2nd South
Este fórum contém material para adultos,
destinado a indivíduos maiores de 18 anos.

Se você não atingiu ainda 18 anos,
se este tipo de material ofende você,
ou se você está acessando a internet de algum país
ou local onde este tipo de material é proibido por
lei, NÃO PROSSIGA!!!

Os autores e patrocinadores deste fórum não se
responsabilizam pelas conseqüências da decisão do
visitante de ultrapassar este ponto.

【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Ir em baixo

【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Sab Set 29, 2018 8:53 pm




Keepler Endeavour Vs Coroline Dean Hawkins



Cenário: Sarah Forest


Modo de Combate: Classic Rules


Regra de Combate: Turbo - Prólogo + 5 Rounds + Defensivo + Epílogo após julgamento


Dias para Postagem: 7 dias


Juiz: Ralf "IKARI" Jones


Keepler Endeavour, INICIA A LUTA!


avatar
Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ
Árbitro
Árbitro

Aniversário : 30 de Julho.
Lugar de Origem : Akeshiva. Outro Universo.
Mensagens : 20
Data de inscrição : 29/11/2017

Voltar ao Topo Ir em baixo

Prólogo

Mensagem  【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr em Sab Out 06, 2018 6:19 pm




Repetance



- Beep! Beep! Beep! -  O sonzinho estridente rachava o silêncio do apartamento pequeno de maneira abrupta, ecoando pela sala e pela cozinha, sem passar pelas paredes ou pela porta de entrada. Os números digitais azulados piscavam marcando quatro e quinze da manhã. - Beep! Beep! Beep! - Cada segundo o toque soava sozinho e permaneceu assim por alguns minutos até parar automaticamente em um "Click" repentino. Logo mais iria voltar a quebrar a quietude dali, porque estava no modo soneca. Keepler havia acordado antes do alarme, bem antes como de costume, o aparelho só era uma garantia de que não iria dormir demais. Trabalhava até tarde, aparentemente não tinha motivo para estar desperto esse horário, a verdade era a seguinte: ele estava sofrendo uma tortura interna muito maior do que os outros podiam sequer cogitar.

É cruel, mas imagine que você convive há séculos com um ser especial o qual não pode se expor ao sol, pois ao entrar em contato com a luz ele é acometido por intensa combustão até que saia do trajeto do feixe, do contrário e virará cinzas. Apesar de todas as precauções na mansão onde moram estarem em funcionando perfeitamente, você ainda acorda antes do completo crepúsculo matinal e checa as janelas e cortinas e todos esses aparatos para ter a mais plena certeza de que está tudo em ordem e não há riscos para a pessoa amada. É zelo, é proteger como um guardião, é simplesmente amar.

A pessoa não pediu por isso, nunca exigiu isso para ti, contudo o seu eu o faz espontaneamente. Está tão intrínseco em si que é praticamente impossível dissociá-lo do quebra cabeça o qual você mesmp é montado. É um dos hábitos mais naturais do seu dia-a-dia… Por uma quantidade tão absurda de dias que se não existisse a matemática e calculadoras, seria exaustivo apenas pensar na extensão disso.

Hoje, todavia, não há corredores para marchar em passos calmos, tampouco cortinas para fechar antes de visualizar a vista do jardim imenso frente ao quarto ,com o perfume de rosas e terra úmida dançando em seu nariz. Não há Ela. Sua preocupação se tornou insônia, sua agonia diária. Seu semblante introspectivo e melancólico podia aparecer agora, diante da imensidão de prédios aglomerados e o céu cinzento-alaranjado, porque as pessoas sequer veriam seu rosto e não podiam perguntar: O que houve? Como está? - Evitar preencher o restante do seu dia com isso só aumentava a consumição de si próprio. Quando dava, fugia. Focava em reverter de qualquer jeito a situação.

Alguém o chamaria de louco se o visse naquele estado: Com a calça do moletom azul, sentado com as pernas para fora da janela, mordendo um cachimbo que emanava uma fumaça preguiçosa. A cabeleira castanho-escuro lhe varria os ombros e as íris lilases brilhavam ao tímido nascer do dia.  Em um outro prédio, quase no final da esquina, avistou um outro semblante, curvado diante do parapeito  segurando um cigarro na boca e entre a ponta dos dedos. Um gato miou manhoso no andar térreo, pessoas discutiam em um dos apartamentos e um objeto de vidro virou cacos e fez barulho na rua ou dentro do prédio, não dava para saber direito, ou melhor, não estava se importando com nada disso. Seu problema estava além...

Sábado, 07h30m

[Carteiro]: Oh! Bom dia, Sr. Endeavour! Hoje está um dia e tanto, não é!?

A abordagem veio quando ainda descia as escadas, um senhor de idade, mas tão ativo quanto qualquer outro garotão. Cabeça calva no topo rodeado de um cabelo alvo bem cortado, corpo franzino, levemente curvado para frente talvez pela idade ou por andar tantos anos de bicicleta pela vizinhança; os seus olhos pequenos eram em um castanho claro e toda sua pele era enrugada. Virava e mexia End ouvia alguns vizinhos o chamando de “Miyagi” ou de “Mestre Yoda”, uma associação com algo de filmes de cinema, até onde sabia.

Hora de tirar a face verdadeira e por a máscara, uma parcial no entanto, porque ainda haviam coisas que lhe conseguiam roubar uma graça. O sorriso de canto de boca e uma repentina expressão de ânimo redesenhou o rosto de Keepler, que se aproximou do velho e lhe batendo no ombro de maneira amistosa.

[Keepler]: É verdade, Sr. Robert! Pelo visto a chuva dará trégua para nós hoje. Vai para praia exibir esse físico esportivo?

[Carteiro]: Ha ha ha! Sabe que não posso, meu rapaz! Além do trabalho, sou casado e as mocinhas não iriam se conter! - A voz, mesmo rouca, era leve; Mesmo na casa dos sessenta anos, tinha jovialidade. E seu humor era incomparável.

[Keepler]: Eu acho que está com receio de levar a sua senhora junto e os rapazes também não resistirem - Sugeriu com um ar travesso, enquanto pegava algumas das muitas cartas na pilha que o velho segurava para ajudá-lo a distribuí-las nas caixas.

[Carteiro]: HA HA HA! Hey, essas três aí em cima ponha no número 108, 103 e 101! As outras você já conhece a rotina! - Abriu um adendo, advertindo-o e indicando onde o rapaz deveria distribuir as correspondências - É verdade, a minha flor é um pedaço de mal-caminho… Prefiro mantê-la a salvo desses pequenos vigaristas, ela não é uma mulher que se encontra facilmente por aí. São outros tempos, sabe?

Endeavour assentiu com a cabeça e papearam mais algumas besteiras, contaram algumas piadas até que cada um seguisse seu rumo. Um “até mais” breve, mas que deu um pouco de energia positiva ao mago, que apesar disso não demorou muito a entrar no seu próprio mundo interno e seguir rumo ao seu afazer do dia.


Era o dia! O dia mais louco do mês! Dia de fazer o mercado e encher os armários de casa. O bolso cheio por pouco tempo lhe dava a segurança de que não passaria fome ou que ainda podia ser ousado para extrapolar um pouco o orçamento. Conseguiu ótimas gorjetas na Old Line e, dessa vez, dava para respirar aliviado sem ter contas penduradas. Havia algum tempo desde que conheceu a Aurum Phoenix, digo, a Coroline Dean… Ou só Dean, ou apenas a “encapetada da batata-frita”. Keepler acabou se esbarrando com ela enquanto a mesma entrou em um embate com uma pessoa desconhecida (Hisako) e, após esse evento, se acharam pela cidade coincidentemente mais algumas vezes e passaram a conversar e se aproximar até que isso foi se tornando uma amizade harmoniosa  e sincera. Muito disso foi pela curiosidade insistente de End em conhecer o lado guerreiro da mulher, ainda que conseguissem ter uma conversa divertida e aleatória, esse tema sempre bailava na cabecinha do mago e, vez ou outra, ele a instigava sobre lutas. Dessa vez, entretanto, a missão deles era muito complicada, a princípio.

O mercadinho o qual sempre faziam compras estava com preços salgados nos últimos tempos e após pesquisarem preços pela cidade acordaram em começar a fazer compras em um supermercado recém-inaugurado próximo de onde circulavam. Como atrativo de abertura, haviam excelentes promoções em cartaz nesse novo lugar. Ambos então combinaram de experimentar comprar nesse lugar, se fosse viável, fazer uma compra grande seria muito melhor ali do que toda semana visitar pequenas lojinhas. Keepler ainda era meio… Melhor, MUITO antiquado, não tinha celular, sendo possível apenas contactá-lo quando estava em casa ou no trabalho, fora isso ele estava solto no mundo. Coroline provavelmente esqueceu de ligar para ele para confirmar o que iam fazer, mas isso não o impedia de continuar com o plano.

Seguiu para o lugar combinado, chegando alguns minutos mais cedo como de praxe, aguardando-a na entrada do mercado. Vestido com uma camisa de manga comprida branca, calças jeans e botas track pretas, o mesmo ficou escorado na parede por um bom tempo, olhando o vai e vem das pessoas até que ouviu o som de um pneu cantando contra o asfalto do estacionamento, podia ouvir um som estridente de dentro do carro, mas não era música. A maneira energética a qual a Dean tinha para com os meninos era louvável, ela passou perto de onde End estava e ele pôde vê-los, mas ela estava muito mais preocupada em achar uma vaga e resmungar por algo. Engarrafamento? As “crianças” já tinham aprontado pela manhã? Não importava, achava divertido aquela interação deles de qualquer forma.

Não esperava que ela viesse acompanhada, todavia isso não fazia mal, pelo contrário, mantinha a mente dele ocupada o suficiente para conseguir fazer as pequenas coisas que precisava. Acenou para todos de maneira singela até que o trio se aproximou, seguindo aquele script normal de encontros ao passo que adentravam ao mercado: Yue um rapaz maior e mais retraído que parecia um poste ao lado da mãe e da irmã, essa última era Lilith, a pimentinha. Por mais estranho que parecesse eram filhos de Dean, ainda que as feições dos 3 os fizessem parecer todos irmãos e pessoas com quase a mesma idade. As portas elétricas se abriram e a baforada de ar frio do ar-condicionado os abraçou, ao mesmo tempo que um vai e vem frenético de pessoas acontecia.

[Keepler]: Uh! Hoje ele está cheio… Se bobearmos vamos perder o dia inteirinho aqui.

Essa não parecia a melhor notícia para se ouvir, enquanto pegavam os carrinhos para se preparar para a maratona, o lado infantil de End veio à tona.

[Keepler]: Hey, Dean! Vamos fazer uma corrida, eu e Lilith contra você e Yue, quem terminar as compras e chegar no caixa… - Olhou para a fileira imensa de caixas, acabando por escolher um aleatório -... No caixa 16 primeiro ajuda a pagar metade das compras do outro, Ok? Vale tudo!

Não importava muito se a mulher ia topar, mas com certeza as crianças iam adorar a ideia.

[Keepler]: Lilith, você pode escolher 5 coisas pra você e por no meu carrinho, quaisquer coisas, se eu ganhar será seu! - Sussurrou, isso com certeza esse era o pior estímulo que ele podia dar a peralta. O homem pediu para a garota entrar no carrinho dele e ficar sentada lá dentro, ignorando qualquer advertência que pudesse vir da mulher com aquele comportamento. Fingiu sons de um carro envenenado fazendo vai-e-vem com ele simulando a força de arranque, enquanto os envolvidos na disputa emparelhavam os carrinhos antes da contagem - Um! Dois e… Vai!!!

Queimou a largada de propósito, disparando para a primeira sessão na frente deles, com a menina dentro do veículos com os braços para cima. Vocês conhecem o desenho “Corrida maluca?” Sim? Não? Se conhece sabem como são seus respectivos competidores. O supermercado se tornou um espaço muito pequeno para comportar a energia deles. Endeavour estava desgovernado pelos corredores, fazendo com que o barulho das rodinhas arranhando o chão fossem ouvidos de longe. Ele dava as instruções a Lilith, enquanto ele pegava os produtos no alto, a companheira de equipe se tratava de jogar tudo sobre o colo dela dentro do pequeno espaço.

Por morar sozinho, Keepler tinha uma vantagem em não comprar tantas coisas assim para ele, todavia a regra era o “vale-tudo”, isso incluía que ao encontrar com os concorrentes, furtavam alguns itens do carrinho deles, assim como jogavam coisas completamente desnecessárias para eles perderem tempo tirando. Trapaça? Sim. Divertido? Com certeza! Mas isso não o isentou de sofrer ataques semelhantes, mesmo com sua guarda-carro ali, numa dessas sabotagem Lilith ficou entalada nas compras e ao tentar evitar que o irmão pegasse alguns itens deles de volta, acabou caindo e virando o carro inteiro, fazendo com que perdessem tempo pondo tudo de volta. Fora quanto um dos seguranças do lugar os chamou a atenção pelo excesso de velocidade, porque podiam causar um acidente, fosse atropelando alguém ou danificando o carrinho.

[Lilith Yagami]: A mamãe vai matar a gente... - Disse a garota preocupada.

[Keepler]: Só se contarmos para ela, do contrário, não vai dar nada!

[Lilith Yagami]: Como não vai dar se ela está ali olhando para nós?

O rapaz nem quis olhar para trás e ver a expressão da amiga. Ignorou, fingiu que não sabia o que estava fazendo e seguiu com as compras. No final das contas, acabaram chegando poucos instantes mais tarde ao caixa escolhido. Dívida era dívida e a fez cumprir, mas apesar de ter perdido, não deixou de presentear a garota com as peças que ela havia escolhido, além de ter pedido ajuda à ela para comprar algumas coisinhas para o Yue, de maneira que ambos ganhassem as coisas igualmente.

Após tudo embalado, decidiram parar na padaria & lanchonete do estabelecimento para matar a fome. Dentre os pedidos, o mago veio com um copão de capuccino bem quentinho e pãezinhos de queijo. A mesa era estilo retro 80’, onde havia pequenos sofás em duas extremidades dela, frente a frente. Sentou-se ao lado de Coroline enquanto as crianças ficaram juntas de frente pra os dois, no campo de visão da mãe, provavelmente para ela não perdê-los de vista e se certificar que teriam bons modos.  O mago parecia um pouco apressado, tirando a tampa do copo e dando uma golada barulhenta na bebida que tomava, segurava com as duas mãos enquanto afastava o rosto em um suspiro de satisfação e um “bigodinho” melado. Se deu o prazer de beber mais um pouco antes de limpar os lábios e começar a devorar os bolinhos um a um. Ele tinha uma ideia na mente, talvez ali fosse o momento mais oportuno.

[Keepler]: D, sabe… Eu estava pensando aqui. - Colocava um pãozinho inteiro na boca, mas o fazia desaparecer em segundos - A gente podia praticar uns esportes juntos, sabe? Digo, depois daquela situação inusitada que vi de você e a outra coi… Pessoa, acho que seria bacana a gente treinar um com o outro. Não acha?

Não queria falar na frente dos meninos explicitamente que a mãe tinha brigado na rua com uma criatura (Hisako). Provavelmente não era algo conveniente para eles saberem, achava isso, ainda que a carinha deles com a fala “esguia” de Keep demonstrasse clara curiosidade, se tivessem que saber detalhes ou algo do tipo, que fosse pera Coroline.

[Keepler]: Eu costumava a ser bem atlético, mas estou enferrujado… Vamos!? Não será nada demais, apenas um duelo amistoso! Espero que aceite, de verdade. Vai ser divertido! Se ganhar te pago batatas fritas por um mês, se perder terá que fazer almoço para mim pelo mesmo tempo...

A mulher que às vezes parecia muito distraída, dessa vez aparentava estar mais para o lado de contemplativa. Uns instantes de silêncio enquanto o homem aguardava a resposta, mas ela pediu licença para ir ao toalete. End voltou a se concentrar nos pãezinhos, colocando dois na boca para fazer alguma careta engraçada para os filhos da Dean, que dessa vez não pareciam tão animados. A Lilith em específico parecia mais acuada.

[Keepler]: O que foi, pequena? - A chamava assim por mania.

[Lilith Yagami]:… Sabe, isso não é uma boa ideia. Lutar com a mamãe. - Ela desviou o olhar hesitando um pouco, até mesmo o irmão acomodado em seu canto, pareceu ter um sutil interesse no que ela falava. - Assim, tio Keep… Ela não é uma lutadora, a mamãe é…

A mesma parou de falar, foi interrompida apenas pelo fato de ter visto a mãe estar chegando perto da mesa. Isso atiçou o interesse do rapaz em saber como a filha encarava Dean nesse aspecto, acabou deixando escapar um sorriso no canto dos lábios, pois havia enxergado uma preocupação na mesma e, talvez  essa reação dele passasse alguma segurança para Lilith, porque a feição dele praticamente dizia: ”Está tudo bem, eu sei o que estou fazendo”. Claro, ele podia ser bem seguro de si ou doido demais, porque não sabia de tudo de verdade, entretanto o desafio era o atrativo. A menina, por sua vez, pode ter duvidado um pouco da postura de End, todavia, o gesto dele teria sido o suficiente para tranquilizá-la, ao menos naquele instante.

Não era irmão biológico de Dean, mas pelo jeito de se comportar e por não aceitar ser chamado de senhor, as crianças acabavam adotando o termo “tio” para se dirigir a ele. Além do fato de ser um adulto o qual os garotos demonstravam respeitar e enxergar como alguém próximo. Com a chegada da mulher, o mesmo não retomou o assunto. Acabaram falando de outras coisas e matando a fome. Acabaram o lanche e encerraram esse assunto, pegando todo aquele monte de sacolas e levando para o carro, onde ele ganhou uma carona até em casa.

No percurso, por algumas vezes o semblante de Endeavour mudou, parecendo distante e perdido ao fitar a cidade passar diante de seus olhos pelo vidro do carro. Deixou um pedaço de si transparecer, o de que alguém que não estava realmente ali e que algo não estava bem consigo. Repentinamente, ao notar que a melancolia começava ressurgir, o mesmo alternava de expressão e esboçava novamente seu lado animado divertido, o qual era uma camuflagem quase perfeita… Talvez isso, dessa vez, não passasse totalmente despercebido.

Alguns minutos depois, chegaram em frente ao prédio onde ele morava e, ao receber ajuda do garoto para por as compras no apartamento, o mesmo se aproximou da porta do carona se apoiando na janela, enquanto a dupla de pentelhos se acomodava nos bancos de trás, já cutucando algumas das compras; End sorriu olhando para elas antes de voltar a atenção à amiga.

[Keepler]: Obrigado pelo dia! Me ajudou muito com essa carona. Parece que conseguimos economizar um pouco em relação aos gastos que tínhamos ao comprar de pouquinho em pouquinho quase toda semana… Ah! E, Independente do que me responder sobre a minha proposta de duelo amistoso, eu irei te esperar amanhã ao entardecer, na clareira em Sarah Forest… Espero que apareça, é importante… - Essa última sentença tinha um peso maior que todo o resto proferido, como um raio negro, os olhos dele pareceram sem brilho por milésimos ao fitar os dourados de Dean, um pedido de socorro inconsciente e silencioso. - Tenham uma ótima noite! Tchau crianças, se comportem! Até mais! - Deu umas batidinhas no teto do carro e recuou esperando o carro sair, chegando a acenar para só depois de perder o veículo de vista se dirigir para casa.

- Click! - A porta do apartamento estava fechada, e ele estava em sua cela privada, em sua solidão plena. Parado de frente para o amontoado de compras, o corpo do mesmo foi relaxando daquela animação, deixando essa alegria escorrer para o chão igual à quando se molha na chuva e, junto com esse líquido invisível a máscara dele foi embora. O olhar se perdeu e os pensamentos torturantes retornaram, enquanto ele arrumava as coisas em casa no  modo automático, enquanto que pela janela, o crepúsculo era o oposto de antes, o sol se escondia e a noite sem estrelas e sem lua avançava sobre todos… Sobre tudo.




Domingo, entardecer. Sarah Forest...


Uma das coisas mais terapêuticas que conhecia era pôr os pés descalços em terra úmida e em grama rasteira e respirar o perfume das árvores e amontoado de folhas secas. Ouvir o farfalhar das copas ao vento… A harmonia mais pura e simples da natureza. Todavia, nem isso conseguia acalmá-lo de verdade. Chegou antes do combinado com uma mochila pequena nas costas, deixando-a encostada numa árvore enquanto se preparava para o possível embate.

Usava uma calça marrom com textura e formato semelhante a de um kimono, mas que ia até a metade da canela, onde ele usou faixas de couro para prender a bainha no corpo e também enfaixar a perna e os pés, deixando apenas os dedos e o calcanhar expostos. Essa faixa era fina e tinha a mesma função das ataduras que lutadores usam para evitar o atrito direto sobre a pele, as mãos e antebraços também foram envolvidos pelo material, com apenas os dedos de fora. Na cintura, uma enorme faixa vermelha estava envolvida na cintura, era usada para prender a roupa inferior, a fim de garantir que ela não cairia, ficando com um nó na lateral esquerda, com duas pontas caídas até a altura dos joelhos.

Keepler já conhecia a floresta, visto que fora palco de suas tentativas frustradas de abrir portais dimensionais várias e várias vezes, como outros cantos da cidade também não escaparam de seus experimentos. Entretanto o local já estava começando a ficar visado por curiosos tornando cada vez mais arriscado manter aquele tipo de atividade ali. Hoje, entretanto, havia uma série de shows e eventos na cidade, dificilmente alguém desviaria os olhos para aquele lado de Second Southtown. Aproveitou-se da clareira com alguns equipamentos rústicos de treinamento marcial e começou a cutucá-los como uma criança curiosa, instigou as toras de madeira suspensas por uma corda, passou por baixo da imensa bola de  ferro. Sua andança aleatória era um reflexo do que acontecia dentro de si.

Mentiu. Sim, ele mentiu para Dean ao dizer que era apenas um duelo amistoso. O verdadeiro motivo para o embate era muito mais importante e profundo para o mago. Ele queria tirar a prova, queria se certificar que o motivo dele estar preso naquele mundo era exclusivamente por ele ter ficado mais fraco. Se ele de fato havia se tornado tão relaxado e indisciplinado com o passar dos anos, de maneira a qual chegou ao estado de não conseguir usar seus poderes em totalidade, sendo assim a provável causa de sua viagem nas dimensões não ser possível agora. Estaria recebendo a pior punição possível pela sua negligência. Essa dúvida parecia centenas de agulhas pressionando o coração dele ao ponto máximo de quase perfurá-lo. Das duas uma: Ou ele se livrava delas ou seria morto de uma vez só por dentro.

Pendurado de ponta cabeça, se agarrando a um galho com a parte posterior dos joelhos, o ele estava quase totalmente distante da realidade quando ouviu passos não muito longe dali, vindo pela retaguarda. Para quem chegava, dava para ver o enorme losango vermelho nas costas dele, e não era o tipo de marca que parecia ser uma tattoo e sim um sinal da pele mesmo, visto que até as cicatrizes sobre em sua carne dentro dessa região tinham a cor avermelhada, haviam muitas cicatrizes por sinal, por todo o tórax.

Quando quem se aproximava estava mais perto, o moreno se desprendeu da árvore e amorteceu a queda com a ponta dos pés, se abaixando em um movimento suave e logo depois ficando de pé de frente para Dean, ou esperava que fosse ela. Não usava, entretanto nenhuma roupa na parte superior, e seu físico parecia o de alguém que alguma vez na vida tivera uma rotina bem rígida de exercícios. Ainda era alto e esbelto. Ao lado da região do coração havia uma grossa e indiscreta cicatriz vertical, evidenciando que ele já havia sido transpassado ali por uma espada muito grande de fora a fora, deixando aquela incógnita de como o mesmo ainda estava vivo. O mago tinha muitas histórias para contar para aqueles interessados em ouvir.

[Keepler]: Eu sabia que viria! - Esboçou um sutil sorriso no canto dos lábios, caminhando para perto da mochila. - Um amistoso não é sinônimo de moleza, tá? Em Naipes os treinos eram tão levados a sério como uma uma luta real. Só que hoje… - Soltou alguns grunhidos enquanto tentava tirar algo da bagagem até que um grande livro de cor lilás com aparência escamosa, folhas em um anel metálico e um imenso olho fechado na capa foi tirado de dentro dele - …Será um embate especial porque, além de minhas cartas, outra companheira também vai me ajudar. Dean, essa é a Tempestas!

O olho se abriu revelando uma íris azulada intensa, como se fosse feita de chamas azuis e uma pupila vertical. Claramente uma criatura viva, porque olhou para Keepler e depois fitou a mulher em questão, fechando parcialmente as pálpebras em um gesto de desconfiança o qual Endeavour ignorou por achar um comportamento normal.

[Tempestas]: ...


[Keepler]: Espero que esteja pronta. Começamos assim que quiser! - Retrucou segurando o livro aberto com a mão esquerda na altura do busto, de maneira que ele ficasse acessível para leitura, enquanto os pés estavam lado a lado e pareados numa postura semelhante a de um lutador de artes marciais, enquanto que o deck de cartas, de um gesto similar a de um mágico de circo, já estavam na mão destra dele. Fitando-a no fundo dos olhos dourados, em contraste com a íris lilás dele, aguardava o momento certo para mergulhar na luta






avatar
【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr
Árbitro
Árbitro

Aniversário : 15 de Novembro
Lugar de Origem : Naipes (Universo Fictício)
Mensagens : 15
Data de inscrição : 09/05/2018

https://postimg.cc/gallery/146ful15y/

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: 【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Seg Out 15, 2018 1:00 am


Lista de movimentos




APARTAMENTO DE COROLINE. COBERTURA, PENTHOUSE.


MADRUGADA DE SÁBADO.


Era comum que no meio da noite, a mulher de cabelos ondulados e longos abrisse seus olhos e encarasse o teto branco de seu quarto. Três horas da manhã. Ela nem precisava se dar ao trabalho de encarar o relógio ao seu lado no criado mudo, para saber que eram três horas da manhã. Dean já sabia a hora que era. A Éther, possuidora de pele branca e alva, clarinha, quase como um floco de neve, se levantava de sua enorme cama enquanto a camisola vermelha caia sobre seu corpo, à medida que suas pernas torneadas eram puxadas, para que esta as abraçasse por sua falta de sono.


Dean sempre dormiu parcamente, durante uma vida toda, em seu passado ou em seu presente. Os seus longos anos de hibernação também não a ajudavam a aproveitar boas horas de sono. Havia uma ou outra coisa que poderia a ajudar a adormecer por algumas horas a mais, só que isso estava longe de retornar. A Éther se sentiu preguiçosa encima de sua cama espaçosa, foi descendo o corpo para trás devagar, enquanto apoiava os braços novamente a cama, e assim que adquiriu uma base firme, cruzou as pernas, olhando para a porta da sacada que lhe dava uma visão para o grande deck da sua Penthouse.


Coroline movia os dedos dos pés delicados, assim como afastava um pouco os lábios grossos de entonação quase avermelhada. A morena sorriu para a sua visão noturna, Dean às vezes necessitava um pouco de um tempo para ela mesma, nessas horas, o seu curto período de sono viria a calhar, e era justamente nesses períodos em que ela se encontrava sozinha, que a morena viria a liberar um pouco de seus pensamentos acumulados. A Éther puxou as pernas até onde conseguiu e então as estendeu, virou o corpo todo a sua direita para se levantar de uma vez, e sua camisola de tecido fino esvoaçava sobre seu corpo, tocando suas coxas e está dançava a cada passo que ela dava, acompanhando cada uma de suas curvas ternamente desenhadas, em traços sutis e tentadores.


A Hawkins se dirigiu a porta dupla de vidro, cujo o pouco de seu amadeirado estava pintado em um azul bem claro e a abriu, andando pela varanda onde há duas poltronas de vime e estofado de coloração creme, e pôs a se sentar em uma delas, olhando a mesinha onde ela costumava a colocar uma xícara de chá e ficar um bom tempo pensativa. Dean foi até a ponta, apoiou-se por ali na grade, sentindo o contato da pele contra o metal frio e franziu o cenho enquanto bocejava levemente. Sentia falta de noites frias.


A Éther apenas ficou olhando para a cidade, observando-a pela visão que ela tinha dali da cobertura que comprara, da vida que levava. Fazia quanto tempo que morava em Second Southtown? Não sabia, na verdade não tinha certeza exatamente. Ela foi ali para tentar uma vida á dois e se encontrava solitária novamente. Não adiantava, sua espécie não era como a humana, eles fracassavam miseravelmente em ficar pulando de galho em galho, por mais que tentassem assim se firmar para tentar coletar migalhas de felicidade, acabavam por arruinar isso. Às vezes o melhor caminho, estivesse em permutar uma caminhada conjunta para uma estrada solitária. Ela viveu uma eternidade assim sozinha, o que seria anos mais sem ninguém? Além do mais, Dean não se encontrava assim tão solitária. A vida lhe pregou peças, das bem intensas, ela lhe deu filhos.


Lembranças vivas de um algo doloroso que ela não conseguia deixar de escapar e como se não bastasse, dos três que compunham a lembrança do seu tão almejado sonho estraçalhado, a mais velha era o seu castigo, uma cópia viva de seu transtorno diário e desgosto mental e físico. Ária (que é o nome de nascença desta criatura e que jamais foi compartilhado com ninguém, nem mesmo na retomada de suas memórias outrora enterradas), se perguntava de quais coisas que ela fez em seu passado tão longínquo que pode ter custado uma “tirada na cruz”.


O garoto, o mais novo, depois de o ter trazido de volta de sua suposta duplicidade, cuidar levianamente de seus problemas, mostrava a Dean que ter que  manter um olho nele, quase que um dia inteiro, estava longe de ser uma tarefa fácil. Seu relacionamento com a menina, a Siren, não era lá os melhores de sua vida, na verdade, se quer se comunicavam direito. Lilith e ela não bicavam, para se pôr em palavras verdadeiras, a menina a temia, e a filha adotiva, bem, o que ela poderia falar de Carol? Nada, era a única que não tinha problemas dos filhos que moravam consigo. Os de fora, aqueles que tinham vida própria, era os que menos ainda Dean tinha alguma coisa para reclamar. Jason male mal lhe dava dor de cabeça, Henrico “Harry”, então nem se falava, e dos cinco que compunham os seus filhos, este era o que deveria a deixar de cabelos em pé, e o mesmo a deixava despreocupada, o que às vezes tornava as coisas uma ironia.


Coroline fechou os olhos brevemente enquanto os dedos indicadores se envolviam com os médios, uma leve sensação de desprazer passou pelo seu corpo. Nessas horas ela costumava sentir o cheiro de alguém zanzando bem próximo de si, procurando pelo seu calor na cama, após sair emburrado dela e proclamando por uma resposta do porquê dela não estar deitada na mesma, e como sempre ela iria dizer que já havia descansado demais, e de fato, ela estava já descansada, e ficaria assim desperta por longas horas a fio. Mas não hoje, não ontem, não como anos atrás, mais uma vez estava só se imaginava assim por um bom tempo.


Viver com a Éther não é uma tarefa fácil, não era uma rotina de dia a dia em que você saberia exatamente o que estava fazendo sem se arriscar em algo. É difícil viver com alguém que não tem muito gosto por troca de palavras, mas que tem uma constante disposição para demonstrar afeto de alguma forma. Dean não gostava de falar, ela não curtia ouvir pessoas falando a não ser que demonstrasse algum interesse em ouvi-las dizer algo. Se não havia necessidade, muitos atos eram descartados por este ser. Ela era observadora, terrivelmente observadora, analítica a seu todo e apesar de não cobrar nada em retorno do que era feito, não significasse que ela não estivesse atenta a muito do que acontecia.


Talvez por isso, ela estivesse sempre acostumada a dar passos gigantescos sempre em frente, acabando por deixar quem quer que estivesse a seu lado para trás, e cada vez mais distante.


A Hawkins se afastou da grade de metal, sentou-se em uma das poltronas e cruzou as pernas enquanto olhava o cenário que tinha a disposição. Podia ir à sala ver um filme, fazer alguma coisa na cozinha, começar a arrumar a casa, ou esperar algumas horas a mais para isso. Nesses momentos ela só podia se dar ao luxo de esperar o amanhecer vir e se deliciar com a paisagem que teria ou parar para pensar nos sonhos que tinha. Era uma boa forma de passar essas horas sem fazer nada. Coroline também não queria incomodar nenhum dos meninos que ressonavam cada um em seu quarto, tranquilamente. Seria melhor esperar mais duas horas antes de começar a sua rotina, o seu velho dia-a-dia.


E falando em sonho, ela se lembrou de algo que não havia parado para pensar desde então. Fazia muito tempo que ela não sonhava com o velho Henry, e ultimamente, a figura paterna que tanto fez seu mundo reluzir anos atrás, passou a lhe aparecer e muito de uns dias para cá. Uma coisa que não era comum. Para a Éther não.


Reviver as lembranças de Henry sempre foi algo de muito precioso a Ária. Não se tratava somente de um humano que a acolheu quando ela não se lembrava de nada. Esse homem foi a única visão paterna que ela teve em uma existência, toda uma fonte de carinho que ela se quer sabia que existia e que era possível de se ter. Ele era o “All Might” dela. Se havia alguém deste universo ou da qual ela nascera que conseguiria chamá-la e colocar alguma razão nessa criatura sentimentalista e com um gênio de Deus nos acuda, esse alguém era Henry Hawkins.


Bastava ele falar algo e Dean o ouvia. A Éther era capaz de ouvir e pensar sobre as coisas que ele falava, refletir e até levar em consideração o que o velho policial do vilarejo de Bourton-on-the-Water dizia. A presença dele dizia muito a ela. A companhia de Henry falava alto em Ária. Seria isso feitiço? Alguma dominância? Uma habilidade especial dele? Não. O humano tinha o respeito da Éther. Coroline admirava o pai e dessa admiração vinha o respeito, e através disso ela o reconhecia prontamente como se este fosse um outro alguém de sua espécie. A Hawkins não enxergava nenhuma diferença entre os dois. No entanto, tudo isso dava-se mais a algo muito profundo vindo dela. Ela o amava. E era esse carinho que ainda continuava nos dias de hoje, que Coroline pensava mais de dez vezes, antes de tomar qualquer decisão drástica encima de qualquer um.


Dean só não entendia o por que dele tanto estar aparecendo.


Enquanto estava ainda entregue ao sono, a mulher foi levada de volta aos seus anos iniciais a Inglaterra. Uma casa simples, morando em um vilarejo antigo que ainda se mantinha ativo sabia-se ela naquele tempo por quantos anos. Ela tinha alguns anos vivendo com eles, pouquíssimos anos, mas já era uma menina de corpo crescido, talvez com seus sete ou nove anos. Henry a tomava na mão e a levava por uma das pontes locais, moldada de pedra e erguida por tempos esquecidos na história daquele país, onde provavelmente só os velhos poderiam contar o motivo delas terem sido construídas e por que nenhuma nova foi posta em seus lugares. Não importava em que lugar você olhasse em Bourton-on-the-Water, havia um imenso rio que separava os moradores, este de água límpida, podia se dar uma olhada no que passava por ali, e o melhor de tudo da paisagem, não era este lugar de água corrente onde em dias de calor o pessoal costumava se aventurar e se jogar ali dentro e brincar, a não. Era a paisagem.


A magia do vilarejo era algo que encantava o homem que decidiu formar uma vida em um canto em que nada de ruim quase acontecia, a vila inteira era rodeada por um verde belo, árvores enormes com folhas verdes ou coloridas. As mudanças de estações era onde tudo ficava mais interessante, e Henry não se cansava de olha-las. Assim como não se cansava de olhar a pequena criatura que segurava a calça dele, com seus dedinhos miudinhos, e os olhos grandes e dourados fixos no rio a procura de um peixe ou qualquer outra coisa que pudesse e muito fazer o dia dela ganhar um significado tremendo através de uma descoberta.


Ele sorriu para ela, sempre um homem nos primórdios de sua vida adulta, com cabelos curtos de tom louro um pouco escuro, olhos verdes de tonalidade vívida, curioso a tudo o que aquela criaturinha que ele encontrou um dia perdida abaixo da chuva e faminta faria. O Hawkins então a chamou com calma como sempre fazia, e pronunciou aquelas mesmas palavras que vinha fazendo quase todos os dias, por mais de uma semana. “Ei, Pumpkin.... Pumpkin! Isso querida, olhe aqui! Nunca se esqueça de ouvir está bem? Olhe, e ouça. Isso meu bem, boa menina.” Essas palavras, no entanto, não faziam sentido algum a ela. Isso era estranho... Estranho demais para esta criatura etérea. Parecia que estava de volta em 1973, quando a única coisa que ela tinha interesse era colocar a cabeça em uma abóbora e sair correndo atrás dos cachorros da vizinhança.


Dean apoiou os braços na poltrona de vime e suspirou ao jogar a cabeça para trás. Ela ficou ali durante horas repetindo a mesma coisa sempre, repetindo o: olhe e ouça, e isso ocorreu durante algumas horas, na tentativa de encontrar alguma coisa em sua memória que lhe fosse de valia.


MANHÃ DE SÁBADO.


Algumas horas se passaram desde que Dean havia acordado e parado para refletir sobre o sonho que vinha tendo. A morena depois do café da manhã, teve seu primeiro aborrecimento: sua filha mais velha, Carol, não estava em casa. Saiu de manhã cedinho com a case de violoncelo nas costas, dizendo que iria encontrar uma amiga, uma tal Filia que Dean achava que a mocinha estava vendo de mais para o gosto dela. Sim, ela achava incomodo, para a Éther era realmente chato, pois poderia não parecer, mas a mulher tinha um ciúme de sua “Baby-Girl”. Para completar aquela manhã na sessão do “piss me off in the morning today”, os dois mais novos estavam em pé de guerra, e demorou mais ou menos uma hora para ela entender o que estava acontecendo.

Haviam dias em que eles estavam propensos a fazerem absolutamente nada, até conviviam em paz, só que haviam outros em que as “crianças” simplesmente se tornavam dois mensageiros do demônio, e a dupla infernal conseguia o impossível: deixar a mãe fula da vida mais cedo que qualquer um conseguia. E esta briga dos dois filhos mais novos de Dean começou por causa de uma tela de pintura que foi rasgada.  

O caçula de Dean, um garoto de um metro e noventa e três de altura que tinha poucos anos de vida, e mal parecia ser assim devido a sua aparência, possuía como hábito e parte de seu tratamento mental, o desenho e a pintura. Quando ficou ciente que a pessoa que andava em casa consigo não era Yue e sim uma parte da consciência dele, um instinto primário que imitava o garoto e o manteve preso em sua psique como forma de mantê-lo seguro após o trauma de levar um tiro que o deixou com um grave ferimento na cabeça. Coroline após trazê-lo de volta, achou melhor vasculhar por possíveis sequelas e acabou descobrindo que haviam de fato algumas, sendo que uma ou outra era proeminente de habilidades mentais propensas a se tornarem gritantes a qualquer momento, e outras, um terrível efeito do ferimento. Esse tipo de coisa vinha tranquilizando o rapaz que podia ser até esperto em alguns aspectos, mas que infelizmente, seria incapaz de se desenvolver em outras por conta das sequelas do ocorrido em sua infância e o atropelamento em seu crescimento. Se não fosse por essa interrupção, que forçou seu desenvolvimento desacelerado, Dean já teria o enterrado há muito tempo junto a Iori Yagami, o pai menino.  

Este tratamento peculiar ajudava Yue a liberar uma descarga de sua cabeça, e ainda a se expressar, dentre outras coisas que o impedem a mais de agir normalmente. O garoto não é do tipo que falava, se ele disesse mais de uma palavra por vez era muito. Mas bastava se imaginar no lugar dele. Em um momento você é uma criança, no outro você é um rapaz. Neste período de tempo se passou um quase dois anos que ele não se lembrava de ter vivido, se quer de ter feito nada do que lhe foi dito, e aos poucos que a memória ia vindo, ele se assustava, pois jurava nunca ter feito nada daquilo. E família ainda ficou toda bagunçada, estava toda defasada, tudo arruinado e destruído. O Yagami mais novo se fechou dentro dele mesmo e decidiu que falar seria umas das ultimas coisas que ele faria, mesmo que o motivo para isso nunca ficasse abaixo da luz.

Pois bem, ver a tela rasgada deu uma ideia a Dean do tamanho do problema que ia ser aquela manhã, e o garoto não gostou mesmo do que viu. Lilith não fez algo intencional, bom, não totalmente intencional, ela olhou para o que o irmão havia desenhado, o que sempre se resumia a seus sonhos estranhos e bizarros. Existia nas pinturas algo inusitado, alguma forma de vida esquisita, terrível ou de forma duvidosa. Lilith não tinha ideia que a tela estava fresca, meteu o dedo, mexeu com a unha, e colocando um pouco de força para tentar borrar o trabalho do irmão só para atazanar e vê-lo perder mais algumas horinhas em concertar o seu trabalho duro, a Siren acabou rasgando foi é tudo.  

Dean não sabia se dava com a mão na nuca dela ou se simplesmente berrava na orelha da menina, pois Lilith era outro elemento surpresa de sua vida.

Quase um ano mais velha que Yue, a Siren era a união de dois mundos, diferente do irmão cuja a miscigenação das duas espécies resultou em algo totalmente diferente em sangue e carne. Ela não tinha um elemento trágico que tivesse a impulsionado para se parecer alguém tão bem formada, mas a vida de Dean alcançou Lilith cedo e para uma criança, o que a mãe fazia significava uma vida não segura. Os efeitos das sombras das caças de Dean, foram refletidas na menina ruiva, que só não foi vitimada por conta da Éther. Talvez ver o que viu, seja o fator principal do comportamento arrojado de perigoso de Lilith, mas foi no contato da natureza da mãe com a da Siren que fez com ela fosse mudando. E infelizmente, não importa o que você seja, não existe bola de cristal que te ajuda a ver o que vai acontecer com duas criaturas que nunca existiram antes, e Dean não era clarividente, a morena não podia ver o futuro.  

O garoto não aceitou muito bem o que aconteceu e mesmo com pedidos de desculpas sendo feitos, estava aquele dia sendo pela primeira vez na história das duas mulheres da casa, o dia em que Yue Yagami mais falou na vida (ou na presença delas, vai saber).  

—— VOCÊ FEZ DE PROPÓSITO.

—— Eu juro que não fiz de propósito. Eu só queria dar um pouquinho de trabalho, mas não tudo isso de trabalho assim não!

—— Porra garota! Por que você tem que ser um demônio na minha vida? Caralho Lilith. Olha só o que você fez, estragou com o meu trampo! Eu tô a um mês fazendo isso, um mês e eu nem pintei ele todo. Se foder. Eu vou arregaçar com a tua cara.

—— E você acha que me aguenta o charopeta? Eu te dou um chute bem dado nesse seu traseiro magrelo, e vai se arrastando pra mamãe!

—— E eu te dou um sarrafo que a bebê do papai vai chorando pra ele cheio de nham-nham-nham como você sempre faz, bebê chorona!

—— EU NÃO FAÇO ISSO!

—— VOCÊ FAZ!

—— NÃO!

—— EU QUERO QUE SE DANE, VOCÊ VAI REFAZER O MEU DESENHO.

—— EU NÃO VOU FAZER NADA.

Cansada de ouvir a gritaria, Dean pegou cada filho pela orelha e torceu até ter certeza que nenhum deles iria conseguir gritar mais pela dor. No inicio teve um pequeno alarme da parte de cada um, mas os “AI, AI” foram diminuindo à medida que a mãe piorava as torcidas que deixariam as orelhas de cada um inchadas.  

—— Sua irmã não é um demônio, ela pode não ter muito o que fazer na hora vaga, mas ainda não é um demônio. E você menina, próxima vez que estragar com as coisas do seu irmão e causar o oposto do que estamos tentando fazer, a mensagem que você vai mandar pro seu pai é a que esta no hospital, por que eu vou te quebrar todinha e pode ter certeza, que vocês estarão partilhando quartos, por que o próximo que xingar aqui dentro que não seja esta que vos fala, eu irei estourar a cara de vocês, me entenderam?

—— Tá-tá-tá, si- sim-sinhora! —— Disseram em uníssimos, com os olhos marejados e com o corpo torcido, rendidos a ela e com as orelhas roxeadas.

—— Agora é sério, vocês não têm mais o que fazer não? Nem é nem dez horas. —— A Éther os soltou devagar os encarando. —— Por que ultimamente não andam conseguindo ficar no mesmo recinto sem soltar farpas? Ultimamente na hora de bater nos outros, vocês andam cooperando um com o outro, mas quando têm que ficar bem, só falta se comerem vivos! O que anda acontecendo com os dois, hein?

—— Sei lá. —— Mais uma vez eles tiveram uma reação única e junta. Deram de ombros e falaram ao mesmo tempo, como um perfeito casal de gêmeos.

Coroline pendeu as duas sobrancelhas em surpresa. Isso sim nunca deixava de ser esquisito.

—— Falando nisso mamãe, você não tinha que encontrar o tio Keepler hoje?

A morena piscou, ficou olhando a Siren por um instante. Lilith fitou-a de volta, curiosa com a expressão de devaneio que a mulher mais velha fazia, teria a mãe esquecido que tinha um compromisso na parte da manhã? Falaram tanto disso várias vezes, os meninos até haviam dito na possibilidade de irem juntos. Eles gostavam de Keepler. Era um cara legal. Achavam engraçado como ele e a mãe conseguiram moldar uma amizade sincera, e se portavam como dois irmãos ou velhos amigos que se separaram no tempo e se encontram depois de muito, mas muito tempo. A Éther ficou olhando para a Firehawk que tinha marcas azuladas que se alastravam por todo lado esquerdo de seu corpo, e então, como um estalo, sua mente voltou para o lugar e ela arregalou os olhos.

—— Oh meu Deus, eu me esqueci.

Yue que não estava nem um pouco surpreso com isso, redirecionou seus olhos heterocromáticos (o direito dourado e o esquerdo verde esmeralda) para o relógio de parede, próximo a porta, e fitou-o por um minuto.

—— Tem tempo. O tio Keepler não anda com telefone, se ligar para ele agora, acho que não vai encontra-lo em casa, melhor pegar o carro e se mandar Mom.

—— Eu esqueci dele totalmente... OH DROGA!

—— Você deveria usar a agenda que a gente te deu no teu aniversário.

—— Eu usei, mas eu esqueci do mesmo jeito. É melhor eu ir me trocar e vocês também.

—— Bem sobre isso, eu acho que eu deveria ficar aqui.

—— Eu não sei se eu tô no clima.

—— Ah, mas vocês vão, mas vão mesmo, sabe por quê? Se eu chegar aqui e estiverem os dois pirracentos e arretados de nariz empinados ainda em pé de guerra, essa casa vai ser pequena, então antes que continuem assim pelo resto do dia, é melhor irem comigo de uma vez do que arrumarem para a cabeça de vocês.

E assim eles foram.



CENTRO DE SOUTHTOWN, MERCADO.


MANHÃ DE SÁBADO.


Coroline nunca gostou muito de carros. Dizem que é seguro, muito melhor que motos, mas não para esta mulher. Ela odiava carros, tinha carteira por que antes que chegasse a cismar de ter família, seu automóvel preferível antes do transporte público era a motocicleta. Ela só gostava de motos, mas um dia ela encontrou Jason, cuidou do garoto, o adotou e alguém disse que ela tinha que ser responsável pelo bem dele e andar com o guri e sair correndo com ele por aí. O mais velho dos seus “filhotes”, nunca achou ruim de sua aparente demência e incapacidade de ver a diferença entre eles. Demorou muito para Dean entender que qualquer coisa que fizesse custaria muito ao pequeno na época, mas como ela entenderia? Ele se divertia e muito com as coisas que ela fazia. Não que ela não tivesse um meio para mantê-lo salvo. Coroline tinha uma maestria com a Aura Negra que chegava a deixar um desavisado boquiaberto com as coisas que ela conseguia fazer com ela, mas para o bem geral dele e daquelas vieram após ele, e principalmente para a sua mãe de criação na época, um pouco de juízo foi posto na cabeça dela, mesmo que a contra gosto.


Só que esse juízo não foi muito bem implementado, e muito menos fundamentada direito. Dean ainda odiava carros. Não suportava a ideia de ficar dentro de uma lata com rodas, e por conta desse contragosto, ela pisava fundo no Honda CR-V. Os garotos se divertiam com isso. Lilith era quem mais mostrava isso em face, pois a mãe parecia uma maluca no volante, correndo risco com eles ali dentro. Yue temia por si mesmo, segurando-se onde podia, enrolado até o pescoço no cinto de segurança, já imaginando que de hoje ele não passava e por aí vai. O guri ás vezes achava que ele estava mais seguro dependendo das suas asas que ainda não eram tão bem desenvolvidas assim, do que com sua mãe no volante, pois ela se enfiava no meio de um e outro, pisava ainda mais no acelerador, e a medida que pareciam que iam bater em alguém, o mais alto entre os três seres sentia a pulsação de seu corpo diminuir drasticamente, com ele tendo a leve sensação de algumas vezes ver em primeira pessoa seu próprio corpo, apesar de ser sua imaginação latente trabalhando (ou é o que o menino Yagami quer acreditar!).


—— Oh mommy! This is owesome!


—— Shiu! Não desconcentra ela! Se batermos nessa velocidade, você tá ferrada!


—— Deixa de ser chato, isso é muito legal, é igual aquele joguinho do papai, o carmageddon, só que não tem zumbis! —— Ela fez de propósito, sabia que se mencionar o pai, a mãe ia mais rápido.


—— Tem pessoas Lilith! Pessoas! Ela pode bater em pessoas!


—— Hahahaha! Isso! Vai mais rápido mama!


Mas Dean nem estava ouvindo-os direito, apenas concentrava-se em achar o novo mercado. Onde ficava mesmo? Enquanto concentrava no volante e uma hora ou outra ficava olhando para os lados e cobrando o mesmo da garotada em meio a resmungos, Dean encontrou o lugar onde deveria estar a mais ou menos uma meia hora, e enquanto procurava um lugar para estacionar, a mulher baixava a lei para os dois.


—— Sem gritos, sem brigas, sem encheção de saco, o primeiro a torrar minha paciência eu marco na minha lista negra por um mês.


Coroline saiu acompanhada dos dois assim que achou um lugar para estacionar. A morena suspirou quando ficou de frente a Endeavour e mordeu o lábio inferior enfezada consigo mesma. A Firehawk que usava as suas típicas roupas de Vault Hunter acenou para o “tio”, enquanto o rapaz, apenas o encarou e desviou o olhar, mantendo-se curioso para dentro do mercado novo. Estaria ele ignorando o mais velho? Não, Yue havia visto uma mulher passar ao seu lado comendo shokito, e o garoto tinha compulsão por doces. Ele já sabia o que queria ali dentro, e não tardou de ser o primeiro a entrar.


—— É pelo visto vai ser assim mesmo... —— Respondeu Dean nem um pouco animada. Ela não tinha planos de ficar ali a tarde toda. Suspirando e sentindo-se incomodada com o seu aparente destino neste dia, Coroline viu Lilith se apossar de um carrinho ao lado de Keepler.


—— Hu? Corrida? Hã... Eu acho que não é uma boa ideia, não.


Só que realmente não importava se Dean iria concordar ou não. Os irmãos que começaram o dia nada bem, se olharam, quase que soltando faíscas pelos olhos, e cada um segurou um carrinho, rosnando baixo. Se um iria pagar a compra do outro, aquele que ganhasse iria se vingar da manha conturbada! E Yue FARIA a irmã pagar pela tela pintada de um jeito ou de outro. O garoto sorriu para ela, um sorriso nefário que a fez congelar-se por um segundo no lugar que estava e segurar o braço de Endiamond. A Siren fez um bico de birra para o irmão, e atendeu logo em seguida o pedido do mago para entrar no carrinho.


—— Oh Deus, é hoje que eu pago mais do que um estrago. —— Parecia um drama exagerado de Dean, mas quem vivia diariamente com a dupla, saberia por que ela já estava visualizando o lugar incendiado, pessoas machucadas, estantes derrubadas e produtos acabados. Isso tudo era apenas por um motivo: não importava o quanto você dissesse algo a eles, nada fazia no fim parecia fazer muito sentido. Se tivesse uma força que os levasse a uma direção diferente, eles preferiam segui-la, como agora, onde preferiram ouvir o Endeavour e saciar o desejo de vingança do mais novo e competitividade da ruiva.


E lá se foi um dia de compras pacifico.


A morena tinha muita coisa para rever, mentalmente ela tinha uma lista própria que era dividida em suas necessidades, e nas dos três menores. No entanto, certas coisas ela só podia comprar em determinados lugares, dali mesmo, ela levaria somente o necessário para eles. Quando se tratava de compras, significava que Coroline estava repondo alguns mantimentos básicos e estava pensando em ter no meio delas regalias. A Éther podia ver uma coisa ou outra, mas estas ela não podia, por exemplo: Carol não estava com eles para ver coisas específicas ao gosto dela, isso significava que a mulher teria que sair com a menina outro dia, ou dar o dinheiro a ela para ver o que ela poderia querer ou teria que repor mais á frente. A brincadeira começou bem, a mesma ajudava o menino e parecia aproveitar bem o momento até que começou a presepada do vale-tudo. Coisas desnecessárias eram postas nas suas compras, e isso deixava ela incomodada. Primeiro por que Dean odiava qualquer gesto de golpe sujo, não importasse que fosse um joguinho. Segundo, ela tinha um hábito estranho de ter que ver as coisas em seu lugar. Se ela já os vira antes em um determinado momento, em algum canto e em ordem, ela teria que pô-lo de volta, pois jogar por aí não fazia parte da sua graça.


—— Bocó. —— Ela rosnou baixo vendo os dois fugindo depois de deixar uma coisa esquisita em seu carrinho, parecia um frango bem comprimido e com um cheiro duvidoso. Uma essência que Dean sentia pelos seus sentidos mais afinados, ela pegou aquilo e devolveu a um funcionário que achou estranho os dois que passaram correndo e rindo após a cara que a mulher fez para eles. Trapaça era trapaça, e qualquer Éther respondia elas com retaliação! Yue pode sentir uma forte vibração e pegou na hora que a mãe ia entrar no jogo, e foi assim que a dupla dinâmica do outro lado ia conhecer o seu fim.


Enquanto ajudava o garoto na conquista das compras, Dean acabou ouvindo a risada de Lilith. A Hawkins ergueu a cabeça, tirando a atenção do carrinho e fitou a menina de braços para cima rindo, enquanto coletava alguma coisa importante para Endeavour. Essa cena... Essa pequena cena em particular, a fez ficar inerte com um vidro de azeite em mãos, observando-os.


Keepler fazia Ária se lembrar da pessoa mais próxima que ela teve em toda uma vida. O jeito atentado dele, a deixava cheia de vontades de voltar ao tempo em que sabia de nada, imaginava de muito, e desejava pouco, mas muito pouco da vida. A Éther se viu no vilarejo novamente, em um lugarzinho bem simplesinho, onde ia com o pai comprar as coisas da casa, era sempre os dois, como um momento especial que ela podia ter com ele. Em um fatídico dia, os dois acharam alguns carrinhos velhos por trás do mercadinho, e este que era montada acima da um barranquinho, só serviu de ideia para o homem que estava criando a Éther. Ele pôs a menina no mesmo, afastou-se o máximo que pode, e mesmo sabendo que tinha tudo para dar errado, correu feito um doido, desceram aquele barranquinho e como dois belos travessos que eram, só faltaram a atropelar as pessoas nas ruas de pedra de Bourton-on-the-Water. Ele às vezes colocava os pés abaixo das certas do carrinho, apenas para fazê-lo se empinar e deixar as coisas mais divertidas a menina. O segurava com gosto e girava, para ouvi-la gargalhar e se divertir.


Endeavour era estranhamente parecido com ele em alguns aspectos, até mesmo quando fechavam a face e estavam prontos a encarnação a seriedade que o momento precisava! Mas estas similaridades eram, talvez ilusórias, o jeito travesso de Keepler preenchia a falta de algo que Lilith sentia falta, a Éther podia ver onde a menina se apegava. Sua família era pequenina. Os irmãos mais velhos deles cuidavam de suas próprias vidas e apareciam quando podiam, e davam as atenções a distancia quando eles sempre precisavam. A família humana, Dean não tinha muitos contatos, esses eram escassos, pouco fez graça de ter ainda alguma relação, mas mantinha ainda cuidados de alguns deles, por memória á mãe, mesmo após problemas internos na família da Espanhola. A Biologica... Ária tinha dois parentes vivos... Seu gêmeo e seu pai... A última vez que sentiu Raizel, foi quando acabou se encontrando com Ares Therita, e desde então, ela não mais sentiu a presença de seu gêmeo. Se foi sua imaginação ou uma mensagem da noite lhe avisando sobre o suposto perigo do Deus que a confundiu de ser alguma divindade de algum panteão terrestre ou outro qualquer, queria. Coroline não sabia o que se passava com seu sangue, mas se Raizel realmente estivesse por aí, ele já teria a contatado. Melhor ainda, ela já teria o sentido.


Nenhum Éther ficava no mesmo lugar sem o outro sentir. Era inevitável. Não tinha essa história de Ki, sentidos ou qualquer outra história. Havia uma coisa entre eles, como um sensor biológico que os fazia se reconhecer. Não importava o quão afiado este fosse numa arte, e a forma que ele escolhesse se ocultar, se ele quisesse a encontrar, já teria feito isso há muito tempo. Era inevitável, assim como o efeito desse reencontro.


E sobre seu pai... Deste ela nem queria falar. Não vali a pena se quer lembrar. Os meninos seriam mais felizes se simplesmente continuassem sem saber sobre quem ele era.


O que Dean não tinha consciência, era que um deles já o conhecia...


Balançando a cabeça ela voltou a realidade, e ajudou o filho a garantir a sua vitória, acabando por ver a bagunça que Keepler e Lilith fizeram após ela acabar meio que derrubando alguns enlatados nas compras dele, assim que este deu mole perto dela, bagunçando o carrinho e aumentando o peso. Ela detestava trapaça, mas não ia deixar nada barato. Se era vale-tudo, então ia se valer de tudo mesmo, ao menos uma vez, podia se deixar aproveitar em uma brincadeira. Afinal, por mais que a natureza de um Éther pudesse ser sombria para certas criaturas, no fundo eles eram mais brincalhões e bem agradáveis em maior parte da vida. Haviam pessoas que eles não gostavam, estas eles tratavam de forma até cruel por assim dizer, mas qualquer outra que não tivesse a antipatia ou qualquer sentimento cruado deles, podia se aproveitar da companhia bem inusitada, muito da inesperada.


Dean deu olhar mortal para os dois que estavam ali no chão, a menina caída com o carrinho e o outro que a ajudava. Notou que End estava a ignorando, pensou em pegar uma garrafinha de suco de laranja e tacar na cabeça dele como uma forma de aviso, mas pensou em deixar para lá. A menina estava tendo o seu divertimento. Não era isso que contava acima de tudo? Se tivesse outra criança ali dentro fazendo a mesma coisa, a morena ia dar um jeito de ajudar a mesma sapequice de acontecer.


Suas compras foram salgadas e com um sorriso maldoso na face, ela olhou para ele se virar na metade do pagamento, só que ela riu com isso e acabou por não deixando isso realmente acontecer. Ela era metida? Por que tinha dinheiro? Por simplesmente poder esbanjar-se e etc.? Não. Coroline não queria que ele fizesse nada disso, ele já deu um tempo divertido para os meninos, isso já valia mais do que qualquer coisa que tivesse ali dentro. Não era sempre que ela pegava aqueles dois rindo. Os dois Yagami’s se esqueceram completamente que estavam embirrados um com o outro, e até mesmo a Hawkins teve um tempo de descontração. Além do mais, ela sabia como cada centavo fazia falta. Ela podia não impedir ele de dar um agrado a molecada, mas o resto podia brecá-lo. A morena tinha mais do que uma noção, de como eram tempos difíceis. Não nasceu rica, não viveu a vida inteira em berço de ouro. Sabia o que era sentir sede e passar fome, ter vontade de comer algo e não poder nem saborear ou sentir o cheiro. Crescer e ser independente, não importa o quão difícil ou terrível o caminho seja, sempre foram características suas que floresceram até mesmo quando esta perdeu-se em um mar de névoa por conta de uma hibernação tão longa. Ficar sentada, culpando Deus e o mundo, e choramingando, nunca foi algo que a mulher gostou de fazer, e era essa uma das coisas que faziam ela e Endeavour se darem muito bem.


Assim que as coisas foram embaladas, Dean seguiu o maior para lancharem. Com os dois meninos de frente para si e Keepler, a Éther sabia que nada surpreendente iria acontecer, então pôs-se a relaxar no lugar retrô. O que acabou com a pequena paz de espírito foi a pergunta dele, que a fez virar o rosto e quase todo o corpo em direção dele. Primeiro foi a proposta de um duelo, depois a coisa mais importante: comida. Só que a comida foi chutada bem longe quando o amistoso se repetiu ao menos duas vezes no seu consciente.


Coroline era uma criatura observadora e uma ouvinte perigosa. Ela prestava atenção em cada coisa que lhe era dita, e não deixava nenhum som escapar de seus ouvidos. Quando o ouviu dizer amistoso, Dean franziu o cenho, e não foi uma expressão nem um pouco animadora. Ela não era e jamais seria uma lutadora. Seu motivo para aprender a lutar, não era para fazer sparings, se quer suas maestrias em suas habilidades estavam focadas em aventuras de ringues, lutas de ruas. Seu passado era pintado com crônicas que levaria anos a mais que esta terra que a abrigava para ser contada, sua mão ainda sentia o peso da arma, a força que empregava numa lança, o peso de uma antiga armadura, a pressão e o impacto de um escudo e a própria arte e o estilo de luta. Sabia e ainda sentia como era estar na linha de frente, contra os seus e outros.


De suas experiências humanas, não havia tanta diferença, o perigo sempre andou lado a lado consigo, mesmo que a morte não chegasse por conta de sua natureza que era uma injustiça a seu próprio desejo carnal, e que ia contra a de seus conterrâneos, por conta de ela ser uma Hellysiän. Antes que a memória lhe voltasse, reaprender a se defender com Mori, usar-se de armas, foi como andar novamente, seu corpo reconheceu o combate como se fosse algo que já fizesse há muito tempo e de fato já o fizera, mas novamente, nunca houve um sparing. Nenhuma de suas situações começou com ela querendo aprender por gosto, desejo. Tanto Ária Elóriën, quanto Coroline Dean Hawkins, não tiveram opção para não lutar. Ou aprendiam a se defender, ou sofriam na mão de quem lhes queria fazer mal. E isso resultou na criação de algo que não era em definitivo uma lutadora e seus filhos sabiam disso, tanto que os dois se entreolharam, e encararam preocupados o tio amigo.


—— Hmmm.... Eu volto em um minuto, com licença. —— Nisso Dean se levantou, passando por Keepler após ele se levantar permitindo a passagem dela e foi à toalete, no entanto, apenas adentrou para fazer um pouco de hora, encostando-se perto da pia e levando a mão esquerda ao queixo enquanto pensava consigo mesma.


Ele quer lutar? A morena não era uma pessoa boa para isso. Quer dizer, ela teve algumas pelejas pela cidade, mas nenhuma delas foi programada ou desejada. Todas foram acidentais, e até teve uma ou duas que foi por conta do seu trabalho ou estado emocional. Fora isso, uma luta bem pensada ou por conta próprio de bom grado, ela nunca teve. Isso despertou a curiosidade dela de como seria um sparring, e então voltou, sem demorar muito, para onde eles estavam sentados.


No entanto, ao se sentar, ela não lhe deu uma resposta. Dean não quis fazê-lo nesse momento. Teria que analisar bem sobre isso. Se valeria muito a pena fazer essa luta amigável entre os dois. Chamou uma atendente, fez seu pedido e esperou os meninos, notando que a Siren estava apreensiva e o rapaz curioso com a situação da pergunta do tio Keep. Bem, por que não estariam? Os dois andavam sofrendo na sua mão nesse requisito. Esperaram os lanches chegarem, incluindo o do End e aproveitaram o resto daquela tarde, conversando de assuntos aleatórios que os distanciaram de um futuro nada amigável.


Quase próximo de se encerrar aquele dia em conjunto, a morena decidiu dar carona ao homem, guardaram as coisas dele no carro, tomando cuidado para separar as compras e o dirigiu até em casa. Dessa vez ela não foi correndo, estava até mais calma. Lilith até pensou em atazanar a mãe, mas o irmão mais novo lhe deu um beliscão como aviso para não fazer isso e estragar as coisas para o próprio divertimento dela. A morena enquanto esperava no farol, deu uma olhada no mago de Naipes. Um olhar atravessado, bem abaixo da linha do seu natural. Estava ali novamente a expressão que Dean detestava ver em Keepler Endeavour.  Já havia notado algumas vezes, que ele tinha algo escondido por trás das brincadeiras e dos risos.


Coroline já perdeu a conta de quantas vezes Keepler já chegou a extrapolar em suas coisas. Machucando-se e fazendo idiotices aos olhos dela que não valiam muito a pena se arriscassem a vida do mago. No fundo, cada vez que o via em um estado por conta de um desespero, o levando a sempre tentar buscar uma forma de voltar para onde quer que ele tenha vindo. Tocar no passado era algo doloroso. Ária mesmo não gostava. Qualquer menção do seu era um gatilho, quase um trunfo para a mesma acabar respondendo de forma extremamente negativa e hostil. Com Keepler a coisa era diferente. A melancolia tomava conta dele e outras coisas a mais ressurgiam. Isso incomodava a Éther. Parte de sua natureza havia identificado algo perturbador neste humano.


Dean deu continuidade a carona assim que o sinal abriu remoendo-se em pensamentos que deixaram de ser bombas de assuntos aleatórios e ficaram em fila indiana, aparecendo um assunto de cada vez, todos com a face do mago de Naipes, resultando em uma teia de anotações sem fim sobre o que já vira dele. O deixou de frente ao apartamento, entretanto, não saiu para ajudar o amigo, os meninos fizeram isso. Ela ficou para trás para observá-lo, ver se mais uma vez ele cometeria o erro de deixar sua máscara cair por terra. Keepler já deveria saber pela forma dela, o jeito dela mesma se portar, que Dean era o tipo de pessoa para guardar seus problemas e enfermos para si mesma e carrega-los até o fim sozinha. Ela era como um grande felino solitário. Não importava se estava acompanhava, tinha relativos, no fim, suas coisas eram sempre feitas sozinhas, seus passos mais importantes, aqueles mais pesados e relevantes, eram dados em uma estrada onde uma pessoa só caminhava.


O homem de Naipes se aproximou, e ela viu o que não queria. Talvez por adquirir certeza de algo que já tinha dúvida, ou por aquilo lembra-la tão profundamente de si mesma, que despertava algum sentimento de pavor próprio, onde Dean não queria encarar o fato de que havia pequenos demônios que ela mesma tinha que lidar. A sua frente tinha alguém almejando por ajuda, um pedido de socorro gritante que não vinha da carne, mas de algo mais profundo, fortemente ligado a natureza dela. Um algo que Ária jamais podia dizer não, mesmo que as palavras estivessem na ponta da língua dela para serem pronunciadas. Ela não podia ignorar, mesmo que tentasse bloquear, fingir-se de surda, ou até mesmo de cega, continuaria ali pairando, visível a Dean.


—— E... Eu vou pensar... —— Coroline finalmente lhe disse, após morder o lábio inferior e apertar levemente os olhos. —— Boa noite... Se cuida.




SARAH FOREST.


DOMINGO DE TARDE.



Era quase improvável que Coroline fosse aceitar fazer parte de algo que iria contra seu princípio. Como dito anteriormente, suas lutas nunca eram acordadas, ou faziam parte de um mal-entendido, ou simplesmente seus nervos atingiam um pico, esse último bem, vinha de um problema de outrora, que hoje já não a afligia mais. No entanto, aqui estava ela dando passos arrastados pela floresta indo de encontro a Keepler. Coroline não estava animada, mas foi pensando em alguns dizeres dos meninos na noite anterior durante a janta, que ela decidiu aparecer no lugar combinado.


Mamãe, você acha que o tio Keep tem algum problema? Ele parecia meio deprê. Você meio que sentia isso perto dele... Será que ele tá triste com alguma coisa? Eu acho que eu devia visitar ele.


Suspirando, aos poucos ela podia sentir o cheiro e a presença do mago. Seus trajes eram os seus habituais de trabalho. Aqueles que ela verdadeiramente usava quando estava oficialmente solo pelo mundo.  A morena estava com suas habituais botas de trekking, mas dessa vez de cano longo e um modelo confortável que ela usava muito para andar em variados tipos de solo, possuindo um amortecedor em seus calcanhares. Para os viajantes era a melhor pedida e para esta mulher que usava muito seu corpo, e não parecia ter medo de o tirar do chão, era um dos poucos calçados cujo o solado se arriscava com ela.


O que completava a vestimenta de Dean parecia ser uma visão e tanto para quem estava do outro lado, mas não se engane. Distrair uma pessoa com seu corpo nunca seria algo que Dean faria. Ela trajava um short preto, assim como uma camisa de manga curta amarela, por cima de uma regata branca, ambas desciam somente até acima de sua cintura. Luvas sem dedos estavam postas em suas mãos, e as duas tinham dois leões brancos cravados. O longo cabelo estava preso, revelando uma mecha ao lado esquerdo do rosto, indo de contraste ao seu cuidado “perfeito” constante em mostrar um alinhamento.


Assim que se aproximou, ela passou o dedo indicador atrás da orelha, suspirando novamente, de forma mais pesarosa. Sarah Forest era um dos lugares onde ela já o sentiu fazer algumas coisas, e teve a certeza de uma ver o visitar, e encontra-lo de forma pouco apresentável por uma tentativa nada agradável de se abrir uma passagem.


O cheiro de desespero que emanava dele incomodava Coroline.


—— ... Você é todo arrebentado. —— Foi a única coisa que ela comentou ao ver as cicatrizes dele, e voltou a o silencio, acompanhando-o apenas com o olhar.


A Hawkins cruzou os braços, fitando o que ele fazia seriamente, e o semblante dela ficou pior quando viu o que ele tirou da mochila. A Éther concordou, se assim ele se sentia bem, então estava tudo bem para ela.


—— Keepler, eu acho que você deveria pensar melhor nisso.


Mas era tarde demais, ele já estava ali pronto a sua frente, preparado para continuar com aquilo. Revestido de uma face que ela não gostava de ver. Ela já estava ali sabendo que isso iria acontecer de qualquer forma, aceitou por que no fundo, seu ser jamais a deixaria dormir em paz depois de ver aquela expressão lhe pedindo ajuda. Só que tipo de benefício isso traria a ele? A morena ouviu o que ele disse sobre o treinamento em Naipes, era bom saber que eles levavam a sério, pois o Éther que dedicava sua vida a esse tipo de coisa, e mesmo aqueles que não a seguiam mais como ela, nunca mais se esqueciam de uma regra: se seu oponente der o máximo de si, nunca o desaponte dando o mínimo do que você é capaz. Parecem palavras chulas, se eu as disser corretamente, pode ser mais uma jura de morte do que um incentivo de divertimento.


—— Tudo bem, está bem. Então antes de começarmos, me responda uma coisa. Você vive para quê? Para outros, ou para você?



avatar
Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ
Árbitro
Árbitro

Aniversário : 30 de Julho.
Lugar de Origem : Akeshiva. Outro Universo.
Mensagens : 20
Data de inscrição : 29/11/2017

Voltar ao Topo Ir em baixo

Re: 【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Conteúdo patrocinado


Conteúdo patrocinado


Voltar ao Topo Ir em baixo

Voltar ao Topo


 
Permissão deste fórum:
Você não pode responder aos tópicos neste fórum