2nd South
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IORI YAGAMI VS CHIZURU YATA

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Round 4 Move 2

Mensagem  Convidado em Qui Nov 30, 2017 4:50 pm



StoryMode:Round 4 Move 2


Southtown, Sound Beach: 2025.




ㅤㅤㅤA japonesa resolve deixar seus pensamentos devanearem, já sabia o que havia acontecido no passado e o conceito de Iori para algumas atitudes ou ações tomadas naquela luta eram para Chizuru incomodas.



ㅤㅤㅤPercebera que ele tinha há muito tempo abandonado os costumes tradicionais japoneses. Tanto que ouvir aquela história toda detalhada por ele a estava aborrecendo. Em seus pensamentos, ele parecia estar fazendo bastante coisa escondida dela, em relação à menina, ir às lojas de jogos parecia ser uma delas, Chizuru sabia que não possuía vídeo game em casa e ela nem tinha idade para saber nada sobre jogos.



ㅤㅤㅤSacodiu a cabeça de um lado para o outro tentando espantar o aborrecimento. Ter conseguido passar as férias ali era muito bom para essa bobeira estragar as coisas.



ㅤㅤㅤA praia de Sound Beach estava bem diferente do dia que os dois lutaram ali. Até por que a cidade tinha acabado de sair de um desastre horrível. O ano de 2016 foi preocupante para os habitantes dali. E o estado de Iori durante a luta também foi inédito, havia características ali que diferenciava muitas coisas do comportamento que ele estava tendo naquele mesmo ano em combates que tinha conhecimento da participação dele.  O que ela pode perceber agora com o relato dele para a filha.



ㅤㅤㅤChizuru fecha os olhos e aguarda ele terminar de contar a história. Apesar dele falar coisas que ela não aprovava para uma criança na idade de Shizune, não iria impedir dele divertir a menina.



ㅤㅤㅤEla estava justamente se perguntando em sua mente o porquê de não ter trago um livro para poder fazer a leitura quando ouviu sua atenção ser chamada por Iori para continuar a sua versão da luta entre os dois.



ㅤㅤㅤA mulher levanta e encurta a distância entre ela e a filha com um único passo. Agacha-se pega a criança no colo e passa a mão  pelo rosto dela afastando os fios de cabelos para trás das orelhas dela.



ㅤㅤㅤ— Vamos brincar na água do mar com a mamãe? – Chizuru fala sorrindo para sua filha.



ㅤㅤㅤA menina abre um grande sorriso e vira o rosto para olhar para o mar. Nesse momento a japonesa olha para Iori.



ㅤㅤㅤ— Esvazia a piscina para mim, por favor? Vou com ela na água e quando voltarmos iremos nos secar ao sol para depois voltarmos para o hotel. Está ficando mais quente para ela permanecer aqui.



ㅤㅤㅤEla não aguardou a confirmação ou negação dele para fazer a tarefa, sua atenção era novamente chamada pela menina que estava comentando admirada com o tamanho das ondas que estavam quebrando no mar.



ㅤㅤㅤChizuru caminhou tranquila até o mar e começou a entrar na água quando Shizune voltou a se lembrar da história sobre a luta dos pais.



ㅤㅤㅤ— Mamãe conta o que aconteceu, o papai machucou você? – ela pergunta olhando o rosto da mãe.



ㅤㅤㅤ— Não. – ela fala olhando para a menina. — Sabe o que é mais importante quando você está lutando? Não deixar a raiva tomar conta de você. O ódio faz você perder o controle sobre seu próprio ser e isso que o deixa fraco em uma luta. Então quanto mais irritado seu pai ficava, mais calma eu ficava na luta.



ㅤㅤㅤ— Ele ficou com raiva por quê? – a menina pergunta sem entender.



ㅤㅤㅤ— Bem, seu pai desobedece bastante quando falamos com ele. E isso fez com que ele permanecesse com um espírito mal dentro dele durante boa parte da vida dele. E ainda tem, por que ele quer manter as chamas colorida que ele te mostrou. Ele pensa que não pode lutar sem elas.



ㅤㅤㅤEla para de falar para andar com a menina em meio às ondas, já que haviam chegado onde as ondas estavam quebrando. Virando de costas para o mar a japonesa passou pela parte revolta do mar e conseguiu chegar numa área mais calma.



ㅤㅤㅤA mulher começou a falar para a menina o porquê do pai não ter conseguido acertar aqueles golpes e também sua posição diante de toda a raiva que ele transparecia ter.


Southtown, Sound Beach: 2016.




ㅤㅤㅤChizuru sabia que o Yagami não conseguiria controlar por muito tempo aquele espírito que insistia em permanecer em seu corpo, deveria ter aprendido com o passar dos anos, mas a japonesa percebera que a teimosia o cegou totalmente, tanto que ele pensava que precisava daquele ser para poder continuar lutando.



ㅤㅤㅤDurante o processo que ele mostrou descontrole, a japonesa resolveu acalmar-se, ela não podia continuar com a desvantagem que as chamas dele provocaram em seu corpo, aquilo estava te cansando. Aproveitando assim a demora dele iniciar um ataque por conta de um conflito interno para poder equilibrar seu ki.



ㅤㅤㅤVer ele possesso correndo em sua direção, talvez, deveria apavora-la. Mas ela sabia que isso acontecer, estava preparada e sabia que Orochi deixava Iori em desvantagem, atacar um oponente cego de raiva não era algo muito inteligente de se fazer.



ㅤㅤㅤPelo menos, para Chizuru, ele deveria que cometeria um erro fazer isso. Por isso ela teve a impressão que Orochi queria ir a fora por conta própria e não estava vindo em auxílio do Yagami, mas com proposito próprio.



ㅤㅤㅤEle avançou e ela preparou-se. Sua tentativa era bem nítida, ela não iria esquivar e sua defesa era um contra-ataque. Com concentração a Yata preparou-se e uma ilusão perfeita sua saltou em direção a Iori, um salto que ele conseguiria êxito com seu agarrão, ou seja, a ilusão foi pega pelo golpe dele.



ㅤㅤㅤMas quando Iori está apertando a mão contra o pescoço da ilusão, Chizuru já está realizando uma rasteira, na tentativa de acertar as pernas dele, tentando evitar que ele completasse seu movimento.



ㅤㅤㅤPorém a japonesa não parou por aí. Caso ele tenha se desequilibrado e caído, que seria o único possível resultado caso a investida desse certo, ela deslizaria contra o corpo dele numa rasteira mais violenta o impulsionando para cima. Erguendo-se em seguida, girando e tentando acerta-lo com a mão direita e esquerda, à direita entre os olhos e a esquerda em sua traqueia. Caso a investida fosse um sucesso a japonesa saltaria para trás. Dando início a sua fala mais longa naquela luta.



ㅤㅤㅤ— Você está por vinte anos no corpo dele, Orochi. E todo esse tempo ele não passou comigo, você não sabe o que eu sei, ele não sabe o que eu sei. Ambos podem pensar que sou uma pessoa fraca, não que ele quer me inferiorizar, mas ele jamais vai admitir que alguém seja melhor que ele. Nisso ele é igual a você. Não suporta ser derrotado, não aprende quando perde, quer mostrar poder e com isso quer crescer sobre as pessoas. E quem não quer fazer isso hoje, não é? Mas quanto mais irritado você ficar, mais eu irei te bater, preparado para isso?



ㅤㅤㅤEla termina de falar e sorri. Uma expressão serena em seu rosto encara a insanidade de Orochi Iori.


Southtown, Sound Beach: 2025.




ㅤㅤㅤ— Quem é Orochi, mamãe? – a menina pergunta.



ㅤㅤㅤ— O espírito mal que seu pai deixou permanecer dentro dele, filha. Mas, agora nós duas vamos mergulhar e voltar para areia, está bem?



ㅤㅤㅤ— Não sei "megulhá". – ela fala chorosa.



ㅤㅤㅤ— Eu ensino para você. Junto com a mamãe você vai puxar todo para dentro de você, vai apertar o nariz assim. – ao falar ela mostrava com a mão livre o movimento em seu próprio rosto. — Encostar o resto da mão sobre a boca e contar dentro da sua cabeça, sem falar, até dez. Combinado? – Chizuru fala com uma voz diferente por estar prendendo o nariz com os dedos, o que faz a pequena Shizune rir.



ㅤㅤㅤA menina dando risada sacode a cabeça afirmando que tinha entendido.



ㅤㅤㅤAs duas faz o movimento ensinado pela mulher e somem dentro da água por dez segundos e logo retornam a superfície.



ㅤㅤㅤ— Aaaawwwnn! – grita a garota soltando o ar e batendo as mãos.



ㅤㅤㅤ— Viu como é fácil mergulhar? Vamos voltar para nos secarmos enquanto seu pai conta o que aconteceu com ele na história, está bem?



ㅤㅤㅤ— Sim mamãe!



ㅤㅤㅤAs duas caminham para fora do mar em direção a área da areia que Iori estava, durante o momento que contava a história para a criança a correnteza levou as duas mais para esquerda na água, com isso Chizuru teve que caminhar um pouco mais para chegar até o guarda-sol.



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ROUND 5 MOVE 1

Mensagem  Đεstroчεr ⌠ 八神 庵 ⌡ em Qui Nov 30, 2017 5:00 pm



STORY MODE - ROUND 5 - MOVE 1
八神 庵 vs 神楽 ちづる
008 - "The Indigo Inferno of Misanthropy"



ㅤㅤSOUND BEACH, South Town – ANO 2025

ㅤㅤDetesto violência. Dizer isso em voz alta para as pessoas que me conhecem certamente fariam todos olharem torto na minha direção. Mas era uma verdade. Não suporto a ideia de ver alguém sendo ferido ou espancado na minha frente. Meu sangue ferve. Minha raiva atinge um nível de agressividade e não consigo me controlar. Pensar nisso me faz lembrar do dia que encontrei dois arruaceiros espancando uma criança que, segundo eles, acidentalmente acabou xeretando um lugar que pertencia a eles e acabou vendo algo que não deveria. Lembro de ver o garoto, com o rosto todo inchado dos murros que recebia na cara e na cabeça, implorando para eles pararem. Olhos marejados de lágrimas, nariz e boca escorrendo sangue.

ㅤㅤSalvei a criança, mas não da forma correta. Matei e incendiei aqueles caras. Deixei que as chamas púrpuras torrassem seus corpos lentamente, sugando suas almas e atrelando-as ao meu sofrimento. Minha intenção era apenas assustá-los. Mas algo sempre tirava vantagem de mim e de minhas emoções. Sempre me faz ir além do permitido, quebrando os limites. Isso se chama Orochi.

ㅤㅤContar histórias nunca foi meu forte. Todos os meus filhos já me pediram para contar sobre minhas batalhas ao longo dos anos, enchendo-me de perguntas e mais perguntas acerca dos que eles liam ou assistiam por aí. Quando pequenos, todos me viam como um herói. Alguém que enfrentou os deuses e sobreviveu. Que enfrentou uma legião de clones e sobreviveu. Perdeu as chamas para seres de outro tempo e sobreviveu. Mas nada disso tinha relevância.

ㅤㅤIgnorei esses pedidos o máximo possível. São detalhes que prefiro manter para mim mesmo. Essa falta de comunicação era uma coisa terrível que me perseguia, que de certa forma afetou uma parcela do meu relacionamento com todos os meus filhos. Eles confiam em mim. Penso que acreditam nos meus motivos, ou simplesmente deixaram de lado. Mas cooperam quando é necessário.

ㅤㅤAgora... com essa aqui, a mais nova e, espero, a última de todas, tento ser um pouco diferente do que fui. Já ouvi sermões de tudo quanto era jeito da Chizuru sobre como deveria me portar com aquela criança, o que era certo e errado a se fazer. Ela tinha um cuidado especial com a menina que era parecida com ela. De mim, ela só deveria ter meu rosto. Os olhos são da mãe. Cabelos também. Se duvidar, até o nariz.

ㅤㅤHá momentos que fico no escanteio quando vejo essas duas se divertindo. São tão parecidas, tanto em aparência quanto em personalidade, o que acho engraçado.  Mas há uma coisa que minha esposa não pode reclamar: Essa menina é a minha redenção. A última chance de ser um pai melhor, presente e prestativo. De mimar ela na hora certa e ser severo com ela na hora certa. Como estávamos de férias e em South Town, na mesma praia onde realizamos nossa luta alguns anos atrás, não havia a necessidade de me preocupar com nada e nem de ser um entojo com a criança.

ㅤㅤVer ela sorrindo me acalmava. Dando risadas e se divertindo conosco, me deixava em paz. Se alguém ameaçasse isso, arrebento a cara do infeliz. Mesmo que isso me faça dormir no sofá depois.

ㅤㅤAssim que termino de contar minha versão do último ataque, Chizuru aproximou-se da menina e a pegou no colo. Ela olhou para mim e pediu para esvaziar a minúscula piscina enquanto as duas iriam dar um mergulho nas águas da praia. A mulher levantou-se e nem esperou por resposta. Às vezes tenho dúvidas se sou mesmo o grosseiro e rude da história. Tsc.

ㅤㅤFiz o que foi pedido. Levantei e peguei aquele troço, virando-o para que a água caísse sobre a areia. Observo elas ao longe e fico convencido sobre meus pensamentos a respeito da mãe e filha. Elas se davam tão bem que era impossível não sorrir com a cena. Elas mergulham e então, meu foco se torna outro.

ㅤㅤTenho certeza que nesse pequeno espaço de tempo afastados, ela contaria como revidou meu ataque. Tenho poucas lembranças do ocorrido. Quando possesso por esta entidade, meu lado consciente fica preso em uma bolha de escuridão, sem noção alguma do que está acontecendo ao meu redor. São poucas as oportunidades que tenho para relutar para saber o que está havendo. Por sorte, nessa luta, uma pequena parte minha esteve presente. O monstro que vive dentro de mim manteve parte da sanidade intacta para conversar com Chizuru e responder ela pelos seus atos contra ele. Hehe. Maldito.

ㅤㅤA questão que me vem agora é como vou contar isso pra criança? Que palavras usar para revelar que a minha intenção naquele estado era assassinar a mãe dela por não ter controle absoluto dos meus demônios? Será que isso faria ela ter medo de mim? Duvidar de mim? Era esse tipo de coisa que evitei ao longo dos anos contar para as mais velhas, me poupando desses pequenos problemas. Porém, sinto que não poderei mentir para Shizune e Chizuru não aprovaria esse tipo de coisa vindo de mim. Não tenho escolha.

ㅤㅤ── PAPA! PAPA! ── Ao longe ouço o grito da menina que corria em minha direção. Ela parava a minha frente, toda molhada e sorrindo. ── Eu megulei com a mamãe! Você viu?

ㅤㅤ── Eu vi. Ela te ensinou como prender a respiração? ── A respondo com um sorriso.

ㅤㅤ── Sim! ── Exclamou ela. ── Tem que prender todo o ar, segurar o nariz e contar até dez! ── Toda essa empolgação da criança era contagiante. Além de engraçado vê-la repetindo tudo o que lhe foi ensinado.

ㅤㅤChizuru vinha logo atrás. Antes que pudesse trocar uma palavra com ela, a menina me puxou pela mão, exigindo minha atenção.

ㅤㅤ── Pai! Me conta o que aconteceu depois?

ㅤㅤ── Hum... Claro... Presumo que sua mãe já a deixou ciente dos acontecimentos após meu despertar.

ㅤㅤPuxei as lembranças. E me esforcei para contar tudo o que houve naquele tempo.

ㅤㅤSOUND BEACH, South Town – ANO 2016

ㅤㅤMeu último momento de consciência terminou quando meu 203 Shiki: Tsuchi Tsubaki funcionou contra uma perfeita ilusão de Chizuru. Estrangular a falsa versão da sacerdotisa elevou os ânimos do meu lado assassino descontrolado, o que acabou afetando drasticamente o resultado de toda a sequência pensada. Antes de atacar a imagem falsa da Yata no chão, fui derrubado com uma rasteira, caindo de costas ao chão. Rolo para trás, recompondo-me, mas novamente, pego em outra rasteira ainda mais forte e seguida de várias pancadas, me tirando do chão e acertando-me entre os olhos e a traqueia. Cambaleei para trás, desnorteado. Meu corpo sofria com as pancadas, isso era notável para qualquer um que olhasse, entretanto, não sinto mais as dores incomodas das bicas que tomei na fuça pelos chutes com aquele salto alto e fino que ela desferiu nas rodadas anteriores. Foi como se aplicassem uma anestesia em todo meu ser, sofrendo, mas sem saber que estava sofrendo. Mas tudo tinha uma explicação.

ㅤㅤÓdio. Rancor. Raiva. Vingança. Medo. Desespero. O sangue fervia que parecia borbulhar nas minhas veias, seguida de uma frustração feroz que nublou-me os sentidos, perdendo completamente a noção e a razão de meus movimentos. A transformação não era algo muito bonita de se ver, sendo uma das mais nojentas e deploráveis de todas, por não ser um membro ‘oficial’ daquele clã de víboras malditas. Ossos tremiam e se estalavam de modo assustador, o corpo se contorce todo no pouco do tempo que leva para perder a coloração da pele, assumindo uma branquidão assustadora, ao ponto de parecer morto ou muito doente. Os olhos perdiam seu brilho, tendo duas passagens de cores: A primeira era o branco leitoso e sem vida; depois o amarelo dourado e brilhante. Os dentes caninos da boca sofreram uma metamorfose também, com dores tão violentas, resultando no cair de joelhos nas tábuas que formavam o piso de onde estávamos. A barriga doí e borbulhava, resultando em uma ânsia de vômito diferente do que deveria ser. Não botei pra fora o que havia comido naquele dia, mas da minha boca, uma quantidade absurda de sangue foi vomitado. Não era um sangue normal. Era mais escuro, quase que uma bile negra e gosmenta sendo ejatada da minha boca, me desidratando ainda mais. Era sangue para todo lado. Roupas, mãos, formando uma poça sobre o piso. Com a boca suja de sangue, começo a arfar igual uma fera demoníaca. Minhas baforadas eram visíveis, parecendo que estava produzindo fumaça da própria boca.

ㅤㅤTUM, TUM! TUM, TUM! TUM, TUM!

ㅤㅤOs sons dos meus batimentos cardíacos eram altos. Talvez Chizuru tenha os ouvido.

ㅤㅤMaldição, maldição, maldição, maldição...

ㅤㅤDentro de minha cabeça passavam uma série de imagens tão rápidas: guerras das duas famílias que passaram a se odiarem, mulheres morrendo ao darem luz aos seus filhos, crianças chorando.

ㅤㅤÓdio, ódio, ódio, ódio, ódio...

ㅤㅤHomens sendo queimado pelas próprias chamas malditas, a morte da esposa de Yasakani, o corpo nu e ensanguentado dela encontrado nos domínios dos Kusanagis, o assassinato dos sacerdotes Yata que guardavam o selo, o pacto, a dor. Sinto a mão segurar o peito, de tanta dor que sinto ali.

ㅤㅤYATA! YATA! YATA! KUSANAGI! KUSANAGI! KUSANAGI!

ㅤㅤA visão ficou vermelha. Os poucos que passavam pela praia pararam.

ㅤㅤMATAR! MATAR! MATAR!

ㅤㅤO berro de uma besta infernal ecoou por todos os cantos da cidade dos pecados.

ㅤㅤ── HOOOOOOOOOOOOOOOAAAAAAAAAAAAAAAAARRRRRGH!! ── Estava completo. O corpo incendiou-se no momento que estourei os tímpanos até de uma barata com esse berro. Uma explosão de poder causou um impacto que derrubou qualquer um que não estivesse preparado para esse tipo de confronto. Meu corpo estava todo curvado para trás, com os braços aberto, cabeça pendendo para trás, apoiado na ponta dos pés. Depois, veio tudo pra frente. Coluna torta, braços esticados e balançando como se estivessem quebrados. A cabeça pendia para um lado e para o outro. Ela falou comigo.

ㅤㅤSOUND BEACH, South Town - Ano 2025

ㅤㅤ── É o Orochi! ── Shizune me interrompeu.

ㅤㅤ── Sim. É ele mesmo. ── Cruzei os braços naquele momento. Em meu campo de visão, Chizuru já teria chegado até nós dois com seu corpo esguio e esbelto todo molhado. Dei uma olhada de cima a baixo nela, como sempre fiz. Além de deixar um sorriso malicioso reinando sobre minha face.

ㅤㅤ── Pai! ── A garotinha chama minha atenção.

ㅤㅤ── O que foi? ── Volto a ela, esperando que a mesma me fizesse suas perguntas antes de voltar a história.

ㅤㅤ── Mamãe me contou que foguinho colorido vem do Orochi. É verdade que não consegue lutar sem o foguinho? ── Aquela pergunta não me pareceu coisa boa. Resolvo explicar da maneira mais compreensível a ela.

ㅤㅤ── Errado. Posso muito bem lutar sem as chamas. Acontece que não posso me livrar da maldição e sua mãe sabe muito bem disso. Por isso ela fica toda incomodada em saber que não há nada que possamos fazer. ── Acreditei que isso fosse ser o bastante para Shizune. Mas não foi.

ㅤㅤ── Mas esse espirito malvado não faz mal pra você, papai? ── Ela fez uma carinha de dúvida e preocupação ao mesmo tempo.

ㅤㅤ── O Orochi que reside dentro de mim não é o verdadeiro Orochi. Digamos que ele é uma versão malvada e perigosa do papai. Que não gosta de amigos, nem de alegria e muito menos da sua mãe e do ... ── Nessa hora, eu baforei de raiva ── ... do tio Kusanagi. ── Mesmo havendo uma trégua temporária entre nós, ainda detesto Kyo e nossa rivalidade continua.

ㅤㅤ── Ele não gosta da mamãe? Mas você gosta, certo?

ㅤㅤ── Sim. Amo sua mãe mais que tudo na vida. Ela pode me dar umas patadas de vez em quando, mas é assim que as coisas fluem entre nós. ── Só pra constar, acabei piscando para ela. E falei isso em um bom tom, para que ela ouvisse mesmo. ── Agora... Vamos voltar para a história.

ㅤㅤSOUND BEACH, South Town – Ano 2016

ㅤㅤAlguns homens possuem tanto poder que são considerados invencíveis, deuses entre mortais. Consequentemente, costumam desenvolver um orgulho e arrogância sem limites. E quando esses homens são confrontados por um poder maior que o deles, só há dois caminhos: ou desejam destruí-lo, ou possuí-lo. Pobres homens... Não passam de cobaias, marionetes controladas pelas mãos daqueles que de fato são os deuses tecendo o destino.

ㅤㅤFui um deles. Um homem que se gabou do poder que tinha sem dar à mínima para a história da família e o significado disso tudo. Nos primeiros anos de minha carreira como lutador, sempre me gabei deste vil e obscuro poder, que para mim era mais que necessário para humilhar, massacrar e matar meu eterno rival. Entretanto, é uma faca de dois gumes. Quanto mais o utilizasse para matar aquele que meus ancestrais juraram guerra eterna, mais me entregava ao abraço gelado da Serpente de Oito Cabeças, Yamata no Orochi.

ㅤㅤA forma que está em pé diante de Chizuru era a manifestação completa de um dos escravos de Orochi. Não sou um Guardião da Serpente. Não estou na categoria de Reis e nem servos. Mas sim, os escravos. Aqueles que foram submissos à sua vontade corrosiva em troca de poder. Uma marionete, de fato.

ㅤㅤAs palavras de Chizuru eram muito bem compreendidas pela criatura imóvel ali. Não dizia um pio. Silêncio era a melhor opção para ele. Mas é o que alguns costumam dizer: Quem cala, consente. E talvez, esse Orochi estivesse se poupando e esquematizando algum ataque.

ㅤㅤNa palma de minha mão, uma chama acendeu-se e crepitou por alguns breves segundos. O corpo, que exalava uma aura púrpura e corrosiva, perdeu seu brilho por um instante e toda a energia de antes, acumulou-se na chama concentrada ali. Ela aumentava mais e mais, atingindo um tamanho tão absurdo que faziam os poucos banhistas dali se afastarem às pressas.

ㅤㅤNunca fui de utilizar essa tamanha demonstração de poder. Era muito desgastante. A prova de que não sou um ser totalmente consciente dos meus atos quando possesso. Aquele fogo era a preparação para a técnica que faz referência à um dos acontecimentos marcantes da batalha dos três guerreiros contra a serpente do tamanho de uma ilha; “as oito taças/barris de vinho”.

ㅤㅤSem mostrar valor algum pela luta, pela discussão, considerando a Yata parada em minha frente como um tolo por opor-se à minha grandiosa presença, o Orochi usou de minhas energias e o poder que me emprestava para desferir um movimento desesperado e desgastante. A Ura 108 Shiki: Ya Sakazuki. Arremesso esta mesma chama fazendo um movimento semi-circular, lançando a labareda concentrada contra o chão e fazendo este seguir alguns centímetros a frente até explodir numa intensa onda de energia, formando um fino pilar de fogo que atravessava até as nuvens com facilidade. Cada estouro tremia todo a região e isso poderia servir para desestabilizar a postura defensiva de Yata.

ㅤㅤNão sei o que Orochi pensa nessa hora. Talvez queira ele distrair a mulher com uma investida arriscada dessas, ou só se gabar e demonstrar todo o potencial devastador que possuímos?

ㅤㅤAo total são oito explosões. Qualquer coisa que estiver ao seu alcance será pulverizado. Qualquer individuo que estiver ao seu alcance será queimado e paralisado, ficando completamente à minha mercê, esperando por um fim triste e miserável.  Enquanto o fogo segue seu destino rumo à Chizuru, senti meu corpo mover-se em passos tão lentos e desajeitados, como se fosse um morto-vivo que acabara de despertar de sua infecção e procura por refeição.

ㅤㅤOs passos vão ficando mais ligeiros, até o ponto que passa a correr na direção ao fogo. Acredito que sei o que ele quer fazer. É meio suicida, mas já o fiz várias vezes. Ele salta dentro do raio de explosão dos pilares, tendo seu corpo camuflado por fogo em breves instantes e escondendo sua presença espiritual com meu Chi Kung. Presume-se que as chamas ainda não chegaram até a Yata e que ela ainda não tenha reagido para isso acontecer.

ㅤㅤNo momento que o corpo fosse engolido pelas chamas e sua aura desaparecer, Orochi visaria golpear a cabeça de Chizuru com um overhead aéreo, juntando as duas mãos, entrelaçando os dedos de ambas as mãos e batendo como se fosse uma potente marreta. No Hung Gar esse golpe se chama Fei San Ya Te Kou, em sua tradução literal, o Soco do Sol Reverso.

ㅤㅤSe ele tivesse êxito nisso, as explosões continuariam vindo atrás dos dois e talvez os pegassem. Mas ele não parou.

ㅤㅤEle avança mesmo assim e tenta encaixar mais algumas sequencias usando as garras do Tigre, iniciando o Stylish Move 17, lançando o braço esquerdo primeiro para arranhar o peito de Chizuru, repetindo o processo com a outra mão, visando arranhar a barriga dela e por último, derrubá-la com um arranhão nas pernas, entre os joelhos e as coxas. Essa sequencia foi muito usada por mim quando lutava com oponentes de peso pesado, aqueles que insistem em se gabar de suas resistências e dos danos que sofrem, mas que no chão, não passam de formigas irritantes.

ㅤㅤOrochi não para. Se fosse um sucesso a investida, ele continuaria espancando a sacerdotisa até não lhe haver opções e forças. Existe um Stylish Move meu que pode atingir oponentes caídos e era o que ele faria se a primeira sequência tivesse êxito. Este é o Stylish Move 05. Agora, aderindo ao estilo da Garça, o Hung Gar me permite executar chutes rápidos visando a guarda baixa. São três chutes que fariam o corpo de Chizuru ser empurrado ainda no chão, rolando, o que fosse. O terceiro chute seria tão potente que catapultaria ela do solo e a arremessaria para longe. Este, possui um nome até. O Mae Giri (Front Kick).

ㅤㅤPercebo nesse momento que ele executa seus movimentos uma concentração estranha de energia. Como se fosse um plano B se ela escapasse de cada um dos combos. Não consigo ler os movimentos dele. Mas não posso comunicar-me com ela também. Nessas horas, sou apenas um mero espectador. Alguém que está assistindo uma versão automática de meu ser tentando assassinar a sangue frio a mulher que amo, sem poder fazer nada. É como se imaginasse meu maior pesadelo e me colocasse de camarote para assistir. Só faltava me cobrarem por isso.

ㅤㅤA criatura parou aí. Mas sua sede por destruição era infinita.

ㅤㅤSound Beach, South Town – Ano 2025

ㅤㅤ── Ele parece assustador, papai... ── Noto a preocupação da garota com a forma que os ataques eram narrados. Esperado. Mas não era algo com o que ela precisasse se preocupar nos dias de hoje.

ㅤㅤ── Não se assuste. As chances disso voltar se repetir são praticamente zero. ── Passou-se muito tempo desde aquela batalha. Tive muita discussão, briga e outras conversas com Chizuru a respeito desse problema. Hoje, tudo está resolvido. Controle perfeitamente a possessão e não deixo que o demônio tire proveito de mim mais. Não revelo isso no momento. Prefiro contar sobre quando finalmente revelasse a lição que aprendi enfrentando Chizuru nesse mesmo lugar, cerca de nove anos atrás.

ㅤㅤTermino de contar essa parte para Shizune. Nesse instante, a piscina dela já estava esvaziada e sem água dentro. Aproveito para guardar aquilo e tiro da sacola da menina a toalha dela para secá-la. Na verdade, prefiro passar a toalha para Chizuru. Enquanto ela secasse a garota, poderia ir contando o que fez para se safar da primeira onda de ataques furiosos daquela besta infernal.





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Round 5 Move 2

Mensagem  Convidado em Sex Dez 01, 2017 12:29 am



StoryMode:Round 5 Move 2


Southtown, Sound Beach: 2025.




ㅤㅤㅤChizuru fica em silêncio, pega a toalha e seca o cabelo da filha. Está pensativa, não sabe muito bem como irá descrever para a criança o que aconteceu naquele momento da luta. Leva a mão na bolsa e tira o creme para passar nos cabelos de Shizune enquanto penteia o mesmo. Prendendo o cabelo com uma trança a japonesa ainda não fala sua parte para a criança. E a menina parecia entender que a mãe precisava do silêncio, ao contrário do falatório que fazia com Iori, a menina ali ficava esperando calada e paciente.



ㅤㅤㅤA mulher continuou seus afazeres, o sol estava esquentando demais para a pele das duas, ela vestiu um leve vestido na garota e tirou as peças de biquíni molhadas, colocou a parte na bolsa enroladas na toalha. Passou mais protetor no rosto da filha e levantou com ela no colo. Entregou a menina ao pai.



ㅤㅤㅤ— Vou me secar e vestir minhas roupas para irmos. – ela fala



ㅤㅤㅤTirando uma toalha menor passa nos braços e depois de espremer o cabelo aperta a toalha nele e puxa suas peças de roupa e as veste por cima do maiô molhado. Pega o chinelo de Shizune na bolsa, depois de guardar tudo, ergue-se para calçar a garota e pega-la de volta para si. Entregando para Iori a bolsa.



ㅤㅤㅤ— Devolva o guarda-sol, por favor. – ela fala pra ele e começa a andar com a menina para o calçadão.



ㅤㅤㅤ— Bem, você sabe que a mamãe está aqui, então não se assuste muito com o que aconteceu. Foi há anos e está tudo bem agora.


Southtown, Sound Beach: 2016.




ㅤㅤㅤA mulher sempre se impressionava com aquele ser, o que a deixava mais indignada era a vontade que Iori se agarrava aquilo e não largava. Em seu íntimo Chizuru estava totalmente entristecida, não conseguia entender a determinação do Yagami com aquilo, era frustrante na verdade, ver ele se entregar a um ser tão vil por poder.



ㅤㅤㅤOs pilares vinham em direção da mulher, ela estava cansada, não tinha mais vinte anos e também já tinha gasto energia para se livrar dos efeitos daquelas chamas. Ir para o lado era inútil, Chizuru saltou para trás. Uma, duas vezes, na terceira vez que seus pés tocou o solo o último pilar lhe acertou. Ela não viu bem a sequência que se seguiu, mas pode sentir.



ㅤㅤㅤQuando ele terminou de ataca-la, se é que poderia afirmar isso, ela ficou no chão, seu rosto estava virada para o lado oposto do dele. Ela murmurava consigo, talvez um mantra? Ela ficou ali no chão, queria ele perto e não iria atacar agora, não nesse movimento. Ela estava concentrada em se curar, não totalmente, mas o suficiente para ir até o final daquela luta e finalmente da um fim para aquele demônio.


Southtown, Sound Beach: 2025.







ㅤㅤㅤ— Você ficou muito machucada, mamãe. – a garota não perguntou.



ㅤㅤㅤShizune afirmou com a voz baixa e olhou por sobre o ombro de Chizuru procurando por seu pai.



ㅤㅤㅤEla não contou para a menina que estava preparando um ataque surpresa, mas era isso que a japonesa fez deitada no chão se fingindo de desmaiada. Queria Orochi Iori perto, contando vitória, queria ataca-lo de uma forma que o pegaria desprevenido e também que poderia auxiliar Iori a retomar o controle de seu corpo.


Southtown, Sound Beach: 2016.




ㅤㅤㅤE no momento que Chizuru sentiu um aproximação, próxima o bastante, ela se ergueu e atacou. Ela tinha convicção, acertando ou não seu alvo, ela poderia usar a reação surpresa para seu benefício, talvez.



ㅤㅤㅤ— SAN SHINGI NO SAN!










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Re: IORI YAGAMI VS CHIZURU YATA

Mensagem  Đεstroчεr ⌠ 八神 庵 ⌡ em Sex Dez 01, 2017 12:41 am



STORY MODE - ROUND 6 - MOVE 1
八神 庵 vs 神楽 ちづる
008 - "The Indigo Inferno of Misanthropy"


ㅤㅤSouth Town, Sound Beach - 2025

ㅤㅤOs poderes que possuo são um fardo necessário para selarmos com sucesso a entidade denominada Yamata no Orochi. Sei o quanto isso incomoda Chizuru e o quão destrutivo é, mas o mantenho justamente pelo fato de não poder me livrar da Magatama. É o que sempre definiu a existência do meu clã, sua importância na história antes e depois do pacto com a serpente maldita. Livrar-me de meu tesouro seria o mesmo que destruí-lo para todo o sempre, com ou sem a maldição. E então, diminuir em 33% as chances de sucesso para selar qualquer mal proveniente dessa saga que se repete infinitamente, como um ciclo sem fim.

ㅤㅤA transformação em Orochi podia ser controlada. No entanto, devo encontrar uma forma de entrar num consenso com o monstro que vive dentro de mim. Não é fácil, pois a criatura é mais teimosa do que eu costumo ser. Piora o fato de estar casado com Chizuru por todos esses anos, o que faz a entidade repudiar minha escolha cada vez mais e me importunar com isso todo santo dia. Mas levo em consideração o que Chizuru me ensinou durante todo esse tempo que estamos juntos. Tranquilidade e harmonia. Duvidam? Passamos a treinar e meditar juntos, um ao lado do outro, no templo sagrado dos Yata, abençoado para expurgar qualquer mal que assole aquela região e acalmar meu espirito. Dentro do templo e de casa sou proibido de manifestar os poderes das chamas e qualquer outra coisa que seja ligada ao mal atrelado na minha alma.

ㅤㅤHoje, durante nossas férias em South Town, estou com a mente e o espirito mais calmos e controlados. O Orochi que vive dentro de mim, também encontra-se controlado e quieto. Parou de me incomodar três anos atrás, quando dominei um poder oculto e técnicas do meu clã, praticamente, esquecidas pelo tempo. E tudo isso foi graças a ela. Minha esposa. Que poder é este? Hehe... As Chamas Vermelhas dos Yasakani. Sim. Eu descobri como controla-las juntamente das chamas púrpuras. Como é possível? Ah, isto é história para outro dia...

ㅤㅤDe volta a realidade.

ㅤㅤFiquei observando Chizuru secar e vestir a menina. As roupas apropriadas para um dia de praia acabaram não servindo tanto para o seu propósito, já que não entrei na água e fiquei esse tempo todo sentado na areia e cuidando de nossos pertences. Mas não tem importância. Minhas roupas de antes estão na mesma sacola que as roupas de Chizuru, logo, ela as manteria ali assim que fosse se vestir.

ㅤㅤFiquei incumbido de devolver o guarda sol. Com a deixa, vou até o local para fazer a devolução e pagar por três garrafinha de água, uma para cada, e sigo em direção das duas que me aguardavam no calçadão da praia. Shizune estava no colo da mãe e parecia procurar por mim, olhando para todos os lados, por cima do ombro de Chizuru. Quando sou encontrado pela menina, vejo a pequena esticar seu bracinho esquerdo e acenar para mim, mostrando aonde elas estavam me esperando. Acabei dando uma risada com o jeito bobo e infantil da criança.

ㅤㅤ── Aí estão vocês. Já podemos ir, Chizuru.  ── Entrego as garrafas para Chizuru, isso é, depois de terminar de molhar minha garganta com a água e jogar a garrafinha vazia fora, no cesto de lixo reciclável. Então, ofereço-me para carregar Shizune no colo durante toda a caminhada. Antes de irmos, pedi para que Chizuru abrisse a sacola e me passasse o chapeuzinho dela, colocando-o para proteger o rosto da menina do sol forte que fazia naquela tarde.

ㅤㅤPassamos a andar. A garotinha me olhava curiosa por alguns minutos.

ㅤㅤ── Pai... Papai... ── Ela insistia.

ㅤㅤ── Eu sei. ── Respondi. ── É minha vez de contar o que aconteceu. Só estou selecionando as melhores palavras para isso.

ㅤㅤ── Por que?

ㅤㅤ── Preciso me concentrar bastante para lembrar. Além de ficar preso em uma bolha de escuridão, são poucas as coisas que pude visualizar na luta.

ㅤㅤMeus passos com os de Chizuru eram praticamente sincronizados. Andávamos lado a lado e passamos pelo mesmo ponto onde aconteceu a luta. Quando olhei para os arredores, tive um vislumbre do passado: Era como uma miragem, uma lembrança perdida no tempo. Foi então que passei a falar exatamente o que veio na minha cabeça.

ㅤㅤSouth Town - Sound Beach, 2016

ㅤㅤEstava tudo um verdadeiro caos. As chamas alastraram-se graças as explosões dos pilares, como se deixasse o mundo todo em chamas. Atingida pela última explosão, Chizuru ficou imobilizada, o que deu a brecha que Orochi tanto precisava para golpeá-la diversas vezes. O Fei San Ya  Te Kou atingiu ela em cheio. Depois veio o Stylish Move 17, seguido do Stylish Move 05. Pancada por pancada, a mulher foi sendo arrastada até que num momento, terminou estirada ao chão, quase derrotada.

ㅤㅤ── Grrr.... HEHEHEHE... ── A criatura se divertia com tudo isso. Era de se esperar de alguém que tinha ódio pelos Yata, os responsáveis por selarem seu mestre, reis e servos. O desejo dele era matar Chizuru ali mesmo, aproveitando-se do momento de fraqueza dela.

ㅤㅤO corpo de minha adversária estava totalmente fatigado e o estado Orochi permitia uma vantagem muito maior sobre meus oponentes. Mas há uma desvantagem... nessa forma não tenho controle de minhas ações, logo, estou mais vulnerável do que costumo ser.

ㅤㅤ── SHINE! ── Meu corpo aproximou-se do de Chizuru. O punho incendiou-se emanando uma poderosa quantia de energia. Tudo indicava que ele iria assassina-la ali, por um fim em toda essa história. Mas esse foi o maior erro do meu corpo possesso.

ㅤㅤFoi num piscar de olhos. Chizuru levantou-se rapidamente e desferiu um dos seus mais poderosos golpes contra meu corpo. Por estar com sua velocidade grandemente aumentada, ele foi capaz de conter os movimentos iniciais da ilusão que ela criou. A imagem falsa da sacerdotisa desferia golpes atrás de golpes, movimentos delicados que lembravam os ataques de uma garça.

ㅤㅤA pressão dos ataques dela fez que meu corpo possesso desse passos para trás enquanto suas mãos moviam-se na mesma velocidade que as dela, interceptando cada ataque com as palma das garras de tigre, usadas para defesa.

ㅤㅤ── Ahn? GROAAAAH! HU, HO, GRRRR, OREAAAAAHHHH!!!! ── Parece que até mesmo para meu eu demoníaco, era difícil prever e conter cada um dos movimentos executados pela ilusão de Chizuru. Embora, meu ser possesso não previu que a verdadeira Chizuru ainda tinha mais um golpe par dar junto de sua ilusão.

ㅤㅤ── GOAAAAAARRRRRGHHH!!! ── A pancada da original atravessou em cheio meu corpo. E toda a energia maligna que envolvia meu ser foi dissipada! A força do ataque desestabilizou totalmente a postura defensiva da criatura e pra completar, a imagem falsa da mulher terminou suas sequencias com êxito agora, terminando com meu corpo sendo arremessado para longe, caindo de costas ao chão, rolando para me recompor.

ㅤㅤ── VERME! MULHER INSOLENTE! ── Ele manifestou-se. Usando o pouco de consciência, permitindo ter uma visão mais clara de tudo o que estava acontecendo.

ㅤㅤ── PODE TER SELADO MEUS PODERES! OS PODERES DO SEU NAMORADO! MAS NADA VAI ME IMPEDIR DE MATAR VOCÊ E TODA A SUA LAIA! ── A boca escorria sangue, além de saliva.

ㅤㅤNão foi a primeira vez que vi esse golpe da Chizuru em ação. Ela tinha os poderes de bloquear qualquer técnica que depende da manifestação de Chi. Nesse caso, ela me proibiu totalmente de usar meus poderes até que o efeito passe. Não só isso como também me deu a oportunidade de lutar para tomar o controle do meu corpo.

ㅤㅤ── PERMITIR QUE ESTE LACAIO VIVESSE SOB SUA INFLUÊNCIA POR TEMPO DEMAIS FOI UM ERRO! TODAS AS NOITES QUE PASSARAM JUNTOS, ENQUANTO DORMIAM, DEVERIA TER POSTO UM FIM EM VOCÊ! ARRANCADO SUA CABEÇA E BEBIDO SEU SANGUE! DESTRUÍDO CADA VESTÍGIO DA SUA .... GAAAHHH ── As mãos foram ao encontro da cabeça. Uma dor insuportável alastrou-se por todo o corpo do Orochi Iori. Este era eu tentando assumir o controle de volta.

ㅤㅤ── COMO OUSA! HUMANO ESTÚPIDO! SOU SEU MESTRE! EU QUEM DOMINO SEU CORPO! AAAAAAAH! ── Então, num descontrole total, Orochi Iori partiu para o ataque em cima de Chizuru, todo desajeitado, sem uma estratégia, tomado por sua fúria!

ㅤㅤSouth Town, Sound Beach – 2025

ㅤㅤ── Mamãe fez Orochi ficar bravo! ── Interrompeu Shizune.

ㅤㅤ── Exatamente. Ela conseguiu botar o Orochi numa enrascada com uma jogada de mestre.

ㅤㅤ── E quanto tempo durou o poder da mamãe no Orochi? ── Ela demonstrava interesse na habilidade da mãe.

ㅤㅤ── Não sei exatamente. Acho que só ela pra te responder. Mas eu diria que ela deixou o inimigo desestabilizado por tempo suficiente para ela recompor-se.

ㅤㅤ── E depois? Como o monstro atacou a mamãe?

ㅤㅤ── Com a única coisa que ele tinha à sua disposição. Força bruta e extrema velocidade.

ㅤㅤ──  Ele usou as artes marciais dos bichinhos chineses?

ㅤㅤ── Ele tentou.

ㅤㅤSouth Town, Sound Beach – 2016

ㅤㅤA velocidade de Orochi era surpreendente e com a sequência de ataques que era capaz de executar, a criatura podia pressionar qualquer adversário com sequencias atrás de sequencias sem quaisquer dificuldades. Aproveitando-se desse trunfo dentro do campo de batalha, a criatura aproximou-se para atacar a mulher com três sequencias de combos que se todos tivessem sucesso, criaria uma corrente de combinações.

 ㅤㅤO Stylish Move 02 se tornou o início da sequência de ataques desesperados da criatura. Ele fechou o punho destro e desferiu dois murros contra a face de Chizuru, estes chamados de Tettsui Mae Yoko Uchi Chudan, logo acompanhado de duas sequencias de arranhões, uma vinda de baixo para cima com a mão canhota, abrindo os dedos e posicionando-os de forma a simularem as garras de um tigre e depois outro com a mão destra que vem direcionado de um ataque na horizontal, da esquerda para a direta, com as mãos também na postura de garras. Se acertado estes arranhões, a consequência que Chizuru teria seria um rasgo na roupa no meio dos seios e um rasgo na altura da barriga. E por último, Orochi colocaria toda a força do seu corpo somada ao peso do mesmo para desferir um golpe resultante em um jogo de corpo, ou uma ‘ombrada’ com força suficiente para empurrar Chizuru a uma grande distância para trás.

ㅤㅤ── HEEEEEEAAAAHH!!! ── Berrou a fera descontrolada.

ㅤㅤConseguindo ou não sucesso na investida inicial, a criatura aproveita dos tocos de madeira espalhadas pela pequena ponte e impulsionar seu corpo num salto alto e veloz por cima de Chizuru, caindo atrás dela. A velocidade qual o mesmo movia-se era rápida e termina com uma acrobacia no ar, caindo já na posição de frente para a sacerdotisa que poderia estar se levantando do dano sofrido no primeiro combo ou se preparando para atacar, caso tenha se esquivado ou defendido. Qualquer que sejam os destinos desse turno de ataques do Orochi, a criatura aproveitaria do fim da sua interação com o ambiente e atacaria ela com a sequência número 18 dos Stylish Moves.

ㅤㅤO primeiro ataque é com o Hikari Ashi, um golpe de arranhão com a mão destra na altura da barriga da sacerdotisa. Na mesma velocidade suprema de antes, o próximo ataque acontece no momento que meu ser possesso bota o equilíbrio sobre uma das pernas e desfere um chute com a direita, o Nimai Geri, com intenção de golpear os calcanhares da mulher e tirar seu equilíbrio e qualquer postura defensiva que ela possa assumir. Pra finalizar, Orochi prepara então seu Otoshi Geri, girando a mesma perna que acabara de chutar ela em um movimento circular, posicionando-a sobre a cabeça de Chizuru e descendo uma ‘marretada’ com a mesma, tão potente que faria essa aqui beijar o solo com certa violência.

ㅤㅤ── EU TE ODEIO! MORRA!

ㅤㅤSouth Town, Sound Beach – 2016

ㅤㅤParamos de andar por um momento e troquei Shizune de um braço para o outro, para que ela ficasse mais perto de sua mãe agora que seria o turno dela de contar como fez para evitar meus ataques.

ㅤㅤ── A mamãe vai vencer o monstro, papai?

ㅤㅤ── É um pouco cedo para te responder isso, não acha? ── Franzi o cenho.

ㅤㅤ── Falta muito para acabar a luta? ── Ela olhou tanto para mim quanto para a mãe, que em silêncio nos observava.

ㅤㅤ── Hehehe... Acabamos de chegar na metade da história, menina. Embora a balança esteja virada ao favor da sua mãe.

ㅤㅤContar histórias era divertido. Começo a perceber isso agora que estamos indo embora. Com certeza a garota irá perguntar por mais e mais coisas ao respeito do nosso passado como lutadores. Ela faz parte desse mundo louco que vivemos, onde cada dia é uma aventura diferente. Espero que tudo o que ela esteja absorvendo dessa história sirva para nossa pequena encontrar seu caminho nas artes marciais. Tanto eu quanto Chizuru iremos nos responsabilizar pela tutela de nossa filha e faremos de tudo para que ela, que não herdou nenhum dos nossos poderes, se torne uma verdadeira artista marcial.

ㅤㅤA menina virou-se para a mãe, aguardando a próxima parte da história que uniu nossos corações para todo o sempre.






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Round 6 Move 2

Mensagem  Convidado em Sab Jan 06, 2018 4:57 pm



Round 6 Move 2




ㅤㅤㅤSound Beach, 2016.

ㅤㅤㅤChizuru concentra-se, sabia que o demônio não iria cair só com um de seus golpes, mas também esperava que ele tivesse sido um pouco mais afetado por seu movimento seria para selar os poderes Orochi. Não parecia ser o que tinha acontecido.
ㅤㅤㅤA mulher ficou em posição, ele fez um ataque sem chamas dessa vez, mas igualmente letal. Caso a sacerdotisa não tivesse conhecimento sobre artes marciais, com certeza teria morrido ali para aquela coisa. Ela sempre se recusou de aceitar que aquilo era seu namorado, Iori não estava ali, não naquele momento.
ㅤㅤㅤ- Você pode tentar o que quiser Orochi, sempre será o depende, sempre irá precisar dos humanos para manifestar-se. Jamais fará nada sozinho! E seus dias de uso do corpo de Iori estão contados.
ㅤㅤㅤEla falava com firmeza, enquanto usava de seus conhecimentos marciais para defender cada golpes que ele investia contra ela. Seus braços erguiam-se no momento exato que as mãos daquele homem vinha contra seu corpo. Ela gira e defende outra investida, dessa vez tentou parar aquela sequencia de movimentos contra atacando Iori.
ㅤㅤㅤAs mãos ainda abertas, Chizuru tenta bater nos pontos de chacra do corpo dele. Pescoço, abdômen e coração. Se ela fosse bem sucedida e desse uma segunda pressão contra o coração de Iori, ele teria uma parada cardíaca. Por causa disso, ela tentaria concluir a sequencia com uma rasteira, para desestabilizar o oponente caso acertasse para que este fosse para o chão.

ㅤㅤㅤSound Beach, 2025.

ㅤㅤㅤ- Você estava irritada com o papai, mamãe? – perguntou a menina enquanto o casal chegava na portaria do hotel.
ㅤㅤㅤ- Não, com ele não. Mas com aquela entidade que ficava no corpo dele, achando que era seu pai que dependia dele e não ao contrario. – ela falou e sorriu.
ㅤㅤㅤA família tinha andado até ali, então no momento que entraram Chizuru seguiu para o elevador. Queria tomar um banho e deitar, mas antes de poder dormir teria que terminar de contar a história para a menina também dormir.
ㅤㅤㅤ- Vamos subir e tomar banho para comer e dormir. Combinado? – a japonesa fala olhando para a menina.
ㅤㅤㅤShizune afirma com a cabeça e olha para o pai, queria que ele contasse sua parte da história.
ㅤㅤㅤ- Vão teminá de fala a históia antis? – a garotinha perguntou olhando de volta para a mãe.
ㅤㅤㅤ- Vamos sim. – a mulher confirma e sorri.
ㅤㅤㅤO elevador chega e eles entram. Apertando o andar que estavam, Chizuru continuou com a menina no colo enquanto subiam.






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Re: IORI YAGAMI VS CHIZURU YATA

Mensagem  Đεstroчεr ⌠ 八神 庵 ⌡ em Ter Jan 16, 2018 1:04 am



STORY MODE - ROUND 7 - MOVE 1
八神 庵 vs 神楽 ちづる
008 - "The Indigo Inferno of Misanthropy"


ㅤㅤSound Beach – South Town, 2025


ㅤㅤ── Papai! ── Shizune voltou-se para mim.

ㅤㅤ── Sim? ── Sabia que ela ia me perguntar alguma coisa. Ela estava com um olhar diferente dessa vez.

ㅤㅤ── O que aconteceu com o Orochi hoje?

ㅤㅤ── Essa pergunta pode ficar para depois da história, não acha? ── Tentei me esquivar. Mas não adiantou.

ㅤㅤ── Quelo fazer uma peguntas antes de continuar... Ele foi morto? ── Ela insistia.

ㅤㅤ── Não. Ele não morreu. ── Respondi.

ㅤㅤ── Ele sempre foi malvado? Nunca tentou ser amigo dele?

ㅤㅤ── O Orochi não conhece bondade. Sempre foi difícil e inútil tentar dialogar com ele.

ㅤㅤ── Mas ele não estava se sentindo sozinho, papai? ── Eu não entendo onde ela quer chegar com essas perguntas.

ㅤㅤ── Shizune, nem tudo pode ser mudado. Ser amigo do Orochi seria o mesmo que me submeter a todas as vontades dele... Não seria o correto.

ㅤㅤ── E o que aconteceu com ele hoje? Onde ele está? ── Ela olhava para mim, como se tentasse enxerga-lo através de mim.

ㅤㅤ── Ele está dormindo. E talvez nunca mais acorde. Pelo meu bem, para o nosso bem.

ㅤㅤ── Eu tenho uma Orochi dentro de mim? ── Ela parecia um pouco preocupada agora.

ㅤㅤDei risada.

ㅤㅤ── Não, criança. Você está livre de tudo isso.

ㅤㅤO elevador ainda subia. Olhei para Chizuru depois daquele interrogatório todo e penso se agi de forma correta ao responde-la. Não escondi nada da menina, mas não estou preparado sempre para esses tipos de perguntas. Uma prova de que preciso melhorar mais meu modo de conversar com as crianças – sem ser aquele antigo modo grosseiro meu que as outras tiveram.

ㅤㅤ── Como o Orochi escapou da mamãe?

ㅤㅤ── Sua mãe havia conseguido bloquear todos os poderes meus e dele. A única coisa que restou foi somente minha velocidade e força física. Sua mãe conhecia muito bem minha forma de se movimentar, se não fosse por isso, temo que o pior poderia acontecer.

ㅤㅤ── Mas sem os podeles, Orochi continua poderoso? ── Ela inclinou a cabeça para um lado, em dúvida.

ㅤㅤ── Claro. Sua mãe apenas o proibiu de usar o fogo e outras técnicas com base no chi. Além de abrir uma brecha grande para encerrar a manifestação sobre mim. Foi nesse momento que comecei a lutar para recobrar minha consciência e por um fim naquele combate sem sentido.


ㅤㅤSound Beach ─ South Town, 2016


ㅤㅤUm dos maiores problemas da minha forma Orochi era o descontrole. Mesmo tomando posse do meu corpo, o espirito maligno parecia não fazer uso decente de todo o conhecimento que possuo e ataca sempre como uma besta raivosa e irracional. Durante todas aquelas sequencias de ataques, observo ainda dentro da bolha de escuridão o quão preciso são os movimentos de Chizuru, acompanhando perfeitamente a velocidade grandemente aumentada da minha forma possessa. Foi surpreendente vê-la tão bem preparada e determinada a pôr um fim nessa história! Quando a ouvi dizer que os dias dele me possuindo estavam contados, eu tive uma pequena reação ali dentro, um ganho de forças inesperado que me permitiu lutar pelo controle mais uma vez. E foi isso que acabou atrapalhando o Orochi no sucesso de suas investidas.

ㅤㅤA criatura estava atacando de qualquer jeito. Às vezes, os movimentos de sua mão tomavam rumos diferentes, como se a errassem de propósito. Começa nesse instante uma luta entre o bem e o mal dentro de mim mesmo. A criatura percebe que está perdendo controle da situação e tenda a todo custo me bloquear, mas suas forças estão se esgotando juntamente com as do meu corpo. Logo, isso estaria encerrado.

ㅤㅤ── CALE-SE! ── Ele respondeu Chizuru. ── POR QUE VOCÊ NÃO MORRE? ── Indignado com a defesa dela, a criatura tenta golpeá-la, mas toma uma sequência de golpes com as palmas da mão, inclusive, uma contra o peito na região do coração, abrindo sua guarda. A pressão do ataque poderia causar uma parada cardíaca se continuada, porém, ela findou sua investida com uma rasteira.

ㅤㅤ── Guuuh... ── A rasteira não o derrubou totalmente, mas serviu para fazê-lo perder o equilíbrio. Dando alguns passos apressados para trás, ele percebe o quão ferido e dolorido está o corpo. Aquilo não deveria incomodá-lo. Seus poderes deveriam lhe dar uma vantagem sobre-humana ainda maior sobre a Yata. Mas com eles bloqueados tudo isso era em vão. Com um corpo fatigado e machucado, ele sentia uma parte da humanidade de Iori e o quão desvantajoso seria continuar naquelas condições por muito mais tempo. Só lhe restavam duas opções nesse combate... evitá-la até que o efeito dos poderes de Chizuru passe ou tentar de uma vez por todas matar ela no próximo golpe. O tempo dele estava acabando. Ele sabe que estou quase tomando conta do corpo, já não haviam mais forças para me bloquear.

ㅤㅤNaquele momento, Orochi Iori estava próximo a um rádio vermelho, localizado à sua direita. O vi se inclinar para pegar o aparelho e arremessar na direção de Chizuru, apostando nisso como uma distração. Mesmo que não seja uma das grandes, a força usada para arremessar o objeto deixado por algum banhista desavisado era surpreendente e poderia desestabilizar a sacerdotisa, caso atingida.

ㅤㅤMas notei que ele não estava esperando o sucesso desse arremesso contra a mulher. Estava querendo tirar os olhos dela sobre si, para ter uma investida única e precisa. O que ele pensou naquele momento foi usar um dos agarrões, o Sakahagi para causar um dano crítico com direito a hemorragia na adversária. O movimento dele foi evasivo, realizando um rolamento no chão logo após atirar o obstáculo contra a mulher e ganhando proximidade da mesma. A investida era arriscada, mas se a mão dele alcançasse o corpo dela, o risco lhe valeria a pena.

ㅤㅤO que acontece no momento que o Sakahagi atinge o oponente é doloroso demais. As mãos dele, simulando as garras de tigre do Hung Gar, perfurariam a carne dela. Uma dor agonizante se propagaria por toda a região e serviria de alternativa para ele pará-la. O sucesso da ação inicial permitiria que ele puxasse a carne da barriga de Chizuru (local onde as garras dele perfurariam inicialmente) e rasgaria um corte violento nela. Não seria o suficiente para matá-la, mas a deixaria em apuros.

ㅤㅤSinto uma vontade ainda maior vinda do Orochi, de querer continuar atacando-a de todos os jeitos... Mas não pode. O corpo dói. Os músculos não respondem as ações desejadas. Tudo isso afeta o desempenho dele. O agarrão foi a única investida possível naquele momento. Ele se recusa aceitar que estava perdendo. A única vontade que deveria prevalecer naquele instante era a dele e essa se resumia somente na morte da Yata.


ㅤㅤSound Beach ─ South Town, 2025


ㅤㅤ── E foi isso.

ㅤㅤ── O que aconteceu depois? Me conta! Me conta!

ㅤㅤ── Não sou eu que vou te responder essa pergunta, mocinha.

ㅤㅤFaltavam poucos andares para chegarmos ao nosso. Respiro fundo ao olhar para o painel que contava eles. A criança, ainda no colo de Chizuru, virou-se com olhões pidões para a mãe. Contive o riso.

ㅤㅤ── O monstro machucou você mamãe? O que você fez? Me conta!






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Round 7 Move 2

Mensagem  Convidado em Sab Jan 27, 2018 10:51 am


StoryMode:Round 7 Move 2


ㅤㅤㅤSouthtown, Sound Beach: 2025.

ㅤㅤㅤChizuru olha para a filha e sorri, mas não responde de imediato. A garota era bem curiosa, isso era muito bom e com certeza ela iria buscar muito conhecimento com isso. Mas a japonesa sentiu o solavanco sutil do elevador parando. Ela aguarda as portas abrirem e sai com a menina em direção ao quarto.
ㅤㅤㅤ- Conto o que aconteceu enquanto tomamos banho, certo? – ela fala e sorri mais uma vez.
ㅤㅤㅤEla percebe a garota fazendo beicinho e olha para o rosto de Iori, com os lábios ela fala sem dar volume as palavras. “Teimosa igual a você.”, foram as palavras silenciosas dela.
ㅤㅤㅤ- Maisêê mamãe, pôquê o papai continua falando que o Orochi não foi embora? Si’ele é malvadu, poquê fica com ele? – a menina falou olhando para a mãe com esperança que ela começasse a história antes de chegar ao banho.
ㅤㅤㅤChizuru ficou ao lado da porta aguardando, Iori estava com a chave e abrindo a mesma.
ㅤㅤㅤ- Bom, por que seu pai quis. – ela respondeu o olhando e entrando.
ㅤㅤㅤEla não havia dito mentira e sabia que ele ia encher o ouvido da criança com o papo de necessidade para isso ou aquilo, mas a japonesa resolveu resumir todo o assunto numa simples frase.
ㅤㅤㅤ- E vamos para o chão, mocinha. E ir direto para o banheiro. – a mulher fala colocando a criança no chão.
ㅤㅤㅤA garotinha fez uma cara emburrada e fechada, parecia que começaria a chorar, mas quando percebeu a mãe indo em direção ao banheiro deixou de lado o choro e a seguiu. Shizune queria descobrir o que aconteceu com ela.
ㅤㅤㅤ- Mama.. mama.. espela! – ela corria com as pernas curtinha pelo quarto para o banheiro.
ㅤㅤㅤChizuru deixou os objetos que carregava numa poltrona e foi ligar a torneira da banheira, precisava dar banho na menina para ela comer e dormir.
ㅤㅤㅤ- Iori, passamos o dia sem comer muita coisa, pode, por favor, pedir algo para jantarmos? – ela fala com a voz alta em direção da porta.
ㅤㅤㅤShizune já estava no banheiro e continuava chamando e pedindo para continuar a história. Chizuru sentou sobre a tampa fechada do vaso e começou a tirar o maiô da menina e começou a contar o que havia acontecido.

ㅤㅤㅤSouthtown, Sound Beach: 2016.

ㅤㅤㅤChizuru estava cansada, ela não era mais uma garota de vinte anos, mas também não havia relaxado totalmente seu treinamento ao longo dos anos, na verdade havia investido tempo neles. Mas ainda sim ela era humana, cansaço era consequência e uma luta como aquela começou a ser demorada demais. Deveria ter se encerrado já, mas com Iori deixando que Orochi dominasse seu corpo, as coisas tinham saído um pouco do controle.
ㅤㅤㅤA japonesa estava suada e ofegante, ele ficou abalado com sua última investida, isso era bom. Ela pode pensar e aquela distração que ele arrumou, arremessando o rádio que havia encontrado nela, também foi um bom momento para a sacerdotisa fazer uso de um de seus ‘clones’. Ela poderia ter a chance dele não perceber, ele estava afoito demais para matar.
ㅤㅤㅤEla deixou o clone, que pegou o rádio com as mãos e depois jogou ele para um lado, também tentando o fazer olhar para o mesmo. Assim a verdadeira Chizuru tentou sair do campo de visão daquela coisa. O cenário não possuía muitas sombras, era bastante aberto, mas ela sabia que as pessoas tinha limitação em sua visão, todos tinham um ponto cego e foi isso que ela tentou. Ficar no ponto cego dele.
ㅤㅤㅤCaso desse certo, Orochi Iori iria acertar em cheio seu golpe na ilusão de Chizuru, que estava exatamente igual à verdadeira, desgrenhada, a luta estava sendo longa demais. Várias movimentações, a faixa que prendia sua roupa havia se soltado a um tempo, sua vestimenta estava entreaberta e solta em seu corpo. A mão do demônio acertou com precisão a barriga do clone e antes da ferida fazer o que todas fazem jorrar sangue. O clone sumira.
ㅤㅤㅤNesse momento que Chizuru saltava, do lugar que estava um ponto atrás da sua ilusão, para cima de Orochi Iori, fazendo uso de sua técnicas Ni Hyaku Juu Ni Katsu Otsu Shiki - Choumon no Isshin. Esse movimento permitia o clone ficar estático em pé em seu lugar e a verdadeira Chizuru saltar para cima de seu oponente golpeando-o de cima para baixo, onde a área de impacto seria a cabeça. E assim a ilusão desaparecia e ficava a verdadeira Chizuru contra seu oponente.
ㅤㅤㅤEla queria terminar com aquilo, não era muito bom prolongar muito mais, esperava que Iori resolvesse o seu problema e parasse a possessão, já que ela havia restringido e bloqueado os poderes das chamas por um tempo, mas o efeito iria passar e pelo visto Iori não dava conta de controlar Orochi.

ㅤㅤㅤSouthtown, Sound Beach: 2025.

ㅤㅤㅤ- Uau... Eu posso fazê apalece ota de mim tamem, mamãe? – a manina perguntou sorrindo.
ㅤㅤㅤEla estava ensaboada na banheira, shampoo no cabelo e a espuma da banheira envolta do corpo. Chizuru estava sentada no chão, no lado de fora da banheira, ela tinha uma jarrinha nas mãos e derramou água sobre a cabeça da menina, empurrado levemente ela para trás.
ㅤㅤㅤ- Para fazer isso tem que treinar muito, mas você vai escolher o que gosta, não sou eu que irei mandar você fazer o que eu gosto. Isso é só uma história, são boas para se aprender com elas, mas você deve ter sua opinião.  Que como uma criança de quatro anos será essa, querer imitar eu e seu pai, mas com o tempo você vai descobrir o que gosta, não precisa ter pressa.
ㅤㅤㅤEla terminou de enxaguar Shizune e a puxou para fora da banheira, pegando uma toalha e secando a menina. Depois de demorar a escorrer e deixar com pouca água o cabelo da menina. Entregou uma escova para pentear a ela.
ㅤㅤㅤ- Toma, estrega seu pai, pede para ele pentear você enquanto conta a parte dele da história, a mamãe vai tomar banho.






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Re: IORI YAGAMI VS CHIZURU YATA

Mensagem  Đεstroчεr ⌠ 八神 庵 ⌡ em Seg Jan 29, 2018 7:01 pm



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008 - "The Indigo Inferno of Misanthropy"


ㅤㅤSound Beach – South Town, 2025

ㅤㅤSentimos o solavanco do elevador parando e abrindo as portas, nos mostrando o caminho de um corredor com portas para os vários quartos que haviam naquele andar. Chizuru foi primeiro com a menina ainda no colo, que insistia para que a história fosse continuada. Segui depois dela. Nesse momento, pude ver minha esposa olhando na minha direção e dizendo que Shizune era teimosa igual a mim. Não disse nada, apenas sorri e abaixei a cabeça pensando o quão bom isso era. Alguma coisa essa criança teria de ter puxado de mim, já que a garotinha era quase que idêntica à Chizuru. Enquanto a menina continuava insistindo e perguntando a mãe o motivo de ainda manter o Orochi dentro de mim, selado, abri a porta do nosso quarto enquanto ouvia a Chizuru dizer que ‘foi por que quis’. Pensei em falar alguma coisa, mas fui interrompido bem antes de tentar.

ㅤㅤDeixei isso de lado. A porta foi aberta e as duas novamente foram as primeiras a entrar. A criança foi ao chão e logo saiu correndo atrás de Chizuru. Era engraçado ver aquele pedacinho de gente correndo para o banheiro atrás da mãe, com suas perninhas curtas e gritando para esperar, de um jeito bem infantil. Fazia tempo que não me divirto observando essas coisas. Sozinho na sala, acabei fechando a porta e ouvindo a voz de Chizuru lá do banheiro pedindo para resolver a questão o jantar.

ㅤㅤ── Tá! ── Respondi, num tom alto o bastante. E fui direto para o telefone que havia no quarto, discando os números da recepção do hotel, precisamente no setor de alimentos e bebidas deles.

ㅤㅤ── Boa noite. Serviço de quarto ainda está disponível? Ótimo. ── A resposta deles foi positiva. ── Quero que prepararem a maior variedade de comida japonesa.

ㅤㅤA pessoa do outro lado mencionava terem recebido outro carregamento daquele filé que eu tanto gostava.

ㅤㅤ── Não. Obrigado. Dessa vez vou acompanhar minha esposa e filha na comida Japonesa. Tragam uma variedade de sushis simples com salmão. A pequena não gosta dos que possuem ovas de peixe.

ㅤㅤSou perguntado se irei preferir aquele vinho especial que haviam no estoque deles.

ㅤㅤ── Não. Não bebo quando estou com minha filha. Vamos querer suco. Não, Maracujá será fatal para a Chizuru. Traga uma garrafa de morango e outra de laranja.

ㅤㅤEm seguida, sou informado do tempo que levaria para eles preparem tudo e trazerem até a cobertura. Coloquei o telefone no gancho e me sentei na cama. Tirei os chinelos que havia comprado na loja de roupas em frente à praia, deixando-as embaixo da cama. Depois guardei minha carteira e óculos de sol que havia comprado em cima do criado mudo ao lado de nossa cama. Cocei a cabeça enquanto pensava no banho que tomaria mais tarde quando as meninas saíssem do delas e ao mesmo tempo, penso como contaria o resultado final do meu confronto espiritual com o Orochi.

ㅤㅤFiquei alguns minutos em silêncio, concentrando-me e nem me dei conta de que estava falando sozinho...

ㅤㅤ── Faz anos que essa luta aconteceu... E por sua causa, eu quase não me lembro de nada. Ainda bem que você está preso aí e nunca mais se intrometeu na minha vida. Não sinto falta nenhuma de ouvir sua voz perturbando-me dia após dia. E espero que até o final dos meus dias, você permaneça quieto...

ㅤㅤQuando menos esperei, senti a criança subindo na cama, já tomada banho e usando um mini-roupão cor de rosa.

ㅤㅤ── Com quem tá falando, papa?

ㅤㅤNesse minuto, eu me assustei e olhei para o lado, vendo Shizune sentadinha ali e me encarando com uma expressão repleta de dúvidas.

ㅤㅤ── Ah... Nada... Eu estava pensando alto. ── Tentei me esquivar.

ㅤㅤ── Você parecia estar falando com alguém. ── E ela insistia.

ㅤㅤDei o braço a torcer. Não tinha por que esconder, afinal.

ㅤㅤ── Eu estava... apenas expressando meus sentimentos alegria por não ter mais a influência de Orochi na vida. E queria que ele, de alguma forma, ouvisse isso. Mas é provável que tenha perdido o meu tempo.

ㅤㅤ── Mama me contou a parte da histólia dela. Pediu pro papa pentea meu cabelo. Toma. ── A criança me entregou uma escova.

ㅤㅤ── E onde está sua mãe? ── Perguntei, mesmo já sabendo da resposta.

ㅤㅤ── Foi toma banho. ── Ela sorriu.

ㅤㅤ── Bom... não sei porque ela insiste em me deixar para pentear seus cabelos. Tem horas que ela diz que não faço direito. Fica quietinha. ── Comecei a pentear o cabelo dela que eram iguais os de Chizuru. Eram lisos e longos, então, tomei todo o cuidado para não enroscar os fios do cabelo da menina e acabar puxando eles com certa força, o que as vezes fazia ela chorar.

ㅤㅤ── Onde sua mãe parou na história?

ㅤㅤ── Ela atacou o Orochi deixando uma cópia pra trás.

ㅤㅤ── Ah... Tá... Acho que sei onde ela parou. Foi bem no fim de minha transformação.

ㅤㅤ── No fim?

ㅤㅤ── Sim. Esse é o momento que marca o fim do Orochi.

ㅤㅤSound Beach – South Town, 2016

ㅤㅤOrochi estava enfurecido demais. Em uma luta, total descontrole de suas emoções leva você a cometer todos os tipos de erros que puder imaginar. O corpo estava fortalecido por conta do sangue demoníaco. A velocidade foi grandemente aumentada e minha força então, nem se fala. Se eu quisesse levantar um carro usando apenas uma mão, conseguiria facilmente e sem fazer esforço algum! Mas o problema era a falta de controle... O poder de Orochi provém do ódio e do rancor. Todos os sentimentos ruins propagam a imagem do demônio que possuía seu pai.

ㅤㅤQuando Orochi arremessou o rádio vermelho na direção de Chizuru, ele não contava que ela havia armado uma armadilha contra ele. Naquela altura do campeonato, estava tão determinado em retomar o controle do meu corpo que a concentração dele foi atrapalhada por mim ao ponto dele não notar a diferença entre uma imagem falsa da Yata com a verdadeira. O que deveria ser a Chizuru ali, segurou o rádio e arremessou-o para outra direção. A cambalhota do Orochi foi rápida para se aproximar e atravessar a barriga dela com as mãos, mas, acredito eu que os olhos dele se arregalaram ao perceber que foi enganado. A mulher sumiu da vista dele. E antes que pudesse ter tempo de perceber alguma coisa, uma pancada violenta atingiu-o pela cabeça, apagando-o por completo e derrubando o corpo ao chão com certa violência.

ㅤㅤ── “Foi nocaute, papa?” ── Diz a menina, enquanto ouvia a história.

ㅤㅤ── “Quase. Mas ainda não acabou.” ── Continuei.

ㅤㅤEscuridão. Escuridão era a definição de tudo o que eu via naquele ponto.

ㅤㅤEntão, finalmente tive um vislumbre de uma luz. E antes que pudesse me guiar até ela, pude sentir alguma coisa segurando o meu pé esquerdo. Quando resolvo olhar para essa coisa, vejo a figura do Orochi Iori caída, enfraquecida, ensanguentada. Aquela visão me deu pena. Sim... Eu fiquei com pena do estado que ele estava, abatido, derrotado, humilhado.

ㅤㅤ── Teve um mau dia? ── Perguntei para ele.

ㅤㅤ── Matar... Yata.... Matar.... YATA! ── Era só isso o que ele dizia.

ㅤㅤ── Você não parece ter condições para mais nada, não? Nem mesmo sinto força nas suas mãos. ── Me desfiz do agarrão na perna e pisei com força na não da minha figura demoníaca. Tenho certeza que devo ter quebrado alguns dedos dele ali no processo.

ㅤㅤEle permaneceu estirado no chão.

ㅤㅤ── Foram muitas vezes que isso aconteceu. Eu saia do seu controle e você segurava a minha perna, onde sou obrigado a carregar você, te arrastar como um grilhão e uma bola de ferro presa em mim. Mas não dessa vez.

ㅤㅤDei as costas para ele e segui na direção da luz, mas parei por um breve momento.

ㅤㅤ── Eu ouvi quando ela disse que os seus dias estavam contados. Que você nunca mais se apossaria de meu corpo e de minha mente. Engraçado... Esperava que esse momento seria através de algum ritual xintoísta realizado por ela... mas... parece que nossos laços de afinidade estarão sendo cortados primeiro por aqui, no meu subconsciente... Não vou negar em dizer que você me ajudou muitas vezes, mas não foi por que você queria me proteger ou me salvar... Foi por egoísmo. A única razão de você ter me mantido vivo todos esses anos é por que precisava de algum corpo para se hospedar e o meu se provou o mais digno entre todos os seus subordinados, não é mesmo?

ㅤㅤ── O que você é... sem mim?

ㅤㅤ── Acho que um homem livre.

ㅤㅤ── Não há um jeito de se livrar de mim... você não pode se desfazer do pacto... ninguém pode...

ㅤㅤ── Humph... Eu vou encontrar um jeito de salvar meu clã. Mesmo que isso acabe custando minha própria existência, algum dia.

ㅤㅤ── Você não pode sair daqui sem mim... não vou permitir...

ㅤㅤ── É mesmo? Mal consegue ficar de pé e a saída está logo ali...

ㅤㅤ── Seu ingrato... miserável... humano desprezível.... Sou seu mestre... o dono da sua alma...

ㅤㅤ── Você já deveria saber... que sou orgulhoso demais para seguir ordens de alguém como você. Faça bom proveito da solidão... ela combina com o tipo de pessoa que você é.

ㅤㅤFoi nesse momento que passei a andar, deixando-o para trás pela primeira vez. Nesse momento, me recordei das tantas vezes que atravessei aquele caminho escuro com um peso sendo arrastado atrás de mim. Essa foi minha primeira caminhada livre até a luz. Até a liberdade.

ㅤㅤAbri os olhos. Atordoado. Meu corpo doía todo e não sei de onde tirei forças para ficar em pé. Levou um tempo para reorganizar a minha mente e observar meus arredores com cuidado. Foi então que percebi a Chizuru ali, perto de mim. Notei que a faixa que prendia a roupa dela havia se desfeito e sua vestimenta estava entreaberta. Ela estava ofegante, parece que a luta foi um tanto quanto arriscada e colocou-a em maus lençóis. Pude avaliar os danos que ela sofrera e pelo visto, estava tão cansada quanto eu, mas tenho dúvidas de que eu possa fazer algo coerente.

ㅤㅤ── Chizuru... você está bem? ── Foi a única coisa que pude pensar em dizer.

ㅤㅤMeus braços doem. Não consigo erguê-los direito.

ㅤㅤ── Você ainda quer lutar, não quer? ── Foi o que vi no olhar dela para mim. ── Hehehe... você me surpreende, sabia?

ㅤㅤ── “E o que a mamãe disse?” ── Perguntou a menina.

ㅤㅤ── “Calma, garota. Espere ela sair do banho para te contar.” ── Não vou simplesmente estragar a oportunidade de Chizuru contar o que ela me disse naquela hora. Acho que ela adoraria falar isso por ela mesma.

ㅤㅤMeus poderes ainda estavam selados. Não havia muito o que fazer naquele momento a não ser apelar para o mano a mano. Como sei que ela não recuaria naquele momento, a única coisa que me restava era continuar lutando com ela até que um de nós não conseguisse mais ficar em pé.

ㅤㅤ── “Você palece que vai ser o plimeilo a cair, papa.” ── Me interrompeu de novo a criança.

ㅤㅤ── “Tenha mais fé no seu pai, garota!” ── retruquei.

ㅤㅤTentei voltar à minha posição de combate e avancei para cima de Chizuru usando um método de movimentação de pernas, o Hiraki Ashi, que é um deslocamento feito com a perna da frente avançando obliquamente enquanto a de trás acompanha. Com este movimento, antes de chegar próximo de sua mãe, tento acertá-la com um “overhead” usando a mão destra fechada como uma marreta.

ㅤㅤ── “O que é um ovelead?” ── Ela estava sendo inconveniente já.

ㅤㅤ── “É um golpe que vem de cima e pega a guarda baixa, como se eu quisesse bater na cabeça da sua mãe enquanto os braços dela não estão na mesma altura do meu golpe, entendeu?” ── continuo penteando o cabelo dela. Ela nada disse.

ㅤㅤDepois do ataque de cima para baixo, jogando o braço por cima de Chizuru, penso que neste momento ela possa segurar meu braço e me contra-atacar. Foi seguido desse pensamento, dessa possibilidade dela me anular que usei o peso do meu corpo para desferir uma ombrada nela, mas não com força para empurrá-la para muito longe, pois ainda precisaria dela para ficar mais próxima de mim e ainda sim ter o alcance de atingir ela com um murro horizontal usando o braço canhoto, trazendo-o da direta para a esquerda. Se este murro a acertasse, era certeza de que Chizuru seria arremessada um pouco mais para longe de mim... mas nada indicava de que fosse ser assim. Minha força não era mais a mesma. Meu corpo não estava em sua melhor condição e doía o tempo todo, como se me alertasse que em algum momento eu iria desabar e ficar no chão até que tudo e normalizasse.

ㅤㅤ── “Esse é mais um golpe das artes marciais de bichinhos, papai?”

ㅤㅤ── “Esse é meu Stylish Move 22. Sim... é a dos bichinhos.” ── Conclui.

ㅤㅤSound Beach ── South Town, 2025.

ㅤㅤ── E foi isso.

ㅤㅤ── O Orochi não apaleceu mais?

ㅤㅤ── Não. Dessa vez, a luta seguiu sendo papai vs mamãe.

ㅤㅤ── Mas e depois... O Orochi veio a aparecer? Ele tomou a mente do papai de novo?

ㅤㅤ── Uma história de cada vez, Shizune. ── Havia terminado de pentear o cabelo dela. A menina virou-se para mim e ficou me olhando, com aquela carinha de pidona, como se quisesse tirar mais informações de mim sobre a luta. Não tinha mais nada a ser acrescentado naquele momento e ela sabia que só restava agora esperar a mãe sair do banho e se vestir para ela dar continuidade na parte seguinte.

ㅤㅤOlhei no relógio e percebi que já haviam se passado metade dos minutos que o pessoal da recepção havia me informado que levaria para o jantar estar pronto. A qualquer minuto, uma das empregadas deveria estar subindo o elevador com o nosso banquete. A garota ficou cantarolando alguma canção infantil aleatória enquanto esperava a mãe. Fiquei apenas em silencio e observando a menina.








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Re: IORI YAGAMI VS CHIZURU YATA

Mensagem  Convidado em Sex Fev 09, 2018 9:30 pm


StoryMode:Round 8 Move 2


ㅤㅤㅤSouthtown, Sound Beach: 2025.

ㅤㅤㅤChizuru entrou no banho após enrolar a filha em um roupão de criança e manda-la para o pai lhe ajeitar o cabelo. A sacerdotiza demorou-se um pouco no banho, já que havia molhado o cabelo no mar, iria lavá-lo para tirar o sal.
ㅤㅤㅤDepois de quarenta minutos no banho, Kagura foi para o quarto, ela ainda penteava e secava o cabelo, também enrolada em um roupão. Ela percebeu que a menina estava entretida com uma das canções que gostava de ouvir enquanto eu contava histórias para ela dormir. Iori estava ali, vigiando Shizune.
ㅤㅤㅤ- Pronto, terminou de penteá-la? - ela pergunta e estende a mão para ele devolver a escova para ela.
ㅤㅤㅤAo receber o objeto ela coloca no criado ao lado da cama juntamente com a qual etava usando para passar nos próprios cabelos.
ㅤㅤㅤ- Conseguiu pedir algo para nós comermos? Teve notícias da Alice? - ela perguntou indo até a mala de Shizune e pegando uma roupa para colocar na menina.
ㅤㅤㅤ- Mama, conta mais da história. - a menina pediu sentada na cama.
ㅤㅤㅤChizuru Yata pegou a filha e a colocou no chão, abaixou-se em frente a ela e tirou o roupão para colocar as pessas de roupa que havia pego, uma calcinha e uma camisola de algodão. Era preta e branca com estampa de pandas. A peça de roupa ainda tinha um capus com orelhas, simulando a cabeça de um panda.
ㅤㅤㅤ- Vou contar sim, seu pai já chegou na parte que ele conseguiu se livrar da influencia de Orochi, certo?
ㅤㅤㅤA menina sorriu e sacodiu a cabeça de forma afirmativa.

ㅤㅤㅤSouthtown, Sound Beach: 2016.

ㅤㅤㅤChizuru sabe que ambos já estão cansados, pelo menos ela tinha certeza que seu corpo já estava ficando exausto, são quarenta anos de vida já passados.  O interessante é ter conseguido novamente acertar Iori, isso da uma janela de tempo para poder recuperar o folego, mas ainda sim ela sabia da força de seu ataque e também como ele parecia ainda a merce do meu selamento de ki, não conseguia executar mais golpes com suas chamas.  Foi o que a Yata pensou e contava.
ㅤㅤㅤComo ela esperava ele não demorou muito para lhe atacar, Chizuru faz uso de uma movimentação de braços e um deslocamento para trás, o que faria ela se afastar de Iori enquanto seus braços investia contra os deles, tentando afastar de seu corpo o máximo que podia, para poder evitar se pega em seus movimentos de garra de tigre. E ela começou a falar, a muito vinha calada na luta, mas ela sabia que Iori tinha recobrado a consciência.
ㅤㅤㅤ- Eu fico me perguntando, desde o dia que você apareceu no meu trabalho, ficou de tocaia lá até eu sair, para me pedir em namoro. Você passou vinte anos, vivendo e fazendo o que bem entendeu de sua vida. O que você pensou ao aparecer e querer exatamente agora que eu fizesse parte dela? Quantos dos meus conselhos você ignorou ao longo dos anos e me tratou de forma errada, como se eu fosse mais uma frágil e rica garota? - ela tinha conseguido conter a investida dele, estava ofegante, mas ainda sim queria falar.
ㅤㅤㅤEnquanto continuaria seu discurso, Chizuru iria investir contra Iori, um pouco mais abalada pelo cansaço e sentimentos, com isso os golpes poderiam não ser tão precisos, ela estava um tanto exaltada. Sua voz num tom mais alto também demonstrava isso.
ㅤㅤㅤ- Por que agora Iori? Por que você nunca me escutou e se livrou de Orochi? O que tanto você ainda quer tirar desse demônio que encrustou-se em seu corpo como uma parasita? Por que nunca me ouviu, nunca deu se quer importância para o que eu falava em relação a ele? Olha como você está aqui, agora, seu corpo está preso nessa coisa! - ela bufava enquanto tentava investir contra ele com palavras e golpes.
ㅤㅤㅤEla investiria com um movimento de arco com a mão, tentando acertar o lado direito do rosto dele. Chizuru sempre usava as mãos abertas em seus movimentos. Isso nunca impediu de desferir uma boa bofetada em seus oponentes, contudo vários fatores ali implicava em seu sua força e velocidade. Ela fez uso de seu conhecimento sobre White Crane, estilo garça. Usou dos movimentos de batalha do animal para tentar emendar um combo de golpes com as mãos contra o corpo de Iori, empurrando ele para trás. Suas mãos iria acerta-lo, nos ombros primeiramente no direito e depois no esquerdo, após o movimento inicial de tentar acerta-lo com uma bofetada.
ㅤㅤㅤDepois as mãos iriam para a altura do abdomen querendo acerta-lo no diafragma e no estomago. Ela giraria cento e oitenta graus e esticaria a perna, caso conseguisse desequilibra-lo poderia coloca-lo novamente no chão.
ㅤㅤㅤ- Você me conhece Iori? Sabe o que fui, sou e serei? Sabe o que fiz, faço e ainda farei? Você está certo dessa grande descisão que vai tornar tudo diferente? E o mais importante de tudo! Você já se conhece o suficiente, Iori?!

ㅤㅤㅤSouthtown, Sound Beach: 2025.

ㅤㅤㅤUma batida na porta do quarto chamou atenção de Chizuru, ela sorriu para a filha e concluiu.
ㅤㅤㅤ- Seu pai teria muito o que responder a mamãe e eu fiquei muito tempo vivendo sozinha para ter ele entrando na minha vida tão facilmente, ele teria que provar que sabia o que significava tudo.
ㅤㅤㅤEla foi até a porta, sabia que seria o jantar que Iori havia pedido e também sabia que ele havia passado por ela enquanto ela tinha atenção da menina e foi para o banheiro.
ㅤㅤㅤ- Obrigada, pode deixar aqui mesmo. - ela agradeceu ao camareiro e entregou-lhe uma gorjeta.
ㅤㅤㅤO som da menina batendo na porta do banheiro e chamando pelo pai fez ela sorrir e ir busca Shizune.
ㅤㅤㅤ- Nada disso mocinha, deixa seu pai tomar banho, venha vamos encher o prato com comidas deliciosas para você jantar! - Chizuru fala ao voltar ao quarto e pegar a menina pela mão e guia-la para a sala.






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Re: IORI YAGAMI VS CHIZURU YATA

Mensagem  Đεstroчεr ⌠ 八神 庵 ⌡ em Sab Fev 10, 2018 4:51 pm



STORY MODE - ROUND 9 - MOVE 1
八神 庵 vs 神楽 ちづる
008 - "The Indigo Inferno of Misanthropy"


ㅤㅤSound Beach – South Town, 2025

ㅤㅤNão sei quantos minutos levou para a Chizuru sair do banho. Fiquei esse tempo todo olhando para a menina que cantarolava canções que gostava de ouvir quando ia dormir, uma delas parecia semelhante até com a trilha sonora de um desenho animado que ela vivia assistindo na sala. Quando terminei a parte do Orochi, sabia que a parte mais complicada da batalha se iniciaria e sabia muito bem que Chizuru ia gostar de contar essa parte para nossa filha. Foi naquele momento da luta que nós dois selamos de uma vez por todas o nosso destino juntos e era de suma importância que Chizuru fosse a pessoa a contar sobre este acontecimento.

ㅤㅤQuando minha esposa saiu do banho, secando os cabelos e vestindo um roupão, fui perguntado se havia terminado de pentear os cabelos da menina e sobre o paradeiro de Alice.

ㅤㅤ── Sim. Ela se comportou muito bem dessa vez. Não ficou mexendo a cabeça para os lados. ── Comentei sobre o tempo que levei para pentear os cabelos da menina. Devolvi a escova para minha mulher e logo fui perguntado sobre o jantar e sobre Alice.

ㅤㅤ── Fiz o pedido no momento que você começou a dar banho na menina. Acho que eles estarão batendo na nossa porta logo, logo. ── Depois, falei sobre Alice. ── Não. Mas foi bom você ter me lembrado. ── Olhei para o criado e peguei meu celular. Digitei uma mensagem para ela perguntando quando voltaria e fui respondido imediatamente com: “ Estou saindo do Dream Amusement Park. Chego em alguns minutos. ”

ㅤㅤ── Ela disse que já está voltando. ── Naquele momento, Chizuru já havia terminado de vestia Shizune com uma camisola de algodão com um capuz de panda. A menina insistiu para que a mãe contasse a parte dela.

ㅤㅤ── Eu vou tomar um banho enquanto isso. ── Levantei da cama e fui direto ao banheiro. Como não entrei no mar, apenas sentei nas areias da praia de Sound Beach, não teria por que demorar tanto no banho. Pelo menos é o que penso. Desfiz de minhas roupas de praia e entrei embaixo chuveiro mesmo, abrindo o registro de água fria no máximo e me deliciando com aquela água gelada batendo na minha cara. Sério, eu gostava de banhos frios. Elevava meus ânimos. Banho quente me dava sono.

ㅤㅤDurante o banho, fiquei pensando em como explicaria para a menina as respostas que dei para a mãe. Ela com certeza faria perguntas também sobre o modo que vivi antes de começar um relacionamento sério com a mãe e esses tipos de coisas poderiam abrir brechas para mais e mais histórias. De um certo modo, não havia razões para esquivar dessas perguntas. A intenção de nossa luta no começo não era para Chizuru provar ser capaz de derrotar o meu lado Orochi, mas sim, o que todo lutador faz para conhecer um ao outro melhor – uma luta, uma troca de murros e ponta pés. As vezes, um olhar provocador dentro de um combate expressava melhor seus sentimentos do que apenas palavras... E nessa parte, as duas coisas estavam valendo!

ㅤㅤNunca fui bom em abrir-me para os outros. Levava um tempo até me sentir confortável com isso. Fui ensinado desde sempre a ignorar sentimentos para que o foco ficasse sempre em cima de derrotar e exterminar todos os membros remanescentes do Clã Kusanagi. Ninguém sabe o quanto foi frustrante crescer com a mente sendo programada pelos meus antecessores, pelas vozes na minha cabeça, sempre repetindo: MATE KUSANAGI! MATE KUSANAGI! Isso fode com a cabeça de qualquer pessoa, ainda mais, criança.

ㅤㅤÉ por essas e outras razões que estou aliviado de ter uma filha que não herdou nenhum poder meu ou de Chizuru. Uma criança normal, pura, livre de qualquer malícia de Orochi e suas maldições. Eu diria que essa garotinha, Shizune, é o verdadeiro milagre entre as uniões do clã Yagami e Yata. Este é o meu desejo e o de Chizuru também, algo que ambos nos apoiamos mutuamente em proteger e zelar até o fim de nossas vidas!

ㅤㅤSai do banho e sequei meus cabelos ruivos também. Avisto alguns fios de cabelo branco surgindo em mim. Isso me incomodava... era um lembrete de que estou velho. Vesti o último roupão que estava disponível ali. Ouvi batidas fracas na porta, do outro lado. Era a pequena me chamando para jantar. Ouvi a voz de Chizuru logo atrás, pegando a menina provavelmente e levando-a para comer.

ㅤㅤ── Hu... Já se passou nove anos... Nove anos que respondi todas aquelas perguntas dela. E ainda sim, me lembro do quão difícil foi... ── Falei enquanto seguro a maçaneta da porta. Destranquei ela e voltei ao quarto, vendo Chizuru e Shizune sentadas juntas, jantando.

ㅤㅤObservei que a menina havia pego os sushis com salmão e usava um garfo para comer. Aquilo me fez arquear a sobrancelha esquerda.

ㅤㅤ── Você deveria comer com os hashis, menina. ── Protestei.

ㅤㅤ── Eu não sei segula direito os palitinhos, papa! ── Ela me olhou, com uma expressão triste.

ㅤㅤ── Já deveria ter aprendido. ── Sentei ao lado dela. Chizuru não parecia incomodada com o fato da menina usar garfo para comer o sushi. Já eu, ah, queria ensinar tudo o que sei fazer para a nossa mocinha. Peguei um par de hashis, os separei um do outro e mostrei para ela como se deveria segurar com as mãos.

ㅤㅤ── Você assim. Você segura o primeiro Hashi como se fosse um lápis de cor. Depois, você apoia o segundo hashi com o dedão e o apoia no dedo anelar.

ㅤㅤ── Eu não consigo pegar o peixe clu!  ── Insistiu a menina.

ㅤㅤ── Eu não terminei de explicar. Agora você usa o dedo médio para abrir o Hashi no meio. ── Quando fiz isso, ela viu as pontas do hashi se abrirem e as partes superiores se aproximarem sem se tocarem.

ㅤㅤ── E agola?

ㅤㅤ── Agora você usa o dedo indicador ── Levei o Hashi até o salmão cru que ela gostava e pegava ele. ── Fecha o hashi como se fosse uma tesourinha de madeira... ── levei o salmão até o molho shoyu e mergulhei ele de leve no mesmo. ── E agora você leva até o bocão... abre a boca. ── E trouxe ele até a boca de Shizune.

ㅤㅤA menina abriu a boca igual um jacaré e abocanhou o salmão do sushi, mastigando ele com gosto.

ㅤㅤ── Não precisa comer o hashi junto, Shizune.

ㅤㅤEla mastigou e abriu a boca de novo, esperando que eu desse mais para ela comer.

ㅤㅤ── Você é bem espertinha, não é?

ㅤㅤRepeti o processo, até que fui perguntado sobre a história.

ㅤㅤ── E a histolia, papa? ── Ela mordia outro salmão e mastigava, me olhando.

ㅤㅤEncarei Chizuru por um momento. Ela comia e sorria para mim. É, eu não tinha escapatória.

ㅤㅤ── Eu estava me preparando para essa parte ainda, mas já que insiste... ── Então, comecei o meu ponto de vista sobre a situação.

ㅤㅤSound Beach ── South Town, Ano 2016

ㅤㅤDúvidas. Era isso que eu tinha no momento. Era mesmo necessário continuarmos lutando? O olha determinado de Chizuru dizia que sim e ela não recuou em momento algum quando Orochi me dominou, aproveitando da brecha que havia ainda naquela cidade arruinada pelo recém terminado torneio.

ㅤㅤDurante a minha investida do Stylish Move 22, ela ficou na defensiva, bloqueando e desviando uma parte dos meus ataques para poder ganhar distância de mim e abrir uma possibilidade para atacar. Quando ela conseguiu, usou das suas palmas para tentar me acertar o rosto, mas pude bloquear este movimento botando o antebraço contra o dela, impedindo que chegasse a acertar o meu rosto. Ela começou a falar e não parou de forma alguma.

ㅤㅤ── Vamos falar disso aqui mesmo? ── Sei muito bem que aquela era uma pergunta retórica. Ela não quer saber de antes e depois. Senti que ela me fuzilava com o olhar o tempo inteiro...

ㅤㅤ── OK... Se é pra falar, eu vou falar... ── Me defendi da outra investida dela. A mulher parecia furiosa assim que começou a botar tudo que havia trancado na garganta.

ㅤㅤ── Eu não imaginei que pudesse chegar tão longe sendo destinado a uma vida tão curta! Você sabe que todos os homens da família morrem cedo, não? Você me provou por meio dos seus conselhos que havia uma forma de sair dessa... Veja onde estamos hoje! Foram vinte anos que se passaram...

ㅤㅤEstava sendo difícil me concentrar na defesa e nas falas. Enquanto ia sendo pressionado, fui recuando e usando os braços como meio de proteção, mas minhas forças estavam quase se esgotando.

ㅤㅤ── Você sempre esteve perto de mim quando precisava... Desde que me resgatou ao fim da batalha de Orochi e cuidou de mim naqueles três meses que fiquei em coma... ── Recuei mais dois passos. Mas sem tirar os olhos dela ou dos movimentos dela. Aquilo era uma conversa séria. Era olho no olho. ── Sempre simpatizei com você, sempre atendi aos seus pedidos de ajuda e reuniões quando havia uma questão séria a ser tratada... Mas não posso e nem poderia me desfazer da Magatama! Já gritei várias e várias vezes... Eu posso me livrar, posso reescrever toda a história sim, livrar todos os Yagami’s para sempre desse ciclo repetitivo! Mas você sabe o que isso me custaria...

ㅤㅤMais dois passos para trás.

ㅤㅤ── Não falo dos meus poderes! Não falo das Chamas do Destino! Eu falo do tesouro. Perder ele seria o mesmo que morrer, o mesmo que deixar você e Kyo sozinhos numa batalha que estamos destinados a travar por toda a eternidade! Uma batalha que nossos filhos herdarão um dia, netos, bisnetos... Embora haja outras forças capazes de prender nosso inimigo, apenas nossos artefatos possuem o poder infinito para selar eles a cada mil anos... Eu nem deveria falar dessas coisas...

ㅤㅤUm passo para trás. Travei minhas pernas. Ela me perguntava o porquê de agora?

ㅤㅤ── Este é um fardo que precisava carregar, mesmo que isso entristeça você, te faça se irritar ou me odiar, é algo que somente eu posso lidar... eu tento, tento com todas as minhas forças controla-lo e admito que não sou capaz de fazer isso sozinho! Ele sempre tirava a vantagem...

ㅤㅤEla me perguntou o porquê de nunca ter dado importância para as palavras dela. Apontava para o meu estado atual, todo dolorido, machucado da batalha feroz que travei possesso contra ela.

ㅤㅤ── Ainda acho arriscado me livrar de tudo. Pelo menos se houvesse uma forma de matar aquele demônio de uma vez por todas... Eu tomaria de bom grado a decisão de me livrar disso... Não faço por que quero, mas porque sou obrigado! Pelo seu bem, bem daquele maldito do Kusanagi e pelo bem de todos! É com isso que eu luto todos os dias... Todo dia é uma batalha diferente, seja física ou mental... Mas sinto que faltava alguma coisa para superar esse limite...

ㅤㅤEla me atacou com um movimento de arco de mão e dessa vez eu falhei miseravelmente na defesa, pois o braço doeu. Essas dores foram das inúmeras pancadas que o Orochi tentou investir com a defensiva quando ela usou o golpe de ilusão combinada ao selamento de meus poderes. Senti os espasmos dos meus músculos retardarem o movimento de defesa do meu braço e isso me empurrou para trás, me fazendo cambalear para trás. Meu rosto ficou vermelho com o tabefe recebido.

ㅤㅤNesse instante, ela veio com mais golpes. Ela não ia parar de me bater . Precisei investir contra ela e usei as forças que me restavam nos braços para segurar os pulsos dela, interceptando o ataque dela de maneira arriscada. Se conseguisse parar os golpes dela, manterei os dois braços dela, assim como os meus, erguidos para cima, aproximaria o meu rosto do dela, onde as pontas de nossos narizes encostariam uma sob a outra, poderia sentir a respiração acelerada dela naquele momento. Olhá-la-ei diretamente nos olhos e responderei as últimas perguntas feitas.

ㅤㅤ── Eu te conheço, Chizuru. Sei que carregou sozinha o peso e o luto da morte de sua irmã, sei que batalhou durante todos esses anos para conseguir trazer a paz para todos que você se importava, principalmente para mim. Sei o quão você é importante no mundo dos negócios, para as suas aprendizes de altar no templo...  E não... eu não sei o que você pretende fazer no futuro e gostaria de poder descobrir isso ao seu lado.

ㅤㅤSoltei os braços dela. E abaixei os meus.

ㅤㅤ── Quando dormimos juntos pela primeira vez, eu já havia decidido permanecer daquele jeito para sempre com você. Não é apenas uma brincadeira ou um jogo. Minha decisão é definitiva. Eu estou certo sim do que quero. Não luto mais pelo desejo dos meus ancestrais, pelo egoísmo deles ao fazerem aquele pacto. Não quero que o mesmo destino se repita para as minhas crianças e não quero que isso se torne um fardo para você também. Não me importo se vou ser considerado um fracasso perante os olhos dos que já se foram, se serei uma vergonha... eu já tomei a minha decisão. Esse sou eu de verdade.

ㅤㅤMe afastei dela com um curto salto para trás. Minhas pernas pareciam ser as únicas partes do meu corpo que não foram, de certa forma, debilitadas no combate.

ㅤㅤ── É melhor se preparar. A luta ainda não acabou, Chizuru.

ㅤㅤSeria a minha vez de investir contra ela. Meus poderes ainda estão bloqueados. Não havia manipulação de chi nenhuma acontecendo no meu corpo. Era estranho. Diferente de quando perdi as minhas chamas, era como se eu fosse uma pessoa comum, frágil, sem força alguma para realizar grandes feitos. Os poderes de minha namorada eram intensos demais e me pergunto quanto tempo mais levarei para repor minhas energias?

ㅤㅤAvancei em uma corrida contra a Chizuru. Não disse nada dessa vez, apenas olhei para ela não como uma adversária, mas como uma mulher. A lutadora que escolhi passar o resto da minha vida ao lado, mesmo que precisasse apanhar mais ou bater mais.

ㅤㅤTive que abusar do aperfeiçoamento do Ashi Sabaki para trabalhar numa sequência de combos usando somente as pernas. Uma delas eu teria que usar o braço, logo, estou reservando o pouco de forças que me resta para o que tenho em mente e poder investir contra ela de maneira que seja efetiva. Agora sei a razão de estarmos lutando. Não era apenas uma forma de medir forças, ou dela descontar todos os vinte anos de raiva que devo tê-la feito passar (embora eu acredite que tenha um pouco desse sentimento envolvido também). Ela queria que eu reconhecesse meus vacilos e principalmente conhecesse o verdadeiro lado dela e o meu. E assim seria!

ㅤㅤMinha investida começa com o Ashi Fumigae, para alguns o Ashigae que se trata de uma mudança de posicionamento dos pés sem que haja necessariamente um deslocamento entre si. Essa mudança de posicionamento acontecia no primeiro chute do meu Stylish Move 06, onde desfiro uma bica contra a canela dela usando a perna destra e rapidamente volto a usar ela como apoio, deixando que a perna canhota assumisse a postura ofensiva em uma movimentação rotacional do meu corpo sobre meu próprio eixo, tudo isso, apoiando-se na perna destra. (E torcendo para não me desequilibrar). O segundo chute era na altura do braço direito dela e o ultimo contra a face da mulher, num giro de 360º.

ㅤㅤO golpe em si teria força o suficiente para atirar Chizuru longe, mas não aposto que minhas forças restantes sejam capazes disso.

ㅤㅤ── HEEEYAAAA! ── Berrei durante a execução do último movimento.

ㅤㅤContando ou não com a investida dessa primeira sequencia, recuo num curto salto para trás, estrategicamente pegando uma pequena distância entre eu e ela para atacar com outro golpe. Mantendo novamente o apoio na perna destra, trago um chute em um movimento de 180º com a perna canhota, visando golpear as costas do pé contra Chizuru. Após o movimento, piso com força ao chão desloco-me para frente, arrastando a perna de trás em seguida e movendo meu corpo de modo que meu braço respondesse e golpeasse ela com um murro na altura do queixo e a tirasse do chão. Senti meu braço doer ao fazer isso. Mas insisti. E por último, se esse gancho funcionasse, eu impulsionaria meu corpo para efetuar um chute alto com a perna esquerda, usando o máximo de força possível para não só arremessar ela para trás, mas para aumentar também a altura do lançamento que seria se o corpo dela fosse acertado em cheio pela sola do meu sapato, movimento este seguido de um curto salto para frente enquanto executo o movimento da perna até o limite do meu corpo. Esse foi o Stylish Move 25.

ㅤㅤ── HOOOOOOOOOOAH! ── Outro berro, este somente do último chute.

ㅤㅤFeito a investida, aterrisso ao chão, sentindo o peso do corpo apenas piorar.

ㅤㅤ── Eu sei que não acabou... Sei que está pensando em me atacar mais... em jogar mais verdades na minha cara... Reconheço que fui idiota na maioria das vezes... que permiti ser manipulado pelos desejos profanos desta criatura dentro de mim... Mas vou mudar isso... ── Dei uma pequena pausa. ── Ouvi você dizer, minutos atrás, que seria a última vez que ele possuiria seu namorado. Hahah.... Foram essas palavras que me deram forças para sair da prisão mental que me encontrava. Foram essas palavras que me motivaram a caminhar para fora da escuridão sem o peso do Orochi atrelado ao meu corpo.

ㅤㅤAlisei o local onde tomei o tapa.

ㅤㅤ── Estou esperando Chizuru. No próximo golpe, vamos decidir quem vencerá este combate! ── Exclamei.

ㅤㅤSound Beach ── South Town, Ano 2025

ㅤㅤ── A luta está quase acabando, Shizune. ── A garota mastigava um pedaço do sushi que havia dado para ela comer.

ㅤㅤEla mastigou e engoliu, depois pegou o copo com suco de morango e bebeu ele com cuidado, ficando com a boca sujinha de suco. Peguei um guardanapo e limpei a boca dela.

ㅤㅤ── E agola? O que a mamãe fez? Ela te bateu mais, papai?

ㅤㅤ── Eu não sei. Acho que só ela pode responder isso. Huhuh.

ㅤㅤA menina virou-se para o lado da mãe, sorrindo.

ㅤㅤ── Como você reagiu, mamãe? O que respondeu pro papai?

ㅤㅤFiquei apenas observando. Como as atenções estariam voltadas para as palavras de Chizuru, acabei por servir um pouco do Sushi em um prato para mim e comer um pouco, até o momento que chegasse a minha vez de falar.








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Đεstroчεr ⌠ 八神 庵 ⌡
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Re: IORI YAGAMI VS CHIZURU YATA

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