupado em saber que estou andando por aí sem a companhia dele.

ㅤㅤㅤ── Acalme-se, Buer. Eu estou bem. ── Deitei-me na cama e fiquei olhando para o teto. ── Eu vou tirar mais um cochilo. Não há nada de bom para fazer enquanto não anunciarem a próxima luta.

ㅤㅤㅤE foi o que fiz. Dormi até horário do almoço. Buer faria questão de me acordar quando chegasse a hora, assim como iria me proteger de qualquer coisa que tentasse me atrapalhar nos meus planos. Havia outro motivo para dormir e esse era algum contato do Nessiah. Queria muito perguntar para ele as coisas que tenho na cabeça. Porém... sem sorte. Ele não veio em momento algum. Meu sono acabou servindo para descansar um pouco mais a mente e o corpo. Isso era bom, a próxima luta pretendo dar o meu melhor para vencer e sem empates dessa vez!

ㅤㅤㅤDepois do almoço, escovei os dentes e fiquei sentada olhando para o movimento da janela. As pessoas pareciam um bando de marionetes indo para lá e para cá. Não tinha mais a mágica de antes, eram como se todos fossem zumbis iguais aquela Jiang Shi que enfrentei após derrotar a Lilith na primeira rodada. Entediada estou. Pensei em tirar mais uma soneca quando ouvi umas batidas na porta do meu quarto. Buer se levantou e ficou de prontidão. Fiz um gesto com a mão para ele se abaixar. Abri a porta e me deparei com uma jovem mulher chinesa, com vestes que pareciam antigas.

ㅤㅤㅤ── Quem é você? ── Perguntei, olhando para ela de cima a baixo. Ela me era familiar.

ㅤㅤㅤ── Estou encarregada de levar você para um lugar especial. ── Ela fez um gesto bastante amigável. Isso me soou muito suspeito.

ㅤㅤㅤ── Para onde vamos?

ㅤㅤㅤ── Para um lugar fora do castelo. ── Ela sorriu.

ㅤㅤㅤ── Não leve a mal... Mas é muito suspeito você vir aqui para me tirar do castelo. Como vou saber que isso não é uma armadilha?

ㅤㅤㅤA mulher respirou fundo.

ㅤㅤㅤ── Você está procurando respostas para tudo o que veio ouvindo e descobrindo, não é mesmo? Se me der essa chance, eu poderei mostrar a você a resposta para todas as suas dúvidas!

ㅤㅤㅤNão estou gostando muito desse jogo de ‘dê uma chance’. Mas o que tenho a perder.

ㅤㅤㅤ── Buer, vamos sair.

ㅤㅤㅤA parasita tomou sua forma de lâminas ninjas novamente. Encaixei o cabo de ossos na minha coluna e ela voltou a girar com rapidez e letalidade. Botei a máscara no rosto e pedi para que a chinesa liderasse o caminho. Enquanto acompanho ela, a mesma bateu em outras portas. A próxima foi a do Yue. E por fim, a de outro menino, um tal de Pedro. Olhei para Yue e fiz um aceno com a mão para ele, mas acho que ele não me deu moral nenhuma. O outro garoto, senti que ele me olhou uma única vez e ficou focado em outras coisas.

ㅤㅤㅤResolvi não dizer nada enquanto entravamos em uma van. Era incrível como os guardas não paravam aquela mulher. Quem seria ela? Não lembro de tê-la visto na sala de reuniões quando cheguei e muito menos quando recebi a carta e os panfletos com todos os membros do circo e castelo. Durante a viagem, fomos nos distanciando do castelo e tomamos um rumo pelas ruas de Second até chegarmos a um velho armazém. Fomos guiados todos juntos até dentro do local e o que vimos ali foi um tanto que estranho.

ㅤㅤㅤ── Nessiah! ── Me aproximei dele.

ㅤㅤㅤHaviam três almofadas posicionadas no chão.

ㅤㅤㅤ── Por favor, sentem-se. Eu devo algumas explicações a vocês. ── Ele sugeriu as almofadas, como o esperado.

ㅤㅤㅤ── Pode apostar que sim! ── Disse e sentei. Quando olhei para o garoto mascarado, ele fez um aceno com a mão e um copo apareceu na minha frente. Olhei para o mesmo com um pouco de dúvida, mas ao pegá-lo, ele instantaneamente se encheu com suco de uva. Fiquei curiosa com aquilo. Fazia dias que desejava beber um bom copo de suco de uva... não resisti a tentação. Sorvi do conteúdo e estava bem geladinho por sinal.

ㅤㅤㅤA jovem chinesa que nos trouxe até aqui mostrou sua verdadeira face. Era a Jiang Shi que enfrentei e derrotei. Ao perceber ela, mudei minha expressão de calma para uma mais raivosa.

ㅤㅤㅤ── Eu disse para você ir embora! ── Virei-me para ela.

ㅤㅤㅤ── Por favor... eu estou aqui para ajudar vocês. ── Disse ela, com toda a calma do mundo.

ㅤㅤㅤ── Nós duas vamos conversar depois que... ── Olhei para o Nessiah e depois para os outros dois. ── Bem... depois que o que quer que isso seja... terminar... ── E voltei para a minha almofada.

ㅤㅤㅤ── Vou começar sobre mim... ── E lá veio história. Não prestei atenção nos meus dois companheiros, mas sei que se eles estavam ali é porque são também os escolhidos do mago Nessiah. Isso quer dizer também que a tal da maga Cassandra também tinha aquela lutadora brasileira sob seu comando e a minha irmã Lilith também. Isso só torna as coisas ainda mais suspeitas do que deveriam ser. Foquei na história do mago para aprender mais sobre ele.

ㅤㅤㅤPosso dizer a todos vocês que o que eu ouvi e vi foi muito além da minha imaginação. Sim, sei que tem demônios, que existem deuses, monstros, criaturas de outras dimensões, fantasmas, o que fosse..., mas ver uma história sendo narradas por uma tapeçaria na parede foi algo fora do comum para mim. Ele nos contou que era um aprendiz na época da que o mundo invejava os jardins suspensos e a construção da Torre de Babel, sobre o rei da época ter sido um conquistador militar e de muita ambição. Nessiah descobriu o livro pela primeira vez quando o rei daquele tempo lhe mostrou uma prisioneira, um anjo mulher, que era usada como uma espécie de elixir milagroso por ele para desvendar os segredos da imortalidade. Isso meio que explica a situação de Nessiah e do motivo dele não poder se aproximar do castelo.

ㅤㅤㅤBom, mais uma criatura para o meu bestiário. Anjos! Nessiah nos contou o quanto ficou horrorizado com a cena do anjo sendo cortado e torturado para que o rei se deliciasse com o néctar vermelho que escorria de suas feridas. O olhar do anjo para o livro e para o mago marcou a vida dele para todo o sempre, principalmente quando ela se revelou numa noite de lua cheia e destruiu toda a cidade como uma forma de punir o reino pela crueldade imposta sob ela. Com o livro em mãos, o anjo foi capaz de se curar e revelar seu nome, Ranael. Ele conseguiu prender o anjo no livro, custando a vida de seu rei e também sua consciência. Desmaiado, a única coisa que ele diz ter visto ao abrir os olhos foi um homem com um manto negro e o livro dourado jogado no piso de pedra.

ㅤㅤㅤ── Olha... é muita informação para processar em tão pouco tempo... ── Foi o comentário que fiz, enquanto bebia um pouco mais do suco que se reabastecia com frequência. Quanto mais eu quisesse beber, mais o copo se enchia.

ㅤㅤㅤ── Bom, essa é a minha história. Agora sobre o castelo... ── Eu sabia que esse dia seria longo. Quando olhava para o menino mago, acabei pensando em todas as perguntas que o militar da cara pintada havia me feito no dia anterior.

ㅤㅤㅤO castelo surgiu na idade das trevas, no mesmo dia que um cavaleiro chamado Vlad Tepes foi executado. Ele pertencia a uma Ordem do Dragão e durante a vida foi o algoz de mais de cem mil pessoas, variando de inimigos políticos a qualquer um que considerasse ele considerasse inútil para a humanidade. O velho pretexto de gente que se acha a última bolacha do pacote. Típico! Só então que percebi que ele estava nos contando a história do Conde Drácula e de que aquele castelo mágico pertenceu a ele muito tempo atrás. Não. Ele disse que é o mesmo, mas depois disse que era uma cópia. Ficou uma dúvida na minha cabeça: É ou não é o castelo do Conde Drácula?

ㅤㅤㅤEle explicou como o castelo tem absorvido as energias dos combates, sendo resultante dos golpes que sofremos, confirmando o que a Chizuru-san falou comigo no meu sonho e sobre minha suspeita de ser para alimentar algo com um propósito maior, ou nas palavras dele, um “recipiente” para a alma de seu mestre.

ㅤㅤㅤ── Ah, eu fiz um acordo com a nossa amiga morta-viva. Ela não fala ao Valeth e os outros que estou aqui e eu deixo-a livre da maldição que a impede de andar sob a luz do sol. E como ela jurou pela honra de guerreira dela, fica tudo bem mais simples. ── Explicou ele.

ㅤㅤㅤ── Isso explica muita coisa. ── Comentei olhando para ela. Ainda acho que Zhuan deveria ter ido para o mundo dos mortos. Squigly poderia ajudar ela a encontrar sua família e fica em paz. Voltei minha atenção para o mago.

ㅤㅤㅤNessiah voltou a falar do livro de Hermaeus e quem foi a pessoa que o criou. Foi a mesma coisa de antes, um ser de outro mundo com uma sede incontrolável por conhecimento e que registra tudo o que pode ser considerado digno em suas infinitas páginas, além de servir de prisão para outras criaturas, como Zhuan e a anjo do passado de Nessiah. Ele contou que Valeth estava dentro do livro e que ele também saiu de dentro de livro.

ㅤㅤㅤ── Então aqueles outros faziam parte do livro?

ㅤㅤㅤ── Sim. Durante a luta de Painwheel, eu identifiquei a titereira como sendo Luna. Painwheel, ela foi a primeira de coração puro a ter seu desejo realizado pelo que você conhece como Skullheart.

ㅤㅤㅤAquela informação me espantou. Como é possível? Existiu um ciclo do mundo que o Skull Heart não trouxe uma Skullgirl para destruir o mundo? Não pude perguntar nada a respeito, pois ele continuou a falar.

ㅤㅤㅤ── Como seu coração era totalmente inocente, a garota não foi transformada em uma Skullgirl e teve seu desejo realizado, que foi ter a companhia dos pais dela novamente.

ㅤㅤㅤBati no piso!

ㅤㅤㅤ── Isso é errado! Como ela é pura se o desejo dela foi egoísta? O Skull Heart não traz de volta as pessoas em sua total sanidade! Eles voltam piores! É tortura! É cruel!

ㅤㅤㅤEle olhou para mim. E continuou.

ㅤㅤㅤ── ... eles não existem em carne e osso. As almas dos pais dela a acompanham em todo lugar, mas não os vi quando ela assistia sua luta. Algo deve ter acontecido para isso. Luna naturalmente é uma necromante e eximia titereia, mesmo jovem. Ela usa a magia para controlar inúmeros bonecos. Se ela conseguiu achar a câmara do Mestre dos Bonecos do castelo de Vlad Tepes, ela deve ter conseguido um poder inimaginável.

ㅤㅤㅤOlhei para o mago, ainda incomodada com essa história do Skull Heart.

ㅤㅤㅤ── Você TEM CERTEZA que ela não é uma SKULLGIRL?

ㅤㅤㅤ── Posso te garantir que sim! ── Ele me respondia com muita calma.

ㅤㅤㅤ── Vou investigar essa garota. Se ela foi usuária do Skullheart, meu sangue vai reagir ao fedor etéreo dela. Só assim vou descobrir se o que está me contando é verdade ou não. E se for... Eu vou ter que ir um pouco mais além nesse torneio, mais além do que o livro e o Valeth!

ㅤㅤㅤEu não posso permitir que isso aconteça. Sei que o ciclo dos sete anos ainda não se passou, mas não é possível que o coração tenha aceitado um pedido tão egoísta desses, de tirar a alma dos pais do descanso eterno para retornarem como espíritos, por mais compreensível que fosse o motivo daquela menina! Ela deve ter alguma coisa a ver com isso! Talvez, ela até seja a próxima Skullgirl, apenas esperando pela sua transformação se completar daqui alguns anos.

ㅤㅤㅤVi a imagem da garotinha que irei investigar e das duas almas azuis ao lado da mesma, abraçando-a de forma bem reconfortante. Depois, veio as outras duas figuras que apareceu no final da minha luta contra o militar. A mulher, Aibell, a rainha Banshee, espírito fúnebre que atormenta as vítimas com sua voz, seja murmurando palavras extremamente tristes ou gritos que destruíram o espirito de lutador de uma pessoa, deixando um vazio imenso por dentro delas.

ㅤㅤㅤEle explicou sobre outros. O de armadura ele diz ser de Ouroboros. Só me veio Resident Evil 5 na cabeça quando ouvi esse nome. Diz ele que a armadura era uma cópia da que foi destruída no Cartago e que não sabe quem é a vítima aprisionada ali dentro. Depois foi uma empregada Amon que, segundo ele, acompanhava meus irmãos Lilith e Yue e que ela foi aprisionada ao livro pelas mesmas pessoas que a derrotaram, além de usar um corvo que de alguma forma amplifica seus poderes. Depois um palhaço gordo, esse de visual bem estranho. Que ele era o espirito do vento e que era uma das barreiras que protegiam o livro, impedindo de que os outros chegassem perto dele. Ou seja... ele é um alvo interessante.

ㅤㅤㅤE por fim, o último. O homem. O Valeth. Esse era o meu inimigo e a pessoa que devo derrotar para ter o livro a todo custo! Nessiah nos contou que ele é um mago poderoso e que conseguiu fazer frente até mesmo contra as valquírias e contra o próprio deus nórdico Odin. Ele não sabe certamente como o mago abriu uma passagem entre o livro para a realidade, mas sei que ele pode usar o livro para manipular o tempo e que é poderosíssimo, talvez, até mais que Nessiah que se dizia ser imortal.

ㅤㅤㅤEle finalmente encerrou suas explicações e histórias. Eu me levantei, deixando o copo sobre a mesa.

ㅤㅤㅤ── Quem é Cassandra? ── Foi a pergunta que joguei na cara dele, sem mais nem menos.

ㅤㅤㅤ── Como? ── Ele pendeu a cabeça para o lado.

ㅤㅤㅤ── Você está diferente. ── Respondi. ── Você em nenhum momento falou em tons enigmáticos. Resolveu seguir meu conselho e falar de modo que fosse compreensível para todos? Se sim, eu agradeço. Mesmo. Mas... me diga... quem é a outra maga e o que ela quer com o livro, com os outros lutadores e qual é o envolvimento de vocês dois nessa história?

ㅤㅤㅤRemovi a máscara. Dessa vez, quero que ele me olhe na cara e me responda minhas dúvidas.

ㅤㅤㅤO pequeno mago pendia a cabeça para um dos lados, pensativo. A sua máscara cobria totalmente a parte superior do rosto, exceto o nariz, deixando nem os olhos visíveis, pois correntes saíam de onde deveriam estar os olhos e terminavam em "algemas" em seus pulsos.

ㅤㅤㅤ── Cassandra...maga... ── Ele abre o seu livro dourado, cujo relógio na capa começa a funcionar. ── Aqui... há dois registros.

ㅤㅤㅤSurgem duas mulheres na tapeçaria, uma mulher estava com vestes de frio, ruiva segurando um cajado e a outra era uma mulher morena em trajes de cigana.

ㅤㅤㅤ ── O Livro dourado de Chronos mostra que há essas duas magas de nome Cassandra. Qual delas você está se referindo? Se bem que, se for o caso, a dinamarquesa ruiva ela ainda está viva. A Cassandra cigana foi morta na Romênia em 1792, quando um membro de um clã sagrado de caçadores de vampiros destruiu Drácula naquele século.

ㅤㅤㅤ── Existe uma Cassandra no castelo. Ela está guiando os outros três lutadores! Você não sabe nada sobre isso? ── Não é possível que ele não tenha sentindo outra presença. Um mago não deveria conhecer a existência de outro em um mesmo plano?

ㅤㅤㅤ── Eu vou entrar em contato com Cassandra e verificar. Amanhã terei as respostas. ── Ele fechou o livro. ── Algo mais?

ㅤㅤㅤ── Não. Você já me esclareceu tudo o que precisava saber.

ㅤㅤㅤOlhei para Zhuan antes de sair. Ela veio até a mim e conversamos do lado de fora. Quis saber quais eram as intenções dela com isso tudo, o que ela realmente pretendia em ajudar o Nessiah. Ela foi vaga em sua explicação, mas de toda forma, eu não esperava muita coisa dela mesma. Acho que ainda era o orgulho de lutadora dela falando mais alto por eu tê-la poupado naquela luta.

ㅤㅤㅤQuando retornamos para o castelo, me separei dos outros dois lutadores e segui para meu quarto. Não trocamos uma palavra sequer em nenhum momento. O tal do Pedro mostrou um comportamento um tanto quanto estranho para um jovem lutador. Já Yue, não posso dizer muito sobre ele, pois o mesmo era difícil de ler. Entrei no meu quarto e me separei da Buer Driver. Não sai mais do quarto. Fiquei sentada na cama e pensando em tudo o que me fora contado hoje. Aproveitei e tentei mandar uma mensagem para a Chizuru-san, mas não havia sinal muito forte ali dentro. Na mensagem eu disse que estava tudo bem e que passaria o dia todo de amanhã me preparando para a luta seguinte. E que se fosse preciso, mais tarde entrasse em contato comigo por meio dos meus sonhos como ela fez anteriormente. Confirmei sobre o castelo ter drenado as energias dos combates e de quão suspeitas estão as pessoas no parque de diversões e no circo que cerca todo o castelo. Quando a mensagem foi enviada, eu deitei na cama e me cobri, apagando as luzes. O segundo dia terminou assim, com uma boa noite de sono.

ㅤㅤㅤO terceiro dia começou como outro qualquer. Tive um sonho com o Nessiah novamente e dessa vez estou em um lugar diferente. Era a sala de aula, outra de minhas memórias nostálgicas. Estava eu sentada na cadeira da minha carteira e estudando os livros que peguei na biblioteca para apresentar um trabalho. Lembro desse dia muito bem. O garoto mago apareceu levitando, como sempre, chamando minha atenção e libertando meu subconsciente para que eu entendesse ser uma mensagem ele e não apenas um sonho. Senti o toque da mão pequena e quente dele sobre o meu ombro, o exato momento que despertei e me toquei de que aquilo era um sonho.

ㅤㅤㅤ── Finalmente. Conseguiu o que eu queria? ── Perguntei a ele.

ㅤㅤㅤ── Eu entrei em contato com a Cassandra. Ela me respondeu que está atualmente na Sibéria. Não está interessada no livro desde que conseguiu um fruto da arvore de Yggdrasil para se tornar imortal. Não é muita coisa, mas confio nela, pois a conheço bem.

ㅤㅤㅤ── Qual o motivo de vocês procurarem tanto a imortalidade? ── Deixei o lápis na mesa e fiquei olhando para ele.

ㅤㅤㅤEle não respondeu o que eu queria.

ㅤㅤㅤ── Bom, espero que tenha sido útil. ── E ele se foi. Assim como meu sonho acabou.

ㅤㅤㅤEram cinco horas da manhã quando abri os olhos e uma coisa saiu do tubo de ventilação. Uma cabeça de gato de metal cai em cima da cama.

ㅤㅤㅤ── Nya! Olá mana! ── Os olhos brilhantes de Robô-Fortune ofuscaram minha visão.

ㅤㅤㅤ── Aaahhh... que droga! Onde você esteve?

ㅤㅤㅤ── Eu fui raptada! Beep boop meow! ── Era difícil acreditar. Ela era uma unidade de infiltração, ainda mais, era uma coadjuvante, como ela mesma dizia. Ninguém daria moral para ela.

ㅤㅤㅤ── Onde está o resto do seu corpo? ── Segurei a cabeça dela e a botei em cima do meu colo.

ㅤㅤㅤ── Está num salão vermelho e estranho. Umas meninas em cima de um soldado me derrubaram. Boop.

ㅤㅤㅤ── Uma menina e um soldado? Um cavaleiro você quer dizer? A jovem titereia. Então você esteve no salão de bonecas do castelo?

ㅤㅤㅤ── Acho que sim. Estou recebendo ligações o tempo todo do Brain Drain, mas o patrão não pode saber que eu fracassei miseravelmente. Beep!

ㅤㅤㅤ── O que eles estão fazendo com o seu corpo?

ㅤㅤㅤ── Recebo dados o tempo todo das modificações. Eles estão investigando minha estrutura, pedaço por pedaço.

ㅤㅤㅤ ── Você sabe como chegar até esse salão de novo?

ㅤㅤㅤ── Sim. Meow.

ㅤㅤㅤ── Ótimo. Você vai ficar aqui até eu voltar da próxima luta. Depois, eu ajudo você a recuperar o seu corpo.

ㅤㅤㅤ── Sua próxima luta é amanhã?

ㅤㅤㅤ── Sim. E até lá você não vai dizer NADA pro Brain Drain! Entendeu?

ㅤㅤㅤ── Ele está irritado com você tendo arruinado os planos dele.

ㅤㅤㅤ── Sei disso. É bom que esteja pirado mesmo!

ㅤㅤㅤColoquei a cabeça dela no criado mudo ao lado da cama e voltei a deitar. Ainda era cedo demais.

ㅤㅤㅤ── Faça um favor. Durma um pouco, se for possível.

ㅤㅤㅤ── Robôs não dormem. Beep Boop Meow.

ㅤㅤㅤFechei meus olhos sem responder ela. Fingi que já tinha dormido para ela não prolongar a conversa. Mas quem disse que tive sorte?

ㅤㅤㅤ── Você sabia que existe um site na internet que reuniu todas as canções de ninar do mundo inteiro? Posso cantarolar cada uma delas para você dormir mais rápido. Hey! Não precisa fingir pra me ignorar. Painy! Painy! Meow! Meow! Beep! Meow! Pain!

ㅤㅤㅤE foi assim por um longo tempo...

ㅤㅤㅤO dia da luta!

ㅤㅤㅤAs 10:30 da manhã eu estava já equipada com a Buer Driver e com Gae Bolga no meu corpo. Sentada na cama em posição de flor de lótus, com a máscara presa ao rosto, relembrando as seções de meditação que tive com Chizuru-san no tempo que fiquei no Japão. Ouço três batidas na porta do quarto, seguida de uma voz feminina.

ㅤㅤㅤ── Sua luta começará em breve! ── A mesma voz que me avisou da luta anterior.

ㅤㅤㅤ── Você me levará até lá? ── Quebrei o silêncio com uma sonoridade mais grave de minha voz.

ㅤㅤㅤ── Sim. Será uma longa caminhada. ── Aposto que a pessoa por trás da porta estava um tanto quanto incomodada com isso. Sinto que ela se recostou ao lado da porta enquanto espera por mim.

ㅤㅤㅤDesci da cama e fui até a porta, saindo do quarto.

ㅤㅤㅤ── Me mostre o caminho.

ㅤㅤㅤA mulher olhou para mim como se julgasse o meu visual. Ela mostrou o caminho, indo para o sul do castelo onde haviam lindos jardins. Eu gostava muito de jardins, principalmente das flores que eles tinham lá. Chegamos a passar por um grupo de guardas que acabaram de isolar o local do combate, descendo para uma área que mais se parecia uma cripta. Com várias inscrições esculpidas nas paredes e rochas que rodeavam todo o local.

ㅤㅤㅤ── Pronto. Você espera aqui agora. Sua adversária deve chegar a qualquer momento.

ㅤㅤㅤ── Minha adversária? Então é uma mulher?

ㅤㅤㅤ── Sim. ── Depois disso, a empregada se retirou.

ㅤㅤㅤ── Acho que só pode ser a lutadora brasileira. Já enfrentei Lilith e o militar... Hum...

ㅤㅤㅤFiquei parada ali e estudando meus arredores. O combate estava marcado para iniciar as 11:30 da manhã. E faltavam cinco minutos ainda. Percebi que haviam câmeras instaladas nas paredes, mas sem piscarem luzes vermelhas. Ou seja, elas ainda não tinham sido ativadas.

ㅤㅤㅤ── Buer Driver, Gae Bolga. Nossa missão começa agora! Vocês sabem o que fazer!

ㅤㅤㅤAguardei pacientemente pela minha oponente, já deixando minhas parasitas preparadas para o combate que estava por vir.


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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  Łauraணatsuda❝єlєтяicGiяl❞ em Sab Mar 10, 2018 7:00 pm



єlєтяic
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ㅤㅤㅤ Prólogo

ㅤㅤㅤ Laura foi para o quarto, ela e o namorado precisavam de um banho e de comer, sabia que teria comida sempre que pedisse ou será que ela havia ouvido errado os rumores daquela hospedagem para os lutadores? Mas ela pediu comida e foi para debaixo do chuveiro com Duck.
Durante o banho o casal iniciou uma conversa que foi se arrastando para o quarto e até no momento que a comida chegou.
ㅤㅤㅤ - Aqui deveria ter um restaurante com comida brasileira. Você iria gostar de alguns pratos, tenho certeza, nego. - ela falava molhando o cabelo e todo o corpo.
ㅤㅤㅤ - Já ouvi falar de alguns, morena! Tenho certeza que algum dia você vai me apresentar eles, não? - ele fala entrando no espaço junto com ela.
ㅤㅤㅤ - HAHAHAHAHA... Claro! Quem sabe quando eu aceitar ir morar com você? - ela fala dando uma piscadela para ele.
ㅤㅤㅤ Duck não perde tempo ao ver a namorada virar-se depois de piscar para ele para pegar o sabonete e a bucha. Ele dá um tapa forte contra a bunda dela.
ㅤㅤㅤ - Ainda quero saber por que você sempre se esquiva dos meus pedidos, morena! - ele fala e leva as mãos para as dela.
ㅤㅤㅤ Numa ‘lutinha’ coreografada e sem resistência nenhuma, ela deixa o negro americano lhe tomar o sabonete das mãos. Os dois estão rindo no chuveiro e ele que volta a manter a conversa dessa vez. Enquanto suas mãos trabalham passando pelo corpo de Laura.
ㅤㅤㅤ - O que você quer aqui nesse torneio, morena? Além de querer divulgar a arte da sua família. - ele fala erguendo os olhos azuis para encara-la e lhe devolver o sabonete.
ㅤㅤㅤ Laura havia desligado a água assim que os dois estavam encharcados, portanto agora ela estava com espuma por todo o corpo e fez o mesmo com Duck.
ㅤㅤㅤ - Eu amo muito esse mundo das lutas, nego. Lutar me ajudou bastante a superar umas coisas chatas da vida. Não fui sempre essa Laura sorridente que você conhece, ninguém vive num paraíso a vida toda! Mas confesso que esse torneio não tem sentido nenhum para mim. - ela fala guardando o sabonete e a bucha na saboneteira e levando as mãos ensaboadas para a o rosto dele.
ㅤㅤㅤ Ela passa a mão pelas laterais e sobre para a cabeça, ao momento que encosta a testa com a dele. Os corpos dos dois estavam juntos, um contra o outro.
ㅤㅤㅤ - Tivemos um torneio fim do ano passado, que apesar de toda a calamidade pode ver que a Lilith queria tentar tirar a gente de ir contra os demônios, o que não deu muito certo, foi um desastre, mas convenhamos que teve um sentido. Aqui? Não sei nada além do óbvio. Que eu tenho que estar presente nas minhas lutas quando elas começarem, mais nada. E estou aproveitando para saber como é viver com você, todo dia, quem saiba assim eu possa dizer sim, se algum dia você vir me convidar de novo para morar com você. - ela fala e sorrir.
ㅤㅤㅤ Como a água havia sido aberta por Duck quando Laura guardou o sabonete, os dois estavam já enxaguados. O americano estava mirando a boca da brasileira a maior parte de seu discurso, que não se aguentou em ficar sem beijar seus lábios quando ela parou de falar.
ㅤㅤㅤ Uma batida forte na porta do quarto foi que tirou os dois do banheiro. Laura sorriu, mordeu o lábio inferior dele abriu a porta do boxe. Puxou uma toalha que deu para o namorado e outra que ela usou para secar e envolver o próprio corpo. Assim os dois foram para fora, Duck foi para a cama e Laura atendeu a porta. Era a comida, ela agradeceu a pessoa que entregou a refeição e puxou para dentro o carrinho com a comida.
ㅤㅤㅤ - Você acha que ganhou essa luta de hoje, morena? - ele pergunta quando ela se vira para ele.
ㅤㅤㅤ Laura vai até o namorado levando a comida e a medida que vai se aproximando ela tira a toalha do corpo, ao parar o carrinho na lateral da cama ela enrola os cabelos na toalha, para eles não ficarem pingando água na cama.
ㅤㅤㅤ - Não sei, nego. Eu estava desestabilizada, tínhamos acabado de fazer sexo, também não entendi bem o que é aquele menino. Ele faz muita coisa sem base nenhuma, só por querer e pensar que pode. Minha vida não tem essa moleza, se eu não treinar pesado todo dia eu não teria minha faixa preta. - ela respondeu separando a comida para os dois.
ㅤㅤㅤ Ela entrega para Duck um prato e fica com o outro, o americano aproveita para ligar a TV que havia ali, que até então não havia sido usada. Foi através dela que os dois souberam o resultado da luta, que Laura Matsuda havia perdido. As expressões que passaram pelo rosto da lutadora foram muitas, mas o que ela falou com a notícia parecia ser algo totalmente descontraído e complacente, Duck teria acreditado se ele não conhecesse a mulher com quem estava.
ㅤㅤㅤ - Isso quer dizer que temos de maneirar no nosso sexo, hum? Parece que transarmos é o que vem mais incomodando os responsáveis pelo torneio. Vale mais que saber e usar as técnicas de luta pelo que posso ver nesses comentários. Farei diferente na próxima luta.
ㅤㅤㅤ Duck não respondeu, mesmo se quisesse não iria conseguir, quando Laura olhou para ele, este estava com a boca cheia de comida. Ela havia pedido macarronada com almondega, algo que ela gostava de comer, pelo visto o namorado também. Ela sorriu e voltou a sua atenção para o prato até terminar de comer tudo. Não demorou para os dois pegarem no sono e a TV ficar falando sozinha para o quarto.
ㅤㅤㅤ Já estava na tarde do terceiro dia após a luta de Laura contra o garoto Pedro, ela havia terminado de transar, mais uma vez com Duck, estavam os dois deitados há pelo menos dez minutos quando no teto do quarto surgiu um buraco e uma mulher saiu dele.
ㅤㅤㅤ - PUTA Q’ PARIU! QUÊ QUE É VOCÊ?! - Duck fala dando um solavanco e ficando sentado na cama e encostando as costas na cabeceira.
ㅤㅤㅤ Laura puxou o lençol para seu corpo e jogou um pedaço sobre Duck também, quando ela focalizou na intrusa em seu quarto percebera que já havia visto ela antes, mas não foi daquela forma “real”, foi em seu sonho. Será que a Matsuda estava novamente sonhando?
ㅤㅤㅤ A mulher falou tanta coisa que Laura não sabia nem o que falar em resposta, eram coisas relacionadas ao castelo e o proprietário e intenções sobre possuir coisas ou alguém, tudo vinculado a busca de poder pelo homem que comandava o torneio ou qualquer outra coisa. Logo terminado de falar, a mulher parecia esperar alguma reação de Laura, a brasileira só balançou a cabeça de uma forma afirmativa para mostrar que tinha ouvido o que ela havia dito e logo depois a mulher saiu pelo mesmo lugar que havia entrado.
ㅤㅤㅤ - Você entendeu o que foi tudo isso? - ela pergunta a Duck.
ㅤㅤㅤ O dançarino estava um tanto atônito ainda, mas já tinha passado o susto inicial de alguém saindo do nada do teto de um quarto.
ㅤㅤㅤ - Não faço a mínima ideia do que ela disse, morena. - e deu de ombros levantando da cama e indo para o banheiro.
ㅤㅤㅤ Ele não fez o anúncio de ir mijar, mas nem precisava, ele não fechou a porta e foi bem audível descobrir o que ele estava fazendo. Laura nesse momento foi surpreendida mais uma vez, com uma batida na porta.
ㅤㅤㅤ - Sua luta vai ser amanhã às 11:30, nas criptas que tem abaixo do jardim. - uma voz feminina desconhecida foi ouvida por ela.
ㅤㅤㅤ - Valeu. - ela falou ao abrir a porta, mas se deparou com o nada do lado de fora.
ㅤㅤㅤ - Está falando com quem, morena? - Duck voltou todo a vontade e caminhando para pegar uma cerveja no frigobar.
ㅤㅤㅤ - Não sei, veio falar que tenho luta amanhã na parte da manhã. - ela respondeu e fechou a porta.
ㅤㅤㅤ - Lugar estranho, construíram aqui a poucos dias e já tem várias catacumbas espalhadas no ‘subsolo’ do lugar. Isso não tem sentido nenhum, nego. - ela fala voltando para a cama.
ㅤㅤㅤ - Liga para isso não, morena. Olha que mordomia estamos tendo aqui! - ele fala e sorri dando uma golada na bebida gelada.
ㅤㅤㅤ No dia seguinte o casal saiu do quarto e saíram perguntando a qualquer pessoa que encontravam pelos corredores a direção para o lugar da luta. Ficaram de dez horas da manhã até as onze e vinte pedindo informação, até que uma pessoa se prestou em acompanhar os dois até a entrada do lugar.
ㅤㅤㅤ Ao chegar lá Laura ficou embasbacada com o tamanho daquele buraco e ainda mais com o tamanho de sua adversária.
ㅤㅤㅤ - É uma criança! Como assim colocaram uma criança no torneio? - ela estava indignada com aquilo, era uma injustiça.
ㅤㅤㅤ Ela percebeu que nada poderia ser pensado direito naquele lugar, muito menos naquele torneio, pelo visto as categorias não foram separadas. Ela não conhecia a menina, mas sabia que via em sua frente uma criança e não uma pessoa adulta. E pior, uma menina com o corpo mutilado e com cicatrizes eternas, com certeza não era vontade dela ficar daquela forma e isso deixou ainda mais abismada a brasileira. Que ela fez questão de perguntar para a menina.
ㅤㅤㅤ - É mesmo uma escolha sua estar aqui? Fazer isso? Ir em frente com essa luta? Temos o direito de não lutar, você sabe disso não é?

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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 em Dom Mar 11, 2018 9:00 pm



ROUND 1 MOVE 01: E A LUTA COMEÇA - PAINWHEEL VS LAURA!

ㅤㅤㅤDias atrás

ㅤㅤㅤ── Invocar Protocolo 51! Código de acesso: 36E-25-40! ── Uma voz robótica enviava as ordens por meio de uma técnica de controle mental. Os comandos repetiriam dentro da cabeça da unidade de combate e infiltração, a Painwheel.

ㅤㅤㅤ── Eu ordeno que você obedeça ao laboratório Zero, encontre e recupere o livro, destrua Valeth e qualquer um que estiver no caminho e traga o artefato de volta! ── A forma como aquele cientista falava deixava claro o quão irritado estava com toda a situação.

ㅤㅤㅤO homem que abdicou de sua humanidade para poder viver mais tempo em um corpo robótico, transferindo seu cérebro para uma cúpula de termoplástico laminado, enriquecido com polímeros de carbono se chama Brain Drain. Líder absoluto das instalações secretas do Anti-Skullgirls Labs, para ser mais exato, o Laboratório Zero, uma unidade de cientistas designados para fazer experimentos com o sangue extraído dos cadáveres das antigas Skullgirls.

ㅤㅤㅤBrain Drain anteriormente pertenceu ao laboratório Sete e depois de um desastre que quase lhe custou a vida, secretamente abriu uma instalação sombria nos arredores de Nova Meridian para trabalhar nos seus experimentos doentis. Ele sempre achou o Doutor Avian, um dos líderes do laboratório oito um completo idiota por fazer que seus experimentos tivessem livre arbítrio para fazerem o que quiserem e quando quiserem. Ele sempre acreditou que a melhor forma de liderar uma unidade seria controlando-as! E é por isso que ele sempre estudou formas de controlar a mente de seus experimentos para que eles jamais se rebelassem contra ele. Mas isto não veio dando certo nos últimos anos. Com a criação de Robô-Fortune por meio de desenhos infantis de sua segunda no comando, a agente Valentine, Brain passou muitos anos estudando uma forma de conseguir contornar a situação de volta ao seu favor. O clone de uma garota Filia e de sua parasita Samson estavam ativos e soltos por algum canto de Maplecrest. O nome dela era Fukua e sua parasita se chama Shamone. Fukua era completamente idêntica a Filia, com a diferença de seus cabelos parasitas serem esverdeados e seu tom de pele mais escura. Qual o motivo dela ter uma cor de pele e cabelo diferente da original? Era simples! Todos adoram clones! Mentira, todos ADORAM trocas de paletas de cores em personagens idênticos, como foi o caso da Decapre no Ultra Street Fighter 4, que é nada mais e nada menos uma Cammy com roupa e máscara. “ Se o mundo gostava desse tipo de coisa e não reclamava, aceitando de cabeça baixa, porque não fazer o mesmo aqui em Nova Meridian? ”, pensou o cruel cientista.

ㅤㅤㅤClonagem sempre foi um dos trabalhos mais tediosos de se fazer para Brain Drain. Ele não achava essa ideia muito original, mas com a rebelião de Painwheel, boa parte de financiamento em cima da sua arma de guerra com sangue de Skullgirl lhe rendeu um prejuízo dos grandes. No entanto... ele descobriu uma forma única de chantagear a sua antiga criação quando observou que a família dela havia seguido em frente e tentado de novo, tendo então, uma nova criança com uma compatibilidade ainda melhor que a filha mais velha daquele casal.

ㅤㅤㅤComo descobriu o livro de Hermaeus e como sabia que esse torneio viria a acontecer anos antes de ser anunciado? Brain Drain sempre se envolveu com fontes misteriosas e perigosas. Valentine sempre lhe garantiu que as missões de investigação e reconhecimento fossem um sucesso e isso lhe concedeu informações valiosas da localização do livro e de como ele estaria presente na cidade movida a socos e pontapés. Mas quem era essas fontes misteriosas? Quem eram essas pessoas que estavam ligadas aos acontecimentos mais estranhos do mundo? Talvez, essa seja uma resposta para outra história.

ㅤㅤㅤ── O que você está fazendo? ── Das sombras, surgiu uma enfermeira de cabelos azuis, tapa olho no olho direito e máscara cirúrgica. Ela era Valentine, a segunda no comando do Lab Zero e a última sobrevivente do esquadrão especial de enfermeiras, a Ultima Esperança.

ㅤㅤㅤ── Acabando com essa brincadeira de uma vez por todas! ── Respondeu o outro, com seus olhos vermelhos e brilhantes fixos no telão da sua sala principal, mostrando o quarto onde estava Painwheel, com uma microcâmara instalada secretamente ali pela Robô-Fortune nas poucas vezes que a gata robô trouxera comida para a menina.

ㅤㅤㅤNas imagens do telão, Painwheel se contorcia e relutava contra o comando do controle mental. O homem analisava aquilo com um pouco de receio.

ㅤㅤㅤ── Essa desgraçada está reagindo?

ㅤㅤㅤ── A mente dela ficou mais forte depois que treinou com aquela Yagami psíquica.

ㅤㅤㅤ── Me lembre de matar essa família inteira quando terminarmos com o castelo.

ㅤㅤㅤA mulher fechou os olhos e segurou a risada.

ㅤㅤㅤ── Você precisará construir mais Painwheels para conseguir este feito.

ㅤㅤㅤO outro preferiu não responde-la.

ㅤㅤㅤ── Sobrescrevendo o controle autônomo. ── Mais uma vez, ele tentou a sequência de controle mental na Painwheel.

ㅤㅤㅤ── Não acha que está forçando a barra? Você vai fritar o cérebro da garota assim! ── Valentine insistiu.

ㅤㅤㅤ── Calada! Droga... resistência detectada! Subjugar e sequestrar o ego residual! Aumentando potência ao máximo!

ㅤㅤㅤ── Para com isso! É demais para ela!

ㅤㅤㅤ── JÁ MANDEI CALAR A BOCA! ── Ele esbofeteou a cara de Valentine com sua mão robótica, derrubando-a sentada ao chão.

ㅤㅤㅤ── Filho da puta... ── Murmurou ela, com a máscara cirúrgica manchada em vermelho.

ㅤㅤㅤValentine se levantou com um pouco de dificuldade. O corpo do homem era pesado e forte e ela não esperava que ele fosse agredi-la. Foi pega de surpresa com a pancada e isso só lhe mostrava o quanto estava enferrujada no seu treinamento e seus reflexos destreinados. Se a líder do esquadrão, Christmas, estivesse viva, ela reprovaria o descuido de Valentine contra uma situação de perigo.

ㅤㅤㅤOs dois se encaravam. A tensão ficava ainda pior no laboratório. A mulher devolvia ao homem um olhar raivoso e ele não esboçava reação nenhuma pela sua face. Os segundos de silêncio que passaram ali dentro do laboratório pareceram uma eternidade e só cessou quando o telão mostrou Painwheel sendo finalmente controlada por ele.

ㅤㅤㅤ── Finalmente!

ㅤㅤㅤ── Ela poderia ter morrido, seu idiota!

ㅤㅤㅤ── Não. Eu sabia que isso não ia a matar. Ela é mais forte do que pensávamos. Agora é só esperar pelo corpo dela se recuperar e tomar controle de toda a situação!

ㅤㅤㅤValentine, por um momento, puxou sua serra de ossos na intenção de atacar o seu chefe. Porém, lhe faltou impulso. Seu corpo não respondia. Alguma coisa travava ela de se rebelar contra ele.

ㅤㅤㅤ── Maldito! ── Ela virou-se e foi embora, para outra área das instalações, precisava esfriar a cabeça e pensar no que fazer.

ㅤㅤㅤ── Mulher estúpida. ── Disse o outro. ── Descanse, Painwheel. Amanhã, vamos começar matando todos os lutadores do torneio para que ninguém fique no nosso caminho. Huhuhu....

ㅤㅤㅤBrain Drain sentou-se na sua cadeira e ficou assistindo por algumas horas. A parasita Buer Driver acabou arrumando a garota na cama, cobrindo-a para que descansasse melhor. Ele coçou o queixo de metal enquanto assistia aquilo. Então, seus computadores começaram a mostrar vários relatórios de erro nas horas seguintes e preocupado com o que pudesse ser, o cientista buscou todas as alternativas que lhe restavam para poder descobrir do que se tratava. As ações cerebrais de Painwheel estavam muito agitadas. Era como se ela estivesse tendo um sonho muito louco, como se de alguma forma o corpo dela estivesse lutando para sair da condição que lhe foi imposta!

ㅤㅤㅤMais algum tempo depois e um pequeno estouro se deu na testa da garota. Os códigos foram todos anulados e não havia mais nada que pudesse controlar a mente da menina.

ㅤㅤㅤ── O quê? Como isso é possível? ── Ele bateu na mesa com as duas mãos enquanto não acreditava no que olhava. ── Essa putinha saiu do meu controle? Ela queimou o chip? COMO?

ㅤㅤㅤBrain levou a mão ao rosto. Pouco a pouco, suas opções vão diminuindo nessa história e logo teria que tomar a decisão de sequestrar ou não a garota mais nova da família do projeto 0-84.

ㅤㅤㅤValentine voltou para sua mesa horas depois da agressão sofrida. Ainda irritada, tentava acalmar seus nervos bebendo um pouco de água e ligando as telas dos computadores que havia na sua sala. Quando bateu o olho nas câmeras de vigilância instaladas na casa de Carol, ela percebeu que tinha algo de errado.

ㅤㅤㅤ── Mas... Elas estão off-line? O que... ── Uma última câmera estava sendo desativada por um misterioso rapaz. ── Quem é esse?

ㅤㅤㅤRapidamente, ela abriu um banco de dados de todo o reino de Canopy e descobriu que esse daí era um turista. Nas últimas notícias, anunciavam o show de uma banda conhecida mundialmente, o Killer Bambies, com a superestrela dos ringues de luta livre e campeã canadense do Rumble Roses, Candy Cane.

ㅤㅤㅤ── Essa não... como deixei isso passar despercebido? ── Ela levantou-se da mesa e saiu às pressas do laboratório. ── As outras Yagami! Elas estão na cidade! Elas sabem de tudo! ── Valentine não pensou duas vezes e resolveu ela mesma ir lidar com essa situação. Mas será que ela conseguiria impedir o progresso das outras integrantes do clã que adotou Painwheel?

ㅤㅤㅤO dia da luta!

ㅤㅤㅤEu estava aguardando pela minha adversária chegar e eis então que avistei a lutadora brasileira acompanhada de seu namorado, o mesmo homem que na luta do Yue contra ela, estava dentro do lago enquanto as roupas dele estavam jogadas de qualquer jeito pelo chão da arena.

ㅤㅤㅤEu pude ouvir ela dizer: “É uma criança! Como assim colocaram uma criança no torneio?”, e também pude ver a indignação em seu rosto. Buer Driver emitiu um ruído e que podia ser entendido da seguinte forma: “Ela está te subestimando?”. Eu o respondi, cochichando para mim mesma.

ㅤㅤㅤ── Não. Não é isso.

ㅤㅤㅤA mulher aproximou-se mais da cripta que seria o palco do nosso combate. Ela olhava para mim, me analisava de cima a baixo. No começo, isso me irritava, mas agora... eu sinto que é normal as pessoas me olharem da cabeça aos pés, perguntando-se a si mesmas o que aconteceu comigo. Baixei a cabeça. Então, ouvi o que ela me disse.

ㅤㅤㅤ── É mesmo uma escolha sua estar aqui? Fazer isso? Ir em frente com essa luta? Temos o direito de não lutar, você sabe disso, não é?

ㅤㅤㅤAo fim da fala dela, eu calmamente removi a minha máscara, jogando-a ao chão. Abri os olhos e encarei-a diretamente. Respirei fundo. Acho que minha expressão não era uma das melhores. Sei que ela notaria as cicatrizes na minha face, as veias roxas e brilhantes que percorrem todos os meus membros, as cicatrizes que ficarão marcadas eternamente no meu corpo. Selecionei as melhores palavras para ela entender que não, não tenho escolha.

ㅤㅤㅤ── As pessoas que fizeram isso comigo estão ameaçando a vida da minha irmã de cinco anos de idade. Eles querem o livro do torneio como uma moeda de troca, caso contrário... ── Não consegui completar a frase. Mas mantive o olhar ainda na imagem de Laura. ── É sim uma escolha minha estar aqui. Não para favorecer esses monstros pelo que me fizeram, mas para destruir esse livro e cada um deles, que me chantagearam e ameaçaram minha família!

ㅤㅤㅤFechei os punhos. Nesse instante, os orbes avermelhados dos meus olhos ficaram submersos numa profunda escuridão. Ela só poderia ver o brilho vermelho da minha íris enquanto o resto da pupila ia ficando negra, ou seja, era resultado da manifestação da minha parasita Gae Bolga. Os músculos dos meus braços se expandiram aos poucos, assim como os de minhas pernas. Meu corpo emitiu uma eletricidade purpura. Me transformei finalmente na Painwheel para os combates, mas dessa vez sem vestir a máscara. Sem estar no comando de Brain Drain e sem estar possessa por uma raiva incontrolável!

ㅤㅤㅤ── Eu sou mais que qualificada para lutar contra você, senhorita! Eu me chamo Carol e fui treinada pelo meu pai adotivo, Iori Yagami, e também pela minha irmã, Yuriko Yagami! Peço por favor, para que não meça esforços para me enfrentar! Lute com tudo o que tiver!

ㅤㅤㅤDesviei o olhar para o lado dela, agora falando para o homem de moicano.

ㅤㅤㅤ── Senhor, peço para que fique o mais longe possível da arena! Não quero machucar você! ── Depois olhei para a Laura e continuei a minha fala. ── ... e nem você, senhora!

ㅤㅤㅤNão sei se eles já viram alguma luta minha, mas estou pensando na possibilidade de que os meus apetrechos sejam uma novidade para eles. Buer Driver, minha lâmina shuriken (ou lâmina cata-vento se preferirem) começava a girar igual uma hélice de helicóptero e com isto, tomei um impulso para saltar para frente e energizar (ou carregar) o golpe que inicializará o meu combo marcial!

ㅤㅤㅤ── Aqui vou eu! ── E a batalha começava agora!

ㅤㅤㅤIniciei a minha investida com um movimento extremamente perigoso! O Deadly Flail! Distorci o meu corpo para o formato de uma bola enquanto o cabo de ossos que prendia minhas lâminas rotacionais moviam-se para frente com a intenção de querer fatiar minha oponente igual presunto em semana de promoção! Enquanto meu corpo se fecha em uma posição esférica, pares de espinhos negros emergem minhas mãos, joelhos e pés, sendo uma forma de ataque secundária caso minha oponente tentasse passar por debaixo de mim, com um rolamento ou o que fosse. As lâminas, caso consiga pegá-la, atingirão Laura com quatro acertos cortantes seguidos e afastaria ela um pouco de mim, cerca de dois ou três passos no mínimo. Em seguida, vou pro chão, agachando para desferir um chute com a minha perna direita, esticando-a por cima de minha cabeça, mostrando que sou uma criatura meio tenebrosa e que aparenta não ter ossos (ou uma flexibilidade do cão) para feitos como esse. Claro que esse chute não tem muita força, mas o segredo era que se ela tentasse evita-lo, uma surpresinha iria emergir do meu pé, sendo um ferrão negro e afiado que causaria danos de perfuração nas pernas de minha oponente. Esse chutinho com espinho se chama Pierce. E por último, para derrubar ela no chão de uma vez, encerro o meu combo marcial com o Malice Clover, onde inclinarei toda a minha coluna para trás, fazendo outra bola com meu corpo e usando minha Buer Driver novamente para esticar o cabo de ossos, passando pelo meio de minhas pernas com as lâminas girando igual uma serra. Assim encerra a minha sequência de combo marcial inicial de ataques.


(Deadly Flail)


(Pierce)


(Malice Clover)

ㅤㅤㅤAtingindo ou não a Laura, voltarei a minha posição de combate no mesmo lugar onde eu terminar de atacar. Como sou uma lutadora de domínio aéreo, pretendo fazer uso dessa minha especialidade assim que estudar melhor a movimentação e reação da minha oponente. Vou deixar todas as minhas cartas na manga para usar nos momentos cruciais, mas para isto, preciso elaborar uma estratégia de combate que me favoreça e preciso tomar cuidado com os golpes elétricos dela. Embora eu consiga energizar meus ataques comuns com a eletricidade proporcionada pelo meu sangue amaldiçoado de Skullgirl, não tenho certeza se meu corpo resistirá a outros tipos de eletricidade com tanta facilidade. Pode ser que meus golpes berserkers resistam, mas preciso tomar cuidado de toda forma. Tenho muita coisa em jogo e não posso cometer erros!

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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  Łauraணatsuda❝єlєтяicGiяl❞ em Sex Mar 16, 2018 8:52 pm



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ㅤㅤㅤ A prática pela prática!

ㅤㅤㅤ Segundo dia após a luta contra Pedro.

ㅤㅤㅤ Laura estava com o corpo suado e a respiração pesada, debruçada sobre Duck ela deixou-se cari para o lado.
ㅤㅤㅤ - Você é fantástico, nego!  - ela murmura ainda pegando folego.
ㅤㅤㅤ Duck acenou e em seu rosto apareceu um sorriso. Ele também estava cansado, mas só levantou e pegou uma bebida na mini geladeira do quarto, aquele lugar estava quente, ele foi até uma janela que havia ali e abriu debruçando-se e bebendo.
ㅤㅤㅤ Laura permaneceu na cama, seus olhos fechados e em sua mente um período bom de sua vida, era incrível que ao lado do americano ela só lembrava de memórias alegres e de paz em seu passado. E com isso ela comentou.
ㅤㅤㅤ - Você irá gostar de conhecer minha família. Você viu pouco do meu avô, precisamos ir algum dia para lá, será que consegue folga da sua rotina para isso? - ela falou virando-se na cama e ficando de bruços com o rosto apoiados nas mãos virada para os pés da cama.
ㅤㅤㅤ Duck se virou, ainda escorando na janela, sem roupa e jogando os cabelos que lhe pendiam na face para trás.
ㅤㅤㅤ - Uma viagem ao Brasil? Claro, morena! Seria maravilhoso! Quando? - ele fala com entusiasmo e volta para perto da cama no seu passo gingado e estendendo a bebida para ela.
ㅤㅤㅤ Ela pega a garrafa, não era cerveja, mas sim uma bebida energética.
ㅤㅤㅤ - Não sei, nego. Organiza sua agenda que vejo com o pessoal no Cassino se posso ter férias ou tirar uma folga rápida. - ela fala e leva a garrafa a boca.
ㅤㅤㅤ - Será que seu avô dá uma palha de como é a arte de sua família? - ele fala piscando para ela.
ㅤㅤㅤ - Hahaha... Claro que sim, mas só se ele ver que você realmente tem interesse em aprender a arte e prática-la. Caso contrário você vai levar um bom arremesso dentro da água. Meu avô leva muito a sério o que ele ensina e gostam quando sua arte é respeitada. Sei que você não vai desrespeitar, mas por lá sempre tem os engraçadinhos e machões galos de briga.
ㅤㅤㅤ Ela termina de falar e entrega a bebida para ele, levantava-se da cama avisando que iria tomar uma ducha, queria ir no parque com ele.

ㅤㅤㅤ O dia da luta.

ㅤㅤㅤ Laura parou para ouvir a menina, ela não estava na sua posição de guarda e nem reagiu para tal. Foi assim que quando Carol terminou de falar e atacou a brasileira a mesma só conseguiu uma defesa por reflexo, mas só impediu dos espinhos e a lâmina dela lhe corta-se de modo que fosse muito grave, com isso Laura conseguiu esquivar para um lado e outro e para trás e acabou com cortes superficiais que sangravam e ardiam.
ㅤㅤㅤ - Vejo que você está confiante no que busca criança, mas a doutrina que aprendi em casa é a prática pela prática. Não sou adepta da violência desenfreada e para mim você estar aqui hoje, sob ameaças, isso é uma violência. Pense bem se vale a pena continuar nesse lugar. - Laura faz um arco com a mão e vira as costas para Carol e caminha para onde estava Duck, que havia se afastado a pedido da garota, em direção as escadas.
ㅤㅤㅤ - Eu estou indo embora agora, o jiu-jitsu Matsuda não quer esse tipo de reputação para carregar, um torneio indigno que deixa crianças serem ameaçadas para estarem aqui dentro, não é digno da presença de um lutador de arte marcial. Bom dia, menina! Livre-se dessa ameaça, isso é algo corajoso de fazer e não acatá-la.
ㅤㅤㅤ Laura caminhou para perto de Duck, entrelaçou seus dedos aos dele e caminhou para fora do local da luta e também rumou para fora do Castelo e também para fora do território daquele parque. E durante o percurso ela conversava com o namorado.
ㅤㅤㅤ - Estou com uma vontade enorme de ir dançar, nego. Você deveria ver se tem alguma festa para nós irmos! Saudades de estar na pista com você e curtir uma música.
ㅤㅤㅤ - YEAH! DEMOROU, MORENA! - Duck falou efusivo e rodou a brasileira nos braços enquanto passavam pelo grande portão da propriedade.
ㅤㅤㅤ O dançarino não questionou a decisão da namorada e a conversa dos dois não voltou mais sobre o torneio ou qualquer luta que eles haviam participado ali, a vida do casal seguiu em frente, com trabalho, festa, treinos e planejamentos.

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JULGAMENTO

Mensagem  General 3YE W.D. Gaster em Sex Mar 16, 2018 10:08 pm

Devido ao carácter de perda da vontade de lutar da competidora Laura Matsuda, a vitória é de

Painwheel! Vitória por desistência!
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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 em Dom Mar 18, 2018 3:16 pm



Epílogo: A prática pela prática!

ㅤㅤㅤMaplecrest – O dia da luta!

ㅤㅤㅤNo meu antigo lar, meu pai biológico assistia ao canal que transmitia as lutas do torneio. Ele não tinha interesse nesse tipo de coisa, apenas estava passando de canal em canal até que resolveu parar naquele por acaso, no horário de exibição da minha luta contra a lutadora brasileira, Laura Matsuda. No entanto, quando as câmeras da cripta começavam a mostrar nós duas, no exato momento que vou tirar minha máscara, o meu pai ouve o chamado de minha mãe biológica e ele desliga a tv, saindo para atender ao chamado dela. Naquele dia, eles iriam sair novamente com a pequena Carol. Para onde iriam, eu não sei. Mas tudo indicava que as coisas estava bem ali... O que será?

ㅤㅤㅤSouth Town & 2nd South Town – O dia da luta!

ㅤㅤㅤAs cidades irmãs sempre foram o palco para as lutas mais importantes do mundo. Meu pai adotivo, Iori, me contou que ambas as cidades são amaldiçoadas por sempre atrair tudo que era de ruim e que precisasse ser resolvido com os próprios punhos. Não sei se ele foi exagerado ao dizer isso, mas tais palavras começam a fazer um pouco de sentido para mim nesse momento. As pessoas que vivem ali, os que não são combatentes, sempre se divertiram assistindo as lutas que ocorrem pelas ruas ou pelos torneios que são abertos. Qualquer movimentação agitada e que pudesse resultar numa briga com trocas de murros e pontapés, haveria público para assistir, torcer, vibrar, se surpreender e se decepcionar.

ㅤㅤㅤQuando as televisões sintonizaram em um único canal para assistir a luta Painwheel vs Laura, todos esperam ansiosos para verem um combate memorável. Alguns torciam para a misteriosa garota mascarada. Outros para a lutadora brasileira.

ㅤㅤㅤ── Vai torcer para quem? ── Dizia um homem.

ㅤㅤㅤ── Pela Laura! Sou fã dela! ── Respondeu outro.

ㅤㅤㅤ── Eu vou torcer pela menina. Viu como ela resistiu ao jogo de corpo do Clark? O cara é 105kg de puro músculo! Essa garotinha é insana! ── O mesmo homem responde.

ㅤㅤㅤVárias pessoas estavam curiosos para ver o desenrolar desta batalha. Homens, mulheres crianças, idosos, todos faziam suas apostas em cima de Laura e outros em Painwheel, cada um com seus motivos. E quando a luta teve seu início, as pessoas vibraram com o começo violento da mais nova em campo. Alguns olhavam fascinados para as lâminas da Buer Driver da garota indo na direção de Laura, fazendo os torcedores dela ficarem apreensivos. Alguns gritavam: “Esquiva! Esquiva!” e outros “CORTA! CORTA TUDO!”. Batiam na mesa e nos balcões do Oldline e do Pao Pao Café, todos com seus olhos vidrados nos telões onde as lutas eram transmitidas.

ㅤㅤㅤ── Como você pode torcer para a Painwheel? Ela é toda esquisita! Você só pode ser louco!

ㅤㅤㅤ── Para com isso! Ela é uma garotinha fofa. Alguma coisa de ruim deve ter acontecido com ela para andar daquele jeito!

ㅤㅤㅤ── A Laura é melhor! Viu o jeito que ela luta? Os golpes elétricos, os agarrões? Ela botou muito marmanjo barbado pra correr e chorar! A menina não tem chance!

ㅤㅤㅤ── Você não deve ter assistido a primeira luta! A menina pode ficar até maior que Laura se ela quiser! A ruivinha que enfrentou ela na primeira rodada foi jogada de tudo quanto é lado. Parecia até cena do filme dos vingadores! ── O homem se referia ao momento da luta que usei minha raiva para aumentar grandemente minha massa muscular através do boost gigantesco de poder que o sangue da Skullgirl oferece a mim.

ㅤㅤㅤ── A ruivinha da bunda de fora? Essa é outra que estou torcendo também!

ㅤㅤㅤ── Para! Você nem sabe nada da vida dessa daí. Ficou fã da bunda dela, não foi?

ㅤㅤㅤEram variadas os tipos de conversas que rolavam entre os grupos de cervejas, homens e mulheres.

ㅤㅤㅤEntão, um resultado inesperado acontece.

ㅤㅤㅤ── Ela desistiu? Não pode ser! EU APOSTEI GRANA NELA! ── Berrou um homem, inconformado com o resultado.

ㅤㅤㅤ── Espera! O que ela disse?

ㅤㅤㅤ── Aumenta esse som! ── Berrou um dos que assistiam.


ㅤㅤㅤA jornalista Angela Hussman, que cobria o torneio, recebeu informações que a lutadora Laura não desejava enfrentar sua oponente Painwheel devido as condições que foram impostas para a participação da menina no torneio. E que ela não gostaria de manchar a reputação de sua arte marcial participando de um torneio que obriga a criança participar sob ameaças.

ㅤㅤㅤApós esse comunicado, alguns dos torcedores começavam a vaiar. Outros batiam palmas pela atitude de Laura, mostrando que um lutador marcial de verdade não precisaria se rebaixar para tamanha atrocidade somente para ganhar. Muitos consideravam a Laura a verdadeira vencedora deste torneio, passando a todos uma importante lição do que é ser um artista marcial de verdade, reconhecendo os valores de todos, independente das condições.

ㅤㅤㅤUnder Garden Cript – O local da luta

ㅤㅤㅤMeus golpes não atingiram Laura da forma como eu desejava. Todos os movimentos realizados por mim neste combo marcial tinham a intenção de causar o maior dano possível, mas sem a intenção de feri-la gravemente. Laura esquivou-se dos meus movimentos e afastou-se de mim. Me ergo rapidamente, já esperando pelo ataque dela, mas...

ㅤㅤㅤ── O que foi? Não vai lutar? ── Perguntei. Então... veio a minha surpresa.

ㅤㅤㅤ── Vejo que você está confiante no que busca, criança, mas a doutrina que aprendi em casa é a prática pela prática. Não sou adepta da violência desenfreada e para mim, você estar aqui hoje sob ameaças, isso é uma violência. Pense bem se vale a pena continuar nesse lugar. ── Laura fez um sinal de arco com as mãos e me deu as costas.

ㅤㅤㅤ── Espera... o que? Eu... ── Tentei dizer alguma coisa, mas fui logo cortada por ela.

ㅤㅤㅤ── Eu estou indo embora agora, o jiu-jitsu Matsuda não quer esse tipo de reputação para carregar, um torneio indigno que deixa crianças serem ameaçadas para estarem aqui dentro, não é digno da presença de um lutador de arte marcial. Bom dia, menina! Livre-se dessa ameaça, isso é algo corajoso de fazer e não acatá-la. ── Laura se foi. Acompanhada do namorado, ela deixou a arena e a competição, desistindo de me enfrentar.

ㅤㅤㅤEu não entendi muito bem o que tinha acabado de acontecer. Gae Bolga começou a dizer coisas, sobre ter sido sorte nossa não ter que lutar e fazer esforço algum. Buer Driver novamente veio com a conversa de que ela tinha me subestimado.

ㅤㅤㅤ── CALADOS! ── Berrei para as duas parasitas. ── Ela não me subestimou. ── Completei.

ㅤㅤㅤFiquei parada olhando pelos meus arredores. Então, avisto a máscara de Painwheel que deixei jogada para trás.

ㅤㅤㅤ── Ela me incentivou a acabar com isso. Não deixar que o Laboratório Zero continue me ameaçando.

ㅤㅤㅤFui até a máscara e segurei-a em minhas mãos, assoprando a poeira que recaiu sobre ela. Olhei mais uma vez para a máscara que dividia minha personalidade. Que escondia a Carol e que me tornava a Painwheel, o monstro que foi criado para salvar o mundo, sob as custas de minha liberdade e felicidade. Fiquei ajoelhada no chão da cripta, olhando por um bom tempo para aquela máscara e pensando nas coisas que Laura me disse. Depois de muito tempo, ao chegar em uma conclusão, eu resolvi botar a máscara novamente em meu rosto.

ㅤㅤㅤOs buracos para os olhos da máscara ficaram brilhando em vermelho. Eu me levanto e olho para a saída, o local de onde vim anteriormente. Segui com passos firmes e determinados de volta pelos jardins e adentrei o castelo mais uma vez, subindo as escadarias e entrando nos corredores que nos levavam para o quarto dos competidores.

ㅤㅤㅤ── Eu não vou perder esse torneio. ── Disse. ── Vou acabar com todas essas ameaças. Vou botar um fim no laboratório Zero.

ㅤㅤㅤAbri a porta do meu quarto e encontro com a cabeça de Robô-Fortune ainda em cima do criado mudo posicionado ao lado da minha cama. A cabeça da gata robô olhou para mim e abriu um sorriso.

ㅤㅤㅤ── Voltou cedo hoje! Beep.

ㅤㅤㅤ── Robô!

ㅤㅤㅤ── O que?

ㅤㅤㅤ── É hora de caçar a garotinha das bonecas! ── Sorri, ainda usando a máscara. ── E você vai me ajudar a arruinar os planos de Brain Drain e de Valeth, sem resmungar!

ㅤㅤㅤ── Seremos parceiras de crime? ── Perguntou a gata.

ㅤㅤㅤ── Não. Nós somos as heroínas da história! Como Batman e Robin!

ㅤㅤㅤ── Eu sou o Batman! ── Disse a gata.

ㅤㅤㅤ── NEM PENSAR! ── Rebati! Ninguém quer ser o Robin. Nem mesmo as máquinas!

ㅤㅤㅤ── Só me deixa fazer uma coisa, Beep. ── E então, uma mini câmera explodiu em algum canto da parede do quarto.

ㅤㅤㅤ── O que foi isso? ── Olhei assustada para a direção de onde veio o estouro.

ㅤㅤㅤ── Foi uma câmera de vigilância que mandaram eu botar no seu quarto. Boop. Agora Brain não pode mais ouvir suas conversas e nem nos assistir.

ㅤㅤㅤSabendo disso, vários sentimentos e pensamentos passaram por mim. Um deles era de querer matar aquela gata por ter colocado esse negócio no meu quarto e outro era de alivio de saber que a unidade de infiltração barulhenta deles estava mesmo querendo me ajudar. Mas ainda não era cem por cento confiável. Resolvi deixar a questão da câmera de lado e olhei para os meus arredores.

ㅤㅤㅤ── Nessiah! Sei que você pode me ouvir! Zhuan Yaling também! Eu vou destruir o quarto de bonecas para começar e vou precisar da ajuda de vocês! Apareçam agora!

ㅤㅤㅤA gata ficava me olhando, sem entender o que estava acontecendo e com quem eu estou falando. Depois de falar isso, restou apenas esperar. Eu sentei na cama e fiquei de braços cruzados. Buer voltou para a sua forma humanoide enquanto esperávamos.

ㅤㅤㅤDurante todo esse tempo, fiquei pensando na luta que não tive com a Laura Matsuda. Eu sinto que podia aprender alguma coisa com ela. Me recordei de cada palavra dela, percebendo que ela se preocupou comigo desde o começo e quis sair dessa de mãos limpas, sem ter que manchar sua reputação de lutadora. Lembro do papai e da Yuriko dizendo a mesma coisa. As vezes não precisamos lutar para vencer certas batalhas. Bom, Yuriko-san foi a mais sensata sobre isso. O papai disse que de vez em quando somos obrigados a cortar todo o mal pela raiz, mas... Percebi através das palavras de Laura que a melhor forma de se resolver as coisas é não se rendendo para o mal. Eu não sou um monstro que eles criaram para ser e nem preciso seguir essa premissa e linha de pensamento! Vou usar a máscara da Painwheel como um símbolo e desta vez será para algo melhor. Não vou deixar que Valeth consiga o que quer. O livro é igual o Skullheart. Ele leva as pessoas à ganância, controla suas vidas de forma injusta e aprisiona almas e criaturas que desejam ser livres. Eu sou contra esse tipo de escravidão! Me libertei da maldição do Skull Heart destruindo-o e este será o mesmo destino para o livro de Hermaeus.

ㅤㅤㅤE quando tudo isso acabar, eu vou voltar para casa, vou abraçar meu pai e mãe adotivos. Vou abraçar a Chizuru-san e todas as minhas irmãs e irmãos. Então... Irei resolver minhas pendências com o laboratório Zero, derrubar Brain Drain e Valentine pelos crimes que cometeram! Está e minha decisão. O que quer que eles estejam pensando em jogar para cima de mim, não irei acatar mais de cabeça baixa! Vou lutar contra e vou vencer usando todas as minhas forças para isso. E depois, eu vou procurar a Laura Matsuda e ter uma luta justa com ela, sem essa pressão de torneio, castelos e livros em minhas costas! Obrigado Laura por me fazer perceber isso!

ㅤㅤㅤMeu nome é Carol Yagami, a Painwheel! E essa sou eu de verdade!

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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

Mensagem  Ƨяα.Bogard♔ĿıſıthƧkɣαmıko em Qua Jun 20, 2018 8:54 am

PONTUAÇÃO PARA O RANKING

VENCEDOR DA LUTA W.O - 8 PONTOS

Carol: 8 pontos

PERDEDOR DA LUTA W.O- 0 PONTOS

Laura Matsuda: 0 pontos

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Re: *Memory Circus Tournament* Painwheel vs Laura Matsuda

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