2nd South
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ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】VS Sєτsuŋα Yαgαмi

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ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】VS Sєτsuŋα Yαgαмi

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 em Sab Out 06, 2018 11:31 am


ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 vs Sєτsuŋα Yαgαмi


Cenário:

★ Sarah Forest ★
Juiz: 【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr
Regra do Combate: Classic Rules, Turbo.
5 Rounds e 1 defensivo com 7 dias de prazo para postagem.
PAINWHEEL inicia o combate!
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ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】
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Re: ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】VS Sєτsuŋα Yαgαмi

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 em Qua Out 10, 2018 1:11 am


AVISOS:

ㅤㅤㅤ- A MOVELIST da personagem PAINWHEEL é a ASSINATURA que fica ABAIXO da postagem. A imagem com os dizeres "She was a plain girl" irá redirecioná-los ao PDF contendo TODAS as informações atualizadas da personagem, dentro do universo Skullgirls, Skullgirls 2nd Encore e Skullgirls Mobile.

ㅤㅤㅤ- Algumas imagens estarão ocultas por links dentro do texto. Uma cor será utilizada para destacá-la e dará acesso a informação adicional, seja um personagem citado ou a um determinado evento recorrente ao passado da personagem PAINWHEEL.

ㅤㅤㅤ- O prólogo e luta se trata de um combinado feito entre ambos os lutadores. O enredo tem ligação direta nesse combinado.

ㅤㅤㅤ- A história da personagem Painwheel se passa na linha temporal que ela vence a Skullgirl e demais acontecimentos fakes são uma adaptação. Nem tudo faz parte da 'lore' oficial do game.

ㅤㅤㅤ- Músicas serão postadas em determinados momentos da luta para maior imersão e divertimento ao texto.

ㅤㅤㅤ- Prólogo será postado hoje, 10/10/2018, na parte da manhã.
ㅤㅤㅤ- CADASTRO: 014 - THE MADNESS
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ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】
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Re: ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】VS Sєτsuŋα Yαgαмi

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 em Qua Out 10, 2018 12:21 pm


PRÓLOGO: Menininhas e Monstros Assustadores! O Retorno da ASG PAINWHEEL!

ㅤㅤㅤ“O passado é como o tempo, aproveite o sol de hoje sem pensar na tempestade de ontem.”

ㅤㅤㅤMinha mãe biológica me disse isso tantas vezes que cheguei a perder as contas. De algum modo, ela tentava me ensinar maneiras de poder viver minha vida ao máximo sem me importar com as coisas ruins que aconteciam na cidade de Nova Meridian. Tentei ao meu máximo ter uma vida comum, como toda garota da minha idade. Ir para a escola, fazer amigos e amigas, trabalhos em grupos, grupos de estudos, brincar, se divertir ao máximo..., mas nem tudo é como imaginamos, melhor dizendo, esperamos ser.


ㅤㅤㅤToda noite, quando deito minha cabeça em um travesseiro, sinto medo de fechar os olhos. Você me pergunta o motivo? Eu te respondo! Medo de tudo o que estou vivendo agora ser uma ilusão. Ser apenas um sonho criado pelo meu subconsciente ainda preso no controle mental do chefe psíquico do Laboratório Zero. Um dos responsáveis por arruinar a minha vida... Brain Drain. Já lidei com meus demônios em um evento passado, mas é difícil abandonar os traumas vividos naquele inferno.

ㅤㅤㅤUm certo alguém me disse uma vez que sou tensa quando estou dormindo. Segundo ela, eu aparento estar sempre pronta para atacar. É como se não estivesse de fato dormindo, com respirações altas e aceleradas, o cenho franzido, aparentando estar tendo um sonho ruim. Essa pessoa está certa sobre isso. Nem todas as minhas noites de sono são reconfortantes. A maioria delas acaba comigo revivendo fragmentos perdidos das minhas piores lembranças. E essa aqui que vou lhes contar é uma das mais aterrorizantes de todas: Uma mesa de cirurgia.


ㅤㅤㅤ“DIGA-ME... ONDE É QUE DÓI?”

ㅤㅤㅤUma luz forte acendeu na minha cara.

ㅤㅤㅤE eu a vi. Uma enfermeira de cabelos azuis claros, um tapa olho e uma máscara cirúrgica. O único olho dela me encara. Minha alma gela ao notar. Não sei explicar a razão, mas toda vez que lembro dela me olhando assim, vendo aquela cruz vermelha dentro de suas íris... o que era aquilo? Por que ela tinha aquilo?

ㅤㅤㅤEssa era Valerie. Ou como muitos a conheciam pelo apelido de Valentine. O nome dela era uma abreviação ao dia dos namorados. E ela era integrante de um grupo chamado: O Esquadrão da Última Esperança. Eram cinco mulheres enfermeiras com habilidades ninjas. Sim. Enfermeiras ninjas! Já pensou? Isso existiu. Cada uma tinha um nome que lembrava alguma data festiva. A maior de todas era a Easter, uma mulher gorda e muito forte, que possuía o habito de carregar muitos sacos de corpos para embrulhar suas vítimas. O seu nome verdadeiro era Esther e "Easter" era aquela que representaria a Páscoa. A menor de todas era uma garotinha loira de roupas cor de rosa, com dois chifres em sua cabeça. Não sei se ela era humana, talvez meio humana e meio gilgan... Ela se chamava Patty. E representava o dia de São Patrício. A mais sinistra de todas se chamava Holly e era uma mulher extremamente pálida, com um jaleco escuro. Ela destacava seu visual pelas imensas seringas que usava em cada um dos dedos de cada mão. Seu visual gótico e sombrio casavam perfeitamente com o nome qual lhe fora designado. "Hallow". A que representava o Halloween. E por último, a líder daquele esquadrão. Uma mulher ruiva e com um forte senso de liderança e de justiça. A única capaz de unir cada uma dessas outras enfermeiras e obriga-las a trabalhar como uma verdadeira equipe. Christine era seu nome verdadeiro e "Christmas" era seu codinome. Ela representava o Natal. Valentine era a segunda no comando desse esquadrão e até onde me recordo, ela era uma das mais fortes e das mais habilidosas ali para executar a maioria das tarefas que lhes eram impostas. Só que todas elas vieram a morrer quando a Skullgirl atacou. Somente a minha raptora sobreviveu... e fez o que fora ordenada para fazer comigo, seguindo os conselhos daquele estranho ser...

ㅤㅤㅤTenho muito medo de pensar nesse sonho. Lembrar de cada um dos detalhes me fazia doer a cabeça. Acordada eu não conseguia pensar direito nessas coisas, mas dormindo era pior. Os sonhos são tão vividos que pareciam uma representação fiel de tudo o que me aconteceu. Por vezes, tive ângulos de visualização diferentes. Uma hora era em primeira pessoa, sentindo as amarras em meus pulsos, me prendendo naquela cama de operações. Outras vezes, como uma espectadora, vendo-me de outro ponto de vista, o que era pior ainda.

ㅤㅤㅤUma música começava a tocar. Era Ópera clássica. O seu volume vai aumentando gradativamente. E o meu desespero naquele momento também. Sei que estou sedada. Que não estou no meu cem por cento ali. Mas posso ver claramente o que acontece no meu redor. A mulher ao lado parecia preparar uma bolsa de sangue para iniciar uma transfusão em mim. E o homem que ali estava o tempo todo, saiu da escuridão e veio diretamente ao meu encontro. Ele não era como outro qualquer. Sua aparência era muito estranha... ele não era humano. Era um ciborgue. A única coisa que me fazia reparar nele naquele momento eram suas mãos com pontas afiadas de seringas e sua cabeça... que havia um grande cérebro visível dentro de uma cúpula de vidro, além dos olhos vermelhos e brilhantes.

ㅤㅤㅤ“INICIANDO O EXPERIMENTO!”

ㅤㅤㅤEu tentei me soltar dali. Não consegui.

ㅤㅤㅤ“COMECE INJETANDO O SANGUE EXPERIMENTAL DE SKULLGIRL NELA.”

ㅤㅤㅤSkullgirl. Lembro que quando ouvi esse nome, fiquei apavorada.

ㅤㅤㅤ“SIM, DOUTOR.”

ㅤㅤㅤSenti uma agulha afundando em meu braço, atingindo uma das minhas veias. A transfusão começou. Eu não pude fazer nada. Não ali, não naquele instante. O que me apavora tanto nessa lembrança? Foi a maneira como meu corpo reagiu a essa transfusão. O meu sangue humano foi totalmente corrompido por esse sangue maldito. E ele não só necrosou meu corpo por um instante, como também fez as veias do meu corpo brilharem em tons roxeados por todo ele. Mas isso não foi o pior de tudo. O sangue da Skullgirl não só me transformou em um monstro, como me tornou mais forte, mais resistente, mais rápida... mas dentro de um procedimento bem doloroso. Meus olhos mudaram de cor. Eles ficaram brilhando em vermelho. E depois? Eu vomitei sangue. O sangue que era meu foi praticamente todo expulso do meu corpo pela minha boca. Comecei a me contorcer toda, de formas bem dolorosas e desumanas. Meus ossos se quebraram, minha coluna estourou, minha voz ecoou por todos os corredores daquele laboratório, competindo com a Ópera que tocava em bom som ali dentro. Foram gritos horrendos de dor, de sofrimento, elevando meus batimentos a mais de 400 por segundo. Acho que eu morri naquele dia. Acho que todos os meus sinais vitais cessaram por um breve momento. E quando as máquinas ligadas a mim começaram a apitar, registrando um pequeno sinal de vida, eu retornei como outra pessoa.

ㅤㅤㅤA Painwheel.

ㅤㅤㅤ“SEM SINAIS DE REJEIÇÃO, DOUTOR.”

ㅤㅤㅤ“EXCELENTE.”

ㅤㅤㅤ“O SANGUE DA SKULLGIRL PARECE ESTAR ASSIMILANDO BEM.”

ㅤㅤㅤ“O CORPO DELA ESTÁ REGENERANDO RÁPIDO. ISSO É BOM.”

ㅤㅤㅤ“PROSSEGUIMOS COM GAE BOLGA?”

ㅤㅤㅤ“SIM. AS CHANCES DE SOBREVIVÊNCIA DELA AUMENTARAM.”

ㅤㅤㅤ“TEMOS QUE TOMAR CUIDADO COM A CORRUPÇÃO DE ALMA, DOUTOR.”

ㅤㅤㅤ“O SANGUE IMPEDIRÁ QUE AMBAS AS PARASITAS CORROMPAM A UNIDADE.”

ㅤㅤㅤ“TORÇO PARA QUE ESTEJA CERTO DISSO, DOUTOR.”

ㅤㅤㅤAcordei.

ㅤㅤㅤAntes era comum um despertar mais agressivo meu. Gritando ou chorando, mas dessa vez, tudo o que fiz foi abrir os olhos. Estou olhando para o teto de um quarto, quando aos poucos, minha memória vai voltando lentamente.


ㅤㅤㅤ—— Hmmm... me pergunto que horas são? —— Falei comigo mesma, ainda cansada pelo meu despertar.

ㅤㅤㅤVirei a cabeça para o lado direito, onde localizava-se um pequeno criado mudo ao lado da cama. Há um relógio digital ali e eram exatamente 6:27 da manhã.

ㅤㅤㅤ—— Hm... é bem cedo.

ㅤㅤㅤFechei os olhos outra vez enquanto suspirava. Aquele sonho mais uma vez me incomodava, ando tendo-o com muita frequência nesses últimos dias, porém, é como se eu fosse me acostumando a vê-lo ou revivê-lo toda noite. Queria encontrar uma resposta para isso, ou talvez uma solução. O máximo que posso fazer é não enlouquecer por causa deles... e o melhor de tudo é que tenho todo o apoio do mundo ao meu lado.

ㅤㅤㅤQuando abri os olhos novamente, virei a cabeça para a esquerda, o outro lado da cama. Ela estava ali. Filia dormia tranquilamente como se fosse um anjo. Faz algum tempo que estamos assim, desde o dia que nossa relação de amigas mudou para sempre. Alguns podem achar estranho, mas sinto-me mais viva desde que passamos a ficar juntas como um casal. Para os que não entenderam ainda, somos namoradas. E estou passando a noite no apartamento que consegui para ela, depois de muita persuasão e insistência para cima da minha mamãe.

ㅤㅤㅤA noite anterior foi uma das melhores de nossas vidas, mas não entrarei em detalhes. Fiquei por algum tempo encarando-a dormir, sorrindo, pensando nas coisas que ela deveria estar sonhando. Não estou com inveja pelo fato dela conseguir ter noites de descanso melhores do que as minhas, no entanto, estou feliz por ela ainda não ter me pego em nenhum dos meus momentos de crise emocional. E foi pensando nisso que resolvi levantar para dar uma volta, tomando o extremo de cuidado possível para não a acordar.

ㅤㅤㅤEspantei a preguiça ali mesmo, bocejando e me esticando. Quando olhei para ela mais uma vez, não pude conter o meu sorriso. Me aproximei para dar um beijinho na testa dela, sussurrando bem baixinho.

ㅤㅤㅤ—— “Eu volto já.”

ㅤㅤㅤE sai do quarto.

ㅤㅤㅤEnquanto vou andando para a sala, vejo pela janela os primeiros indícios dos raios de sol atravessando-a, anunciando de vez o fim do crepúsculo. Depois de fazer uma breve observação, eu caminhei pela sala, abri a porta de vidro que dava para a sacada do apartamento e fiquei escorada na beirada, olhando para a cidade lá embaixo e para a linda vista que havia na minha frente. A paisagem era deslumbrante. Os céus estavam em um verdadeiro misto de cores naquela manhã, desde amarelo, azul, vermelho, até branco. Sempre gostei de momentos assim. Tenho lembranças nostálgicas dos tempos que era criança, que caminhava pelas areias da praia ao pôr-do-sol ao lado dos meus pais. Me sinto em paz novamente, como se meu espírito se livrasse de todos os sentimentos e pensamentos ruins. E foi nessa hora que fechei meus olhos e comecei a pensar na minha vida, a vida de hoje. E durante esse momento de reflexão, imagens começaram a aparecer na minha mente... Uma voz também.

ㅤㅤㅤ—— “Você sabe que nunca estará livre de mim.”

ㅤㅤㅤFranzi o cenho.

ㅤㅤㅤ—— Eu não pretendo me livrar de você. Somos os dois lados de uma mesma moeda. Nós trabalhamos juntas. —— Respondi a voz que ecoa na minha mente.

ㅤㅤㅤEssa voz era a Painwheel.

ㅤㅤㅤDepois que me livrei dos tormentos do Laboratório Zero, eu descobri que minha identidade monstruosa vive dentro de mim. Ou seja, eu consigo intercalar entre duas personalidades ao mesmo tempo. Como posso explicar isso? Eu não sei. Realmente. Não sei se é uma sequela dos experimentos doentios que passei, mas agora sou obrigada a viver com esses dois lados. Para proteger aqueles quem amo. Para enfrentar aqueles que desejam o meu mal e principalmente... para sobreviver.

ㅤㅤㅤ—— “Sim. Somos uma excelente equipe! Apenas aproveite sua “antiga” nova vida enquanto você pode. Porque quando o desespero te empurrar para as beiradas da sanidade mais uma vez – o que irá acontecer – eu estarei lá, esperando por você.”

ㅤㅤㅤNesse momento, toda a imagem bonita da vista da cidade desapareceu. E eu estou dentro do meu subconsciente, em um mundo completamente distorcido e tudo alterado. Esse lugar que me encontro agora era uma versão sombria do lugar onde vivi antes de vir para 2nd. Ali é Maplecrest, um vale que localiza-se aos arredores da grande cidade de Nova Meridian. Essa lembrança sombria do lugar que costumava me fazer sentir em paz, sempre rodeada de muitas árvores e lindas flores, era chamada pela minha outra identidade de Nightmare Crest. As pessoas que viviam aos arredores daquele belo lugar, agora, são apenas sombras negras com olhos brancos e brilhantes. Eu estou de frente para uma das árvores que tem no local, olhando para cima, avistando o meu outro eu ali, sentada em um galho de árvore, usando os trajes de Painwheel.

ㅤㅤㅤEla continuou falando.

ㅤㅤㅤ—— “Eu sou a única que lutou do seu lado quando todos a abandonaram!”

ㅤㅤㅤ—— “Eu sou a espinha dorsal inquebrável do seu espírito; o último bastião esfarrapado que fica entre a sua mente e o completo e total desespero.”

ㅤㅤㅤ—— “Eu sou a última centelha de luz que brilha no vazio gelado do seu coração quando todos os outros se apagaram, e minha cor é o vermelho-sangue!”

ㅤㅤㅤ—— “Lembre-se de mim, Carol. Meu nome é PAINWHEEL e meu rosto é uma máscara de raiva e morte!”

ㅤㅤㅤ—— “Lembre-se de mim e da dívida que você me deve... para si mesma.”

ㅤㅤㅤPreferi deixa-la terminar o seu discurso. Não sou de ficar interrompendo os outros, principalmente quando estou de bom humor. O que ela me disse ali, eu já havia ouvido tantas outras vezes. Já fiquei na dúvida se estava mesmo louca por continuar sendo aquilo que eles queriam que eu fosse. Ainda visto a máscara de raiva e morte que ela menciona. Ainda visto os trajes maltrapilhos que me puseram quando me libertaram pela primeira vez do laboratório, os grilhões, a presilha de caveira e os pares de pregos fincados nos meus ombros, nuca e cintura. Ainda carrego as parasitas sintéticas, Gae Bolga que vive e corre dentro da minha corrente sanguínea, fundido ao sangue corrosivo da Skullgirl. E Buer Driver, a imensa estrela ninja presa por um cabo de ossos e fibras que se instala na minha coluna vertebral e completa meu visual de monstro-helicóptero-raivoso. Eu assumi a identidade de Painwheel de uma vez por todas quando ingressei nessa nova vida, com essa nova família de lutadores. Lutar nunca foi um desejo meu antes, mas agora eu não posso mais fugir dessa responsabilidade. E é por isso que eu tenho de carregar essa cruz até o fim dos meus dias. É por isso que tolero essa minha dualidade.

ㅤㅤㅤOlhando para ela, ali de baixo, entreguei-lhe um sorriso confiante e disse bem determinada.

ㅤㅤㅤ—— Por mais incômodo que você seja, eu sou eternamente grata a você, Painwheel. Mesmo você sendo um monstro, é o monstro que esteve sempre ao meu lado nos momentos mais difíceis. Aquela que me deu forças para dizer não para os que tentavam me controlar, que me incentivou a seguir em frente quando tudo parecia ter se perdido. Se não fosse por você, talvez eu não estivesse mais aqui para ter essa conversa, talvez, nós duas tivéssemos deixado de existir há muito tempo... Você é a coragem que eu precisava para enfrentar o impossível. Tudo o que eu tenho a dizer é: Obrigada!

ㅤㅤㅤPainwheel ficou em silêncio após me ouvir. E depois de algum tempo, ela saltou do galho de árvore, descendo na minha frente. Ficamos uma encarando a outra. E posso afirmar isso pelo brilho vermelho que sai pelos olhos da máscara.

ㅤㅤㅤ—— Eu só quero te pedir uma coisa. —— Falei.

ㅤㅤㅤ—— “O que é?”

ㅤㅤㅤ—— Quando unirmos nossas forças nos combates, eu quero estar no controle de todas as decisões. Eu sou contra matar pessoas... só acho válido matar aqueles que não possuem mais volta... como a Skullgirl e outros monstros perigosos... mas pessoas comuns, pessoas que tem a chance de mudarem de vida... eu não quero que você saia do meu controle. Podemos fazer assim?

ㅤㅤㅤ—— “...” —— Ela não pareceu gostar muito da ideia. —— “Eu concordo.” —— Eu me surpreendi.

ㅤㅤㅤ—— Mesmo? Não me parece muito empolgada. —— Cruzei os braços, olhando-a com um pouco mais de curiosidade.

ㅤㅤㅤ—— “Você é a dona deste corpo. E para funcionarmos bem em conjunto, eu preciso estar de acordo com suas vontades.”

ㅤㅤㅤOuvir isso me deixou feliz. E também um pouco mais tranquila.

ㅤㅤㅤQuando me transformo em Painwheel nos combates, eu deixo de lado o meu jeito de menininha. Meu corpo ganha massa muscular e se define todo, minha voz deixa de ser dócil e assume um tom mais gutural, mais monstruoso e meu comportamento muda completamente para um que case perfeitamente com a de uma besta demoníaca descontrolada! E agora que estamos uma de acordo com a outra, eu sinto que posso finalmente ter as duas coisas na minha vida. Ser tanto uma pessoa comum quanto ser o monstro que o mundo precise. Como dizia o meu pai em algumas de suas passagens: “Ser o bem e o mal necessário.”

ㅤㅤㅤ—— Eu prometo que as coisas serão melhores de agora em diante, Painwheel. —— Eu estava prestes a voltar à minha realidade... quando pensei em algo para perguntar. —— Escuta, você sabe como eu poderia ter... menos pesadelos e mais sonhos bons?

ㅤㅤㅤA resposta da outra veio de imediato.

ㅤㅤㅤ—— “Seja menos molenga! Não encare as noites de sono como se tivesse um bicho-papão embaixo da sua cama! Só deita e dorme.”

ㅤㅤㅤGrossa.

ㅤㅤㅤ—— Certo... eu vou tentar ser menos “molenga”. Mas você sabe que eu não consigo me esquivar desses problemas... do meu passado...

ㅤㅤㅤ—— “Uma hora você vai ter de seguir em frente. Só museu que vive de passado!”

ㅤㅤㅤ—— Hm...

ㅤㅤㅤMais um tempo em silêncio e ouço uma voz familiar. Alguém estava me chamando, de volta para a realidade. Abri os olhos e estava olhando novamente para o nascer do sol e a cidade que já começou a se movimentar ali embaixo. Senti meu corpo ser abraçado por trás, braços finos e um pouco maiores do que os meus, me envolvendo de forma tão carinhosa num abraço. Sinto o corpo dela bem próximo ao meu, sua respiração quente pelo meu pescoço. Me arrepiei toda, além do rosto corar ao ponto de ficar parecida com um pimentão.

ㅤㅤㅤ—— Ahh... Fi-Filia! Você acordou!

ㅤㅤㅤ—— Uhum... Carol, porque você acordou tão cedo? Senti sua falta na cama...

ㅤㅤㅤEnquanto penso numa resposta para minha namorada, ouvi pela última vez os sussurros de Painwheel na minha mente.

ㅤㅤㅤ—— “Aproveite sua vida o máximo que puder, Carol. Na próxima vez que precisar de mim... você estará lutando por mais do que apenas a liberdade de viver sua própria vida.”

ㅤㅤㅤE o monstro dorme.

ㅤㅤㅤ—— Carol? —— Ela insistiu.

ㅤㅤㅤ—— Desculpe. Tive mais um pesadelo e precisei levantar um pouco... organizar meus pensamentos...

ㅤㅤㅤ—— Lab Zero?

ㅤㅤㅤ—— Sim. Brain Drain e Valentine, no dia que começaram os experimentos em mim...

ㅤㅤㅤ—— Eu lamento... —— Filia sentiu-se culpada por eu ter lembrado disso. Não gosto de vê-la assim.

ㅤㅤㅤ—— Hey, ânimo. Você não teve nada a ver com isso. Já te expliquei! Além do mais... eu senti a sua falta aqui. —— Respondi, um tanto que sem jeito. Consegui recuperar o sorriso dela e juntas observamos o amanhecer.

ㅤㅤㅤ—— Não sabia que essa cidade tinha um lindo amanhecer.

ㅤㅤㅤ—— Nem eu.

ㅤㅤㅤ—— Não quer mesmo falar dos seus sonhos?

ㅤㅤㅤ—— Eu prefiro curtir o momento juntas.

ㅤㅤㅤ—— Eu te entendo. Você ainda tem medo de que eles possam voltar, não é?

ㅤㅤㅤ—— Quem não teria? Cada cicatriz do meu corpo é um fragmento da dor e sofrimento que passei nas mãos deles. Mas os sonhos, os sonhos são piores.

ㅤㅤㅤ—— Há algo que eu possa fazer por você?

ㅤㅤㅤ—— Talvez eu precise ser menos medrosa e parar de ficar pensando nas coisas ruins. Acho que eu vou voltar ao meu antigo hobby. Você poderia me ajudar.

ㅤㅤㅤ—— Jardinagem?

ㅤㅤㅤ—— Sim. É divertido! Você já me ajudou algumas vezes.

ㅤㅤㅤFilia não se lembraria disso. Na verdade, ela não se lembrava de nada do que aconteceu depois que Samson, o parasita simbionte se fundir com a cabeça dela. Ela sofre de amnésia e, bem, ela viveu alguns maus bocados em Nova Meridian também, quando a Skullgirl Bloody Marie começou a destruir todos os membros da família dos Medici... Filia é a neta de Lorenzo Medici, que até então, não sabemos se ainda vive ou se já foi dessa para a melhor. E por falar em Samson, ele se tornou os cabelos de Filia agora. Na nuca da minha namorada existe uma segunda boca, revestida por dentes pontudos e brilhantes, além dela ter um par de olhos dourados e amarelos acima de sua cabeça. Samson dormia naquele momento e é por isso que ainda não teve comentários desnecessários dele sobre os nossos momentos juntas. Ele era conhecido por ser um Theon, ou uma espécie de demônio parasita que precisa de um hospedeiro para poder sobreviver e dar grandes poderes à quem se unem. É igual o meu caso com Gae Bolga e Buer Driver, com a diferença dos meus serem sintéticos e poderem serem removidos de mim se eu quiser. Já o caso de Filia... Eu vou ter de me contentar com ter uma espécie de velho rabugento vivendo na cabeça dela.

ㅤㅤㅤEla me olhou curiosa com a minha resposta.

ㅤㅤㅤ—— Eu gostava de te ajudar?

ㅤㅤㅤEu não poderia mentir. Ela não gosta de mentiras.

ㅤㅤㅤ—— Você achava tedioso demais! —— Eu dei risada.

ㅤㅤㅤ—— É mesmo? Você não ficava chateada?

ㅤㅤㅤEla pareceu se preocupar um pouco com minha revelação. Era engraçado ver como certas coisas do passado dela ainda a impressionam.

ㅤㅤㅤ—— Eu não ligava muito. O importante é que você se empenhava em me ajudar, mesmo achando nada daquilo divertido. Eu vou aproveitar o jardim da casa da mamãe e montar um lindo quintal de flores. Ele não é tão grande quanto o de Orchid Bay, mas acho que posso fazer algo bem bonito lá.

ㅤㅤㅤ—— Já pensou em trabalhar com isso, Carol?

ㅤㅤㅤ—— Sim. Mamãe já fez a mesma pergunta uma vez, mas ainda não estou certa se é isso que quero para a minha vida. Estou em dúvidas sobre ser ou não ser veterinária.

ㅤㅤㅤAlém de jardinagem, flores, caminhadas pela praia ao pôr-do-sol, eu também gosto de cachorrinhos. Sempre fui uma garota normal com uma vida e gostos normais. E ainda mantive estes gostos e costumes passados depois que me transformei em uma unidade de infiltração e combate Anti-Skullgirl. E aí que entra o meu outro problema... viver em uma família de lutadores, principalmente a família Yagami, não me dava tempo e nem espaço para pensar em uma profissão ou uma vida mais calma. Agora que o mundo sabe com quem vivo, nem sempre estarei livre de todo o mal do mundo. Filia sabe muito bem disso e está do meu lado, independente do que venha a acontecer, mas eu não posso fraquejar. Eu não posso ficar para trás. Com os treinamentos que tive no dojo do meu pai, inicialmente acompanhada de Yuriko e Alice, aprendi a controlar melhor meus parasitas e utilizar a força máxima dos meus poderes e força sobre-humana provinda do sangue maldito que corre por mim. E como vim passando esse tempo todo ao lado deles, treinando, lutando, aperfeiçoando minhas habilidades e técnicas, era claro que em algum momento eu fosse ser descoberta e os inimigos do meu pai fossem se tornar meus inimigos também. Minha última grande aventura foi em um castelo mágico que se instalou misteriosamente por toda a Sarah Forest e tudo o que vivi ali me serviu como um aprendizado de que, embora eu queira uma vida comum como antes, eu não posso deixar de lado meus treinos e meus aperfeiçoamentos. E acredito que esse medo todo tem alguma coisa relacionada a isso, talvez eu esteja preocupada com a possibilidade de um dia sair do meu controle por causa da Painwheel.

ㅤㅤㅤ—— Psiu... uma moeda pelos seus pensamentos? —— Filia me chamou de novo.

ㅤㅤㅤ—— Oh... Droga. Estou muito aérea hoje.

ㅤㅤㅤEu não tive resposta. Bem. Não do jeito que eu estava esperando. Filia me beijou, me pegou desprevenida. E isso acabou me ajudando a esquecer de todos os meus problemas e preocupações. Retribuí o carinho dela da mesma forma e quando nossos lábios se separaram, ficamos alguns minutos em silêncio até ela dizer que me amava. Acho que não tem forma melhor de começar o dia, certo?

ㅤㅤㅤ—— Eu te amo, Carol!

ㅤㅤㅤ—— Também te amo, Filia!

ㅤㅤㅤEla me soltou do abraço e segurou minha mão, me puxando para dentro do apartamento.

ㅤㅤㅤ—— Vamos! Ainda está cedo! Temos algumas horas antes de eu ir pro trabalho!

ㅤㅤㅤ—— Ok... vamos dormir mais um pouco!

ㅤㅤㅤE assim fomos para dentro.


ㅤㅤㅤAs dez da manhã, retornei para casa carregando minha case de violoncelo.  Enquanto eu andava pelas ruas, vestindo minha roupinha de colegial, é comum que os habitantes de Second direcionam seus olhares para mim. Sei que é por causa do meu rosto, por causa das veias brilhantes que passam pelo meus braços e pernas, ou então é por causa daquele instrumento musical imenso que carrego como se não fosse nada demais. Na realidade... eu não tenho o Violoncelo ali dentro. É o que eu encontrei de melhor para poder carregar minhas lâminas Buer Driver de um lado para o outro, sem estarem equipadas na minha coluna vertebral. E aquilo ali pesava mais de 100 quilos! Papai disse uma vez que era uma boa eu carregar a case nas minhas costas, pra me acostumar a carregar pesos maiores. Ele disse: “Vai que você precisa carregar a Candy Cane algum dia?” Não sei porque ele a usou de exemplo. Será que é por ela ser uma das minhas irmãs mais turbinadas?

ㅤㅤㅤ O trajeto inteiro de volta para casa foi tranquilo, não precisei pegar um ônibus e as ruas não estava tão movimentadas naquele dia, no entanto, em casa eu já tinha as boas-vindas me esperando de prontidão na frente da porta que dava acesso ao hall de entrada. E ver ela ali, já me gelou a barriga.

ㅤㅤㅤ—— CAROL YAGAMI! —— E nem tive tempo de entrar.

ㅤㅤㅤ—— Ah... Mamãe... —— É hoje que vou ficar com a orelha vermelha de tanto ouvir.

ㅤㅤㅤ—— Que história é essa de dizer que ia voltar as 22 horas e depois mandar uma mensagem de texto dizendo que ia passar a noite fora? —— E ela ficou parada, na minha frente, com os braços cruzados, olhos semicerrados, com uma cara de brava e preocupada ao mesmo tempo.

ㅤㅤㅤMamãe Dean era assim. Ela sempre se preocupa conosco, os bebês dela quando saímos para fazer alguma coisa. Quando revelei para ela o meu interesse por Filia, a primeira coisa que ela me disse, após um espanto com minha preferência, foi: “VOU FICAR SEM NETOS?” Me disseram que os pais costumavam dar suporte a esses tipo de coisas, não fazer questionamentos estranhos como esses. Bem... eu não levei pro lado pessoal isso. Mas estive ciente por um tempo que ela ia ficar mais grudenta depois que eu resolvesse ter uma namorada.

ㅤㅤㅤ—— Desculpe-me, mãe... Foi algo de última hora.

ㅤㅤㅤ—— E você levou esse “coiso” com você? —— Ela se referia ao Buer Driver. —— Aposto que confundiram você como uma artista musical!

ㅤㅤㅤ—— Sim. Confundiram. —— Olhei pro chão. —— Eu não posso deixá-lo sozinho por muito tempo. Ele é tão preocupado comigo quanto a senhora. É melhor ele estar por perto do que termos incidentes com sua forma original correndo pela cidade e me procurando, não?

ㅤㅤㅤNão fiquei muito tempo ali fora. A mamãe logo me mandou entrar e me empurrou direto pra cozinha, me enfiando um monte de comida para dentro da boca. Ela não tinha tirado a mesa do café ainda e havia preparado boa parte das coisas que gosto de comer naquele dia, achando que eu voltaria as oito da manhã. Esse foi outro motivo de eu ter levado mais uma bronca... não ter voltado no horário que havia falado na mensagem de texto.

ㅤㅤㅤOs irmãos não estavam em casa, logo seria eu e a mamãe para o resto do dia. Ela me informou que ficaria uma boa parte do tempo no escritório pessoal dela e que eu poderia falar com ela se precisasse de algo mais. E antes que eu terminasse de tirar a mesa e arrumar as coisas do café, mamãe me deixou algo em cima da mesa.

ㅤㅤㅤ—— Uma correspondência chegou para você hoje, mais cedo. Pela letra, parece coisa do seu pai. —— E ela falou o nome dele quase que rosnando de raiva.

ㅤㅤㅤ—— O papai me mandou uma carta? —— Sequei minhas mãos, pois havia começado a lavar a louça ali, peguei o bilhete e o abri.

ㅤㅤㅤ“VOCÊ ESTÁ SENDO AVALIADA. SARAH FOREST, HOJE. ENFRENTE O INIMIGO QUE SELECIONEI PARA VOCÊ!”

ㅤㅤㅤSó tinha isso escrito.

ㅤㅤㅤE eu sabia o que isso significava.

ㅤㅤㅤ—— Puxa vida... Papai quer me testar em combate logo hoje? —— Lá se foram os meus planos para mais tarde, esses que eu nem fiz questão de falar ainda para a mamãe. Pois preso pelo bem-estar dos meus ouvidos e ela tem estado meio alterada nesses últimos dias.

ㅤㅤㅤ—— O que foi? —— Ela se aproximou e olhou para o conteúdo da carta.

ㅤㅤㅤ—— Eu vou ter que sair para enfrentar um desafio proposto pelo papai. Alguém será meu oponente, em Sarah Forest. —— Eu sinceramente não estava muito contente com isso não. Mas não posso negar que fiquei curiosa para saber quem seria o meu oponente.

ㅤㅤㅤQuando morei com o papai por um período no Japão, era comum ele me dar uns testes para avaliar minhas capacidades. Os ensinamentos dele eram passados em forma de música e a que eu mais gostava de ouvir era aquela que ele dizia assim: “Nessa luta, nossos poderes vamos revelar e os limites, eu vou superar. Nossa força longe vai chegar, não desista, não se renda, nunca!” Era como se dentro do treinamento pesado dele, ele nos incentivasse a quebrar todas as barreiras que limitassem os nossos corpos e nos fazer alcançar o próximo nível. Ficava mais divertido ainda quando ele nos ensinava a controlar os nossos poderes por meio do Qigong, falando: “Os nossos poderes, vamos revelar! Como um resplendor, vamos triunfar! E no horizonte vai nos eternizar!” ou “Você precisa derrubar as portas que vão se fechar e o seu poder, vai se expandir como a fúria de um Dragão! Barreiras não vão segurar a força que você vai despertar. Seu próprio ser, se tornará um resplendor de aura azul!” Os treinamentos são pesados, são intensos, mas com esse método, ficam bem divertidos. Ouvindo histórias do passado, sei que os treinamentos dos Yagami costumavam serem mais violentos e que necessitavam muita, mas muita coragem e persistência para passar no teste deles. Não sei o que levou o papai a passar um treinamento assim. Não sei se é por causa da condição da Alice ou se é por outro motivo pessoal. De toda forma, foi graças a essas palavras ecoando sempre na minha mente que eu consegui lidar com meus parasitas e trabalhar eles em conjunto nas lutas. E será com esse ensinamento que tentarei agora, unida à minha outra identidade, trabalhar em conjunto.

ㅤㅤㅤQuando se trata de um pedido do papai, eu não posso recusar.

ㅤㅤㅤ—— Eu acho que não tenho escolha. Eu vou me preparar para a luta, mamãe. Vou para Sarah Forest e prometo voltar assim que eu terminar.

ㅤㅤㅤ—— Hum. —— Ela me olhou como se duvidasse da minha palavra. —— É bom mesmo!

ㅤㅤㅤ—— Não precisa ficar com ciúmes, mãe! —— E eu fui para o meu quarto, carregando o Buer (ainda dentro da case).

ㅤㅤㅤMeu quarto era a minha fortaleza da solidão. Ele era grande e cheio das coisas que faria uma garota comum gritar de alegria com as fofices espalhadas por ele. A mamãe fez questão de deixa-lo assim, na minha cor preferida que era magenta, e com várias pelúcias espalhadas pela cama. Eu tinha minhas coisas bem organizadas ali, meus livros, meus cds de Heavy Metal (sim, passei a ouvir Heavy Metal depois que virei Painwheel). Abri meu guarda-roupa e a primeira coisa que eu me deparo ali é meu qipao de Painwheel. E claro, a Serra de cortar ossos da Valentine.

ㅤㅤㅤ—— Hu... Ainda me pergunto se foi uma boa ideia aceitar esse “presente” dela... —— Sempre que passo o olho para a arma que foi usada pela Valentine... eu fico intrigada... Foi mesmo a melhor decisão deixa-la partir?

ㅤㅤㅤDeixei aquele negócio ali e fui pegando minha roupa e minha máscara. A Máscara de Raiva e Morte, o rosto da Painwheel. Olhei para ela mais uma vez e respirei fundo.

ㅤㅤㅤ—— Ainda não é hora de vestir. —— Falei para ela. E sei que ela me ouviu.

ㅤㅤㅤComecei a me trocar. E apesar de ser poucas coisas, leva um certo tempo. O motivo? Eu preciso equipar os pregos nos ombros, na cintura e na nuca. No meu corpo existem perfurações. Buracos para encaixar esses acessórios dolorosos na minha carne. Porque eu preciso disso? Esses pregos são feitos de um material especial e se chamam Teonitas. São o mesmo material que é feito os meus parasitas sintéticos e para Gae Bolga, eles servem como um estímulo, como um power-up para ele. Sim, eu posso usar o Gae Bolga em sua totalidade sem os pregos equipados no meu corpo, mas com eles, por alguma estranha razão, a eficiência dele aumenta. Quem poderia dar detalhes melhores disso: Brain Drain. Infelizmente, eu não sei explicar. Inseri três pregos em um ombro e três no outro. Depois mais três na minha nuca, juntamente com uma presilha de crânio que eu uso para prender meus cabelos em um coque. Dói? Sim. Mas depois do que passei, a dor perde o seu significado. Por fim, dois pares de pregos negros abaixo da linha da cintura, na altura dos quadris. Vesti a túnica de Painwheel, sempre em frangalhos, e por último equipei os grilhões nos pulsos e nos calcanhares, pescoço por último. O qipao cobre a frente e a traseira do meu corpo, deixando as minhas pernas expostas somente. Uso uma roupa íntima nas mesmas cores da indumentária. Imagino que tal escolha de roupa seja para não atrapalhar a eficiência do meu combate, já que preocupação com meus traços femininos em relação ao meu corpo ou aparência já são coisas passadas e esquecidas, mas ao menos a integridade do que me faz uma garota continua velada.

ㅤㅤㅤEstou 80% pronta. Essas roupas fariam todos na rua pensar que se trata de uma fantasia de Halloween (ironicamente, estamos na época). E como Sarah Forest está um pouco longe para ir a pé, falta eu concluir meu visual com o acessório principal. O Buer Driver. Abri a case do violoncelo e ali estava ele, em sua forma de lâminas e um imenso cabo de ossos e fibras. Onde vai esse equipamento? Esse é o motivo do Qipao que visto manter minhas costas expostas. Na altura da minha coluna há um encaixe no meu corpo. Um buraco que serve para linkar o cabo de ossos do Buer na minha coluna vertebral e ele passar a trabalhar através de uma simbiose. Sim, eu sei. Sou toda cheio dos furos no corpo. Alguns pensam que sou um androide, cheia dos aparatos para prender no corpo. E não, o encaixe do Buer não deixa meus ossos expostos e nem a carne humana visível. Como disse, os detalhes técnicos ficariam por conta do cientista maluco que me deixou assim.

ㅤㅤㅤFeito o encaixe, a lâmina gigante começou a girar, mas não em total velocidade. Inicialmente, o design dele foi inspirado em um cata-vento, pois PAINWHEEL é uma analogia ao PINWHEEL que é cata-vento. E como meus poderes são ativados através da minha fúria e da minha dor, PAIN se tornou uma palavra ideal para fundir com WHEEL. E assim nasceu o meu codinome de ASG.

ㅤㅤㅤ—— Ótimo! —— Sabe o que é estranho? No começo, eu detestava essas roupas e esses acessórios. Mas depois que tudo mudou, eles são uma parte essencial da minha vida e não me vejo sem eles. Embora eu odeie o LabZero por tudo o que fizeram comigo, essas coisas se tornaram parte do que sou agora. E como o meu outro lado da moeda disse mais cedo, eu nunca poderei me livrar disso. Fazia parte da minha identidade. Da minha nova vida.

ㅤㅤㅤ—— Que venha o meu misterioso oponente!

ㅤㅤㅤSegurei a máscara e fui até onde estava a mamãe. Avisei-a de que ia sair para a floresta e esperar por lá pelo meu inimigo. Vou para o deck da casa, a cobertura que tem piscina e salto por lá para começar a voar, aos berros, avisando a mãe de que eu não estava com fome e que ela não precisava preparar nenhum lanchinho para eu comer no caminho. Não preciso explicar em detalhes, pois ela sabe que os desafios do meu pai não são ‘passeios pelo parque’.

ㅤㅤㅤLevei algum tempo para chegar em Sarah Forest. Fui o trajeto inteiro voando por cima dos prédios e casas, longe da vista dos curiosos, numa altura suficiente para que eu passasse despercebida. Quando avistei a área florestal, desci com cuidado para não derrubar nenhuma das árvores com as minhas lâminas. Aquele lugar era famoso por ter uma cabaninha abandonada de algum lutador que passou o tempo ali para treinar. Foi onde eu parei para esperar o meu inimigo. Papai me trouxe aqui uma vez e disse que este era o local que servia de ponto de encontro para os treinos e lutas. Eu dei uma volta pelo lugar enquanto esperava, olhando a imensa bola de ferro presa em um dos galhos e depois, para os troncos quebrados e destroços de vários outros, resultados de golpes fortes e poderosos executados por um exímio lutador. Mas o que realmente me chamava a atenção ali era a quantidade de bichinhos meigos e fofos que circulavam por aqui. Eles não se assustavam comigo, pareciam até me considerar uma pessoa amigável... mas se vamos lutar aqui, eu não posso deixar que eles corram perigo. Ainda não vesti minha máscara e espero pelo meu oponente antes de fazer isso. Pois será quando eu deixarei de lado a menina que sou para dar espaço ao monstro que eles me criaram para ser.

ㅤㅤㅤ—— Estou ouvindo passos... parece que a hora chegou. Buer Driver e Gae Bolga... nossa missão começa agora! —— Eu não sei quem é. Mas já deixo meus parasitas avisados de que o combate estava prestes a começar. Puxo a mascara novamente e fico só observando o meu oponente chegar. Ela só ocultaria meu rosto quando tivesse a confirmação de quem se tratava.

ㅤㅤㅤEu daria apenas um aviso. E depois avançaria com todas as minhas forças.

ㅤㅤㅤEssa sou eu. A Painwheel.

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Prólogo.

Mensagem  Sєτsuŋα Yαgαмi em Dom Out 14, 2018 4:41 pm

Era fim de tarde em Second Southtown...





...e os arredores daquela garagem estavam mais escuros do que o normal naquele dia, o que tornava tudo ainda mais triste e complicado de aceitar. A mala do Camaro estava aberta e eu acabara de colocar a última bagagem dentro do compartimento. O som do porta-malas fechando ecoou por toda garagem enquanto eu girava a chave no miolo da mala para assegurar que ela não iria se abrir durante a viagem. Viagem essa que seria para um lugar que nem mesmo eu sabia onde ficava.
O som do motor 6.2 V8 quando iniciou soava forte no recinto, retirando qualquer resquício de sossego que ali estivesse naquele momento. O pé esquerdo estava em meia embreagem quando o direito foi até o fundo do acelerador, fazendo todos os 406 cavalos e os 31 quilos de torque trabalharem de uma só vez e levando os pneus traseiros a "cantarem" dentro da garegem, deixando a minha última marca no local e fazendo o Camaro chegar 60km/h dentro de uma garagem na 1ª marcha. Sabe, sempre dizem na Auto-Escola que não se deve dirigir sob fortes emoções, mas tudo que eu tinha agora era meu Camaro, minhas roupas, guitarra e os materiais de trabalho... eu tinha que quebrar a regra.
Naquela noite eu dirigi sem rumo e o carro entrou na reserva, era questão de minutos até ele sofrer uma Pane Seca e me deixar na mão então parei no primeiro posto que encontrei, abasteci o V8tão e coloquei ele no cantinho do posto onde pude descer o banco do carona até o máximo e dormir ali mesmo.

Acordei com a luz do sol batendo direto nos olhos, eram 10 da manhã. Abri a porta do carona mesmo e desci, bocejando enquanto "chutava" a porta do carro para que ela fechasse e após isso, apertei o botão remoto de trancar/destrancar o carro enquanto rumava pra loja de conveniência. Ao passar pela porta, um pequeno sino soou pelo local e o atendente me desejou bom dia. "Bom dia." foi o que respondi para ele, com a voz arrastada. Peguei um pote de Pringles, uma garrafa de 3 litros de Pepsi geladona e fiquei pensando no que poderia pegar, só tinha dinheiro para mais um item e olhando ao meu redor eu tinha energéticos, cerveja, vinhos... mais para frente tinha alguns docinhos que pareciam gelatinas e do lado oposto haviam alimentos congelados mas o que realmente me chamou atenção foi uma gloriosa garrafa de Sminorff. Olhei para a Pepsi, olhei para a Vodka, olhei de novo para a Pepsi e olhei para a Vodka e quando me dei conta, eu já tinha passado do 5º copo de Pepsi com Vodka do lado de fora da conveniência, com o som alto tocando Bored of You do Agent Orange, uma banda de Punk Rock/Hardcore Punk. Uma hora depois, eu já estava completamente apagado, com a cara enfiada no volante e a garrafa de vodka jogada do lado de fora do carro. Uma cena lamentável.
Ei! Senhor! Acorde! ▬ Uma voz feminina ecoava bem distante na minha cabeça enquanto eu sentia o corpo balançar de um lado pro outro até que eu abri os olhos e a imagem distorcida de uma mulher se fez presente.
Sim?
Desculpe incomodá-lo, mas é que já vamos fechar o posto...
Mas já...? Que horas são? ▬ Perguntei meio desnorteado.
23:00. ▬ Eu fiz cara de surpreso. E eu estava mesmo.
Eita... me desculpe pelo inconveniente... ▬ Peguei a garrafa de Vodka do chão. ▬ Pode jogar isso no lixo pra mim, por favor? ▬ E estendi a garrafa para a menina e quando ela pegou a garrafa, fechei a porta do motorista, dei partida no carro e saí dali novamente sem rumo e completamente sem condições de dirigir.

Pela manhã e sóbrio, estava passando perto de SSP Maneuver Field, cujo subsolo fica a base da Ikari Warriors (não contem pra ninguém que eu contei isso pra vocês!) e decidi ficar por ali mesmo hoje. Havia um estacionamento na parte mais isolada que era pertencente da Ikari. Era ali que ficava os carros dos soldados e funcionários e o meu era o mais "fodão" de todos, pelo menos por enquanto, eu estava pensando em me desfazer daquele carro para comprar ou alugar um apartamentinho mas até lá, teria que ficar dormindo na Ikari. Pro meu azar, encontrei com quem eu menos queria naquele momento: Clark Still.
Yagami, está tudo bem? Você está com uma cara péssima hoje.
Foi só uma noite mal dormida, ficarei bem. ▬ Bocejei ao final da frase.
Talvez se perguntem porque eu não queria encontrar com Clark e bem, eu queria chegar de fininho, encontrar um lugar pra cair morto e beleza. Mas como nos encontramos, ele ia acabar me caguetando pro Ralf mas nem precisou de muito, Ralf nos encontrou na entrada para o refeitório e fez exatamente a mesma pergunta que Clark. ▬ Vocês combinaram as frases também? Estão me perguntando a mesma coisa!
É só olhar pra essa tua cara de pastel que dá pra ver que tu tá na merda! ▬ Só levantei a mão esquerda com o dedo médio bem levantado pra ele e saí da mesa para pegar meu café da manhã enquanto Ralf entendia nada e Clark ria.
Passados dois meses do fatídico dia, eu continuava morando na Ikari. Não entrei em detalhes com Ralf sobre o que tinha ocorrido mas ele me arrumou um quartinho 3x3 metros com banheiro, o que era um baita diferencial. Tinha uma cama de solteiro com um colchão duro igual uma pedra, um pequeno armário pra guardar a muamba e o que sobrou de espaço foi onde deixei minha guitarra Jackson King V 291. O carro? Eu vendi como tinha dito e comprei um glorioso Ford Crown Victoria 2002 branco, um transatlântico sobre rodas, o "Police Interceptor" tinha um motor 4.6 também V8, o que me fazia sentir "em casa" pelo fato do motor ser V8 como o Camaro porém menos potente (logico, o Camaro é bem mais caro).
Naquela manhã, eu acordei cedo, tomei meu café sempre com o Coronel Ralf e o Tenente Clark, a "Panelinha da Ikari" como os invejosos diziam. Clark foi fazer suas tarefas, Ralf sumiu como de praxe e eu fui treinar disparos de fuzil AR-15 no estande de tiros. Fiquei treinando por mais ou menos 2 horas. Cada tiro saía com toda raiva e violência que eu poderia canalizar no dedo indicador da mão direita. No meio da "diversão" Ralf entrou na sala, fazendo os outros recrutas baterem continência pro veterano de guerra. ▬ Yagami! ▬ Ele cutucou meu ombro, o fone/protetor auricular que nós utilizamos para abafar os disparos dos fuzis é muito bom então ouvi bem baixo alguém me chamar e de inicio nem liguei. Ele cutucou novamente e finalmente eu olhei para ver quem era  Deixei a arma no estande e me virei para o Coronel. ▬ Sim?
Me acompanhe. ▬ Ele deu as costas e começou a andar pra fora do estande e eu o segui, dando o fone que eu utilizava para um dos cadetes que estavam para treinar. Eu não abri a boca para nada apenas o segui até a sala dele. Ele não costumava agir assim comigo então achei estranho. Ao entrar na sala, fechei a porta e ele me mandou sentar em uma das cadeiras enquanto ele sentou na outra, atrás de sua mesa.

Setsuna, sei que passou por problemas pessoais mas algo me preocupa... Seu rendimento nas missões está abaixo do esperado e o General não gosta de baixos rendimentos. ▬ Eu permaneci calado e só deixava ele falar. ▬ Me diga... você tem tido contato com sua família?
Por quê essa pergunta agora?
Yagami, quem faz as perguntas sou eu.
Não senhor...
Pois bem... ▬ Ele abriu uma gaveta na sua mesa, tirando um relatório dela e jogando na mesa. A folha caiu perfeitamente virada para mim. ▬ Uma equipe minha apurou que sua irmã Alice andou passeando pelos arredores de Philantrophy Belfry.
Coronel, eu não vou lutar com minha irmã. Se não se lembra, ela quase me partiu em dois...
Eu não mandei você lutar com ela, Yagami! ▬ Ele me cortou e quando eu parei para escutar, ele prosseguiu. ▬ Seu rendimento era de alta qualidade meses atrás e agora está uma merda. Você não tira essa separação da cabeça e isso me preocupa. Como seu mestre, eu quero seu melhor dentro e fora da Ikari e pensei nessa solução para você voltar a ser o Setsuna que eu conheço. Agora tire essa bunda oriental daqui e só volte quando estiver 100% com sua irmã! Dispensado! ▬ Levantei, peguei o relatório e saí dali após bater continência para Ralf e bati a porta. ▬ Esses Yagamis... ▬ Ele resmungou para si mesmo.

No dia seguinte, acordei ás 6 da manhã, escovei os dentes, tomei um banho demorado e coloquei uma camisa branca que estava apertada, uma calça jeans skinny desbotada, um par de desert boots pretos, peguei a chave do "Interceptor" e saí por volta de 7:35 com o destino sendo Philantrophy Belfry. Segundo o que li no relatório, Alice não tinha um horário definido para passar ali e eu duvidava que ela aparecia todos os dias ali mas eu deveria tentar. Depois de mais ou menos 15 minutos de viagem, parei o "Interceptor" numa vaga na frente de Philantrophy, tranquei o carro passando a chave (esse não tem tanta tecnologia quanto o Camaro) e fiquei encostado na porta do carona porque o capô do carro estava quente demais. ▬ Bem... até meio-dia é manhã. Então... ▬ Cocei a nuca após concluir o pensamento. Ela não iria chegar tão cedo e eu teria que arranjar um passatempo.
Duas horas se passaram e nada dela chegar. Eu entrei no carro, ouvi umas 10 músicas, comprei um jornal e terminei de ler ele em 10 minutos e caminhei nos arredores até achar uma loja de brinquedos e pensei que se eu quisesse me reaproximar da minha única irmã 100% de sangue, eu deveria agradá-la ao máximo. Então comprei o coelho de pelúcia mais fofinho que tinha na lojinha e aproveitei que tinha uma geladeira para comprar também um refri de lata e um saquinho de balas e pedi que embrulhassem o coelho no papel de presente mais bonito que tivesse. Tudo deu uns 10 "dol".
Quando saí da loja, vi Alice passando do outro lado da rua pertinho do meu "Interceptor" e corri para "interceptá-la" a caminho de Belfry. Ela estava com aquele vestidinho azul tradicional dela com um avental branco com alguns símbolos nos bolsos, os cabelos pretos escorridos pelas costas, uma bota preta cano longo que ia até abaixo dos joelhos cobrindo suas meias arrastão "cor sim, cor não" e claro, o pingente Omega, a 24ª letra do alfabeto grego que sempre lhe acompanhava como um cordão.  ▬ Alice! ▬ Gritei, acenando para ela que olhou para trás e me viu.
Setsuna. O que faz aqui?
Ah, sabe... eu tava passando aqui e acabei te encontrando! Olha que coincidência! ▬ Eu ria de nervoso.
E o que são essas coisas na sacola? ▬ Ambos miramos nossos olhos verdes para a sacola branca.
Ah, isso? Bem, isso é... ▬ Eu tinha que pensar rápido, eu não podia ser tão direto naquele momento. Alice tinha Esquizofrenia Catatônica e graças ao sangue Yagami, ela pode dar vida para tudo que ela desejasse no seu "País das Maravilhas" e fazer mais um zilhão de coisas! Eu tinha que ter muito cuidado com o que eu iria dizer. ▬ É que eu estava pensando em dar um presente pra uma dessas crianças do orfanato! Mas como eu vi você passando eu resolvi lhe dar de presente! O que acha? ▬ Tirei da sacola o presente embrulhado e estendi pra ela que o olhou por alguns segundos e começou abrir até ver o coelho. Ela abriu um sorriso.
Adorei esse coelho! Obrigada Set! ▬ Ela se abraçou ao coelho. ▬ Mas não pense que com isso eu vou te perdoar. ▬ E então, ela ficou séria.
Bem... eu vim aqui pra te pedir desculpas...
Você prometeu que voltaria.
Aconteceu muita coisa...
Você nunca mais me procurou!
Alice, me perdoe...
Você me abandonou! Me deixou sozinha! Tem noção de quanto tempo eu fiquei esperando que voltasse?! ▬ Eu já tinha visto aquele filme e ele não terminava bem. Tudo que eu menos queria era ter outra luta mortal contra ela... eu precisava agir antes que ela perdesse o controle e quisesse me matar.
Alice... eu sinto muito. Eu sei que quebrei minha promessa mas eu agora quero estar do seu lado! Eu quero ser seu irmãozão, brincar com você e fazer tudo aquilo que a gente queria fazer quando éramos pequeninos! ▬ Ela ficou quieta, apenas olhando para o coelho. Parecia pensar na situação. ▬ Olha, eu vou deixar você pensar no assunto, tenho que ir. Amanhã a gente se encontra aqui no mesmo horário, tudo bem? Se cuida! ▬ E então, dei um beijo na testa dela e fui em direção ao carro, entrando no veículo e saindo, torcendo que ela pensasse com carinho.

Era fim de semana e depois de saber o que aconteceu Ralf achou que fosse bom que a gente fosse dar uma volta para "bater um papo" e o destino escolhido foi o Old Line como sempre. ▬ ...E quando você vai me chamar pra dar uma volta contigo naquela banheira velha que você chama de carro? ▬ Perguntou o veterano, esfregando as mãos uma na outra com um sorriso no rosto. ▬ Só vamos então! ▬ Então entramos no "Interceptor" e #partiuOldLine. A noite seguiu com Ralf doidão perdendo a linha nas mulheres e eu estava bem suave porém "bebo" também. Voltamos para a Ikari umas 3 da manhã e eu larguei o Coronel na sala dele de qualquer jeito, ele era pesado de mais pra ficar arrastando ele por todos os cantos e eu, logo depois, fui para minha cama e dormi, amanhã eu tinha que encontrar com minha irmãzinha mais uma vez.
No dia seguinte, fiz a mesma coisa Acordei, tomei banho, escovei os dentes e me arrumei. Dessa vez, o conjunto de baixo era igual mudando apenas a cor da calça para preto e em cima, uma regata preta para fechar a indumentária. Novamente peguei o carro, abasteci e fui de novo pro orfanato, dessa vez, um pouco mais tarde e não demorou muito para a menor aparecer na porta do orfanato com um vestidinho vermelho ao invés do azul mas o resto era praticamente o mesmo.
Bom dia, irmãzinha!
Bom dia, Set. ▬ Disse ela me olhando séria.
E então... pensou no que eu disse ontem?
Bem, ainda é cedo para tirar conclusões. Irei ver se você é merecedor da minha confiança de novo.
Eita... ▬ Cocei a nuca, com um semblante um pouco triste.
A propósito, tenho algo a lhe entregar.
O que é? ▬  Ela revirou o bolso do lado direito do avental até encontrar um bilhete e estender para mim.
Toma. Lê isso.
É a letra do Otousan... ▬ Do lado de fora do bilhete estava escrito "Para Setsuna" com a letra do Yagami pai, impossível não reconhecer. Curiosamente, eu não conseguia mais dizer "papai" sem ser em japonês, não me perguntem porquê.
Abre e lê. É importante. ▬ Enquanto eu ia abrindo, ela observava séria, cruzando os braços abaixo dos seios.
"VOCÊ ESTÁ SENDO AVALIADO. SARAH FOREST, HOJE. ENFRENTE O INIMIGO QUE SELECIONEI PARA VOCÊ." ▬ Li em voz alta. ▬ Sutileza nunca foi o forte do Otousan.
O que você queria? Um cartão perfumado e cheio de flores? ▬ Sutileza também não era o forte dela. ▬ Papai acha que você virou um molenga e quer te dar um desafio de verdade. Quem sabe, se você se sair bem, ele não te treine e você deixa de ser esse soldadinho de chumbo e se torna um lutador de verdade?
Obrigado pelas palavras de apoio...
De nada! ▬ Ela abriu um sorriso.
Mas eu queria saber... ▬ Guardei o bilhete no bolso direito da calça. ▬ O que veio fazer aqui?
Eu vim até aqui para visitar minha amiga Hotaru. Faço isso todos os dias.
Será que eu posso te acompanhar hoje?
Tudo bem então. Vamos. ▬ E ela foi na frente mostrando o caminho e eu apenas a segui para dentro do orfanato.

Particularmente, eu não conhecia Hotaru Futaba e ela até que era uma menina legal e ver minha irmãzinha se divertindo e fazendo amizades era ótimo, acho que Ralf tinha razão no fim das contas. Alice depois me contou que ela vinha me monitorando nas últimas semanas e que ela propositalmente deixou os Ikaris saberem sua rotina para que fosse fácil eu chegar até ela e isso só mostrava que nós mercenários tínhamos muito a melhorar. Sugeri para as meninas que nós fôssemos comer alguma coisa, já passava de 11 horas da manhã. Então eu, Alice e Hotaru fomos até o "Crown Vic" e pegamos a estrada, saindo de Second South e indo até Tampa, o que levou pelo menos umas 2 horas de viagem. Nós poderíamos ter ido em um podrão em Second mas eu queria passar mais tempo com minha irmãzinha e eu não sabia quando a veria de novo então cada segundo contava.
Fizemos compras, comemos vários sanduíches, bebemos refrigerante e quando foi  duas da tarde, decidi que deveria voltar porque uma luta me esperava e eu não queria deixar Otousan mais bravo do que ele já estava. Deixei as meninas no orfanato depois de abastecer o "Titanic" e parti para Sarah Forest que ficava a menos de 20 minutos do orfanato e claro, sempre escutando Metal e a música que se destacou no meio das outras foi The Art of Shredding do Pantera mas no meio do caminho para a floresta lembrei que tinha esquecido a Nagai Kutsu (também conhecida como a espada do capiroto) junto com as minhas pistolas em casa. ▬ Agora fudeu... ▬ Pensei, concluindo que não tinha outra escolha a não ser sair no braço com quem quer que seja que Otousan escolhera.

Parei o carro na entrada da floresta e fiz o caminho a pé até porque de um certo ponto para frente só tinha trilhas para seguir eu deduzi que meu/minha oponente deveria estar no local mais comum de lutas que tinha: na antiga cabana abandonada que ficava no meio da floresta, cercada por animais selvagem e um rastro de destruição dos objetos de treino de quem viveu um dia ali. Conforme fui me aproximando, vi a cabana e ao passar por ela vi os animais como sempre tomando conta do local, as árvores destruídas e uma bola de ferro que ficava pendurada em um galho de umas das árvores. Quando passei pela cabana, notei que um dos animais (o que está subindo a árvore ao centro do cenário) não olhava para mim e sim para algo que estava nas minhas costas. Virei o rosto e o corpo aos poucos e a primeira coisa que notei foi uma hélice que tinha lâminas nela e quando me virei, descobri quem seria o oponente:

Você é a oponente que Otousan escolheu para mim, certo? ▬ Apertei os punhos, olhando para a garota. ▬ Esses pregos... hélice... a máscara na mão dela... eu ouvi falar dela em algum canto... ▬ E então, lembrei de onde tinha ouvido falar de alguém com essas "peculiaridades". ▬ Ah, já sei! Você é minha meia-irmã Carol! Prazer em conhecê-la finalmente!






Setsuna Yagami


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ROUND 1 - MOVE 1

Mensagem  ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】 Ontem à(s) 1:57 am


"ESTOU SEMPRE COM RAIVA! O doloroso e impiedoso ataque de Painwheel!"

ㅤㅤㅤSetsuna Yagami era o meu oponente. Recordo-me de outras vezes, nos treinamentos, onde o papai me colocou para enfrentar a Alice e dias depois a Amy. Eram combates de testes de forças, velocidade, resistência e estratégia e ele sempre ficava nos observando, sem dizer nada, nos avaliando em absoluto silêncio. Essa é a primeira vez que ele nos coloca para um teste fora dos arredores do dojo dos Yagami. Será que ele está nos vendo agora? Estaria ele em algum lugar dessa floresta, nos assistindo em segredo?

ㅤㅤㅤ—— Setsuna... é impossível não pensar no papai toda vez que te vejo. Vocês são idênticos! —— Eu sorria ao vê-lo, pois fazia muito tempo desde que fomos apresentados um ao outro.

ㅤㅤㅤContaram-me histórias de que Setsuna nunca gostou de ser confundido com o papai e que de um tempo para cá, os dois se afastaram por causa de alguma desavença dentro da família. Nunca perguntei sobre, não faz meu tipo querer saber de fofocas. Eu torço para que não seja algo grave, algo que os façam ficarem para sempre de mal um com o outro.

ㅤㅤㅤFeita as apresentações, deixei o aviso que sempre costumo dar aos meus adversários.

ㅤㅤㅤ—— Espero que seja tão forte quanto o papai... porque você não vai gostar de mim quando eu ficar com raiva! —— Termino a fala segurando a máscara de Painwheel frente ao meu rosto, mas de maneira que meu olhar fixasse ao dele e que ele sentisse o meu olhar penetrante gelando sua alma. O motivo? Eu vou me transformar e agora era para valer!

ㅤㅤㅤEncaixei a máscara no meu rosto e ela se costurou na minha face. Gae Bolga, o parasita que foi inserido dentro de meu corpo por um procedimento um tanto que parecido com o do Adamantium no Wolverine, fazia o serviço de prender a máscara no meu rosto costurando-a na minha pele. Na primeira vez, grampearam a máscara na minha face para me impedir de remover e de familiares e conhecidos me reconhecerem. Pensaram que eu fosse ter medo de arrancar ela à força... bem, no começo eu tive medo sim... mas depois de um determinado momento de fúria, eu o fiz sem pensar e foi com isso que garanti essas cicatrizes eternas no meu rosto. Essas cicatrizes que desenham um “x” atravessando minha pele. Hoje eu não me importo com isso.

ㅤㅤㅤA partir do momento que a máscara se uniu ao meu rosto, nada poderia retirá-la. E o buraco para olhos que havia ali acenderam-se emitindo um som, como se fosse uma máquina sendo ligada. Como dois faróis vermelhos de um sinaleiro de trânsito, meus olhos brilham em vermelho intenso. Eletricidade corre por todo meu corpo esguio e pequeno. A medida que isso acontece, músculos crescem e meu corpo se define a um porte atlético, mas ao mesmo tempo, aterrorizante. As linhas roxas das veias corrompidas pelo sangue de Skullgirl saltam sobre a pele e os músculos, pulsam, e elevam o poder que me foi dado.

ㅤㅤㅤA aura roxa brilha e expande-se como uma chama acesa, envolvendo todo meu pequeno ser numa bela demonstração de poder e fúria. A Painwheel está pronta para o combate. Mas ainda faltava uma coisa a ser feita: Espantar os pequenos animais da região.


ㅤㅤㅤ—— RRRRAAAAAAAAAAHHHH!!!!!! —— Foi o suficiente. Um berro tão alto e tão assustador que poderia estourar até os tímpanos de uma barata! Um grito desses combinada com a aura maligna que me cerca, os lobinhos, esquilinhos, e os outros, foram correndo floresta adentro, amedrontados comigo.


ㅤㅤㅤAgora não tinha mais nada que me impedisse de levar este combate a sério.

ㅤㅤㅤ—— PREPARE-SE!

ㅤㅤㅤAntes de atacar, há duas coisas que precisam serem explicadas. Primeiro é a Buer Driver instalada na minha coluna vertebral. O que ele é? Como ele funciona? Embora seu design inicial tenha sido inspirado em um cata-vento, ele foi modelado para se parecer com uma grande estrela ninja, com lâminas retratáveis, podendo tanto me servir de segundo método de movimentação (O voo) e ataque. Ele possui uma segunda forma, monstruosa-meio-humanóide. Este modo secundário dele não serve para propósitos de combate, apenas para defesa e também, um bom ombro amigo. De todos os parasitas sintéticos, creio eu que Buer é o mais bonzinho e companheiro de todos.

ㅤㅤㅤSegundo é o Gae Bolga Matrix. Como dito anteriormente, ele corre dentro do meu corpo. É um parasita que não possui uma forma definida, mas possui poderes de criar ferrões, espinhos, pregos e garras negras, servindo para ambas as coisas. Se alguém tentar me agarrar, Gae vai obrigar o inimigo a me soltar. Se eu for atacar com os punhos, Gae pode me fazer parecer uma Wolverine ou um porco-espinho.

ㅤㅤㅤSendo assim, meu inimigo deveria ter uma breve noção de que sou uma oponente além de força bruta e descontrole total. Eu sou uma oponente com capacidade de combate aéreo e com danos de grande probabilidade de risco e quero muito, mas muito mesmo que depois desse teste, ele renove o seu seguro de vida. Testes são testes e eu sempre fui dedicada em tirar nota máxima em todos eles, logo... eu não vou deixar que nada me impeça de ter um bom resultado nessa peleja!

ㅤㅤㅤDepois do grito que espantou os animais, meu lado monstro pensou rapidamente numa forma de atacar. Senti o braço direito começar a tremer todos. Olhando com mais cuidado, pareciam que as veias estavam pulsando mais e ganhando maior visibilidade e tamanho, como se fossem estourar nos muques que desenham uma parte do meu braço. Depois disso, foi o braço todo que começou a se contorcer de um modo desumano. Uma grande massa muscular começou a formar-se sobre ele e isso afetou não só aquele pedaço da Painwheel... mas ela como um todo! O que Setsuna veria ali era a verdadeira definição de dor. Uma dor tão violenta que fazia o meu corpo inteiro reagir a isso. Mas porquê? É simples! A dor é o catalisador dos meus poderes. A raiva também. E mesmo eu sendo uma garotinha tão meiga e fofa fora das batalhas, eu sou igual o Hulk do primeiro filme dos vingadores: EU SEMPRE ESTOU COM RAIVA!

ㅤㅤㅤ—— GRRRRRRRR..... HUUUUUUUU.... AAAAAAAH —— Eu não conseguia conter meus rugidos e gritos de dor.

ㅤㅤㅤO que estava acontecendo ali era que a Gae Bolga estava produzindo dentro do meu corpo vários ferrões negros e eles estavam passando pela minha corrente sanguínea através das minhas veias. Sabe o que é isso? Ter ferrões passando por dentro da sua carne, rasgando você por dentro até encontrar um meio para sair? Então. Enquanto elas se concentram cada vez mais dentro de mim, a Buer Driver agiu sozinha! Pelo cabo de ossos que há na minha coluna, ela esticou-se e cerrou o galho de arvore que segurava a grande bola de ferro, derrubando-a ao chão. Em seguida, as lâminas mudaram sua forma para garras e puxaram as correntes até minha posição, soltando-as na minha mão canhota – a única a não sofrer das contorções pelo Gae Bolga.

ㅤㅤㅤO que isso quer dizer? O que tudo isso significava? Era um ataque combinado! Enquanto eu vou usar minha força sobre-humana para bater aquela bola de ferro na cabeça do Setsuna, usando somente o braço esquerdo para isso, assumindo por um breve momento o papel de um Chang Koehan, meu outro braço irá preparar três disparos consecutivos da Gae Bolga Stinger, todos os disparos para frente, na direção que ele está (que é a minha frente.).

ㅤㅤㅤNa seguinte ordem: Enquanto meu braço prepara os ferrões para disparar, o outro irá puxar a bola de ferro pela corrente, inicialmente jogando-a para trás, para que pegasse impulso e fosse lançada para cima e depois, trazer o braço para arremessar a bola na direção de Setsuna, como se fosse uma chicotada. Quando eu fosse fazer uma repetição deste mesmo movimento, puxando a bola para trás para depois bater uma segunda vez, neste intervalo, o outro braço seria apontado na direção que o inimigo estivesse e os ferrões, já concentrados na minha pele, seriam libertados saindo por baixo das unhas da minha mão, sendo cinco deles no total. Consegue imaginar a bagunça que isso seria? Minhas unhas se abriam, sangue respigava para todos os lados, minha pele estourava para que eles passassem e fossem em rumo ao meu inimigo. Ferrões negros, pontudos, disparados como balas de um revolver. Como ficaria o meu corpo? Bem, eu tenho uma GRANDE tolerância a dor. E com o sangue da Skullgirl, meu fator de regeneração iria me curar em segundos, como se isso não tivesse sido nada demais. Se o Setsuna for atingido por eles, vai ganhar umas feridas bem tensas, e se estiver muito perto de alguma arvore, poderia até ser empalado no tronco.

ㅤㅤㅤ—— SOFRA! SINTA.... A DOR!

ㅤㅤㅤEsse esquema de ataque seria repetido mais duas vezes. Já imaginando que meu inimigo não ficaria parado por pura e espontânea vontade para receber tanto as boladas quanto os ferrões, eu direcionaria estes ataques para quaisquer posições que ele fosse tomar, tentando antecipar os movimentos dele e procurar uma forma de mantê-lo encurralado, não me importando com os danos que causaria na floresta. Naquele instante, o que domina mais é o meu lado descontrolado. A minha fúria berserker. A verdadeira Painwheel que conversou comigo mais cedo, que concordou trabalhar em equipe. Ainda estou no controle das decisões. Mas a forma de lutar é completamente monstruosa, quase que irracional, eu poderia dizer.

ㅤㅤㅤSe eu tivesse sucesso ou não nessa investida inicial, intercalando entre esses dois tipos de ataques, na terceira e última batida com a bola de ferro, depois o último disparo, eu puxaria ela de volta para mim pela corrente e separaria a bola delas para que ficasse solta no cenário. Para finalizar, embalaria as correntes em ambos os meus braços e depois irei me desfazer da esfera com um chute. Se eu fosse uma menina normal, todos imaginariam que tentar chutar uma bola de ferro seria o mesmo que pedir pra ter os dedos do pé esmigalhados pela colisão, certo? Aqui não! Igual uma bola de futebol, meu chute faria essa coisa sair atropelando tudo o que estiver no caminho. E o que farei com as correntes? Hum... isso é segredo para o próximo round.

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ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】
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Re: ᘛℭаяoℓ, ᵗʰᵉ ƤƛƖƝƜӇЄЄԼ 【✤】VS Sєτsuŋα Yαgαмi

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