2nd South
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【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

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【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Sab Set 29, 2018 8:53 pm




Keepler Endeavour Vs Coroline Dean Hawkins



Cenário: Sarah Forest


Modo de Combate: Classic Rules


Regra de Combate: Turbo - Prólogo + 5 Rounds + Defensivo + Epílogo após julgamento


Dias para Postagem: 7 dias


Juiz: Ralf "IKARI" Jones


Keepler Endeavour, INICIA A LUTA!


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Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ
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Prólogo

Mensagem  【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr em Sab Out 06, 2018 6:19 pm




Repetance



- Beep! Beep! Beep! -  O sonzinho estridente rachava o silêncio do apartamento pequeno de maneira abrupta, ecoando pela sala e pela cozinha, sem passar pelas paredes ou pela porta de entrada. Os números digitais azulados piscavam marcando quatro e quinze da manhã. - Beep! Beep! Beep! - Cada segundo o toque soava sozinho e permaneceu assim por alguns minutos até parar automaticamente em um "Click" repentino. Logo mais iria voltar a quebrar a quietude dali, porque estava no modo soneca. Keepler havia acordado antes do alarme, bem antes como de costume, o aparelho só era uma garantia de que não iria dormir demais. Trabalhava até tarde, aparentemente não tinha motivo para estar desperto esse horário, a verdade era a seguinte: ele estava sofrendo uma tortura interna muito maior do que os outros podiam sequer cogitar.

É cruel, mas imagine que você convive há séculos com um ser especial o qual não pode se expor ao sol, pois ao entrar em contato com a luz ele é acometido por intensa combustão até que saia do trajeto do feixe, do contrário e virará cinzas. Apesar de todas as precauções na mansão onde moram estarem em funcionando perfeitamente, você ainda acorda antes do completo crepúsculo matinal e checa as janelas e cortinas e todos esses aparatos para ter a mais plena certeza de que está tudo em ordem e não há riscos para a pessoa amada. É zelo, é proteger como um guardião, é simplesmente amar.

A pessoa não pediu por isso, nunca exigiu isso para ti, contudo o seu eu o faz espontaneamente. Está tão intrínseco em si que é praticamente impossível dissociá-lo do quebra cabeça o qual você mesmp é montado. É um dos hábitos mais naturais do seu dia-a-dia… Por uma quantidade tão absurda de dias que se não existisse a matemática e calculadoras, seria exaustivo apenas pensar na extensão disso.

Hoje, todavia, não há corredores para marchar em passos calmos, tampouco cortinas para fechar antes de visualizar a vista do jardim imenso frente ao quarto ,com o perfume de rosas e terra úmida dançando em seu nariz. Não há Ela. Sua preocupação se tornou insônia, sua agonia diária. Seu semblante introspectivo e melancólico podia aparecer agora, diante da imensidão de prédios aglomerados e o céu cinzento-alaranjado, porque as pessoas sequer veriam seu rosto e não podiam perguntar: O que houve? Como está? - Evitar preencher o restante do seu dia com isso só aumentava a consumição de si próprio. Quando dava, fugia. Focava em reverter de qualquer jeito a situação.

Alguém o chamaria de louco se o visse naquele estado: Com a calça do moletom azul, sentado com as pernas para fora da janela, mordendo um cachimbo que emanava uma fumaça preguiçosa. A cabeleira castanho-escuro lhe varria os ombros e as íris lilases brilhavam ao tímido nascer do dia.  Em um outro prédio, quase no final da esquina, avistou um outro semblante, curvado diante do parapeito  segurando um cigarro na boca e entre a ponta dos dedos. Um gato miou manhoso no andar térreo, pessoas discutiam em um dos apartamentos e um objeto de vidro virou cacos e fez barulho na rua ou dentro do prédio, não dava para saber direito, ou melhor, não estava se importando com nada disso. Seu problema estava além...

Sábado, 07h30m

[Carteiro]: Oh! Bom dia, Sr. Endeavour! Hoje está um dia e tanto, não é!?

A abordagem veio quando ainda descia as escadas, um senhor de idade, mas tão ativo quanto qualquer outro garotão. Cabeça calva no topo rodeado de um cabelo alvo bem cortado, corpo franzino, levemente curvado para frente talvez pela idade ou por andar tantos anos de bicicleta pela vizinhança; os seus olhos pequenos eram em um castanho claro e toda sua pele era enrugada. Virava e mexia End ouvia alguns vizinhos o chamando de “Miyagi” ou de “Mestre Yoda”, uma associação com algo de filmes de cinema, até onde sabia.

Hora de tirar a face verdadeira e por a máscara, uma parcial no entanto, porque ainda haviam coisas que lhe conseguiam roubar uma graça. O sorriso de canto de boca e uma repentina expressão de ânimo redesenhou o rosto de Keepler, que se aproximou do velho e lhe batendo no ombro de maneira amistosa.

[Keepler]: É verdade, Sr. Robert! Pelo visto a chuva dará trégua para nós hoje. Vai para praia exibir esse físico esportivo?

[Carteiro]: Ha ha ha! Sabe que não posso, meu rapaz! Além do trabalho, sou casado e as mocinhas não iriam se conter! - A voz, mesmo rouca, era leve; Mesmo na casa dos sessenta anos, tinha jovialidade. E seu humor era incomparável.

[Keepler]: Eu acho que está com receio de levar a sua senhora junto e os rapazes também não resistirem - Sugeriu com um ar travesso, enquanto pegava algumas das muitas cartas na pilha que o velho segurava para ajudá-lo a distribuí-las nas caixas.

[Carteiro]: HA HA HA! Hey, essas três aí em cima ponha no número 108, 103 e 101! As outras você já conhece a rotina! - Abriu um adendo, advertindo-o e indicando onde o rapaz deveria distribuir as correspondências - É verdade, a minha flor é um pedaço de mal-caminho… Prefiro mantê-la a salvo desses pequenos vigaristas, ela não é uma mulher que se encontra facilmente por aí. São outros tempos, sabe?

Endeavour assentiu com a cabeça e papearam mais algumas besteiras, contaram algumas piadas até que cada um seguisse seu rumo. Um “até mais” breve, mas que deu um pouco de energia positiva ao mago, que apesar disso não demorou muito a entrar no seu próprio mundo interno e seguir rumo ao seu afazer do dia.


Era o dia! O dia mais louco do mês! Dia de fazer o mercado e encher os armários de casa. O bolso cheio por pouco tempo lhe dava a segurança de que não passaria fome ou que ainda podia ser ousado para extrapolar um pouco o orçamento. Conseguiu ótimas gorjetas na Old Line e, dessa vez, dava para respirar aliviado sem ter contas penduradas. Havia algum tempo desde que conheceu a Aurum Phoenix, digo, a Coroline Dean… Ou só Dean, ou apenas a “encapetada da batata-frita”. Keepler acabou se esbarrando com ela enquanto a mesma entrou em um embate com uma pessoa desconhecida (Hisako) e, após esse evento, se acharam pela cidade coincidentemente mais algumas vezes e passaram a conversar e se aproximar até que isso foi se tornando uma amizade harmoniosa  e sincera. Muito disso foi pela curiosidade insistente de End em conhecer o lado guerreiro da mulher, ainda que conseguissem ter uma conversa divertida e aleatória, esse tema sempre bailava na cabecinha do mago e, vez ou outra, ele a instigava sobre lutas. Dessa vez, entretanto, a missão deles era muito complicada, a princípio.

O mercadinho o qual sempre faziam compras estava com preços salgados nos últimos tempos e após pesquisarem preços pela cidade acordaram em começar a fazer compras em um supermercado recém-inaugurado próximo de onde circulavam. Como atrativo de abertura, haviam excelentes promoções em cartaz nesse novo lugar. Ambos então combinaram de experimentar comprar nesse lugar, se fosse viável, fazer uma compra grande seria muito melhor ali do que toda semana visitar pequenas lojinhas. Keepler ainda era meio… Melhor, MUITO antiquado, não tinha celular, sendo possível apenas contactá-lo quando estava em casa ou no trabalho, fora isso ele estava solto no mundo. Coroline provavelmente esqueceu de ligar para ele para confirmar o que iam fazer, mas isso não o impedia de continuar com o plano.

Seguiu para o lugar combinado, chegando alguns minutos mais cedo como de praxe, aguardando-a na entrada do mercado. Vestido com uma camisa de manga comprida branca, calças jeans e botas track pretas, o mesmo ficou escorado na parede por um bom tempo, olhando o vai e vem das pessoas até que ouviu o som de um pneu cantando contra o asfalto do estacionamento, podia ouvir um som estridente de dentro do carro, mas não era música. A maneira energética a qual a Dean tinha para com os meninos era louvável, ela passou perto de onde End estava e ele pôde vê-los, mas ela estava muito mais preocupada em achar uma vaga e resmungar por algo. Engarrafamento? As “crianças” já tinham aprontado pela manhã? Não importava, achava divertido aquela interação deles de qualquer forma.

Não esperava que ela viesse acompanhada, todavia isso não fazia mal, pelo contrário, mantinha a mente dele ocupada o suficiente para conseguir fazer as pequenas coisas que precisava. Acenou para todos de maneira singela até que o trio se aproximou, seguindo aquele script normal de encontros ao passo que adentravam ao mercado: Yue um rapaz maior e mais retraído que parecia um poste ao lado da mãe e da irmã, essa última era Lilith, a pimentinha. Por mais estranho que parecesse eram filhos de Dean, ainda que as feições dos 3 os fizessem parecer todos irmãos e pessoas com quase a mesma idade. As portas elétricas se abriram e a baforada de ar frio do ar-condicionado os abraçou, ao mesmo tempo que um vai e vem frenético de pessoas acontecia.

[Keepler]: Uh! Hoje ele está cheio… Se bobearmos vamos perder o dia inteirinho aqui.

Essa não parecia a melhor notícia para se ouvir, enquanto pegavam os carrinhos para se preparar para a maratona, o lado infantil de End veio à tona.

[Keepler]: Hey, Dean! Vamos fazer uma corrida, eu e Lilith contra você e Yue, quem terminar as compras e chegar no caixa… - Olhou para a fileira imensa de caixas, acabando por escolher um aleatório -... No caixa 16 primeiro ajuda a pagar metade das compras do outro, Ok? Vale tudo!

Não importava muito se a mulher ia topar, mas com certeza as crianças iam adorar a ideia.

[Keepler]: Lilith, você pode escolher 5 coisas pra você e por no meu carrinho, quaisquer coisas, se eu ganhar será seu! - Sussurrou, isso com certeza esse era o pior estímulo que ele podia dar a peralta. O homem pediu para a garota entrar no carrinho dele e ficar sentada lá dentro, ignorando qualquer advertência que pudesse vir da mulher com aquele comportamento. Fingiu sons de um carro envenenado fazendo vai-e-vem com ele simulando a força de arranque, enquanto os envolvidos na disputa emparelhavam os carrinhos antes da contagem - Um! Dois e… Vai!!!

Queimou a largada de propósito, disparando para a primeira sessão na frente deles, com a menina dentro do veículos com os braços para cima. Vocês conhecem o desenho “Corrida maluca?” Sim? Não? Se conhece sabem como são seus respectivos competidores. O supermercado se tornou um espaço muito pequeno para comportar a energia deles. Endeavour estava desgovernado pelos corredores, fazendo com que o barulho das rodinhas arranhando o chão fossem ouvidos de longe. Ele dava as instruções a Lilith, enquanto ele pegava os produtos no alto, a companheira de equipe se tratava de jogar tudo sobre o colo dela dentro do pequeno espaço.

Por morar sozinho, Keepler tinha uma vantagem em não comprar tantas coisas assim para ele, todavia a regra era o “vale-tudo”, isso incluía que ao encontrar com os concorrentes, furtavam alguns itens do carrinho deles, assim como jogavam coisas completamente desnecessárias para eles perderem tempo tirando. Trapaça? Sim. Divertido? Com certeza! Mas isso não o isentou de sofrer ataques semelhantes, mesmo com sua guarda-carro ali, numa dessas sabotagem Lilith ficou entalada nas compras e ao tentar evitar que o irmão pegasse alguns itens deles de volta, acabou caindo e virando o carro inteiro, fazendo com que perdessem tempo pondo tudo de volta. Fora quanto um dos seguranças do lugar os chamou a atenção pelo excesso de velocidade, porque podiam causar um acidente, fosse atropelando alguém ou danificando o carrinho.

[Lilith Yagami]: A mamãe vai matar a gente... - Disse a garota preocupada.

[Keepler]: Só se contarmos para ela, do contrário, não vai dar nada!

[Lilith Yagami]: Como não vai dar se ela está ali olhando para nós?

O rapaz nem quis olhar para trás e ver a expressão da amiga. Ignorou, fingiu que não sabia o que estava fazendo e seguiu com as compras. No final das contas, acabaram chegando poucos instantes mais tarde ao caixa escolhido. Dívida era dívida e a fez cumprir, mas apesar de ter perdido, não deixou de presentear a garota com as peças que ela havia escolhido, além de ter pedido ajuda à ela para comprar algumas coisinhas para o Yue, de maneira que ambos ganhassem as coisas igualmente.

Após tudo embalado, decidiram parar na padaria & lanchonete do estabelecimento para matar a fome. Dentre os pedidos, o mago veio com um copão de capuccino bem quentinho e pãezinhos de queijo. A mesa era estilo retro 80’, onde havia pequenos sofás em duas extremidades dela, frente a frente. Sentou-se ao lado de Coroline enquanto as crianças ficaram juntas de frente pra os dois, no campo de visão da mãe, provavelmente para ela não perdê-los de vista e se certificar que teriam bons modos.  O mago parecia um pouco apressado, tirando a tampa do copo e dando uma golada barulhenta na bebida que tomava, segurava com as duas mãos enquanto afastava o rosto em um suspiro de satisfação e um “bigodinho” melado. Se deu o prazer de beber mais um pouco antes de limpar os lábios e começar a devorar os bolinhos um a um. Ele tinha uma ideia na mente, talvez ali fosse o momento mais oportuno.

[Keepler]: D, sabe… Eu estava pensando aqui. - Colocava um pãozinho inteiro na boca, mas o fazia desaparecer em segundos - A gente podia praticar uns esportes juntos, sabe? Digo, depois daquela situação inusitada que vi de você e a outra coi… Pessoa, acho que seria bacana a gente treinar um com o outro. Não acha?

Não queria falar na frente dos meninos explicitamente que a mãe tinha brigado na rua com uma criatura (Hisako). Provavelmente não era algo conveniente para eles saberem, achava isso, ainda que a carinha deles com a fala “esguia” de Keep demonstrasse clara curiosidade, se tivessem que saber detalhes ou algo do tipo, que fosse pera Coroline.

[Keepler]: Eu costumava a ser bem atlético, mas estou enferrujado… Vamos!? Não será nada demais, apenas um duelo amistoso! Espero que aceite, de verdade. Vai ser divertido! Se ganhar te pago batatas fritas por um mês, se perder terá que fazer almoço para mim pelo mesmo tempo...

A mulher que às vezes parecia muito distraída, dessa vez aparentava estar mais para o lado de contemplativa. Uns instantes de silêncio enquanto o homem aguardava a resposta, mas ela pediu licença para ir ao toalete. End voltou a se concentrar nos pãezinhos, colocando dois na boca para fazer alguma careta engraçada para os filhos da Dean, que dessa vez não pareciam tão animados. A Lilith em específico parecia mais acuada.

[Keepler]: O que foi, pequena? - A chamava assim por mania.

[Lilith Yagami]:… Sabe, isso não é uma boa ideia. Lutar com a mamãe. - Ela desviou o olhar hesitando um pouco, até mesmo o irmão acomodado em seu canto, pareceu ter um sutil interesse no que ela falava. - Assim, tio Keep… Ela não é uma lutadora, a mamãe é…

A mesma parou de falar, foi interrompida apenas pelo fato de ter visto a mãe estar chegando perto da mesa. Isso atiçou o interesse do rapaz em saber como a filha encarava Dean nesse aspecto, acabou deixando escapar um sorriso no canto dos lábios, pois havia enxergado uma preocupação na mesma e, talvez  essa reação dele passasse alguma segurança para Lilith, porque a feição dele praticamente dizia: ”Está tudo bem, eu sei o que estou fazendo”. Claro, ele podia ser bem seguro de si ou doido demais, porque não sabia de tudo de verdade, entretanto o desafio era o atrativo. A menina, por sua vez, pode ter duvidado um pouco da postura de End, todavia, o gesto dele teria sido o suficiente para tranquilizá-la, ao menos naquele instante.

Não era irmão biológico de Dean, mas pelo jeito de se comportar e por não aceitar ser chamado de senhor, as crianças acabavam adotando o termo “tio” para se dirigir a ele. Além do fato de ser um adulto o qual os garotos demonstravam respeitar e enxergar como alguém próximo. Com a chegada da mulher, o mesmo não retomou o assunto. Acabaram falando de outras coisas e matando a fome. Acabaram o lanche e encerraram esse assunto, pegando todo aquele monte de sacolas e levando para o carro, onde ele ganhou uma carona até em casa.

No percurso, por algumas vezes o semblante de Endeavour mudou, parecendo distante e perdido ao fitar a cidade passar diante de seus olhos pelo vidro do carro. Deixou um pedaço de si transparecer, o de que alguém que não estava realmente ali e que algo não estava bem consigo. Repentinamente, ao notar que a melancolia começava ressurgir, o mesmo alternava de expressão e esboçava novamente seu lado animado divertido, o qual era uma camuflagem quase perfeita… Talvez isso, dessa vez, não passasse totalmente despercebido.

Alguns minutos depois, chegaram em frente ao prédio onde ele morava e, ao receber ajuda do garoto para por as compras no apartamento, o mesmo se aproximou da porta do carona se apoiando na janela, enquanto a dupla de pentelhos se acomodava nos bancos de trás, já cutucando algumas das compras; End sorriu olhando para elas antes de voltar a atenção à amiga.

[Keepler]: Obrigado pelo dia! Me ajudou muito com essa carona. Parece que conseguimos economizar um pouco em relação aos gastos que tínhamos ao comprar de pouquinho em pouquinho quase toda semana… Ah! E, Independente do que me responder sobre a minha proposta de duelo amistoso, eu irei te esperar amanhã ao entardecer, na clareira em Sarah Forest… Espero que apareça, é importante… - Essa última sentença tinha um peso maior que todo o resto proferido, como um raio negro, os olhos dele pareceram sem brilho por milésimos ao fitar os dourados de Dean, um pedido de socorro inconsciente e silencioso. - Tenham uma ótima noite! Tchau crianças, se comportem! Até mais! - Deu umas batidinhas no teto do carro e recuou esperando o carro sair, chegando a acenar para só depois de perder o veículo de vista se dirigir para casa.

- Click! - A porta do apartamento estava fechada, e ele estava em sua cela privada, em sua solidão plena. Parado de frente para o amontoado de compras, o corpo do mesmo foi relaxando daquela animação, deixando essa alegria escorrer para o chão igual à quando se molha na chuva e, junto com esse líquido invisível a máscara dele foi embora. O olhar se perdeu e os pensamentos torturantes retornaram, enquanto ele arrumava as coisas em casa no  modo automático, enquanto que pela janela, o crepúsculo era o oposto de antes, o sol se escondia e a noite sem estrelas e sem lua avançava sobre todos… Sobre tudo.




Domingo, entardecer. Sarah Forest...


Uma das coisas mais terapêuticas que conhecia era pôr os pés descalços em terra úmida e em grama rasteira e respirar o perfume das árvores e amontoado de folhas secas. Ouvir o farfalhar das copas ao vento… A harmonia mais pura e simples da natureza. Todavia, nem isso conseguia acalmá-lo de verdade. Chegou antes do combinado com uma mochila pequena nas costas, deixando-a encostada numa árvore enquanto se preparava para o possível embate.

Usava uma calça marrom com textura e formato semelhante a de um kimono, mas que ia até a metade da canela, onde ele usou faixas de couro para prender a bainha no corpo e também enfaixar a perna e os pés, deixando apenas os dedos e o calcanhar expostos. Essa faixa era fina e tinha a mesma função das ataduras que lutadores usam para evitar o atrito direto sobre a pele, as mãos e antebraços também foram envolvidos pelo material, com apenas os dedos de fora. Na cintura, uma enorme faixa vermelha estava envolvida na cintura, era usada para prender a roupa inferior, a fim de garantir que ela não cairia, ficando com um nó na lateral esquerda, com duas pontas caídas até a altura dos joelhos.

Keepler já conhecia a floresta, visto que fora palco de suas tentativas frustradas de abrir portais dimensionais várias e várias vezes, como outros cantos da cidade também não escaparam de seus experimentos. Entretanto o local já estava começando a ficar visado por curiosos tornando cada vez mais arriscado manter aquele tipo de atividade ali. Hoje, entretanto, havia uma série de shows e eventos na cidade, dificilmente alguém desviaria os olhos para aquele lado de Second Southtown. Aproveitou-se da clareira com alguns equipamentos rústicos de treinamento marcial e começou a cutucá-los como uma criança curiosa, instigou as toras de madeira suspensas por uma corda, passou por baixo da imensa bola de  ferro. Sua andança aleatória era um reflexo do que acontecia dentro de si.

Mentiu. Sim, ele mentiu para Dean ao dizer que era apenas um duelo amistoso. O verdadeiro motivo para o embate era muito mais importante e profundo para o mago. Ele queria tirar a prova, queria se certificar que o motivo dele estar preso naquele mundo era exclusivamente por ele ter ficado mais fraco. Se ele de fato havia se tornado tão relaxado e indisciplinado com o passar dos anos, de maneira a qual chegou ao estado de não conseguir usar seus poderes em totalidade, sendo assim a provável causa de sua viagem nas dimensões não ser possível agora. Estaria recebendo a pior punição possível pela sua negligência. Essa dúvida parecia centenas de agulhas pressionando o coração dele ao ponto máximo de quase perfurá-lo. Das duas uma: Ou ele se livrava delas ou seria morto de uma vez só por dentro.

Pendurado de ponta cabeça, se agarrando a um galho com a parte posterior dos joelhos, o ele estava quase totalmente distante da realidade quando ouviu passos não muito longe dali, vindo pela retaguarda. Para quem chegava, dava para ver o enorme losango vermelho nas costas dele, e não era o tipo de marca que parecia ser uma tattoo e sim um sinal da pele mesmo, visto que até as cicatrizes sobre em sua carne dentro dessa região tinham a cor avermelhada, haviam muitas cicatrizes por sinal, por todo o tórax.

Quando quem se aproximava estava mais perto, o moreno se desprendeu da árvore e amorteceu a queda com a ponta dos pés, se abaixando em um movimento suave e logo depois ficando de pé de frente para Dean, ou esperava que fosse ela. Não usava, entretanto nenhuma roupa na parte superior, e seu físico parecia o de alguém que alguma vez na vida tivera uma rotina bem rígida de exercícios. Ainda era alto e esbelto. Ao lado da região do coração havia uma grossa e indiscreta cicatriz vertical, evidenciando que ele já havia sido transpassado ali por uma espada muito grande de fora a fora, deixando aquela incógnita de como o mesmo ainda estava vivo. O mago tinha muitas histórias para contar para aqueles interessados em ouvir.

[Keepler]: Eu sabia que viria! - Esboçou um sutil sorriso no canto dos lábios, caminhando para perto da mochila. - Um amistoso não é sinônimo de moleza, tá? Em Naipes os treinos eram tão levados a sério como uma uma luta real. Só que hoje… - Soltou alguns grunhidos enquanto tentava tirar algo da bagagem até que um grande livro de cor lilás com aparência escamosa, folhas em um anel metálico e um imenso olho fechado na capa foi tirado de dentro dele - …Será um embate especial porque, além de minhas cartas, outra companheira também vai me ajudar. Dean, essa é a Tempestas!

O olho se abriu revelando uma íris azulada intensa, como se fosse feita de chamas azuis e uma pupila vertical. Claramente uma criatura viva, porque olhou para Keepler e depois fitou a mulher em questão, fechando parcialmente as pálpebras em um gesto de desconfiança o qual Endeavour ignorou por achar um comportamento normal.

[Tempestas]: ...


[Keepler]: Espero que esteja pronta. Começamos assim que quiser! - Retrucou segurando o livro aberto com a mão esquerda na altura do busto, de maneira que ele ficasse acessível para leitura, enquanto os pés estavam lado a lado e pareados numa postura semelhante a de um lutador de artes marciais, enquanto que o deck de cartas, de um gesto similar a de um mágico de circo, já estavam na mão destra dele. Fitando-a no fundo dos olhos dourados, em contraste com a íris lilás dele, aguardava o momento certo para mergulhar na luta






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Re: 【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Seg Out 15, 2018 1:00 am


Lista de movimentos




APARTAMENTO DE COROLINE. COBERTURA, PENTHOUSE.


MADRUGADA DE SÁBADO.


Era comum que no meio da noite, a mulher de cabelos ondulados e longos abrisse seus olhos e encarasse o teto branco de seu quarto. Três horas da manhã. Ela nem precisava se dar ao trabalho de encarar o relógio ao seu lado no criado mudo, para saber que eram três horas da manhã. Dean já sabia a hora que era. A Éther, possuidora de pele branca e alva, clarinha, quase como um floco de neve, se levantava de sua enorme cama enquanto a camisola vermelha caia sobre seu corpo, à medida que suas pernas torneadas eram puxadas, para que esta as abraçasse por sua falta de sono.


Dean sempre dormiu parcamente, durante uma vida toda, em seu passado ou em seu presente. Os seus longos anos de hibernação também não a ajudavam a aproveitar boas horas de sono. Havia uma ou outra coisa que poderia a ajudar a adormecer por algumas horas a mais, só que isso estava longe de retornar. A Éther se sentiu preguiçosa encima de sua cama espaçosa, foi descendo o corpo para trás devagar, enquanto apoiava os braços novamente a cama, e assim que adquiriu uma base firme, cruzou as pernas, olhando para a porta da sacada que lhe dava uma visão para o grande deck da sua Penthouse.


Coroline movia os dedos dos pés delicados, assim como afastava um pouco os lábios grossos de entonação quase avermelhada. A morena sorriu para a sua visão noturna, Dean às vezes necessitava um pouco de um tempo para ela mesma, nessas horas, o seu curto período de sono viria a calhar, e era justamente nesses períodos em que ela se encontrava sozinha, que a morena viria a liberar um pouco de seus pensamentos acumulados. A Éther puxou as pernas até onde conseguiu e então as estendeu, virou o corpo todo a sua direita para se levantar de uma vez, e sua camisola de tecido fino esvoaçava sobre seu corpo, tocando suas coxas e está dançava a cada passo que ela dava, acompanhando cada uma de suas curvas ternamente desenhadas, em traços sutis e tentadores.


A Hawkins se dirigiu a porta dupla de vidro, cujo o pouco de seu amadeirado estava pintado em um azul bem claro e a abriu, andando pela varanda onde há duas poltronas de vime e estofado de coloração creme, e pôs a se sentar em uma delas, olhando a mesinha onde ela costumava a colocar uma xícara de chá e ficar um bom tempo pensativa. Dean foi até a ponta, apoiou-se por ali na grade, sentindo o contato da pele contra o metal frio e franziu o cenho enquanto bocejava levemente. Sentia falta de noites frias.


A Éther apenas ficou olhando para a cidade, observando-a pela visão que ela tinha dali da cobertura que comprara, da vida que levava. Fazia quanto tempo que morava em Second Southtown? Não sabia, na verdade não tinha certeza exatamente. Ela foi ali para tentar uma vida á dois e se encontrava solitária novamente. Não adiantava, sua espécie não era como a humana, eles fracassavam miseravelmente em ficar pulando de galho em galho, por mais que tentassem assim se firmar para tentar coletar migalhas de felicidade, acabavam por arruinar isso. Às vezes o melhor caminho, estivesse em permutar uma caminhada conjunta para uma estrada solitária. Ela viveu uma eternidade assim sozinha, o que seria anos mais sem ninguém? Além do mais, Dean não se encontrava assim tão solitária. A vida lhe pregou peças, das bem intensas, ela lhe deu filhos.


Lembranças vivas de um algo doloroso que ela não conseguia deixar de escapar e como se não bastasse, dos três que compunham a lembrança do seu tão almejado sonho estraçalhado, a mais velha era o seu castigo, uma cópia viva de seu transtorno diário e desgosto mental e físico. Ária (que é o nome de nascença desta criatura e que jamais foi compartilhado com ninguém, nem mesmo na retomada de suas memórias outrora enterradas), se perguntava de quais coisas que ela fez em seu passado tão longínquo que pode ter custado uma “tirada na cruz”.


O garoto, o mais novo, depois de o ter trazido de volta de sua suposta duplicidade, cuidar levianamente de seus problemas, mostrava a Dean que ter que  manter um olho nele, quase que um dia inteiro, estava longe de ser uma tarefa fácil. Seu relacionamento com a menina, a Siren, não era lá os melhores de sua vida, na verdade, se quer se comunicavam direito. Lilith e ela não bicavam, para se pôr em palavras verdadeiras, a menina a temia, e a filha adotiva, bem, o que ela poderia falar de Carol? Nada, era a única que não tinha problemas dos filhos que moravam consigo. Os de fora, aqueles que tinham vida própria, era os que menos ainda Dean tinha alguma coisa para reclamar. Jason male mal lhe dava dor de cabeça, Henrico “Harry”, então nem se falava, e dos cinco que compunham os seus filhos, este era o que deveria a deixar de cabelos em pé, e o mesmo a deixava despreocupada, o que às vezes tornava as coisas uma ironia.


Coroline fechou os olhos brevemente enquanto os dedos indicadores se envolviam com os médios, uma leve sensação de desprazer passou pelo seu corpo. Nessas horas ela costumava sentir o cheiro de alguém zanzando bem próximo de si, procurando pelo seu calor na cama, após sair emburrado dela e proclamando por uma resposta do porquê dela não estar deitada na mesma, e como sempre ela iria dizer que já havia descansado demais, e de fato, ela estava já descansada, e ficaria assim desperta por longas horas a fio. Mas não hoje, não ontem, não como anos atrás, mais uma vez estava só se imaginava assim por um bom tempo.


Viver com a Éther não é uma tarefa fácil, não era uma rotina de dia a dia em que você saberia exatamente o que estava fazendo sem se arriscar em algo. É difícil viver com alguém que não tem muito gosto por troca de palavras, mas que tem uma constante disposição para demonstrar afeto de alguma forma. Dean não gostava de falar, ela não curtia ouvir pessoas falando a não ser que demonstrasse algum interesse em ouvi-las dizer algo. Se não havia necessidade, muitos atos eram descartados por este ser. Ela era observadora, terrivelmente observadora, analítica a seu todo e apesar de não cobrar nada em retorno do que era feito, não significasse que ela não estivesse atenta a muito do que acontecia.


Talvez por isso, ela estivesse sempre acostumada a dar passos gigantescos sempre em frente, acabando por deixar quem quer que estivesse a seu lado para trás, e cada vez mais distante.


A Hawkins se afastou da grade de metal, sentou-se em uma das poltronas e cruzou as pernas enquanto olhava o cenário que tinha a disposição. Podia ir à sala ver um filme, fazer alguma coisa na cozinha, começar a arrumar a casa, ou esperar algumas horas a mais para isso. Nesses momentos ela só podia se dar ao luxo de esperar o amanhecer vir e se deliciar com a paisagem que teria ou parar para pensar nos sonhos que tinha. Era uma boa forma de passar essas horas sem fazer nada. Coroline também não queria incomodar nenhum dos meninos que ressonavam cada um em seu quarto, tranquilamente. Seria melhor esperar mais duas horas antes de começar a sua rotina, o seu velho dia-a-dia.


E falando em sonho, ela se lembrou de algo que não havia parado para pensar desde então. Fazia muito tempo que ela não sonhava com o velho Henry, e ultimamente, a figura paterna que tanto fez seu mundo reluzir anos atrás, passou a lhe aparecer e muito de uns dias para cá. Uma coisa que não era comum. Para a Éther não.


Reviver as lembranças de Henry sempre foi algo de muito precioso a Ária. Não se tratava somente de um humano que a acolheu quando ela não se lembrava de nada. Esse homem foi a única visão paterna que ela teve em uma existência, toda uma fonte de carinho que ela se quer sabia que existia e que era possível de se ter. Ele era o “All Might” dela. Se havia alguém deste universo ou da qual ela nascera que conseguiria chamá-la e colocar alguma razão nessa criatura sentimentalista e com um gênio de Deus nos acuda, esse alguém era Henry Hawkins.


Bastava ele falar algo e Dean o ouvia. A Éther era capaz de ouvir e pensar sobre as coisas que ele falava, refletir e até levar em consideração o que o velho policial do vilarejo de Bourton-on-the-Water dizia. A presença dele dizia muito a ela. A companhia de Henry falava alto em Ária. Seria isso feitiço? Alguma dominância? Uma habilidade especial dele? Não. O humano tinha o respeito da Éther. Coroline admirava o pai e dessa admiração vinha o respeito, e através disso ela o reconhecia prontamente como se este fosse um outro alguém de sua espécie. A Hawkins não enxergava nenhuma diferença entre os dois. No entanto, tudo isso dava-se mais a algo muito profundo vindo dela. Ela o amava. E era esse carinho que ainda continuava nos dias de hoje, que Coroline pensava mais de dez vezes, antes de tomar qualquer decisão drástica encima de qualquer um.


Dean só não entendia o por que dele tanto estar aparecendo.


Enquanto estava ainda entregue ao sono, a mulher foi levada de volta aos seus anos iniciais a Inglaterra. Uma casa simples, morando em um vilarejo antigo que ainda se mantinha ativo sabia-se ela naquele tempo por quantos anos. Ela tinha alguns anos vivendo com eles, pouquíssimos anos, mas já era uma menina de corpo crescido, talvez com seus sete ou nove anos. Henry a tomava na mão e a levava por uma das pontes locais, moldada de pedra e erguida por tempos esquecidos na história daquele país, onde provavelmente só os velhos poderiam contar o motivo delas terem sido construídas e por que nenhuma nova foi posta em seus lugares. Não importava em que lugar você olhasse em Bourton-on-the-Water, havia um imenso rio que separava os moradores, este de água límpida, podia se dar uma olhada no que passava por ali, e o melhor de tudo da paisagem, não era este lugar de água corrente onde em dias de calor o pessoal costumava se aventurar e se jogar ali dentro e brincar, a não. Era a paisagem.


A magia do vilarejo era algo que encantava o homem que decidiu formar uma vida em um canto em que nada de ruim quase acontecia, a vila inteira era rodeada por um verde belo, árvores enormes com folhas verdes ou coloridas. As mudanças de estações era onde tudo ficava mais interessante, e Henry não se cansava de olha-las. Assim como não se cansava de olhar a pequena criatura que segurava a calça dele, com seus dedinhos miudinhos, e os olhos grandes e dourados fixos no rio a procura de um peixe ou qualquer outra coisa que pudesse e muito fazer o dia dela ganhar um significado tremendo através de uma descoberta.


Ele sorriu para ela, sempre um homem nos primórdios de sua vida adulta, com cabelos curtos de tom louro um pouco escuro, olhos verdes de tonalidade vívida, curioso a tudo o que aquela criaturinha que ele encontrou um dia perdida abaixo da chuva e faminta faria. O Hawkins então a chamou com calma como sempre fazia, e pronunciou aquelas mesmas palavras que vinha fazendo quase todos os dias, por mais de uma semana. “Ei, Pumpkin.... Pumpkin! Isso querida, olhe aqui! Nunca se esqueça de ouvir está bem? Olhe, e ouça. Isso meu bem, boa menina.” Essas palavras, no entanto, não faziam sentido algum a ela. Isso era estranho... Estranho demais para esta criatura etérea. Parecia que estava de volta em 1973, quando a única coisa que ela tinha interesse era colocar a cabeça em uma abóbora e sair correndo atrás dos cachorros da vizinhança.


Dean apoiou os braços na poltrona de vime e suspirou ao jogar a cabeça para trás. Ela ficou ali durante horas repetindo a mesma coisa sempre, repetindo o: olhe e ouça, e isso ocorreu durante algumas horas, na tentativa de encontrar alguma coisa em sua memória que lhe fosse de valia.


MANHÃ DE SÁBADO.


Algumas horas se passaram desde que Dean havia acordado e parado para refletir sobre o sonho que vinha tendo. A morena depois do café da manhã, teve seu primeiro aborrecimento: sua filha mais velha, Carol, não estava em casa. Saiu de manhã cedinho com a case de violoncelo nas costas, dizendo que iria encontrar uma amiga, uma tal Filia que Dean achava que a mocinha estava vendo de mais para o gosto dela. Sim, ela achava incomodo, para a Éther era realmente chato, pois poderia não parecer, mas a mulher tinha um ciúme de sua “Baby-Girl”. Para completar aquela manhã na sessão do “piss me off in the morning today”, os dois mais novos estavam em pé de guerra, e demorou mais ou menos uma hora para ela entender o que estava acontecendo.

Haviam dias em que eles estavam propensos a fazerem absolutamente nada, até conviviam em paz, só que haviam outros em que as “crianças” simplesmente se tornavam dois mensageiros do demônio, e a dupla infernal conseguia o impossível: deixar a mãe fula da vida mais cedo que qualquer um conseguia. E esta briga dos dois filhos mais novos de Dean começou por causa de uma tela de pintura que foi rasgada.  

O caçula de Dean, um garoto de um metro e noventa e três de altura que tinha poucos anos de vida, e mal parecia ser assim devido a sua aparência, possuía como hábito e parte de seu tratamento mental, o desenho e a pintura. Quando ficou ciente que a pessoa que andava em casa consigo não era Yue e sim uma parte da consciência dele, um instinto primário que imitava o garoto e o manteve preso em sua psique como forma de mantê-lo seguro após o trauma de levar um tiro que o deixou com um grave ferimento na cabeça. Coroline após trazê-lo de volta, achou melhor vasculhar por possíveis sequelas e acabou descobrindo que haviam de fato algumas, sendo que uma ou outra era proeminente de habilidades mentais propensas a se tornarem gritantes a qualquer momento, e outras, um terrível efeito do ferimento. Esse tipo de coisa vinha tranquilizando o rapaz que podia ser até esperto em alguns aspectos, mas que infelizmente, seria incapaz de se desenvolver em outras por conta das sequelas do ocorrido em sua infância e o atropelamento em seu crescimento. Se não fosse por essa interrupção, que forçou seu desenvolvimento desacelerado, Dean já teria o enterrado há muito tempo junto a Iori Yagami, o pai menino.  

Este tratamento peculiar ajudava Yue a liberar uma descarga de sua cabeça, e ainda a se expressar, dentre outras coisas que o impedem a mais de agir normalmente. O garoto não é do tipo que falava, se ele disesse mais de uma palavra por vez era muito. Mas bastava se imaginar no lugar dele. Em um momento você é uma criança, no outro você é um rapaz. Neste período de tempo se passou um quase dois anos que ele não se lembrava de ter vivido, se quer de ter feito nada do que lhe foi dito, e aos poucos que a memória ia vindo, ele se assustava, pois jurava nunca ter feito nada daquilo. E família ainda ficou toda bagunçada, estava toda defasada, tudo arruinado e destruído. O Yagami mais novo se fechou dentro dele mesmo e decidiu que falar seria umas das ultimas coisas que ele faria, mesmo que o motivo para isso nunca ficasse abaixo da luz.

Pois bem, ver a tela rasgada deu uma ideia a Dean do tamanho do problema que ia ser aquela manhã, e o garoto não gostou mesmo do que viu. Lilith não fez algo intencional, bom, não totalmente intencional, ela olhou para o que o irmão havia desenhado, o que sempre se resumia a seus sonhos estranhos e bizarros. Existia nas pinturas algo inusitado, alguma forma de vida esquisita, terrível ou de forma duvidosa. Lilith não tinha ideia que a tela estava fresca, meteu o dedo, mexeu com a unha, e colocando um pouco de força para tentar borrar o trabalho do irmão só para atazanar e vê-lo perder mais algumas horinhas em concertar o seu trabalho duro, a Siren acabou rasgando foi é tudo.  

Dean não sabia se dava com a mão na nuca dela ou se simplesmente berrava na orelha da menina, pois Lilith era outro elemento surpresa de sua vida.

Quase um ano mais velha que Yue, a Siren era a união de dois mundos, diferente do irmão cuja a miscigenação das duas espécies resultou em algo totalmente diferente em sangue e carne. Ela não tinha um elemento trágico que tivesse a impulsionado para se parecer alguém tão bem formada, mas a vida de Dean alcançou Lilith cedo e para uma criança, o que a mãe fazia significava uma vida não segura. Os efeitos das sombras das caças de Dean, foram refletidas na menina ruiva, que só não foi vitimada por conta da Éther. Talvez ver o que viu, seja o fator principal do comportamento arrojado de perigoso de Lilith, mas foi no contato da natureza da mãe com a da Siren que fez com ela fosse mudando. E infelizmente, não importa o que você seja, não existe bola de cristal que te ajuda a ver o que vai acontecer com duas criaturas que nunca existiram antes, e Dean não era clarividente, a morena não podia ver o futuro.  

O garoto não aceitou muito bem o que aconteceu e mesmo com pedidos de desculpas sendo feitos, estava aquele dia sendo pela primeira vez na história das duas mulheres da casa, o dia em que Yue Yagami mais falou na vida (ou na presença delas, vai saber).  

—— VOCÊ FEZ DE PROPÓSITO.

—— Eu juro que não fiz de propósito. Eu só queria dar um pouquinho de trabalho, mas não tudo isso de trabalho assim não!

—— Porra garota! Por que você tem que ser um demônio na minha vida? Caralho Lilith. Olha só o que você fez, estragou com o meu trampo! Eu tô a um mês fazendo isso, um mês e eu nem pintei ele todo. Se foder. Eu vou arregaçar com a tua cara.

—— E você acha que me aguenta o charopeta? Eu te dou um chute bem dado nesse seu traseiro magrelo, e vai se arrastando pra mamãe!

—— E eu te dou um sarrafo que a bebê do papai vai chorando pra ele cheio de nham-nham-nham como você sempre faz, bebê chorona!

—— EU NÃO FAÇO ISSO!

—— VOCÊ FAZ!

—— NÃO!

—— EU QUERO QUE SE DANE, VOCÊ VAI REFAZER O MEU DESENHO.

—— EU NÃO VOU FAZER NADA.

Cansada de ouvir a gritaria, Dean pegou cada filho pela orelha e torceu até ter certeza que nenhum deles iria conseguir gritar mais pela dor. No inicio teve um pequeno alarme da parte de cada um, mas os “AI, AI” foram diminuindo à medida que a mãe piorava as torcidas que deixariam as orelhas de cada um inchadas.  

—— Sua irmã não é um demônio, ela pode não ter muito o que fazer na hora vaga, mas ainda não é um demônio. E você menina, próxima vez que estragar com as coisas do seu irmão e causar o oposto do que estamos tentando fazer, a mensagem que você vai mandar pro seu pai é a que esta no hospital, por que eu vou te quebrar todinha e pode ter certeza, que vocês estarão partilhando quartos, por que o próximo que xingar aqui dentro que não seja esta que vos fala, eu irei estourar a cara de vocês, me entenderam?

—— Tá-tá-tá, si- sim-sinhora! —— Disseram em uníssimos, com os olhos marejados e com o corpo torcido, rendidos a ela e com as orelhas roxeadas.

—— Agora é sério, vocês não têm mais o que fazer não? Nem é nem dez horas. —— A Éther os soltou devagar os encarando. —— Por que ultimamente não andam conseguindo ficar no mesmo recinto sem soltar farpas? Ultimamente na hora de bater nos outros, vocês andam cooperando um com o outro, mas quando têm que ficar bem, só falta se comerem vivos! O que anda acontecendo com os dois, hein?

—— Sei lá. —— Mais uma vez eles tiveram uma reação única e junta. Deram de ombros e falaram ao mesmo tempo, como um perfeito casal de gêmeos.

Coroline pendeu as duas sobrancelhas em surpresa. Isso sim nunca deixava de ser esquisito.

—— Falando nisso mamãe, você não tinha que encontrar o tio Keepler hoje?

A morena piscou, ficou olhando a Siren por um instante. Lilith fitou-a de volta, curiosa com a expressão de devaneio que a mulher mais velha fazia, teria a mãe esquecido que tinha um compromisso na parte da manhã? Falaram tanto disso várias vezes, os meninos até haviam dito na possibilidade de irem juntos. Eles gostavam de Keepler. Era um cara legal. Achavam engraçado como ele e a mãe conseguiram moldar uma amizade sincera, e se portavam como dois irmãos ou velhos amigos que se separaram no tempo e se encontram depois de muito, mas muito tempo. A Éther ficou olhando para a Firehawk que tinha marcas azuladas que se alastravam por todo lado esquerdo de seu corpo, e então, como um estalo, sua mente voltou para o lugar e ela arregalou os olhos.

—— Oh meu Deus, eu me esqueci.

Yue que não estava nem um pouco surpreso com isso, redirecionou seus olhos heterocromáticos (o direito dourado e o esquerdo verde esmeralda) para o relógio de parede, próximo a porta, e fitou-o por um minuto.

—— Tem tempo. O tio Keepler não anda com telefone, se ligar para ele agora, acho que não vai encontra-lo em casa, melhor pegar o carro e se mandar Mom.

—— Eu esqueci dele totalmente... OH DROGA!

—— Você deveria usar a agenda que a gente te deu no teu aniversário.

—— Eu usei, mas eu esqueci do mesmo jeito. É melhor eu ir me trocar e vocês também.

—— Bem sobre isso, eu acho que eu deveria ficar aqui.

—— Eu não sei se eu tô no clima.

—— Ah, mas vocês vão, mas vão mesmo, sabe por quê? Se eu chegar aqui e estiverem os dois pirracentos e arretados de nariz empinados ainda em pé de guerra, essa casa vai ser pequena, então antes que continuem assim pelo resto do dia, é melhor irem comigo de uma vez do que arrumarem para a cabeça de vocês.

E assim eles foram.



CENTRO DE SOUTHTOWN, MERCADO.


MANHÃ DE SÁBADO.


Coroline nunca gostou muito de carros. Dizem que é seguro, muito melhor que motos, mas não para esta mulher. Ela odiava carros, tinha carteira por que antes que chegasse a cismar de ter família, seu automóvel preferível antes do transporte público era a motocicleta. Ela só gostava de motos, mas um dia ela encontrou Jason, cuidou do garoto, o adotou e alguém disse que ela tinha que ser responsável pelo bem dele e andar com o guri e sair correndo com ele por aí. O mais velho dos seus “filhotes”, nunca achou ruim de sua aparente demência e incapacidade de ver a diferença entre eles. Demorou muito para Dean entender que qualquer coisa que fizesse custaria muito ao pequeno na época, mas como ela entenderia? Ele se divertia e muito com as coisas que ela fazia. Não que ela não tivesse um meio para mantê-lo salvo. Coroline tinha uma maestria com a Aura Negra que chegava a deixar um desavisado boquiaberto com as coisas que ela conseguia fazer com ela, mas para o bem geral dele e daquelas vieram após ele, e principalmente para a sua mãe de criação na época, um pouco de juízo foi posto na cabeça dela, mesmo que a contra gosto.


Só que esse juízo não foi muito bem implementado, e muito menos fundamentada direito. Dean ainda odiava carros. Não suportava a ideia de ficar dentro de uma lata com rodas, e por conta desse contragosto, ela pisava fundo no Honda CR-V. Os garotos se divertiam com isso. Lilith era quem mais mostrava isso em face, pois a mãe parecia uma maluca no volante, correndo risco com eles ali dentro. Yue temia por si mesmo, segurando-se onde podia, enrolado até o pescoço no cinto de segurança, já imaginando que de hoje ele não passava e por aí vai. O guri ás vezes achava que ele estava mais seguro dependendo das suas asas que ainda não eram tão bem desenvolvidas assim, do que com sua mãe no volante, pois ela se enfiava no meio de um e outro, pisava ainda mais no acelerador, e a medida que pareciam que iam bater em alguém, o mais alto entre os três seres sentia a pulsação de seu corpo diminuir drasticamente, com ele tendo a leve sensação de algumas vezes ver em primeira pessoa seu próprio corpo, apesar de ser sua imaginação latente trabalhando (ou é o que o menino Yagami quer acreditar!).


—— Oh mommy! This is owesome!


—— Shiu! Não desconcentra ela! Se batermos nessa velocidade, você tá ferrada!


—— Deixa de ser chato, isso é muito legal, é igual aquele joguinho do papai, o carmageddon, só que não tem zumbis! —— Ela fez de propósito, sabia que se mencionar o pai, a mãe ia mais rápido.


—— Tem pessoas Lilith! Pessoas! Ela pode bater em pessoas!


—— Hahahaha! Isso! Vai mais rápido mama!


Mas Dean nem estava ouvindo-os direito, apenas concentrava-se em achar o novo mercado. Onde ficava mesmo? Enquanto concentrava no volante e uma hora ou outra ficava olhando para os lados e cobrando o mesmo da garotada em meio a resmungos, Dean encontrou o lugar onde deveria estar a mais ou menos uma meia hora, e enquanto procurava um lugar para estacionar, a mulher baixava a lei para os dois.


—— Sem gritos, sem brigas, sem encheção de saco, o primeiro a torrar minha paciência eu marco na minha lista negra por um mês.


Coroline saiu acompanhada dos dois assim que achou um lugar para estacionar. A morena suspirou quando ficou de frente a Endeavour e mordeu o lábio inferior enfezada consigo mesma. A Firehawk que usava as suas típicas roupas de Vault Hunter acenou para o “tio”, enquanto o rapaz, apenas o encarou e desviou o olhar, mantendo-se curioso para dentro do mercado novo. Estaria ele ignorando o mais velho? Não, Yue havia visto uma mulher passar ao seu lado comendo shokito, e o garoto tinha compulsão por doces. Ele já sabia o que queria ali dentro, e não tardou de ser o primeiro a entrar.


—— É pelo visto vai ser assim mesmo... —— Respondeu Dean nem um pouco animada. Ela não tinha planos de ficar ali a tarde toda. Suspirando e sentindo-se incomodada com o seu aparente destino neste dia, Coroline viu Lilith se apossar de um carrinho ao lado de Keepler.


—— Hu? Corrida? Hã... Eu acho que não é uma boa ideia, não.


Só que realmente não importava se Dean iria concordar ou não. Os irmãos que começaram o dia nada bem, se olharam, quase que soltando faíscas pelos olhos, e cada um segurou um carrinho, rosnando baixo. Se um iria pagar a compra do outro, aquele que ganhasse iria se vingar da manha conturbada! E Yue FARIA a irmã pagar pela tela pintada de um jeito ou de outro. O garoto sorriu para ela, um sorriso nefário que a fez congelar-se por um segundo no lugar que estava e segurar o braço de Endiamond. A Siren fez um bico de birra para o irmão, e atendeu logo em seguida o pedido do mago para entrar no carrinho.


—— Oh Deus, é hoje que eu pago mais do que um estrago. —— Parecia um drama exagerado de Dean, mas quem vivia diariamente com a dupla, saberia por que ela já estava visualizando o lugar incendiado, pessoas machucadas, estantes derrubadas e produtos acabados. Isso tudo era apenas por um motivo: não importava o quanto você dissesse algo a eles, nada fazia no fim parecia fazer muito sentido. Se tivesse uma força que os levasse a uma direção diferente, eles preferiam segui-la, como agora, onde preferiram ouvir o Endeavour e saciar o desejo de vingança do mais novo e competitividade da ruiva.


E lá se foi um dia de compras pacifico.


A morena tinha muita coisa para rever, mentalmente ela tinha uma lista própria que era dividida em suas necessidades, e nas dos três menores. No entanto, certas coisas ela só podia comprar em determinados lugares, dali mesmo, ela levaria somente o necessário para eles. Quando se tratava de compras, significava que Coroline estava repondo alguns mantimentos básicos e estava pensando em ter no meio delas regalias. A Éther podia ver uma coisa ou outra, mas estas ela não podia, por exemplo: Carol não estava com eles para ver coisas específicas ao gosto dela, isso significava que a mulher teria que sair com a menina outro dia, ou dar o dinheiro a ela para ver o que ela poderia querer ou teria que repor mais á frente. A brincadeira começou bem, a mesma ajudava o menino e parecia aproveitar bem o momento até que começou a presepada do vale-tudo. Coisas desnecessárias eram postas nas suas compras, e isso deixava ela incomodada. Primeiro por que Dean odiava qualquer gesto de golpe sujo, não importasse que fosse um joguinho. Segundo, ela tinha um hábito estranho de ter que ver as coisas em seu lugar. Se ela já os vira antes em um determinado momento, em algum canto e em ordem, ela teria que pô-lo de volta, pois jogar por aí não fazia parte da sua graça.


—— Bocó. —— Ela rosnou baixo vendo os dois fugindo depois de deixar uma coisa esquisita em seu carrinho, parecia um frango bem comprimido e com um cheiro duvidoso. Uma essência que Dean sentia pelos seus sentidos mais afinados, ela pegou aquilo e devolveu a um funcionário que achou estranho os dois que passaram correndo e rindo após a cara que a mulher fez para eles. Trapaça era trapaça, e qualquer Éther respondia elas com retaliação! Yue pode sentir uma forte vibração e pegou na hora que a mãe ia entrar no jogo, e foi assim que a dupla dinâmica do outro lado ia conhecer o seu fim.


Enquanto ajudava o garoto na conquista das compras, Dean acabou ouvindo a risada de Lilith. A Hawkins ergueu a cabeça, tirando a atenção do carrinho e fitou a menina de braços para cima rindo, enquanto coletava alguma coisa importante para Endeavour. Essa cena... Essa pequena cena em particular, a fez ficar inerte com um vidro de azeite em mãos, observando-os.


Keepler fazia Ária se lembrar da pessoa mais próxima que ela teve em toda uma vida. O jeito atentado dele, a deixava cheia de vontades de voltar ao tempo em que sabia de nada, imaginava de muito, e desejava pouco, mas muito pouco da vida. A Éther se viu no vilarejo novamente, em um lugarzinho bem simplesinho, onde ia com o pai comprar as coisas da casa, era sempre os dois, como um momento especial que ela podia ter com ele. Em um fatídico dia, os dois acharam alguns carrinhos velhos por trás do mercadinho, e este que era montada acima da um barranquinho, só serviu de ideia para o homem que estava criando a Éther. Ele pôs a menina no mesmo, afastou-se o máximo que pode, e mesmo sabendo que tinha tudo para dar errado, correu feito um doido, desceram aquele barranquinho e como dois belos travessos que eram, só faltaram a atropelar as pessoas nas ruas de pedra de Bourton-on-the-Water. Ele às vezes colocava os pés abaixo das certas do carrinho, apenas para fazê-lo se empinar e deixar as coisas mais divertidas a menina. O segurava com gosto e girava, para ouvi-la gargalhar e se divertir.


Endeavour era estranhamente parecido com ele em alguns aspectos, até mesmo quando fechavam a face e estavam prontos a encarnação a seriedade que o momento precisava! Mas estas similaridades eram, talvez ilusórias, o jeito travesso de Keepler preenchia a falta de algo que Lilith sentia falta, a Éther podia ver onde a menina se apegava. Sua família era pequenina. Os irmãos mais velhos deles cuidavam de suas próprias vidas e apareciam quando podiam, e davam as atenções a distancia quando eles sempre precisavam. A família humana, Dean não tinha muitos contatos, esses eram escassos, pouco fez graça de ter ainda alguma relação, mas mantinha ainda cuidados de alguns deles, por memória á mãe, mesmo após problemas internos na família da Espanhola. A Biologica... Ária tinha dois parentes vivos... Seu gêmeo e seu pai... A última vez que sentiu Raizel, foi quando acabou se encontrando com Ares Therita, e desde então, ela não mais sentiu a presença de seu gêmeo. Se foi sua imaginação ou uma mensagem da noite lhe avisando sobre o suposto perigo do Deus que a confundiu de ser alguma divindade de algum panteão terrestre ou outro qualquer, queria. Coroline não sabia o que se passava com seu sangue, mas se Raizel realmente estivesse por aí, ele já teria a contatado. Melhor ainda, ela já teria o sentido.


Nenhum Éther ficava no mesmo lugar sem o outro sentir. Era inevitável. Não tinha essa história de Ki, sentidos ou qualquer outra história. Havia uma coisa entre eles, como um sensor biológico que os fazia se reconhecer. Não importava o quão afiado este fosse numa arte, e a forma que ele escolhesse se ocultar, se ele quisesse a encontrar, já teria feito isso há muito tempo. Era inevitável, assim como o efeito desse reencontro.


E sobre seu pai... Deste ela nem queria falar. Não vali a pena se quer lembrar. Os meninos seriam mais felizes se simplesmente continuassem sem saber sobre quem ele era.


O que Dean não tinha consciência, era que um deles já o conhecia...


Balançando a cabeça ela voltou a realidade, e ajudou o filho a garantir a sua vitória, acabando por ver a bagunça que Keepler e Lilith fizeram após ela acabar meio que derrubando alguns enlatados nas compras dele, assim que este deu mole perto dela, bagunçando o carrinho e aumentando o peso. Ela detestava trapaça, mas não ia deixar nada barato. Se era vale-tudo, então ia se valer de tudo mesmo, ao menos uma vez, podia se deixar aproveitar em uma brincadeira. Afinal, por mais que a natureza de um Éther pudesse ser sombria para certas criaturas, no fundo eles eram mais brincalhões e bem agradáveis em maior parte da vida. Haviam pessoas que eles não gostavam, estas eles tratavam de forma até cruel por assim dizer, mas qualquer outra que não tivesse a antipatia ou qualquer sentimento cruado deles, podia se aproveitar da companhia bem inusitada, muito da inesperada.


Dean deu olhar mortal para os dois que estavam ali no chão, a menina caída com o carrinho e o outro que a ajudava. Notou que End estava a ignorando, pensou em pegar uma garrafinha de suco de laranja e tacar na cabeça dele como uma forma de aviso, mas pensou em deixar para lá. A menina estava tendo o seu divertimento. Não era isso que contava acima de tudo? Se tivesse outra criança ali dentro fazendo a mesma coisa, a morena ia dar um jeito de ajudar a mesma sapequice de acontecer.


Suas compras foram salgadas e com um sorriso maldoso na face, ela olhou para ele se virar na metade do pagamento, só que ela riu com isso e acabou por não deixando isso realmente acontecer. Ela era metida? Por que tinha dinheiro? Por simplesmente poder esbanjar-se e etc.? Não. Coroline não queria que ele fizesse nada disso, ele já deu um tempo divertido para os meninos, isso já valia mais do que qualquer coisa que tivesse ali dentro. Não era sempre que ela pegava aqueles dois rindo. Os dois Yagami’s se esqueceram completamente que estavam embirrados um com o outro, e até mesmo a Hawkins teve um tempo de descontração. Além do mais, ela sabia como cada centavo fazia falta. Ela podia não impedir ele de dar um agrado a molecada, mas o resto podia brecá-lo. A morena tinha mais do que uma noção, de como eram tempos difíceis. Não nasceu rica, não viveu a vida inteira em berço de ouro. Sabia o que era sentir sede e passar fome, ter vontade de comer algo e não poder nem saborear ou sentir o cheiro. Crescer e ser independente, não importa o quão difícil ou terrível o caminho seja, sempre foram características suas que floresceram até mesmo quando esta perdeu-se em um mar de névoa por conta de uma hibernação tão longa. Ficar sentada, culpando Deus e o mundo, e choramingando, nunca foi algo que a mulher gostou de fazer, e era essa uma das coisas que faziam ela e Endeavour se darem muito bem.


Assim que as coisas foram embaladas, Dean seguiu o maior para lancharem. Com os dois meninos de frente para si e Keepler, a Éther sabia que nada surpreendente iria acontecer, então pôs-se a relaxar no lugar retrô. O que acabou com a pequena paz de espírito foi a pergunta dele, que a fez virar o rosto e quase todo o corpo em direção dele. Primeiro foi a proposta de um duelo, depois a coisa mais importante: comida. Só que a comida foi chutada bem longe quando o amistoso se repetiu ao menos duas vezes no seu consciente.


Coroline era uma criatura observadora e uma ouvinte perigosa. Ela prestava atenção em cada coisa que lhe era dita, e não deixava nenhum som escapar de seus ouvidos. Quando o ouviu dizer amistoso, Dean franziu o cenho, e não foi uma expressão nem um pouco animadora. Ela não era e jamais seria uma lutadora. Seu motivo para aprender a lutar, não era para fazer sparings, se quer suas maestrias em suas habilidades estavam focadas em aventuras de ringues, lutas de ruas. Seu passado era pintado com crônicas que levaria anos a mais que esta terra que a abrigava para ser contada, sua mão ainda sentia o peso da arma, a força que empregava numa lança, o peso de uma antiga armadura, a pressão e o impacto de um escudo e a própria arte e o estilo de luta. Sabia e ainda sentia como era estar na linha de frente, contra os seus e outros.


De suas experiências humanas, não havia tanta diferença, o perigo sempre andou lado a lado consigo, mesmo que a morte não chegasse por conta de sua natureza que era uma injustiça a seu próprio desejo carnal, e que ia contra a de seus conterrâneos, por conta de ela ser uma Hellysiän. Antes que a memória lhe voltasse, reaprender a se defender com Mori, usar-se de armas, foi como andar novamente, seu corpo reconheceu o combate como se fosse algo que já fizesse há muito tempo e de fato já o fizera, mas novamente, nunca houve um sparing. Nenhuma de suas situações começou com ela querendo aprender por gosto, desejo. Tanto Ária Elóriën, quanto Coroline Dean Hawkins, não tiveram opção para não lutar. Ou aprendiam a se defender, ou sofriam na mão de quem lhes queria fazer mal. E isso resultou na criação de algo que não era em definitivo uma lutadora e seus filhos sabiam disso, tanto que os dois se entreolharam, e encararam preocupados o tio amigo.


—— Hmmm.... Eu volto em um minuto, com licença. —— Nisso Dean se levantou, passando por Keepler após ele se levantar permitindo a passagem dela e foi à toalete, no entanto, apenas adentrou para fazer um pouco de hora, encostando-se perto da pia e levando a mão esquerda ao queixo enquanto pensava consigo mesma.


Ele quer lutar? A morena não era uma pessoa boa para isso. Quer dizer, ela teve algumas pelejas pela cidade, mas nenhuma delas foi programada ou desejada. Todas foram acidentais, e até teve uma ou duas que foi por conta do seu trabalho ou estado emocional. Fora isso, uma luta bem pensada ou por conta próprio de bom grado, ela nunca teve. Isso despertou a curiosidade dela de como seria um sparring, e então voltou, sem demorar muito, para onde eles estavam sentados.


No entanto, ao se sentar, ela não lhe deu uma resposta. Dean não quis fazê-lo nesse momento. Teria que analisar bem sobre isso. Se valeria muito a pena fazer essa luta amigável entre os dois. Chamou uma atendente, fez seu pedido e esperou os meninos, notando que a Siren estava apreensiva e o rapaz curioso com a situação da pergunta do tio Keep. Bem, por que não estariam? Os dois andavam sofrendo na sua mão nesse requisito. Esperaram os lanches chegarem, incluindo o do End e aproveitaram o resto daquela tarde, conversando de assuntos aleatórios que os distanciaram de um futuro nada amigável.


Quase próximo de se encerrar aquele dia em conjunto, a morena decidiu dar carona ao homem, guardaram as coisas dele no carro, tomando cuidado para separar as compras e o dirigiu até em casa. Dessa vez ela não foi correndo, estava até mais calma. Lilith até pensou em atazanar a mãe, mas o irmão mais novo lhe deu um beliscão como aviso para não fazer isso e estragar as coisas para o próprio divertimento dela. A morena enquanto esperava no farol, deu uma olhada no mago de Naipes. Um olhar atravessado, bem abaixo da linha do seu natural. Estava ali novamente a expressão que Dean detestava ver em Keepler Endeavour.  Já havia notado algumas vezes, que ele tinha algo escondido por trás das brincadeiras e dos risos.


Coroline já perdeu a conta de quantas vezes Keepler já chegou a extrapolar em suas coisas. Machucando-se e fazendo idiotices aos olhos dela que não valiam muito a pena se arriscassem a vida do mago. No fundo, cada vez que o via em um estado por conta de um desespero, o levando a sempre tentar buscar uma forma de voltar para onde quer que ele tenha vindo. Tocar no passado era algo doloroso. Ária mesmo não gostava. Qualquer menção do seu era um gatilho, quase um trunfo para a mesma acabar respondendo de forma extremamente negativa e hostil. Com Keepler a coisa era diferente. A melancolia tomava conta dele e outras coisas a mais ressurgiam. Isso incomodava a Éther. Parte de sua natureza havia identificado algo perturbador neste humano.


Dean deu continuidade a carona assim que o sinal abriu remoendo-se em pensamentos que deixaram de ser bombas de assuntos aleatórios e ficaram em fila indiana, aparecendo um assunto de cada vez, todos com a face do mago de Naipes, resultando em uma teia de anotações sem fim sobre o que já vira dele. O deixou de frente ao apartamento, entretanto, não saiu para ajudar o amigo, os meninos fizeram isso. Ela ficou para trás para observá-lo, ver se mais uma vez ele cometeria o erro de deixar sua máscara cair por terra. Keepler já deveria saber pela forma dela, o jeito dela mesma se portar, que Dean era o tipo de pessoa para guardar seus problemas e enfermos para si mesma e carrega-los até o fim sozinha. Ela era como um grande felino solitário. Não importava se estava acompanhava, tinha relativos, no fim, suas coisas eram sempre feitas sozinhas, seus passos mais importantes, aqueles mais pesados e relevantes, eram dados em uma estrada onde uma pessoa só caminhava.


O homem de Naipes se aproximou, e ela viu o que não queria. Talvez por adquirir certeza de algo que já tinha dúvida, ou por aquilo lembra-la tão profundamente de si mesma, que despertava algum sentimento de pavor próprio, onde Dean não queria encarar o fato de que havia pequenos demônios que ela mesma tinha que lidar. A sua frente tinha alguém almejando por ajuda, um pedido de socorro gritante que não vinha da carne, mas de algo mais profundo, fortemente ligado a natureza dela. Um algo que Ária jamais podia dizer não, mesmo que as palavras estivessem na ponta da língua dela para serem pronunciadas. Ela não podia ignorar, mesmo que tentasse bloquear, fingir-se de surda, ou até mesmo de cega, continuaria ali pairando, visível a Dean.


—— E... Eu vou pensar... —— Coroline finalmente lhe disse, após morder o lábio inferior e apertar levemente os olhos. —— Boa noite... Se cuida.




SARAH FOREST.


DOMINGO DE TARDE.



Era quase improvável que Coroline fosse aceitar fazer parte de algo que iria contra seu princípio. Como dito anteriormente, suas lutas nunca eram acordadas, ou faziam parte de um mal-entendido, ou simplesmente seus nervos atingiam um pico, esse último bem, vinha de um problema de outrora, que hoje já não a afligia mais. No entanto, aqui estava ela dando passos arrastados pela floresta indo de encontro a Keepler. Coroline não estava animada, mas foi pensando em alguns dizeres dos meninos na noite anterior durante a janta, que ela decidiu aparecer no lugar combinado.


Mamãe, você acha que o tio Keep tem algum problema? Ele parecia meio deprê. Você meio que sentia isso perto dele... Será que ele tá triste com alguma coisa? Eu acho que eu devia visitar ele.


Suspirando, aos poucos ela podia sentir o cheiro e a presença do mago. Seus trajes eram os seus habituais de trabalho. Aqueles que ela verdadeiramente usava quando estava oficialmente solo pelo mundo.  A morena estava com suas habituais botas de trekking, mas dessa vez de cano longo e um modelo confortável que ela usava muito para andar em variados tipos de solo, possuindo um amortecedor em seus calcanhares. Para os viajantes era a melhor pedida e para esta mulher que usava muito seu corpo, e não parecia ter medo de o tirar do chão, era um dos poucos calçados cujo o solado se arriscava com ela.


O que completava a vestimenta de Dean parecia ser uma visão e tanto para quem estava do outro lado, mas não se engane. Distrair uma pessoa com seu corpo nunca seria algo que Dean faria. Ela trajava um short preto, assim como uma camisa de manga curta amarela, por cima de uma regata branca, ambas desciam somente até acima de sua cintura. Luvas sem dedos estavam postas em suas mãos, e as duas tinham dois leões brancos cravados. O longo cabelo estava preso, revelando uma mecha ao lado esquerdo do rosto, indo de contraste ao seu cuidado “perfeito” constante em mostrar um alinhamento.


Assim que se aproximou, ela passou o dedo indicador atrás da orelha, suspirando novamente, de forma mais pesarosa. Sarah Forest era um dos lugares onde ela já o sentiu fazer algumas coisas, e teve a certeza de uma ver o visitar, e encontra-lo de forma pouco apresentável por uma tentativa nada agradável de se abrir uma passagem.


O cheiro de desespero que emanava dele incomodava Coroline.


—— ... Você é todo arrebentado. —— Foi a única coisa que ela comentou ao ver as cicatrizes dele, e voltou a o silencio, acompanhando-o apenas com o olhar.


A Hawkins cruzou os braços, fitando o que ele fazia seriamente, e o semblante dela ficou pior quando viu o que ele tirou da mochila. A Éther concordou, se assim ele se sentia bem, então estava tudo bem para ela.


—— Keepler, eu acho que você deveria pensar melhor nisso.


Mas era tarde demais, ele já estava ali pronto a sua frente, preparado para continuar com aquilo. Revestido de uma face que ela não gostava de ver. Ela já estava ali sabendo que isso iria acontecer de qualquer forma, aceitou por que no fundo, seu ser jamais a deixaria dormir em paz depois de ver aquela expressão lhe pedindo ajuda. Só que tipo de benefício isso traria a ele? A morena ouviu o que ele disse sobre o treinamento em Naipes, era bom saber que eles levavam a sério, pois o Éther que dedicava sua vida a esse tipo de coisa, e mesmo aqueles que não a seguiam mais como ela, nunca mais se esqueciam de uma regra: se seu oponente der o máximo de si, nunca o desaponte dando o mínimo do que você é capaz. Parecem palavras chulas, se eu as disser corretamente, pode ser mais uma jura de morte do que um incentivo de divertimento.


—— Tudo bem, está bem. Então antes de começarmos, me responda uma coisa. Você vive para quê? Para outros, ou para você?



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Round I - Movimento 1

Mensagem  【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr em Qui Out 25, 2018 12:41 am




Unshakeable Resilience



Pego de surpresa outra vez, mas de um jeito cruel, completamente diferente do primeiro vislumbre que teve da mulher: Não foi o movimento ritmico do seu corpo como na luta a qual a conheceu, onde havia uma dança brutal: Beleza e precisão coexistindo com uma agressividade primitiva; Tampouco foram seus cabelos serpenteando com o vento em harmonia única; muito menos os sóis que ela carregava em seus olhos, tão intensos, quentes e vivos. Das petálas de cerejeira, os lábios delicados e corados de Dean, a voz dela lançou palavras como um arpão de aço que acertou em cheio a cicatriz no peito dele e transpassou seu coração.

[Dean]: Tudo bem, está bem. Então antes de começarmos, me responda uma coisa. Você vive para quê? Para outros, ou para você?


Havia veneno da seta, do tipo que paralisa, inflama e, se deixar, mata: O veneno da dúvida. O questionamento seria capaz de efervescer a verdade mais íntima e inquestionável na mente do rapaz, uma verdade de Keepler a qual não era a das melhores e nem possível de se escapar. End sentiu sua alma ser jogada para trás e ser fincada numa árvore velha daquele bosque, onde as sombras daqueles que não puderam continuar suas histórias agarravam-no com unhas e dentes, com olhos vermelhos pela dor ou pela fúria. Sentia essas mãos dilacerando-o de maneira crua sua carne etérea, roubando sua vitae. Apenas um segundo se passou após as palavras da amiga, mas na mente dele pareceu muito mais tempo, pois não respondeu de imediato, mostrando um rosto perplexo: Os olhos arregalados, mirando um lugar que não era o ambiente real no início da noite; a palidez repentina denunciavam o choque, algo escorreu pelo seu rosto: suor ou lágrima? Não dava pra saber. Os lábios trêmulos do homem queriam responder dizer “Não sei”, entretanto ele sabia. A voz não escaparia da garganta para dizer essa mentira, mas a verdade estava tão entalada e reprimida que não era fácil de se cuspir.

“Sim, vivi pelos outros”. Naipes nunca saiu de sua mente, de suas memórias e de suas utopias. Uma cicatriz que nunca fecha, porque lembrar é como cutucá-la e não deixar o sangue coagular e se curar. E ele? Ah! Lembrava muito de todas as coisas sofridas, elas marcaram como ferro quente sua pele, seu espírito e sua mente. Contudo, uma outra imagem surgiu em meio às sombras, ao passo que envolvia ele em seus braços de maneira terna, algo importante o suficiente que poderia mudar a resposta ou não: Mabelle. Dentro de sua tempestade, a vampira ainda era seu suspiro de vida, ela lhe dava a força para abrir os olhos todos os dias, manter seu coração batendo como o de um corcel em disparada em direção à um horizonte esperançoso. Apesar de toda a dor e ferimentos que o mago tinha, a francesa era capaz de ir contra as lembranças dele e pouco a pouco ir fechando suas feridas. Então, ainda sim… Vivia pelos outros, vivia por ela, mas ela o fazia viver também. Então a resposta mudaria para “não”? Amar não seria isso: Entregar-se de tal maneira a alguém que, ao dar tudo de si, ao invés ficar sem nada, pelo contrário, transbordar por completo?

Certamente era uma tarefa totalmente árdua para o casal, um em superar seus temores internos e a outra em ajudá-lo, visto que em meio milênio o rapaz mudou de maneira razoável, mas teriam o tempo do mundo para isso. Tinham. Agora, pouco a pouco, Villenueve também se tornava parte das sombras e, ao invés de fechar suas chagas, as rasgava novamente e mais.

Endeavour não é diferente de mim, nem de você. Temos múltiplas faces de nós mesmos, para diferentes pessoas, diferente humores, diferentes contextos. Isso não é ser falso, é ser plural, é ser complexo como todo humano é. Podemos ter um “eu” bem identitário, mas ele não dá conta de tudo o que somos. Existe o Keepler melancólico e depressivo, o brincalhão infantil, o estudioso curioso, o cavaleiro determinado… E um que é o pior de si próprio. Enquanto todas as outras versões lutam entre si, em busca de qual deve prevalecer mais contra as adversidades externas, elas acabam revirando toda a casa (a mente dele), essa última faceta fica à espreita, observado, ficando cada vez mais perto de romper a jaula onde fora colocada, com a certeza latente de que precisa vir à tona para impor a sua ordem, quem sabe até matar algumas faces e se tornar a soberana, assim sua essência não correrá risco se destroçar, uma medida para manter si mesma segura, existente. Porque se as coisas permanecerem como estão, não restará resquícios de um homem são no fim.



Mansão dos Diamonds, Naipes. Séculos atrás.¹

Depois de meses de preparação em segredo, finalmente foi revelado qual o acontecimento importantíssimo iria acontecer para a família regente de Naipes: Cerimônia de Nomeação dos novos membros e a promoção de alguns representantes da casa. Era um evento pouco comum, visto que a recepção e período de avaliação dos Diamonds estavam entre das mais rígidas, ficando empatada apenas com os Spades nesse quesito. Não havia um fluxo grande de recrutas, o que em contrapartida era compensado pela qualidade e dedicação dos selecionados, como se eles fossem friamente escolhidos a dedo e lapidados de acordo com a filosofia da família. Além de você ser direcionado para cada uma das bases de Naipes de acordo com sua marca de nascença, ainda tinha um longo caminho para ser efetivado, nada abaixo de de quatro anos, para só então concorrer a uma patente mais alta. Aqueles que não galgavam para status de recruta, não eram expulsos, e sim faziam diversas outras atividades nos vários domínios possuídos pelos líderes, como serviçais.

Dentre os futuros cadetes, estava Keepler, que ao invés de aceitar seu posto de Knave (General) da família, preferiu seguir uma escalada com os próprios pés para ser digno do posto. Mesmo com seu gesto de altruísmo e determinação, esse resultado não era uma surpresa para a maioria das pessoas, pelo contrário, só reforçava o quanto ele de fato merecia aquele posto. Depois de treinamentos exaustivos, trabalhos aos montes e as confusões criadas pelo rapaz, ele enfim tinha conquistado seu objetivo, aquele que no começo pareceu tão turvo e irrelevante, o havia tornado numa pessoa muito melhor. End sentia isso de uma maneira latente, fazendo o gosto da realização e satisfação transbordar em sua boca e saciar seu espírito.

Essa noite podia se dar o luxo de realmente curtir, ou talvez causar mais uma confusão como o habitual: Liho Schyder, a Queen of Diamonds, ordenou as amas que tratassem o mago como um verdadeiro lorde, ajudando-o a banhar-se e se vestir para o evento. A verdade é que a senhora não fez isso como um gesto de cortesia, ele podia ser o soldado mais extrovertido de toda a casa, entretanto quando envolvia mulheres e uma aproximação mais íntima e indiscreta, Keepler era totalmente desconcertado e tímido a níveis desesperadores. A ideia era pregar uma peça no rapaz mais travesso da casa, o que funcionou.

A suíte a qual fora atribuída ao futuro General essa noite era digna de um nobre, todos os móveis, apetrechos e mimos que um senhor de muitas posses teria a seu dispor hoje se encontravam acessíveis para o rapaz. A cama daria para umas cinco pessoas, e era tão mole que dava pra afundar e se perder dentro do enxoval cerimonialista que enfeitava, não apenas ela, mas todo o cômodo. As janelas quase tocavam o teto e o piso, havia escrivaninha, armário de roupas e outra de livros, o lugar todo era maior que uma residência popular comum. Os adornos e detalhes entre o vermelho, branco e amarelo ou dourado, enquadrados numa estética vitoriana tinham um ar forte, fino e imponente. Keep se sentia deslocado, seu tipo encaixava-se mais com o rústico; criado por um senhor que era carpinteiro e uma senhora tecelã, além de sua mãe, sua infância foi em uma casinha bem minúscula onde, mesmo em sua simplicidade de um colchão de feno e paredes de pedra fria, ele se sentia imensamente feliz e protegido. Dormir apenas sobre a pele estirada de urso contra a terra num acampamento à luz das estrelas também tinham esse ar de hospitalidade. Todavia, nos aposentos da mansão, ele se sentia um perfeito “do mato”, independente de ter aprendido etiquetas e todos os modos requisitados.

Ficou um bom tempo perdido, futucando qualquer coisa que não conseguisse nomear ou reconhecer naquele lugar, chegou até mesmo a quebrar algumas coisas sem querer, mas nada que não pudesse ser varrido para debaixo do tapete ou de algum móvel dali. Ao se preparar para o banho, enquanto ele se despia para entrar na banheira, as Amas apareceram para auxiliá-lo, adentrando ao lugar com a cortesia e delicadeza a qual foram treinadas.

[Keepler]: H-Hey! O que é isso?! - Disse um garotão vermelho como um tomate se escondendo do biombo.

[Ama 1]: Meu senhor, a anfitriã pediu para que viessemos auxiliá-lo nos seus preparativos para a cerimônia. - Uma donzela de cabelos loiros e encaracolados, de poucas peças, respondeu ao passo que outra, morena e de corpo curvilíneo em detalhes acentuados, foi mais proativa.

[Ama 2]: Calma, será apenas um banho bem relaxante... Não faremos nada que não goste.

[Keepler]: S-Senhoritas, por favor! Agradeço a orfeta, mas eu sei me lavar sozinho! Não há necessidade!

[Ama 1]: Nós insistimos, teremos o maior prazer em serví-lo… Um grande prazer. - Ainda havia uma ruiva quieta mais atrás, fechando a porta de maneira sorrateira enquanto as duas primeiras tratavam de se aproximar de maneira sedutora, tentando distraí-lo para encurralá-lo. Teriam sido instruídas de como lidar com aquela situação? Do quanto ele era escorregadio ao ficar envergonhado? Endeavour nem viu quando pegou as peças limpas para esconder o próprio corpo, recuando cada vez mais até perceber aquela jogada ensaiada delas. Tentaram agarrá-lo a primeira vez e ele se abaixou, escapando do abraço das duas, uma segunda tentativa o fez saltar por cima da banheira e ficar entre as primeiras e a ruiva atrás dele, próxima da porta, a qual já tinha fechado e escondido a chave.

[Ama 3]: Vamos dar banho em você garotão! Vamos garantir que vai gostar! - Ele ouviu nas costas.

Ele era doido, ninguém tinha dúvida disso, mas talvez Liho não imaginasse que ele era capaz de apelar para as próprias habilidades para fugir daquele lugar. Não só driblou as meninas usando sua rapidez de maneira desesperada, como arrombou a porta do banheiro no tombo, levando-a ao chão. Coitado, ficou tão enlouquecido de vergonha que fugiu seminu dos aposentos, segurando as roupas de forma que escondessem suas partes, buscando refúgio no quarto de Mayhem, seu melhor amigo que também estava dentre os nomeados para a cerimônia e se encontrava na mesma situação delicada. Praticamente socando a porta do quarto do outro rapaz, Keepler batia desesperado ouvindo os risos pelo corredor.


[Keepler]: May! Abre a porta! Rápido! Me ajuda pelo amor das Relíquias!

Mayhem apesar de ser um rapaz, sua aparência era muito feminina, assim como seus trejeitos. Tímido e retraído o tempo todo, parecia extremamente delicado e pouco interagia com as outras pessoas, as vezes só fazendo o contato por obrigação. Dotado de uma situação especial, uma “cegueira” a qual o fazia enxergar o mundo de uma maneira completamente diferente das pessoas normais (similar a do Demolidor), ele tinha tudo para ser feito de piadinha e chacota, mas no momento que Keepler o conheceu, não deixou que isso acontecesse, da mesma forma que Kiegard se mostrou um soldado tão aterrorizante em combate quanto qualquer outro, sendo apenas um posto abaixo do mago. May já havia confessado paixão pelo rapaz de olhos liláses, mas era visto apenas como um irmão mais novo e isso não mudaria jamais para End.

Quando o filho de Karsh batia na porta, ele ouviu um gemido delicado ecoar dentro do quarto, era o Mayhem. Não muito depois de uma série de sons de socos e chutes e coisas quebrando também e outras vozes masculinas dentro do quarto. O moreno não entendeu direito o que se passava lá, até que de maneira abrupta 3 rapazes de características diferentes saíram de lá de dentro com nariz sangrando, machucados pelo rosto, um mancando e outro segurando o braço. Perto da janela estava o garoto ofegante, envolvido numa toalha e segurando um vaso de vidro parcialmente quebrado.

[Mayhem]: K-Keep?! O que… O que faz aqui? - Perguntou enquanto o amigo invadia o quarto fechando a passagem à chave e se escorando na parede respirando aliviado

[Keepler]: Quem eram aqueles caras? O que você fez com eles?

[Mayhem]: N-NÃO FIZ NADA! - Respondeu aflito como se fosse entrar em um colapso nervoso, largando objeto que tinha em mãos, não antes de cobrir o rosto, demorando um tempinho para voltar a tentar falar. -  A nossa senhora e-enviou eles para… Para… Me ajudarem a me arrumar e...E tomar banho e…

[Keepler]: Ela fez isso com você também?

[Mayhem]: ELA MANDOU RAPAZES TE DAREM BANHO? - Exclamou assustado e surpreso, envergonhado e um pouquinho enciumado.

[Keepler]: Não! Ela mandou moças, mas eu escapei por um fio, acho que prepararam elas pra tentar me agarrar a força… Por isso tô aqui.

[Mayhem]: Srª Liho conhece mesmo cada um de seus criados, não é? - Comentou depois de um longo intervalo de silêncio entre eles, ainda que Keepler mantivesse uma expressão aliviada e tranquila como o de uma criança abobalhada, olhando o colega de maneira desprovida de malícia ou julgamento

[Keepler]: Aquela coroa é doida! Mesmo sendo a Queen, ela vai ter o troco! - Mayhem provavelmente ia reclamar da falta de modos dele ao retratar da líder da casa, e iria advertí-lo de quais problemas ele poderia ter em fazer algo vingativo, mas End nem deu espaço para isso. - Nem comece a falar, para uma pessoa muito certinha você está me surpreendendo hoje! Bateu nos rapazes, mal percebeu que estamos quase atrasados e nem tomamos banho ainda! Se não for entrar na banheira agora eu vou primeiro para me arrumar logo! Céus, May.. Você se tornou um grande relaxado!

Se tinha alguém que sabia esquivar-se de broncas, ele estava na lista, exceto quando se tratava de Karsh. Acertando o ponto fraco do garoto mais novo que era perfeccionista, deixou-o atordoado o suficiente para que a nova preocupação fosse não se atrasarem, largando em um plano perfeitamente negligenciável os pensamentos malignos de Keep dar o troco em Liho.


Palacete de Cristal, domínios dos Diamonds, horas depois...

Devidamente arrumados, a dupla seguiu para o Palacete de Cristal. Era uma construção realmente feita do material que carregava em seu nome, mas não era uma moradia e sim um imenso jardim interno utilizado como salão de festas e comemorações. Diferente da burguesia e nobreza de Naipes, que adoravam construções imensas e maciças, salas exageradas de detalhes e excesso de iluminação, algo fechado e “cinzento”, os Diamond preferiram construir um lugar que trouxesse tranquilidade e harmonia para seus eventos, um lugar em contato com a natureza onde, em qualquer uma das quatro estações, pudessem se reunir e celebrar, sem perder a fineza digna de senhores.

O estandarte dos Diamond estava pendurado nas árvores do lado de fora e do lado de dentro, em cores vermelho e branco, alternando entre o plano de fundo e o símbolo do losango. o chão ladrilhado como um imenso mosaico de formas geométricas distintas montadas em sua aparência conduzia os convidados para a fachada principal do palacete. O céu claro e bem estrelado fazia contraste com os postes que tinham como fonte de luz pedrinhas de energia. O verde em volta da casa, assim como o lago ali próximos estavam harmônicos com a vegetação e os chafarizes do lado de dentro, dando a ideia que a distância entre ambos espaços era uma “bolha de sabão” bem fina, pois até o friozinho do sereno mantinha-se o mesmo nas duas partes. A luz de dentro fazia o  formato das folhas refletir no cristal e na mínima mudança de ponto de referência, dava uma noção de movimento e vida. Quem estava de longe podia até imaginar um pedaço de floresta mágica.

A biodiversidade ali alternava desde plantas rasteiras até árvores medianas, flores das mais variadas cores e até algumas espécimes frutíferas que podiam ser colhidas pelos visitantes. A disposição dos espaços de plantas dentro da estrutura era tão organizada e bem dividida como um museu, uma grande praça encaixotada. Corredores espaçosos entre as bancadas de mármore cor de creme em contraste com o piso em mesmo tom tornavam o ambiente leve e receptivo.

No fundo para a parte norte do palacete havia um imenso espaço livre, onde se montavam mesas de banquete e uma sutil escadaria de pequenos degraus, mais larga, onde era posto os tronos do King e da Queen e os mais altos cargos da casa, embora eles só usassem esse lugar em ocasiões extremas, visto que preferiam estar próximos das pessoas numa posição de igualdade. Não havia uma mesa grande dessa vez e sim pequenas mesas reservadas, porque o espaço no centro era para a cerimônia.

Além dos membros da casa, haviam algumas pessoas de fora que tinham uma grande intimidade intimidade com a liderança da família. Um vai e vem de vestidos e ternos de gala animavam o cenário, não havia apenas adultos, crianças também corriam e saltavam por todos os cantos. Entretanto, o destaque da noite se resumia a um grupo especial: Os graduados, com seus uniformes de gala em um vermelho  escuro e detalhes em cinza e prata. Em cima do  imenso tapete rubi na frente do altar dos tronos, eles conversavam amontoados ali em um burburinho constante que duelava contra a melodia do piano e violino, além de outros instrumentos da pequena orquestra contratada.


[Mayhem]: Nossa… A-Aqui tem uma energia tão maravilhosa! - Sussurrou o garoto que andava agarrado no braço de Keepler, quase o usando como escudo para se proteger das pessoas em volta. Seus olhos em um azul opaco estavam fixados em algum ponto aleatório em sua frente, denunciando sua condição única.

[Keepler]: Verdade, aqui é muito bonito. Eu já tinha vindo aqui antes, sempre gostei desse lugar. Não fique tão nervoso, ficarei do seu lado na festa.. Vamos encontrar os outros membros da “gangue do cabeça-dura” - Essa nomenclatura foi dada por Alexander as pessoas que andavam com Keepler, além de Mayhem, haviam as gemêas Regis e Reina mais o brutamontes Donnie. Visto que se metiam em confusão e eram advertidos constantemente.

Demorou um tempo até a corneta ecoar pelo palacete, a multidão se organizar enquanto guardas abriam caminho de maneira coordenada e pacífica, se posicionando em pontos específicos, anunciando a entrada de Ages Ranvi e Liho Schyder, os senhores da casa Diamond. A mulher, apesar de ser uma exímia lutadora, tinha um talento singular para se vestir para bailes e festas, mesmo a contragosto; Ages por sua vez não levava jeito e sempre recebia ajuda dela, não tinham requintes extravagância e, principalmente o rapaz, costumavam a usar peças bonitas e o mais delicadas possível, contudo ao estarem lado a lado, combinando em tudo, era impossível não se encantar.

Ages tinha uma aparência de ser alguns anos mais novo que Keepler, mas era apenas impressão, seus traços serenos e sempre simpáticos dificultava muito as chances alguém vê-lo de maneira deturpada, a aura dele atraía as pessoas para perto, fazendo-as querer saber suas idéias e aproveitar ao máximo sua presença. Tinha olhos de íris alaranjada e cabelos escuros na altura dos ombros, mas que dessa vez tinham sido penteados para trás. A Queen tinha olhos lilases e o cabelo em um roxo escuro e, apesar de estar sorrindo ao lado do seu companheiro, era ranzinza e parecia “mau-humorada” a maior parte do tempo, rígida e exigente, ela era quem tomava a frente de tudo da família, visto que Ranvi era o regente de Naipes e tinha todo um país para cuidar, entretanto isso não a encaixava como uma bruxa má, ela tinha seu jeito próprio de demonstrar todo seu amor, dedicação e zelo pelos Diamonds, cada uma das pessoas da família tinham significado para ela, todas as pessoas sem distinção. Ages era mais novo e um pouco menor que a esposa, o que era engraçado, porque parecia que ela era a mãe dele. (Se fosse a mãe dele, seria a mulher mais bela e conservada do o reino, pois aparentava ter menos de 30 anos).

Após o casal, vieram: os Três Knaves - Dário I de Lonserg, o Antigo;  Math Phrys, o Sábio dos Mundos e Karsh Alexander Endeavour, o Mago Imperador; os Anciões das Relíquias com seus os sacerdotes. Os primeiros citados eram os generais da família a muitas gerações, um posto que dificilmente muda ou recebe integrantes, mas dessa vez recebia um novo membro: Keepler Endeavour de Weingold (Era conhecido assim quando chegou na casa, antes de saber que era filho de Karsh, o último nome antes era utilizado como alcunha, pois era a cidade de onde ele veio). Com todos em seus lugares, a fileira de formandos perfeitamente alinhada, Alexander, por ser sido o treinador desse esquadrão. Líder dos próprios Generais, era um homem de cabelos longos entre o branco e o lilás, olhos de íris vermelha e de uma postura tão friamente polida que sua alcunha de Imperador não veio a toa. Certamente, se Ages não fosse o líder da casa, ele seria o mais indicado para assumir. Em trabalho, não se via risos, nem brincadeiras, tampouco qualquer coisa que desse o ar de uma pessoa polida. Alex mesclava sentimentos de puro medo ou admiração nos demais, há quem diga que ficar de frente para ele no combate, só de olhá-lo nos olhos, a ideia de derrota vem tão certa quanto encher o pulmão de ar. Entretanto, fora do serviço… É um beberrão engraçado, animado e uma ótima companhia, quase uma outra pessoa. Torna-se o melhor amigo para se pedir conselhos ou fazer alguma ideia maluca.

Até a cerimônia terminar ele estava em serviço e, estranhamente, ele portava seu machado de batalha preso nas costas e uma cimitarra embainhada na cintura. Não havia mais ninguém armado além dos guardas ali. O homem ficou diante dos recrutas, olhando cada um deles diretamente nos olhos em caminhar lento e sufocante para os coitados, a música já havia parado e nem os anfitriões tinham feito nenhum discurso ou recepção: Tudo fora entregue ao general. O mesmo subiu os degraus, ficando de frente para o grupo e os convidados, com sua roupa branca e vermelha, ele começou  discurso.

[Karsh]: Estou orgulhoso de vê-los aqui. Depois de anos de treinamento e esforço por parte de vocês, conseguiram alcançar sua primeira e maior conquista aqui: Se tornarem Diamonds. Mesmo que isso só signifique o aumento drástico de responsabilidade sobre vocês, porque a provação ainda não acabou. Antes vocês tinham que provar em anos que eram dignos de fazer parte da casa, e tudo feito nesse tempo farão todo dia, o dia todo… Desde o abrir dos seus olhos ao amanhecer até o deitar na cama no fim do turno. Ser um Diamond faz parte de sua identidade, da sua índole, da sua moral, honra e ética. Fazem parte da casa, e a casa é uma parte de vocês. -  Desceu e voltou a caminhar perante os seus subordinados, encarando Keepler com mais seriedade que os outros ao passar por ele. - Alguns eram órfãos, outros viviam como bandidos nas ruas, há aqueles ainda que viviam como camponeses e trabalhadores comuns… E outros muito mais abastados em berço de ouro. Entretanto, no momento em que se apresentaram para nos servir, todos se tornaram iguais, sofreram e riram juntos, começaram do zero. Por que? Simples… Porque isso tudo os trouxe ao hoje, não como soldados apenas, mas como irmãos. Vocês ganharam novos pais, tios, primos e toda uma família que vos ama de verdade, como se nós tivéssemos concebidos vós de berço. E como família, também faremos nosso melhor para dar orgulho e todo o resto que precisam para estarem realizados. Então honrem a todo o custo o nome de vocês e dos Diamond. Não estamos acima de ninguém, até que precisemos estar em prol daqueles que não podem se defender e precisam de nosso auxílio

Alex parou na frente de Keepler, fazendo um sinal com a mão conhecido pelos recrutas, fazendo todos recuarem para formar um cerco como numa arena de combate.

[Karsh]: Você fica… Se prepare para o combate, desembainhe a lâmina.

Disse isso entregando a cimitarra ao rapaz que estava atônito a princípio, percebendo que ninguém ali esperava aquilo, causando burburinhos ao redor. Todavia, a expressão sumiu em seu rosto na mesma velocidade em que surgiu, e ele foi para o centro do círculo empunhando a arma sem questionar, encarando seu futuro adversário.

[Karsh]: Com o senhor, Keepler, o combate parece enfiar as coisa melhor na sua cabeça do que palavras...

O machado de Alex tinha duas lâminas e tomava todas as costas dele, era assustador como alguém conseguia ser tão ágil com uma arma daquela, parecendo que segurava um espetinho de churrasco. Karsh ficou com os olhos esverdeados como uma esmeralda ao sol, deixando evidente que usava parte de seu poder e, como uma seta, disparou contra o rapaz, que foi forçado a fazer o mesmo, ficando com os olhos azuis fluorescentes. O choque das armas lançou faíscas no ar e fez as luzes do local piscarem como se fossem falhar. Não foi um mero impacto, parecia a premissa de um terremoto. End, o filho, havia bloqueado o golpe sem recuar ou ser empurrado para trás, geralmente ele teria esquivado ou feito alguma de suas acrobacias por cima do homem para evadir, mas havia algo completamente naquele embate, as lâminas raspavam frenéticas uma na outra num visível impasse de força

[Karsh]: Isso vale para você e para todos: Vocês estão proibidos de desistir, se acovardar ou qualquer coisa similar! - Não era algo que ja não tivesse sido martelado na cabeça deles, pois esses termos foram empurrados ouvido a dentro na cabeça deles o tempo inteiro até se tornar uma verdade absoluta. Os dois se afastaram e trocaram uma sequência de golpes e evasivas sincronizadas, dando a impressão de lutavam contra uma imagem oposta num espelho, até que novamente chocaram-se de novo, causando o mesmo tremor e fraquejar da iluminação.

[Karsh]: Não é mero orgulho… Atrás da resiliência inabalável de vocês, há mais que uma longa trajetória de luta física e mental... - Karsh se afastou de Keepler num salto para trás e o rapaz fez o mesmo, sentindo que seria uma investida poderosa, pois o corpo do Mago Imperador emanava fios de energia esverdeados, fazendo os cristais que formavam a parede da construção tremerem gradativamente mais forte, As luzes piscaram sozinhas por alguns segundos e apagaram de vez, deixando o salão no mais completo escuro, revelando apenas os olhos dos dois ali, até que a claridade voltou repentinamente, e uma garota de aparência de 13 anos estava parada ao lado de Alexander, segurando um buquê de rosas brancas e vermelhas, vestida quase como uma verdadeira princesa. Assim como havia outras pessoas ao lado dos recém-formados sorrindo alegremente, entre mulheres e homens, idosos e jovens.

Keepler não entendeu de cara, até que se recordou de quem era a garota, que se aproximou dele em passos animados e abraçou ele pela cintura com força, dando-lhe um beijo na face, entregando-lhe o presente.

[Garota]: Obrigado por me salvar, por nos salvar! - Disse com um sorriso brilhante e largo desenhado na face, com os olhos castanhos cheios de luz e vida.

Já havia se passado uns dois ou três anos do evento onde eles dois haviam se conhecido. Keepler liderava o esquadrão para uma missão de urgência nas fronteiras de Naipes; Os Spades estavam em atrito contra as forças locais de um lorde do país de Damms, onde este fazia uma investida não-declarada pelo rei, a fim de causar mais atrito entre as potências para eclodir uma guerra séria. O que começou com brigas em bar e outras confusões na região fronteiriça, agravou-se para proporções bélicas, ao ponto de haver um acampamento militar próximo das muralhas de Naipes. A missão era: Garantir que as coisas não fugissem de controle.

A estação na época se resumia a um inverno extremamente rigoroso, o que dificultava muito um avanço rápido em certas estradas devido ao acúmulo de neve e desgaste dos animais de transporte, perder um cavalo ou uma carroça numa região remota entre as cidades significava a ruína da missão. Tinham que forçar os animais na medida certa, fazer paradas precisas e garantir que tudo estava perfeito. Passavam nas proximidades de Otterlake, uma cidade flutuante localizado no meio de um imenso lago. Nesse período, a cidade ficava “encalhada” na superfície congelada do gelo, facilitando o comércio e transporte pela cidade, mas sendo terrível para a pesca. O comboio dos Diamonds passou nas margens do lago, na base de umas das montanhas locais.  Um estrondo rompeu o céu e, de longe, a tropa conseguiu ver o excesso de neve despencar do pico da formação rochosa, anunciando um avalanche que chegaria ao vilarejo preso no gelo a qualquer instante.

Desviando-se da rota principal, incapaz de ignorar a situação e com menos de 10 minutos para chegar a cidadela e evacuar seus moradores, o mago incitou a tropa e guiou-os pela superfíce do lago, patinando com os cavalos, ordenando à eles a criação de um anel protetor em volta da cidade,  a fim de proteger as pessoas ao máximo. Com uma muralha de energia sustentada por ⅔ do esquadrão, o grupo conseguiu reter o impacto direto da avalanche de neve, enquanto a parte restante auxiliava as pessoas mais necessitadas e crianças a saír dali o mais depressa possível. Uma manobra louca e sem um planejamento melhor, com grande risco de dar errado, mas eles precisavam tentar o seu melhor

Nenhum morador se machucou ou faleceu no ocorrido, contudo, com a súbita mudança pressão e de peso sobre o gelo, a superfície se rachou inteira, levando alguns recrutas a caírem no lago e sofrer de hipotermia,outros se machucaram pelos estilhaços de gelo ou por serem arremessados pelo  movimento violento das ondas sobre as placas de gelo. Mesmo não havendo baixas, ⅓ do batalhão teve que ser enviado de volta para a casa dos Diamond. Keepler pediu que eles ocultassem sobre o evento e que deixasse que ele assumiria toda a responsabilidade sobre a decisão quando voltasse da missão, que apenas dissessem que foram pegos por uma avalanche no caminho. No final das contas, Endeavour conseguiu chegar na fronteira e resolver toda a confusão entre as partes, para evitar um derramamento de sangue desnecessário e, quando voltou, assumiu a culpa sobre a manobra, inventando uma história de que ele sugeriu cortarem um atalho por um estreito da região, resultando nesse desastre, pegando algumas semanas de detenção.

[Karsh]: Você realmente achou que não saberíamos da verdade? O prefeito da cidade nos mandou uma carta agradecendo pelo seu ato de coragem junto ao esquadrão, e disse que queria retríbuir de alguma forma… Eles viajaram quase trezentos quilometros porque queriam ajudar a fazer a cerimônia de vocês, retribuir mesmo que um pouco o ato de vocês. - Keepler estava semi-petrificado, parado ao lado da garota enquanto os novos soldados riam, ou mostravam assustado e outros ficavam emocionados aos prantos ao receber aquela homenagem. - É por isso que nunca podem desistir, porque atrás de vocês não há só o passado e desafios concluídos… Ao ficar na frente de alguém para protegê-la, você mostra suas costas, e você se torna seu protetor, seu herói. É ao ficar na frente que se pode trazer a justiça e segurança aos que tem sede delas. É sob os passos que você deixa no chão ao avançar que alguém sabe onde é o melhor caminho para seguir rumo ao futuro. Ser aquele que desbrava o mundo do improvável, de fazer todas as coisas que nenhum outro tem capacidade ou coragem, significa que você está abrindo um novo mundo… Você se torna o exemplo… O símbolo da esperança, e se nós, não formos capazes de ser tudo isso para as pessoas com toda a nossa força de vontade e persistência, seremos o nada até para nós mesmos. Então, desistir não é uma opção!

A garota deu uns passos para frente, ficando no campo de visão de Keepler, com um gesto delicado das mãos pequenas, ela levantou o rabo de cavalo de seus cabelos e exibiu três losangos vermelhos na sua nuca, suas marcas de nascença.

[Garota]: Daqui a uns anos eu poderei me recrutar para a família dos Diamonds… Poderei ajudar as pessoas, assim como você, senhor Keepler! - O sorriso dela veio seguido de uma lágrima de felicidade que desenhava uma linha em seu rosto, enquanto ela mirava o rapaz por cima do ombro.

Sobre uma salva de aplausos e gritos euforicos, Keepler ficou sem o que dizer. Ofegante pela ação de embate de segundos atrás, as palavras realmente entraram na sua cabeça como uma martelada de um ferreiro e tudo fez sentido. Karsh se aproximou dele, sem o machado em mãos, e o abraçou com força, dando um sorriso largo. Faziam poucos meses que descobriram o laço entre eles, ainda era algo novo e esquisito, mas as palavras seguintes fizeram Keep chorar pela primeira vez em público.

[Karsh]: Estou imensamente orgulhoso de você. Meu filho! O garoto que não criei, o único filho que tenho, e sem dúvida um dos melhores homens que conheço. Parabéns pela sua conquista… Você está em casa agora, está com sua família de verdade!

A noite prosseguiu em festa, bebidas e muita alegria, a música tocaria até o próximo anoitecer se deixassem. Mas para o rapaz de olhos lilases, essa foi uma de suas memórias mais marcantes, aquela que ajudou a ditar todos os futuros passos dele.



No presente, Sarah Forest....

Dean quase o desarmou com aquela pergunta, por um instante os dedos dele relaxaram sutilmente sobre Tempestas, os ombros deram a impressão de deixar a rigidez dos músculos ceder. Mas o turbilhão que havia dentro dele trouxe uma nova figura. A ideia da alma presa na árvore, em agonia e deprimida, pouco a pouco era vestida por uma armadura de luz prateada e intensa², mas a função dela além de proteger ele dos desafios no caminho, exigia dele esconder suas próprias injúrias, manter-se de pé e mirar o objetivo à frente e alcançá-lo. Essa armadura era o orgulho Diamond e toda a concepção de dever, da impossibilidade de desistir, a sentença do cumprimento definitivo da palavra, da postura tão implacável quanto destrutiva. Keepler fora forjado por isso e ao mesmo tempo que isso lhe trouxe a glória podia trazer-lhe, no momento, a ruína.


A dupla, Tempestas e Keepler, conheciam um ao outro de maneira íntima à nível de troca de pensamentos. Quando estavam em sintonia para usar seus poderes, conseguiam estabelecer uma conexão mental e corporal quase tão perfeita quanto a do mago e as cartas mágicas, o diferencial é que o livro era mais poderoso que o rapaz e poderia tomá-lo para si caso desejasse. Ele já estava na iminência de começar a investida, sustentado o livro na ponta dos dedos, Endeavour por um instante sentiu um calafrio terrível passar pelo seu corpo enquanto a energia de Temp fluía por ele inteiro, como se acabasse de ser ligado numa tomada de alta voltagem, com uma sensação muito inquietante. Se fosse outra pessoa que não conhecesse o livro e fosse desprovido de preparo físico teria tido um colapso muscular e ficado paralisado. “Tempestas?!” Questionou mentalmente, sem resposta do livro. De fato, estavam muitos anos sem lutarem juntos dessa maneira, todavia aquela primeira reação da companheira não era convencional. Ansiosa? Ela não o deixava saber. Keep deixou isso passar dessa vez, já havia traçado a estratégia de investida e, pela confiança que tinha no animatório, seguiria o “plano”.


Momento 1 - Ações I, II e III.


Os dedos da mão direita se afastaram e as cartas começaram a descer em direção ao chão em forma de cascata, obedecendo a gravidade exatamente como deveria, mas antes de tocar o solo começaram  a se espalhar pelo cenário rapidamente, como um enorme bando de morcegos se espalhando por todo o cenário com velocidade, fechando um cerco em volta deles. Estavam visivelmente dispersas, girando em torno do lugar deixando-os em um espaço livre de pelo menos 25m de diâmetro, mas em um ato visível de estabelecer um perímetro, visto que do local das cartas posicionadas nas costas de Dean até chegar à mulhern a distância não era menor que 5 metros. Os objetos seguiram movimentos aparentemente aleatórios, apenas na aparência. Apenas 3 cartas, estavam sob atenção de Keepler: Nº 10 de Scarletheart, Nº10 e Nº 02 de Diamond, as quais, entre movimentos similares a de passarinhos, furtivos entre as outras 49 cartas, copas e troncos de árvores, iam se posicionando enquanto o rapaz fazia um outro movimento.

Endeavour ainda não tinha se movido até o momento em que as cartas chegaram a completar metade do cerco (demorarm em torno de 1,0s - 1,5s). Nesse instante, um círculo de chamas azuis surgiu no chão à 2m de Dean, onde um enorme punho fechado, azulado e quase opaco, emergiu tentando desferir um Uppercut contra Dean (001.TE - Partis Consilio). Esse membro superior era grande, em termos de proporção, o dedo indicador era equivalente ao tamanho e espessura de uma pessoa normal adulta, o tamanho do antebraço seguia a mesma medida. O que parecia? Algum gigante preso em uma dimensão qualquer, enfiou o braço em uma fenda, só deixando parte do membro aparecer. Foi um golpe rápido e calculado, embora não fosse o único: Após o soco, o braço se desfez, mas em cima da adversária, mais três outros círculos de fogo surgiram e de cada um com outra mão similar tentava desferiu um soco contra ela, com intuíto de prensá-la contra o chão. Esses golpes vindos de cima foram consecutivos e não ao mesmo tempo, tão rápidos e grotescos como o primeiro. O intuito de Keepler era manter a amiga ocupada, ainda que a investida fosse com intenção de acertá-la em cheio, não era a parte principal de seu avanço.

Momento 2 - Ações IV e V.³

Antes da mão que desferiu o Upppercut desaparecer, Keepler respirou fundo e utilizou sua nova técnica: Telecinese - ​Embaralhar (T.E). Ela consiste em fazer com que ele troque de lugar com qualquer carta de seu baralho instantaneamente. O golpe foi desferido contra oponente exatamente na sua frente não foi à toa, fora uma tentativa de cobrir seu próximo movimento propositalmente. Do outro lado de sua estratégia as cartas Nº 10 de Scarletheart, Nº10 e Nº 02 de Diamond já haviam se posicionado atrás de Dean cerca de 3 metros de distância dela a uma altura de 3 metros também. Nisso os braços em cima da mulher executavam sua investida. End trocou de lugar subitamente com a carta de Nº 10 de Scarletheart, visto que de todo seu arsenal essa seria a carta que provavelmente faria menos falta.

Momento 3 - Ação VI.

Antes da mão que desferiu o Upppercut desaparecer, Keepler respirou fundo e utilizou sua nova técnica: Telecinese - ​Embaralhar (T.E). Ela consiste em fazer com que ele troque de lugar com qualquer carta de seu baralho instantaneamente. O golpe foi desferido contra oponente exatamente na sua frente não foi à toa, fora uma tentativa de cobrir seu próximo movimento propositalmente. Do outro lado de sua estratégia as cartas Nº 10 de Scarletheart, Nº10 e Nº 02 de Diamond já haviam se posicionado atrás de Dean cerca de 3 metros de distância dela a uma altura de 3 metros também, ao mesmo tempo em que os braços acima da mulher executavam sua investida. End trocou de lugar subitamente com a carta de Nº 10 de Scarletheart, visto que de todo seu arsenal essa seria a carta que provavelmente faria menos falta.

Agora, sua articulação dando certo, estaria atrás de Coroline, usando as outras duas cartas para apoiar nos pés e se sustentar no ar. Até o seu respirar fundo teria função ofensiva: Ainda com Tempestas na mão esquerda, Endeavour abriu a boca e uma luz azulada começou a emergir do fundo de sua garganta, como se fosse um canhão de energia carregando poder para disparar, só que em uma velocidade muito maior, até que o mago lançou uma  baforada de chamas azuis (012.ST-Lv01 - Hyacinthum Flamma), fazendo um cone giratório em direção à oponente, de maneira que não consumisse apenas ela, mas o chão e as árvores em volta (troncos, galhos e folhas). Por não ser uma chama que queima, ela não apresenta sensação térmica, mas se comporta igual à uma comum. Se fosse um ataque bem sucedido, não só o corpo do alvo estaria coberto, como todo o local tomado pelo fogo. A ideia é que a sensação a qual iria acometer a mulher seria que as partes atingidas pereceriam diante de uma onda de completa dormência, além de deixar parte do cenário a mercê da força da dracena.





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Round 1 - Movimento 2.

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Sab Nov 03, 2018 1:50 am



NO DIA ANTERIOR.


APARTAMENTO DE COROLINE, COBERTURA PENTHOUSE.


Ela sempre ficou quieta, nos momentos em que estava refletindo, ou na hora que iria lutar, nem uma sílaba ou vogal era disparada por seus lábios grossos e quase avermelhados, em um tom róseo ingênuo e adocicado para alguém que portava uma aparência que não condizia com sua forma de investir contra um outro alguém. Se a necessidade surgia, talvez ela trocasse palavras, entretanto, Coroline optava por um silencia agonizante, onde apenas ficava pensando e se recordando de como essas memórias de uma quase infância a invadiam, onde Henry Hawkins lhe dizia frases específicas, estas que ela ainda não sabia o que queriam dizer.


Dean apenas sentou-se no banco de sua penteadeira, pensando na expressão de Endeavour. Ela juntava as mãos em frente ao rosto, entrelaçando os dedos. Isso deveria ser algo comum para se pensar não? Ele estaria a aguardando para o local combinado e mesmo assim a Hawkins não tinha ideia se iria comparecer ou não. Para que iria? O que isso faria de bom? No fundo, bem no fundo ela sabia que era necessário. Por mais que quisesse afundar a sua ação futura ação em negação, Dean sabia o quanto isso era necessário.


A mulher passou as mãos pelos longos cabelos ondulados, os lábios se curvando em um bico, sentia-se um pouco incomodada. Estava se sentindo arrependida? Era tristeza que a abatia? Ou seria remorso por estar negando-se a ajudar alguém? Ah, que coisa esquisita para ela! Se fosse há muito tempo atrás, quando ainda estava em seu mundo, onde desfrutava de um pouco de uma vida feliz antes do peso das batalhas e a posição que foi imposta a ela surgir, talvez fizesse sentido esse sentimentalismo. Mas Ária havia se enterrado a tanto tempo, que mesmo que olhasse no espelho e ainda visse aquela pessoa que um dia já fora, não tinha vontade de revive-la. Só que como um velho sábio já havia dito a ela: Não importava quantas vezes você tentasse ocultar a si mesma, aquilo que ela era jamais se perderia, mesmo que está se forçasse a manter seu verdadeiro reflexo trancafiado.


Coroline já havia feito uma escolha, e pensou muito bem antes de fazê-la. Ária que era um monumento vivo de uma era longínqua entre os seus conterrâneos, chegou a conclusão depois de anos vividos, que estava na hora do velho mundo dar lugar ao novo.


Ela se cansou de ser um símbolo, cansou-se da posição privilegiada que tinha, da imagem que representava, pegou tristeza dos caminhos que as coisas foram seguindo, dos largos passos a ruinas e concertos. Chegou um tempo onde as coisas que tinha que fazer como Aquela que olha por Todos, causou-lhe desgosto, a levando a optar por uma vida solitária e reclusa do mundo que se moldava para um crescimento intrigante.  Mas mais uma vez, não importava quantas vezes fosse, sempre que as coisas estavam indo para um fim, o chamado dos Anciões batia forte e a encontrava, clamando para que ela retornasse e trouxesse as coisas em seu ponto de equilíbrio, mesmo que isso significasse no fim de alguém durante o caminho.


A mulher passava os dedos pela madeixa longa que agora jogava por cima do ombro esquerdo. Esse era um resquício de seu passado, trechos que ela preferia não os manter circulando por sua cabeça. Brava ela pegou a escova, tratando em desembaraçar as suas ondulações.


Talvez ela fosse... Por que na verdade, mesmo que seus lábios dissessem um “não vou”, ela nunca mudou de verdade. No fundo, ela se importava, mesmo que jamais aparentasse isso.


Suspirando pesarosamente, ela fez sua cabeça, iria lutar, mas por uma finalidade além do que normalmente o faria. Não seria um engano, nem mesmo seria uma história onde ela estaria em busca de alguma coisa, e teria mais uma vez que encarar algo que levaria aos fins dos tempos, deidades malucas, criaturas esquisitas e qualquer coisa de grande ameaça local ou global. Por uma vez mais, ela sentiu sua velha chama dormente se ascender. Amaldiçoou a si mesma por isso. Podia sentir o Aether e o Nether fluindo dentro de si, queimando e criando labaredas esbranquiçadas como o liminar do amanhecer de um novo fim, onde por estas chamas cálidas existem traços desses dois elementos eternos, que trepidavam por meio de seu calor, revivendo-a para sua verdadeira paixão, para aquilo que fazia muito bem, mesmo que não gostasse. Uma chama e queimação vista por um único alguém, cuja a presença ali não se encontrava.


Ela nunca pensou que voltaria a sentir isso... Um desejo turbulento.


Levantou-se, deu uma olhada em direção a sacada de seu quarto, franziu o cenho levemente. Nada podia ser mais estranho do que semana passada.




DIA DA LUTA.


SARAH FOREST.


Os lábios superiores e volumosos se curvaram em uma linha de descontentamento. Os olhos dourados que ocultavam em sua coloração um aglomerado de estrelas incandescentes, que se moviam sem pudor por sua entonação foram levemente pressionados pela vigésima vez neste dia, no entanto, pela primeira vez desde que acordou, Coroline não estava apreensiva, nem a contragosto de algo. Essas orbes douradas que costumavam manter-se seladas para não entrar em contato com a verdade que o corpo ocultava, já não conseguia mais ser contida por nenhum encantamento. Como em seu tempo, onde teve um encontro rápido com Ares, O Deus da Guerra, Dean não perdia sua visão entristecida e nem podia se ocultar da realidade. Exatamente como naquela época, onde sua visão inteiriça, havia sido cortada pela metade, a mulher não conseguia deixar de ver os resquícios da alma. Ele sofria. Por mais que ela quisesse negar, não havia como desviar dessa realidade. Keepler Endeavour tinha uma dor interna tão agonizante, que lembrava a sua própria em tempos distantes. Apesar de hoje existir somente cicatrizes, ela nunca esqueceu verdadeiramente de como era estar sem ar, com um peso nas costas que ninguém podia carregar para ela, somente Ária tinha o fardo cheio de dor para carregar..., mas ela estava só, Endeavour não estava tão solitário quanto ele pensava e Dean, por um segundo pensou que talvez, ele não soubesse disso.


“É por isso que tanto você me faz recordar dessas coisas? Pai, eu não sou assim, não mais, não dá. Eu não posso ajudar esse garoto. Eu só...” . O pensamento dela se perdeu assim que viu a situação precária do homem a sua frente. A perplexidade no rosto de Keepler apenas mostrava para aqueles que não podiam ver com seus próprios olhos a tormenta que existir dentro dele, mas se alguém pudesse sentir o que o homem sofria dentro de si, compartilharia com ela uma carga desagradável. Coroline desviou o olhar, por um instante apenas, ela balançou a cabeça. Esse menino queria que ela fosse uma espada, que trouxesse sua fúria para o campo de batalha, mas como ela poderia? Não havia como aceitar uma tarefa amarga com quem cuja a vida clamava por uma outra coisa que ia além do campo de batalha. Dean não conseguia o ver como um inimigo, não por que eram amigos, mas sim por conta do que Keepler gritava em seus olhos marejados. Ela viu uma lágrima solitária escorrer pela face do homem, misturando-se ao suor frio de sua pele. Um resultado quase que imediato de sua pergunta. Ela sabia a resposta para aquela pergunta, mas quis bancar a descrente e pensar que era apenas uma impressão que tivera sobre ele.


—— Keepler... —— Ela sussurrou, então balançou a cabeça lentamente, enquanto erguia seu braço esquerdo. A Hawkins não podia ser uma espada, Ekard jamais atenderia seu chamado para um duelo contra o homem, que a viu lutar contra Hisako e pareceu ter-se encantando com sua selvageria. Com um lutador de aspecto tão antigo, Dean imaginava que teria que ser um pouco como a velha-guarda de seu mundo, onde aqueles que impunham seu armamento, fizesse jus aos nomes dados as suas lanças e escudos. ——  Eu sinto muito, eu sinto mesmo. —— Nas costas a mão do braço que foi erguido, uma azul cálido ressurgia com um pequeno ponto, que se multiplicava como vários pontilhados, tornando-se pintinhas sobre a pele dela, até se juntarem e formarem linhas nítidas. Uma circunferência, com uma menor em seu centro, semelhando-se a uma engrenagem, que passou a ser rodeada por outras. Todas com uma inscrição rúnica, dialeto antigo de seus conterrâneos, onde palavras e escritas já eram base para uma vida de comunicação além da falada, que não tinha nenhuma inscrição por pertencer a uma geração tão distinta. Por todas as circunferências e aquelas que se assemelhavam a engrenagens, haviam desenhos de um aspecto tribal, que pareciam se fundir na sua carne. Aparentavam a ser grandes setas, sendo visualmente um aglomerado que apontava a diversas direções, como a Rosa dos Ventos, mas com doze longas pontas, onde o principal conjunto era formado de oito pontos e o menor com quatro, tendo o encontro e desencontro dos desenhos a aparente visão de uma estrela se despedaçando.


Esse evento tinha um nome: Orion, seu escudo.


Coroline não era uma pessoa desatenta, e essa história nem se trata de suas pessoas que estavam aprendendo a lutar ou lidar com os seus meios. Dean sabia que Keepler tinha afinidade com magia, ele era um soldado que não só tinha como conhecimento a arte da luta, como também tinha como repertório a magia. Esse embate não se tratava de briga de ringue, treta de rua, e muito menos de duas pessoas que treinaram por quase toda uma vida para mestrar seus dons e seus próprios estilos de luta para esbanjá-los para o mundo ver. Como a si mesma, Keepler tinha um conhecimento profundo, e nunca deixou claro a ela o gosto de mantê-los inteiramente a vista, assim como Dean, jamais usou todo o seu repertório em luta, mesmo que o que já tinha sido visto, poderia ser o suficiente para alguém se perguntar se é possível. Mas este pequeno detalhe era o que tornava estes dois combatentes personagens gritantes: O que você pode esperar deles? O que eles têm abaixo da manga? Mostrariam toda a sua densidade? Bem, você nunca saberia, ao menos da parte dela eu posso afirmar que não. Analisar o oponente e saber se o que tem em sua mente será algo útil a se usar, já era comum de Dean que pensava rápido demais para o próprio bem. Ela tinha que ser assim, pois como já dito, ela não é lutadora e ter que se portar como uma, saia um pouco fora de linha. Haviam muitas coisas a se considerar e nem todas ela achava necessário ter que relevar.


A Éther mantinha Orion em sua forma puritana, cujo o tom cálido parecia ter sumido, deixando apenas a pele branquinha, no entanto, Orion ainda estava presente, pronto para ser chamado quando necessário. Como toda arma forjada em seu planeta natal, Orion era uma arma viva. Seu povo sempre teve paixão por suas criações, até mesmo aquelas cujo oficio era para a guerra. Por serem apaixonados e pertencerem a uma espécie nem um pouco “convencional”, as armas moldadas, aquelas para patentes que lidavam com problemas maiores ou extremos continham força próprio, que nas mãos de uma pessoa errada, faria mais mal do que bem. Era claro, não existe mundo perfeito, mas ao menos dessa forma, nenhum desse objetos ficariam passando de mão em mão como se fosse faca no pão e brinquedo de criança, e Orion apesar de ser um escudo, não foi moldada com um material diferente de Ekard. A forja dos dois são a mesma, assim como o sangue de quem fez estava presente nelas, a diferença é que enquanto Ekard foi feita para destruir, Orion foi forjada para proteger e por isso, pelo que via em Endeavour, a Éther tomou a decisão mais dolorosa para si: tornar-se um escudo novamente a quem necessitava.


Com os dois em seus respectivos postos, a luta finalmente parecia que iria começar, e de fato ela havia começado.


Keepler usou seu deck aparentando que iria jogar suas cartas no chão, mas estas não quiserem se chocar com a terra, ao invés disso se dispersaram pelo cenário como um monte de pássaros e morcegos em fuga.  Algumas até passaram por Dean, que não moveu um músculo. Ao invés de colocar sua atenção nelas, Coroline não tirava sua atenção para além de Keepler naquele segundo. Poderia ser até arrogância da mulher de não ver o que seu oponente estava fazendo, mas quem já acompanhou de perto, sabia que a mulher tinha mais de um par de “olhos”. Ela fazia de seus sentidos elevados como outras formas de se ver, isso fez parte de seu treinamento para juntar as suas habilidades elementais, com as suas marciais. Mori, seu antigo mestre, sempre reforçou a utilização deles além do instinto afiado da Éther que parecia estar a mil, atenta para qualquer coisa ou ameaça presente. O homem havia identificado cedo nela um aspecto de predador, no entanto, ele sempre acreditou que fosse apenas imaginação viva dele. Estava lidando com uma criatura de outro mundo, queria ensiná-la a utilizar isso para outras coisas, no entanto, Mori nem sabia que só estava ajudando-a a se relembrar de como utilizá-los.


Entretanto, como já foi mencionado, ela não se deu o trabalho de tirar os olhos de quem estava a sua frente. Sua audição lhe dava uma singela ideia sobre a possível distancia que estas cartas estariam de si, e para ter certeza, ela colocaria isso á prova em um futuro não muito distante. Dean não era uma novata, não era uma pessoa que ficava brisando em meio a um embate, nem ficar questionando do porque fulano e cicrano fazerem isso em tempo recorde ou não. Keepler não era um oponente comum, ela já sabia que ele tinha como adendo de seu repertório a magia, e isso era o maior fator da luta para ela. Para Coroline significava estar atenta, manter-se esperta e bem desperta para a sua realidade nesse momento, por isso não desviou seu olhar e apenas por isso, a Hawkins afiou-se.


Com as cartas passando pelo seu corpo, Dean ergueu a mão direita onde ela concentrava uma quantidade pequena de energia (se comparada com o padrão que ela costuma utilizar para se livrar de pessoas ou componentes que não a agradam),assim como seu punho esquerdo era envolvido com seu eterno aspecto dourado. Essa pequena quantidade, se demonstrava presente através de feixes de eletricidade, enquanto o resto da carga era acumulada por ela, em toda sua mão. No entanto, por que ela estava se preparando?


Esse “enxame” de cartas podia ser algo aguardando por si quando acabassem ou estivesse ainda se formando, a verdade era que Dean não gostava de truques. A sua preparação no punho esquerdo, era mais para eliminar essas cartas, caso viessem a incomodar bastante, no entanto, a Éther tinha a velha sensação de estar na mata e um tigre estar oculto, pronto para arrebata-la.


Dito e feito, o exame não veio sozinho!


Keepler invocou do seu “Grimório” um braço de proporções anormais. Este quando ficou a mira de Dean, fez que a Éther apenas disparasse a energia que estava sendo acumulada em seu punho direito. Esta que era uma pequena esfera com feixes de eletricidade, se tornou um raio puro ao ser disparado por Dean. O choque de energia não causaria um lampejo, mas vários estalos incômodos, já que o Stay Tuned ao entrar em contato com um oponente ou inimigo, causa paralisia momentânea, com isso, seus ouvidos atentos ao cenários a fizeram desviar seu olhar e como já contado por ela, o Endeavour não viria só com um pequeno plano para cima de si, só que ele não era o único que tinha algo preparado. A morena não estava testando seu oponente, o estava tradando como ele desejava ser tratado, por isso, seu punho esquerdo foi para o alto assim que paralização ocorreu (Riot).


Coroline havia concentrado neste punho um amontoado de Oyakän, e enquanto seu braço fazia o percurso para cima de sua cabeça, este elemento irá sendo librado, simulando um “potente soco”, onde a Éther não causa uma explosão, mas mantém essa habilidade única aos Éthers concentrada no punho, mantendo a potência e a força dele presente. Para aqueles que não conheciam a Oyakän, esta habilidade é originária da espécie de Dean, sendo eles seus únicos formados. Composta por pequenos grãos dourados, onde cada uma emanava 50°, a Oyakän em conjunto costumava a formar uma chama dançante, sem dono ou desprovida de uma mente por trás dela, no entanto isso é apenas sua aparência, que não passava de uma bela fachada. Esse elemento refletia de forma intensa a personalidade de seu formador, sendo muito agressivo o seu desejo. Essa “chama” dourada, é completamente corrosiva, e consumia tudo a sua volta se não controlada. Para ela tanto faz quanto fez se estava arruinando o corpo ou a essência vital de alguém, uma vez moldada com objetivo, a Oyakän não parava por nada até tê-lo cumprido, no entanto, tudo isso dependia e muito de quem a estava fazendo. Quanto mais forte for a vontade daquele que a fez, mais intensa ela seria e assim vice-versa.


O resultado de utilizar a Riot? Mostrar que não estava brincando.


A Oyakän era terrível na mão de um mestre. Ele absorvia, corroía, desintegrava a matéria que entrava em contato, parecia estar se alimentando do que encostava. Para melhorar o efeito, o calor que ela emanava era insuportável para quem estivesse perto, seja pessoa ou objeto. Apesar de não se comparar com um ataque de nível mais elevado, ela ainda assim podia tornar a vida de alguém muito difícil se o desavisado não tivesse alguma habilidade natural ou uma carta na manga para se livrar delas. Quando Dean a fez o pensamento era claro: limpar o que viesse a sua direção! E era isso que ela faria, enquanto o rosto da Éther estava virado para as cartas, já que para fazer o Riot, ela girou sobre os próprios pés, feito de uma forma desleixada, como se a Hawkins pouco se importasse com sua retaguarda, no em tanto, Riot não veio para ficar solitária.


Utilizando-se da mesma mão, Dean encerraria dois problemas de uma forma só. A Oyakän de sua mão esquerda, seria emendada com a finalidade de acabar este cenário, então além do Riot dar conta dos braços acima de sua cabeça, já que a Oyakän se dispersa naquele em que ela se choca e passa a corroer, a se alimentar daquilo que toca e seus resquícios continuam próximos, até a sua anulação. A morena moveu está mão como um chicote, ainda com a mão acima de sua cabeça, onde Dean liberava esse elemento por todo o cenário acima de si. Não era só uma defesa, assim como também não se tratava de uma investida mal-intencionada. O Acid Rain (Super.Nivel.2) tinha que ter uma base inicial para ser utilizada, carregar seu punho esquerdo não era apenas tentar dar um chute de que algo viria por cima, mas para começar a demonstrar que iria dar trabalho. Uma provocação? Não, ela só não se esqueceu de sua leve noção de que algo estava preparado nas suas costas. Com ela cuidando das coisas acima de sua cabeça, Dean nem se incomodou com o Hyacinthum Flamma, sorriu em satisfação para ele, pois com a mão livre, ela apenas desceu o dedo indicador, um gesto despreocupado, fazendo com o que todo elemento acima de si, despencasse sobre o cenário, trazendo toda a destrutividade da Oyakän consigo. Ela não só cuidaria do cenário, como deixaria o mago em maus lençóis. O ar a volta deles seria pesado, e o elemento dourado seria responsável por isso.




UMA SEMANA ATRÁS.


LUGAR DESCONHECIDO. MAKO, LABORATÓRIO.


O som de ferramentas sendo deixadas sobre a mesa, chamava a atenção da mulher alta presente. Coroline que estava olhando a mesa de ferro a qual estava apoiando o corpo, desviou o olhar de seu reflexo entediado para a figura menor do outro lado da sala: Mako Dellart. Talvez sua conhecida mais antiga e sua confidente, tinha em mãos as duas preciosidades da Hawkins: Brave e Grace. Irmãs gêmeas, as armas foram forjadas e moldadas para aguentar a força anormal de Dean, que normalmente era obrigada a ficar se contendo e verificando frequentemente o quanto estava forçando os apetrechos que carregava. A mulher tinha uma vida agitada, e apesar de sua formação transmitir uma vida pacífica, cheia de viagens tranquilas com um trabalho tedioso, o que ela buscava no mundo a levava para um caminho totalmente diferente. Um desses caminhos a fez conhecer Mako, uma mulher brilhante e com uma criatividade exuberante. De cabelos castanhos que lhe iam até o ombro, com muito cuidado ela examinava os últimos detalhes do armamento de Dean. A Éther conseguiu finalmente estragar uma das gêmeas em sua última confrontação com a The World, onde ao invés de atirar, decidiu usar o corpo da arma como um “porrete”, em uma ação que diz ela, ter sido feita para se defender de uma ocasião “perigosa”.


Mas Mako conhecia a criatura que estava atrás dela, a cinco metros de distância (mais ou menos isso pela visão dela). Para conseguir quebrar um componente feito de um metal resistente que aguenta até a pressão da água encima de si sem ceder durante horas, é porque alguma coisa tirou a mais velha do sério. E pela forma que haviam amassados nela, a Hawkins deveria ter batido consecutivamente nele contra algo muito duro, mais resistente que sua própria obra prima.


A inventora afastou sua franja reta de seu rosto, tirando os fios de seus óculos, mordeu o lábio inferior enquanto via minuciosamente se nada faltava (Dean iria conferir, ela sabia que isso seria feito na frente dela). A morena inspirou fundo, envolveu as duas pistolas com base branca e colorações distintas, e as envolveu por um pano azul, pronta para as entregar a seu verdadeiro dono. A mulher girou sobre os próprios calcanhares e foi em direção a uma impaciente Dean, que começou a dedilhar a mesa.


Mako sabia que a mulher não estava muito bem de humor, havia conseguido tirar a paciência dela do sério. Fazia meses que vinha alertando-a de preocupações que tinha, e a Hawkins não demonstrava nenhum interesse para o que andava acontecendo mundo a fora. A Dellart não se lembrava de quando Dean passou a ignorar o grito de socorro de alguém, mas passou a temer por isso. Ela era uma das pouquíssimas pessoas que sabia verdadeiramente, que tipo de criatura Dean era.


—— Eu queria muito que me ouvisse pelo menos uma vez. Eu juro que nesse momento às coisas estão ficando bem estranhas. Tem muita coisa esquisita rolando por aí. —— Falou a mulher de jaleco branco, por cima de uma camisa marrom e toda amarrotada.


—— Sempre teve coisas demais por aí, não é para isso que a Ordem existe? Para manter-se sempre atenta a acontecimentos externos e internos que sejam causadas por vocês?


—— É, eu sei que é para isso que muitos de nós existimos, mas mesmo assim, você não sente nada? Não está achando estranho essa concentração esquisita de energia? Esse acúmulo de aparições? Qual é, em um mês só eu datei que em sete países diferentes houveram casos muito esquisitos. Nunca tivemos isso, pelo menos não em cem anos.


—— Olha criança, eu não sei, a única coisa da qual eu tenho certeza é que eu quero minhas armas e você disse que ia concertá-las, ou você me devolve a Brave e a Grace, ou eu irei pegá-las e dar no pé. Já esperei tempo de mais, se não vai arrumá-las, então me devolva que eu arrumo uma outra pessoa para isso.


—— Não deixei de arrumar os seus brinquedos, apenas estou dizendo que tá tudo muito esquisito.


—— É claro que está, no mundo todo ocorrem fatos isolados, alguns que podem levar a uma extinção direta e outros não. Norte da América não é o centro do planeta de aparições, acontece que algumas criaturas preferem fazer as coisas com a velha fórmula, onde ao invés de forjar um cenário dramático, realizam seus feitos como verdadeiros filhos da mãe experientes, jogando como campeões de xadrez. Você não sabia que nem todo mundo tem pique para teatro? E além do mais, você está assim por que viu as gravações não viu? Eu sei que você já passou bem perto de um deles, e não gostou.


—— Ninguém precisava passar perto de uma criatura daquelas.


—— Pois bem, você encontrou um Antigo, um dos primeiros seres e daí? Pensou que só existem coisas como eu, Anjos, Demônios e Deuses por aí? O Universo é muito maior do que esse globinho terreno. Gaia é chamativa por ser o único planeta com uma concentração de vida sem forma de adquirir uma proporção exata por todo o Sistema Solar. Vocês são praticamente um porto onde muitas outras criaturas pegam passagem para ir a outros lugares. Ela sempre chamou atenção, e qualquer ser que consiga enxergar o quão grande ela é, vai vir aqui, não adianta.  —— A Éther apoiou os braços por cima da mesa, enquanto olhava a figura a sua frente, que a encarava incomodada.


—— Isso realmente não te toca? Você que passou os últimos anos viajando mundo a fora, que se chocou contra deidades e outras criaturas, você mesma já impediu vários eventos! Por que isso não te incomoda?


—— Por que quando a grande merda é feita por mãos humanas, não há nada que eu possa fazer para ajuda-los. Já disse uma vez e repito, as coisas que eu fiz foi por que estavam no meu caminho e faziam parte da minha história, mas muitas delas eu nem deveria ter me metido. Vocês causam muitos problemas por uma tenra curiosidade, abrem portas para seres que se quer conhecem bem, permitindo que estes façam o que bem quiser, e quando as coisas pioram, procuram outro alguém para jogar a culpa.


—— Mas mesmo assim! Tem gente sumindo e inclusive, tenho coisas para achar que não estão sós. Que tem outras figuras muito influentes que participam disso.  The World pode estar quieta, mas o Marston não foi esquecido, ninguém jamais esquece. E o que foi pego em Linhares, naquela sua última visita, deixou bem claro que eles talvez tenham ponta nisso.


—— Eu fui lá fazer o que tinha que ser feito. Minha função era resgatar o Mori, devolver a vida dele e ficar em paz. Vocês aproveitaram para checar o que o cara estava fazendo.


—— EU SEI, mas sabe como isso é preocupante? Imagina se de repente temos invasões pelo mundo todo, com coisas assim e de forma simultânea?!


—— Está imaginando de mais, primeiro que para isso você precisa de um amontoado absurdo de energia, invocar essas criaturas exige mais que sacrifícios, virgens, animais e suicídios. Estamos falando de criaturas que existiam antes mesmo da primeira Estrela nascer nessa sua realidade. Em segundo lugar, o que você viu foi uma semente, uma manifestação, é uma memória, ela dará problemas? Sim, ela com certeza fará isso, não sei por qual motivo ela está aí, mas fara aquilo pelo qual foi liberta. Em terceiro lugar, os Antigos gostam de mão de obra que possa virar jantar, não vai ter lógica fazer uma extinção em massa, não precisam de um planeta vazio, não faz parte do raciocínio deles. E último, mas o mais importante! Você precisa tirar essas ideias da sua cabeça.


—— Eu não consigo...! Você não sabe o que eu senti! Não entende o medo que se apossou de mim, eu vi, uma pilha de corpos, um mar de sangue, eu não sei se foi real ou não.


—— Mas pareceu ser, não?


—— Isso!


Dean fechou um pouco as pálpebras, como se estivesse apertando a sua visão, estava procurando em sua memória o que poderia ser esse tal ser que ela tanto temia.


—— Talvez o que você tenha visto, não seja um Antigo, mas sim outra criatura. Me contou ontem por telefone, que ele mudou de forma assim que seu colega o viu, não é?


—— Sim, isso realmente aconteceu, inclusive quando ele escapou das mãos do Vasco, o mesmo até mudou novamente, parecia que estava se adaptando ao cenário, ou outra coisa.


—— Talvez você tenha visto um Lošo Voploteno.


—— Loso o quê?


—— Lošo Voploteno, traduzindo para você, é o Mal Encarnado. Uma Manifestação, na verdade, ele é a incorporação de seu medo, seus atos, seus remorsos, assim como todos os erros cometidos por aquele a quem ele se espelha ou tenha nascido. São criaturas raras de nascerem, mas quando nascem, Deus te acuda, por que não morrem fácil.


—— E por que uma coisa dessa viria aqui?


—— Eu não sei, talvez por que a Ordem seja um misto de estudiosos e artes antigas? Por que vocês assim como outras dezenas espalhadas pelo mundo costumam se envolver com coisas assim? Só aqui vocês têm como parte da coleção, algumas folhas copiadas do próprio Necronomicon, feito na mesma época que o original, praticamente, carregando a passagem de uma das piores criaturas que poderiam vagar neste mundo, além dela, tem uma variedade de pessoas e seres que não seriam aceitas por aí tão facilmente. A Matheia, a doida que está em cinco andares abaixo de nós, é uma bruxa, ou assim a história diz ser, acha que ela não vai atrair um desses? Nem criar um desses? Lošo Voploteno são terríveis, são verdadeiros espíritos que precisam de um transporte para ganhar vida, e tem um motivo para nascerem sem um irmão: As pessoas que os forjam, passam anos alimentando isso sem se dar conta, e quando eles chegam no estopim, se alimentam do mulher ou homem e todo o desespero deles. Estamos falando de seres da Escuridão, verdadeiros filhos dele. Você que já tem medo de assombração, imagina que essa pequena criatura é a essência de toda um lugar que só teve sofrimento e as piores ações possíveis. Tá lembrada do Arkham?


—— Aquele Titan que surgiu do mar, que soltaram na Dark Island quando você foi para lá ajudar o professor a decifrar as escritas?


—— Exatamente, aquilo é um tipo de Lošo Voploteno, não é um dos pequenos como este. Ele nunca irá assumir a forma do medo de alguém, pois já teve força suficiente para trazer o corpo para cá. Ele se apossou de tudo o que aconteceu, isso inclui a tribo que ali tinha, até a família que vivia lá. Além do mais, ele não estava só, ali tinha dois Antigos de uma classificação bem perigosa.


—— Eu sempre quis saber... Que tipo esses dois que você viu são...?


—— Bom, eles já foram mundos carregados de toda a essência necessária para se manter diversas formas de vida, mas perderam sua estrutura e a matriz existencial deles foi corrompida, o resultado foi a abominação que se tornaram, uma entidade que come o que existe em seu antigo corpo e renasce com um novo. Alguns são tão desprovidos de uma racionalidade, que se portam como verdadeiros problemas. Por isso, Drakull e Silphilyet nunca ficaram soltos, tomei todo o cuidado de mantê-los presos e esquecidos em um lugar que nem o Diabo vai querer ir visitar.


—— Eles são tão... Perigosos assim?


—— Essas criaturas não seguem regras, não querem saber quem ou o que você é, tudo o que eles sempre iram ser, é verdadeiros Deuses ou Deusas da destruição, ou como você quiser chamar pela potência deles.  


—— Acho que eu nunca vou querer ver um desses... Bem, o que você acha que eu tenho por aqui? O que pensa que ele talvez seja?


—— Eu penso que, o que você tem, pode ser uma versão miniatura do Lošo Voploteno, algo não muito perigoso como o do Marston, uma boa caçada deve resolver, só precisa dele estar em forma corpórea e dá-se um jeito nele.



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Round II - Movimento 1

Mensagem  【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr em Ter Nov 13, 2018 11:07 pm




Gold Nightmare vs. Blue Evil



“Sr. Keepler, és um adivinho?!” - Uma criança qualquer, encantada pelas facetas do mago poderia perguntar isso. Ele iria rir, fazer um cafuné e responder algo do tipo: “Não, não… Sou apenas um homem esperto!”. Descrição simplória demais por parte dele, o termo não dava conta da complexidade dos pensamentos do general. Fora ensinado e treinado para pensar a frente, mesmo na pior das hipóteses, deveria ter um recurso alternativo guardado para ter o máximo de “controle” da situação possível. Quando o um cigano começa a dançar com suas cartas, não há nada mais ardiloso e perigoso: Conhecer a textura, as informações, interpretá-las e saber como usá-las. Não é algo simplesmente mágico, é uma extensão da própria mente e do corpo, e dessa forma o nível de precisão nas decisões e retomadas dele tinham uma performance assustadora na maioria dos casos.

Devido ao seu ataque simultâneo, Endeavour estava concentrado na investida dos braços e na chama azul que saía de sua boca, poderia ele ter negligenciado toda a manobra evasiva da oponente? Nunca! Isso estava totalmente fora de questão. O detalhe crucial para isso é que, ele estava responsável pela ofensiva e contra-ataques enquanto que uma outra criatura estava cuidando da defesa e retaguarda do mago. Coroline estava lutando contra uma dupla, na verdade. Tempestas estava ali. Ela observou o que a mulher usou para escapar dos braços gigantes e, enquanto o rapaz soprava a (012.ST-Lv01 - Hyacinthum Flamma). o Animório também vislumbrou a investida (Riot) sendo preparada e desenhando um movimento de um soco em direção ao mago no ar, mas não era só aquilo, parecia que todo o lugar estava sendo oprimido pela presença de Dean, havia algo acima deles também? Pela afinidade com energias e a natureza, a dracena aprisionada no livro sentiu no seu âmago o perigo mortal o qual corriam. Um vazio gélido tomou a consciência de Tempestas, a sensação de aniquilação de si própria, de estar diante de uma entidade inimaginável, aquilo atiçou o instinto mais primitivo de sobrevivência dela. Incapaz de sinalizar com palavras Endeavour, ele sentiu um arrepio tomar todo o seu corpo violentamente, poderia até afirmar que ouviu a companheira rugir de maneira bestial em sua mente, para fazê-lo entrar em alerta máximo de perigo.

[Tempestas]: ROAR!

Se isso pudesse ser traduzido, seria algo como: “ATIVE-AS AGORA!”


Slam “Free Field”, algum tempo atrás...

Estava ali assistindo como um admirador secreto o embate entre duas criaturas extremamente hostis pelos seus movimentos. Para aquilo ficar perfeito faltava uma pipoca e um refrigerante gelado, além de não estar com o corpo fodido depois de ser arremessado do terceiro andar um prédio. A confusão parecia ter começado a poucos instantes, mas a troca entre elas estava intensa de um jeito assustador, como se não houvesse nada capaz de intervir e freá-las naquele momento, nem mesmo ele era capaz de imaginar uma cena dele pisando na rua e pedindo para ambas pararem com aquilo, para evitar machucar inocentes. Muito provavelmente ele seria ignorado ou até utilizando naquela brincadeira mortal.

Por algum motivo estava hipnotizado pelo que via: Qual a probabilidade de vagar pela rua e encontrar algo daquele nível? Apesar de abobalhado, não estava desatento. Hisako tentou atacar a oponente pelas costas através de um “teleporte” usando uma orbe astral ou algo similar. Keepler diria que foi uma ótima jogada, mas não saber das capacidades de quem seria atingido também tornava a manobra arriscada. Alguns guerreiros ou lutadores, quando colocados em determinadas situações, são capazes de demonstrar uma faceta oculta capaz de virar o jogo. Bem, esse não foi um pensamento instantâneo de End, isso veio depois...

Quando as asas de Dean se fecharam para protegê-la em um “casulo”, o mago sentiu uma mudança atmosférica em seu entorno, uma mudança súbita de pressão, como se um buraco fosse se formar, devorar uma série de coisas e depois explodir, arruinando com tudo em sua volta. Uma imagem tão latente em sua cabeça que seus instintos não iriam ignorar de forma alguma. Reconhecer quando as energias em seu entorno estão mudando ou são afetadas por algo foi fundamental para não ter sido atingido em cheio. Ao passo que as asas foram se abrindo e a aura em um azul escuro revelou-se e foi se expandindo, os lábios de Keepler começaram a proferir algo enquanto sua mão que não estava machucada se estendia com a palma aberta, revelando um símbolo de dois losangos vermelhos no centro de um círculo mágico de runas brancas e várias divisões similares. Com uma feição séria, beirando a raiva, ele disse em voz alta e com firmeza

[Keepler]: DIAMOND Nº 2!

Uma barreira retangular invisível de energia surgiu em sua frente, tapando o beco onde ele estava, evitando o contato direto do homem com aquela aura destrutiva. Era uma medida de urgência a qual ele sempre deixava preparada, ainda mais quando ele não saía com suas cartas mágicas. A estrutura tinha seus 10 cm de espessura, foi feita subitamente tal quanto uma sentença divina, mas ainda assim não era forte o suficiente para segurar o tranco do poder o qual estava contra. A parede não só trincou e se partiu inteira no impacto como o conflito das energias criou uma repulsão que arremessou Endeavour para trás, muito para trás, como um coice.  Fora o dia de ser feito de bolinha de tênis, porque devido a sua baixa energia e resistência naquele instante (devido a tentativa de abrir portais), fez com que ele parasse a mais de 8 metros dali, caído entre latas e sacos de lixo.

Usar um mantra ao invés das cartas tinham um efeito mais forte que elas, e ainda assim mais fraco que a realização do ritual completo de invocação. Contudo, pela pouca utilização desse meio em combate, pela demora na execução, o mago ficou desacostumado e acabara de ser punido por isso: Seu braço doía seu corpo recebia intensas cargas, similares a choque (tipo quando você bate o cotovelo com força em algum lugar sem querer), por ser um “recipiente” quase esgotado, toda sua matéria estava protestando por isso, forçando-o a ficar imóvel naquele canto. Não sairia tão cedo, tampouco poderia ver o termino da luta. Estava exausto, frustrado e chateado. Entretanto, havia feito sua lição de casa bem feita: Memorizou o rosto das duas. Quem sabe em outro momento não as encontraria pela cidade?

Agora só podia esperar para, primeiro, sair daquele canto sujo e mal-cheiroso. Com certeza teria que tomar um banho muito bem tomado.



Sarah Forest....

Momento 1 - Ação I e II

Como dito antes, não, Keepler não é um vidente, mas é calculista. Sem saber, Dean já havia colocado o mesmo numa situação complicada antes o qual o levou a pensar em medidas de proteção caso, um dia, viessem a lutar. Não, ele não sabia de qual forma ela contra-atacaria, não era possível nem fazer uma leitura prévia de seus movimentos pois foi o próprio quem deu a largada. Todavia, o rapaz havia planejado a própria investida e, sabendo que estar no ar, no momento de uma retomada do oponente, lhe deixaria em maus lençóis, formulou uma medida que pelo menos diminuísse os danos investidos contra si: As cartas Nº10 e Nº02 de Diamond (T.E - Barreiras Mágicas) serviam de sustento no ar sob os pés dele, mas… Sua utilidade estava um pouco mais a frente: A habilidade mágica delas resumia-se na capacidade de criar barreiras mágicas em formatos geométricos.

End estava parcialmente preparado, já que nunca se sabe o que está por vir. Ele teria ativado apenas a carta decimal para se proteger se o rugido de Tempestas em sua cabeça não tivesse sido tão carregado de pavor, induzindo-o a ativar ambas cartas ao mesmo tempo. A de número 10, fez duas placas de 1cm de espessura formando um “V” apontado para o punho de Dean, visando protegê-lo do contato direto com a investida do Riot. Em contrapartida, ao mesmo tempo, a carta de Nº2 fez dez  placas de energia com 2m² de dimensão e 1cm de espessura cada que ao se juntarem, formaram um decaedro em volta de Keepler para protegê-lo. Esses formatos tinham sido estabelecidos na mente dele, então bastava ativá-las para que essas estruturas surgissem instantaneamente. Isso foi poucos instantes dele vislumbrar o sorriso da amiga e o gesto com a mão fizesse com que, em questão de segundos, não só os escudos dele desaparecessem completamente, mas boa parte do cenário em volta deles fosse consumido pelo pó dourado, algo como jogar água em uma tela ainda fresca.¹
Não era uma imagem bonita, e aquilo poderia tê-lo pego em cheio, não restaria nada: Nem pele, nem carne, nem ossos… Talvez tampouco o seu espírito. Iria desaparecer por completo. O horror que percorria Tempestas agora transbordava para dentro dele também.

”Por que?...”

Enquanto o mesmo ainda usava as cartas para se afastar da mulher, o corpo pouco a pouco cedia à gravidade, numa posição nada confortável, ele não conseguia esconder o medo.

”Se ela quisesse.... Se não fosse a Dean… Eu estaria morto agora.

Ela partiu algo dentro dele: O derrotou com um movimento?

”O escudo não me protegeu e não foi sorte…”

O sabor que preencheu seus lábios era a de ser certamente de ter se tornado uma pessoa fraca. Todavia, ele ainda estava ali: lúcido e vivo. Um Diamond só pode ser declarado derrotado quando está totalmente morto. Se não podem usar suas habilidades mágicas, atacam com armas; mas se lhe tiram as armas, tratam de socar e chutar; Caso seus membros sejam amputados, tentará morder… Até que não exista nenhuma forma de reagir.

Keepler encarava a adversária, já com os pés no chão corroído. Estava quieto demais para quem escapara por pouco de desaparecer. Ofegava pelo choque, mas percebeu que era anormal a forma como buscava respirar. Quente demais, rarefeito demais. O que ela havia feito? O ataque de instantes atrás? Ela havia freado bruscamente o ímpeto dele de avançar com a mesma convicção de antes. Aquele sorriso da mulher enquanto ele estava no ar e a energia que ela emanou. A mensagem foi devidamente recebida.

Como atacar? Não havia nenhuma situação de mínimo risco. Por um lapso de memória, ele recordou das palavras dela pouco antes dele iniciar a primeira investida. -  Eu sinto muito, sinto mesmo… - Talvez tenha sido por isso que pediu aquele embate, não por ser sua única amiga próxima naquele mundo, mas porque havia algo em seus olhos… Não apenas o brilho dourado, mas sim a verdade. A certeza de que ao ser olhado por ela, ele poderia dizer mil mentiras, entretanto a verdade já estava sobre posse da mulher. De fato, Coroline sentia, ele sabia, e seria ela a única capaz de salvá-lo.

”... Pelo que você luta, Keepler?...” - Uma voz desconhecida percorreu o fundo da mente dele.

Nesse tipo de combate você não pode esperar demais, tampouco ser negligente nos movimentos que faria. Um pé mal posicionado poderia ser o fim. O peito dele subia e descia com a respiração descompassada, mal se moveu e as gotas de suor faziam sua pele parecer que estava polido como um cristal. End manteve-se afastado em análise enquanto o livro parecia mais agitado.


[Tempestas]: O que ela é!? Como pode existir algo!? - Sussurrou na mente de End, mostrava-se tão arisca que o rapaz achava que ela poderia explodir em mil pedaços. Todavia, ainda era algo que não cabia dentro de sua cabeça, sabia que a Dracena era muito mais poderosa que ele, mas vê-la naquele estado só reafirmava o quanto a ignorância podia ser fatal.

O desafio tinha sido iniciado e, não importava a condição atual, ele não iria recuar ou desistir. As respostas nunca estiveram na mente do mago, que acabou ignorando os questionamentos do livro. Aquilo nutriu uma inquietação latente nele e enquanto tentava voltar ao eixo, Flamma tomou uma atitude que em anos de parceria ela raramente tinha feito: Tomou a frente na nova investida,conduzindo o mago tinha de fazer.

[Tempestas]: Vamos combinar forças. Nossos poderes atuando ao mesmo tempo pode causar algo contra ela, Cavaleiro dos Diamonds.

Geralmente era chamado de “garoto” ou “moleque”. Foi convocado como o general  de sua família naquele instante, tal alcunha, usada por uma criatura como Tempestas, era um gatilho arriscado e que com certeza faria a diferença. Ela acabara de mirar um canhão para Coroline propositalmente.

Momento 2 - Ações III, IV, V.

Debaixo dos pés de Endeavour, na terra, Tempestas criou uma forma projetada de si mesma, semelhante a um fantasma (017.ST-Lv02 - Mediocris Imperium), tendo a forma de um busto de um dragão (Cabeça, membros superiores, peitoral e asas), a qual se esticou pelo subterrâneo em uma velocidade considerável, serpenteando em direção a mulher.² Provavelmente não era segredo algum o que ele estava fazendo, um ataque surpresa por baixo utilizando um corpo astral e dotado de energia? Não seria um problema se tudo estivesse calculado e observado por ela nos mínimos detalhes, velocidade de aproximação, distância, ângulo, posição. Mas o que acontece se você reagir tarde ou cedo demais? Na matemática ou na física, errar uma vírgula muda muita coisa a níveis arriscados. Era baseado nisso que o rapaz formulou sua investida complementar.

As cartas do deck de Diamonds e Trevor fizeram dois anéis formando um “X” em volta do tórax de Keepler, passando sobre os ombros e por baixo dos braços em uma posição defensiva. Com duas cartas na mão, a Nº 2 e Nº 6 de Spades, pegas no ar, o mesmo fez o movimento para lançá-las contra Dean,  levando a mão esquerda para o lado do rosto, para fazer um gesto de arremesso. E, durante o processo, o rapaz urrou com determinação.


[Keepler]: UNUS!

A aproximadamente 3 metros abaixo do solo, parada no subterrâneo, a projeção de Tempestas abriu a boca cheia de dentes afiados e lançou a runa Unus contra a adversária (005.TE - Morsus Litteris*), mas ela não fez uma runa pequena, deveria ter no mínimo o tamanho de uma vaca e a luz azulada emergindo do chão e o tremor viriam como um raio. A runa era energia pura, não iria machucar ou causar dano direto a Dean, assim que emergisse, iria passar direto, fazendo seu desenho no chão, mas se a acertasse no processo, seria como receber um feixe de luz de um holofote debaixo de seus pés capaz de marcar a pele igual a um bronzeado, e a consequência de ser marcada pela runa não seria boa. Se acertasse a primeira Runa, convocaria as outras logo em seguida, pela ordem a qual elas obedecem e executando a invocação verbal por parte de Keepler, disparando uma a uma, enquanto o Dracmório faria o possível para manter a mulher em sua mira até que o efeito da habilidade se encerrasse.

Logo em seguida ao disparo dos símbolos de energia, as cartas foram lançadas pelas mãos do Knave. Elas dançaram em zig-zag em direção a mulher, visando atingi-la uma por baixo, na região posterior do joelho direito e a outra no ombro do lado esquerdo. Talvez por um instante, Coroline percebesse algo errado ao seu redor se ele executou bem seu triunfo.

Momento 3 - Ação VI e VII

Antes de energizar e lançar as cartas contra a mulher e invocar a runa, faltando pouco para que ambas investidas chegassem ao alvo, Keepler estava de olhos azuis, bem azuis como neon. Ele ativou seu poder principal, a magia que regia o seu posto e marcava suas costas com um imenso losango vermelho. A  técnica lhe permitia criar um domo invisível no local onde ele estava com 10m de raio, dentro desse espaço, a velocidade das coisas estavam a mercê de sua vontade. Ele não só aumentou a velocidade de si próprio, das cartas, da Tempestas e da runa em quase o dobro, como deixou todo o resto mais lento em 80% e passou a tentar “tomar”  a velocidade da morena, como forma de tentar deixá-la mais lenta, mais vulnerável, para prejudicar as ações dela baseadas nas informações “normais” que ele havia apresentado instantes antes: Se as cartas chegassem antes do que ela havia calculado, ou as runas, ou até mesmo a movimentação dele fugisse do “padrão” por um ínfimo instante.. Jack of Diamonds: Velocidade Amplificada – Domo de Velocidade: (S.T - Lv03)³.

Se sua investida desse certo, Tempestas iria avançar por debaixo do chão para o combate corpo-a-corpo. Usando de sua força draconiana real para tentar golpear a mulher na barriga com uma cabeçada, usando seus chifres pontiagudos, emergindo do chão como um míssil poderoso, afim de jogá-la no ar, possivelmente perfurando seu abdômen em caso de acerto, para prejudicar sua resistência física.


Havia uma seriedade em End agora, porque não tinha de haver espaço para hesitar ou para ter dúvidas. Só podia saber que estava mais forte usando tudo de si, exatamente tudo. O ar naquelas condições era um problema sério, ele não tinha tempo hábil, tentou então acelerar as coisas naquele curto espaço. Estouraria braços e veias, abusaria de sua energia própria para alcançar o resultado que esperava.

Entretanto, mesmo com a recomposição da postura da melhor forma, seus dedos ainda tremiam, ele ainda suava, arfava; O mago estava atropelando uma regra própria, uma regra de seus limites físicos: Usar Tempestas e suas cartas ao mesmo tempo era um recurso extremamente arriscado, para a própria saúde. Seria como colocar duas forças em cabo de guerra e ele ser a corda, uma que poderia romper fácil. A animório sabia disso, mas não havia como ignorar a dor interna dele, isso não tinha comparação. Assim como D, o livro foi incapaz de recusar a ele esse desejo.

Seu coração ainda doía e seu espírito ainda sangrava. E seus olhos… Ainda eram sinceros. Parecia perguntar a amiga ”Eu sou realmente fraco?... Se não, então por que?... Por que isso aconteceu?” Seria realmente melhor saber a resposta? Ela lhe traria alívio ou o fim? Quando se entra em desespero, você precisa de qualquer coisa, qualquer coisa para acabar com aquilo. Não… Usar o melhor de si não era para ganhar, tampouco ganhar um reconhecimento vaidoso, era a “coisa” dele. Saber se fora sua total e completa falha ou apenas mais uma das jogadas do acaso. Ele não poderia se convencer sozinho, não podia mais lutar contra si mesmo e o mundo sozinho.

Era exaustivo demais… Solitário demais… Cruel demais. Dean poderia lhe mostrar algo, talvez.  Não sabia como começar a falar sobre ou como pedir ajuda com todas as palavras. Essa foi sua maneira de se abrir. Ela entenderia?

… Um homem correndo no escuro em direção a um ponto luminoso. Um lugar que ao invés de ficar mais próximo, só se distanciava dele, e mais escuro e profundo ficava…
Não podia continuar assim, não mais…





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Round 2 - Movimento 2

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Ter Nov 20, 2018 7:44 pm


Nota: Descrição de Orion pode ser encontrada na Lista de Movimentos, na seção de componentes para validar as informações presentes nessa postagem.




SARAH FOREST.


Coroline sabia que ele não seria afetado. Bem no fundo, Dean tinha certeza que Keepler tiraria algo da manga para não seria arrebatado, nem judiado pela Oyakän. Se sentiu incomodada com isso? Irritada por ele ter escapado disso tudo? Não, ela até que não ligava, sua ordem não era de aniquilação. Quando formou essa habilidade inconfundível que carregava consigo, jamais pensou em ferir o rapaz de Naipes seriamente, mas queria deixá-lo avisado para algo que Endiamond nunca prestou atenção: ele era a caça e ela o predador.


Dean vivia em um planeta cheio de presas, cada uma distinta, seja por sua normalidade ou por exercer características exuberantes. Era um playground gigantesco, cheio de possíveis e enigmáticas reviravoltas.  Por que ela via o mundo assim? Éthers podiam ser amigáveis, adoráveis, doces e arteiros, mas sempre houve mais dentro deles, um perigo iminente que os soltou antes da hora do centro da criação para serem postos em frente de criaturas Celestes, Etéreas de diversas afiliações em uma luta que deixou horrores para trás em um universo distante.


Esses seres podiam não ter problemas com mortais, preferindo a companhia deles do que de outros pelo Cosmos, mas não significava que quando fosse necessário a casa não caísse.


Dean sempre avisou... E agora ele sabia. Talvez entenderia por que raramente ela entrava em uma dessas de cabeça, sem ser resultado de um problema ou consequência de uma ação anterior.  O “eu sinto muito, eu sinto mesmo” que ela havia dito para ele, deveria estar fazendo mais sentido agora para o mago.


A Hawkins sentia o medo dele, vê-lo assustado com o que fez, lembrou-a da primeira vez que viu a Oyakän quando era só uma criança em seu planeta natal. Dean não ficou assustada, ela ficou apavorada, aterrorizada com a habilidade. O pânico tão foi grande que ela saiu correndo sem olhar uma vez se quer para trás, cheia de medo daquilo se envolver nela, causar-lhe mal. Quando menina não compreendia como ela funcionava, apenas quando se encaminhava para uma vida mais centrada e sem devaneios infantis que ela pode finalmente entender como era a Oyakän e o que ela representava.


No entanto, voltando a luta, ela podia ver a confiança inicial de Keepler ir caindo em um abismo. Endeavour estava lutando em dupla, e ele parecia não ter se lembrado que Dean nunca esteva sozinha. Suas asas tinham seus patronos, sempre aguardando na hora certa para surgirem e defender as suas costas. Parecia que o rapaz havia esquecido que esse jogo em dupla, na hora que chegasse a um ponto de se defasar, poderia ser virado bruscamente pela mulher, que ao assistir seu afastamento, sentia os dois Patronos se agitarem em resposta a Dracena.


Na maioria das vezes e por muitos de seus embates eles eram quietos, calmos quando a situação pedia. A resposta contra Tempestas em forma de uma agitação interior de Dean, era natural, estava sendo uma contra dois e apesar da falta de receio de Coroline, o que já era esperado para um Éther que aceitava um combate, havia um desequilíbrio que não era muito agradável para os seus dois companheiros, mas isso podia ser invertido. Dean só precisava ter paciência para a hora certa.

As duas entidades sabiam que a intenção da Éther para com Keepler era diferente do que normalmente seria caso ela acabasse se engajando em uma luta por conta. Dean cairia encima atacando, não daria tempo ou brecha para que ocorresse isso, provavelmente nem levaria em consideração que seu oponente e ela eram indivíduos de espécies diferentes e que cada um tinha algo natural e próprio para enfrentar certos baques.


Suas costas arderam por um instante. A Hawkins não precisava de um espelho para saber que em cada lado, havia os desenhos de seus patronos, pequenas engrenagens que se encaixavam uma na outra contendo inscrições similares a Orion e a Ekard (sua contraparte), trazendo mais uma vez a aparência viscosa, mesmo estas sendo pequenas e mudarem constantemente. Essa era forma deles avisarem a ela que estavam presentes no embate, mas que não fariam nada até o momento certo. As engrenagens perderam cor, mas a sensação do movimento continuou com Dean.


A Éther ergueu o braço onde Orion havia sido “depositado” por ela no inicio do embate. Keepler parecia estar confuso, por que quanto mais Dean observava-o, mais este parecia frustrado e com um questionamento interno. Enquanto o rapaz continuava em sua mente, Orion saiu de seu estado de resguarda e estava pronto para a luta. O escudo tem quase á mesma altura de Dean, e é muito mais largo que a Éther, podendo cobrir seu corpo perfeitamente. Apesar de ter em sua estrutura no mesmo material de sua contraparte, somente o seu centro era revestido com o metal e o sangue que forjou ele e Ekard.


Envolta dele havia dois anelares como a sua forma de outrora, no entanto, elas estão interligadas ao centro do escudo, que possui o desenho de uma árvore cravada em seu corpo. Sobre suas abas, ou as partes que supostamente estão abertas, há uma proteção, um campo de força, que é a base principal de sua resistência. Orion era uma arma de guerra, feita para enfrentar os seus e criaturas mais perigosas em tempos desesperadores. Ele não era só resistente, mas também podia aguentar ataques intensos e até ditos como devastadores. Uma vez formado, Dean colocou metade de sua estrutura em frente ao corpo e aguardou que Keepler saísse do que quer que ele estivesse preso, enquanto uma aura intensa envolvia o braço livre de Dean.


A luta voltou quando Tempestas se manifestou sobre o solo em sua forma de Dragão, em um corpo que parecia ser composto de chamas azuis, tendo a imagem translúcida da criatura que um dia ela já foi,  e ainda o fazia no campo de visão de Dean. A Éther ainda continha uma “segunda visão”, ela podia sentir a criatura dotada de energia se movendo, como se tivesse um “sensor”. E algo que dizia que Tempestas também a sentia, mas como isso seria impossível de acontecer se havia duas bombas presentes? A Éther e a Dracena? Não tinha. Estava ali um jogo perigoso entre as duas.


Tempestas vinha em direção de Dean, e a Éther aguardou para quando ela estivesse mais próxima, e quando se aproximou, Coroline deu alguns passos para frente, como se quisesse se chocar contra ela propositalmente. O escudo não pesava na mão de Coroline que há muito já não usava seu limitador humano. A Hawkins impunha sua força anormal para carregar o escudo vivo como se ele fosse um brinquedinho de plástico, no entanto, trazê-lo consigo não era a única coisa que ela faria naquele momento. Quando Tempestas parecia estar no seu encalço, Dean lançou Orion para sua frente, deitado, jogando-o como se fosse um frisbee, a única coisa que ela não havia notado era que a Dracena parecia estar pronta para dar o bote, o problema era que a mesma não imaginava o que Hawkins fosse armar ao jogar o escudo. Tendo apenas uma distância mínima entre os três indivíduos, Dean “montou” encima de Orion e propositalmente, seus pés bateram nos anelares que eram os campos de força.


Ao saltar sobre Orion e pisar nos seus campos, ele automaticamente arremessou-a para cima (não lançava ninguém para frente ou qualquer outra posição, se não fosse direcionado), era a sua propriedade natural, para isso servia esse campo de força, repelir. Isso era vantajoso para Dean, mesmo que estivesse em uma altura considerada perigosa de se cair de mal jeito, no entanto, a Éther já estava acostumada com suas loucuras e a convivência que as dores de seus atos traziam! Dean já estava preparada para despencar alguns centímetros à frente de Orion e dar continuidade a sua ação, não totalmente planejada. Algo que ela arriscaria, e bem, se desse certo, depois ela comemoraria.


O que Tempestas veria durante o seu levantamento do solo era Orion caindo após ser pisado e lançado sua dona pelo ar e Dean despencando entre os dois. Só que o lançamento não era a única coisa. Talvez a Dracena estivesse pensando que Dean estava se afastando do seu campo, de sua zona segura anterior, mas isso não era verdade, e não seria a única coisa. Minutos atrás o punho livre de Coroline foi coberto por uma aura densa e escura, e foi com este mesmo punho que a mulher socou o chão ao cair entre os dois. A relíquia gêmea dos Éthers ficou em silencio no chão e permaneceu imóvel até mesmo com o que se sucedeu.


Esta suposta aura mergulhou no solo e tomou conta do cenário, se fundindo a matéria abaixo dos pés dos dois. Para cada “fusão” um espinho era erguido pelo cenário e foi isso que salvou Dean do Unus, tornando o primeiro espinho a vítima no lugar de si mesma. Como a tentativa anterior de Keepler em transformá-lo em um centro para Tempestas, o que ocorria agora era o oposto e tiraria o mago de sua bolha. Após cobri-lo com sua densa camada negra, ela cresce, mas ao invés de se erguer como uma placa, os mesmos iram crescer como diversos espinhos, sendo os pequenos (um metro e meio a dois de altura) e grandes (três metros e trinta a quatro metros de altura). O único ponto seguro era onde Dean estava. Não era dos lados, na frente ou atrás dela. Era exatamente onde a Éther se encontra abaixada, realizando assim o Spine (Super.Nível.1) . Um dos seus movimentos mais fracos com a Aura Negra e o mais utilizado de seu extenso repertório, já que a mulher decidia o que iria usar em cada embate e os que são menos “catastróficos”.


A Aura Negra já era uma velha conhecida e um terror para quem já havia enfrentado alguma vez na vida. Dean que é uma criatura que não só manipula o Aether e o Nether, usou-se de seu conhecimento para fundir os dois em um estado físico, matéria esta que poderia ser tocada, um organismo vivo que inicialmente parece ser uma fumaça negra. Dean controlava a biomassa dela, transformando-a em coisas surreais e outras bem dentro do imaginário, e esta habilidade que era tanto ofensiva quanto defensiva, transformou o cenário em um playground de alucinados.


Cada espinho era duro, afiado, tão forte e perigoso quando um amontoado de pedras preciosas, almejadas por sua estrutura e aparência. Neste momento, Dean não só fez duas ações impensadas, como também via Tempestas cara a cara.


As consequências do Spine podiam ser ruins para os dois seres. Primeiro: ela não sabia se aquilo afetaria Tempestas, o que ela esperava que sim. Já era a segunda vez que a criatura vinha por baixo de si. Segundo: Keepler se não se defendesse, ocorreria o risco de ser empalado ou encurralado pelos espinhos, tendo seu corpo afetado por isso, mas de uma forma menos grave ao comparar a perfuração.  No entanto o Spine foi mais útil que isso! Dean não havia notado que alguma coisa a mais havia sido lançado em sua direção além da Dracena! Para a mulher que se focou apenas na criatura, foi surpresa ver faíscas mais à frente, onde os espinhos intercalados interceptavam as cartas lançadas.


Diferente da Oyakän a Aura Negra não parava e nem era refreada. Uma vez lançada não tinha volta, e o que aconteceria dali? Ela não tinha ideia, no entanto, enquanto o Diamond se recusar a enfrentar o reflexo de seu problema corpo a corpo, a Éther não ficaria forçando seu físico. A Aura Negra apesar de forte, não exigia tanto esforço de Dean, nem mesmo a Oyakän, ela conhecia bem as suas habilidades, a extensão delas e enquanto os mantivesse em um nível baixo e mediano as coisas estariam “boas” para ela por um tempo.


Dean imaginava que ele daria um jeito de se livrar disso, de defender-se, mas a ideia era que ele entendesse que não adiantaria ele ficar escondido atrás das cartas ou Tempestas, uma hora ele teria que sair, nem que ela acabasse com todas as coisas em volta deles de uma vez para que ele entendesse isso.


A dureza da mulher era evidente, para o que ela tinha que fazer, não adiantava ser mole. Isso era uma luta de dois Titãs, mestres de seus dons e suas artes. Não era uma luta de quem achava que era possível ou não das coisas acontecerem. O cenário estava dominado por dois mestres indomáveis de seus próprios meios de combate e eles sabiam até onde podiam ir, e iriam até o fim.




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Round III - Movimento 1

Mensagem  【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr em Sex Nov 30, 2018 6:08 pm




The True Knave of Diamonds



Live House “Old Line”, horário de expediente.

Tudo era quase completamente diferente de se trabalhar numa taverna, constatou isso da pior forma possível. Se recordava que a alegria tinha uma densidade mais sincera e palpável no seu estabelecimento. Só entrava quem estava buscando algo objetivo, mais voltado para a alma e o bem estar do que para extravasar. A música trazia uma dança cheia de graça, fosse pelas flautas ou pelo alaúde, a melodia inundava o seu “eu” de maneira sublime. Haviam noites que as brigas corriam soltas e metade dos móveis viravam pedaços de madeira para lenha, ou ainda rodadas de apostas e de baile que duravam até o nascer do sol, entretanto o momento estava numa medida equilibrada, bem dosada. Perfeita. Não era o caso da boate.

Toda vez que Keepler ficava ocioso e olhava para a pista de dança, ele apenas enxergava a maioria pessoas querendo ser o que não eram, fugindo da realidade de um jeito deturpado. A bebida não era nem tanto o problema, e sim os clientes que consumiam coisas ilícitas nas áreas VIP’s (no caso dos mais ricos), ou os que faziam isso escondidos nos banheiros. Os seguranças nunca tinham paz, mal tiravam o olho de um e outro já estava tentando passar sorrateiro. Vulnerável, suscetível. Muita gente estava marcada com essas palavras ali. Contudo, seu trabalho não lhe obrigava a julgar e nem ajudar, apenas servir, e nisso a Taverna Milktooth e a Live House eram iguais.

As músicas eletrônicas ensurdeciam qualquer um ali dentro, mal dava para ter um diálogo sem usar alguns ”O que?”, ”Repete, não to ouvindo!””, ”Fala mais alto!. Pelo menos para quem estava na pista de dança. O homem alternava entre servir, limpar os copos e o balcão, às vezes alguém tentava puxar assunto e ele retribuía com cordialidade e simpatia, demonstrando uma brandura única, porque agia naturalmente para aquele tipo de serviço. Dezenas de anos trabalhando com público, isso acaba sendo internalizado. Com os cabelos castanho escuros presos na nuca em um rabo de cavalo, o Barman de olhos lilases, entre os vários atendimentos corridos, recebeu um rapaz que se aproximou do balcão, aparência de uns 16 anos, embora ali a entrada mínima fosse de 18, parecia mergulhado entre adrenalina e tristeza. Começou a pedir várias doses aleatórias de batidas, ficando um bom tempo no balcão, até chegar num estado bem deplorável, fazendo outro pedido, um inusitado dessa vez.

[Rapaz]: Me dê o drink mais forte da casa!! - Disse se debruçando sobre o balcão.

[Keepler]: Tem certeza?

[Rapaz]: Tenho!

Endeavour obedeceu ao pedido e fez o mix de bebidas em uma coqueteleira, que antes mesmo de sentir o gosto, o jovem parecia um pouco arrependido da escolha. Para o mago seria interessante ver a reação dele ao sentir o gosto. Como provava cada uma das batidas, sabia exatamente o teor de álcool de cada uma, seus efeitos instantâneos e o “coice”, e a bebida mais forte não era brincadeira, nem ele próprio foi resistente o suficiente para ela. Demorou uns dez minutos para aprontá-la, evidentemente criando um ar dramático, igual à um cientista maluco criando um monstrinho profano. Num copo de vidro transparente, a bebida tinha uma cor preta intensa, parecendo que era lama, e na parte de baixo, uns dois dedos do fundo, havia uma outra forma de líquido em cor branca.

[Keepler]: Aqui está, senhor. Essa bebida se chama “Holy…”- Não teve tempo de explicar o nome dela e nem sua composição, tampouco os efeitos para que o rapaz desistisse daquilo, o garoto virou tudo num súbito movimento -” … Death”.... Alguém se arrependeria em poucos minutos.

Já tinha visto outros marmanjos tentarem tomar aquilo, todas as vezes resultava em um idiota balbuciando algo enquanto o corpo não respondia e ele tinha de ser carregado para fora pelos amigos, providenciando algum atendimento médico. End tirou o relógio de bolso que carregava consigo para contar os segundos. O maior recorde foi o de 10s até os efeitos causarem estrago. Em 4 segundos, as orbes do garoto dançaram como os olhos de um camaleão e deu para perceber nitidamente os braços do moleque travarem em um espasmo e depois amolecerem como um saco de lixo vazio. Keepler apenas sorriu com o canto dos lábios, fechando os olhos e dando um leve suspiro, direcionando as palavras seguintes ao colega de trabalho que estava a menos de 2 metros dele.

[Keepler]: - Pode assumir o balcão por um instante? Temos mais uma vítima da “HD”...-

[Barman]: Caramba! As vezes acho que você quer abrir um cemitério! Vai lá, rápido! O pessoal tá louco hoje!

O mago acenou com a cabeça, já estava do lado do garotão prestes a desabar no piso, passando o braço dele por cima dos ombros e o conduzindo para o banheiro masculino. Com muita dificuldade pela multidão, conseguiram chegar ao lugar, onde ajudou o mesmo a se ajeitar em um dos boxes, estava tão pálido quanto a privada e suava como um milho cozido. O segurando com firmeza para que o cliente não caisse, sugeriu

[Keepler]: - É melhor forçar a bebida a sair, do contrário só vai piorar....

Mesmo atordoado, o pobre infeliz entendeu a recomendação e tentou enfiar dois dedos na própria garganta, causando um refluxo que jogou toda a bebida para fora, junto com uns restos de comida e suco gástrico. Entre os sons audíveis de repulsa, Endeavour questionou.

[Keepler]: - O que te magoou ao ponto de te conduzir à um quase suicídio alcoólico? - O garoto olhou aturdido para o moreno - Ninguém vem ao meu balcão me pedir a bebida mais forte da casa a toa, geralmente são pessoas querendo se mostrar, mas certamente seu caso é outro. -

[Rapaz]: Hmm.. Minha futura noiva me traiu...

[Keepler]: - Lamento... - Mas não sentia empatia de fato, era apenas mais uma história como as milhares que já ouvira se repetir ao longo dos séculos.

[Rapaz]: Ela estava saindo com outro cara, segui eles até aqui, os peguei no flagra. Não me viram… Eu ia… Eu ia dar um fim nessa droga, mas não consegui. - Parecia muito envergonhado e, em meio ao mal-estar, uma inquietação anormal apareceu.

[Keepler]: - “Dar um fim?! - Estreitou os olhos, já tendo uma ideia do que poderia ser. O rapaz desviou os olhos e gaguejou, e prontamente End o empurrou contra a parede do pequeno cubículo, torçendo o braço dele e revistando parcialmente suas vestes para procurar algum tipo de arma, o que não foi difícil de achar: Um revólver. O moleque só teve tempo de resmungar de dor pelo braço torcido. Não tirou o item da posse do rapaz, apenas se afastou, indo até a pia para lavar as mãos. Esse tipo de reação não era o esperado após descobrir algo assim, nem o sujeito entendeu.


[Rapaz]: Não… Não vai fazer nada? C-Chamar os seguranças?

[Keepler]: Porque eu chamaria? Você já está tendo uma noite péssima, não irei me dar o luxo de piorar. Não atentou contra a vida de ninguém… E eu não acho que nem vai fazer, convenhamos: Percebeu que isso não vai resultar em nada positivo se o fizer. Então vou lhe dar a chance de sair daqui em paz, sem fazer alarde. Basta sair daqui e passar direto para a porta de saída. E fim. Então... -

A porta do banheiro bateu contra a parede com força e o som do salão invadiu o ambiente, o mais evidente, entretanto, era uma voz masculina e uma feminina a gargalhar de maneira furtiva travessa, um casal aos amassos buscava uma privacidade proibida no recinto. Entre beijos, amassos e apertos, eles demoraram um tempo até perceber que haviam pessoas junto. A mulher paralisou ao ver um dos dois ali, uma expressão de incredulidade e total pesadelo.

[Mulher]: J-Julian?!

[Homem]: Hey quem é esse?!... Espera, é quem eu tô pensando? Ha-ha! Meu Deus! - Enquanto o amante parecia estar se divertindo com aquela cena de novela, a morena ficou “em choque”. Ela não conseguia falar ou reagir direito, fosse em prol de seu namorado estupefato ou seu amante grosseiro.

Endeavour, por sua vez, não se compadecia e nem se irritava com a cena, ficou observando o rapaz, trêmulo, em uma aura que mudava da vergonha e do medo para uma de rancor e raiva. O rapaz achou que era rápido, que seria veloz o suficiente para sacar a arma e surpreender a todos. Moveu o braço para trás das costas para puxar o revólver. Ele só havia esquecido de como Keepler tinha acabado de imobilizar ele contra parede… Na verdade ele não sabia que o “Barman” estava vendo tudo ali.

Estava ao lado do rapaz um pouco atrás, a menos de um metro. Sem precisar mudar a expressão facial, moveu-se de um jeito veloz e furtivo, pondo a mão direita no ombro de mesmo lado do Julian, enquanto a mão esquerda puxava o pulso dele para impedí-lo de fazer qualquer coisa. Não apertava, contudo deixava imóvel.

[Keepler]: Bem, podem conversar depois. O rapaz aqui fez bagunça no bar e já está de saída. - Respondeu esboçando um sorriso automático no rosto, típico de alguém que está apenas cumprindo seu trabalho e nada mais que isso. - Vamos!

Não esperou uma resposta positiva, apenas conduziu o rapaz para fora, tentando parecer normal. Todavia, fora propositalmente desleixado em deixar a mão do garoto travada segurando a pistola nas costas, queria que a mulher visse do que tinha acabado de escapar, por culpa própria. End a encarou quando passaram pela porta e o pavor nos olhos arregalados dela provaram que o recado tinha sido bem dado.

Na boate, a loucura permanecia a mesma: Música alta, muita gente e tudo num clima explosivo. Passou direto pelo pessoal, até pelos seguranças para não levantar mais suspeita, apenas com a desculpa de que era um amigo dele que tinha ficado muito mal e que o deixaria num táxi. Soltou o cara na calçada, sem se preocupar muito em deixá-lo cair no tropeço das próprias pernas. De pé, a beira do passeio, aguardava qualquer transporte passar, deixando as mãos do bolso enquanto seus olhos ficavam atentos no vai e vem dos carros.

[Rapaz]: Eu…. Eu ia… Eu quase... Meu Deus! Me perdoe… - Balbuciou e choramingou por quase 5 minutos.

O mago parecia não ouvir, nem fez nada para acalmar ou repreender o outro. Um táxi vinha em direção à ele e Endeavour gesticulou com a mão e ajudou o rapaz a se levantar e entrar no veículo. Keepler tinha feito até pouco pro miserável, pois na taverna ele tratava todos os seus clientes como reis, até mesmo um pé rapado era visto como alguém de importância e muito bem atendido. Entretanto, havia algo substancialmente diferente ali. O bêbado, deixou o corpo ceder no banco de trás do veículo, já com a porta fechada, ele inclinou a cabeça para fora do carro para falar algo antes que o homem fosse embora.

- Obrigado por estar aqui! Obrigado por...- Não chegou a concluir a frase, porque foi interrompido.As feições do Diamond se fecharam como uma tempestade diabólica, como tirar a máscara de um carrasco no meio de um açoite.

[Keepler]: Não agradeça por isso, eu não queria estar aqui em hipótese alguma! - A rispidez na voz do rapaz deixou uma forte impressão de que estava ali a força. A súbita mudança facial denunciava que ele não tava reclamando do trabalho, tampouco da cidade. Era algo muito mais profundo e carregado de sofrimento.

Foi como se sua mente ficasse nublada e ele só fosse capaz de enxergar o próprio tormento, seu único foco. Keepler não trabalhava na Old Line porque era um cidadão comum e de bem. Ser comum definitivamente não se encaixava com ele, entretanto, se estava sofrendo tanto, porque levava uma vida “normal”? Estava preso em Second a muito tempo, para abrir portais ele precisava de energia, e como estava sempre tentando abrir vários para voltar pra casa, isso demandava sempre estar em boas condições físicas então precisava dormir bem e comer bem. Isso custava dinheiro: Roubar? Nunca precisou disso, sempre se virou ao longo dos anos, não passava aperto…

Nos primeiros dias que não conseguiu abrir passagem, achou que tinha sido devido ao cansaço e os ferimentos que teve ao “aterrissar” nessa dimensão. Alguma coisa o pegou no caminho como um cometa se chocando com outro no espaço, atropelando-o de maneira violenta. Passou semanas, seus recursos básicas se mostraram cada vez mais urgentes e programados, até que a necessidade de um teto passou de morar numa tenda na floresta para ir até um albergue e depois chegar a um apartamento pequeno. Criou uma vida sem a mínima vontade de estar ali, pensava assim quando cego de mágoa.

Old Line? Esse foi um capricho… Depois de ter detonado o lugar todo ao lutar com a jovem e perigosa Alice, Keepler se sentiu obrigado a ressarcir as pessoas que precisavam do estabelecimento para viver. Ajudou na reconstrução do lugar e também se candidatou à uma vaga no bar. Trabalhar ajudaria a ter recursos assim como, moralmente falando, sentia que estava pagando sua dívida ali. Trabalhava sem questionar, mesmo que recebesse algo desproporcional à tudo o que fazia.

Trabalhava, morava e estava ali contra toda a vontade do seu ser. O que Mabelle pensava? Será que estava bem? Estava preocupada? Triste? Precisava dele logo? As dúvidas roubavam-lhe os sonhos, o ânimo e a paz.

Contudo, pela cegueira de sua agonia, ele ainda não conseguia ver o que tinha ganhado ao estar ali. Algo além do sangue, além do tempo e do espaço. Tão precioso e importante quanto sua amada na terra. Esqueceu deles sem de fato esquecer: Yue, Lilith e Dean. Após o genocídio dos Diamonds, Mabelle e seus criados da taverna eram a única representação de família que ele tinha. Agora, tendo que lidar com a dor de perdê-los, ainda estava com os olhos vendados para o que tanto desejava e estava embaixo de seu nariz. Conviver com os garotos lhe davam a sensação de ter os filhos que não podia, vê-los crescer, brigar e sorrir… Ainda que fosse melhor como tio do que um pai postiço; Dean era a irmã que nunca teve… Ou se teve não conheceu, se davam bem, se entendiam (na maior parte do tempo), se incomodavam como familiares e, apesar de tudo, contavam um com o outro. Mesmo na sua mente caótica e entristecida, quando pensava que precisava de algo pra se sentir bem, os três vinham em sua mente. O tio que surgia com pizza do nada, ou a babá improvisada para a amiga conseguir fazer suas coisas sem ter que se preocupar tanto com os filhos semeando o inferno na terra. Todavia não seria capaz de ver isso sozinho. Se mostrar um mago poderoso não era o mais importante, mesmo que esse fosse o objetivo que ele almejava em meio a agonia. No final das contas, ele precisava ver o horizonte de céu azul após a tempestade.

Embora seu corpo se movesse para a luta e ele empunhasse quaisquer armas para mostrar seu valor, sangrando e ferido, o espírito dele era o mesmo, diria a mesma coisa, duas únicas perguntas: Porque? O que eu devo fazer? - Essas respostas talvez viessem de Coroline.


Hoje, em Sarah Forest..

Momento 1 - Ação I e II

Dean estava sendo uma oponente extremamente complicada. Uma caixinha de surpresas de mal gosto. Não dava para avançar de qualquer jeito, nem simplesmente recuar, e ela praticamente não tinha saída do lugar de onde começaram o embate. Keepler tentava encontrar alguma expressão de esforço, um sinal de que ele tinha feito algo que excedia qualquer coisa que ela tivesse imaginado. Enquanto que o homem mudou de posição, usou recursos significativos de seu acervo para se proteger e atacar. Uma hora o corpo iria reclamar disso sem cerimônia.

Um dos pensamentos vindo de uma plateia imaginária seria se aquilo era uma luta ou jogadas ensaiadas. Um ainda não havia tocado no outro até o momento, e a seguinte articulação de Endeavour poderia dar a entender isso. Foi, literalmente uma jogada de sorte.

A Jack of Diamonds: Velocidade Amplificada – Domo de Velocidade: (S.T - Lv03)¹ estava ativa antes mesmo dele invocar a runa UNUS e lançar duas cartas contra Dean. Em resumo, ele e suas cartas estavam quase 3x mais rápidos que todas as coisas no cenário, incluindo a oponente, os recursos e o cenário², muito provavelmente por ele estar parado e todo o resto estar sob efeito de sua Carta-Marca, talvez não fosse algo tão fácil de se perceber, em aparência. Exemplo? É como se todo o resto fossem objetos afundando na água e Endeavour era um peixe-agulha ali. Embora fosse uma técnica excelente para golpear e se defender de oponentes velozes, tinha outras várias utilidades, uma delas era a preferida e a mais utilizada pelo o mago: Estar mais rápido que todo o resto faz parecer que o tempo foi esticado, que se é permitido fazer mais coisas em menos instantes, nesse caso, servia para Keepler poder olhar e analisar ao seu redor com mais segurança e assim tomar decisões mais precisas e efetivas.

Pode ver a beleza celestial do escudo de Dean se formando em seu punho, assim como deu pra vislumbrar em um show de câmera-lenta ela subir aos céus com o impulso de seu equipamento. Foi a primeira vez que ela fez um movimento grande, comparado ao sorriso nos lábios e a chuva corrosiva, aquilo incendiou a voracidade do Knave em encontrar uma brecha.

Ela atacou a mim e a Tempestas ao mesmo tempo… Pela desvantagem numérica ela permanecerá mantendo ambos fora?... - Dean chegou ao ápice da altura que podia alcançar com aquele “salto” e estava na iminência de descer com a mão preparada para socar a Dracena ou solo, mas havia Aura Negra em punho.

- O primeiro ataque tinha aquela coisa dourada, agora está usando essa energia negra...Se eu deixar esse embate vai seguir o ritmo dela e não o meu… - logo ela chegaria ao chão, deveria interceptar ou algo assim? Flash’s das asas de Dean e do braço dela se regenerando, quando a mesma lutou com a criatura Hisako, fizeram ele se lembrar que o alcance de corpo a corpo dela era muito maior, como faria para executar um ataque direto sem que ela visse e nem sentisse chegar? Algo brilhou como um corte no ar em sua mente quando percebeu as possibilidades à sua volta e onde estavam, havia uma brecha quase perfeita.

Hora da música e da dança mudarem.

Quando Coroline se chocou contra o solo foi como ver uma imensa pedra despencar dos céus e cair no oceano, o impacto levantar ondas que se expandiram. No caso dela não era água e sim um mar de espinhos vorazes e de tamanhos irregulares. Eles avançaram para todas as direções fazendo o exato movimento citado de antes. Keepler ja havia traçado seu plano de defesa e contra-ataque. A forma espectral de Tempestas, por sua vez, desapareceu completamente, sendo varrida como poeira pela aura. O livro permanecia na mão de Keepler, ainda em um estado de frenesi gritante por causa do que a mulher fez. Não era bom, mas naquele instante não era o mais preocupante.

Ainda que estivesse mais rápido, a quantidade e o tamanho dos espinhos era um obstáculo dífcil. Endeavour chamou todas suas cartas disponíveis ao redor (Telecinese - T.B) enquanto executava um salto na vertical, usando toda a força que podia em seus pés, isso iria lhe render pelo menos estar a quase 2 metros do chão, onde elas se juntavam e formavam uma placa retangular (01m x 1,5m), como uma espécie de “tapete voador”, pela composição de sua estrutura, aguentavam o impacto da maioria dos espinhos que vinham debaixo e o levavam para trás e para cima. O salto por si sójá havia eliminado a probabilidade de ser acertado por uma quantidade boa, mas não da totalidade. Parte espinhos mais altos forçaram ele a “manobrar” no ar como um surfista para desviar das pontas em um espaço extremamente apertado, fazendo com que ele ainda assim fosse atingido: na perna direita pernas com algumas perfurações superficiais, cortes de raspão no tronco e costelas ,seu braço direito sofreu danos de mesma gravidade, como se uma rajada de navalhas tivesse passado por ele. Foi uma forma de evasão bem rústica diante do que ele era capaz de fazer, e se não continuasse em movimento, provavelmente teria ficado aprisionado pelos espinhos. Foi uma cena rápida: Um homem em uma plataforma de cartas serpenteando para escapar de espinhos que se enraizaram em direção aos céus. As cartas deflagradas pelos espinhos (Nº 2 e Nº 6 de Spades) refizeram a trajetória, voltando para perto de seu dono, que as pegou com a mão esquerda no ar e as manteve presas entre os dedos.

Os ferimentos queimavam e ardiam, aumentando a adrenalina dentro de si próprio. Os efeitos do pó dourado ainda estavam no ar, fazendo Keepler manter a respiração pesada como um lobo após uma corrida alucinada atrás da presa. Evitou a garganta secar engolindo a própria saliva e ofegando, forçando a boca a fechar fechando a mandíbula ao ponto de ranger os dentes. Desligou o poder de sua Carta-Marca (Jack of Diamonds - S.T Lv.03) e começou sua investida verdadeira.



Momento 2 - Ação III e IV

Afastado a mais de 10 metros de Dean, Keepler avançou em movimentos alternados em zig-zags aleatórios, tanto na vertical quanto na horizontal tentando camuflar o trajeto que faria em direção a adversária, com o também servia para que não fosse um alvo fácil, fazendo todo o teatro de quem iria partir para o ataque físico, chegando a cerrar os punhos e a encarar com convicção de que era aquilo que ele queria. Urrou como um general na guerra inspirando seus homens a seguí-lo para a vitória ou a morte. Agora ficou mais claro que Keepler ainda vivia como um militar de Naipes que, embora não houvessem mais as pessoas vivas ao seu lado, ele ainda estava cumprido seu papel, sua obrigação, nesses últimos 700 e poucos anos sozinho. Ser o quem era, de onde veio e suas origens permaneciam tão firmes como se tivesse sido exilado de lá ontem.

Tempestas por sua vez voou em direção ao meio da arena, ficando acima dos dois, como um observador agressivo, porque a energia dela ainda emanava com total hostilidade. Ela estava mais alta que as copas das árvores que haviam ali antes da mulher dissolver praticamente tudo, estando na companhia de duas cartas do mago orbitando em seu entorno. Ela ainda era capaz de refletir sobre o companheiro, e mesmo em tantos anos juntos, jamais questionou essa lealdade inabalável dele, contudo isso estava levando-o a um patamar perigoso, e dessa vez nem a própria conseguia ignorar. ”Você está tentando arranhar ela ou se despedaçar, garoto?... Você não vai durar muito se continuar nesse ritmo”. Pensou consigo mesma, conhecia os limites do homem e vê-lo usar tantos poderes de baixo a alto nível em um infimo espaço de tempo ia ser um valor alto a se pagar… E podia acontecer a qualquer instante.

A investida de Endeavour começaria agora. Liberado do consumo de energia do Dracmório e com sua carta-marca desativada, podia usar outras cartas mais poderosas. E uma delas estava no ambiente mais ideal: Anoitecer. O sol não havia se posto totalmente, haviam muitas sombras no local, mas 3 em especial para ele eram o foco. Vê-las e saber onde estavam bastava para que seu ataque tivesse uma ótima execução. Os pés na plataforma de cartas energizaram algumas delas, a primeira carta foi a King of Trevor (S.T Lv.02 - Umbracinese), a carta que dava o poder para ele manipular as sombras como bem entendesse e as fizesse de sombras. Todo aquele lugar agora era seu domínio de poder. Com esse recurso habilitado, Keepler expandiu sutilmente a própria sombra sobre a plataforma a qual estava surfando, fazendo certas cartas embaixo de seus pés nus entrarem na dimensão das sombras ativadas e saírem em lugares bem específicos.

Momento 3 - Ação V, VI e VII ³

1º) A sombra do queixo de Dean projetada sobre o próprio pescoço seria de onde a primeira carta iria sair, a Trevor Nº 10 (T.E), esse artefato já sairia com o efeito liberado, com a capacidade de anular ou neutralizar temporariamente o uso de quaisquer tipos de energia, por ser uma região bem inesperada, esperava que aquilo fosse efetivo e pudesse prejudicar por um tempo o uso dos poderes da oponente; 2º) O segundo passo seria fazer com que os pés dela pudessem atravessar as próprias projeções de si como portais, como se um buraco abrisse debaixo da mulher e ela fosse cair, isso era para sobrecarregá-la de informações, trazer-lhe um alerta falso de queda, visto que ele não tinha o intuito de fazê-la despencar na dimensão das sombras; 3º) A outra carta que usou saíria da sombra do braço dela projetado sobre a costela esquerda da moça, a Trevor Nº 5 (T.E). Essa, após sair da sombra, iria ter como foco incinerar o corpo de Coroline como um lança-chamas infernal instantâneo que saíria da carta em direção ao tórax, braços e rosto da mulher. Aquilo era para causar dano mesmo, derreter sua carne, pele e órgãos, consumir tudo em sua linha de projeção. Sabia que ela poderia se regenerar, mas ficar sem os os olhos e totalmente exposta por um tempo lhe dava um tempo precioso

Executou toda essa combinação de ataques simultâneos enquanto dançava no ar, tendo como referência para parar de se mover quando as chamas tentassem incinerar Dean, se fosse uma investida bem-sucedida, assim se manteria a uma distância segura. Ela podia exercer uma pressão assustadora no combate, mas ele não iria ceder assim, ia bater testa de volta para evidenciar seu valor e sua posição de Knave of Diamond. Seu corpo talvez não aguentasse o tranco, o suor escorrendo pelo corpo, o cabelo grudando na face, com um dos olhos abertos mirando onde a mulher estava, o mago aguardava, enquanto as cartas de Trevor e de Diamond ainda rodavam em torno de seu tronco lentamente. No momento, a dor era seu combustível mais forte.






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Round 3 - Movimento 2.

Mensagem  Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ em Ter Dez 11, 2018 8:16 pm




UMA SEMANA ATRÁS.


ESTAÇÃO DE TREM NEWCASTLE. INGLATERRA, ÀS DEZ E MEIA DA NOITE.


Mako não acreditava no tão ruinzinha que Dean estava decidida a ser, apesar de ter pedido ajuda, de ter praticamente implorado após está ter em mãos as suas armas gêmeas, a Éther praticamente lhe tacou um “NÃO ENCHE” na cara mais de uma vez. A jovem cientista não compreendia a relutância da mulher em ajudá-la, antigamente Coroline não pensaria duas vezes ao embarcar em uma história dessa, até mesmo quando sabia que não receberia nenhum dinheiro. Se perguntou o que havia mudado na amiga.


A verdade era que Mako sabia, Dean estava confusa, perturbada interiormente e com muitas coisas na cabeça, ela apenas falar dessa entidade agregaria a mais uma coisa para a amiga ter que pensar e mais um problema para se resolver.


—— Sinceramente?  Eu acho que eu fui meio que egoísta, ela tá sempre consertando as minhas merdas mesmo.


E de fato, isso tinha um pouco de verdade. Coroline não pertencia a Ordem, ela nem dava atenção para as coisas que aconteciam, a não ser que o assunto seja de extrema importância, ela nem ouvia as ofertas de trabalho para sair mundo á fora. Apenas aparecia uma hora ou outra para a jovem mulher dar um jeito no seu armamento, além do mais, ela foi quem as fabricou em gratidão por Dean ter a salvo em um momento de descontrole nos setores especiais do alojamento, onde alguém muito curioso e muito, mas muito infeliz, resolver ler um trecho de algumas páginas do Necromicon encontradas. A aventura foi um inferno para Mako, mas despertou algo na Éther que jura até hoje, nunca ter se sentindo tão “natural”.


O semblante da mulher se tornou triste assim que se deu conta que estava realmente viajando sozinha.  Mako havia ficado alguns minutos do lado de fora do Trem, ainda na estação da cidade em que houve o último ocorrido sobrenatural, ela teve esperanças de que a Éther fosse encontrá-la ali, enviou várias mensagens que pelo visto, foram duramente ignoradas.


A cientista se acomodava em um dos bancos acinzentado e com faixas avermelhadas, seu assento ficava no terceiro vagão, tinha consigo apenas uma bolsa com seus documentos, uma bolacha de chocolate e é claro, sua arma, um Colt Mustang Elite, o 380ACP junto a seu smatphone. Não havia certeza de que a criatura acabaria aparecendo, mas por via das dúvidas, era melhor se garantir de alguma forma.


Mako se acomodou no assento, afundou o corpo nele e apoiou as mãos sobre a mesinha, entre o seu local de descanso e o que seria logo, logo, de uma outra pessoa a sua frente. A mulher ficou pensando sobre o que faria se estivesse certa. O Lošo Voploteno poderia acabar se tornando algo que ela não gostaria de ver, mas Mako era insistente. E como ela era insistente. Sozinha iria sem ter muita coragem consigo, ela se importava, se incomodava com as perdas, e não queria deixar algo assim solto pelo mundo!


—— Eu acho que eu sou muito idiota... —— Ela sussurrou para si mesma, afastando esse sentimento pobre de sua mente.


O Trem começou a andar, ela que olhava pela janela pensou por um momento que poderia ter ainda em si a esperança de não embarcar nessa aventura sombria sozinha, bom, ela tinha o direito de sonhar mesmo que fosse pouco. Encostou-se no banco. A cientista sabia que o trem teria poucas paradas e esperava que em uma delas, encontrasse essa criatura que tanto buscava. Na mente de Mako vinha os relatos nos jornais na TV, até mesmo o papel folheado inúmeras vezes a tinha impressionado. Deu mais uma olhada pela janela, mesmo que fosse para ter a ilusão de que veria Dean correndo por ali, avisando que iria se encontrar com ela, só que nada.


Enquanto visionava uma ação, quase que surreal de se acontecer, um dos passageiros se sentava a sua frente, este trazia abaixo de seu braço uma revista com uma capa cheia de motocicletas. Sentou-se ali, em um vagão com poucas pessoas e abriu seu entretenimento, erguendo-o em frente ao rosto e se manteve em silêncio. Mako se quer o notou chegar, nem o ouviu se sentar, se ela olhasse para ele neste momento, nem tinha como saber se era homem ou mulher. Seu corpo estava coberto por roupas largas, um sobretudo preto para falar à verdade. O que ela conseguiria ver do rosto dele, seria apenas a ponta de um chapéu. E isto não lhe seria muito estranho, o frio era um pouco predominante, as pessoas se agasalhavam como podiam. Só que este passageiro tinha um interesse particular a este vagão, e observava atentamente a moça distraída que via a estação ficar para trás com um grande desanimo.


Ela exalava medo... Cada suspiro e piscada deixava o cheiro ludibriante do medo ser expelido para fora de seu corpo, os poros de sua pele derramavam a essência, era um medo real, puro, camuflado abaixo de sua falsa expressão de força. O passageiro sorriu, ele a adorava.





EM SARAH FOREST. DIA ATUAL.


Coroline nunca pensou que uma ação sua sem ser “ordenada” acabaria tendo resultado. Quando seu corpo foi de encontro ao chão e seu punho se afundou ao solo, Dean não pensou (ela não acreditava) que teria algum efeito em Tempestas, tanto que a Éther abaixou a cabeça perante a Dracena já esperando uma bela de uma mordida ou de um fogaréu para o seu lado. Dean se levantou apenas para ver o seu ataque funcionando, e como isso era possível? Acho que eu já havia explicado, mas vamos novamente para entender como a Éther fazia essa peripécia.


A Aura Negra ao ser liberada, era visualizada antes pela Éther e seguiria esse trajeto até o fim da execução. Quando Dean colocou o seu punho no chão, afundando-o contra o solo, ela dispersou essa habilidade imaculada, um intenso semblante do dom de criação. Uma parte dessa Aura que se espalhava pelo solo em um trajeto apressurado, subia tomando forma, mudando sua estrutura de modo surpreendente, mas sempre que um espinho se formava, não demorava para que no intermédio de dois segundos após sua estruturação, ele se transformasse em nada.

 

Quando o Spine  começava a tomar forma, ele não precisava mais que a Éther se mante-se presa ao solo, por conta disso, Orion que havia ficado pendurado atrás de si por conta de um dos componentes do Super, caiu no chão e a mulher deu dois passos largos para trás, retomando ele ao braço esquerdo, enquanto via ao longe o resto de seu ataque se formar e dissipar.


Ela visava a expressão do homem, seu olhar se tornou cerrado até ficar felino em aparência, com sua pupila na vertical.


Endeavour vinha em sua direção, Dean segurou o escudo com força, sentindo a tremulação do corpo de seu parceiro de longa jornada, Orion se comunicava em seus pequenos pulsos de energia, incomodando-a um pouco. O mesmo perguntava a ela, por que estava o empunhando se não tinha pretensão de usá-lo como este deveria ser usado, e a Éther apenas lhe respondia em linha de pensando: “Ainda não é o momento!” . A mulher afastou as pernas deixando a canhota a frente, ela deixava o corpo espairecer, forjando uma falsa sensação de que buscava equilíbrio, seu corpo inteiro inclinou-se para frente com Endeavour ainda mais próximo,  suas costas arderam, seus Patronos chiavam, Dean franziu ainda mais o cenho, parecia que ela iria arrancar contra ele, só que como eu havia dito antes, Coroline não era uma lutadora, ela era evidentemente uma caçadora, uma criatura moldada para caçar outras.

 

Levar a luta a este patamar não se tratava de se mostrar e sim fazer com que Endeavour se desgaste rapidamente.  Por que Coroline não se cansava? Por que ela simplesmente continuava estagnada no mesmo lugar em que se iniciou toda essa luta? Por que cargas d’água essa mulher não se incomodava?! A resposta era simples: Ela tinha Endeavour na palma de suas mãos. Todo esse tempo o mago se desgastava, usava seu arsenal enquanto ela se acomodava com o mínimo, abusando somente com o seu Acid Rain.


Se para ela exigia força física e poder para viver em harmonia com os Patronos que guardavam os seus selamentos mais importantes, quem dirá para o humano ficar se esbaldando com a Dracena? Você não precisa ser um gênio da matemática para saber que um mais um, são dois. Keepler havia se tornado um pedante a ponto de ignorar simplesmente o fato de que ela estava o puxando para o limite e Coroline estava o conseguindo, enquanto se mantinha da melhor forma possível.


Mas... Paciência é uma virtude da qual ela carece e Dean estava cansada desse jogo de cartas.


“Que seja” , ela pensou de forma desgostosa, que se danasse tudo. A brincadeira de criança acabava agora! Sua mão esquerda dessa vez seria o primeiro “mártir” de Keepler. O Thunder Claws de Dean etraria em ação contra aquele mago que brincava de ziguezague no ar. A mulher ergueu a mão em frente ao rosto, está emanando eletricidade. Se havia uma coisa que Keepler não havia visto ainda, era que Dean era manipuladora de energia, ela não só manipulava, como ela era mais que um reator solar ambulante, uma das suas habilidades mais icônicas, não era a Oyakän, mas sim as várias formas de manifestação dessa energia, a eletricidade era uma delas.


Isso causaria algum espanto em Keepler? Ela nem imaginava, pois agora seu semblante se tornava assustador com aqueles feixes luminosos que percorriam pela sua mão, agora transcorriam pelo seu corpo, fazendo os cabelos ondulados se erguerem e se agitarem. A visão era aterradora, pois as írises douradas transformavam-se num branco luminoso, e as longas asas silenciosas saiam de suas costas, tomando forma e se agitando.


Coroline sabia sobre o que seu oponente armava? Não, óbvio que não, mas aqui estava um fato engraçado: as consequências sobre os seus atos eram bem-vindos a ela, mesmo que isso lhe custasse muito, mas e para Endeavour? Iria ele dizer o mesmo? Dean tinha quase certeza de que não. A iluminação de seu Thunder Claws atrapalhava a vinda das cartas surpresas, isso basicamente por que a habilidade exercida de Keepler era a manipulação das sombras, mas sem os pontos específicos cobertos, de onde sairia as caras do Knive de Diamond? De lugar nenhum, já que ele se deu o trabalho de aproveitar algo que já existe por intermédio de seu ser. E a graça é que Dean estava condensando essa energia para um “ataque letal”, que se tivesse a sorte de pegá-lo após seu disparo, iria derrubá-lo diretamente ao chão só por conta de seu coração para pela descarga que ele iria receber no corpo.


O que restou a Dean foi a falsa sensação de estar caindo, isso foi incomodo, tanto que suas asas saíram, preparadas para deixa-la pairando assim que a Éther viu o que havia baixo de seus pés,   mas Coroline não caia, a sensação de queda caiu por terra por notar que seu corpo não pendia para baixo, se quer cambaleava para os lados, continuava em pé, ela pendeu as sobrancelhas, era um ataque inusitado, uma armadilha e a Hakwins odiava truques. Isso só piorou seu humor. Mais de uma vez Keepler a atacou pelo chão, estaria ele pensando que em algum momento que a Éther não estaria preparada para mais uma surpresa abaixo de si? Com ações tão repetidas uma atrás da outra, da mesma forma? Difícil de se acreditar.


Dean estalou o pescoço, o lado esquerdo de seu lábio superior se franziu em um rosnado que mostrava a dentição dela branquinha e com as pontas estranhamente pontudas. O verdadeiro jogo agora começava. Que os Deuses ajudassem Endeavour, pois agora ela faria seu papel como Hellysiän. Não foi isso que ele estava buscando? Ver se estava fraco? Se ele havia se tornado um inútil? Cansada de aguardar pela bravura do homem, Dean agora não forçaria, ela o massacraria.


Tudo tinha um custo, quem não sabia disso?


Coroline se focava em Endeavour, mas precisamente no movimento conjunto de suas cartas, ele podia se movimentar o quanto quisesse, a Éther não se incomodaria com isso, usava-se de seu corpo, suas habilidades naturais já bem conhecidas: seus sentidos eram aguçados, existia uma frequência que podia a incomodar, assim como certa iluminação podia afetar suas retinas (estando em uma determinada “intensidade”).  Seus olhos acompanhavam-no de forma perigosa, como se quisesse comê-lo, e isso poderia acabar acontecendo em algum momento dessa história. A Éther então ao ergueu a mão com a Thunder Claw carregadas, os dedos simulando o gesto de uma garra, onde Dean erguia o braço selvagemente redirecionando-o para Keepler com o intuito desse desviar do ataque.


E por que ela faria tal besteira, um leitor poderia pensar! Seria besteira se junto a isso Orion não tivesse sido lançado. Levanto em consideração que o escudo é maior que a Éther, e só ela tem 1.78cm de altura, e quase 60% dele é formado por um campo de força, dado ao Thunder Claw e o tempo de lançamento de Orion sendo Coroline ambidestra, ou seja, alguém que consegue usar ambas as partes do corpo com o mesmo nível de destreza que uma só, pode se imaginar que as chances disso tirar o Endeavour de cima de seu podia eram altas!


Orion não era só grande e trazia consigo a sensação de que o homem seria rasgado ao meio se aquele escudo por ventura viesse a seu encontro, como também seria o responsável por catapultar as cartas e Keepler no processo, mas independente do resultado a surpresa vinha logo a seguir de seu arremesso: Dean ganhou altura ao usar suas asas para se “alavancar”.  Dessa vez a Éther não estava esperando que Keepler se matasse durante a luta para depois lhe dar um belo de um chute na bunda, ela estava usando o cenário e a situação em pró de si mesma.


Seu corpo virou no ar, sendo envolvido pelas longas asas que tornariam seus olhos os dela. As duas asas se fechavam a frente dela enquanto eram envolvidas pela Oyakän, as asas juntas têm sua aparência moldada como se fosse uma lâmina após as penas se estenderem e esta ia em direção a Endeavour, com uma velocidade alarmante. O tempo de brincadeiras estava definitivamente encerrado, a Oyakän protegia a investida com sua natureza devastadora, então ela não só defendia como um contra-ataque externo, como também garantia a sua parte no processo! (Breaker), mas isso infelizmente para ele, não é tudo. Em caso dessa ação desse certo, Coroline acabaria causando danos em Keepler, e não eram danos levíssimos. Assim que se chocasse contra ele, a mulher acabaria indo para o chão com este e eis que suas asas se abririam revelando a densa Aura Negra que foi emendada com um soco de direita no centro do rosto de Keepler, o que seria suficiente para atordoá-lo. Logo em seguida segue com o punho esquerdo em sequência, visando acertar as costelas do oponente, uma vez acertado, Dean volta com a mão direita, essa envolvida com sua Aura Negra, revestida com três anelares energizados com a Flare de Cepehart (o equivalente a magia para os Éthers, mas sem conjuração ou “contratos”), ela imbui essa mão com tal habilidade a transformando em uma “Mão com Garras”, rasgando a barriga e o peitoral do oponente, trazendo-a aberta de cima a baixo, usando-se das garras recém formadas para isso, mas no processo, Dean não só usa as garras para cortar, mas perfura a carne e passa a puxar o corpo dele para cima para lança-lo ao ar e causar mais dor. Feito isso, ela vira o corpo, o braço límpido é revestido, transformando-se em uma nova “Mão”, só que em dobro do tamanho, rasgando o oponente de um lado da cintura a outra, ferindo-o abaixo do peitoral. O efeito do anelares do Flare durante essa ação é causar uma recuperação na Éther que absorve o sangue durante o ato sem resultar em choque para si e queimar as áreas cortadas de seu oponente (Dark Hand).


Se o processo fosse bem efetuado, Dean que começaria a se sentir incomodada pelo uso de habilidades fortes e contínuas, afundaria as unhas no ombro de Keepler e o ergueria, fazendo-o ouvir seu rosnado, um som grutual que faria tremer até a última fibra de seu corpo. Ela estava começando a sentir os efeitos da luta, não demoraria para começar a ofegar. Tudo o que envolvia a Flare ou um Patrono, mesmo que seja um componente baixo, levava um pouco de si, por isso o uso deles como parte de ação básicas era mais válido que habilidades mais elaboradas, mas infelizmente esse não foi o caso, com Tempestas acima dos dois, seus “aliados” se recusavam a deixá-la.


A mulher então aproximaria os olhos brancos, leitosos, luminosos e lhe diria com um profundo desgosto:


—— Tudo o que você tem até agora, NÃO VALE NADA PARA VOCÊ KEEPLER?!!!!!!!!


Ela o soltaria, afastaria seu corpo do dele e daria espaço para este se levantar. Em seu planeta natal havia um único ditado entre aqueles que lutam: Se a única forma de enxergar as coisas a sua volta é levando um belo de um soco, então que quebrem seus ossos até que as coisas fiquem claras!




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Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ
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Re: 【D.K】 Kєєρlєя Eиdєαvσυr Vs Cσяσlιиε Ð. Hαωкιиѕ

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